Aspectos morfológicos do tecido ósseo à microscopia óptica



Baixar 28,32 Kb.
Encontro13.10.2018
Tamanho28,32 Kb.

ASPECTOS MORFOLÓGICOS DO TECIDO ÓSSEO À MICROSCOPIA ÓPTICA

Renan Figueiredo de Freitas (Voluntário)

Tatiana Faria Macedo Bezerra (Professor Orientador)

Ana Maria Barros Chaves Pereira (Professor Colaborador)

Centro de Ciências da Saúde, Departamento de Morfologia, Monitoria de Histologia.

RESUMO: O tecido ósseo está amplamente distribuído no nosso organismo e, de acordo com seu tipo e composição, assume diversas funções. Portanto, é importante capacitar o aluno para uma melhor diferenciação prática entre os tipos histológicos de osso que possuem diferentes morfologias e componentes. Assim, a construção de um pôster com fotomicrografias descritas dos tipos de tecidos ósseo e as várias colorações empregadas sedimenta ainda mais o aprendizado ministrado em sala de aula e nas aulas práticas, tornando-se um guia facilitador para o estudante.

Palavras-chave: Tecido ósseo; osso; Histologia.

INTRODUÇÃO

A Histologia, ao estudar a morfologia das células e dos tecidos e a sua cinética funcional, constitui uma ciência cujo conhecimento é fundamental para a adequada compreensão dos fenômenos biológicos dos organismos vivos. Dentre os tecidos presentes no corpo humano, pode-se destacar o tecido conjuntivo ósseo.

O osso é um tecido conjuntivo especializado, cuja matriz extracelular é calcificada, aprisionando as células que a secretam. Embora seja um dos tecidos mais duros do corpo humano, o osso é um tecido dinâmico, que muda de forma, constantemente, dependendo da força a ele aplicada. (ROSS et al, 2012) Além disso, fatores genéticos, hormonais, ambientais e nutricionais influenciam o tamanho dos ossos.

O osso pode ser classificado a partir da sua estrutura macroscópica, em osso compacto ou esponjoso, ou microscópica, em osso primário ou secundário. No osso compacto, a matriz óssea ocupa todos os espaços, enquanto que, no esponjoso, trabéculas de tecido ósseo encontram-se entremeadas com a medula óssea. Já o osso primário pode ser caracterizado como uma forma imatura, possuindo maior número de osteócitos, feixes de fibras colágenas desorganizadas e pouco conteúdo mineral, sendo um osso mais fraco e flexível. O osso secundário é um tecido maduro, constituído de lamelas de matriz óssea que se dispõem paralelamente ou concentricamente em torno de um espaço vascular, constituindo os sistemas de Havers, além de apresentarem grande conteúdo mineral. A maior parte do osso secundário é constituída por sistemas de Havers, e estes se comunicam entre si, ou com a medula óssea, por meio de canais transversais ou oblíquos, denominados canais de Volkmann. Ele ainda apresenta outros três tipos de arranjos lamelares: sistemas circunferencial externo e interno, bem como o sistema intermediário. O sistema circunferencial externo é constituído por lamelas paralelas, formando uma faixa abaixo do periósteo. Esse sistema constitui a região mais externa da diáfise. O sistema circunferencial interno, análogo ao externo, mas não tão desenvolvido quanto ele, circunda completamente a cavidade medular. À medida que um osso está sendo remodelado, os osteoclastos reabsorvem os sistemas de Havers e os osteoblastos os substituem. Resquícios de sistemas de Havers permanecem como grupos irregulares de lamelas, conhecidos como sistemas intermediários.

A matriz óssea contém uma parte orgânica, formada por água, proteínas e fibras colágenas, e uma parte inorgânica, formada por fosfato de cálcio, fosfato de magnésio e carbonato de cálcio. Os minerais conferem dureza aos ossos, enquanto as fibras colágenas lhes conferem flexibilidade e resistência (AARESTRUP, 2012).

As células do tecido ósseo são: células osteoprogenitoras, osteoblastos, osteócitos e osteoclastos. As células osteoprogenitoras são células indiferenciadas capazes de se diferenciar em células produtoras de tecido ósseo. Os osteócitos são as células encontradas no interior da matriz óssea, ocupando as lacunas das quais partem canalículos. São células achatadas, com forma de amêndoa e núcleo com cromatina condensada. Eles são responsáveis pela manutenção da integridade da matriz óssea. Os osteoblastos são as células que sintetizam a parte orgânica da matriz óssea e participam da mineralização da matriz. Dispõe-se sempre na superfície óssea, lado a lado, num arranjo que lembra o epitélio simples. Quando em intensa atividade sintética são cubóides, com citoplasma muito basófilo. Porém, em estado pouco ativo, se tornam achatadas e diminuem a basofilia citoplasmática. Uma vez aprisionado pela matriz o osteoblasto passa a ser chamado de osteócito. Os osteoclastos são células móveis, gigantes, contém de 6 a 50 núcleos, e possuem forma irregular. Tem citoplasma granuloso, algumas vezes com vacúolos. Os osteoclastos liberam secreção de ácido, colagenases e outras enzimas, fazendo a degradação da matriz óssea e liberando cálcio para o sangue. Residem em depressões ou recessos da matriz – as lacunas de Howship ou sítios de reabsorção.

Os ossos são revestidos externamente pelo periósteo, uma membrana de tecido conjuntivo fibroso, inervada e vascularizada, com capacidade osteogênica, que se conecta ao osso por fibras colágenas. Na sua porção profunda, o periósteo é mais celular e apresenta as células osteoprogenitoras. Na sua porção superficial, o periósteo é composto principalmente por fibras colágenas e fibroblastos. As superfícies articulares não são revestidas por periósteo, mas por cartilagem hialina. (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 2013)

OBJETIVO

Este trabalho teve por objetivo revisar os aspectos relevantes e diferenciais da histologia óssea a microscopia óptica, através da elaboração de um painel com fotomicrografias coloridas, com o intuito de aprimorar o aprendizado nas aulas práticas da monitoria de histologia.

METODOLOGIA

Para a realização deste estudo foi realizado uma revisão crítica da literatura entre o livros didáticos disponíveis e mais utilizados nos cursos de graduação, na área de saúde, da UFPB, além de artigos científicos disponíveis na biblioteca da PubMed (US National Library of Medicine/ National Institutes of Health), nos últimos cinco anos.

Os livros didáticos e os artigos científicos foram utilizados para a obtenção das características e dos aspectos morfológicos do tecido conjuntivo ósseo. Em seguida, para a análise destes aspectos morfológicos, vistos ao microscópio óptico, foram examinadas as lâminas de tecido ósseo disponíveis no acervo da disciplina de Histologia do Departamento de Morfologia da UFPB. As lâminas selecionadas foram preparadas com as técnicas de descalcificação e de desgaste; sendo coradas pela Hematoxilia-Eosina (H.E.), o Tricrômico de Masson e o Picrosirius Red. As lâminas examinadas foram fotografadas utilizando-se um fotomicroscópio óptico de luz transmitida Leica DM 750, nos aumentos de 100 ou 200 vezes. As áreas selecionadas tiveram suas imagens capturadas mediante a utilização de uma microcâmera ICC50 da Leica para captura de imagem, sendo, em seguida, analisadas com o auxílio do Software Módulo Leica LAS Interactive Measurement. As fotomicrografias foram colocadas em um painel para ficar exposto no laboratório de histologia.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise da estrutura histológica do tecido ósseo, neste estudo, teve o intuito de aprimorar o conhecimento dos aspectos morfológicos e do seu componente celular. Diante da sua funcionalidade e plasticidade, verifica-se a sua grande importância para a área de saúde e afins.

Nas lâminas analisadas, coradas com Hematoxilina e Eosina, observou-se que o colágeno, acidófilo, presente em grande quantidade na matriz óssea, ficou evidenciado pelo rosa, devido à afinidade pelo corante Eosina. Quando a coloração foi o Tricrômico de Masson, o colágeno ficou evidenciado em verde. Na coloração pelo Método Sirius Red os grupamentos silfônicos do corante interagem fortemente com os aminoácidos básicos das moléculas dos diferentes tipos de colágeno, sendo assim, muito apropriado para corar o colágeno em cortes histológicos, onde se evidencia a cor vermelha (AARESTRUP, 2012)..

Na figura 1, observa-se a presença de tecido ósseo primário, caracterizado por fibras colágenas desorganizadas, matriz pouco mineralizada e maior número de células. Evidencia-se ainda a presença de inúmeras células mesenquimatosas nas cavidades existentes entre as trabéculas de tecido ósseo imaturo.

Na figura 2 observa-se uma lâmina de osso longo evidenciando tecido ósseo secundário, caracterizado por fibras organizadas em lamelas, matriz bastante mineralizada, e menor número de células. A técnica de preparo para a lâmina foi a desmineralização, a mesma aplicada na lâmina anterior.

Nas figuras 3 e 4, observam-se as características do osso secundário evidenciadas pela técnica de desgaste. São evidenciados os sistemas de Havers, por meio da disposição concêntrica das lamelas e lacunas, os canais de Havers, por onde percorrem os vasos que nutrem o osso; o sistema circunferencial externo e o sistema intermediário - localizado entre os sistemas de Havers, com seus arranjos lamelares.

Nas figuras 5 e 6, observam-se o componentes celulares ósseos característicos na primeira imagem e o periósteo na segunda. Os osteócitos podem ser observados aprisionados pela matriz óssea e com menor tamanho, em relação aos osteoblastos que possuem um maior tamanho e encontram-se marginalizados a matriz mineralizada. Ainda na primeira imagem, pode-se observar a presença de uma célula irregular, multinucleada e maior que as demais, o osteoclasto, responsável pela reabsorção óssea, que pode ser evidenciada pela presença da lacuna de Howship. Na figura 6 está evidenciado o periósteo, onde pode-se observar a divisão do seu componente mais fibroso (superficial) do componente predominantemente celular (profundo) (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 2012).

As figuras 7 e 8 mostram um osso longo desmineralizado, o qual evidencia-se o periósteo localizado externamente; em seguida o tecido ósseo compacto, com canais de Havers e canais de Volkmann e, por fim o tecido ósseo esponjoso, com as trabéculas ósseas e nas cavidades a medula óssea vermelha e entre elas, a medula óssea vermelha.

CONCLUSÃO

Diante do exposto, conclui-se que o conhecimento dos aspectos morfológicos do tecido ósseo é de fundamental importância para o aprendizado prático dos discentes da área de saúde. A utilização das fotomicrografias mostrou-se uma ferramenta importante no ensino-aprendizagem do tema abordado, contribuindo para a formação integrada do aluno nos campos de ensino e pesquisa, além de incentivar a docência, sendo de extrema importância para o seu desenvolvimento profissional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AARESTRUP, B. J. Histologia Essencial. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.

GARTNER, L. P.; HIATT, J. L. Tratado de histologia em cores. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

JUNQUEIRA, Luiz Carlos Uchoa e CARNEIRO, José. Histologia básica. Texto e atlas. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

KIERSZENBAUM, Abraham L. e TRES, Laura, L. Histologia e biologia celular: uma introdução à patologia. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.

ROSS, Michael H.; PAWLINA, Wojciech. HistologiaTexto e atlas: em correlação com a biologia celular e molecular, 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.

ROSS, Michael H.; PAWLINA, Wojciech; BARNASH, Todd A. Atlas de histologia descritiva. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Nita, L. M.; Battlehner, C. N.; Ferreira, M. A.; Imamura, R; Sennes, L.U.; Caldini, E. G.; Tsuji, D.H. The presence of a vocal ligament in fetuses: a histochemical and ultrastructural study. Journal of Anatomy (Print), v. 215, p. 692-697, 2009.

Figura 1 - Lâmina de face - 200x - Desmineralização; Coloração: Tricrômio de Mason

Figura 2 - Osso longo - 200x - Desmineralização; Coloração: HE

Figura 3 - Osso longo - 200x - Desgaste

Figura 4 - Osso longo - 200x – Desgaste; Coloração: Picrosirius Red

Figura 5 - Osso longo - 100x - Desmineralização; Coloração: HE

Figura 6 - Osso longo - 100x - Desmineralização; Coloração: HE

Figura 7 - Osso longo - 100x - Desmineralização; Coloração: HE



Figura 8 - Osso longo - 100x - Desmineralização; Coloração: HE



©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal