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Apud minutas em A.F.M. 134.6, folheto de 4 páginas, 23,5 x 19,5

134.7, folheto de 8 páginas, 26 x 20,5

134.8, folheto de 16 páginas,20 x 14


Possuímos quatro textos mais ou menos desenvolvidos que tratam dos Fins ×ltimos. Por causa de sua semelhança, os três primeiros, 134.06 -07; -08; seräo tratados aqui juntos. Os dois primeiros, säo por assim dizer, apenas esboços. A substância acha-se desenvolvida no terceiro. Será o que vai reproduzido textualmente. Contudo, as passagens que se encontram unicamente em um dos dois primeiros seräo acrescentadas à parte. Esses três textos säo elaborados de acordo com o mesmo plano que apresentamos aqui:

- Introduçäo

- O passado: o pecador lembra-se dos pecados cometidos:

contra Deus;

contra o próximo;

contra si mesmo;

- O presente: sobre o leito de morte, o pecador está atormentado:

pelas dores do corpo, pela doença;

pelos delírios da mente;

pela incapacidade de valer-se a si;

- O futuro: o pecador está atormentado ao pensar no futuro:

nos parentes e amigos que vai deixar;

nas criaturas de que näo mais gozará;

nos demônios que o esperam no inferno.

A última parte está apenas esboçada; os sermöes que väo seguir, sobre o inferno väo suprir largamente o que falta.

Se quisermos situar cronologicamente esses três textos interrelacionados, apenas podem-se levantar hipóteses. Com efeito, trata-se de saber se os dois textos resumidos säo anteriores ou posteriores ao texto desenvolvido. Este, como se pode ver, está redigido para a cerimônia da imposiçäo das cinzas. Essa circunstância, início da quaresma, é com certeza um apelo à conversäo, mas isso näo indica que os outros näo fossem proferidos por ocasiäo da mesma circunstância, alías näo fazem alusäo alguma; a necessidade para o pecador de mudar de vida é de todos os instantes. No entanto, a probabilidade maior é em favor da anterioridade do texto desenvolvido.Pode-se pensar que o orador tenha primeiro composto esse texto no começo de seu ministério, quando näo se atrevia ainda a improvisar. Nas outras circunstâncias, ou para outro auditório, teria extraído dos dois outros textos. Fortalecido pela experiência e possuindo melhor o assunto, apenas teria extraído as idéias principais ajuntando um que outro detalhe para torná-los mais concretos, mais ao alcance dos ouvintes.


De qualquer forma, esses textos pöem em evidência o cuidado que o Padre Champagnat tinha em preparar os sermöes, recopiando-os, ao menos em parte, para adaptá-los às novas circunstâncias, quando poderia ter-se contentado de retomar o texto já redigido deixando à improvisaçäo a atualizaçäo das circunstâncias.
Memorare novissima et in aeternum non peccabis.

Lembrem-se dos novíssimos e näo pecaräo jamais.


Por que, meus caríssimos irmäos, caímos no pecado e seguimos nossas más inclinaçöes? É porque esquecemos nossos novíssimos, porque näo pensamos no que deve nos acontecer no fim da vida. Rejeitamos a lembrança da morte, do juízo e das conseqüências terríveis desse julgamento e, no entanto, esse único pensamento é capaz, conforme a expressäo do Espírito Santo de sustar o ardor de nossas paixöes. Lembrem-se dos novíssimos e näo pecaräo: memorare novissima, etc...É para lembrar-lhes um desses quatro novíssimos que daqui a pouco seu pastor irá no meio de vocês, com a cinza benta que a Igreja lhe pöe nas mäos hoje e dirigindo-lhes as palavras que Deus dirigiu ao primeiro homem feito pecador: lembre-se, ó homem, que é pó e que em pó tornará.

Memento homo quia pulvis est et in pulverem reverteris.

Que esse pouco de cinza fale eloqüentemente a quem quer abrir os ouvidos do coraçäo.

Meditemo-las, caríssimos irmäos, durante essa quaresma, durante o ano, durante toda nossa vida. A morte, encontrando-nos ocupados com esse pensamento näo nos espantará. Vejam como é terrível a morte para quem jamais refletiu nisso e por conseguinte nunca se preparou: mors peccatorum pessima, a morte dos pecadores é péssima. Péssima a respeito das circunstâncias que a precedem, das que a acompanham e das que lhe seguem. Esses três pontos seräo nosso assunto.


Mors peccatorum mala in egressu. Säo Bernardo noz diz que näo há nada que o pecador à morte mais repila do que a lembrança de suas iniquidades passadas, e no entanto, nada mais lhe acode à memória do que elas. Vejamos aquele famoso pecador de que nos fala a Sagrada Escritura: Nunc reminiscor malorum que ego feci in Jerusalem. Agora que estou estendido sobre esse leito, oprimido pela doença, lembro-me dos males que fiz a Jerusalém. Nunc, agora que o mal excede minha resistência, a cruel lembrança vem somar-se. Quae ego feci. Vejam, caríssimos irmäos, como a chegada da morte lhe faz reconhecer a verdade, ele näo diz, que me fizeram cometer, que me levaram a fazer, mas: quae ego feci, que fiz eu mesmo. A morte o faz discernir a qualidade do mal que fez e contra quem o fez; in Jerusalem, é contra a cidade consagrada a Deus, consagrada a seu culto, consagrada à religiäo: in Jerusalem.
É contra os ministros de Deus que habitavam Jerusalém que fiz todo o mal que pude.

Como essa lembrança me prostra, me abate! Nunc, no momento da morte, o pecador, qual outro Antíoco, diz: Nunc reminiscor, vejo neste momento tudo quanto fiz: pecados da infância, pecados da juventude, pecados da idade madura, enfim a história toda de minha vida. Vejo os pecados contra Deus e sua religiäo, contra seus ministros e seu culto.


Reminiscor: fazem-se presentes a meus olhos todas as murmuraçöes contra a divina Providência, todas minhas imprecaçöes, minhas blasfêmias: in quantam desolationem deveni, em que triste

situaçäo me encontro.


O pecador moribundo vê os sacrilégios, as zombarias que cometeu contra o que de mais santo havia na religiäo.

Vê, qual Judas, a enormidade do sacrilégio que fez contra os sacramentos e repete como ele: meu crime é grande demais para esperar perdäo: in desolationem deveni quantam.


Pecados contra o próximo: inveja, ciúme, ódio, maledicência, calúnia, injustiça, escândalos, maus conselhos, numa palavra, todos os males que o levaram a cometer.
Pecados contra si-mesmo: orgulho, avareza, preguiça, intemperança, impudicícia, etc,...etc...
æ vista de todas essas impurezas cuja lembrança quando estava com saúde custava suportar, no estado em que está agora näo pode pensar sem estremecimento; diz com mais força do que Antíoco, porque mais instruído do que ele, por conseguinte mais capacitado: inquantam desolationem deveni, - a que terrível desolaçäo estou reduzido; et in quos fluctus tristitiae, - em que poço de tristeza.
Enquanto gozava de boa saúde, o mal parecia sem conseqüências ao pecador, bebia a iniquidade com se água fosse, mas a coisa mudou agora que a doença o atingiu: Circumdederunt me vituli, tauri pingues obsederunt me - meus pecados eis que parecem feras horrorosas; Eam dormierit oculus suos - o pecador abrirá os olhos no momento da morte.
Que estranha expressäo, exclama Säo Gregório, fechamos os olhos para dormir, e os abrimos ao despertar: por que se diz entäo que o pecador os abrirá durante o sono. É que essas duas coisas constituem o ser do pecador, alma e corpo, e que o sono toma conta de uma delas e a outra acorda e abre os olhos.
O presente aflige o pecador às voltas com a morte.

Julguem, caríssimos irmäos, três coisas: l. pelas dores agudas que um pecador à morte experimenta em seu corpo; pelos expectros horríveis que a morte lhe traz ao espírito; pela impotência em que está de socorrer-se a si-mesmo em suas misérias. 1º pelas dores agudas. De todas as dores que podem abater-se sobre o homem nenhuma mais sensível do que a doença, sobretudo quando mortal. Enquanto a desgraça atinge os amigos, os bens, os parentes, ele suporta. Por maior que seja, ela o atinge indiretamente, diz Säo Gregório, se comparada com a dor íntima e particular que sente quando é atingido e atormentado em si-mesmo. É a reflexäo que faz esse sábio Papa sobre a resposta que o demônio deu a Deus a respeito de Jó: inútil dizer que o demônio fez o mais que pôde contra Jó, mas enquanto ele näo for atingido na própria carne, ficará tranqüilo: moveri era his quae extra se sunt negligit, sed jam veraciter quid sit agnocitur si in supro quod dolet asperiatur.


Se as coisas que näo lhe dizem respeito pouco o atingem, entra em

si, se perturba quando faz a experiência dura de sua própria dor. Se isso é verdade para todos os homens, com maior razäo quando se trata dos pecadores.


2º Pelos terríveis expectros que a morte às portas lhe traz ao espírito. A morte do justo produz efeitos muito diferentes num caso e no outro, diz Säo Bernardo. Com o justo, a morte é boa porque lhe traz descanso, uma nova vida que chega e a eternidade que lhe é assegurada. Nada de mais íntimo do que a alma e o corpo, daí a separaçäo ser täo dolorosa.
3º Para que o pecador possa vir a seu próprio socorro, quatro coisas säo absolutamente necessárias: 1. tempo; 2. uso das faculdades da alma; 3. a graça de Deus; 4.finalmente a cooperaçäo à graça.
Encarando o futuro, o pecador sentirá terrível espanto: mors peccatorum mala in egressu - a morte dos pecadores é desgraçada na saída deste mundo; pejora in egressu - é pior porém na entrada da outra vida; péssima pela reprovaçäo que virá. A terra, as criaturas que manchou e que forçou por assim dizer a satisfazer suas paixöes, declarar-lhe-äo guerra.
Distingo três: as que eram amigas; as que lhe eram indiferentes e das quais abusou; outras que desconhece e que lhe säo adversas.

As primeiras säo os familiares e parentes; as segundas, as criaturas em geral, as terceiras säo os demônios.



SERMÄO SOBRE OS FINS ×LTIMOS

Extraído do manuscrito original de A.F.M 134.10, folheto de 4 páginas, 29 X 21, escrito em 3 páginas 1/2.


Este quarto sermäo sobre os Fins ×ltimos está composto sobre o mesmo plano dos três primeiros, mas näo desenvolve senäo a primeira parte, se bem que as três sejam anunciadas. Contendo muitos dados novos, o texto vai aqui transcrito na íntegra, apesar das passagens que já se encontram nos precedentes.
Determinar o lugar cronológico deste texto, em relaçäo aos outros, näo é possível. Devido aos detalhes muito concretos que contém, pode-se pensar que se trata de uma obra de neófito bem intencionado que quer causar impacto, mais do que de um pastor experiente que pretende sacudir seu auditório lento a converter-se. No que se refere à escrita, difere dos três textos precedentes: esses últimos apresentam uma grafia arejada, com caracteres bastante grandes, facilmente visíveis por um orador que deseja guardar os olhos presos à folha, ao passo que este exibe uma escrita fina e fechada, mesmo com uma sobrecarga de linhas em certo lugar. Além disso, o formato do papel é nitidamente maior que o dos outros.
Se, de fato, aqui se tratar, näo de simples instruçäo, mas de um sermäo, que nos permite supor que tenha sido feito por ocasiäo da distribuiçäo das cinzas, presumimos que se enquadre mais na primeira alternativa indicada antes, portanto, que este texto seja anterior aos três outros. Essa hipótese deixaria aparecer, através dos quatro textos, a evoluçäo do método do pregador. Convém destacar o caráter puramente hipotético desta sugestäo que o próprio leitor poderá apreciar.
Memorare novissima et in aeternum non peccabis

Lembrem-se dos novíssimos e nunca pecaräo.


Essas säo as palavras do Espírito Santo. É um fato, caros Irmäos,que esquecemos que devemos morrer um dia e que, depois da morte, devemos ser julgados e que esse julgamento decide irrevogavelmente nossa sorte ou para o céu ou para o inferno.

Lembre-se que é pó e em pó vai tonar-se. Säo ainda palavras do Espírito Santo que seu pastor, com as cinzas em mäo, se dirige a todos, em geral, e a cada um em particular. E para que näo o esqueçam nunca, näo se limita a palavras, mas com as cinzas que a Igreja lhe pöe nas mäo, neste dia, grava o sinal da cruz na fronte dizendo: "Memento homo, - Lembre-se, homem, qualquer que seja a idade, projetos, pretensöes. Lembre-se, - Memento, que esta porçäozinha de pó que seguro é sua origem e que em poucos dias será o fim. Caros Irmäos, como essa pitada de cinzas fala eloqüentemente a cada um de nós! Näo ouçamos apenas com o ouvido, mas com o coraçäo. Digamo-nos:"Devo morrer e na hora da morte, se viver mal, quäo grande será minha desgraça nesse último momento, se, como diz ainda o Espírito Santo nos Provérbios de Salomäo, (1) recusar de me converter, como Deus me convida pela voz de seus ministros. Na morte, Deus zomba dos que se zombaram dele,

recusando-se a mudar de vida.
Vêem, caros Irmäos, que pretendo hoje falar do fim desgraçado dos pecadores. Consideremo-los estendidos em seu leito, entregues a estas três consideraçöes: reflexöes sobre o passado; reflexäo sobre o presente; reflexäo sobre o futuro.
1ª parte
A lembrança do passado prostrará os pecadores na proximidade da morte. Todos os objetos apresentam-se ao homem pecador na momento da morte. Näo adianta, segundo S.Bernardo, procurar esquecer, menos ainda tentar fugir das próprias desordens, das iniquidades passadas, as fornificaçöes que cometeu nas trevas e na solidäo, essas injustiças, roubos, ódios, pensamentos de ambiçäo, impurezas que nunca transpareceram e que agora apareceräo aos olhos da alma que näo quereria vê-las.

Todos esses pecados que o infeliz sempre quis ocultar apresentar-se-äo de três diferentes maneiras: primeiramente o envolveräo de todos os lados, - circumdederunt eum vituli multi, tauri pingues obsederunt eum, - meus pecados se apresentaräo a mim sob a forma de touros e de animais horríveis que me cercam de todos os lados. Acreditava, ao cometê-los, - nunc reminiscor malorum quae fecit in Jerusalem, - que näo era nada, mas hoje, vejo bem o contrário. Que säo esses monstros que parecem querer lançar-se sobre mim? Será esse adultério, essa impureza, essa fornicaçäo, esse pecado que cometi só, esse mau desejo, esse pecado infame que nunca ousei acusar, de que nem mesmo quis me arrepender; o que é que me dá na vista, será essa vingança que cometi, essa inveja, esse juízo temerário, essa maledicência, essa calúnia, essa bebedeira que näo tomei em conta; será essa negligência em minhas obrigaçöes, as obrigaçöes pascais que näo fiz, os domingos mal observados, abstinências, jejuns, privaçöes, oraçöes das quarenta horas, jubileu, avisos caridosos de meus pastores, de meus pais, dos verdadeiros amigos, toque secreto da graça, bons movimentos interiores que me impeliam a dar-me a Deus, tudo isso agora se volta contra mim. O pecador percebe ainda alguma coisa de mais assustador: säo os pecados cometidos diretamente contra Deus: as blasfêmias contra a religiäo, os falsos juramentos, a profanaçäo dos sacramentos e das coisas santas. Meu Deus, quantos crimes! Quando queria me confessar, quase näo podia encontrá-los e hoje apresentam-se aos milhares. Näo se espante, você se criou uma consciência falsa, você näo refletia, procurava confessores fáceis ou confessores que pudesse enganar, e tinha os olhos da alma fechados, mas hoje, os do corpo väo se fechar, como dizem as Escrituras Sagradas e os da alma se abrem (2). Oh! funesto e horrível acordar da alma, - qua donnierit apperiet oculos suos, - começará a abrir os olhos quando morrer.


Que expressäo esquisita, diz S.Gregório, fechamos os olhos para dormir e os abrimos ao acordar! de onde vem pois que se diz que o pecador abrirá os olhos durante o sono? Essas duas coisas entram na composiçäo do ser do pecador: a alma e o corpo. Quando o sono se apodera de uma das partes, a outra desperta e abre os olhos. O corpo começa a dormir com a aproximaçäo da morte, a alma que até entäo estava entorpecida, acorda e vê o que negligenciou de ver.
Representa-se a fealdade, as abominaçöes, as infâmias, a maneira indigna de viver, - nunc reminiscor malorum quae feci, - agora, diz o infeliz pecador, lembro-me dos pecados cometidos, agora vejo o que antes cuidava em ocultar.

Os pecadores näo seräo apenas cercados e assaltados de todas as partes por suas açöes criminosas, mas todo seu ser será penetrado por elas. Isso parece espantoso e no entanto é a pura verdade. Como a alma é individual e está em cada parte do corpo que ela anima, fica completamente penetrada de pecados e esses pecados a transformam de alguma maneira neles. A medula, os tendöes, as cartilagens, os músculos, os nervos dos pecadores seräo repletos de vícios, - ossa ejus replebantur vitiis -. É isso tudo? Desceräo ao túmulo com ele, lhe manteräo companhia até o grande dia da vingança, que digo eu, desceräo com ele no inferno e lá será carcomido por esses vermes, nessa podridäo que alimentará o fogo aceso pela cólera de Deus. Por pouco que a gente se aproxime da carniça, a gente sente o mau odor; mas aproximem-se apesar do cheiro horrível, que vêem? Um fervilhar de vermes. Diriam que é uma carniça que se mexe, nada disso, os vermes que enxergam em número täo grande säo a mesma coisa que o aspecto desse cadáver. Aí está a imagem perfeita do pecador que vai morrer: a alma, o corpo, o entendimento, as mäos, os olhos, as orelhas, a boca, a língua, todos os sentidos, a vontade, tudo está repleto de pecados. Vêem esse pecador que se remexe, näo, caros Irmäos, säo os pecados que o reviram em seu leito de morte. Aproximem apenas os olhos de sua fé, - interiora ejus offerbuerunt sine requiem.


Por fim, os pecados lhe däo o golpe de morte. Näo há nada de mais espantoso do que aconteceu a Senaqueribe, rei dos Assírios (3), esse príncipe ímpio tinha cometido uma infinidade de crimes na Judéia, tratando os habitantes com crueldade, profanando tudo o que havia de santo e de sagrado, näo temendo nem os homens nem a Deus, nem a terra, nem o céu. Enfim a justiça divina näo podendo mais suportar tais horrores, enviou um anjo que lhe desfez o exército, obrigou o príncipe a fugir. Apenas entrou em seu reino os filhos de sua própria substância, aos quais dera a vida, se revoltaram contra ele, e o mataram. Compreendem sem dificuldade o que pretendo dizer-lhes.

Quando um pecador está no leito de morte, quando os parentes, os amigos, todas as criaturas o abandonam, os filhos, quer dizer os pecados o cercam para matá-lo; sim, os filhos de sua cabeça: essa vaidade, esse orgulho, esse desejo monstruoso de sobressair e de enriquecer; os filhos do coraçäo: a hipocrisia, a impiedade, os maus pensamentos; os filhos dos rins: as fornificaçöes, etc...o apunhalaräo. Tal é a morte que espera o pecador.



REFLEXÖES SOBRE O FIM DO HOMEM

De acordo com o autógrafo A.F.M. 134.12, sobre duas folhas recto verso, de formato 26 x 21.

O Padre Champagnat, de início, tinha começado este texto na primeira página, mas depois de algumas correçöes e rasuras riscou tudo para recomeçar na página seguinte e, desta vez, sem retoques. Encontra-se- aqui, portanto, uma primeira tentativa, depois, a versäo definitiva.
Vistos o andamento do texto e a oraçäo final, pode-se pensar que näo se trata de um sermäo propriamente dito, mas antes de uma instruçäo, quiç de algumas reflexöes feitas no decorrer de uma cerimônia, da! o título escolhido para esta ediçäo.
Primeira tentativa:
Creatus est homo ad hunc finem ut Dominum Deum suum laudet et revereatur eique serviens salvus fiat ig. O homem foi criado para conhecer, amar e servir a Deus e para adquirir por esse meio a vida bem-aventurada.
Ao verificar a conduta da maioria dos homens dir-se-ia que o homem foi criado para ser rico, honrado, em uma palavra, gozar aqui em baixo os prazeres dos sentidos. Por conseguinte, quero hoje, meus caros irmäos, ao conduzi-los a uma primeira pergunta do catecismo, lembrar-lhes o que esqueceram com freqüência, isto é, que Deus os criou para conhec-lo, am -lo, servi-lo e com isso obter a eternidade feliz.

Em primeiro lugar, Deus me criou para servi-lo. E at onde vai esse dever.

Digo, portanto, que Deus nos criou para conhec-lo. De pequenos se lhes perguntava por que Deus os criou? O que responderam, caros irmäos? Responderam que Deus nos criou para conhecê-lo.
Texto definitivo:
Creatus est homo ad hunc finem ut dominum Deum suum laudet et revereatur, eique serviens, salvus fiat ig.
O homem foi criado para esse fim, isto é, para conhecer, amar, louvar e servir a Deus para merecer com isso a eternidade feliz.
Ao ver a conduta da maioria dos homens, dir-se-ia que o homem apenas est no mundo para ser rico, honrado, em uma palavra, para gozar das satisfaçöes, comodidades e todos os prazeres dos sentidos. Para ret-los, caros irmäos, desse desvio fatal que, infelizmente, povoa o inferno, vou conduzi-los a uma das primeiras perguntas do catecismo a fim de lembrar-lhes o que muitas vezes esquecem, isto é, que apenas estäo neste mundo para servir a Deus.

Quando ainda pequenos, se lhes perguntava por que Deus nos criou. Näo estando ainda cegados pelos preconceitos e pelas paixöes, respondiam sem hesitar que era para conhecer, amar e servir a Deus e merecer com isso a vida bem-aventurada. Foi isso, caros irmäos, que Deus se propos ao cri -los. Numa palavra, esse grande Deus criou tudo o que existe: - dixit et facta sunt - criou a terra, a água, o ar, o fogo, a madeira, os metais, os animais, enfim tudo o que os vastos céus contêm para o serviço e utilidade do homem. Concordam comigo, penso. Mas vocês, caros irmäos, por que que os criou, obra-prima de Deus Todo-Poderoso, dotados de razäo, ser para gozar das coisas daqui de baixo? Certamente näo, sem dúvida, porque se as coisas fossem assim, Deus teria falhado o objetivo por que os criou, porque väo concordar comigo que ainda näo puderam gozar de nenhuma felicidade. Digo mais, seis mil anos de busca ainda näo bastaram para achar essa felicidade. O que ainda mais deplorável que seis mil anos näo foram ainda suficientes para desenganar o homem neste ponto, visto que, caros irmäos, concordam que näo se pode achar a felicidade aqui em baixo e também concordam que näo estäo na terra para isso, ser entäo que vocês existem para o gozo dos sentidos? Se o homem consistisse nisso, näo estaria acima dos animais privados de razäo. De resto, se o homem fosse criado para gozar dos prazeres torpes e grosseiros, esses mesmos prazeres dos sentidos lhe destruiriam a saúde. O homem provaria o que experimenta depois de ter saciado sua paixäo. Provaria esse aborrecimento, esse descontentamento, essa espécie de desespero.


Concluamos, pois, caros irmäos, que somos destinados para alguma coisa de mais elevado, porque uma sabedoria täo grande como transparece na criaçäo näo pode agir sem objetivos claros. Que fim teve em vista o Todo-Poderoso com a criaçäo. Podia muito bem passar sem mim, sei disso porque näo precisou de mim at agora. Se houvesse um ser mais perfeito que ele, poderia ter agido em benefício dele, mas näo, estando s" e perfeito impossível que se tenha proposto outro fim senäo ele próprio. Portanto, Deus me criou para si e näo pôde me criar senäo para ele. Seu direito sobre mim, como sobre tudo o que existe, inalienável. Se ele cessar de ser Deus, entäo poderia pertencer a alguém outro. Embora sendo Deus, näo pode me dispensar de ser para ele. Näo era necessário que eu existisse, mas como fui criado, imprescindível que eu seja feito para ele.
Se Deus me deu um espírito capaz de inteligência, apenas foi para que o conhecesse; se me deu um coraçäo livre, foi para que o amasse me apegasse a ele. Se me deu um corpo, saúde, forças, näo foi senäo para que os empregasse a seu serviço; se enfim sou o que sou, näo senäo para que lhe pertença integralmente.
meu Deus, único criador, único conservador de meu ser, que imagem triste e desalentadora se apresenta aos olhos, porque at aqui minha conduta apenas foi uma série de desordens, de revoltas, de injustiças contínuas. Vivi um pouco como se näo tivesse sido criado. Apenas pensei em mim próprio; apenas amei a mim mesmo, trabalhei s" para mim. Em que que achei garantia, apenas em pensar que os outros näo viviam melhor do que eu; tudo o que posso dizer; mas seus desvios näo podem justificar os meus. Quanta gratidäo vos devo, meu Deus, porque estais me abrindo os olhos hoje - notum fac Domine viam meam.

CONSTITUIÇÖES E ESTATUTOS DOS IRMÄOS MARISTAS
MARIA
2 * "...Marcelino Champagnat foi cativado pelo amor de Jesus e

Maria para com ele e para com os outros."

3 * "SEGUIR O CRISTO, COMO MARIA, em sua vida de amor ao Pai e aos homens"
4 * "Dando-nos o nome de Maria, o Padre Champagnat quis que

vivêssemos do seu espírito."

* "Convencido de que ela tudo fez entre nós, chamava-a Recurso Habitual e Primeira Superiora."
* "Contemplamos a vida de nossa Mäe e Modelo para impregnar- nos de seu espírito."

* "Suas atitudes de perfeita discípula de Cristo inspiram e pautam nossa maneira de ser e de agir."

* "Havendo Deus dado seu Filho ao mundo por Maria, queremos torn -la conhecida e amada como caminho que leva a Jesus."
* "Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus."
5 * "As três virtudes mariais de humildade, simplicidade e modéstia nos vêm de Marcelino Champagnat."
* "Conscientes de nossas limitaçöes, mas confiantes em Deus e em Maria, ...podemos empreender e levar Maria...podemos empreender e levar a bom termo trabalhos

difíceis."

7 * "A espiritualidade legada por Marcelino Champagnat marial e apostólica"
* "Como para Maria, Jesus é tudo em nossa vida."
* "Nossa açäo, como a de Maria permanece discreta, delicada, respeitosa para com as pessoas."
9 * "Formamos comunidade em torno de Maria, nossa boa Mäe, como membros de sua família."
10 * "...laços particulares nos unem às diversas famílias oriundas da Sociedade de Maria com as quais queremos irradiar na Igreja

o espírito de Maria que nos é comum."

15.1 * "Renovamos em comunidade nossa profissäo religiosa...ou no dia da Assunçäo, ou entäo por ocasiäo de outra festa marial."
18 * "Maria, escolhida por Deus para lhe pertencer totalmente, é o modelo de nossa consagraçäo."
* "Na Anunciaçäo, ela acolhe na fé a palavra do Senhor..."
* "Abandona-se com alegria e amor açäo do Espírito Santo, pelo dom total de si mesma."
* "Ao lado de Jesus, viveu em total confiança no Pai, at o p da cruz."
* "Na glória de Cristo ressuscitado, ela é, de modo singular, a mäe de todos os que se consagram a Deus."
* "Consagrados a Maria, e certos de que ela intercede por nossa perseverança na fidelidade, conservamos-lhe um coraçäo agradecido pela graça de nossa vocaçäo."

* "Nosso Fundador que tanto aprendeu de Maria..."


19 * "Quis nascer da Virgem Maria...
21 * "...procuramos em Maria guia e apoio no aprendizado de uma vida casta."
* "Ela a mulher que, por primeiro, viveu a virgindade por causa de Cristo."
* "O Espírito Santo tornou-a fecunda."
* "Recebendo-a em nossa casa, aprendemos o modo de amar as pessoas e nos tornamos, por nossa vez, sinais vivos da

ternura do Pai."


* "Maria inspira-nos resposta gratuita a seus apelos e constante solicitude para com eles."
27.1 * "... a fim de obter, pela intercessäo de Maria, o dom da castidade."

* "Continuamos fiéis às práticas...como a devoçäo Imaculada Conceiçäo e a consagraçäo a Maria."


30 * "O Magnificat revela-nos o coraçäo de Maria que, com os pobres de Israel, pöe sua confiança na fidelidade do Senhor."
* "Com José, o carpinteiro, ela convive com as pessoas simples de Nazaré."
* "...Maria d seu consentimento ativo a todas as formas de desapego que Deus lhe pede."
* "Com ela, deixamos que se desfaçam, progressivamente, as amarras terrestres, consoante a vontade purificadora do

Senhor que molda em nós um coraçäo pobre."


38 * "A vida inteira de Maria é o prolongamento de seu FIAT."
* "Por sua obediência, torna-se Mäe de Deus e coopera na missäo redentora de seu Filho."

* "Ela é bem-aventurada porque ouve e cumpre a palavra do Senhor."


* "...aprendemos na escola da Serva do Senhor e respondemos a seu convite:"Fazei tudo o que ele vos disser."
* "Dela aprendemos docilidade ao Espírito e obediência lúcida e corajosa."
46 * "Deles sairemos vencedores, sobretudo pelo recurso a Maria e com a ajuda de nossos Irmäos."
48 * "Sentimos a presença de Maria, Mäe da Igreja."
* "Ela nos ajuda a viver fraternalmente, fazendo-nos compreender melhor que formamos o Corpo de Cristo."
* "Como Maria...estamos atentos às necessidades da comunidade e do mundo."
* "Como ela em Nazaré, levamos vida simples e laboriosa."
49 * "...e junto Boa Mäe, aprofundavam o sentido da fraternidade, da dedicaçäo e da abnegaçäo a serviço dos outros."
53 * "...a comunidade considera o Irmäo jovem como graça de Deus e atençäo de Maria.
54 * "Por sua vez, o Irmäo busca força no Senhor e em Maria."
55 * "O Irmäo prova, assim, a felicidade de morrer na família de Maria."
67 * "Maria é para nós modelo de oraçäo."
* "Virgem da Anunciaçäo, acolhe a palavra de Deus."
* "Mulher bendita entre todas, exulta de alegria em Deus, seu Salvador."
* "Serva fiel, ela vive seu SIM até a Cruz."
* "Mäe, confronta em seu coraçäo as açöes do Filho com as palavras da Escritura."
* "Em Caná, ela intercede e, no Cenáculo, reza como Igreja."
* "Orando com Maria, comungamos de seu louvor, de sua açäo de graças, de sua intercessäo."

68 * "Dirigia-se a Maria com a confiança de uma criança."


70.1 * "...começamos habitualmente o dia pela salve-rainha ou outra saudaçäo marial."
74 * "Nosso culto marial...exprime-se pelo amor, a confiança e a admiraçäo; e tende imitaçäo de Maria em suas atitudes para com Deus e para com os homens."

* "...vamos a Maria como a criança vai a sua mäe."


* "Procuramos aprofundar nossa relaçäo com ela pela oraçäo e pelo estudo da doutrina marial."

* "Suas principais celebraçöes...säo tempos privilegiados para intensificar nossa devoçäo para com essa boa Mäe."


74.1 * "Cada dia, louvamos a Mäe de Deus pelo terço ou outra prática de piedade marial..."
74.2 * "Tomamos a peito preparar as festas mariais no espírito da liturgia."
74.3 * "Celebramos o mês de Maria comunitariamente e, quando possível, com os alunos ou com outros fiéis."
76 * "Rogamos-lhe nos faça partilhar de seu amor a Jesus e a Maria."
84 * "Maria, educadora de Jesus em Nazaré, inspira nossas atitudes para com os jovens."

* "Nossa açäo apostólica é participaçäo em sua maternidade espiritual."

* "A contemplamos, desconhecida e oculta no mundo, fiel a sua missäo de dar Deus aos homens."
* "Com simplicidade, entusiasmo e caridade, ela leva Cristo ao Precursor e o revela aos pastores e aos magos.
* "...espera a hora de Deus, pronta, porém, a intervir para obter o primeiro sinal que suscita a fé dos discípulos."
* "Depois desaparece para deixar espaço a Jesus."

* "Mas junta-se a ele no sofrimento e na humilhaçäo da cruz..."


* "Orientamos o coraçäo dos jovens para Maria, a perfeita discípula de Cristo."
* "Fazemo-la conhecida e amada como caminho para ir a Jesus."
* "Confiamos-lhe aqueles por quem somos responsáveis."
* "Levamo-los a rezar muitas vezes a essa Boa Mäe e a imitá-la."
84.1 * "...asseguramos aos jovens uma catequese marial."
86 * "Dedicamo-nos inteiramente a esse ministério (catequese)...

confiantes na ajuda do Senhor e na proteçäo de Maria."


91 * "Como Maria (os Irmäos missionários) retiram-se quando sua presença j näo necessária."
93 * "Convidamo-los a estarem atentos às necessidades dos homens, a abrirem o coraçäo vontade do Pai, a crescerem numa atitude

marial de disponibilidade."

94 * "Como para Marcelino Champagnat, Maria a inspiradora de nossa pastoral vocacional."
* "Pedimos-lhe conserve e desenvolva sua obra."
97 * "Pela prática dos conselhos evangélicos, ele se pöe a seguir o Cristo, do jeito de Maria."
107 * "Escolhem (os formadores) Maria como inspiradora de sua missäo, aprendendo dela como acompanhar com amor, perseverança e

discriçäo os que lhes säo confiados."

120 * "Reconhecemos a pertença do Instituto a Maria, que fez tudo entre nós, chamando-a Primeira Superiora."
* "Obedecemos a Deus nos seus representantes, do jeito de Maria, com a disponibilidade total..."
* "Aqueles que nos governam deixam-se guiar pelo espírito da Serva do Senhor."
* "A seu exemplo, ouvem, refletem e agem em vista do crescimento espiritual dos Irmäos."
* "Confiantes, recorrem a ela em todas as circunstâncias."
163 * "Em nossas vidas e em nossa história, fazemos a experiência do amor e da fidelidade de Deus, bem como da proteçäo maternal

de Maria."


170 * "Essa iniciativa (voto de estabilidade) traduz nosso desejo...

de exprimir nossa gratidäo para com a Virgem Maria e o Instituto."


170.3 * "...desejando...tornar conhecida e amada vossa Mäe..." (fórmula do voto de estabilidade."
171 * "Nossa vida torna-se....um convite a encarnar o Evangelho do jeito de Maria."


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