Ato III, Cena 3



Baixar 97,42 Kb.
Encontro12.07.2018
Tamanho97,42 Kb.

Ato III, Cena 3

Entram o Rei, Rosencrantz, e Guildenstern.


Rei Cláudio (YAGO): Não estou gostando do estado de Hamlet, vou mandá-lo convosco para a Inglaterra, a sua loucura é um pergi para nós.
Guildenstern (JOÃO MARCOS): Iremos nos aprontar, é preciso manter seguros os que cuidam de você meu rei.
Rosencrantz (ANNA): Toda vida é determinada (destinada) por toda força da mente, assim como o rei nunca morre sozinho, pois todo povo ficará triste por ele.
Rei Cláudio (YAGO): Estejam preparados pra viagem.
Rosencrantz (ANNA): [com Guildenstern] Vamos nos apressar.
[Saem os Cavalheiros. Entra Polônio.]
Polônio (GABRIELE): Senhor ele está indo para os aposentos de sua mãe, vou ver o que consigo saber.
Rei Cláudio (YAGO): Obrigado, Polônio . [Sai Polônio], meu crime é horrível, assassinar o próprio irmão! Será que conseguirei rezar agora. [ajoelha-se e entra Hamlet]
[Entra Hamlet.]
Hamlet (JOSÉ): Bom momento para me vingar, mas se o miserável morrer vai pro céu e eu não terei vingado meu pai, minha mãe me aguarda.
Rei Cláudio (YAGO): [levanta-se] Palavras sem pensamentos não vão para o céu.

Ato III, Cena 4

Aposentos da rainha.


Entram a Rainha e Polônio.
Polônio (GABRIELE)
. Ele virá sem demora, repreenda ele e vá direto ao ponto, ficarei escondido aqui.
Hamlet (JOSÉ):
[dentro] Mãe, mãe, mãe!
Gertrudes (JULIA): Não tenha medo por mim! Vá se esconda.
[Polônio se esconde atrás da tapeçaria. Entra Hamlet.]
Hamlet (JOSÉ): Mãe, qual o problema?
Gertrudes (JULIA): Tu ofendeste muito teu pai. O que é isto Hamlet?
Hamlet (JOSÉ): Mãe qual o problema agora?
Gertrudes (JULIA): Esqueceu quem sou?
Hamlet (JOSÉ): Não, pela cruz!

Não me esqueci. Sei bem que sois a rainha, casada com o irmão de vosso esposo...


Gertrudes (JULIA): Então!

Hamlet (JOSÉ): Senta aqui que verás seu interior (mostra o espelho)

Gertrudes (JULIA): O que vai fazer agora? Me matar? Socorro, socorrooo OH!!
Polônio (GABRIELE). [atrás] O que, oh! Socorro!
Hamlet (JOSÉ): [saca a espada] Que isso? um rato? Morre!
[atravessa a tapeçaria e mata Polônio.]
Polônio (GABRIELE): [atrás] Oh, fui assassinado!
Gertrudes (JULIA): Oh, o que fizeste?
Hamlet (JOSÉ): Não sei: é o rei?
Gertrudes (JULIA): Oh, que precipitado e sangrento ato é este!
Hamlet (JOSÉ):
Um ato sangrento! Quase tão mal, boa mãe, quanto matar um rei, e casar-se com seu irmão.
Gertrudes (JULIA): Quanto matar um rei!
Hamlet (JOSÉ): É o que disse. [Levanta a tapeçaria e vê Polônio.] Adeus imbecil, achei que fosse o REI, isso acontece com quem quer ser maior do que pode ser.

Gertrudes (JULIA): O que fiz para falar mal de mim?

Hamlet (JOSÉ): Um ato que mancha o bem e deixa uma marca de sangue.

Gertrudes (JULIA): Ai de mim! De que ato que me acusa?
Hamlet (JOSÉ): Olha estes quadros um depois o outro, não foi por amor que você trocaria o rei pelo irmão dele!?

Gertrudes (JULIA): Chega não fales mais nada! Minha alma já não é mais a mesma.

Hamlet (JOSÉ): Não, mas viver fazendo amor em um lugar impuro com um assassino, um vilão e um escravo que não vale nada e o pôs perto de ti.

Gertrudes (JULIA): Oh, não me fales mais, estas palavras, como adagas, entram em meus ouvidos! Não mais, doce Hamlet!
Hamlet (JOSÉ): Um assassino e um vilão, um escravo que não é a vigésima parte do décimo de teu lorde precedente, um bobo de reis, um punguista do império e da ordem, que de uma estante o precioso diadema roubou, e o pôs em seu bolso!
Gertrudes (JULIA): Não mais!
[Entra o fantasma].
Hamlet (JOSÉ): Um péssimo rei! Salvai-me! O que deseja figura nobre?

Gertrudes (JULIA): está louco!
Hamlet (JOSÉ): Repreende teu filho e deixa de lado teu comando? Falai!

Fantasma (EMANUELA): Não se esqueças. Lembre-se de seus propósitos, sua mãe está com medo, dividida entre a alma e o corpo. Fale pra ela, Hamlet.

Hamlet (JOSÉ): Está bem senhora?
Gertrudes (JULIA): Você está bem, fala com o vento, para onde está olhando?

Hamlet (JOSÉ): Para ele! Não faça com que seu apelo diminua minha determinação não preciso de lágrimas, mas de sangue.

Gertrudes (JULIA): Com quem está falando?

Hamlet (JOSÉ): Não está vendo, nem escutando nada de diferente ali?
Gertrudes (JULIA): Nada de diferente.

Hamlet (JOSÉ): Vede ali! Vede! Já se afasta... Meu pai, tal como em vida se vestia. Acaba - vede-o! - de

transpor a porta.

[Sai o fantasma.]
Gertrudes (JULIA): Você está vendo coisas!
Hamlet (JOSÉ): Vendo coisas!? Não falei nada de errado.
Hamlet (JOSÉ): Delírio!

Mas pode pôr-me à prova, que de outra forma poderei provar. Livra-te, confessa a ti mesma ao céu, arrepende-te do que passou, evita o que está por vir, e não espalhes o composto nas ervas daninhas, para torná-las mais fétidas.



Gertrudes (JULIA): Ó partiste meu coração em dois.

Hamlet (JOSÉ): Oh, joga fora a pior parte dele, e vive mais pura com a outra metade. Boa noite; mas não vás para a cama de meu tio, adota uma virtude, se não a tens.

Gertrudes (JULIA): Que eu vou fazer?
Hamlet (JOSÉ): Deixa que esse rei tente lhe conquistar de volta, tentando fazer com que digas que estou louco...
Gertrudes: Não consigo engolir o que me disse.

Hamlet(JOSÉ): Eu devo ir à Inglaterra, sabes disso?
Gertrudes (JULIA): Já havia me esquecido.
Hamlet (JOSÉ): Há cartas seladas e meus colegas no qual eu confio, portam o mandado. Mãe boa noite de verdade. E fique com Deus.

[Saem a Rainha e então Hamlet arrastando o corpo]


Ato IV, Cena 5


[Entram Horácio, Rainha, e um Cavalheiro.]
Gertrudes (JULIA): Não vou falar com ela.
Cavalheiro (ARTHUR): Ela está perturbada e insistente.
Gertrudes (JULIA): O que ela quer?
Cavalheiro(ARTHUR): Ela fala sem sentido apesar que ouvintes tentam entender, juntam as palavras, mas formariam pensamentos, embora nada seja certo, ainda que muito incômodo.

Horácio (ANTÔNIO): Seria bom falar com ela, que pode fazer intrigas depois.

Gertrudes (JULIA): Deixe ela entrar.
[Sai o Cavalheiro.]
[À Parte] Para minha alma doente, como é a natureza real do pecado, cada pequena coisa parece o prólogo de algum grande desastre, tão plena de inepta suspeição é a culpa, ela se derrama por medo de ser derramada.
Entra Ofélia perturbada.
Ofélia (GIOVANA A.): Onde está a majestade da Dinamarca?
Gertrudes (JULIA): Ora,ora, Ofélia!
Ofélia (GIOVANA A.): [Canta]
Gertrudes (JULIA): Doce jovem, o que significa esta canção?
Ofélia (GIOVANA A.):
Dizes? Não, peço-te, ouve. [Canta] Ele está morto e se foi, moça. Ele está morto e se foi; em sua cabeça um gramado verdejante, em seus tornozelos uma pedra. O ooo!
Gertrudes (JULIA): Não, mas, Ofélia...
Ofélia (GIOVANA A.): Peço-te, ouve. [Canta] Branca sua mortalha como neve da montanha,
Entra o Rei.
Gertrudes (JULIA): Olha aqui, milorde.
Ofélia (GIOVANA A.): [Canta] Ornado com doces flores, que embebido em lágrimas para o túmulo foi com banhos de amor verdadeiro.
Rei Cláudio (YAGO): Como vai, jovem?
Ofélia (GIOVANA A.): Bem! Dizem que a coruja era filha de um padeiro. Lorde, sabemos o que somos, mas não sabemos o que podemos ser. Deus esteja à tua mesa!
Rei Cláudio (YAGO): Delírio sobre seu pai.
Ofélia (GIOVANA A.): Peço-te! Não fale sobre isso! Mas quando te perguntarem, dize isto: (Canta) Amanhã é dia de São Valentim, tudo pela manhã bem cedo, e eu uma donzela à tua janela, para ser tua namorada. Então ele se levantou, e vestiu sua roupa, e abriu a porta do quarto, deixou entrar a donzela, que donzela nunca mais saiu.
Rei Cláudio (YAGO): Bela Ofélia!
Ofélia (GIOVANA A.): Com efeito, sem uma jura, eu chegarei ao fim. [Canta] Por Jesus e por Santa Caridade, que lástima e oh, que vergonha! Jovens homens assim farão, se eles chegarem a isso; por Deus, eles são culpados. Disse ela... "antes de me derrubar, prometeste-me casar-te." "Assim eu teria feito, por aquele sol, e tu não havias vindo até minha cama."
Rei Cláudio (YAGO): Há quanto tempo ela está assim?
Ofélia (GIOVANA A.): Espero que tudo fique bem. Devemos ser pacientes, não tenho escolha senão chorar. Doces senhoras, boa noite![Sai ].

Rei Cláudio (YAGO): Peço que a vigie.
[Horácio sai.]
Oh, isto é o veneno de profundo pesar e provém todo da morte de seu pai. E agora vede! Ó, Gertrudes! Quando as mágoas vêm, são grandes e tristes. Ó minha cara Gertrudes, isto, como uma bomba de pregos, em muitos lugares me causa morte supérflua.
[Um barulho dentro.]
Gertrudes (JULIA): Que barulho é este?
Rei Cláudio (YAGO): Onde estão meus guardas? Guardem eles a porta!
[Entra um Mensageiro.] O que está acontecendo?
Mensageiro (LORENA): Majestade, fugi! O oceano, quando rompe os diques, não devora a planície com mais ímpeto do que Laertes, à testa dos rebeldes, vence a tropa legal. O populacho lhe chama lorde, e tal como se o mundo fosse recomeçar, sem que mais lembrem tradições, esquecidos os costumes - sustentáculos firmes das palavras - grita: Elejamos rei! Seja Laertes! As línguas e os chapéus, as mãos o aplaudem até às nuvens: Laertes, nosso rei!

Um barulho dentro.


Gertrudes (JULIA): Oh estão na trilha errada falsos cães dinamarqueses.
Rei Cláudio (YAGO): As portas se rompem.
[Entra Laertes, armado, seguido de dinamarqueses.]
Laertes (DANELON): Onde está o Rei? Senhores, ficai todos aqui fora!
Todos. Não, vamos entrar.
Laertes (DANELON): Peço, dai-me licença.
Todos. Assim faremos.
Laertes (DANELON): Eu vos agradeço. Guardai a porta.

[Afastam-se para trás da porta.]


Ó rei, dai-me meu pai!
Gertrudes (JULIA): Com calma, Laertes.
Laertes (DANELON): Não estou calmo estou com raiva de todos.
Rei Cláudio (YAGO): Qual é a causa, Laertes, para que tua rebelião seja tão grande? Solta-o, Gertrudes, não temas. Dize-me, Laertes, por que estás assim irado? Solta-o, Gertrudes. Fala, homem!
Laertes (DANELON): Onde está meu pai?
Rei Cláudio (YAGO): Morto.
Gertrudes (JULIA): Mas não por ele.
Rei Cláudio (YAGO): Deixa-o demandar seu bocado.
Laertes (DANELON): Como veio ele a morrer? Não me farão de tolo, que venha o que vier, apenas vingarei sua morte. Para o inferno os juramentos! Fidelidade, os diabos a carreguem!

Rei Cláudio (YAGO): Quem te deterá?
Laertes (DANELON): Minha vontade, e não o mundo inteiro!
Rei Cláudio (YAGO): Bom Laertes, se desejares saber a verdade sobre a morte de teu caro pai, estará gravado em tua vingança.
Laertes (DANELON): Ninguém a não ser seus inimigos.
Rei Cláudio (YAGO): Queres conhecê-los então?
Laertes (DANELON): A seus bons amigos desta largura abrirei meus braços e como o gentil pelicano que dá a vida, nutrirei-os com meu sangue.
Rei Cláudio (YAGO): Ora, agora falas como uma boa criança e um verdadeiro cavalheiro. Que não tenho culpa da morte de teu pai, e estou mui sentidamente por ela magoado, tão precisamente penetrará teu julgamento quanto o dia o faz a teu olho.
[Um barulho dentro]: Deixe entrar.
Laertes (DANELON): Que barulho é este?
[Entra Ofélia. ]
Ó calor, ressecai meu cérebro! Cara donzela, gentil irmã, doce Ofélia! Ó céus!
Será possível, a razão de uma jovem donzela ser tão mortal quanto a vida de um ancião?
Ofélia (GIOVANA A.): [Canta] Levaram-no a enterrar sem cobertura...

Tra-lá, la-rá!

Quanto choro lhe rega a sepultura!

Adeus, pombinho!



Laertes (DANELON): Se com toda a razão me convenceste a vingar-te, nem tanto me abalaras.
Ofélia (GIOVANA A.): Deveríeis cantar: "Abaixo! abaixo! Chamai-o para baixo!" Oh! Como a roda lhe vai bem! É da canção do intendente falso que raptou a filha do amo.

Laertes (DANELON): Isso nada mais é que conteúdo.
Ofélia (GIOVANA A.): Aqui está alecrim, isso é para lembrança.

Laertes (DANELON): Um ensinamento em loucura, pensamentos e lembranças combinam.
Ofélia (GIOVANA A.): Aqui, funcho (erva aromática) para ti, e arruda também, mas me dê um pouco desta...,

(canta) Era a minha alegria o doce Robin...


Laertes (DANELON): Melancolia e aflição, sofrimento, o próprio inferno, ela transforma em encanto e beleza.
Ofélia (GIOVANA A.): [Canta] E não voltará ele a vir? E não voltará ele a vir? Não, não, ele está morto. Vai a teu leito de morte, ele nunca voltará a vir. Sua barba era branca como a neve, era puro linho sua cabeça. Ele se foi, ele se foi, e nós dispensamos lamento. Deus tenha misericórdia de sua alma! E por todas almas cristãs... Eu rezo a Deus. Deus esteja contigo.[Sai].
Laertes (DANELON): Vede isto, ó Deus?
Rei Cláudio (YAGO): De vossa mágoa, Laertes, compartilho; é meu direito. Agora, retirai-vos por uns momentos e escolhas uns amigos mais ajuizados, para que nos ouçam e nos julgue, se formos culpados em troca te darei o reino.
Laertes (DANELON): Que assim seja!

Rei Cláudio (YAGO): Assim farás. Vem comigo.

Ato IV, Cena 7


Entram Cláudio e Laertes

Rei Cláudio (YAGO): me deves por em teu coração como amigo, uma vez que me ouviu, aquele que a teu nobre pai serviu.

Laertes (DANELON): Assim bem parece, a que por vossa segurança, sabedoria, e tudo mais, vós principalmente fostes afetado.
Rei Cláudio (YAGO): Por duas razões especiais que podem a ti parecer muito bobas, mas pra mim são muito importantes.

LaerteS (DANELON): E assim eu um nobre pai perdi, uma irmã levada a termos desesperados. Mas minha vingança virá.
Rei Cláudio (YAGO): Não percas teu sono por isso. Eu amava a teu pai, e nós amamos nós mesmos.

Entra um Mensageiro.


E agora! Novidades

Mensageiro (LORENA): Cartas, milorde, de Hamlet, esta para a rainha cara majestade.

Rei Cláudio (YAGO): De Hamlet ! Quem as trouxe?

Mensageiro (LORENA): Marinheiros, milorde. Eu não os vi.
Rei Cláudio (YAGO): LaerteS, você escutou. Deixa-nos.
[Sai o Mensageiro]
(Lê)
"Altivo e poderoso, tu saberás que sou deixado desnudo em teu reino. Amanhã instarei por permissão para ver teus olhos reais. Quando irei, primeiro pedindo teu perdão a este respeito, recontar a ocasião de meu súbito e mais estranho retorno. Hamlet." Que significaria isto? Retornaram todos os demais? Ou é isto algum abuso, e nada disso?
Laertes (DANELON): Conhece a letra?
Rei Cláudio (YAGO): É a escrita de Hamlet.
"Desnudo!" E adiante, diz "Sozinho." Podes me aconselhar?

Laertes (DANELON): Estou perdido milorde. Mas que venha ele!
Rei Cláudio (YAGO):
Se assim for, Laertes, e como poderia ser então?
Laertes (DANELON) : Sim, milorde; se assim não me submeterdes a uma paz.
Rei Cláudio (YAGO): A tua própria paz. Se ele voltar da viagem eu prepararei uma cilada para ele fazendo que caia e até sua mãe pense que foi acidente.

Laertes (DANELON): Milorde, farei como desejas e se precisar de mim sempre estarei em prontidão.
Rei Cláudio (YAGO): Isso cairia bem. Falam-se muito a seu respeito que teu nome já está na boca de Hamlet, tuas partes não o incitarão.
Laertes (DANELON): Que parte é esta, milorde?
Rei Cláudio (YAGO): A juventude e a maturidade apresentada, há algum tempo atrás cavaleiros estiveram aqui eu os vi e os servi , eram bons em parte.
Laertes (DANELON): um normando, era ele?
Rei Cláudio (YAGO): Um normando.
Laertes (DANELON): Por minha vida, Lamond.
Rei Cláudio (YAGO): O próprio.
Laertes (DANELON): eu o conheço bem, ele é a joia de fato e gema de toda a nação.
Rei Cláudio (YAGO): Ele fez o teu reconhecimento e proclamou, “seria uma visão e tanto se alguém pudesse te igualar”e esse testemunho inveja Hamlet.
Laertes (DANELON): O que a partir disso, senhor?
Rei Cláudio (YAGO): Laertes, vosso pai vos era caro? Ou uma face sem um coração?
Laertes (DANELON): por que perguntais isso?
Rei Cláudio (YAGO): Não que eu pense que não amasse teu pai, mas que eu sei que o amor muda com o tempo, e que eu vejo. E nada fica igual como era. Vamos à úlcera: Hamlet volta. O que farias para mostrar que era filo de teu pai?

Laertes (DANELON): Cortar sua garganta na igreja.
Rei Cláudio (YAGO): Lugar algum, de fato, deveria do assassinato ser santuário. A vingança não tem limites. Mas, Laertes, o que você vai fazer?

Laertes (DANELON): Eu o farei, e, para esse fim, ungirei minha espada. Eu tocarei minha ponta com esse contágio (ponta da espada contaminada com sangue infectado), tal que, se eu o raspá-lo levemente, possa ser a morte.
Rei Cláudio (YAGO): Pensaremos melhor nisso. Mas espera, que barulho? Que houve, doce rainha!
Gertrudes (JULIA): Um pesar. Tua irmã se afogou, Laertes.
Laerte (DANELON): Afogou! Oh... Onde?
Gertrudes (JULIA): Um salgueiro reflete na ribeira cristalina sua copa acinzentada. Para aí foi Ofélia sobraçando grinaldas esquisitas de margaridas, urtigas e de flores de púrpura, alongadas. Ao tentar pendurar suas coroas nos galhos inclinados, um dos ramos invejosos quebrou, lançando na água chorosa seus troféus de erva e a ela própria. Seus vestidos se abriram, sustentando-a por algum tempo, muito tempo, porém, não demorou, sem que os vestidos se tornassem pesados de tanta água e que de seus cantares arrancassem a infeliz para a morte lamacenta.

Laertes (DANELON): Céus, então, ela se afogou?
Gertrudes (JULIA): Afogou.
Laertes (DANELON): Água demais tens tu, pobre Ofélia, e porquanto eu proíbo meu pranto, mas mesmo assim é nosso uso.
Sai.
Rei Cláudio (YAGO): Sigamos, Gertrudes. Quanto eu tive que fazer para acalmar sua fúria! Agora, temo eu, isto lhe dará novo início. Portanto... sigamos!

Ato V, Cena 2


Uma sala no castelo.
Entram Hamlet e Horácio.
Hamlet (JOSÉ): Isso já basta, vamos ao outro assunto. Ainda lembras todos os fatos?
Horácio (ANTÔNIO): Lembro-me, senhor?
Hamlet (JOSÉ): Uma luta travou-se-me no peito, que o sono me tirou; sofria como revoltosos em ferro. De repente - Viva a temeridade! - É muito certo que a indiscrição por vezes nos ampara, quando a trama periga. Isso nos mostra que um deus aperfeiçoa nossos planos, ainda que mal traçados.

Horácio (ANTÔNIO): é bem certo, Senhor.

Hamlet (JOSÉ): Subindo de minha cabine, minha capa de marinheiro nos ombros, procurei para encontrá-los, e tirar o que precisava. Peguei o pacote deles e por fim retirei-me a meu próprio quarto; sendo tão ousado, meus medos esquecendo os modos, a ponto de romper o selo da carta do rei; onde encontrei, ó patifaria real!

Horácio (ANTÔNIO): Será possível?
Hamlet (JOSÉ): A mensagem, pode ler mais tarde. Mas sabe o que eu fiz?
Horácio (ANTÔNIO): Por favor.

Hamlet (JOSÉ): Cercado por tantas vilanias, antes que fizesse um prólogo ao meu cérebro já estava escrevendo a peça. Sentei e escrevi uma nova carta. Quer saber o que eu escrevi?
Horácio (ANTÔNIO): Sim, senhor.

Hamlet (JOSÉ): Uma conjuração do rei, sendo Inglaterra seu fiel tributário, sendo o amor entre eles como uma palmeira que floresce, sendo que a paz ainda veste seu traje lácteo e interpõe um hiato entre suas amizades, e muitos tais e quais.
Horácio (ANTÔNIO): Como isso foi selado?

Hamlet (JOSÉ): Nisso o céu me ajudou. Tinha na bolsa o sinete que fora de meu pai e que serviu de norma para o selo da Dinamarca. Após, dobrada a carta, subscritada e impresso nela o timbre, pu-la no lugar da outra, sem vestígio deixar da troca. Deu-se no outro dia o combate. Já sabes tudo o mais.

Horácio (ANTÔNIO): Então Guildenstern e Rosencrantz para isso se encaminham.
Hamlet (JOSÉ): Ora, homem; foram eles que namoraram esse emprego. Remorso algum me vem por ter feito isso. Caem, por terem sido intrometidos. É perigoso, para a gente baixa, ficar entre os floretes inflamados de dois opositores poderosos.

Horácio (ANTÔNIO): Ora, que rei é esse!
Hamlet (JOSÉ): Não cabe a mim, pensas tu... ele que matou meu rei e desonrou minha mãe, se intrometeu no meu trono. Assim não devereis eu acertar contas?

Horácio (ANTÔNIO): Dentro de pouco tempo hão de chegar-lhe notícias da Inglaterra sobre o caso.
Hamlet (JOSÉ): Será breve: o ínterim é meu e a vida de um homem mais não é do que dizer "Um." Mas, é certo, a ameaça de sua desgraça com efeito pôs-me em uma monumental paixão.
Horácio (ANTÔNIO): Espera! Quem vem lá?
Entra o jovem Osrico, um cortesão.
Osrico (HELENA): Sua alteza é muito bem-vinda de volta à Dinamarca!.
Hamlet (JOSÉ): Eu humildemente te agradeço, senhor. Conheces esta mosca d'água?
Horácio (ANTÔNIO): [à parte a Hamlet] Não, meu bom lorde.
Hamlet (JOSÉ): [à parte a Horácio] Teu estado é assim mais gracioso, pois é um vício conhecê-lo. Ele tem muita terra, e fértil. É um tagarela, mas, como digo, espaçoso na possessão de terra.
Osrico (HELENA): Doce lorde, se vossa amizade estivesse de acordo, Eu transmitiria algo
a ti de sua majestade.
Hamlet (JOSÉ): Eu o receberei, senhor. Põe teu quepe a seu uso correto; ele é para a cabeça.
Osrico (HELENA): Sua majestade ordenou-me significar ao senhor que ele depositou uma grande aposta sobre sua cabeça. Senhor, trata-se disso...
Hamlet (JOSÉ): [Hamlet o induz a pôr o chapéu.]
Osrico (HELENA) Não, meu bom lorde, por meu bem-estar, de boa fé. Senhor, cá está, vindo há pouco à corte Laertes.

Hamlet (JOSÉ): Qual é sua arma?
Osrico (HELENA): Florete e adaga.
Hamlet (JOSÉ): O que faz duas armas. Mas beleza.
Osrico (HELENA): O rei, senhor, apostou com ele seis cavalos da Berbéria, e Laertes seis floretes e punhais franceses, com seus apetrechos, três das carruagens, de boa fé. Tudo do bom...

Hamlet (JOSÉ): O que chama de carruagens?
Osrico (HELENA): As carruagens são alças.
Hamlet (JOSÉ): ...carruagens; esta é a aposta francesa contra a dinamarquesa. Por que está isso?
Osrico (HELENA): O rei, senhor, apostou, que em uma dúzia de golpes entre tu mesmo e ele, ele não o excederá em três acertos, ele estabeleceu em doze por nove e iríamos à prova imediata, se vossa alteza concedesse a resposta.
Hamlet (JOSÉ): Senhor, continuarei andando na sala se agrada sua majestade. Se não, nada ganharei a não ser vergonha.
Osrico (HELENA): Eu encomendo meu dever a vossa alteza.
Hamlet (JOSÉ): Sempre vosso. [Sai Osrico.] Ele faz bem em ficar sozinho.

Horácio (ANTÔNIO): Este quero-quero foge com a casca sobre a cabeça.
Hamlet (JOSÉ): Assim ele, e muitos mais do mesmo gênero que eu sei que a idade frívola idolatra.

Entra um lorde.


Lorde (ARTHUR): Senhor, Sua majestade pergunta se ainda vai lutar com Laertes ou quereis mais tempo?
Hamlet (JOSÉ): Tenho o mesmo propósito, basta o rei dar as ordens necessárias.
Lorde(ARTHUR): O rei, a rainha e todos estão descendo.
Hamlet (JOSÉ): Em boa hora.

Lorde (ARTHUR): A rainha deseja que faça uma boa recepção a Laertes antes da luta.
Hamlet (JOSÉ): Bom conselho.
[Sai o lorde.]
Horácio (ANTÔNIO): Tu perderás esta aposta, milorde.
Hamlet (JOSÉ): Não creio.

Horácio (ANTÔNIO): Neste caso... possa dizer que não estás apto.
Hamlet (JOSÉ): Nem um pio.

[Entram o rei, a rainha, Laertes, Osrico, lordes, com outros assistentes com espadas. Uma mesa e frascos de vinho sobre ela.]


Rei Cláudio (YAGO): Vem, Hamlet, vem, e toma esta mão de mim.
[O rei põe a mão de Laerte sobre a de Hamlet.]
Hamlet (JOSÉ): Dá-me teu perdão, senhor, eu te fiz mal; mas perdoa, sendo tu um cavalheiro.

Laertes (DANELON): Estou satisfeito em natureza, cujo motivo, neste caso, deveria mover-me à minha vingança, mas em termos de honra eu sigo à parte, e não desejo reconciliação alguma.

Hamlet (JOSÉ): Eu o aceito, com prazer, e esta aposta entre irmãos com pureza disputarei. Dai-nos as espadas.
Laertes (DANELON): Vamos, uma para mim.
Hamlet (JOSÉ): Eu serei tua espada, Laertes. Ante minha ignorância tua habilidade, como uma estrela na mais negra noite, ressaltará de fato luzente.
Laertes (DANELON): Zombas de mim, senhor.

Hamlet (JOSÉ): Não.
Rei Cláudio (YAGO): Dá-lhes as espadas, jovem Osrico. Hamlet, tu conheces a aposta?
Hamlet (JOSÉ): Muito bem, senhor. Vossa graça estabeleceu a vantagem para o lado mais fraco.
Rei Cláudio (YAGO): Não o duvido; Já vi a ambos, mas sendo ele treinado, temos então vantagem.

Laertes (DANELON): Esta é pesada demais, deixa-me ver outra.
Hamlet (JOSÉ): Esta bem me agrada. Estas espadas têm todas um comprimento?
Preparam-se para duelar.
Osrico (HELENA): Sim, meu bom lorde.
Rei Cláudio (YAGO): Coloque os cálices de vinho sobre aquela mesa. Se Hamlet der o primeiro ou segundo toque, ou empatar em resposta ao terceiro confronto, que todas as torres seus petardos disparem. O rei beberá ao melhor fôlego de Hamlet; e na taça uma pérola ele lançará, mais rica que aquela que quatro sucessivos reis na coroa dinamarquesa ostentaram. Dai-me a taça e que o tímpano ao trumpete fale, o trumpete ao artilheiro lá fora, os canhões aos céus, os céus à terra, "agora, o rei bebe a Hamlet." Vamos, começai. E vós, os juízes, mantende olho vigilante.
Hamlet (JOSÉ): Vamos, senhor.
Laertes (DANELON): Vamos, milorde.
Eles duelam.
Hamlet (JOSÉ):
Um.
Laertes (DANELON): Não.
Hamlet (JOSÉ): Julgamento!
Osrico (HELENA): Um acerto, um acerto bem palpável.
Laertes (DANELON): Bem, mais uma vez.
Rei Cláudio (YAGO): Aguardai; dai-me a bebida. Hamlet, esta pérola é tua; isto é por tua saúde. [Tambor; soam trumpetes, um canhão dispara.] Dai-lhe a taça.
Hamlet (JOSÉ): Eu disputarei esta rodada primeiro; deixa-a de lado um instante. Vamos. [Eles lutam.] Um outro acerto; que dizes?
Laertes (DANELON): Um toque, um toque, eu confesso.
Rei Cláudio (YAGO): Nosso filho vencerá.
Gertrude (JULIA): Ele está gordo, e de fôlego curto. Aqui, Hamlet, toma meu lenço, esfrega tua testa. A rainha entorna a tua fortuna, Hamlet.
Hamlet (JOSÉ): Obrigado madame!
Rei Cláudio (YAGO): Gertrudes! Não bebas.
Gertrude
(JULIA): Eu o farei, senhor. Rogo-te, perdoa-me... [Bebe].
Rei Cláudio (YAGO): [à parte] É a taça envenenada: é tarde demais.
Hamlet (JOSÉ): Não ouso beber ainda, madame; em instantes.
Gertrude (JULIA): Vem, deixa-me enxugar tua face.
Laertes (DANELON): Senhor, eu o acertarei agora.
Rei Cláudio (YAGO): Não creio.
Laertes (DANELON): [à parte] E ainda assim é quase contra minha consciência.
Hamlet (JOSÉ): Vamos, à terceira, Laertes. Tu apenas brincas; rogo-te, ataca com tua melhor violência; temo que me tomes por um moleque.
Laertes (DANELON):
Dizes isso? Vamos.
Osrico (HELENA): Nada, de lado algum.

Laertes (DANELON): Te peguei agora!
[Laerte fere Hamlet; então em disputa trocam de floretes e Hamlet fere Laertes.]
Rei Cláudio (YAGO): Apartai-os! Estão ensandecidos.
Hamlet (JOSÉ): Não, vamos, mais uma vez. [A rainha cai.]

Osrico (HELENA): Acudi lá a rainha, Horácio!

Horácio (ANTÔNIO): Sangram os dois lados. Como estás, milorde?
Osrico (HELENA): Como estás, Laerte?
Laertes (DANELON): Ora, como uma codorna em minha própria armadilha, OsricO. Sou justamente morto com meu próprio logro.
Hamlet (JOSÉ): Como vai a rainha?
Rei Cláudio (YAGO): Ela desfalece ao vê-los sangrar.
Gertrude
(JULIA): Não, não, a bebida, a bebida! Ó meu caro Hamlet, a bebida, a bebida! Fui envenenada. [Morre.]
Hamlet (JOSÉ): Ó vilania! Ho! Que se tranque a porta! Traição! Buscai-a.
[Laertes cai.]
Laertes (DANELON): tá aqui, Hamlet! Hamlet, tu estás morto; remédio algum no mundo te pode ajudar; em ti não há meia hora de vida

Hamlet (JOSÉ): A ponta! Envenenada também! Então, veneno, ao teu trabalho![Fere o rei.]
Todos. Traição! Traição!
Rei Cláudio (YAGO): Ó, defendei-me, amigos; estou apenas ferido.
Hamlet (JOSÉ): Aqui, tu, incestuoso, assassino, maldito dinamarquês, bebe desta poção. Está tua pérola aqui? Segue minha mãe. [O rei morre.]
Laertes (DANELON): A ele é servido o justo; é uma poção por ele mesmo composta. Troca perdão comigo, nobre Hamlet. Que a minha morte e a do meu pai não recaiam sobre ti, nem a tua sobre mim. [Morre.]
Hamlet (JOSÉ): Os céus disso te libertem! Eu te sigo. estou morto, Horácio. Miserável rainha, adeus!

Horácio (ANTÔNIO): Nunca o creias, eu sou mais um antigo romano do que um dinamarquês. Aqui ainda resta alguma bebida.
Hamlet (JOSÉ): Se és um homem, dá-me a taça, solta! Pelos céus! Eu a beberei. Ó Deus, Horácio, que nome ferido, ficando as coisas assim ignoradas, viverá depois de mim!. Que ruído de guerra é este?
Osrico (HELENA): O Jovem Fortimbrás, conquistador da Polônia, vem saudar os embaixadores da Inglaterra

Hamlet (JOSÉ): Estou morrendo Horácio. O potente veneno já sobrepuja meu espírito. E não viverei para ver Fortimbrás como escolhido mas meu voto é dele. O resto... é... silêncio. [Morre.]
Horácio (ANTÔNIO): Agora se rompe um nobre coração. Boa noite doce príncipe... e hostes de anjos cantem a ti em teu descanso! [Marcha dentro.] Por que vem até aqui o tambor? [Entra Fortimbrás e os Embaixadores Ingleses, com tambor, cores, e circunstantes]
Fortimbrás (ERIC) Que triste visão!
Horácio (ANTÔNIO): O que é que querias ver? Se qualquer coisa de trágico ou maravilhoso, cessa tua busca.
Fortimbrás (ERIC) Esta mortandade brada. Ó orgulhosa morte! Que ceia se avizinha em tua cela eterna, que tu tantos príncipes de um golpe tão sangrentamente derrubaste?
Embaixador (LAVÍNIA): A visão é aterradora e nossos negócios da Inglaterra chegam tarde demais. Os ouvidos estão insensíveis que deveriam nos dar audiência, para dizer a ele que seu comando está cumprido, que Rosencrantz e Guildenstern estão mortos. De onde teremos nossos agradecimentos?
Horácio (ANTÔNIO): Não desta boca, tivesse ela a habilidade da vida para agradecer-te: ele nunca deu comando para a morte deles. Tudo isso eu posso relatar.
Fortimbrás (ERIC) Apressemo-nos em ouvi-lo, e chamai os mais nobres à audiência. Quanto a mim, com pesar eu aceito minha fortuna. Eu tenho alguns direitos rememorados neste reino, os quais agora a reivindicar minha vantagem me convidam.
Horácio (ANTÔNIO): Disso eu terei também causa para falar, e de sua boca cujo voto atrairá outros; mas que o mesmo seja imediatamente realizado, mesmo enquanto as mentes dos homens estejam perturbadas.

Fortimbrás (ERIC) Que quatro capitães carreguem Hamlet, como um soldado, ao tribunal; pois era provável, que se provasse muito imperial e que tenha sido testado, e, para sua passagem, a música dos soldados e os ritos da guerra falam com eloquência por ele. Levai o corpo! Tal visão como esta convém ao campo de batalha, mas aqui se mostra muito imprópria. Ide. Mandai os soldados dispararem.
[Saem marchando; uma salva de canhões é disparada.]



©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal