Autos nº 2005. 35. 00. 022911-4 classe



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Aldo Teixeira de Oliveira (fls. 1.775/1.815):

(...) - TESTEMUNHA: O Seu Rocine realmente era o responsável pelo galpão, ele depois declarou inclusive que ele pagava aproximadamente seis mil reais de aluguel daquele galpão onde funcionava a R Wilson, empresa da qual ele era sócio, e o Seu Rocine também tinha conhecimento de que aquele, aquele, aquela droga tava lá dentro, juntamente com aquelas embalagens, por que? Porque ele junto com o Márcio, eles fizeram essa ligação e pediram as etiquetas, né, e também através de outras conversas que nós interceptamos, como a que o Seu José Palinhos conversa, eu tenho a impressão que era com o irmão dele e fala que esteve no Kart com o Seu Rocine, e não fala o Seu Rocine, ele chama o Rocine de velho, esteve lá com o velho que estava colocando o neto pra correr e que o velho tinha dito que aquilo tudo estava lá dentro, então esse ai foi um dos indicativos que o galpão realmente estava servindo pra guardar a droga. / - Juiz: Isso foi mais ou menos quando? O senhor se lembra? / - TESTEMUNHA: Não me lembro a data. / - Juiz: A data não precisa, basta dizer mais ou menos a... / - TESTEMUNHA: Foi no final do ano passado, de 2004. / - Juiz: O Seu CARLOS ROBERTO DA ROCHA, o Senhor falou que ele é ligado mais ao Seu DÂMASO? / - TESTEMUNHA: Correto, o Seu CARLOS ROBERTO DA ROCHA, o que eu tenho, o que eu tive analisando dos diálogos dele, ele sempre marcava os encontros, a maior parte deles foi em São Paulo com o Seu Rocine, depois com o Márcio Junqueira, encontrou com o Seu Rocine em hotéis, encontrava com o Seu Rocine, encontrou uma vez no aeroporto, onde foi acompanhado também, ele entregou um envelope pro Seu Rocine. /(...) / - TESTEMUNHA: Esse envelope, é, a nossa análise chegou a conclusão de que continha realmente Dólares, porque logo depois que ele entregou os dólares, o envelope pro Seu Rocine, o Seu Rocine ligou pra um professor de Kart do neto dele que ele chamava de paçoca e entregou o dinheiro pra ele, entregou dólares pra ele, certo, e sempre que o Seu Rocine ia ao encontro do Seu Roberto Rocha era justamente a conversa depois dele com o Seu Márcio Junqueira era que, era pra pegar aquilo, vamo pegar aquilo lá, vamo pegar, e ele sempre retornava com o dinheiro. / (...) / - Defesa: Se nas ligações monitoradas, tendo em vista que ele participou da maioria das transcrições, ele pode informar que o denunciado Rocine recebia a ligação ou efetuava a ligação para os demais denunciados. / - TESTEMUNHA: O Seu Rocine, ele recebia as ligações e efetuava ligações também, agora a quantidade de cada um fica meio difícil.(...)”



Manoel Divino de Morais (fls. 1.851/1.900):

(...) - TESTEMUNHA: O senhor Rocine Galdino, como a gente acha, durante a investigação, todos os analistas interpretaram como sendo o sistema de parceria no tráfico, o Rocine era uma pessoa de confiança de CARLOS ROBERTO DA ROCHA, de Luis Carlos da Rocha, porque falam com freqüência e fala de uma forma demonstrando intimidade um com o outro, porém fala apenas dos negócios, promovem reuniões, ta sempre juntos, e por outro lado é o elo entre o fornecedor da droga, o exportador e o Antônio DÂMASO, que é o detentor de toda a movimentação, ele, em todas as atitudes dele era relacionado em demonstrar essa confiança, toda a investigação foi feita, percebendo isso de forma clara. Outro ponto que eu acho importante esclarecer é que JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS nunca havia dito por telefone, nunca tinha estabelecido interlocução com o Rocine, quando o DÂMASO liberou o endereço e informou que poderia mandar a carga complementar de bucho, não sei como, ele entrou direto falando com Rocine, já tinha seu telefone, durante a investigação toda nunca havia isso, nunca tinha ocorrido, entrou direto falando que o bucho tava pra chegar, até ele entra numa situação embaraçosa, porque ele falando de uma forma codificada e o Rocine pergunta pra ele “mas é o buxo?”, aí ele tenta disfarçar, mas já falou, não adianta, essa é a participação do Rocine. / - Juiz: Algum apelido o senhor Rocine? / - TESTEMUNHA: Eles chamavam de Velho, sempre de Velho, todos eles. / (...) / - Juiz: A relação do senhor Antônio DÂMASO com o senhor Rocine. / - TESTEMUNHA: Antônio DÂMASO, por diversas vezes, encontrou com Rocine, os seus áudios sempre apresentava mencionando o Velho, foi no encontro que houve no Barra Shopping, que a gente imagina que ele tenha ido pegar dólares, porque as equipes foram atrás mas não conseguiram interceptar direito, sempre que ele tava em Portugal ele ligava pra ele dizendo “você ta preocupado né”, querendo se livrar do problema da droga que tava em depósito, sempre ele ligava passando uma palavra de conforto, dizendo “eu estou indo pra aí, você fique tranqüilo” coisas desse tipo. / (...) / - Juiz: Senhor José Palinhos com o senhor Rocine Galdino. / - TESTEMUNHA: Houve os contatos já poucos dias antes da prisão, exatamente, acho que eu já afirmei anteriormente, que ele durante as investigações, nunca havia falado com Rocine, porém referia-se a Rocine, num dos áudios que ele fala com teu irmão Antônio de Palinhos em Portugal ele diz, até foi um fato interessante, que ele foi levar o filho menor dele no Kart e nós iniciamos uma torcida pra que lá encontrassem Rocine e JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS e de fato ocorreu, após a estada no Kart ele liga pro irmão dele dizendo que tava surpreso, que encontrou lá o Velho “o Velho, aquele que trabalha com Tonton” e que ele ta com tudo aquilo guardado lá. Nós interpretamos que seria a cocaína. O irmão dele, Antônio de Palinhos, diz “espero bem que sim”, ou seja, com o conhecimento que tem, dos problemas que houve, se a droga tava depositada e não foi movimentada, “espero bem que sim, que esteje lá”, esses foi os contatos. / (...) / - TESTEMUNHA: O Márcio Junqueira e o Rocine, como o próprio DÂMASO, conversando com Monteiro, diz que é uma coisa só, tão sempre juntos, o Márcio estando no Rio ou ta ligando pro Rocine pra saber onde está os demais, ou ta no barracão com ele, ou ta almoçando ou jantando ou reunindo, ta sempre juntos e são parceiros, nós atribuímos como sendo parceiros, na manutenção da droga em depósito mais aproximados, vamos dizer assim. (...)”

Não diverge o depoimento da testemunha Esdras Batista Garcia, que algumas vezes realizou o acompanhamento do galpão (1.903/1.924):

(...) - Juiz: O seu Rocine, tinha algum apelido? / - TESTEMUNHA: Velho. / (...) / - MPF: Eu gostaria de saber, Excelência, se ele fez acompanhamento de Campo no galpão do Rocine? / - TESTEMUNHA: Esporadicamente foi feito. Só quando... / - MPF: Eu gostaria de saber da testemunha, se ela percebeu algum tipo de atividade diversa do que geralmente acontece em um galpão de congelamento, em relação ao galpão do Rossini? Tipo um movimento muito pequeno, algo nesse sentido? / - TESTEMUNHA: Exato. Ele era mantido fechado todo o tempo, né. O seu Rocine chegava ali bem cedo, segundo o que nós conhecemos, chegava bem cedo, por volta de 11 horas saía, trancava o galpão e não se realizava mais nada. O que efetivamente é contrário a um galpão que realiza negócios, se fosse o caso dele. / - MPF: Eu gostaria de saber, Excelência, se haviam galpões, próximos e de natureza semelhante, próximos ao do Rocine? / - TESTEMUNHA: A área, ela é efetivamente de galpões, e todos eles em franco funcionamento durante todo o dia. / - MPF: Eu gostaria que a testemunha descrevesse algum elemento diferencial entre esses outros e o do Rocine. (...)”

Ao contrário do que afirmado pela Defesa, o envolvimento de ROCINE com outros acusados também é confirmado pela testemunha Luís Manuel Neves Batista, inspetor português, o qual afirma que tal relacionamento foi detectado em investigação realizada em Portugal:



"(...) que na investigação havia referências ao acusado ROCINE GALDINO DE SOUZA, que se relacionava com o acusado ANTÔNIO DOS SANTOS DÂMASO, JOSÉ ANTÔNIO DE PALHINHOS JORGE PEREIRA COHEN e MÁRCIO JUNQUEIRA DE MIRANDA;(...)"30

O teor dos diálogos interceptados e as declarações das testemunhas não divergem da prova documental arrecadada no galpão, localizado na Rua do Arroz, 108, Penha, Mercado São Sebastião, Rio de Janeiro/RJ.

O denunciado também afirmou em Juízo que desconhecia a Agropecuária da Bahia, em nome da qual estava programado o envio da droga para a Europa, o que contraria talões de notas fiscais encontrados no referido endereço. Anexada à Nota Fiscal de nº 0307, havia um papel de recados, amarelo, constando as seguintes anotações: Agropecuária da Bahia Ltda, Av. Franca, 136, 3º Andar, Comércio, Salvador/Ba - 07.358.139/0001-50 (Cnpj), 66.144.138 (Inscrição Estadual), Total Em Kg = 12546,00 . 0,50, Total De Nf. Serviço = R$ 6.273,00, Iss = R$ 313,65, Ir = R$ 94,10, Confirmar Se Tem 4,65% = R$ 291,70, 29/09/05 – Data De N.F.”

Além disso, foi recolhido o talão de Notas Fiscais, 0401 a 0450, tendo sido emitida a de Nº 0401, em 09/09/05, de entrada, de “Armazenamento de 12.546 Kg de Bucho Branqueado Cong.”, em favor da Agropecuária da Bahia Ltda, CNPJ 07.358.139/0001-50, Av França, 136, 3º Andar, Comércio, Salvador/BA, Inscrição Estadual Nº 66.144.138, referente à N.F. Nº 00004870, anexa, emitida pela Indústria Reunidas Cma Ltda, Frigorífico Mozaquatro, em 06/09/2005, no valor total de R$ 35.003,34 (trinta e cinco mil, três reais e trinta e quatro centavos) e destinada à exportação a ser feita por Agropecuária da Bahia Ltda, acompanhada de Certificado Sanitário de Habilitação de Exportação à Comunidade Européia Nº 003096 / 333, datado de 06/09/05, SIF 333, tendo como local de entrega Mercado São Sebastião, Rua da Cevada Nº 109, Rio de Janeiro/RJ – R.W. Armazenamento. A documentação demonstra, portanto, que a empresa Agropecuária da Bahia Ltda utilizou os serviços da empresa R. Wilson para armazenagem de bucho a ser exportado à Comunidade Européia.

Foram apreendidas, ainda, as Notas Fiscais de saída Nº 00006440 e 00006441, emitidas por Precar Indústrias de Preparação de Carnes Ltda, em 04/09/03, de 829,86 e 2.366,68 Kg de Bucho Branqueado C/ Colméia, em favor de Ramos e Carvalho Imp. e Exp. Ltda; e Notas Fiscais de saída Nº 00008390 e 00008395, emitidas por Precar Indústrias de Preparação de Carnes Ltda, em 04/12/03, de 5.726,78 e 5.657,70 Kg de Bucho Branqueado C/ Colméia, em favor de Ramos e Carvalho Imp. e Exp. Ltda.; Nota Fiscal, de entrada, Nº 0330, emitida por R Wilson Comercio de Carnes e Pescados Ltda, em favor de Ramos E Carvalho Imp E Exp Ltda, de Armazenamento de 9.132,21 Kg de Bucho Branqueado C/ Colméia, referente à NF, anexa, de saída, Nº 00007203, expedida por Precar Indústria De Preparação De Carnes Ltda, em favor de Ramos e Carvalho Imp Exp Ltda, ambas datadas de 15/10/2003; e Nota Fiscal de entrada Nº 0304, emitida por R. Wilson comercio de Carnes e Pescados Ltda, em favor de Ramos e Carvalho Imp. e Exp. Ltda., de Armazenamento de 3.300,42 Kg de Bucho Branqueado C/ Colméia, referente à NF, anexa, de saída, Nº 00009491, expedida por Precar Indústria de Preparação de Carnes Ltda., em favor de Ramos e Carvalho Imp Exp Ltda, ambas datadas de 28/01/2004.

Tal documentação, conforme se infere da detida análise de fls. 369/371, revela que a logística para o último carregamento adquirido do frigorífico em Fernandópolis foi alterada, o que está conforme os diálogos travados entre os acusados JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS e Luís Chagas, tendo sido substituído, somente, o fornecedor, pelo Frigorífico Mozaquatro e, o exportador, pela Agropecuária da Bahia Ltda.: Fornecedor (isento) = Precar Indústria de Preparação de Carnes Ltda.; Exportador = Ramos e Carvalho Imp. Exp. Ltda, representada por Luís Carlos, Álvaro e Luis Manoel Horácio Kleiman (agente exportador); Armazenagem = R Wilson Com. de Carnes e Pescados Ltda, sito à Rua do Arroz, 108, Penha, Mercado São Sebastião / RJ, estando o armazenamento sob a responsabilidade de ROCINE GALDINO DE SOUZA e a camuflagem da droga, meio ao bucho, sob os cuidados de MÁRCIO JUNQUEIRA DE MIRANDA (fls. 372/378).

Noutro prisma, as notas fiscais revelam, de igual modo, o longo planejamento exigido pela operação de grande porte, a qual engloba o envio do estupefaciente pelo fornecedor, não raro em cargas separadas para evitar os riscos de apreensão, até a distribuição no centro consumidor, passando, por óbvio, pelo procedimento de depósito e remessa, inclusive o transporte marítimo. No caso, a primeira nota fiscal arrecadada revela a chegada, ainda no ano de 2003, dos primeiros carregamentos de bucho, camuflagem da droga, no galpão do acusado ROCINE.

As testemunhas arroladas pelo denunciado ou se limitaram a revelar detalhes sem pertinência ou relevância ou demonstraram o especial cuidado do réu com a carga de bucho ali armazenada, o que diante das circunstâncias não favorece o réu.



Lígia Martins da Silva afirmou ter trabalhado na casa do acusado, que tinha um frigorífico no Mercado São Sebastião, durante cerca de 1 ano. Disse que o réu residia com um neto e tinha gastos normais, viajando para João Pessoa onde tem familiares (fls. 2.369/2.370).

Educam Reinaldo Vieira disse que trabalhou no frigorífico de ROCINE durante os seis meses e conhecia MÁRCIO, que não dormia no galpão e ali apareceu 3 vezes. Afirmou que o acusado proibiu os funcionários tocar apenas no bucho e que o bucho chegava lacrado no galpão. Afirmou que o denunciado MÁRCIO nunca mexia nas carnes e não entrava na câmara frigorífica e só entrava no galpão acompanhado de ROCINE, que mantinha as chaves e não as emprestava aos empregados. Declarou ignorar o teor das conversas entre os réus ROCINE e MÁRCIO (fls. 2.371/2.372.).

Francisco Sales do Nascimento informou que era empregado do frigorífico e que o bucho chegava sempre lacrado e assim saía com o mesmo lacre, o que nem sempre acontecia com as carnes. Declarou que algumas pessoas desconhecidas iam ao frigorífico comprar carnes, mas que o bucho de boi não era vendido, não sabendo dizer a razão. Afirmou que havia ordem de ROCINE proibindo o acesso ao bucho e as geladeiras eram abertas apenas com a autorização do acusado ROCINE. Salientou que ROCINE só emprestava as chaves para a testemunha Francisco José Reinaldo quando viajava. Disse, também, que as carnes e o bucho eram guardados em geladeiras diferentes e que havia um estoque de bucho armazenado há “um ano e meio”. Contou ter visto MÁRCIO no galpão apenas em companhia de ROCINE, que não presenciava as conversas entre ROCINE e MÁRCIO e que o horário de trabalho no galpão era das 6 às 11:30 horas (fls. 2.373/2.374).

Francisco José Reinaldo Vieira declarou que era faxineiro e ajudava descarregar e carregar caminhões. Disse que as carnes eram lacradas, ignorando se eram manipuladas enquanto permaneciam no frigorífico. Declarou que somente o acusado ROCINE tinha as chaves do galpão, embora por diversas vezes tenha deixado o frigorífico em mãos dos funcionários ou os funcionários eram dispensados e somente ROCINE ficava. Conheceu o acusado MÁRCIO apenas de vista, e não soube dizer o que ele e ROCINE conversavam. Disse que ROCINE vendia carne a preço inferior ao de mercado para pessoas conhecidas, mas não fazia isso com os buchos. Afirmou que MÁRCIO nunca manuseou as carnes e que ele por vezes ficava até 3 meses sem aparecer no frigorífico. Declarou que ROCINE não emprestava a chave do galpão a ninguém e que as carnes compradas por pessoas físicas eram transportadas pelos próprios compradores, os quais não compravam bucho (fls. 2.375/2.377).

Tampouco a documentação juntada pelo réu afasta o robusto conjunto probatório contrário, carecendo de fundamento, igualmente, a alegação formulada pela Defesa de que os bens foram adquiridos licitamente.

De fato, o acusado anexou cópias de declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios de 2001 até 2005; DARF’s; Comprovante de Pagamento de Prêmio da Loteria (Megasena), o que, em realidade, pode indicar lavagem de dinheiro obtido com o tráfico; Certidão de Registro de Averbação de Seqüestro de Imóvel localizado na cidade de João Pessoa – PB; registro da compra de imóvel situado na cidade do Rio de Janeiro – RJ, bem como terreno em Guarabira – PB (fls. 3455/3497); Carteira de Identidade; Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral da empresa “R. Wilson Comércio de Carnes e Pescados LTDA.” junto ao Governo do Estado do Rio de Janeiro – RJ; Alvará de Licença para Estabelecimento; Alterações Contratuais; Contrato Social de Constituição da Empresa “Canalmais Comunicação Visual LTDA.”; registro de imóvel comprado por CARLOS ROBERTO DA ROCHA e sua esposa Suzette Prellvitz Paiva da Rocha e Escritura de Promessa de Compra e Venda firmada pelos mesmos e pelo casal Ana Cristina Ferreira de Carvalho e Roberto Ferreira de Melo Júnior; Laudo de Pendências referente ao financiamento imobiliário feito por Ana Cristina Ferreira de Carvalho (fls. 912/940).

Acontece, porém, que há prova sólida atestando que a organização criminosa há muito atuava em território brasileiro. Realmente, ROCINE e MÁRCIO JUNQUEIRA, este último confessadamente na condição de condição de laranja, adentraram formalmente na empresa Eurofish ainda no ano de 1997, quando passaram a constar formalmente no contrato social da referida empresa, o que, portanto, faz prova da estruturação do vínculo associativo há bastante tempo, conforme os autos de seqüestro de n° 2005.35.00.017947-0 e o depoimento do acusado JOSÉ ANTONIO DE PALINHOS, o qual afirmou, porém, que ambos os réus eram laranjas de ANTÔNIO DÂMASO e Jorge Monteiro.

Assim, não resta de que o denunciado ROCINE GALDINO DE SOUZA cometeu o crime de tráfico internacional de cocaína, bem como estava associado com os demais réus para a prática de tal delito, sem o pálio de qualquer causa excludente da antijuridicidade ou da culpabilidade, sendo imputável e possuindo pleno conhecimento da ilicitude das condutas praticadas. Por fim, não incidem causas que possam afastar a punibilidade dos fatos.

4) CARLOS ROBERTO DA ROCHA, TOBE, BETO ou BETO ROCHA.

No dia 15/09/2005, quando da prisão no Rio de Janeiro, o denunciado, ao prestar esclarecimentos, declarou ser inocente. Confirmou a propriedade do veículo Focus e de uma Cherokee e negou conhecer ROCINE, declarando que nunca havia mantido contato com este, tampouco com o então conduzido MÁRCIO JUNQUEIRA. Disse não ter tido qualquer relacionamento financeiro com os demais presos e sua única atividade era ser dono de empresa beneficiadora de arroz, com movimentação mensal de R$ 40.000,00 e lucro de 15%. Declarou saber do processo criminal contra o irmão Luís Carlos da Rocha ou Cabeça Branca, por envolvimento com tráfico de drogas, mas com o qual, disse não manter contato. Confirmou o apelido de BETO (fls. 44/45).

No dia 29/09/2005, em Goiás, ao ser reinquirido na presença de advogado, negou a alcunha de TOB, mas reconheceu a de BETO. Admitiu ser proprietário da Lucabesu, aberta com capital de R$ 50.000,00 e na qual figura como sócia a esposa Suzette Prellvitz Paiva da Rocha. Declarou que mantinha contatos esporádicos com ROCINE, o qual disse conhecer há 20 (vinte) anos e que o auxiliava na locomoção na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Reconheceu que encontrou ROCINE no Barra Shopping, no Rio de Janeiro, e no Aeroporto de Congonhas, no Hotel Quality e nos Cartódromos de Interlagos e da Aldeia, em São Paulo. Negou ter mantido relacionamento financeiro com o acusado ROCINE ou ter entregue qualquer documentação ao réu, mas, caso tenha entregue, acredita estar relacionado à venda de um apartamento. Declarou que foi ROCINE, há 01 (um) ano, quem o apresentou a ANTÔNIO DÂMASO, em razão do interesse do acusado em importar azeite de Portugal e, de ANTÔNIO DÂMASO, importar soja do Brasil. Afirmou que encontrou ANTÔNIO DÂMASO no Brasil cerca de 4 (quatro) vezes, tendo ROCINE participado em 03 (três) delas. Admitiu ter viajado há três anos a Portugal por 02 (duas vezes), em razão do interesse em importar azeite. Disse que, há um ano, conheceu MÁRCIO JUNQUEIRA por meio de ROCINE, tendo-o encontrado algumas vezes, geralmente em companhia de ROCINE. Alegou que certa vez manteve contato telefônico com ROCINE e este indicou MÁRCIO JUNQUEIRA em São Paulo, no Hotel Quality, para entregar uma procuração relacionada a uma venda de imóvel, no Rio de Janeiro. Confirmou o apelido de MÁRCIO JUNQUEIRA como CAMISOLA AMARELA, mas não FERRUGEM, e o de ROCINE como VELHO, desconhecendo o apelido de ANTÔNIO DÂMASO e Luís Carlos da Rocha, irmão com o qual mantinha contatos esporádicos. Declarou ser proprietário de um Ford/Focus e de uma Cherokee e de dois apartamentos no Hotel Comfort Suítes e de uma casa onde reside, em Londrina/PR.

Após, confirmou contato telefônico com ANTÔNIO DÂMASO a fim de marcar um encontro no Rio de Janeiro no dia 13/09/2005, mas afirmou tratar-se de negócio relativo à exportação de azeite, tendo ido de carro até São Paulo no dia seguinte, de onde viajou de avião ao Rio de Janeiro em 15/09/2005. Afirmou ter realizado tal percurso por acreditar que não havia vôo direto de Londrina/PR para o Rio de Janeiro no horário pretendido. Disse não ter convidado ROCINE para o encontro, acreditando que o convite partiu de ANTÔNIO DÂMASO. Confirmou, também, encontro com ROCINE no Hotel Pit-Stop, próximo do Autódromo Interlagos em São Paulo, conversando amenidades. Em seguida, retificou o depoimento e confirmou o apelido de ANTÔNIO DÂMASO como GORDÃO. Não se lembrou de ter mandado efetuar depósito na conta de ROCINE ou tê-lo encontrado na Granja Viana em São Paulo. Disse ter conversado por telefone com ANTÔNIO DÂMASO, cinco ou seis vezes, e no número da fazenda três ou cinco vezes. Declarou que houve um único encontro com ROCINE no Hotel Quality, quando conversou apenas amenidades durante cerca de 30 (trinta) minutos. Declarou, por fim, ser inocente (fls. 269/272).

Em Juízo, o réu negou participação tanto no tráfico de drogas, como na associação para a tráfico (fls. 858/869), conforme declarações prestadas em 04/11/2005:

"(...) - Réu: Eu sou empresário. / - Juiz: Empresário. Há quanto tempo? / - Réu: Há 5 anos. / (...) / - Juiz: Antes de ser empresário, o que é que o senhor fazia? / - Réu: Eu fui representante de vendas por um bom tempo. / (...) / - Réu: Sempre trabalhei no comércio. Desde os meus 19 anos. / - Juiz: E hoje o senhor é empresário de que área? / - Réu: Eu tenho uma empresa, LuKabesu, de beneficiamento e empacotamento de arroz e também como distribuição de outros produtos alimentícios, sal por exemplo. / - Juiz: Certo. Só tem essa empresa? / - Réu: Só tem essa empresa. / - Juiz: O senhor aufere mais ou menos quanto por mês com essa empresa? / (...) / - Réu: Na faixa de 6 a 8.000 reais por mês. Por aí. / - Juiz: Tem sido assim nos últimos 5 anos? / - Réu: Tem sido assim. / (...) /



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