As fronteiras bíblicas da Terra de Israel



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B"H

Parshiot Matot - Masei

(por Rav Menachem Leibtag - Tradução livre: Daniel Segal Amoasei)



As fronteiras bíblicas da Terra de Israel


Nos últiomos tempos, as fronteiras do Estado de Israel parecem mudar de década em década. Mas, qual foi a fronteira bíblica precisa da Terra de Israel? Como vemos nesta semana, a resposta para a pergunta não é tão simples - a história dos filhos de Gad e Reuven em parashá Matot (Bamidbar 32:1-42) implica que as fronteiras são um pouco expandíveis (já que eles pedem para ficar em um lugar que, a priori, não era para ser a Terra de Israel e o pedido deles é aceito). Enquanto que em parashá Masei (Bamidbar 33:1-15) detalha o que parece ser uma fronteira geográfica fixa. Então, qual será a fronteira exata da Terra de Israel? Nesta semana examinaremos as raízes bíblicas deste problema.

Introdução


Dois chavões, ambos baseados em versículos do Tanach (Torá, Profetas e Escritos), são comumente usados para descrever a expansão das fronteiras da Terra de Israel:

  1. "Do Nilo até o Eufrates";

  2. "De Dan até Beer Shevá".

A variação geográfica entre estas duas fronteiras é imensa! De acordo com (A), a Terra de Israel circunda quase todo o Oriente Médio, enquanto que, de acordo com (B), Israel é um minúsculo país. Então, qual fronteira é a correta?

As fronteiras em parashá Masei


Em parashá Masei, a Torá apresenta a mais precisa delineação da fronteira da Terra de Israel no Tanach:

"E falou o Eterna a Moshe, dizendo: Ordena aos filhos de Israel, e dizê-lhes: Quando vierdes a terra de Canaã, será esta a que vos cairá por herança; A TERRA DE CANAÃ SEGUNDO OS SEUS LIMITES. E será para vós a parte do sul, desde o deserto de Tzin..." (Bamidbar 34:1-13).

Durante os séculos, muitos tentaram indentificar cada localização mencionada na parashá. Sobre as fronteiras oriental e ocidental, ou seja, o Mar Mediterranêo (Bamidbar 34:6) e o Rio Jordão (Bamidbar 34:11-12), não há nenhuma questão sobre suas identidades. Com respeito as fronteiras do norte e sul, contudo, existe uma variação de opiniões:

Os minimalistas indentificam a fronteira do norte como a aréa que é hoje o sul do Líbano. A fronteira do sul, de acordo com esta visão, passa por Beer Shevá - Gaza contornando o norte do Neguev. Do outro lado, os maximalistas indentificam a fronteira do norte em algum lugar acima da Turquia e no norte da Síria, enquanto que no sul, a fronteira se encontra em algum lugar do deserto do Sinai.


A fronteira oriental


Sobre a fronteira oriental de parashá Masei fica claro que é o Rio Jordão, e da história dos filhos de Gad e Reuven em parashá Matot (Bamidbar 31:1-54) percebemos a possibilidade de expansão desta fronteira. Recordemos que Moshe admite que, as tribos de Gad, Reuven e Menache, estabeleçam suas partes na Terra de Israel na margem oriental do Rio Jordão, com a condição deles cumprirem com a promessa que fizeram de ajudar a todas as demais tribos a conquistar a terra localizada no ocidente da margem do Jordão.

Então, por que as fronteiras da Terra de Israel são ambíguas? Elas são vastas ou curtas? Elas são fixas ou expandíveis? Será certas partes da "Terra Santa" mais santa do que outras?

Para respondermos, e para entendermos este tópico complicado, precisaremos retornar ao livro Bereshit e a promessa Divina feita aos nossos patriarcas sobre a Terra de Israel.

A terra prometida a Avraham


Em parashá Lech - Lechá, quando D'us escolhe Avraham, Ele promete a Avraham uma terra especial.

Em Sua primeira promessa, D'us descreve a terra em termos muito genéricos:



  1. Em Ur Kasdim (cidade onde Avraham estava quando D'us falou com ele pela primeira vez):

"Anda de tua terra e de tua parentela e da casa de teu pai, para A TERRA QUE LHE MOSTRAREI" (Bereshit 12:1)

  1. Em Shchem (cidade já em Israel):

"A tua semente darei ESTA TERRA" (Bereshit 12:7)

  1. Em Bet - El (outra cidade em Israel):

"porque TODA A TERRA QUE TU VÊS, a ti darei e a tua semente..." (Bereshit 13:15).

Mais tarde em parashá Lech - Lechá, Avraham afirma dois pactos com D'us sobre o seu futuro. Ambos os pactos definem precisamente a Terra prometida, mas cada pacto consiste em um pedaço totalmente diferente da Terra!



  1. No Brit bein Habtarim (pacto dos pedaços): "A Terra"

"Naquele dia contratou o eterno com Avraham uma aliança, dizendo: À tua semente dei ESTA TERRA, desde o RIO DO EGITO (Nilo), até o grande RIO PERAT (Eufrates). O Keneu o Kaniseu e o Cadmoneu.." (Bereshit 15:18-20).

A terra definida por estas fronteiras é imensa! Ao norte, a fronteira se estende até o rio Eufrates, que flui do norte da Síria até o Golfo Pérsico, e ao sul, desde a fonte do rio Nilo na Etiópia, descendo até o porto de Alexandria!



  1. No Brit Milá (pacto da circuncisão): "Terra de Canaã"

"E dar-te-ei, e à tua semente depois de ti, a terra das tuas peregrinações, toda a TERRA DE CANAÃ..." (Bereshit 17:8).

Neste pacto, a "Terra prometida" é muito pequena. Mesmo que o termo "Terra de Canaã" aparece aqui pela primeira vez, a definição geográfica desta área já foi mencionada em parashá Noach. Vamos olhar a definição:

"E foi o término do Cananeu, desde Sidon (Vale Litani, no Líbano), vindo a Gerar até Azá, vindo a Sdoma, e Gomorra (área do Mar Morto)" (Bereshit 10:19).

Esta definição bíblica da Terra de Canaã, mais ou menos coincide com a região geral em que os patriarcas habitaram. Os patriarcas viveram e peregrinaram na área entre Beer - Sheva e Grar ao sul (vide Bareshit 21:22-23, 28:10 e 46:1), e a área de Shchem e Dotan ao norte (Bereshit 37:12-17). E, durante a batalha contra os quatro reis, Avraham persegue seus inimigos um pouco ao norte de DAN (Bereshit 14:14).

Em resumo, a fonte do conflito das fronteiras da Terra de Israel, parece vir das diferentes apresentações da terra em Brit bein Habtarim e Brit Milá. Agora devemos explicar a relação de cada pacto e sua respectiva definição de terra.

Duas fronteiras / dois tipos de kedushá (santidade)

Para entendermos o significado deste conflito de fronteiras, precisamos determinar a natureza exata de cada pacto. Em nossos estudos sobre o livro Bereshit, analisamos o significado de ambos os pactos e a contribuição única de cada um. Para nosso propósito aqui, iremos abreviar e revisar nossas conclusões.



Brit Bein Habtarim

Depois de Avraham vencer os quatro reis, D'us promete a ele que sua descendência um dia CONQUISTARÁ a terra, exatamente como Avraham fez. Contudo, esta conquista ocorreria apenas depois de algumas gerações de escravidão em uma terra estranha, depois da qual, seus herdeiros ganhariam a independência e seus opressores seriam punidos. A terra que eles iriam estabelecer sua soberania é descrita como a expansão do Nilo até o Eufrates.

Este pacto com Avraham reflete o aspecto HISTÓRICO / NACIONAL da relação do povo com D'us, que focaliza o processo histórico requerido pela descendência de Avraham para consequirem sua soberania (melhor conhecido como processo da saída do Egito). Atenção que, neste pacto, a Terra prometida é constantemente chamada de "A TERRA", e é conquistada como "HERANÇA" (estes termos ficaram claros mais tarde).

Brit Milá

Na preparação para este pacto, D'us primeiro muda o nome de Avram para Avraham, em antecipação ao nascimento do filho de Sara. D'us então promete a Avraham que Ele estabelecerá e manterá uma relação especial entre Ele e a descendência de Avraham - "Serei para eles o seu D'us" - Ele será o D'us intímo e privado da descendência de Avraham (vide Bereshit 17:3-9).

Este pacto reflete o aspecto RELIGIOSO / PESSOAL da relação do povo com D'us, e enfatiza uma relação única e íntima com D'us. Neste pacto a terra é referida como "Terra de Canaã". Note como a herança é referida como "posse", o oposto da palavra "herança" usada no Brit beinHabtarim.

Então, existe dois aspectos na kedushá (santidade) da Terra de Israel:



  1. O aspecto NACIONAL

A santidade da "TERRA" do Brit bein Habtarim relaciona-se com a CONQUISTA da terra (herança) e o estabelecimento de uma entidade nacional - um Estado soberano. Esta santidade é alcançada somente quando o povo de Israel ganha soberania, durante a conquista da terra por Yoshua. Por exemplo, a obrigação de dar o dízimo da produção ao pobre, ou comê-la em Yerushalaim ou dar uma porcentagem ao Kohen (ou seja trumot umaassrot), são requerimentos que começam somente quando se há esta "santidade nacional", ou seja, quando a terra é conquistada.

  1. O aspecto PESSOAL

A santidade da "Terra de Canaã" do Brit Milá já existe desde o tempo dos patriarcas e continuará para a eternidade. Esta santidade reflete a providência Divina especial sobre a terra (vide Devarim capítulo 18), mesmo que habitada por outras nações. Esta santidade intrínsica está presente para sempre, não importanto quem tome conta da terra, sejam os Persas, os Romanos, os Cruzados, Turcos e etc.

A tabela a seguir resumirá nossa análise até aqui:



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A fronteira vasta

A fronteira limitada

LIMITAÇÃO:

Do Nilo ao Eufrates

Dan até Beer - Sheva

PACTO:

Brit bein Habtarim

Brit Milá

NOME:

A Terra

Terra de Canaã

ASPECTO:

Nacional

Pessoal

ADQUIRIDA:

Através de herança

Através da posse

Herança e posse

O entendimento destas duas palavras chaves, que descrevem nossa aquisição da Terra de Israel em cada pacto, nos ajudará a clarificar esta distinção:



  1. Em Brit bein Habtarim - "herdar" (Bereshit 15:3,4,7,8)

  2. Em Brit Milá - "posse" (Bereshit 17:8)

Na Torá, a palavra "herança" (yerusha) denomina uma conquista que conduz a uma soberania, isto é, um controle militar sobre um dado território (esta definição não deve ser confundida pela forma popular em que se usa a palavra herança, usualmente referida para uma herança recebida de um parente).

Daí em diante, a força soberana poderá dividir esta porção ou vendê-la a seus habitantes. Como conquistador, o governo pode distribuir a terra da maneira que ele quiser. Usualmente, se o propietário desta terra morre, ela é autometicamente herdada por alguém próximo a ele. Na Torá, este tipo de propriedade é chamada de posse. Por exemplo, quando Sara morre, Avraham precisa adquirir um cemitério familiar que a Torá chama de "posse de um terreno" (vide Bereshit 23:4). Ele precisa primeiro comprar a terra dos Hititas, os soberanos até aquele momento.

De acordo com isto temos:


  1. No Brit bein Habtarim, o aspecto nacional, é usada a palavra "herdar", uma vez que relata a CONQUISTA da terra pelo povo de Israel.

  2. No Brit Milá é empregado a palavra "posse", que enfatiza A CONEXÃO PESSOAL de alguém com a terra.


A encruzilhada do Oriente - Médio

Baseado no nosso entendimento destes dois pactos, o conflito existente na apresentação das fronteiras, pode agora ser entendido.

Avraham foi escolhido para ser pai de uma nação que, através dela, seriam benditas todas as nações (vide Bereshit 12:1-3). Para cumprir esta meta, D'us separa uma terra especial - referida na Torá como "a terra". Em Brit bein Habtarim, a "terra" é definida como a porção entre o Nilo e o Eufrates. Estes rios não são fronteiras; nunca na história da criação estes rios foram fronteiras de uma simples nação. Pelo contrário, estes rios marcam os dois centros da civilização antiga - Mesopotâmia ("rio Prat") e o Egito ("rio do Egito" - vide Bereshit 15:18-21).

Portanto, considerando que o Brit bein Habtarim reflete o aspecto nacional da nossa relação com D'us, estas fronteiras refletem nossos destinos, de através de nós, abençoar-se todas as nações. Estavámos perto de nos tornar a nação que leva o nome de D'us na encruzilhada dos dois grandes centros da civilização antiga.



A área da Terra de Israel

A fronteira geográfica mais precisa desta terra especial é definida no Brit Milá, como Terra de Canaã - a terra que nossos antepassados vagaram. Dado o seu destino de tornar-se a casa da nação especial de D'us, esta terra possui uma santidade intrínsica. A santidade inerente da terra, torna-a sensível ao comportamento moral de seus habitantes (vide Vayikrah 18:1-2,24-28).

A fronteira básica da Terra de Israel são aquelas da Terra de Canaã, ou seja, de "Dan até Beer - Sheva", como prometido no Brit Milá. Estas fronteiras formam uma área geográfica natural: O Terra de Canaã é rodeada pelo Mar Mediterraneo ao oeste, o deserto do Neguev no sul, o rio Jordão no leste, e as montanhas do Líbano no norte.

Uma vez que esta área é conquistada, suas fronteiras podem potencialmente (mas não precisam) serem estendidas. O limite potencial para esta estensão é estabelecido no Brit bein Habtarim - do "rio Prat" até o "rio do Egito". Esta demercação pode ser entendida mais como um limite do que como uma fronteira, em que cada rio representa um centro da civilização antiga. Depois de conquistada a Terra de Canaã, o povo de Israel pode, quando estiverem garantidos, expandir suas fronteiras através de uma contínua colonização, até (mas não incluindo) os dois centros da civilização antiga, Egito e Mesopotâmia,



Espandindo santidade

Esta interpretação explica porque a Transjordânia não adquire santidade até que a Terra de Canaã seja conquistada. Os filhos de Gad e Reuven devem primeiro ajudar a conquistar "a terra de Canaã" antes que a santidade possa se expandir para a Transjordânia. Quando os filhos de Gad e Reuven cumprirem suas condições, eles não somente estarão ajudando o povo a conquistar a Terra de Canaã, como também facilitando a inclusão da Transjordânia como parte integral da Terra de Israel.



Terra para o progresso

Mostramos que nosso relação com a Terra de Israel, exatamente como a nossa relação com D'us, existe tanto no nível nacional como no individual. D'us escolheu esta terra especial para podermos cumprir nosso destino.



Enquanto a santidade da Terra de Israel no nível individual pode ser considerado um presente Divino, sua santidade nacional é definitivamente um DESAFIO Divino. Para alcançar sua fronteira por completo, precisamos completar este desafio.



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