Aspecto verbal na tradução do passado do português ao italiano



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Aspecto verbal na tradução do pretérito perfeito do português ao italiano

Um dos problemas que se apresenta durante o processo de tradução da língua portuguesa ao italiano diz respeito à traslação do pretérito perfeito simples do indicativo para um dos dois tempos verbais que, em italiano, lhe correspondem na descrição do passado: passato prossimo e passato remoto.

O passato remoto apresenta uma forma simples (io parlai / io andai) e o passato prossimo apresenta uma forma composta, formada pelo presente do indicativo do verbo auxiliar essere/avere1 e o particípio do verbo principal (io sono andato / io ho parlato). Como já foi dito, essas duas expressões temporais correspondem ao pretérito perfeito simples do português. Todavia, a semelhança estrutural existente entre o passato prossimo e o pretérito perfeito composto (tempo que representa uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos italianos que aprendem português) faz com que seja necessário esclarecer a nítida distinção aspectual existente entre o pretérito perfeito simples e o composto para, depois, analisarmos a questão do passato prossimo e do passato remoto.

Tratando-se de distinções aspectuais, torna-se imprescindível definir a categoria de Aspecto2, a qual, junto com a categoria de Tempo e a de Ação, determina o valor semântico dos tempos verbais. Como afirma Lys Miréia Santanché, o Aspecto é “uma categoria verbal ligada ao Tempo, pois antes de mais nada ele indica o espaço temporal ocupado pela situação em seu desenvolvimento, marcando a sua duração”3.

Sônia Bastos Borba Costa, por sua vez, apresenta uma definição em que confronta a categoria de Aspecto à de Tempo. Ela afirma que, “enquanto a categoria de Tempo trata o fato enquanto ponto distribuído na linha do tempo, a categoria de Aspecto trata o fato como passível de conter frações de tempo que decorrem dentro dos seus limites” e acrescenta que “o Aspecto é a categoria lingüística que informa se o falante toma em consideração ou não a constituição temporal interna dos fatos enunciados”4.

A partir destas duas definições, complementares entre si, podemos concluir que, ao contrário do Tempo, o Aspecto não é uma categoria dêitica, ou seja, não situa o falante no tempo, mas é uma categoria que ressalta a relevância atribuída pelo falante ao tempo interno do evento enuciado. Enquanto o Tempo localiza a ação no tempo, o Aspecto indica o tempo intrínseco à ação.

No que diz respeito à oposição entre Tempo e Aspecto, enquanto a escolha do Tempo utilizado na enunciação é objetivamente determinada (presente, passado ou futuro), a escolha do Aspecto tem um carácter mais subjetivo: é o sujeito falante que decide se quer considerar o evento enunciado como um todo ou se prefere atribuir mais ênfase à fase inicial, intermediária ou final do mesmo. Se considerarmos, como propõe Benveniste5, que o homem se constitui como sujeito através da linguagem, o Aspecto apresenta-se como a categoria verbal na qual a subjetividade do falante irrompe com mais força.

Como já foi acenado, o Tempo subdivide-se em passado, presente e futuro. O Aspecto, por sua vez, pode apresentar um carácter perfectivo ou imperfectivo.

O aspecto perfectivo expressa o fato enunciado como um todo indivisível, que não pode ser parcializado ou fragmentado em seqüências temporais internas. O aspecto imperfectivo, ao contrário, é aquele que expressa a temporalidade interna - a duração - do evento enunciado, e, portanto, permite que se enfatize uma fase (inicial, intermediária ou final) do mesmo, ou então, o estado resultativo que deriva dele. Em outras palavras, o Aspecto perfectivo pressupõe uma perspectiva externa ao processo e o Aspecto imperfectivo, uma perspectiva interna.

Um outro elemento fundamental na distinção, entre aspecto perfectivo e aspecto imperfectivo, diz respeito ao que Bertinetto define como fator de indeterminatezza 6 do aspecto imperfectivo, ou seja, a inexistência, nos tempos imperfectivos, de uma fronteira de fechamento do evento, de um limite que marque a conclusão do mesmo. Ao contrário, os tempos perfectivos consideram o evento como uma totalidade não segmentável, da qual fazem parte as suas próprias fronteiras.

Em relação ao caso específico do pretérito perfeito, tem-se uma oposição nítida entre o aspecto perfectivo da forma simples e o aspecto imperfectivo da forma composta.

Como afirmam Celso Cunha e Lindley Cintra:

“A forma simples indica uma ação que se produziu em certo momento do passado. É a que se emprega para ‘descrever o passado tal como aparece para um observador situado no presente e que o considera do presente’ (...). A forma composta exprime geralmente a repetição de um ato ou a sua continuidade até o presente em que falamos”7.
O pretérito perfeito simples é, portanto, perfectivo. Ele descreve um evento passado através de uma perspectiva global, compreendendo o início, o desenvolvimento e a conclusão do mesmo.

O pretérito perfeito composto, ao contrário, é imperfectivo8 porque pressupõe uma duração, ou seja, um lapso de tempo dentro do qual o evento tem início (momento determinado no passado) e se prolonga, no mínimo, até ao momento da enunciação. Sublinhe-se “no mínimo”, porque sendo imperfectivo, o pretérito perfeito composto não determina uma fronteira de conclusão do evento. Em outras palavras, o pretérito perfeito composto indica que no momento da enunciação o evento está em curso, mas não estabelece quando cessará.

Podemos afirmar que, seja o pretérito perfeito simples, seja o composto, indicam uma ação cujo início é localizado no passado. Porém, apresentam uma nítida diferença no que diz respeito à descrição que fornecem em relação ao desenvolvimento e à conclusão do mesmo: o pretérito perfeito simples expressa, simultaneamente, início e conclusão do evento (evento considerado globalmente), enquanto o pretérito perfeito composto enfatiza, além do início no passado, a duração do evento e o carácter de indeterminação da sua conclusão.

Na língua portuguesa, o pretérito de aspecto perfectivo, por excelência, é portanto o pretérito perfeito simples do indicativo.

Como já foi acenado, a língua italiana também apresenta dois tempos verbais para descrever o passado, um simples e um composto. Todavia, ambos - passato remoto e passato prossimo - correspondem ao pretérito perfeito simples. A correspondência na estrutura, que nos levaria a identificar o pretérito perfeito simples com o passato remoto e o pretérito perfeito composto com o passato prossimo, não se mantém em relação ao seu valor aspectual.

Eis, então, que se apresenta o dilema do tradutor: Qual tempo utilizar na hora de traduzir um verbo que, em português, está no pretérito perfeito simples? O passato prossimo ou o passato remoto?

Antes de mais nada, é preciso lembrar que, se por um lado, o processo de tradução è, como afirma Umberto Eco, um processo de negociação, que pressupõe a inexistência de fórmulas universais que possam ser aplicadas como equações matemáticas, por outro lado, a oposição entre o passato remoto e o passato prossimo, mesmo para os italianos, apresenta uma linha de demarcação muito elástica e incerta. Nesse sentido, cada tradução abre o caminho para uma nova negociação e para um novo conjunto de decisões. Logo, o nosso objetivo não é aquele de fornecer soluções universais, mas chaves de interpretação que acrescentem elementos de reflexão no âmbito da problemática da tradução do pretérito perfeito simples em italiano.

A origem da distinção entre o passato remoto e o passato prossimo remonta à distinção aspectual entre o Aoristo e o Perfeito do grego clássico. O Aoristo indicava um evento ocorrido no passado, totalmente concluído, mas sem nenhuma relação com o momento da enunciação, enquanto o Perfeito indicava um evento ocorrido no passado, totalmente concluído, mas que mantinha uma sua atualidade e relevância no momento da enunciação. Sucessivamente, esses dois paradigmas confluíram no Perfectum latino, o qual passou a apresentar uma consequente ambivalência funcional. Se, por um lado, a língua portuguesa manteve essa ambivalência no pretérito perfeito simples, por outro, no italiano, a alternância entre o passato remoto e o passato prossimo tem suas raízes na oposição aspectual entre o Aoristo e o Perfeito gregos.

Um elemento que não pode ser ignorado na realidade da língua italiana e que influi no uso dos dois passados é obviamente a questão dialetal. A esse respeito Antonio Sorella diz que “mesmo hoje em dia, o sistema dos tempos históricos não é nem coerente, nem uniformizado em toda a penísula. De fato, se em algumas regiões a alternância passato prossimo /passato remoto ainda mantem um valor de oposição entre aspecto perfectivo e aorístico, em muitas outras, a alternância foi quase totalmente anulada devido ao desaparecimento do passato remoto e, concluindo, em outras regiões, o passato remoto ainda é usado, mas frequentemente com o mesmo siginificado do passato prossimo9. A problemática dialetal, porém, não representa um grande obstáculo durante a tradução para o italiano, porque o tradutor, justamente, tenderá a evitar uma utilização dos dois tempos que vincule o texto a uma origem regional, preferindo um emprego mais neutro, em que sejam presentes vestígios da oposição entre o carácter perfectivo e o aorístico10.

Feitas tais premissas, podemos passar à análise da elástica linha de demarcação entre o passato remoto e o passato prossimo. Demarcação, esta, que varia até mesmo entre os gramáticos. Tomemos como exemplo uma das gramáticas mais utilizadas a nível escolar e universitário, La nuova grammatica della lingua italiana, de Maurizio Dardano e Pietro Trifone, segundo a qual o passato remoto “indica uma ação concluída no passado, independentemente do seu desenvolvimento e da sua relação com o presente”11. Ao contrário, o passato prossimo “expressa um fato realizado no passado, mas que mantém alguma relação com o presente”, seja porque o evento descrito perdura no presente (...), seja porque perduram os efeitos do evento descrito”12.

O passato remoto funciona em todos os sentidos como o Aoristo, sem relação alguma - nem objetiva, nem psicológica - com o presente. È, claramente, um tempo perfectivo que proporciona uma visão global e delimitada no tempo do evento enunciado.

O problema começa a surgir com a definição do passato prossimo. A idéia de persistência de um evento ou de seus efeitos no presente leva-nos a pensar, em um primeiro momento, que o passato prossimo possa corresponder, de algum modo, ao pretérito perfeito composto português. Não é assim, no entanto, porque, ao contrário do pretérito perfeito composto, o passato prossimo é um tempo perfectivo que não pressupõe a perspectiva temporal interna do evento. Na maioria dos casos o passato prossimo pressupõe o perdurar dos efeitos da ação, não a ação em si13.

Como afirmam Maria Helena Abreu e Rita Benamor Murteira, “a semelhança quanto à forma, existente entre o Pretérito Perfeito Composto e o passato prossimo italiano (que expressa ações concluídas), é causadora de muitos erros. É fundamental lembrar que o passato prossimo corresponde ao perfeito simples, enquanto o Pretérito Perfeito Composto não corresponde exatamente, em italiano, a nenhum tempo verbal”14.

O pretérito perfeito composto português é o único tempo verbal capaz de exprimir a duração e a iteração sem qualquer expressão adverbial. Nenhuma outra língua românica possui um tempo verbal equivalente ao pretérito perfeito composto da língua portuguesa.

Um exemplo do uso do passato prossimo, como expressão de uma ação que se realiza no passado, mas persiste no presente, seria:

Ho sempre pensato che Giovanni è simpatico.”15


Neste exemplo, é clara a persistência do evento passado no presente, visto que o sujeito tem a mesma opinião no momento em que o enunciado é feito. Porém, é o advérbio sempre que garante tal interpretação, a qual, em português, prevê o uso do pretérito perfeito simples e não o do composto.

Um outro exemplo ilustra a persistência, no presente, dos efeitos de uma ação passada :

Sono nato il 18 gennaio 1947.”16
Neste exemplo, a escolha do passato prossimo é determinada pelo fato que o sujeito ainda está vivo.

Alguns gramáticos propõem uma primeira distinção entre o passato prossimo e passato remoto, baseada na distância temporal entre o evento passado e o presente. Desta maneira, tudo aquilo que se localizasse num passado mais longínquo, seria indicado através do passato remoto e tudo aquilo que fosse mais próximo ao presente, seria indicado através do passato prossimo. Todavia, a dificuldade em estabelecer a linha de demarcação entre o que é temporalmente longínquo e o que é próximo ao presente levou à elaboração de outras chaves de interpretação.

Maurizio Dardano e Pietro Trifone, por exemplo, afirmam que “é, ao contrário, a maior ou menor ‘atualidade psicológica’ do evento che determina a escolha. Naturalmente, na maioria das vezes, considera-se relacionado ao presente um evento recente em relação a um afastado no tempo, mas não é difícil encontrar exemplos contrários: Dio ha creato il mondo; l’invenzione della scrittura ha rivoluzionato il rapporto tra i popoli17.

Nas duas frases fornecidas como exemplos, apesar dos eventos (a criação do mundo e a invenção da escrita) se localizarem, temporalmente, num passado longínquo, emprega-se, em italiano, o passato prossimo (ha creato e ha rivoluzionato). Essa escolha indica a percepção subjetiva, por parte do sujeito falante, desses eventos como próximos à sua realidade psicológica presente.

No âmbito de tal quadro interpretativo, Pier Marco Bertinetto introduz o conceito de compiutezza, vinculado à ideia de relevância atual, segundo o qual, “o evento é visto sim como um fato concluído no momento da enunciação, mas que se deu, uma ou mais vezes, dentro de um lapso de tempo, que é concebido como não separado do próprio momento da enunciação”18, de maneira que “o efeito produzido pelo evento não é avaliado, pelo falante, em função da sua efetiva continuidade, mas unicamente em função do valor que ele atribui ao evento, em termos puramente psicológicos”19.

Segundo Bertinetto, o valor de compiutezza é uma noção aspectual e, como tal, salienta a esfera da experiência subjetiva do falante. Tal definição, por outro lado, aproxima-se da definição benvenistiana do correspondente francês do passato prossimo - o passé composé – o qual seria “o tempo de quem refere os fatos como testemunha, como participante; é o tempo de quem deseja fazer com que o evento referido ecoe até nós, ligando-o ao nosso presente”20.

O fato da enunciação, na língua falada, ser ancorada ao hic et nunc do ato da palavra e ao ponto de vista subjetivo do sujeito falante explica a utilização crescente do passato prossimo no registro oral. No momento da enunciação, o sujeito privilegia o seu próprio nível temporal, o que o leva a ancorar a narração de eventos passados ao presente. No passato prossimo tal ligação entre presente e passado fica evidenciada através da própria utilização do auxiliar no presente e do particípio com sentido de passado.

No que diz respeito à noção de relevância atual na língua falada, Antonio Sorella afirma que “a preferência geral das línguas faladas pelo passado composto depende de um mecanismo psicológico evidenciado por Herzog, o qual observou, em certos contextos, uma tendência à presentificação e à vitalização no uso do passado composto; o falante tomando como ponto de referência o próprio nível temporal, transporta no presente até mesmo os eventos passados, atualizando-os através do passado composto”21.

Se observarmos um livro italiano de história, notaremos que a narração, até mesmo dos fatos mais recentes, é feita com o uso do passato remoto. Isso porque no livro de história, como em um romance narrado em terceira pessoa, os fatos não são vinculados à experiência pessoal e subjetiva de um narrador. Ao contrário do livro de história, uma pessoa, ao narrar eventos históricos, utilizará tranquilamente o passato prossimo, devido à exigência de vincular os eventos ao momento da enunciação e à esfera subjetiva do vivido. Neste caso, o uso do passato prossimo indicará a apropriação do passado histórico, por parte do narrador, como seu e como elemento relevante, que persiste na sua própria existência como indivíduo. O emprego do passato prossimo reflete, portanto, a atribuição de atualidade psicológica / relevância atual aos eventos narrados.

Nesse sentido, o exemplo abaixo, proposto por Maurizio Dardano e Pietro Trifone, ilustra a a diferença entre o passato remoto e o passato prossimo, em relação ao critério de ‘atualidade psicológica’:

Moravia scrisse ‘Gli indifferenti’ dal 1925 al 1928.”

“Moravia ha scritto ‘Gli indifferenti’ dal 1925 al 1928.”22
Os autores apresentam a mesma frase utilizando, primeiro, o passato remoto e, depois, o passato prossimo. O emprego do passato remoto evidencia o início e a conclusão da ação, sem que a mesma tenha uma relação objetiva ou subjetiva com o momento da enunciação. Ao contrário, a utilização do passato prossimo, além de evidenciar a realização da ação, atribui-lhe um carácter de atualidade: Moravia é o autor deste livro, este livro existe, podemos lê-lo.

Não é, portanto, a colocação dos eventos num eixo temporal objetivo a determinar a escolha entre o passato remoto e o passato prossimo, mas a relação de estranhamento ou apropriação dos mesmos, por parte do sujeito narrante, isto é, a sua percepção subjetiva dos eventos, de acordo com o critério de ‘atualidade psicológica’.

Concluindo, no âmbito da oralidade, a escolha entre o passato prossimo e o passato remoto dependerá mais do envolvimento psicólogico do falante do que da realidade fatual. Naturalmente, tal observação é válida somente se considerarmos o uso toscano da língua italiana e não as demais influências dialetais. Porque, se por um lado, a oposição entre o tempo simples e o composto remonta à oposição entre o aspecto aorístico e o perfectivo, por outro lado, tal oposição tem diminuído à medida que o passato prossimo (forma composta-perfectiva) tem substituído o passato remoto (forma simples-aorística), perdendo a sua valência aspectual originária e adquirindo progressivamente um valor aorístico.

No que diz respeito à língua escrita, convém, antes de mais nada, introduzir a distinção proposta por Benveniste entre enunciação histórica (récit historique) e discurso (discours). O lingüista afirma que a enunciação histórica, reservada à língua escrita, caracteriza a narração dos eventos passados sem nenhuma interferência do falante na narração. De fato, Benveniste afirma que, na enunciação histórica, “ninguém fala: parece que os eventos se narram a si mesmos. O tempo fundamental é o aoristo, que é o tempo do evento para além da pessoa de um narrador”23. Tratar-se-ia, portanto, de uma narração objetiva, obrigatoriamente na terceira pessoa. Ao contrário, o discurso representa a variedade da língua falada e dos escritos que a reproduzem ou imitam o seu tom e finalidade, ou seja, “todos os gêneros em que um alguém se dirige a um outro alguém, se enuncia como falante e organiza o que se vai dizendo segundo a categoria de pessoa”24.

Tal distinção fica evidenciada na prosa literária tradicional italiana, em que se pode observar a alternância entre o passato remoto da narração – neutra e objetiva – e o passato prossimo dos diálogos, que reproduzem o registro oral. Antonio Sorella acrescenta, além do mais, que a predominância do uso do passato prossimo nos diálogos na prosa italiana moderna se deve seja ao prestígio da variante do italiano que caracteriza o norte da Itália, seja à influência da narrativa francesa25.

No que se refere à tradução em particular, nem sempre, porém, a escolha entre o passato remoto e o passato prossimo é imediata. Um erro que se deve evitar é o de estabelecer um critério único para todo o texto. O melhor critério é analisar os enunciados um por um.

Uma das situações mais comuns é representada pela narração em terceira pessoa. Neste caso, por exemplo, pode-se optar por traduzir a parte narrativa com o passato remoto, para dar o sentido de objetividade do narrador, e os diálogos presentes no texto com o passato prossimo, característico da língua falada.

Esse é o critério utilizado na tradução italiana de O conto da ilha desconhecida, de Saramago, do qual se propõe o seguinte trecho:


“O capitão veio, leu o cartão, mirou o homem de alto a baixo, e fez a pergunta que o rei se tinha esquecido de fazer, Sabes navegar, tens carta de navegação, ao que o homem respondeu, Aprenderei no mar. (...) O capitão tornou a ler o cartão do rei, depois perguntou, Poderás dizer-me para que queres o barco, Para ir à procura da ilha desconhecida, Já não há ilhas desconhecidas, O mesmo me disse o rei, O que ele sabe de ilhas, aprendeu-o comigo (...)”26.
“Il capitano arrivò, lesse il biglietto, squadrò l’uomo da capo a piedi, e gli rivolse la domanda che il re aveva dimenticato di fare, Sapete navigare, avete la patente nautica, al che l’uomo rispose, Imparerò in mare.(…) Il capitano rilesse il biglietto del re, poi domandò, Potete dirmi il motivo per cui volete la barca, Per andare alla ricerca dell’isola sconosciuta, Isole sconosciute non ce ne sono più, È la stessa cosa che mi ha detto il re, Quel che sa d’isole l’ha imparato da me (…)”27.
Os tradutores, Paolo Collo e Rita Desti, empregaram o passato remoto na tradução dos primeiros sete verbos (arrivò, lesse, squadrò, rivolse, rispose, rilesse e domandò), que correspondem à parte da narração em terceira pessoa onde, portanto, o narrador ocupa uma posição neutra e distante em relação aos fatos expostos. Ao contrário, empregaram o passato prossimo para traduzir os verbos presentes no diálogo entre o capitão e o homem (ha detto e ha imparato).

Quando se trata de uma narração em primeira pessoa, o leque de possibilidades amplia-se notavelmente. A narração em primeira pessoa implica o envolvimento afectivo do narrador em relação aos eventos descritos e, como tal, giustifica o emprego do passato prossimo não só durante os diálogos, mas também durante a narração. Assim, a narração em primeira pessoa pode-se valer da utilização, seja do passato prossimo, seja do passato remoto, seja de ambos. A escolha do tempo verbal refletirá a relação de distanciamento/ruptura ou aproximação/apropriação, que se instaura entre o narrador e os eventos.

O trecho abaixo faz parte da crônica “Abril, vinte e cinco”, de João de Melo, narrada em primeira pessoa:
“O que eu sou agora é um exercício, uma parte experiente, um resumo de tudo aquilo que outrora fui: apenas um guerreiro tímido e assustado que no corpo esconde o medo-sonho da missão nocturna que os queridos companheiros me confiaram e que eles com todo o secreto e devido pormenor comigo discutiram e planearam. (...) Quando me meti nos trabalhos desta missão, jurei por minha honra que nela iria até ao fim. Empenhei nisso a palavra e a vida, repito. (...) Por isso me despedi da mulher e das filhas.” 28
“Quello che sono ora è un esercizio, una esperienza, un riassunto di tutto quello che sono stato una volta: solo un guerriero timido e impaurito che nel corpo nasconde la paura-sogno della missione notturna che i cari compagni mi hanno affidato e che loro con tutto il segreto e i dovuti particolari hanno discusso e pianificato con me. (…) Quando ho accettato questa missione, ho giurato sul mio onore che l’avrei condotta a termine. Vi ho impegnato la parola e la vita, ripeto. (…) Per questo ho preso commiato da moglie e figlie.”29
A tradutora, Daniela Stegagno, preferiu utilizar somente o passato prossimo (sono stato, hanno affidato, hanno discusso, hanno pianificato, ho accettato, ho giurato, ho impegnato e ho preso commiato) na tradução desta crônica. Por um lado, tal escolha é influenciada pela grande carga emotiva presente no texto, que induz a crer que o narrador atribua um forte carácter de ‘atualidade psicológica’ aos eventos narrados. Por outro lado, o uso do passato prossimo reflete o registro coloquial da narração, caracterizando-a como um diálogo com o leitor.

Uma outra hipótese de tradução é apresentada pela versão italiana do seguinte trecho de Léah e outras histórias, de José Rodrigues Miguéis:


Fiquei a olhá-lo alguns momentos. Com a gabardine toda ensopada de chuva, e um embrulho debaixo do braço esquerdo.(...) Tirei-me para dentro, revoltado, e (assim somos, os homens!) não me contive que não te censurasse a conduta. Disseste-me que andavam ‘amuados’ e que ele queria fazer as pazes. E então? Não era forma de tratar um homem. Uma hora à chuva, à tua espera, e tu ali comigo, sabendo que ele te esperava! Devias ao menos poupar-me ao triste espectáculo... Em vez de rir de orgulho, repudiei o teu sacrifício. Mas vi logo nos teus olhos bons a piedade e o remorso, porque tu eras boa, Léah, sê-lo-ás sempre:” 30
Rimasi a guardarlo per un poco. Con l’impermeabile tutto inzuppato per la pioggia e un pacchetto sotto il braccio sinistro.(…) Mi feci dentro, rivoltato, e (siamo così, noi uomini!) non potetti fare a meno di criticare il tuo comportamento. Mi dicesti che avevate litigato e che lui voleva fare pace. E allora? Non era modo di trattare un uomo. Da un’ora sotto l’acqua ad aspettarti e tu lì con me, sapendo che lui ti stava aspettando! Avresti dovuto perlomeno risparmiarmi questo triste spettacolo… Invece di ridere di orgoglio, ripudiai il tuo sacrificio. Ma vidi subito nei tuoi occhi buoni la pietà e il rimorso, perché tu eri buona. Léah, lo sarai sempre:”31
Neste caso a tradutora, que é a mesma da crônica “Abril, vinte e cinco”, Daniela Stegagno, emprega, somente o passato remoto (rimasi, feci, potetti, dicesti, ripudiai e vidi). Tal escolha pode ter sido determinada por dois fatores: ou por uma questão estilística ligada ao uso de um registro mais literário e, portanto, menos coloquial, ou devido à individuação de uma tensão na relação entre o narrador-personagem e os fatos relatados, como se os mesmos fizessem parte de um passado com o qual, de certa maneira, o protagonista estabelece uma ruptura.

Concluindo, na tradução de algumas estrofes de Meus estimados vivos, de Carlos Nejar, apresenta-se um exemplo de uso alternado dos dois tempos verbais italianos:


Foi difícil. Foi

difícil habituar-me

a viver só no Túnel.

Esperava uma lâmpada

ou algo que de repente

iluminasse.


Mas o Túnel

tinha suas preocupações,

metamorfoses.
E habitava ali.

Meu lar sobrevivente.


Com ar, alguma


rarefeita esperança,

pão, água, morte.

Amor nenhum.
Meus estimados mortos,

cheguei a viver

por misericórdia,

como um móvel

na parte da sombra.
Cada dia era um passo

vacilante no desconhecido,

um passo furtivo, neutro.

Semi – desperto.

Porque a outra parte

dormia. Em mim,

no Túnel, por toda

a extensão do silêncio.


Fui tantas vezes

um pobre animal

marcando a convivência

com os dias

em velho calendário.” 32
Na tradução de Meus Estimados Vivos, realizada em conjunto com Vera Lúcia de Oliveira e Francesca Degli Atti, fomos levadas a optar pelo uso dos dois tempos e, assim, os verbos evidenciados foram traduzidos com è stato, vissi e fui. Ou seja, o primeiro verbo foi traduzido com o passato prossimo, enquanto os outros dois foram traduzidos com o passato remoto.
È stato difficile. Sì,

difficile abituarmi

a vivere solo nel Tunnel.

Attendevo una lampada

o qualcosa che all’improvviso

illuminasse.

Ma il Tunnel

aveva le sue preoccupazioni,

metamorfosi.
E abitavo lì.

Mio focolare superstite.

Con aria, qualche

rarefatta speranza,

pane, acqua, morte.

Nessun amore.


Miei cari morti,

vissi persino

per misericordia,

come un mobile

nell’angolo in ombra.


Ogni giorno era un passo

vacillante nell’ignoto,

un passo furtivo, neutro.

Semi-desto.

Perché l’altra parte

dormiva. In me,

nel Tunnel, per tutta

l’estensione del silenzio.


Fui tante volte

un povero animale

che segnava la convivenza

con i giorni

in vecchio calendario.”33
Esta escolha sugere a existência, para o sujeito do poema, de uma ruptura temporal entre dois momentos distintos: aquele che sucede a saída do túnel e o período vivido ao interno do túnel. O uso do passato prossimo, logo no primeiro verso, indicaria que a saída do túnel, apesar de ser um evento passado, é ainda fortemente presente na esfera subjetiva do poeta-sujeito e que, portanto, este lhe atribui uma forte ‘atualidade psicológica’.

Ao contrário, nos outros versos, onde o poeta-narrador descreve a sua permanência ao interno do túnel, opta-se pelo passato remoto para indicar o distanciamento psicológico que, conscientemente, o sujeito quer estabelecer, em relação a tal experiência, marcada negativamente pela sensação de angústia e de solidão.

Deste modo, a saída do túnel seria representada, segundo as tradutoras, como um momento passado que o sujeito sente como próximo e do qual se apropria para elaborar o seu eu presente, enquanto as lembranças da sua existência, ao interno do mesmo, são confinadas em um passado do qual o sujeito deseja se distanciar.

Além do fator subjetivo da temporalidade, tem-se também que considerar que o passato remoto de alguns verbos apresenta um forte carácter arcaizante e que, por isso, nesses casos, é pouco utilizado. Em tal circunstância, o critério estético pode prevalecer sobre o de ‘atualidade psicológica’, levando à utilização do passato prossimo, mesmo em circunstâncias em que o uso do passato remoto pareceria ser mais adequado. Da mesma maneira, algumas expressões temporais, como “foi então” (fu allora), são traduzidas, por uma questão de estilo, com o passato remoto.

Pode-se constatar, a partir das reflexões e dos exemplos sugeridos, que não existe uma regra unívoca na tradução em italiano do pretérito perfeito simples e, sobretudo, que é impossível estabelecer critérios a priori que resultem aplicáveis imediatamente. É fundamental, como já foi dito, analisar caso por caso e estabelecer, a cada vez, a percepção que o sujeito enunciador tem do evento narrado, a distância subjetiva que quer manter em relação ao mesmo, o modo como se apropria dele (distanciamento/ruptura versus aproximação/apropriação).

Como afirma Bertinetto, “a noção de Aspecto apresenta-se crucialmente fundada sobre o ponto de vista (ou perspectiva) que o locutor assume em relação a um determinado evento. E visto que se trata de um ponto de vista obviamente subjetivo (...), é, no mínimo, natural que se encontrem notáveis dificuldades em tentar encerrar a multiforme morfologia aspectual na esfera de uma rígida formalização”34.



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1 A língua italiana prevê a utilização de dois verbos auxiliares na formação dos tempos verbais compostos: o verbo essere, que corresponde ao verbo português ser, ou o verbo avere, que corresponde ao português ter. A escolha de um ou do outro verbo como auxiliar dependerá do verbo principal.

2 Seguindo o exemplo de outros autores indicar-se-á as categorias gramaticais de Tempo, Aspecto e Ação com maiúsculas para diferenciá-las dos simples substantivos (tempo, aspecto e ação). No que diz respeito à terminologia utilizada, usar-se-á o termo evento, como sinónimo de evento verbal, para designar ações, processos, estados, acontecimentos e atividades.

3 Santanché, Lys Miréia. “A marca aspectual nos tempos verbais do passado: um estudo contrastivo italiano/português” in http://sw.npd.ufc.br/abralin/anais_con2nac_tema124.pdf [consultado a 06/05/2004].

4 Costa, Sônia Bastos Borba (2002). O aspecto em português, pp. 20-21.

5 Cfr. Benveniste, Emile (1994). “La soggettività nel linguaggio” in Problemi di linguistica generale. pp. 310-320 (312).

6 Cfr. Bertinetto, Pier Marco (1986). Tempo, Aspetto e Azione nel verbo italiano. p. 158.

7 Cunha, Celso & Cintra, Lindley (1997). Nova Gramática do Português Contemporâneo, p. 453.

8 A atribuição do carácter imperfectivo ao pretérito perfeito composto, porém, não é unânime. Baseando-se na distinção entre o carácter progressivo e o carácter iterativo, expressos pelo pretérito perfeito composto, Sônia Bastos Borba Costa (cfr. Op. cit.), por exemplo, afirma que nem sempre o pretérito perfeito composto tem aspecto imperfectivo. Segundo a autora, os eventos progressivos (tenho estado doente) tem carácter imperfectivo porque indicam o desenvolvimento interno de um único evento. Ao contrário, os eventos iterativos (tenho ido ao hospital) não apresentam carácter imperfectivo porque cada repetição do evento é considerada globalmente e, portanto, de maneira perfectiva. Do outro lado da controvérsia há autores como Paiva Boléo, Rodolfo Ilari e Pier Marco Bertinetto, que consideram não só a progressividade, mas também a iteração, marcas aspectuais imperfectivas. Rodolfo Ilari afirma que “toda reiteração está associada, estruturalmente, a uma duração que lhe serve de suporte” (Ilari, Rodolfo (2001). A expressão do tempo em português. p. 55). Além disso, Ilari acrescenta que o fator que determinará a interpretação durativa ou iterativa do pretérito perfeito composto é a categoria de Ação do predicado. Ou seja, os predicados de estado (tem estado doente) tenderão a ser interpretados de maneira durativa, enquanto os predicados de ação (tem pulado o alambrado) tenderão a ser interpretados de maneira iterativa. Por outro lado, Bertinetto, no âmbito da indeterminatezza do aspecto imperfectivo, afirma que a indeterminação do número de repetições na interpretação iterativa representa uma marca aspectual imperfectiva.



9 Sorella, Antonio (1987). “Sull’alternanza passato prossimo passato remoto nella prosa italiana moderna” in Tra lingua e letteratura. p. 15 [A responsabilidade pela tradução de todas as citações em italiano è da autora do artigo].

10 Na Toscana, por exemplo, a língua falada ainda mantém a alternância dos dois tempos.

11 Dardano, Maurizio & Trifone, Pietro (1997). La Nuova Grammatica della Lingua Italiana, p. 322.

12 Ibidem.

13 Em raros casos o passato prossimo pode adquirir uma valência imperfectiva e corresponder ao pretérito perfeito composto. Mas tal valor aspectual depende da presença obrigatória de advérbios ou locuções adverbiais como finora, negli ultimi anni, etc., além de ser possível somente com verbos durativos não télicos. Ex: “Finora ho abitato a Torino” (“Até agora tenho vivido em Torino”). Neste caso é o advérbio finora a imperfectivizar o predicado. De fato, o mesmo enunciado, sem tal advérbio, recupera o seu valor perfectivo: “Ho abitato a Torino” (“Vivi em Torino”). Exemplo presente em Bertinetto, Pier Marco (1986). Tempo, Aspetto e Azione nel verbo italiano, p. 419.

14 Abreu, Maria Helena & Muretira, Rita Benamor (1998). Grammatica del Portoghese Moderno, p. 72.

15 “Sempre achei que o Giovanni é simpático.” Exemplo presente em Bertinetto, Pier Marco (1986). Op. cit., p. 236.

16 “Nasci a 17 de de Janeiro de 1947.” (Ibidem. p. 415)

17 Dardano, Maurizio & Trifone, Pietro (1997). Op. cit., p. 322 [A tradução dos exemplos dados é: Deus criou o mundo; a invenção da escrita revolucionou a relação entre os povos].

18 Bertinetto, Pier Marco (1986). Op. cit., p. 210.

19 Ibidem., p. 211.

20 Benveniste, Emile (1994). “Le relazioni di tempo nel verbo francese” in Problemi di linguistica generale. pp. 283-300 (290).

21 Sorella, Antonio (1987). Op. cit., p. 20.

22 Dardano, Maurizio & Trifone, Pietro (1997). Op. cit., p. 322.

Em português, as duas frases correspondem a: “Moravia escreveu ‘Gli indifferenti’ entre 1925 e 1928.”



23 Benveniste, Emile (1994). Op. cit., p. 287.

24 Ibidem, p. 287.

25 Em francês a distinção entre o passé composé e o passé simple perdeu totalmente a oposição aspectual originária entre perfectivo e aoristo. O passé composé caracteriza o discours e o passé simple caracteriza o récit historique.

26 Saramago, José (2002). O conto da ilha desconhecida, pp. 26-27.

27 Saramago, José (1998). Il racconto dell’isola sconosciuta, pp. 12-13

28 In Ricciardi, Giovanni & Barchiesi, Roberto (org) (1998). Antologia della Letteratura Portoghese, p. 866.

29 In Ricciardi, Giovanni & Barchiesi, Roberto (org) (1998). Op. cit., p. 889.

30 In Ricciardi, Giovanni & Barchiesi, Roberto (org) (1998). Op. cit., pp. 742-743.

31 In Ricciardi, Giovanni & Barchiesi, Roberto (org) (1998). Op. cit., p. 751.


32 Nejar, Carlos (2002). A Idade da Noite. pp. 17-18.

33 Nejar, Carlos (2004). Miei cari vivi. p. 19.

34 Bertinetto, Pier Marco (1986). Op. cit., p. 239.






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