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SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo

VIII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo

(Universidade Federal do Maranhão, São Luís), novembro de 2010

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O cidadão como fonte em eventos de crise: um novo ator no cenário jornalístico
Giovana Borges Mesquita 1
Resumo: Com o avanço das mídias digitais e o maior acesso às novas tecnologias, um novo ator surge no cenário jornalístico: o cidadão, antes excluído do debate público articulado pelo jornalismo, passa agora a interferir e participar de uma forma mais efetiva do processo de produção de conteúdos para as mídias. Não entendemos que esse ator está desempenhando o papel de jornalista, mas num embate para ter acesso à pauta jornalística, historicamente constituída por informações das fontes oficiais. Nossa hipótese é de que a tão aclamada participação do não jornalista na grande mídia, no momento atual, é um fenômeno ainda restrito a eventos de crise. O objetivo deste artigo é entender como vem sendo construída essa relação “amador - grande mídia”.

Palavras-chave: Jornalismo; Mídia; Fonte; Participação; Noticiabilidade


  1. Introdução

A cobertura jornalística diária está, como rotina, estreitamente relacionada ao centro dos sistemas político e econômicos, que junto com representantes do aparato estatal administrativo têm maiores oportunidades de propor uma “agenda política governamental” nos media. Já o conjunto de cidadãos ou os atores coletivos dispersos da sociedade civil não contam com organização suficiente para ter acesso regular ao campo jornalístico(MAIA,2008). Como argumenta Traquina(1995) esses grupos precisam gerar surpresa, choque ou qualquer forma latente de “agitação” para romper com as barreiras impostas pelo sistema de produção jornalística. E ainda assim continuam dispondo de um espaço mínimo esporádico e sempre desigual nos meios de comunicação(MAIA, 2008).

Com o avanço das mídias digitais e o maior acesso às novas tecnologias, tem-se observado a construção de novas relações entre o cidadão ou os atores coletivos dispersos da sociedade civil e o jornalismo. Antes excluído do debate público articulado pelo jornalismo, o cidadão começa agora a interferir no processo de produção de conteúdos para as mídias, disputando visibilidade midiática com as fontes oficiais, que historicamente alimentam a pauta jornalística. Não entendemos que esse ator está desempenhando o papel de jornalista, mas num movimento, que ensaia passos de rompimento da invisibilidade desses grupos no circuito dos media.

Nossa hipótese neste trabalho é de que a participação do não jornalista na grande mídia, no momento atual, é um fenômeno ainda restrito a eventos de crise, como desastres naturais, atentados terroristas e situações de conflitos, que dada a imprevisibilidade deixa de fora a cobertura pelas equipes jornalísticas. São o que Molotch e Lester(1999), ao fazerem uma tipologia de acontecimentos públicos, categoriza como acontecimentos realizados involuntariamente (acidentes), ou seja, aqueles que levam à quebra da ordem habitual.

Os mais recentes exemplos dessa cobertura pelo cidadão de desastres naturais, com divulgação na grande mídia aconteceram em junho de 2010 quando temporais destruíram algumas cidades de Alagoas e Pernambuco. Imagens feitas por amadores, sejam em vídeo, telefones celulares ou máquinas fotográficas, foram mostradas pelos principais veículos de comunicação do País, ampliando a pauta dos veículos, trazendo para o noticiário lugares muitas vezes “esquecidos” pelos grandes veículos de comunicação e fomentando a discussão sobre situações de descaso do poder público.

Neste artigo pretendemos entender como de fato vem sendo construída essa relação “amador-grande mídia”, que no léxico jornalístico é definida como: jornalismo cidadão, participativo, de rede, entre outros. Definições que ainda não são consensuais, mas que designam esse momento, onde homens e mulheres começam a deixar de ser “receptores passivos” da televisão, do rádio e dos jornais para interferirem como “fontes”, tendo a possibilidade de serem co-participes na construção social da realidade.




  1. Marco definidor

Foi com a cobertura de eventos trágicos realizada por amadores, que segundo Allan (2009), o termo “jornalismo cidadão” passou a integrar o léxico jornalístico. No entanto Allan (2009) enfatiza que não há uma definição única e preponderante para o que se denomina jornalismo cidadão, mas afirma que os esforços podem utilmente procurar seguir aquelas ocasiões quando o termo figura em deliberações sobre o status do “amador” em relação ao “profissional”. E partindo desse ponto, embora longe de um consenso, reconhece como momento decisivo, as reportagens de crises, consolidadas nas imediatas conseqüências do Tsunami no Sul da Ásia, em dezembro de 2004.

Segundo destaca Allan (2009), este foi um momento decisivo quando o jornalismo cidadão se tornou uma figura proeminente no mundo jornalístico. Ele acrescenta:
A quantidade notável de filmagem de vídeo amador, fotos instantâneas de celular – muitas das quais foram postadas em blogs e páginas pessoais – sendo feitas por cidadãos comuns que estavam no momento(turistas, em muitos casos) foi largamente reconhecido como uma contribuição única para a cobertura do jornalismo de massa (ALLAN, 2009, p. 18).
Nos anos após o Tsunami, o jornalismo cidadão tinha conseguido seu lugar no vocabulário jornalístico, freqüentemente associado com eventos específicos de crise. E a partir daí passou a ser descrito de várias maneiras como “jornalismo popular”, “jornalismo de código aberto”, “jornalismo participativo”, “jornalismo super local”, “jornalismo de rede”, entre outros termos. Mas, como reforça Allan (2009), mesmo com várias descrições e controvérsias, um fato não deixa dúvida: essa nova forma de produção de conteúdos para os media está remodelando os protocolos e as prioridades da reportagem de crise.

Amorim (2009) observa essa confusão conceitual sobre a nomenclatura, constatando que na web e também em outras mídias, o jornalismo participativo costuma aparecer como sinônimo de jornalismo cidadão (citizen journalism) ou jornalismo de código aberto (open source). Mas toma a definição de jornalismo participativo como a prática de cidadãos comuns, leigos com relação ao fazer jornalístico, que, por meio do envio de insumos, sobretudo imagens de interesse jornalístico, participam da construção de materiais noticiosos (AMORIM, 2009).

Entretanto, há autores como Targino (2009), que não diferenciam o jornalismo participativo, do jornalismo cidadão (citizen journalism), colaborativo ou de código aberto(open source). “Todas essas novas expressões demarcam as distinções entre a web tradicional e esta, que se expande como rede social, privilegiando a participação, a colaboração do cidadão e dos grupos sociais à frente da produção de notícias” (TARGINO, 2009, p. 59).

As novas tecnologias associadas à popularização da Internet potencializaram a interatividade, a instantaneidade e a hipermídia possibilitando aos cidadãos comuns essa co-participação no processo produtivo de notícias para web, televisões e jornais, sobretudo, a partir da década de 90.

Essa nova prática vem tomando forma na sociedade da informação, na fase denominada jornalismo digital de terceira geração, onde os sites jornalísticos incorporam outros media, sendo designados hipermediáticos. Onde a interatividade e a hipertextualidade iniciadas na fase anterior acentuam-se com a convergência dos meios e a busca de suprir as demandas dos cidadãos, de forma individualizada. A interatividade prevê oportunidades de participação do internauta para expressar opiniões, votar, enviar produções com vídeo ou em outros suportes, embora essa liberdade esbarre nos limites preestabelecidos individualmente pelos sites (MIELNICZUK, 2009).


  1. A “participação” nos jornais

Na grande mídia, além da televisão, os jornais também ensaiam a abertura de canais de “participação”, onde o cidadão comum pode enviar fotos, textos e sugestões de pauta, ou seja, ser fonte. BBC, CNN, The New York Times, Estadão e O Globo são alguns dos veículos que vêm abrindo canais, principalmente em suas versões on line, para receber materiais noticiosos.

Os exemplos que seguem abaixo mostram um pouco como algumas empresas de comunicação brasileiras articulam esses espaços. Comecemos pelo portal do Estadão, que desde 2005, conta com o projeto Foto Repórter, no qual, segundo o portal, o leitor “participa” podendo enviar fotos pela web. De acordo com as regras disponíveis no Estadão, as imagens, quando de interesse jornalístico, são publicadas no próprio portal, podendo chegar às páginas dos jornais O Estado de São Paulo e A Tarde.

Além disso, segundo o portal, as imagens podem ser disponibilizadas para venda, através da Agência Estado que comercializa conteúdo jornalístico, com clientes no Brasil e no Mundo. Constam ainda nas normas que os leitores são remunerados quando a fotografia é utilizada pelos veículos impressos do Grupo Estado, ou comercializada pela Agência Estado. No portal, entretanto, a divulgação é gratuita.

Para “participar” do Foto Repórter, o cidadão deve fazer um cadastro e nele preencher um termo de cessão de direito sobre as fotografias enviadas. Nesse termo, o autor da foto transfere ao Grupo Estado os direitos sobre sua obra, permitindo a utilização e reprodução, total ou parcial, por qualquer meio que permita a reprodução, difusão e disponibilização ou por qualquer suporte material que permita a multiplicação em exemplares, bem como para uma eventual cessão e comercialização a terceiros, tornando-se de propriedade do Grupo Estado, em território nacional ou estrangeiro, sem restrição quanto ao número de reproduções, meios de fixação, prazo e território e formas de utilização.

Um ano depois do Foto Repórter entrar no ar, a versão digital de O Globo passou a disponibilizar a seção Eu-Repórter, definida pelo portal como “a seção de jornalismo participativo de O Globo, onde os leitores são repórteres”(Portal O Globo, 2010). Nesse espaço, os amadores podem enviar textos, fotos e vídeos para publicação na Internet e na versão impressa.

Nas regras de participação do Eu-Repórter constam que o espaço não é um veículo de divulgação de trabalhos de jornalistas e/ou fotógrafos profissionais ou free-lancers, que os textos, fotos, vídeos e áudios devem ser noticiosos, nunca opinativos. Sendo a publicação do conteúdo sujeita a aprovação da equipe de editores do site O Globo. As normas ainda evidenciam que o conteúdo enviado para o Eu-Repórter poderá ser publicado não só no site O Globo, mas também nos jornais O Globo, Extra, Expresso e Diário de São Paulo. A exemplo do Estadão, o portal também exige a concordância com o Termo de Compromisso e Cessão de Direitos Autorais antes do material produzido por amadores ser enviado para a versão digital de O Globo.

No caso do Estadão e de O Globo, os canais abertos para envio de conteúdo gerado pelo amador são nas versões digitais, com possibilidade de ser transformado em notícias na versão impressa. Em Pernambuco, o jornal mais antigo em circulação da América Latina, o Diario de Pernambuco, pertencente ao grupo Associados, também abriu espaço para essa “participação” do cidadão na produção de conteúdos, por meio do portal Pernambuco.com.

Mas diferentemente do Estadão e de O Globo, o Diario de Pernambuco reservou na versão impressa, um página semanal para veicular conteúdos propostos pelo cidadão. Vinculada à editoria Vida Urbana, a página Cidadão- Repórter é produzida por uma equipe do jornal, a partir das sugestões enviadas pelos usuários do fórum participativo na Internet, que está no ar desde 2007. Na versão impressa, há espaço para foto do leitor e notas sobre temáticas diversas como: transporte, iluminação pública, urbanismo, limpeza urbana e trânsito.

Essas iniciativas supracitadas suscitam algumas questões, que são importantes serem observadas. A primeira delas é a de que os veículos se apropriam dos conteúdos produzidos por amadores, principalmente vídeos e fotos, quando as equipes de jornalistas não conseguem presenciar eventos de crise, como desastres naturais, atentados terroristas e situações de conflitos, desde que esses conteúdos obedeçam a algum critério de noticiabilidade, que segundo Traquina (2004) são o conjunto de valores-notícia, que determinam se um acontecimento, ou assunto é susceptível de se tornar notícia, isto é, ser julgado como merecedor de ser transformado em matéria noticiável, por isso, possuindo “valor-notícia” (newsworthiness).

No conteúdo gerado pelo cidadão não jornalista, que passa a fazer parte do noticiário jornalístico da grande mídia, está presente pelo menos um desses valores-noticias elencados a seguir: a morte, que de acordo com Traquina(2004) “ fundamental para a comunidade jornalística e uma razão que explica o negativismo do mundo jornalístico que é apresentado diariamente nas páginas do jornal ou nos ecrãs da televisão”; a relevância, que responde à preocupação de informar o público dos acontecimentos que são importantes porque têm um impacto sobre a vida das pessoas sobre o país e sobre a nação; a notabilidade, que dentre outros aspectos inclui a quantidade de pessoas que o acontecimento envolve; o inesperado, isto é, aquilo que irrompe e surpreende a expectativa da comunidade jornalística. Segundo Tuchman apud Traquina (2004), o inesperado é muitas vezes um componente de um tipo de acontecimento que designa o mega-acontecimento, um acontecimento com enorme noticiabilidade que subverte a rotina jornalística.

Dessa forma o jornalista permanece neste processo como o produtor da informação, uma constatação que vai de encontro ao entendimento de alguns autores de que esse fenômeno de produção de conteúdos pelo cidadão representa o fim do jornalismo e início de um momento onde todos são jornalistas.

Outro ponto importante a ser observado ainda nesse momento que o fenômeno começa a se consolidar é que ao abrir espaço para proposição de temas pelo cidadão não jornalista, a grande mídia, em especial os jornais, ainda não ampliam a discussão para temáticas políticas, econômicas, em que os posicionamentos possam subsidiar a formação de opinião pública ou a própria deliberação pelo sistema administrativo estatal.

Apesar da importância dessas novas relações entre o cidadão ou os atores coletivos dispersos da sociedade civil e o jornalismo não se pode perder de vista a discussão, como observa Deuze (2009), de que esse tipo de “participação” do cidadão na produção de conteúdos para a grande mídia ocorre no contexto de um esvaziamento do trabalho assalariado, e no interesse de empresas de comunicação, que estão se apropriando de voluntários não pagos, sem necessariamente investirem em treinamento e monitoração do que é produzido.




  1. As fontes e o acesso à pauta jornalística

Historicamente o acesso privilegiado à pauta jornalística vem sendo usufruído pelas fontes oficiais. As demais fontes - movimentos sociais e o simples cidadão de uma maneira geral - que se encontram na periferia da estrutura de poder sofrem, quase sempre, uma exclusão sistemática do debate público articulado pelo jornalismo. Essa exclusão compromete a representatividade e legitimidade da representação simbólica que constrói a realidade.

Na tradição da Teoria do Agendamento, Molotch e Lester (1999) denominam como os promotores da notícia (news promoters), a agenda política governamental. Os jornalistas e editores, na Teoria do Agendamento trabalham a partir dos materiais fornecidos pelos promotores da notícia, transformando um conjunto finito de ocorrências em acontecimentos públicos através de publicação ou radiodifusão. Por fim, há os consumidores de notícia (news consumers), que analogamente assistem a determinadas ocorrências disponibilizadas como recursos pelos meios de comunicação social e criam, desse modo, nos seus espíritos, uma sensação do tempo público (MOLOTCH & LESTER, 1999).

Na Teoria Estruturalista, Hall (1999) e outros pesquisadores observam que, quase sempre, os jornalistas não são os definidores primários - e sim secundários - da notícia devido à sua dependência das informações estratégicas monopolizadas pelas autoridades do aparelho de Estado e das grandes corporações do mercado. “Os media não criam automaticamente as notícias; melhor, estão dependentes de assuntos noticiosos específicos fornecidos por fontes institucionais regulares e credíveis (...)” (HALL et al., 1999, p. 228).

As oportunidades de surgirem informações da periferia da estrutura de poder (movimentos sociais e simples cidadãos), que enriqueçam e confiram maior representatividade ao espaço público articulado pelo jornalismo, em geral, só acontecem, em situações de crise, quando o sistema de sanções e recompensas dos meios de controle sistêmicos não conseguem compensar as expectativas de maior legitimidade nas deliberações sobre as questões de interesse coletivo. Neste caso, verifica-se nas decisões o que Habermas(1997) denomina de modelo de iniciativa externa.

Usualmente, no entanto, prevalece no processo de formação de opinião e de deliberação sobre questões públicas o modelo de acesso interno, em que os resultados ficam restritos à lógica e aos interesses exclusivos da estrutura de poder. Desta maneira, as deliberações são apenas comunicadas à sociedade, sem que tenham sido precedidas de uma discussão aberta na esfera pública, conforme o ideal republicano democrático do auto-governo dos cidadãos que formam a sociedade. Até mesmo quando o jornalismo investigativo ou a pressão dos cidadãos nos movimentos sociais conseguem institucionalizar no espaço público assuntos inconvenientes para a estrutura de poder -modelo de mobilização, conforme Habermas (1997) -, ainda assim geralmente prevalece à lógica dos interesses particulares poderosos, já que estes setores possuem muito mais recursos para mobilizar apoios e adesões às suas pretensões.

Contudo, vale ressaltar como auspiciosa a constatação de que os cidadãos e os movimento sociais, quando conseguem acesso à visibilidade jornalística, têm a capacidade de formar opinião e vontade política a ponto de tornar poder comunicativo as suas reivindicações e obrigar o Legislativo a transformá-las em leis e fazer o Executivo e o Judiciário cumpri-las.

Segundo Berger e Luckmann (2004), isso promove uma renovação do espaço público com a inclusão pelo jornalismo de “instituições intermediárias”, aquelas que reconhecem no cidadão o direito de participar da construção de sentido e, conseqüentemente, da construção social da realidade, diminuindo a crise subjetiva e intersubjetiva de sentido alimentada pela tendência à alienação e anomia, que se verifica na modernidade.




  1. Considerações finais

Cada vez que há mudanças significativas no campo social, econômico e tecnológico a forma de recebermos informação passa por transições importantes. Foi assim com a chegada do telégrafo entre 1830 e 1840; na década de 20, com a invenção do rádio, o aparecimento dos jornais tablóides e a cultura da fofoca; em 50, com o advento da televisão e agora com a Internet (KOVACH E ROSENTIEL, 2003). As mudanças capitaneadas pela Internet, sobretudo, a partir deste século, têm sinalizado novas formas de relação entre o cidadão não jornalista e a mídia.

Quando homens e mulheres começam a deixar de ser “receptores passivos” da televisão, do rádio e dos jornais para interferirem e participarem de uma forma mais efetiva do processo de produção de conteúdos para as mídias são lançados novos desafios ao Jornalismo.

São mudanças inevitavelmente refletidas na prática jornalística e que nos obrigam a pensar sobre várias questões, que englobam relações de trabalho, ética, controle da informação, só para citar algumas.

Ainda são muitas discussões que se ensaiam nesse novo quadro, obrigando os veículos tradicionais a repensar sua forma de atuar tendo em vista suas transformações diante de uma convivência forçada com os novos circuitos (PALACIOS& MUNHOZ, 2009). Já o jornalismo, ocupando um espaço importante na maneira com que os cidadãos e cidadãs percebem e organizam mentalmente o mundo ao seu redor precisa urgentemente, como destaca Chaparro (2007), descobrir, tomar consciência, se preparar para exercer os novos papéis que lhe cabem.


  1. Referências

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1 Doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco. Mestre em Extensão Rural e Desenvolvimento Local pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. Pesquisadora do Núcleo de Jornalismo e Contemporaneidade da UFPE. E-mail: giovanamesquita@yahoo.com.br





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