Assunto: trovadorismo (“o santo graal” e “os templários”)



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TROVADORISMO (“O SANTO GRAAL” E “OS TEMPLÁRIOS”).
A Busca do Graal
Cavaleiros templários, rei Artur, conspirações contra Cristo, anjos caídos, extraterretres. Faz oitocentos anos que a lenda do Cálice Sagrado mexe com a imaginação humana. Mas, afinal, o que se sabe de verdade sobre o Graal?
Por José Francisco Botelho
Sobre O Santo Graal: Texto extraído na íntegra da revista Super interessante, edição 210, fevereiro de 2005, pp.36-44.
Sobre Os Templários: Texto extraído na íntegra da revista Super interessante, edição 223, fevereiro de 2006, pp.48-57.

O jovem Percival estava exausto depois de cavalgar o dia inteiro. Meses antes ele tinha partido da corte do rei Artur em busca de fama e aventuras, mas naquela noite tudo que ele queria era dormir. Foi quando avistou um castelo. Os portões estavam abertos e Percival entrou. Lá dentro foi recebido por um certo “Rei Pescador”, um velho nobre que o convidou para a ceia. Antes de o banquete começar, duas crianças atravessaram a sala. Primeiro um menino passou trazendo nas mãos uma longa lança, cuja ponta sangrava como se estivesse viva. Logo depois surgiu uma menina em roupas majestosas, carregando um recipiente de ouro puro, incrustado pelas jóias mais preciosas da Terra. O clarão era tão intenso que as velas do castelo perderam o brilho. Percival ficou deslumbrado, mas, por timidez, não perguntou o significado daquilo. No dia seguinte, o cavaleiro seguiu viagem. Aquela cena nunca mais sairia de sua cabeça. Um dia, ele decidiu reencontrar os tesouros e desvendar seus segredos, ainda que a aventura lhe custasse à vida. A busca pelo Graal acabava de começar.
Essa história foi escrita há mais de 800 anos, por volta de 1190. Ela faz parte do livro Lê Conte du Graal (“O Conto do Graal”), de Chrétien de Troyes, um dos maiores escritores franceses da Idade Média. O livro deixava de explicar muitas coisas. Afinal, que recipiente dourado era aquele? Quem era o Rei Pescador? Por que a lança sangrava? Como acabou a busca de Percival? Poucos anos depois, Chrétien morreu, deixando todas essas perguntas sem resposta.

Pelo que se sabe, O Conto do Graal foi a primeira referência ao tema da história. A Bíblia não fala uma palavra sobre o santo Graal e seus poderes. O livro de Chrétien incendiou a imaginação dos europeus do século XII e acabou se tornando uma verdadeira obsessão para leitores e escritores. Tudo isso indica que O Conto do Graal foi uma espécie de best seller de sua época – o primeiro de uma longa série de sucessos literários inspirados pelo tema. Com o tempo, foram surgindo explicações para as coisas mais estranhas que aconteciam na história e tanto o recipiente dourado quanto a lança começaram a ser interpretados como relíquias dos tempos bíblicos. O Graal, que começou sua história no reino da ficção, foi sendo transformado pelo imaginário coletivo em uma das peças centrais da mitologia do cristianismo – um objeto divino, dotado de poderes miraculosos e capaz de diminuir a distância entre Deus e os homens. Uma imagem tão poderosa que até hoje há quem diga que ele realmente existiu.

Após a Idade Média, a “lança que sangra” ficou meio de lado nas páginas da literatura, mas o Graal continuou sua carreira de sucesso. Ele chegou aos tempos modernos e povoou filmes hollywoodianos, reflexões eruditas e best sellers internacionais. Por trás de toda sua fama, o mistério permanece. Oito séculos após o surgimento da lenda, o dilema central continua de pé: afinal de contas, o que é o Graal?

A ERA DAS RELÍQUIAS
Na Idade Média cultuava-se até prepúcio
Não espanta que as lendas do Santo Graal tenham feito sucesso na Idade Média - afinal, o imaginário da época tinha uma verdadeira obsessão pelo culto de objetos sagrados.

Acreditava-se que os restos mortais dos mártires fossem dotados de poderes físicos e espirituais. Durante as Cruzadas, um fragmento da “verdadeira cruz” costumava ser carregado pelos exércitos cristãos nas batalhas contra os sarracenos, como uma espécie de talismã da vitória.

Em 1239, o rei francês São Luis pagou uma verdadeira fortuna pela suposta Coroa de Espinhos, construindo uma das obras-primas da arquitetura gótica (a Sainte-Chapelle de Paris) só para abrigá-la.

Por toda a Europa, fieis diziam possuir itens fabulosos, como o doente de leite do menino Jesus, a cabeça de São João Batista, o prepúcio de Cristo, as lagrimas, o leite ou os cabelos (ruivos, louros, morenos ... ) de Maria.

O costume de vencer relíquias continuou a contar com o apoio do Vaticano mesmo após o fim da Idade Média: no Concilio de Trento, em 1545, o poder dos objetos sagrados foi reafirmado como um dos dogmas da fé católica. Ainda assim, a Igreja jamais aceitou oficialmente a crença no Graal.



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