Autos nº 2005. 35. 00. 022911-4 classe



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ANTÔNIO DÂMASO, MÁRCIO JUNQUEIRA DE MIRANDA, ROCINE ou os respectivos apelidos. Logo adiante, porém:

(...) - Juiz: O senhor nunca ouviu falar? / - Réu: Não, nunca vi na minha vida. O problema é o seguinte: quando eu ia tirar, na Polícia Federal, que eu ia vê o processo na Polícia Federal que já tirei alguma cópia do processo, o Márcio e o Rocine constava posteriormente como sócio dessas empresas EURO FISH, IGROS e dessa empresa que teve falência, constava e eu tinha toda documentação, que era várias, toda documentação dele estava no meu escritório, independente de qualquer coisa, tinha todas.... essas empresas é.... uma vez a Vânia levou para mim uns cinco ou seis envelope de tudo isso aí de todas essas empresas, tá lá no meu escritório. Junto... e sempre me pedia às vezes eles queriam abrir uma empresa, aí ele mandô identidade e CPF de vários sócios lá. De vários sócios, de várias pessoas, pra podê... inclusive, acho que eu pedi até, na época, para dar uma busca prévia de nome mais a empresa... não aconteceu.(...)”

Também negou conhecer CARLOS ROBERTO DA ROCHA, Luís Carlos da Rocha, Antônio de Palinhos Jorge Pereira, Luís Manoel Neto Chagas, Manoel Horário Kleiman e Jorge Manoel Rosa Monteiro ou as respectivas alcunhas. Contudo:

(...) - Juiz: Tem um documento aqui que foi apreendido na casa do senhor, em nome de Jorge Manoel Rosa Monteiro. Cópias das cédulas de identidade e CPF. / - Réu: Eu não olho muito... quer dizê, quando manda eu abri, mas eu tenho quase certeza que foi quando o Jorge levou essa documentação que era pa abrir a empresa. Era um casal, era uma moça e ele. Eu num olhei muito o nome da pessoa, assim num me toquei, agora da moça eu tenho certeza que olhei porque aí bonita, eu vi, olhei, até não sei se é Gorette, Georgette, falô em mulher opa, olhei, até achei... mas ficou lá, mandei, mandei não busca prévia.... / - Juiz: Não entendi isso aí, falou em mulher o senhor... / - Réu: Ã? / - Juiz: falou em mulher o senhor... / - Réu: Não, falou em mulher eu fico meio.... eu gosto, fico interessado mesmo. Aí quando eu vi que ela era bonita. Essa eu me recordo que ele levou lá junto com um... era... eu sei que era um casal, entendeu? Levou as cópias, levou pra mim poder, como é que diz, abri. Abri uma empresa, deve ter até por lá pelo escritório o nome da empresa que seria pa abrir, porque eu, se num, se num foi dada a busca, mais pelo menos o formulário foi preenchido. (...)”

Em seguida, novamente indagado sobre os serviços prestados ao acusado JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS, bem como sobre a razão por que um veículo de sua propriedade não estava registrado em seu nome, afirmou:

“(...) - Juiz: O trabalho que o senhor prestou pro seu José Palinhos foi só abrir empresa? / - Réu: Só abrir empresa e a compra de imóveis. / - Juiz: Compra de imóveis. / - Réu: Compra de imóveis. / - Juiz: Que consta aqui com o documento apreendido uma orientação dos senhor Jorge José Palinhos que o senhor fazia imposto e renda dele. / - Réu: Ah, imposto de renda. Já fiz / - Juiz: Já fez. / - Réu: Já fiz. Fiz dele e da Vânia. / - Juiz: Os nomes carros que o senhor tem? O senhor pode declinar? / - Réu: Carro atualmente não tá nem no meu nome, mas é um corola aquela Toyota corola. / - Juiz: Porque num tá no nome do senhor? / - Réu: Porque não deu tempo. Foi agora, num deu tempo, eu deixei lá com o despachante, tá uns dois meses ou três meses com o despachante, para fa.... a pessoa que me vendeu, porque eu troquei esse carro, foi uma Sherokke que eu tinha. (...) Eu tô esperando isso aí, fazer a transferência pro meu nome, que tá toda documentação comigo. quer dizê, tava comigo a documentação só do carro né, quer dizê, ficou toda documentação com ele pra fazer a transferência. / - Juiz: No depoimento na delegacia o senhor disse que não conhecia os outros acusados além do... / - Réu: A Vânia. A Vânia eu conheço. / - Juiz: Além do José Palinhos? / - Réu: Não. Num conheço, só conheço a Vânia. / - Juiz: E esses documentos que foram encontrados o senhor diz... / (...) / - Juiz: De MÁRCIO Junqueira? de Rocine? / - Réu: Isso é processo, isso é processo tudo isso é o tal de processo, é cópia de processo que eu tirava cópia do processo da Justiça Federal e da Justiça comum e eles constavam. Contrato social, xérox, identidade tudo, o que constava eu tirava cópia, no meu escritório tinha cópia de todos esses processos eles constam como sócios nesses processos. / (...) / - Juiz: Era costume do senhor nessa abertura de firmas, subornar serventuários do cartório? / - Réu: Nunca subornei nenhum serventuários do cartório o que aconteceu é o seguinte: foi uma vez que eu tava com referência a um, a uma, no contrato social teria que assiná, teria que reconhecer a firma na MONT MOR, entendeu? E foi o mesmo caso, o sócio não estava, não tinha assinado o livro, tinha a firma dele no cartório mas ele teria que ir a lá assinar o livro então o Jorge falou que não poderia porque ele estava em Portugal. Eu liguei com a pessoa, um despachante, e falei: "porra, tem condições de fazê?" ele falô "tem" ele falô "ó é 50 reais cada uma". Aí eu liguei pro Jorge e falei: "ó Jorge é 50 reais cada uma" ele falô "porra, isso tudo?" eu digo "é 50 reais que a pessoa cobrô". falô "então tá, quantas são?" Era uns, num sei quantos acho que de uns 600 real, olha, vô mandá uma pessoa lá e fez diretamente com essa pessoa que eu indiquei. (...)”

Quanto à documentação apreendida, disse:

(...) - Juiz: É porque o senhor disse na delegacia que não sabia o motivo dos documentos que foram apreendidos na casa do senhor? / - Réu: Não, num perguntaro nada disso não. / - Juiz: No depoimento consta. / - Réu: Não, não, num perguntaro não. / - Juiz: E a que o senhor atribui então essa inclusão no depoimento dessa frase? / - Réu: Não, olha, eu falo, inclusive, que num foi pego nem dento da minha casa esses documentos? / - Juiz: Ã. / - Juiz: (rectius: RÉU:) Os documentos foram pegos dentro do meu escritório. Sabe porque? porque quando eles chegaram, os agentes federais chegaram, pegaram vários documentos e botaro dento dum saco. (...) / - Juiz: Aqui diz que os documentos foram arrecadados numa pasta de uso pessoal do senhor. / - Réu: Ah não, na minha pasta. Se foi arrecadado na minha pasta isso sim, foi na época que pediu pra mim vê o CNPJ. Mandô essa documentação para mim, que pra tirar o CNPJ é obrigado ocê tê a carteira de identidade dos sócios, tem que tê o espelho e o contrato social e procuração. Foi quando mandô para mim esses documento, esses documento já tava na minha pasta desde, acho que num sei, de maio ô junho. Tava na minha pasta que eu tive... num foi necessário essa documentação toda, só foi necessário o espelho do CNPJ que eu aguardei pela uma numeração que tem, pelos números, aí você fica aguardano pra ver se já saiu CNPJ, quando saiu eu tirei a CNPJ. (...)”

Logo após:

(...) - Réu: Olha, eu num conhecia esse Roberto Plínio Martins da Silva, depois eu fui saber que ela era... foi um contador inclusive de uma empresa que eu já trabalhei. Eu nem sabia. Quem me falou foi o Osmário é, é, na, na, na... foi o Osmário lá na polícia já preso já. O Osmário é que me falô que ele era o contador. Mas eu já tinha até... que ele já tinha sido, já tinha visto falá com ele, mais eu não conheço não. / - Juiz: Essa empresa SUSTENTO ALIMENTOS, o senhor já ouviu falar? / - Réu: É lógico trabalhei nela. A SUSTENTO ALIMENTO eu já dei assessoria pra ela. / - Juiz: Tem alguma relação com Osmário? / - Réu: Não. Ah tem, com o Osmário, eu pedi pro Osmário, como é que se diz, arquivá essa empresa lá da Bahia. (...)"

Em seguida, porém, declarou que os sócios da Agropecuária Quinta da Bicuda eram DÂMASO, que disse inicialmente não conhecer, a esposa e Luís Carlos, negando ter participado da abertura das empresas Igros e Eurofish, afirmando apenas ter visto o processo. Negou ter efetuado a contabilidade de empresas do acusado JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS e afirmou que a Torres Vedras tinha funcionamento normal, dando detalhes da empresa, inclusive das duas únicas obras que sabia, em São Conrado e na Vila da Penha. Declarou que a atividade de JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS era de “empreendedor, empresário e comerciante”, desconhecendo empresa ou atividade relativa à exportação de carne. Quanto à empresa Oper Trade e à aquisição de imóveis:

(...) - MPF: O senhor não teve nenhuma relação com a OPER TRADE? / - Réu: Não, não, não. Apenas era a assessoria que me perguntava como é que fazia para fazer o contrato eu falava "é assim e assim" isso que eu falava. / - MPF: O senhor chegou a adquirir imóveis pro senhor José Palinhos? / - Réu: Adquiri vários imóveis. / - MPF: Qual era a forma de pagamento dos imóveis? / - Réu: Geralmente em moeda corrente e duas vezes, por umas duas vezes acho que foi em moeda internacional, dólar. / - MPF: Dólar? / - Réu: É. / - MPF: E como era repassado esses valores? Era dinheiro em espécie? / - Réu: Dinheiro em espécie. / (...) / - MPF: Qual era o papel do senhor especificamente? / - Réu: É olhá a documentação pra vê se tava certo, na hora. Era tudo dento do cartório, dento do cartório com seu MAURO DINIZ que fazia as escritura, lia a escritura para mim, e eu via que tava tudo dento das formalidades e tudo OK. Eu nunca peguei em dinheiro, nunca peguei em nada. / - MPF: E existiam situações em que o imóvel e era comprado por um preço e registrado por um preço a menor? / - Réu: A existia. / - MPF: O senhor se recorda em quais imóveis foi feito isso? / - Réu: Olha, esses dois imóveis aconteceu isso. / - MPF: Quais foram os imóveis? / - Réu: Foram o de... da... do Jardim Botânico, do Jardim Botânico, do Leblon e de Ipanema. (...)”

Na versão do réu, a origem da compra de tais bens foi informada por JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS como sendo valores em dólar desbloqueados na Suíça, negando saber o modo de entrada de tais quantias, que seriam declarados ao Fisco no ano de 2006. Posteriormente, quanto à pessoa de nome Olávio, disse que era um vigia a quem pagava R$ 500,00 para cuidar do galpão de um conhecido, mencionando novamente a Agropecuária da Bahia:

(...) - Defesa: Essa empresa que foi pedido pro senhor abrir, a Agropecuária da Bahia, foi aberta? / - Réu: Essa empresa agropecuária da Bahia? / - Defesa: Isso. / - Réu: Foi. / - Defesa: Foi o senhor que abriu? / - Réu: Não, não, nuca. / - Defesa: O senhor saberia informar se ela teria sede? / - Réu: Â? / - Defesa: Se ela tem sede? Se ela teria sede? / - Réu: Eu acho que é lá na Bahia né, que foi tudo feito pela Bahia, nada foi feito por aqui pelo Rio de Janeiro. / - Defesa: O senhor sabe qual que seria o objeto social dessa empresa? / - Réu: O objeto social dessa empresa? Olha era alimentação. / - Defesa: Alimentação? / - Réu: Alimentação. Eles falam que era alimentação. / - Defesa: Seria relacionada com carne? Com aquisição de carne, etc.? / - Réu: Não. Eu sei que era alimentação, em termos de alimentação. Poderia até ser relacionado, porque eu nem vi o contrato. / - Defesa: O senhor saberia informar porque que era utilizado o endereço do Olavo para receber correspondência na Bahia? / - Réu: Não, não era utilizado o endereço. Uma vez que Jorge tinha falado comigo " ô Estilaque, o problema é o seguinte, eu preciso recebê uma documentação que não seja aqui no Rio de Janeiro, de outro município" eu falei "olha, tem um galpão lá em Caxias, se for necessário tem um galpão necessário" ele falô "então qual o endereço"? eu passei o endereço pra ele, qualquer coisa ele tá lá, se chegasse alguma coisa ele taria lá. / (...) / - MPF: O senhor sabe como era composto o quadro social da Agropecuária da Bahia? / - Réu: Não eu soube que tinha dois sócios porque veio os documento para mim abri CNPJ, identidade, esses negócio todos do CNPJ. Eu sei que era composta de dois sócios e um eu lembro bem que na época era, era a identidade de um chamado o Vanderlei. (...)”

Quanto ao despachante Osmário, que formalizou a abertura da Agropecuária da Bahia, ESTILAQUE foi enfático:

(...) MPF: O senhor sabe quem são esses...? / - Réu: Não, não. Eu não conheço. / - MPF: Tem um diálogo que o senhor conversa com um despachante na Bahia que o senhor demonstra uma preocupação... / - Réu: Ah num foi eu não por.... / - MPF: ...que não pudesse aparecer. / - Réu: ...porque eu não conversei com ninguém na Bahia, foi eu não. / - Juiz: O senhor nunca falou com ninguém na Bahia? / - Réu: Não. Nesse período todo não. Que eu falei há muito tempo foi com Osmário, eu falei na Bahia, mais depois num falei mais com ninguém na Bahia. / - MPF: Mas o senhor tratou com o Osmário sobre essa...? / - Réu: Não, eu num tratei nada com o Osmário, nada. Num tratei nada com o Osmário. / - MPF: O senhor falou que com Osmário? / - Réu: Ã? / - MPF: O senhor falou o que com esse Osmário? / - Réu: Não, isso aí foi uma.... uma outra ocasião, isso é a um ano atrás. / - MPF: O senhor não tratou sobre o registro no CASSEG? / - Réu: Não, nada. Num tratei nada disso, nem sabia nada disso, fiquei sabendo agora por.. Vossa Excelência me falô. / - MPF: Sem mais perguntas, Excelência. / - Juiz: Doutor, pela defesa, alguma indagação? / - Defesa: Esse áudio aí que o ilustre procurador tá falando, é um que está constando no relatório? / - MPF: É. / - Defesa: Que eu acho que... nesse áudio quem fala é o George com o Osmário. É só pra esclarecer, essa folha 40 do relatório da Polícia Federal, e aqui é 596 o carimbozinho, o índice é o 1489628. (...)”

Embora tenha negado usar linguagem cifrada em conversas telefônicas, o réu foi confrontado com alguns índices de áudios interceptados, a fim de dar a sua versão:



(...) - Juiz: Não é o senhor quem está falando? / - Réu: Não, num é questão de eu tá falano, uma outra pessoa que deve tá falano uma coisa que eu não sei o quê que é. Só que código num.... eu num tem motivo pra sê código. / (...) / - Juiz: Certo. O senhor fala aqui, no dia 10/06/2005, índice 1652358, página 46 do relatório o seguinte: / / O JUIZ FAZ A LEITURA DA TRANSCRIÇÃO DO DIÁLOGO / / - Réu: É isso mesmo. / - Juiz: Um presente pra namorada dele, o senhor... / - Réu: Não eu pago a ele todo mês 420 reais. Então era a época que eu tinha que dá. Eu dô sempre dia 20 ou depois do dia 05, dia 06 eu dava, então eu sempre brincava com ele "vem recebê" era o pagamento dele que eu pagava pra ele. / - Juiz: Ah, o presente da namorada é o pagamento. / - Réu: É o pagamento dele. Eu sempre eu ligava pra ele e ... o presente da namo... pagamento dele. / - Juiz: O senhor fala aqui o seguinte: / / O JUIZ CONTINUA FAZENDO A LEITURA DA TRANSCRIÇÃO DO DIÁLOGO (índice 1598765 - página 46) / / - Réu: É muito ruim porque eu tava tudo ocupado, eu tava bastante ocupado. O quê que eu fiz, ligo, passei por telefone. Eu peguei uma cópia de uma procuração já pronta e passei o fax pra ele, pra ele. Ele fazia todas as procurações, ele não sabia como é que fazia essa procuração pa estadual então eu passei um fax de uma procuração, inclusive de uma empresa, que eu passei essa procuração pra ele fazer, os termos da procuração. / / O JUIZ CONTINUA FAZENDO A LEITURA DA TRANSCRIÇÃO DO DIÁLOGO (índice 1547519 - pagina 44 no relatório) / / - Juiz: Num é estranho essas conversas não? / - Réu: É... quer dizer, tem que sabê o quê que é que possa sê. / - Juiz: O contexto né? / - Réu: Não, eu... porque ele me pedia várias coisas independente, pra mim vê processo, pra mim vê isso, pra mim vê aquilo. Pode sê alguma coisa, agora eu num sei se refe... referente a isso acho que num é...não... referente à empresa, alguma coisa de... porque também é difícil, tem que tê um seguimento pra mim podê realmente sabê e podê dizê pra Vossa excelência. / / / O JUIZ CONTINUA FAZENDO A LEITURA DA TRANSCRIÇÃO DO DIÁLOGO (índice 1517266 - pagina 42 no relatório) / / - Juiz: O que o senhor está querendo dizer aqui? Esse é parente? / (...) / - Réu: Deve sê referente alguma consulta que ele tava me falano quê que era, alguma coisa que eu poderia fazê, uai, pode ter sido alguma empresa inativa, independente de qualquer. Agora, parente, o nome parente, isso pode sê... /(...) / - Juiz: Seu Estilaque, esse índice aí 1517266, que foi o que o senhor acabou de ouvir, o senhor entendeu? / - Réu: Eu até entendi, agora, eu queria lembrá o quê que foi, eu sei que realmente eu falei alguma coisa com referência à empresa inativa. Eu tinha pego alguns documento que eu tinha tirado cópia lá do processo, então ele queria sabê quem seria as pessoas na época, né, porque aí seria as pessoas, se teria as pessoas ou não. Agora, eu num tô me recordano assim de muita coisa com referência a isso. Entendeu? Eu falei, independente de qualqué coisa, sei que era alguma documentação, se eu dei alguma documentação errada, eu num sei, porque inclusive ele tava fazeno consulta pra mim quem que poderia fazê esse, acho que era dos filhos dele na época, se poderia cortá ou não, uma empresa inativa ou alguma coisa. Eu não lembro assim realmente o quê que foi. Eu sei que foi, essa conversa foi referente mais ou menos a alguma coisa de... / (...) / - Juiz: Seu eu passei o índice 1524901 pro senhor, deu pra ouvir direito? Deu pra entender? / - Réu: Perfeitamente. / - Juiz: Aqui o senhor fala em Romário, o senhor conhece o Romário jogador de futebol? / - Réu: Conheço, conheço. / (...) / - Juiz: Mas quem é Romário? O senhor conhece Romário. / - Réu: Eu conheço o Romário jogador de futebol, conheço, agora eu num sei se é esse. / - Juiz: E esse Romário aqui que o Cohen fala? / - Réu: Esse Romário eu num sei, eu num lembro assim, pode sê.. . sei que foi... é alguém dele que ele procurou alguma coisa e passô pra mim, pra mim fazê algum cadastro, alguma coisa. / - Juiz: e o senhor já fez alguma coisa pra clube de futebol? / - Réu: Ã? / - Juiz: Clube de futebol? / - Réu: Não. / - Juiz: Não? / - Réu: Não, deve sê... não num fiz, num.... clube de futebol peraí dexa eu lembrá, num sei. / - Juiz: Flamengo? Vasco? / - Réu: Ah, já... pode... depois eu briguei com o Romário e entrei com uma ação contra ele, contra o Romário, isso sim. Futebol eu sempre falava sobre uma ação que eu tinha com Romário. Inclusive eu pedi a penhora de uns imóveis que ele tinha lá na Barra, agora eu num sei se é referente a isso. / - Juiz: Mas o senhor chegou a falar com o José Palinhos sobre essa briga com o Romário? / - Réu: Ah, ele sabia, sabia. / - Juiz: Sabia? / - Réu: Sabia que eu tava pra recebê um dinhero e acabei recebeno o que eu tinha. (...)”

Em 12/12/2005, após recebida a denúncia, novo interrogatório (fls. 1.723/1.739), confirmando o anterior e acrescentando:



" (...) eu num conheço ninguém que está indiciado nesse processo a não ser o seu Jorge Manoel Palinhos Cohen, que foi meu cliente e posteriormente passou a ser cliente e amigo. Nunca falei com ninguém, nunca me reuni com ninguém, não tenho conhecimento de nada, nunca soube nada de drogas. As vezes que eu me relacionei com Jorge Cohen foi só pa fins de construção civil, compra de imóveis, compra e venda de imóveis, a única coisa. Nunca abri nenhuma empresa para importação, para exportação. (...)"

Ainda no depoimento, após negar envolvimento de JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS com "drogas", ESTILAQUE fez referência aos procedimentos para abertura de empresas, especialmente da Agropecuária Quinta da Bicuda, e disse que o referido acusado:


"(...) Levou a documentação, xerox, o fax e a documentação pra abri. Eu ainda mandei da entrada na Junta Comercial pra sabê do nome se tinha, mas a final de contas essa empresa não... era uma empresa para empreendimento de construção também, e posteriormente veio Agropecuária da Bicuda, mais ou menos em 2002, aí viero todos os documentos pra mim. Eu não recebi fax de ninguém, não falei com ninguém, não conhecia ninguém, vieram os documentos para mim, uma minuta do contrato social, eu analisei o contrato social se tava de acordo com a legislação desse contrato social e mandei dá entrada na Junta Comercial com toda a documentação que veio para mim. Eu não recebi nenhum fax de ninguém, a única contato que eu tinha era seu Jorge Manuel, o único contato que eu tinha até agora. Era meu cliente e depois que eu me separei passou a ser mais meu amigo, independente de qualquer coisa. Aí, essa empresa, a Agropecuária da Bahia foi simplesmente um escritório, num foi empre... é um escritório que eu abri, eu tinha um andar de 760 metros quadrados que eu tomava conta. Então o proprietário morava na Bahia e tal, deixô eu tomano conta. Aí abri esse... aí com essa documentação que veio pra mim eu redigi o contrato social que já tinha uma minuta, não tinha muita coisa a fazer, e mandei dá entrada na Junta Comercial. Quando o contrato foi constituído eu pedi pra dá entrada no alvará para simples escritório, não tinha inscrição estadual pra venda, pra nada, só simples escritório. Posteriormente, depois de uns quatro meses mais ou menos, que tinha um aluguel, que pagavam aluguel 1.000 reais por mês, então quando... uns quatro meses mais ou menos que esse escritório ficô lá. Depois fizero, nem foi eu que fiz a alteração, tiraro, acabaro de me pagá, tiraro a, a, a empresa do local. Eu num.. aí ficô sabeno, mas de vez em quando vinha correspondência pra lá porque no contrato social tava o endereço dali, então... mais a, era... a empresa já tava... / (...) / - Juiz: Certo. Tudo isso referente à Agropecuária da Bicuda Que o senhor está falando? / - Réu: Da Bicuda. / (...)/ - Réu: Da Bicuda que a sede é aqui em Goiás, aqui numa fazenda, mas era um simples escritório, não tinha nenhuma inscrição, não podia fazê nada, era só escritório, simples escritório, tá no alvará "simples escritório" não tinha inscrição estadual pra vendê, pra comprar, pra nadinha, ficou lá uns quatro meses depois acabou. Posteriormente passado alguns meses, uns seis, sete meses, né, que foi em agosto de 2002, aí o Jorge me procurou para abrir a empresa Torres Vedras. Essa empresa seria para construção e reformas e pinturas. E foi quando começou, comprou um terreno e... pa construí um prédio. E foi durante esse período, construíno esse prédio, essas empresas. (...) Quando foi mais ou menos em 2004 aí pediu pa abri, tava quereno abri uma empresa, acho que era Monte Mor, mais essa empresa, eu simplesmente, já veio pra mim já pronto que ele já sabia fazê, já tava no computador esses negócios todo, né, " Estilaque, vê se é assim" e eu olhava e falava "não, tá tudo bem" que eu num tinha tempo, que eu trabalhava e tinha um compromisso com minha empresa, com a empresa que eu trabalhava.

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