Autor: Autor: Alice Duarte Silva e Campos, Dulcinéia Nunes Gomes, Francisco Duarte Silva e Nelson Matos



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Encontro06.11.2017
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Autor: Alice Duarte Silva e Campos, Dulcinéia Nunes Gomes, Francisco Duarte Silva e Nelson Matos (Nelson Sargento)

Título: Um Certo Geraldo Pereira

Indicação bibliográfica: Funarte/Instituto Nacional de Música/Divisão de Música popular, Rio de Janeiro, 1983. 245 p. (Coleção MPB, 11)

Localização: Biblioteca da Pós-graduação de História, BCG-UFF.

Data da 1ª edição: 1983

Informação sobre a edição: Monografia vencedora do concurso sobre a vida do compositor Geraldo Pereira promovido pela Divisão de Música Popular do Instituto Nacional de Música da Funarte.

Livro

Calango: “Havia coisas boas. Geraldo gostava de futebol, e era doente pelo América Futebol Clube. Sabia de cor o nome dos jogadores: Joel, Penaforte, Delgado, Hermógenes, Floriano, Walter Guimarães, todos eles. E, nos fins de semana, adorava o som da sanfona de oito baixos que via o irmão tocar [Mané Araújo, irmão mais velho de Geraldo Pereira, que o trouxe de Juiz de Fora ainda menino para o Rio de Janeiro, mais especificamente, para o morro de Santo Antônio, Mangueira]. Ficava parado, extasiado diante daquela beleza, que era seu irmão e padrinho tocando, fazendo som com sanfona simples e desengonçada. O fole esticava e encolhia como uma cobra, nas mãos de Mane Araújo e Geraldo ficava colado, olhando para o irmão e parar os outros que compunham a roda de calango da ‘tendinha’ de mane Araújo.”

O Geraldo era garoto daquele tipo popular que todos gostavam. Era levado” – diz Teresinha [filha de Mané Araújo]. Ficava olhando as rodas de Calango que era meu pai na sanfona, Jorge Zagaia (novinho) cantando e o ‘seu’ Souza no pandeiro’. ‘Mas Mané era muito severo com o irmão, não deixava ele entrar na brincadeira. Olhar podia, entrar só para os mais velhos, só para os que sabiam’. ‘Ruço’ recorda ainda que ‘Mané tocava bem a sanfona. Tinha a boca cheia de dente de ouro na frente. Na porta, e às vezes dentro, da tendinha juntava aquela roda de calangueiros, Mane na frente e os outros acompanhando. Uma sanfona, um pandeiro e um cavaco fazendo centro’. ‘Acho que vi o Geraldo tentando aprender a tocar a sanfona do Mane, mas era escondido. Se o Mane visse, o pau comia. Quando tinha roda, era o Mané Araújo, o Mané Crioulo, Dino e os outros lá do alto do morro’. Pimenta era da mesma idade que GTP – ‘Nós só ficávamos olhando. Tinha um coro que é muito conhecido



Calango tango, do calango da lacraia

eu não caso a minha fia

com home que não trabaia
e aí entrava umas quadrinhas que falava de história de fuma e de jogo de mlah’. Para Pimenta, para Carlos Cachaça, para Aluísio, foi ali que Geraldo começou a sentir a música e os sons mexendo por dentro dele.” (p.36)

Região descrita: Mangueira, Rio de Janeiro.

Período da descrição: Década de 1930.

Ilustrações: Geraldo Pereira; Mane Araújo e suas filhas; Moreira da Silva; Cartola; Carlos Cachaça; Nelson Sargento.

Comentários: Esta biografia faz parte da coleção MPB, da Funarte/MEC, que também editou a biografia de outros sambistas importantes, como Silas de Oliveira e Paulo da Portela. O livro, escrito a quatro mãos, incluindo o sambista Nelson Sargento. Apresenta discografia e lista dos informantes.



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