Aprendendo a gostar de ler



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Encontro26.07.2018
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Aprendendo a gostar de ler

Recorrer aos livros não apenas para satisfazer exigências práticas, mas também como fonte de entretenimento e prazer

Paula Stella e Cristiane F. Tavares

Ensinar o aluno a gostar de ler é uma das principais contribuições que um educador pode dar à sociedade. A Escola da Vila deseja que seus estudantes tenham uma relação de qualidade com a literatura. Desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, as atividades planejadas são voltadas para a formação do leitor como sujeito que recorre à escrita para satisfazer exigências práticas, mas também como fonte de entretenimento e fruição estética. O trabalho baseia-se em atividades que privilegiam a relação qualitativa dos alunos com a literatura: o leitor lê porque tem interesse pelo tema, pelo gênero literário, ou mesmo pelo autor.

O tratamento utilitário, no qual o aluno lê porque o livro traz uma mensagem que o professor quer que ele conheça, está vinculado a uma concepção tradicional do processo de ensino e aprendizagem, que considera o leitor um ser passivo diante de textos com mensagens e significados preestabelecidos.

Exemplos do trabalho que prioriza a qualidade literária e os significados construídos pelos estudantes podem ser encontrados, com freqüência, nas salas de aula da Escola da Vila. Já nas séries iniciais as crianças brincam com as palavras num poema de José Paulo Paes e acompanham, com interesse e curiosidade, a leitura de um livro em capítulos, antecipando os acontecimentos, ansiosas por descobrir o final da história.

A Escola da Vila não propõe os tradicionais exercícios de interpretação de texto, que servem para o professor "controlar" a compreensão do que foi lido, pois valoriza as diferentes interações possíveis entre o leitor e o texto que lê. As conversas, nas quais são feitos comentários semelhantes aos que os leitores mais experientes realizam, informalmente, com seus amigos,quando falam sobre obras lidas, são muito mais estimulantes e esclarecedoras.

Ao optar por uma abordagem estética da linguagem literária, a Escola desvincula-se de concepções preconceituosas e reducionistas presentes em algumas classificações editoriais. Na maioria das vezes, essas publicações destinam ao leitor iniciante apenas as publicações com pouco texto e linguagem simplificada, desconsiderando o fato de que ele pode ouvir uma história lida por um adulto e de que sua capacidade para interagir com os textos está além das caracterizações reducionistas de sua faixa etária. Não há, portanto, um limite de páginas para os livros que são apresentados aos pequenos leitores na Escola da Vila, nem tampouco restrições quanto ao vocabulário que devem ou não devem conter. Há, sim, bom senso, adequação, leitura prévia e cuidadosa realizada pelo professor, a fim de descobrir o valor literário das publicações e planejar a mediação a ser feita.

Não colocar os textos literários a serviço de estudos realizados em outras disciplinas também é uma preocupação constante na Escola da Vila. Cada área possui suas especificidades e ainda que temas relacionados com outras áreas possam estar presentes nos textos literários, não são, em si, objetos de estudo da literatura. É preciso ter claro, quando se opta por uma escolha temática de um livro, em função de algum projeto pertencente a outra área, que os objetivos naquele momento não são literários, uma vez que o estudo não se debruçará sobre a linguagem, o discurso, as palavras. Além disso, as publicações que atendem a esse objetivo costumam apresentar pouco valor literário.

Tipos de Leitura

A relação de qualidade que os alunos desenvolvem com os textos literários pode estender-se também à leitura de outros tipos de texto: jornalísticos, enciclopédicos, informativos em geral, de expressão pessoal, dentre outros. É preciso destacar os diferentes objetivos que podemos ter com relação aos textos: ler para aprender, ler para obter uma informação precisa ou de caráter geral, ler para preparar a leitura em voz alta, ler para revisar um escrito próprio, ler para registrar momentos pessoais importantes e poder retomá-los mais tarde.

Deixa-se claro, para os alunos, o objetivo de cada atividade, seja relacionada a leitura ou não, pois entende-se que, quando são informados sobre o quê se pretende com cada proposta, os alunos encontram mais sentido e motivação para desenvolvê-las. Desse modo, a leitura de um texto em voz alta só tem sentido se for necessário lê-lo para alguém, pois dificilmente lemos um texto em voz alta sem um destinatário definido. As crianças das séries iniciais do Ensino Fundamental realizam várias atividades que envolvem a leitura em voz alta. Os saraus, em que as crianças recitam ou preparam a leitura de um poema a ser compartilhado com um grupo, são um exemplo.

http://www.vila.org.br/revista_vila_21/leitura.htm

João Luís Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando pela PUC-SP no programa Educação:Currículo; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie(SP); Professor universitário e Pesquisador.

http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=394
Para gostar de ler temos que incentivar a leitura entre a nova geração
“Para gostar de ler” é o título de uma coleção de livros lançada no início da década de 1980 e que se compunha basicamente de crônicas escritas por alguns dos mais expressivos e ilustres escritores brasileiros. Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade assinavam histórias deliciosas que ilustravam para os jovens leitores de então (entre os quais eu estava incluído) o cotidiano dos brasileiros de forma cômico, trágico, irônico, patético, melancólica.

Mais do que uma recordação de leitura agradável, o título desse artigo tem o interesse de despertar a atenção de educadores, pais e estudantes para uma grave e importante situação vivida nas escolas brasileiras há um bom tempo, ou seja, o desinteresse pela leitura.

Ler no contexto escolar virou sinônimo de tarefa, de remédio amargo (daqueles que temos que engolir para realmente melhorar de uma enfermidade) ou ainda, por incrível que pareça, de castigo. E o que podemos e devemos fazer em relação a isso? Apenas lamentar e continuar tocando o barco sem que nos responsabilizemos por um imprescindível resgate? Ou devemos nos ater a questão e pensar em algumas possibilidades de trabalho que valorizem essa ação tão básica para a educação quanto à água é para a sobrevivência dos seres humanos?

É isso mesmo, precisamos tanto da leitura quanto da água se queremos viver intensamente. É praticamente impossível imaginar que alguém seja capaz de desenvolver plenamente suas habilidades e competências se não tiver o agradável hábito da leitura. Ao lermos livros criamos um rico intercâmbio com autores e pesquisadores, com literatos e cientistas; somos capazes de entender a fotossíntese ou ainda de dar a volta ao mundo em oitenta dias (em pleno século XIX!); compreendemos melhor as semelhanças e diferenças entre os homens e aprendemos a nos relacionar melhor com a diversidade; entendemos um pouco de mecânica e também de filosofia...




A espontaneidade na busca por livros deve ser sempre o nosso objetivo,
se conseguirmos estimular nossos estudantes a realizar essa atividade independentemente de qualquer compromisso ou tarefa escolar teremos atingido as metas previstas!

Mas, o que podemos realmente fazer para estimular a leitura?

Talvez o primeiro passo seja oferecer alternativas de leitura para nossos estudantes e não apenas impor determinados títulos que respondam a necessidades imediatas e premências impostas pelas secretarias e delegacias de ensino. Ao invés de obrigar seus alunos a ler os títulos que irão ser cobrados no vestibular, dê-lhes uma lista com alguns títulos e permita que eles escolham qual livro gostariam de ler. Entre esses livros coloque alternativas como Machado de Assis, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Carlos Drummond de Andrade ou Lígia Fagundes Telles ao lado de autores que tenham menos requinte e sofisticação mas que sejam interessantes e populares como Júlio Verne, Agatha Christie, Paulo Coelho, J. K. Rowling, Dan Brown ou Jô Soares.

Isso se estivermos falando de adolescentes, estudantes que estejam cursando o Ensino Médio ou a 2ª fase do Ensino Fundamental (de 5ª a 8ª série). Afinal de contas queremos que eles leiam e se interessem pela leitura, que criem uma relação prazerosa com os livros e, para isso, temos que dar-lhes uma ampla gama de títulos pelos quais possam começar, mesmo que isso signifique abdicar de certos purismos que ainda prevalecem em nossas escolas no que se refere aos livros que podem ser oferecidos aos estudantes. Na verdade o trabalho de incentivo a leitura teria que começar muito mais cedo, para ser mais exato durante a alfabetização, exatamente no momento em que nossas crianças tomassem contato com as primeiras letras.



Ler histórias para as crianças e fazer com que elas entrem no clima das tramas relatadas
cria verdadeira empatia com a leitura entre os pequenos e leva ao cultivo desse salutar
hábito em etapas posteriores de suas vidas.

A curiosidade natural das crianças nesse estágio de suas vidas seria um combustível natural para mobilizar e consolidar a leitura desde que houvesse em casa e na escola um trabalho de incentivo por parte de pais e professores. Esse empenho por parte dos progenitores e também dos educadores teria que ser feito a partir da disponibilização de livros adequados a essas faixas etárias e também a seu desenvolvimento quanto à leitura.

A leitura compartilhada por parte dos adultos em relação às crianças também auxilia, e muito, a definir entre as crianças a atividade em questão como um grande prazer. Para isso é importante que pais e professores se sentem regularmente com as crianças e não apenas leiam as histórias dos livrinhos, mas também que eles se dediquem a dar vida aos textos que trabalham.

Isso significa, na prática, que eles devem dar entonações diferenciadas aos personagens, descrever em detalhes os ambientes, mobilizar-se fisicamente em relação à leitura para dar mais ênfase e destaque as situações relatadas e, depois, fazer que as crianças falem sobre o que ouviram, desenhem, releiam a história (individual ou conjuntamente) e que também escrevam sobre o que foi lido.

Outra importante iniciativa ainda nesse primeiro momento de contato entre as crianças e a leitura é a utilização das histórias em quadrinhos. Por muito tempo os quadrinhos foram condenados por educadores que desprezavam as qualidades gráficas, a técnica e também a criatividade dos grandes artistas do setor. Atualmente é praticamente consensual que a leitura de “revistinhas” pode ser uma atividade muito enriquecedora para as crianças.

Personagens como Mafalda, Mônica, Cebolinha, Asterix, Tintin, Recruta Zero, Garfield, Calvin, Mickey, Donald, Zé Carioca e tantos outros tem muito a conceder em termos de experiência, conteúdo, vocabulário e conhecimento para nossos pequenos estudantes. Nos quadrinhos há espaço para as discussões mais diversas possíveis:- das relações humanas a crise da economia, dos problemas da escola a degradação ambiental, da fome as vitórias no esporte,...




Há grande riqueza de idéias nas histórias em quadrinhos. Além dos textos apresentados
nos balões as crianças são incentivadas a deduzir e interpretar as expressões dos
personagens, o cenário em que as situações acontecem e, até mesmo, os detalhes
que compõem as cenas. É recurso valioso para levar as crianças a gostar de ler.
(Acima três ícones dos quadrinhos, a produção de Walt Disney, Asterix e Mafalda).

Agora, em qualquer etapa do desenvolvimento de nossos alunos é imprescindível que os mesmos percebam o quanto à leitura é agradável e importante para o crescimento pessoal e profissional de uma pessoa. Nesse aspecto é necessário que os professores e pais sejam coerentes quanto a sua atitude e ação. Isso significa que não adianta nada pregar em favor da leitura se, no caso, a realização freqüente de leituras não for prática corrente entre aqueles que pregam esse hábito.

Isso inclui a atualização através de revistas e jornais ou também da Internet, mas refere-se principalmente ao contato constante com livros. Professor que não lê regularmente não consegue se desenvolver e, obviamente, não atualiza seus conhecimentos e suas práticas, sua visão de mundo é estreita e a sua capacidade de se relacionar com as pessoas se atrofia. O fato do professor não ler também motiva os estudantes a questionar os motivos pelos quais eles teriam que realizar essa atividade...

A leitura no ambiente doméstico também serve como um referencial para a relação entre as crianças e os livros. Se os pais têm o hábito da leitura é muito provável que comprem, valorizem e estimulem a formação de uma biblioteca particular que será compartilhada com os filhos. A existência de um acervo e também o contato freqüente com jornais e revistas aumenta a curiosidade e leva as crianças e adolescentes a adquirir o hábito de folhear e ler livros, notícias e artigos.



É claro que em relação aos investimentos na leitura sempre irão surgir questionamentos, principalmente quanto aos custos decorrentes desse empreendimento. Nunca há dinheiro para livros, entretanto, estranhamente não faltam recursos para o churrasco do final de semana ou para ir a um show ou a uma pizzaria. É claro que não estou dizendo que não devamos mais nos divertir para comprar livros, apenas alerto para a necessidade de administrarmos melhor os nossos orçamentos para que possamos, aos poucos, montar nossos pequenos acervos e, dessa forma despertar o interesse em nossas crianças. O mesmo deve ser feito em relação às bibliotecas escolares e municipais, ou seja, que sejam reservadas verbas anuais prevendo a aquisição de mais títulos, mesmo que isso implique em adiar por algum tempo a atualização de algum equipamento ou uma pintura extra nas paredes da escola.



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