Autos nº 2005. 35. 00. 022911-4 classe



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5) MÁRCIO JUNQUEIRA DE MIRANDA

No Rio de Janeiro, quando da prisão em flagrante, o acusado declarou que, embora a empresa Bordamato estivesse em nome da esposa, era ele quem administrava. Afirmou, ainda, ser dono do milho e do café depositado na Cooperativa dos Produtores de Cooxupé/MG, e de uma fazenda em seu nome, com dois tratores. Não soube dizer a data ou ano da abertura da empresa Eurofish, confirmando que não efetuou negócios usando a empresa e reconhecendo a condição de laranja. Na oportunidade, disse também que era proprietário de um imóvel financiado no Banco Safra, com prestação R$ 5.500,00 a R$ 6.000,00, tendo adquirido um Fiat Brava em nome do irmão porque o CPF estava irregular. Declarou que compareceu ao galpão alugado pelo acusado ROCINE diversas vezes e, em determinado período, até quatro vezes por semana, e estacionava o veículo longe do galpão por desavença com um morador do local (fls. 40/41).

A tentativa de reinquirição, na fase inquisitiva, restou frustrada, tendo o então investigado exercido o direito de permanecer em silêncio.

No interrogatório judicial realizado em 29/05/2006, o réu, após alegar inocência, atribuindo à acusação ao relacionamento que teve com os acusados, declarou:

(...) - Réu: Eu acredito que é pelo meu envolvimento com as pessoas, né, tá equivocado. / - Juiz: Certo. Com quais pessoas o senhor teve relacionamento? / - Réu: Tenho com senhor Antônio, com seu Beto e com seu Rocine. / - Juiz: Com seu Antônio, qual relacionamento do senhor com seu Antônio? Começou quando? / - Réu: É um relacionamento de amizade. Eu conheci ele em Portugal, fui cliente dele, lá eu fui empregado. / - Juiz: Conheceu quando? / - Réu: Ah, precisar assim, é, entre... / - Juiz: O ano pelo menos. / - Réu: Pelo menos o ano. Olha, foi em 95, 96, ou até um cadinho antes, comecei a explorar um açougue. / (...) / - Juiz: Certo, chegando ao Brasil qual foi o contato que o senhor teve com o senhor Antônio DÂMASO? / - Réu: O contato era pouco, eu tive algumas vezes com ele, ele tinha um jeep pra vender e eu acabei adquirindo o jeep dele, que tava num bom preço. / (...) / - Juiz: Certo, depois disso, depois do episódio do curral, algum outro contato com o senhor DÂMASO? / - Réu: Há um contato, mas ai já foi, que ele tava revoltado comigo, ele tava chateado comigo. / - Juiz: Em razão de que? / - Réu: Eu acredito que seja por um depoimento que eu fiz na Polícia Federal sobre o processo da Eurofish e ele disse que eu falei demais, ele me chamou de boca grande, que eu não sei respeitar o direito das pessoas, que eu não devia ter falado aquilo, e foi isso que ele, acredito que ele tava revoltado comigo. / - Juiz: Isso por volta de quando? O senhor se recorda? / - Réu: Olha, eu não sei se foi, final de 2004 ou princípio de 2005, eu não me recordo. / (...) / - Réu: Eu falei aquilo que eu achei certo, ou o que o seu Monteiro passou pra mim. O que eu falei foi que se houvesse alguma coisa a pagar, fechamento de câmbio que tava lá em aberto não era de responsabilidade minha, ou era do Seu Jorge Palinhos e do filho ou do seu Monteiro, e o seu Monteiro falou que a responsabilidade era do Jorge Palinhos e do filho que já vinha da época da gerência deles, não era de agora e foi o que eu falei e o escrivão ou a polícia que tava junto comigo, escreveu lá que foi quadrilha. / - Juiz: O senhor falou que havia quadrilha? / - Réu: Não, mas eu num ia falar quadrilha, falei “se tiver tem alguém querendo me prejudicar a mim ou outras pessoas”. / (...) / - Juiz: Quem era o advogado do senhor? / - Réu: O Doutor Costa. / - Juiz: Certo. E ele concordou com o que estava escrito? Ele assinou sem nenhuma objeção? / - Réu: Concordou, ele achou que tava certo. / (...)”

Em seguida, após historiar que esteve no Canadá e em Portugal, onde se casou com uma sobrinha do acusado Jorge Monteiro, continuou fazendo referência a sua posição de “sócio de faz-de-conta” na Eurofish:



(...) Com o passar do tempo o seu Monteiro em 95, 96 pediu se eu não importava se uma pessoa tá trabalhando com ele, se quisesse ganhar mais um pouquinho de dinheiro de participar duma empresa lá de empresa de sócio de faz de conta, ele ia gerenciar e eu ia ser só, só ia dar o nome porque eu não tinha problema nenhum com ninguém e eu aceitei pra ganhar mais um pouco pra... / - Juiz: E pra que era essa empresa? Pra que essa empresa era? / - Réu: Pra importar carnes do Brasil, da França, da Holanda. / (...) / - Juiz: Então o Primeiro evento de exportação de carne do Brasil foi essa empresa? / - Réu: Foi, essa empresa, comigo. / - Juiz: Com o seu...? / - Réu: Com o Seu Monteiro. / (...) / - Réu: É. Aí eu fiz, ele constituiu a empresa, eu fui lá assinei e ele ficava gerenciando e todas as importações que havia eu ganhava a minha comissão, era só o que eu...a participação que eu tinha era essa. Eu continuei trabalhando. Passado um tempo ele me pede, como eu era brasileiro, perguntou se eu tinha problema aqui no Brasil, tal, falei não, sou do interior, não tenho problema nenhum, ele falou: “Quer ganhar um pouquinho mais, importa-se de ir ao Brasil constituir, fazer parte de uma sociedade que também não vai te trazer problema de jeito nenhum, vai ter tudo feito certinho?” Eu falei “tá bem, eu concordo”, foi quando eu vim ao Brasil, ele me apresentou. / (...) / - Réu: Ele veio me apresentou o seu Rocine pra que tratasse, tava tratando dos papéis da sociedade da Eurofish, foi quando ele me deu o endereço e eu fui no cartório buscar o contrato social e assinar o contrato é que eu conheci o seu Palinhos que me passou os papéis, o contrato social foi assinado, certo? Foi aí que eu entrei na sociedade da Eurofish. / - Juiz: O senhor e mais quem? / - Réu: Eu e o seu Rocine. / - Juiz: Certo. E essa Eurofish chegou a exportar carne? / - Réu: Chegou a exportar carne. / - Juiz: Durante quanto tempo? / - Réu: Olha, não sei precisar porque eventualmente quando eu estive no Brasil eu cheguei a assistir duas ou três vezes exportações que tava sendo feita pela Eurofish. / (...) / - Juiz: Mas a empresa não era sua, formalmente? / - Réu: Era de faz de conta, né, eu só participava com nome, eu não tinha conhecimento do processo. / (...) / - Juiz: Certo, depois desse problema na Eurofish, houve algum contato com o senhor DÂMASO depois disso? / - Réu: Continuei não tendo. Eu ainda contei isso pro seu Monteiro, falei: agora que a gente botou no rabo do... / - Juiz: Botou como? / - Réu: Desculpa, botou nas costas do seu Palinhos, ele agora tá querendo que eu deixe de trabalhar com você, porque que ele ta querendo isso? Sempre fui uma pessoa correta com você, e ele falou não, mas isso vai ter que ser conversado que não é assim, né. Isso não foi errado, eu falei, eu fiz aquilo que eu achei que tava certo. Eu falei isso com o Monteiro, certo, comentei com ele. (...) / - MPF: Excelência, eu gostaria que o réu esclarecesse quanto que ele ganhava pra ser laranja na Eurofish? Pra emprestar o nome quanto ele ganhava? Quanto retirava por mês? / - Réu: Era participação. Se houvesse importação eu ganhava e se não houvesse, eu estando lá, né, eu tô falano eu estando lá, Se houvesse exportação eu ganhava e se não houvesse eu não ganhava. / - MPF: Quais foram os ganhos totais? / - Réu: Olha, era em torno de 15, 20.000 mensais. / - MPF: E o valor total, aproximado? / - Réu: Ah, não faço idéia, doutor, Excelência. / - MPF: Foram quantos meses? O senhor disse que era de quinze a vinte mil mensais, durante quantos meses isso? / - Réu: Quantos meses? Também não faço idéia de tempo, foi muito tempo, uns anos. (...)”

Com relação aos apelidos dos acusados e aos contatos com CARLOS ROBERTO DA ROCHA, declarou:

(...) - Réu: Eu não sei porque eles me chamavam de camisola, lá em Portugal costuma se falar que quem vai na frente em corrida de cicrismo é a camisola amarela, eu nunca fui cicrista. / - Juiz: Certo, e ferrugem? / - Réu: Tá na cara, né. / - Juiz: Cabeça de cenoura? / - Réu: Eu tinha o cabelo mais vermelho. / - Juiz: Pintado, em razão disso? Cheval? / - Réu: Chavalo é um garoto em Português, um rapaz. / - Juiz: E Zeca Maneca? / - Réu: Zeca Maneca é um apelido carinhoso que a gente tem lá em Portugal também. / (...) / - Juiz: Velho? / - Réu: É. / - Juiz: E o seu DÂMASO tinha algum apelido? / - Réu: Eu tratava ele por gordo. / - Juiz: Algum outro, além...? / - Réu: Seu Monteiro, eu tratava ele por baixinho porque ele é baixo e o Palinhos por Palhas. / - Juiz: Certo. A relação do senhor com seu CARLOS ROBERTO DA ROCHA? / - Réu: Seu CARLOS ROBERTO DA ROCHA, foi na época que eu voltei ao Brasil e quis comprar um apartamento, comentei isso num dos encontros que eu tive com seu Rocine, aí ele falou que o Carlos Roberto tinha um apartamento mais ou menos do jeito que eu tava procurando, colocou-nos em contato, a gente conversou, certo, eu fui ver o apartamento, fiquei interessado, voltei a encontrar com seu Carlos Roberto, o seu Carlos Roberto me pediu cinqüenta mil de entrada pra tirar o apartamento da imobiliária, eu dei-lhe os cinqüenta mil, ficou acertado assim, só. Quando eu levei a minha esposa pra ver o apartamento a minha esposa não gostou. Primeiro que ela falou que eu não conheço o Rio e que o apartamento é num prédio de sete ou oito andares, era um dos únicos da área, ficava perto dum morro duma favela, então ela não gostou do lugar, ela falou, “você vai gastar esse dinheiro, vamos financiar um apartamento, esse apartamento não serve pra gente devido à localização”. Ela é carioca. Eu voltei a entrar em contato com seu Rocine, tava até pra gente encontrar lá em São Paulo, pra assinar o contrato do... / (...) / - Juiz: O senhor chamou o acusado Carlos Roberto de Beto, ele tinha outro apelido? / - Réu: Não, só conheço ele por seu Beto, Beto. / - Juiz: Luis Carlos da Rocha, o senhor conhece? / - Réu: Conheci ele em São Paulo com o seu Beto, eles estavam juntos no dia que fomos conversar pra decidir, assinar os documentos, tavam os dois juntos. / - Juiz: Onde foi que ocorreu esse encontro, o senhor sabe dizer? / - Réu: Não, Excelência. / - Juiz: Nem o ano? / - Réu: Nem o ano. / (...)/ Juiz: Na verdade quem que administrava a empresa? O senhor falou que acreditava que era o José Monteiro? / - Réu: O seu Monteiro. Eu acredito que o seu Rocine era como eu. / - Juiz: Só formalmente? / - Réu: Só formalmente. (...) ”

Quanto à acusação de ter embalado a droga no bucho e, posteriormente, ter efetuado a etiquetagem da carga, embora tenha confirmado a existência do diálogo interceptado, afirmou:

(...) - Réu: Eu nunca embalei carne e nunca etiquetei nada, a única que eu vi, que eu fiz foi num dia de manhã que eu cheguei no galpão e encontrei o seu Rocine ao telefone falando com uma pessoa e tentando passar uns números pra essa pessoa e não tava entendeno e ele pediu pra que eu lesse aquilo pra essa pessoa, ele foi apontando pra mim e eu li, certo. Li ponto por ponto o que ele pediu pra lê e ainda conferi com ele “ó deu 100, 200, tal, tal, tál”. Só isso. / - Juiz: o senhor estava fazendo o que no galpão do seu Rocine? / - Réu: Eu ia lá encontrá com ele pra decidir qual é o próximo seria da... do processo. / - Juiz: Processo...? / - Réu: Da Eurofish. / - Juiz: Da Eurofish? / - Réu: É. Era as únicas razão deu ir ao galpão ou do meu encontro com o seu Rocine. Ou era pra... fui várias vezes ver o filho dele correr e falar sobre o processo. / (...) / - Defesa: Excelência, ele esteve outra vez em Goiás, em especial quando do curral, se ele voltou outras vezes ou só essa? / - Réu: Foi somente essas vezes. / (...) / - Defesa: Se no momento que o seu Rossini pediu, ele fez o favor, né, de encomendar as etiquetas, se o seu Rossini comentou com o mesmo quem seria, quem fez aquele pedido? Se ele sabe dizer? / - Réu: Não, ele não me comentou nada além de... eu sempre penso, pensei que a mercadoria fosse dele, um trabalho dele, inclusive há um dia que eu falei com o seu Jorge Monteiro que eu achava que a mercadoria podia ser do Monteiro mas eu comentei com ele pelo telefone que eu tive lá trocando umas etiquetas e ele me pergunta “você falou com o velho”? Eu falei “não, não falei mas eu tive com ele trocando umas etiquetas” e o Monteiro se, ou não entendeu e não falou nada, que eu vi que não era do senhor Monteiro que senão ele ia falar “não é mercadoria minha”, então não... ele não comentou nada comigo. (...)”

No pertinente ao caminhão carregado de bucho, apesar de confirmar o pedido do acusado ROCINE para manobrar o veículo, disse:

(...) - Defesa: Se ele já manobrou algum caminhão no galpão? / - Réu: Nunca. Houve um pedido do seu Rossini sim pra eu ir lá manobrar, significa encostar o caminhão ao cais, não é dirigir o caminhão porque ele me explicou como é que era pra entrar no galpão, como é que tinha que fechar a rua, tinha que não deixar os carros parar na frente do, na porta do armazém e eu tive lá fazendo esse favor a ele mas nunca chegou essa carreta. / - Juiz: O senhor chegou a manobrar o caminhão, a tirar o caminhão de um lugar pra outro? / - Réu: Não, nunca manobrei porque não chegou carreta nenhuma, eu fui lá fazer um favor porque ele estava pra São Paulo. (...)”

No que se refere à presença no galpão onde encontrada a droga, declarou:

(...) - Réu: Eu nunca dormi lá, nunca passei mais que quatro horas lá, quanto mais cinco dias consecutivos. Não nunca. / (...) / - Juiz: Qual era a freqüência que o Senhor...? / - Réu: Eu ia lá de quinze em quinze dias e passei lá até três quatro meses sem ir lá, eu fui lá mais perto de quinze em quinze dias, quando tava o processo pra gente ir fazer o depoimento, quando tava precisando de duas testemunhas, que eu não moro no Rio, não tinha contato com ninguém, tava à procura, ai eu fui lá várias vezes pra..., mas sempre de quinze em quinze dias, um vez por semana, pra falar com ele, certo, nunca fui lá quatro vezes por semana. (...)”

Em 12/06/2006, a pedido da Defesa, o denunciado prestou novo depoimento (fls. 2.766/2.767), tendo afirmado:

(...) - Réu: Eu gostaria de pedir se, por favor, se dava pra ouvir o áudio que foi feito sobre as etiquetas, devido a como foi feito esse áudio, certo? Pra verem que foi solicitado pra que eu lesse as etiquetas, que a pessoa tava lá sem óculos, certo? Eu apenas li, eu não mandei fazer etiquetas nenhuma, certo? / - Juiz: O senhor já ouviu esse áudio? / - Réu: Já ouvi. / - Juiz: Certo. / - Réu: Certo? E queria que ficasse claro. / - Juiz: Esclarecer que não... / - Réu: Que não, eu não mandei fazer etiquetas nenhuma e simplesmente li o que estava no papel para a pessoa que me pediu para que eu lesse. Porque, Excelência, eu acho que estou preso devido... li o processo, o advogado passou meu processo e eu li e vi que estou preso por essas etiquetas que dizem que eu mandei fazer e não é verdade, eu apenas li como tá comprovado no áudio, certo? E a outra gravação que eu falei com o seu Monteiro pensando que a mercadoria fosse do Monteiro, ele me pergunta se eu tinha estado com o Velho, com o seu Rocine e eu disse, é se eu tinha falado com o seu Rocine e eu disse “Seu Mont... eu não falei mais estive com ele trocando as etiquetas pra ficar dentro do prazo da validade”, só que trocando foi uma maneira de falar que eu usei que era pra testar ele pra ver se a mercadoria era dele ou não, ele não me deu saída aí eu vi que não era nenhuma jogada dele, que eles tavam fazeno as coisas nas minhas costas, que como ele é meu patrão num tava ganhano nada, né, eu pensei que ele tava trabalhando nas minhas costas e como ele não falou nada, eu vi que não tinha jogada nenhuma dele com o seu Rocine. Eu usei, a maneira que eu usei foi trocar, pedido pra eu ler, trocar o que estava lá pro seu Rocine no papel, não é trocar é.... materialmente, trocar a etiqueta da caixa, trocar o que tava no papel. Ele pediu pra eu ler e eu troquei. Correto? / (...) / - Réu: Também nesse ponto, eu nunca troquei de roupa lá, não havia necessidade. Sou um homem casado, a minha mulher que prepara minha roupa quando eu saio, certo? E eu saí de casa com uma camisa azul e voltar com uma outra de outra cor qual é o pensamento dela? Tá, tem uma amante ou tá no motel, então eu nunca fiz isso, Excelência, trocar de roupa lá, primeiro que eu só ficava lá entre... se próprio... dizem que o armazém ficava aberto das cinco e meia ao meio dia, eu chegava lá entre oito e meia nove horas e saía de lá onze horas. / - Defesa: E o que que fazia nesse período em que ali estava?/ - Réu: Ficava discutino os problemas da EUROFISH com o seu Rocine. (...)”

Contudo, os fartos elementos de convicção presentes nos autos atestam que o acusado, em verdade, com consciência e obtendo vantagem econômica, atuava na parte operacional da organização criminosa, tendo usado dos seus conhecimentos no corte de carnes para escamotear a droga no bucho bovino, armazenado no barracão de ROCINE, suportando juntamente com este os maiores riscos da operação, ante a vigilância no galpão e a função desempenhada. Aliás, decorre daí o apelido do acusado de CAMISOLA AMARELA, que no ciclismo, esporte popular em Portugal, é o competidor que corre na frente, conforme as etapas da prova.



MÁRCIO JUNQUEIRA possuía contato direto e freqüente com vários membros da quadrilha, especialmente os líderes Jorge Monteiro e ANTÔNIO DOS SANTOS DÂMASO.

Note-se que ROCINE e MÁRCIO JUNQUEIRA, este último confessadamente na condição de condição de laranja, adentraram formalmente na empresa Eurofish ainda no ano de 1997, quando passaram a constar formalmente no contrato social da referida empresa, fazendo prova da estruturação da organização criminosa e do vínculo associativo há bastante tempo, conforme os autos de seqüestro n° 2005.35.00.017947-0.

Conforme já mencionado, no final de agosto de 2004, o acusado ROCINE, em São Paulo, recebeu telefonemas de Capixaba, nos quais era informado que “o menino lá foi hospitalizado” ou “o menino foi hospitalizado sexta feira”, quando então foi procurado também pelo acusado CARLOS ROBERTO:

"Índice 1292168, telefone 2199810133 (ROCINE), 25/08/2004, 18:43:11 - CAPIXABA X ROCINE: - ROCINE alô / CAPIXABA,é Capixaba,, / ROCINE Já to em São Paulo / CAPIXABA a é / ROCINE é / CAPIXABA o menino lá foi hospitalizado viu / ROCINE ein / CAPIXABA o menino foi hospitalizado sexta feira / ROCINE foi ? / CAPIXABA é ce viu aquele lado seu lá / ROCINE não / CAPIXABA onde é que ce ta amanhã para a gente conversar / ROCINE to Interlago / CAPIXABA que hora mais ou menos ? / ROCINE onde é o KART / CAPIXABA horário ? / ROCINE deu 8 horas eu to lá / CAPIXABA o dia inteiro então. (...)

Índice 1292891, 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 26/08/2004, 12:05:54 - CAPIXABA X ARTUR(ROCINE): -Rocine vem ao telefone - HNI fala quer saber se Rocine tá sabendo o que aconteceu né – CAPIXABA e surege para Rocine “o negócio é FICAR DE OLHO LÁ NÉ- Rocine diz que vai falar pessoalmente fica de passar o endereço (cai a ligação).

Índice 1292984, telefone 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 26/08/2004, 14:11:00 - PATRÍCIA X AMIGO DO LORINHO: - HNI quer falar com nosso amigo(Rocine) - patrícia diz que ele não está que ele está lá no Hotel - HNI pede para avisá-lo para ligar urgente da rua para o Amigo do Lorinho."

Índice 1292991, telefone 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 26/08/2004, 14:24:41 - CAPIXABA X PATRÍCIA: - Capixaba fala que está em baixo no hotel pede patrícia para avisar Rocine para descer.

Índice 1293324, telefone 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 27/08/2004, 11:33:01 - HNI(CAPIXABA) X ROCINE: Capixaba quer encontrar, Rocine diz que está onde se encontraram ontem capixaba diz que está indo (endereço- Av. Teotônio Vilela Hotel Pit Stop Park Hotel em Interlagos - SP) "

Cuidava-se, como visto, da apreensão em São José do Rio Preto de 492 kg de cocaína feita pela Polícia Federal, objeto do IPL nº 6-579/04-DPF.B/SJE/SP, e que gerou preocupação na organização, que temia a descoberta da droga guardada no galpão. Na ocasião, o acusado MÁRCIO JUNQUEIRA manteve contato com o denunciado ROCINE, informando que ANTÔNIO DÂMASO ou Gordo havia determinado a transferência da droga do galpão:



"Índice 1293339, telefone 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 27/08/2004, 11:58:55 - HNI(MARCIO JUNQUEIRA) X ROCINE: - Rocine diz que o cara(Pedro contador) está pedindo duas testemunhas para ti(Marcio Junqueira) se já arrumou - Marcio diz que não - Rocine quer saber se o GORDO chegou? - Marcio diz que não mas falou com ele e ele falou para voce tratar de arrumar um espaço em outro lugar lá - Rocine diz que não tem - Marcio quer sabes se aquele alí do lado não consegue - Rocine diz que ali acabou e que quem tem que arrumar é o cara que eu te disse para botar onde a gente vai, fica de conversar domingo onde meu neto corre que a gente conversa lá ás 10: 00 hs."

Logo em seguida, novamente o acusado MÁRCIO JUNQUEIRA, presente no galpão que armazenava a droga, determinou a Russinho, empregado do acusado ROCINE, a queima de documentos, inclusive etiquetas:

Índice 1299171, telefone 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 08/09/2004, 10:04:37 - ROCINE X HNI(RUCINHO?): HNI diz que o Marcio(Junqueira) mandou juntar tudo, papeis, etiqueta, carimbos e tudo para queimar, quando ele for a gente vai se embora como é?- Rocine diz que é para queimar, quer saber se o Márcio ainda está ? - HNI diz que sim, Rocine diz que está indo para ai. "

Em 09/11/2004, o líder ANTÔNIO DÂMASO manteve contato telefônico com ROCINE, insistindo sobre a situação do galpão e fazendo referência também ao acusado, também chamado de CAMISOLA, apelido reconhecido por MÁRCIO JUNQUEIRA em Juízo:

Índice 1361274, telefone 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 09/11/2004, 18:24:26 - DAMASO X ROCINE: DAMASO - o patrão... / ROCINE - e aí..? / DAMASO - tudo bom comandante..? / ROCINE - tudo bom... já tá aqui...? / DAMASO - não... ainda não to ai não... mais uns dias eu vou estar aí... tá..? / ROCINE - tá legal... / DAMASO - tudo em ordem...? / ROCINE - ta tudo bem... / DAMASO - ta tudo tranquilo..? / ROCINE - tudo tranquilo... / DAMASO - então tá bom... / ROCINE - tá..? / DAMASO - tá... ó... espanta o "camisola"... ham... / ROCINE - tá legal... / DAMASO - tá... ? / ROCINE - ta legal.../ DAMASO - tudo em ordem né... ? / ROCINE - tudo em ordem... / DAMASO - tá tchau... um abraço...

O diálogo comprova ainda que o comportamento do réu, após o depoimento na Polícia Federal do Rio de Janeiro, quando acusou



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