Augusto de Campos ganha prêmio Pablo Neruda e lança livro inédito na Casa das Rosas



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Encontro19.10.2017
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Augusto de Campos ganha prêmio Pablo Neruda e lança livro inédito na Casa das Rosas

Doze anos depois de publicar seu último livro de poesias, Augusto de Campos retorna com o novo e inédito Outro (2015) que terá lançamento no dia 3 de agosto, às 19h, na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, museu que pertence a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e é gerenciado pela POIESIS Instituto de Apoio à Cultura.

Ontem (23), o poeta, ensaísta e tradutor recebeu o Prêmio Iberoamericano de Poesia Pablo Neruda do governo chileno, e por seu reconhecimento, o último dos escritores vivos do grupo Noigandres, lança o livro em que dá continuidade às experimentações poéticas que muito influenciaram tanto músicos como Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Walter Franco e Tom Zé, quanto artistas plásticos e poetas de todo o mundo. O lançamento do livro, na Casa das Rosas, contará com a participação de diversos destes amigos e admiradores de Augusto de Campos. Trata-se de um evento importante e raro: um dos mais influentes poetas do mundo lançando uma coletânea de poemas depois de 12 anos de silêncio.

O livro Outro, com texto, capa, projeto e execução gráfica do próprio autor, sairá pela Editora Perspectiva, com cerca de 120 páginas de poemas visuais e indicações de clip-poemas, que podem ser vistos na internet. No prefácio, que o poeta chamou de “Outronão”, ele relembra sua última coletânea de inéditos.



SOBRE AUGUSTO DE CAMPOS

Já em 1953, Augusto de Campos, aos 22 anos, havia composto uma série de poemas coloridos e dispostos de maneira original na página. Inspirados na música de vanguarda de Anton Webern, os textos de Poetamenos podem ser considerados os primeiros exemplos da poesia concreta. No final de 1956, Augusto de Campos organiza, com artistas plásticos e outros poetas que aderem ao movimento, uma exposição em São Paulo, transposta no início de 1957 para o Rio de Janeiro, em que a Poesia Concreta é lançada para o Brasil e para o mundo. Nascendo na mesma época da bossa nova e do rock n'roll, a poesia concreta é o primeiro estilo literário a surgir, senão antes, ao menos ao mesmo tempo, no Brasil e no resto do mundo. Numa literatura que sempre se viu atrelada às modas que vieram de fora, este é um fenômeno único.

Ainda hoje o radicalismo da experimentação, como a destruição do verso, as experiências de disposição original das palavras na página, a desintegração da própria palavra ou a recusa à poesia discursiva assustam e afastam leitores conservadores, gerando polêmicas acaloradas ou, pior ainda, uma estratégia de rasura bastante evidente: no Brasil, muitos fingem que nada aconteceu, enquanto os seus criadores são homenageados e celebrados nas mais prestigiosas universidades dos Estados Unidos e da Europa.

O mais radical dos inventores da poesia concreta, Augusto de Campos, mantém-se até hoje, aos 84 anos, absolutamente fiel às propostas iniciais de uma poesia antidiscursiva, sintética, visual e contundente. Publicou seu primeiro livro, O Rei Menos o Reino, em 1951. Durante a década de 1970, em colaboração com o artista plástico Julio Plaza, lançou dois volumes de "poemas-objeto", contendo textos tridimensionais, Poemóbiles (1974) e Caixa Preta (1975).



Três livros apresentam o básico de sua obra: Viva Vaia - Poesia 1949-1979 (1979), Despoesia (1994) e Não (2003). Tem publicado vários livros de ensaios críticos. Atuante crítico de música na década de 1960, foi um dos primeiros a reconhecer o talento poético de Caetano Veloso e Gilberto Gil, em ensaios reunidos no livro No Balanço da Bossa (1968). Atualmente, dedica-se a investigar novos meios para a poesia, como a holografia e a computação gráfica, e lançou, em parceria com seu filho, o músico Cid Campos, um CD com leituras criativas de seus poemas e traduções, Poesia é Risco (1994)..

Serviço:

Lançamento do livro “Outro” de Augusto de Campos
Segunda-feira, 3 de agosto, às 19h
Entrada gratuita

Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Avenida Paulista, 37 – próximo à Estação Brigadeiro do Metrô.
Horário de funcionamento: de terça-feira a sábado, das 10h às 22h;
Domingos e feriados, das 10h às 18h.
Convênio com o estacionamento Parkimetro: Alameda Santos, 74 (exceto domingos e feriados).
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