Apostila de novo testamento V: o apocalipse



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Centro de Formação Teológica



APOSTILA DE NOVO TESTAMENTO V:

O APOCALIPSE

PROF.: Pr. Alexandre Lessa da Silva

LIVRO BASE: Introdução ao Estudo do Novo Testamento.

AUTOR: Broadus David Hale

EDITORA: Hagnos

O APOCALIPSE
AUTOR: JOÃO, O APOSTOLO. (1: 1, 4, 9 e 22: 8).

DATA: 90-95 dC.


LOCAL DA ESCRITA: ILHA DE PATMOS. (1: 9).

Patmos é uma pequena ilha que fica no mar Icário, entre Icária e Leros, cerca de quarenta e cinco quilômetros a sudoeste, pelo oeste de Mileto. Ela estava na rota marítima de Éfeso a Roma. A ilha forma um crescente com suas pontas em direção ao leste. O local tradicional para o Apocalipse é na ponta do sul. As montanhas e o mar, nessa área, são refletidos, até certo ponto, por todo o Apocalipse. A indústria principal da ilha era a mineração do sal. Era uma colônia penal para os prisioneiros políticos de Roma.


DESTINATÁRIOS:

O autor endereçou sua obra às "sete igrejas que estão na Ásia" (1:4). Estas ainda são identificadas como sendo de Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia (1:11; 2:1-3:22).


PROPÓSITO:

Foi na província romana da Ásia Menor que o culto imperial foi o mais desenvolvido. Havia um grupo de oficiais romanos chamados concilia, cujo propósito era promover a adoração do imperador. Viajando de cidade em cidade, eles ouviriam acusações feitas contra aqueles que se recusavam a dizer que "César é Senhor". Estes seriam levados perante os concilia e teriam oportunidade de fazer a declaração em público. Se não o quisessem, seriam condenados como ateus, traidores do imperador e do Império, e suas propriedades poderiam ser confiscadas e o castigo apropriado atribuído. As condições na última parte do reinado de Domiciano haviam alcançado um ponto onde João havia sido banido para uma colônia penal na ilha de Patmos. Talvez João tivesse recebido informação de que os concilia estavam planejando forçar mais rigorosa­mente o culto e perseguir até a morte aqueles que não quisessem dizer que "César é Senhor". Em meio à ameaçadora tempestade de severa perse­guição, João escreveu a mensagem que recebeu; uma mensagem de perseverança e de vitória final. A mensagem foi dada para sustentar os crentes e dar-lhes coragem para permanecerem fiéis até a morte.


TEMA: O Conflito moral e espiritual das épocas.
INTRODUÇÃO:

O Apocalipse é o mais inspirador, não obstante ser o mais confundido de todos os escritos do Novo Testamento. Para muitos leitores, sua compreensão é tão difícil que eles o negligenciam completamente. Esta negligência é lamentável, porque, fora os Evangelhos e Atos, nenhum outro livro constitui tamanha fonte de fé e força para os crentes na luta contra o mal. O Apocalipse torna o céu tão real ao leitor que, na força de uma convicção bendita, ele recebe a coragem para continuar a batalha contra o mundo e todos os seus males.

Nenhum outro livro, no Novo Testamento, apresenta tantos problemas como faz este último livro de nossa Bíblia. Para muitos, ele não é um "desvendamento", mas permanece sendo algo "oculto". É bem evidente que este livro pertence a uma categoria literária diferente da dos "históricos" (os Evangelhos e Atos) ou "epistolares" (as Epístolas). A complexidade de seu tipo literário é evidente. Ele começa (1:4-6) e termina (22:21) como uma carta; contudo, contém cartas dentro do corpo (2:1-3:22). Ele é profético; contudo, é altamente simbólico. Os estudiosos do Novo Testamento colocam este livro numa classe de literatura cujo nome é derivado da primeira palavra do texto grego deste livro: apocalíptica. Talvez nenhum outro livro do Novo Testamento, por sua interpreta­ção, seja tão dependente de seu fundo histórico.
A NATUREZA DA LITERATURA APOCALÍPTICA

DEFINIÇÃO

Uma classe inteira de literatura deve seu nome à primeira palavra do texto grego do último livro de nossa Bíblia. A palavra é (apokálupsis). Este substantivo provém do verbo (apo-kalúptein), que significa "desvendar", daí "revelar". O adjetivo "apo­calíptico" é usado para qualificar escritos que têm certas afinidades com o Apocalipse do Novo Testamento. Foram feitas associações entre o Apoca­lipse e outras porções e livros da Bíblia, tais como Daniel e Ezequiel e estes são ditos conterem material apocalíptico em sua natureza. Depois foram feitas associações com escritos não-canônicos, tais como os Segredos de Enoque, e estes são também chamados "escritos apocalípti­cos". Desta forma, como o termo foi considerado como descritivo de muitos escritos que não poderiam ser classificados de outra maneira, o gênero literário recebeu seu nome. Basicamente, "apocalíptica" é a literatura não diferente do Apocalipse.



CARACTERÍSTICAS DA LITERATURA APOCALÍPTICA

A definição acima, de apocalíptico, precisa ser desmembrada em uma definição mais conveniente, para caracterizar este tipo de literatura. Embora nem todos os estudiosos concordem quanto às características elementares básicas, as seguintes são pelo menos mais evidentes:



Escatológica — Toda literatura apocalíptica é escatológica, mas as duas coisas não são idênticas. São feitas, acertadamente, distinções entre as duas. A escatologia pode existir e frequentemente existe nos escritos básicos, separada das seções apocalípticas. A própria natureza contingen­te do pensamento escatológico faz com que a escatologia se preste à expressão apocalíptica (mitológica). Por outro lado, o apocalíptico é sempre escatológico, seja explícita ou implicitamente. A escatologia olha para um tempo futuro, quando Deus irromperá catastroficamente no mundo do tempo e do espaço, para julgar sua criação. Há uma distinção a ser feita entre profecia escatológica e o apocalíptico.

Apocalipse: Tipo de forma literária encontrada no judaísmo entre os 200 aC e 200 dC. Nos livros apocalípticos trata-se da historia daquele tempo e do futuro, utilizando-se de símbolos e visões. Assim os perseguidores não entendiam a mensagem, e os leitores não corriam perigo de serem presos. Alguns desses livros eram pseudoepígrafos ( Enoque, Assunção de Moises, IV Esdras e muitos outros). O livro de Daniel 7:12 e o Apocalipse são apocalipses bíblicos.

Escatologia: Doutrina a respeito das ultimas coisas ( segunda vinda de Cristo, ressurreição, juízo final, céu e inferno).

Significação Histórica: O apocalíptico mantém a tensão entre a história e o éschaton. O apocaliptista escreve dentro de uma estrutura histórica para assegurar o leitor acerca da intervenção divina. Isto é caracteristicamente feito retraçando-se a história na forma de profecia, para falar às condições da época da escrita. Os elementos da situação histórica real são representados pelas imagens do livro.

SIMBOLISMO:

Provavelmente, a característica principal da litera­tura apocalíptica é o uso de símbolos para apresentar a mensagem esca­tológica. Através de séculos de desenvolvimento, um estoque comum de símbolos e figuras de discurso remarcáveis emergiram. Como pode alguém colocar em termos inteligíveis uma experiência espiritual? A in­terpretação de ideias, princípios e realidades espirituais é tornada fácil para aquele que sabe usar os símbolos. Para os não iniciados, a mensa­gem permanece sendo um mistério. Desta forma, o escritor faz uso de símbolos para "revelar" a mensagem àqueles que estão familiarizados com o processo, e a mensagem é ocultada àqueles que não estão. Na linguagem do apocaliptista, os símbolos são muito significativos, pretendidos a ser um instrumento de uma carreira definida e importante de pensamento. Estes livros não foram escritos para amedrontar ou confundir o leitor; eles foram escritos para ajudá-lo a entender a obra de Deus em levar esta era a um fim. Entre as numerosas figuras simbólicas, aparece o uso de números. Desde os tempos mais remotos, os homens associaram ideias com números, e vagarosamente desenvolveu-se a ciência de numerologia, denominada gematria. Os números eram usados para expressar conceitos, ideias e princípios. Os seguintes são de importância para nós, porque ocorrem no Apocalipse ou são básicos para a compreensão daqueles que ocorrem.

O número "1" veio a ser associado com o princípio de unidade ou de existência independente. Ele forma a raiz para a palavra "unidade". Desta forma, Israel foi exortado a dizer: "O Senhor nosso Deus é o único Senhor" (Dt. 6:4).

O número "2" é a duplicação de "1" e representa força. No Velho Testamento, duas testemunhas eram necessárias para confirmar qualquer fato. Jesus enviava seus discípulos de "dois em dois", por razões óbvias. O número aparece no Apocalipse em referência às "duas testemunhas" (11:3-12) e as duas "bestas" (13:1-18).

Sugestivo do círculo familiar completo é o número "3". A família representava a unidade social ideal sobre a terra: amor de pai, amor de mãe e amor filial. Isto assumiu o conceito do amor divino e finalmente de Deus mesmo, e isto se transportou à ideia da Trindade. Portanto, em gematria o número "3" simboliza o divino.

O universo físico era simbolizado pelo número "4". Havia quatro ventos, quatro direções, quatro cantos ou lados do mundo. "4" era o número cósmico. No Apocalipse, há as "quatro criaturas viventes, os "quatro cavalos e cavaleiros", e "quatro anjos junto ao rio Eufrates".

Os homens viviam, trabalhavam e morriam num mundo simbolizado pelo número "4".

"5" é o número do próprio homem. Em cada mão estão cinco dedos, e em cada pé, cinco dedos. Quando o número é dobrado para "10", este simboliza a inteireza humana. Um homem perfeito tinha dez dedos nas mãos e dez dedos nos pés; daí, sendo um homem perfeito. Dez manda­mentos foram dados como o dever total do homem para que ele fosse perfeito em sua sociedade. O Apocalipse fala de "dez chifres" (poder humano completo) e "dez dias" (tempo humano completo). Os múltiplos de dez também foram usados para mostrar inteireza: 10x10x10 = 1.000 (inteireza última); 12 x 12 x 10 x 10 x 10 = 144.000 (o número completo do povo de Deus sobre a terra).

Para os povos antigos, "6" era o número do mal, porque estava aquém de "7", o número sagrado da perfeição. Uma das palavras hebraicas básicas para "pecar" significa "errar o alvo". Isto é o que o número "6" significa. Ele simboliza o mal, porque, como o pecado, erra o alvo da perfeição. O próprio número, em sua pronúncia, tem o chiado da serpente.

Na gematria que se desenvolvia, o número divino "3" e o número cósmico "4" eram unidos para dar "7", o número sagrado da perfeição. Isto era a terra coroada com o céu; o universo físico e o espiritual unidos. O número "7" é muito usado no Apocalipse: sete espíritos, sete igrejas, sete candelabros, sete estrelas, sete selos, etc. "7" multiplicado pelo número completo "10" produz "70". Jesus enviou setenta homens preparados para uma obra especial. As Escrituras hebraicas foram traduzidas para o grego e denominadas a Septuaginta (70).

Outro número usado no apocalíptico é o "12". Isto é, 3 x 4, e tornou-se o símbolo para o povo de Deus: a religião organizada. Será lembrado que havia doze tribos em Israel, e Jesus escolheu doze apóstolos. O número duplicado é "24" e no Apocalipse há "24" anciãos ao redor do trono, representando o povo de Deus dos dias do Velho Testamento e os do movimento cristão. 12 x 12 x 10 x 10 = 144.000, o número completo, simbolizando a segurança perfeita do povo de Deus sobre a terra.

Um outro número aparece no Apocalipse, um meio-número: "3 1/2". Isto é a metade de "7" e significa um período de tempo curto e indefinido. No Apocalipse, este aparece com "3 1/2 anos", "42 meses" e "1.260 dias". Representa instabilidade, confusão, insatisfação por um período de tempo indefinido.


O APOCALIPSE E A LITERATURA APOCALÍPTICA

Após discutir a natureza desta classe de literatura, deve ser determi­nado se o último livro do Novo Testamento deve ser considerado apoca­líptico. Ao primeiro pensamento, isto pode parecer ilógico, porque o gênero inteiro da literatura deve seu nome à primeira palavra de nosso Apocalipse canônico. Também, na primeira definição dada acima, foi afirmado que esta classe não é "diferente de nosso Apocalipse". No mínimo, a definição é que a forma (mito judaico ou gentio), o conteúdo (escatologia) e a função (propósito) constituem a literatura apocalíptica. Assim sendo, o último livro de nossa Bíblia é apocalíptico por definição.



Numa leitura do Apocalipse, pode-se encontrar várias características desta literatura mencionadas acima. Há um uso extensivo dos símbolos, e as visões e a gematria desempenham uma parte importante como veículos para a mensagem. A escatologia certamente é preponderante no que diz respeito ao conteúdo, e o propósito básico foi o de encorajar o leitor cristão à fidelidade durante um período difícil na história do cristianismo. João fez grande uso da forma (símbolos) e da função (propósito) para apresentar sua mensagem escatológica (conteúdo). O que não é tão evidente, todavia, são as dessemelhanças entre o Apocalipse e todos os outros livros deste gênero. João se libertou de muitas maneiras, do esquema normal do apocalíptico, e estas diferenças são importantes o bastante para separar este livro de todos os outros desta classe, tanto que G.E. Ladd levantou uma pergunta como título para um importante artigo: "Por Que Não Profético-apocalíptico”? As seguintes são algumas das principais diferenças entre o Apocalipse e outros escritos deste gênero:

O Apocalipse Não Ê Pseudônimo — Embora nem todos os estudio­sos concordem quanto à identidade do autor, há quase que acordo universal de que "João", quem quer que ele fosse, foi uma pessoa real, que escreveu sob seu próprio nome (1:4,9; 22:8). Ele não escreve no nome de uma figura proeminente do passado. Ele escreve com a convicção de que Deus lhe deu uma mensagem pastoral às igrejas para as quais ele foi feito supervisor. A estrutura epistolar não é a forma apocalíptica tradicional, e é evidente que este livro foi feito para ser lido em voz alta nas igrejas às quais ele é endereçado. João escreveu a cristãos que o conheciam, e ele usou seu próprio nome, ao escrever.

O Apocalipse É Profético — Uma das características do apocalíptico é uma defesa radical das pessoas com que o autor se identifica. Isto não é inteiramente verdadeiro no que diz respeito ao Apocalipse. O autor realmente se identifica com o grupo perseguido, mas não dá somenos importância aos pecados dessas pessoas. Há uma repetida chamada à confissão e ao arrependimento e ao viver moral e ético. Por esta razão, o escritor está mais em linha com os profetas do Velho Testamento do que com os apocaliptistas do judaísmo. Ao passo que os apocalipses judaicos tinham uma visão muito pessimista dessa era, os profetas do Velho Testamento e João interpretam a situação presente como estando sob o controle de Deus, que está continuamente revelando-se, para efetuar a salvação de sua criação. A vantagem que João desfrutou sobre os profetas do Velho Testamento é a Encarnação histórica. A situação da qual João escreve não é como os apocaliptistas proclamam um prelúdio para uma intervenção escatológica, mas deve ser interpretada à luz dos dois adventos do Cordeiro, pelos quais e nos quais todas as forças da impiedade que se opõem à justiça serão destruídas. O autor do Apocalipse chama sua obra uma profecia (1:3; 10:11; 19:10;22:7, 10, 18,19). A his­tória não é retraçada na forma de profecia; antes, João fala de sua própria época, olhando para o futuro, quando a difícil perseguição que a Igreja enfrenta será destruída.

A Interpretação das Visões — Há uma notável diferença no uso de visões pelo escritor de nosso Apocalipse, em comparação com outros apocalípticos. O método usual é o escritor ter um guia celestial para interpretar cada visão e símbolo para o vidente. No Apocalipse isto é raramente feito (uma exceção observável é 17:7-18). Geralmente João apresenta apenas a visão ou símbolos e deixa o leitor fazer a interpretação. Há uma abertura acerca da verdade escatológica, no Apocalipse, que é reanimadora em sua novidade, a qual, no apocalíptico comum, é apenas conhecimento esotérico secretamente preservado desde os tempos antigos. Para o leitor do Apocalipse, a história atual é escatologicamente interpre­tada para encorajar o cristão em sua difícil situação.

Estas são apenas três das diferenças aparentes entre o Apocalipse de nossa Bíblia e outros escritos apocalípticos. Há outras diferenças, que alguns estudiosos proporiam. Alguns diriam que essas diferenças são bastan­tes para classificar o Apocalipse como um livro de profecia e excluí-lo do gênero do apocalíptico. Sem dúvida, o Apocalipse, por definição, pertence a esta classe. Contudo, igualmente importante são as diferenças entre este livro e todos os outros desta classe. Talvez o termo proposto por Ladd, "profético-apocalíptico", seria mais apropriado para o último livro de nossa Bíblia. João usou muito do aparato tradicional do apocalíptico para apresentar uma mensagem profética. Ele foi criativo o bastante para usar algumas das formas de apocalíptico para transmitir uma mensagem dramática de teologia distintiva. Ele era um verdadeiro profeta cristão, usando termos apocalípticos para oferecer a mensagem da "revelação de Jesus Cristo" (1:1).



MÉTODOS DE INTREPETAR O APOCALIPSE

A maneira de se interpretar o Apocalipse depende grandemente do método. Através dos séculos, muitos métodos foram propostos, resultando em várias interpretações diferentes. Nenhum outro livro do Novo Testa­mento foi interpretado de tantas maneiras diferentes. Como resultado, o Apocalipse tem sido um livro que as pessoas confundem, fazendo com que alguns se separem do mundo, para aguardar a consumação, enquanto, outras vezes, pessoas se encorajam a tomar uma posição heroica contra as forças do mal. O problema, na interpretação, não está tanto no trato do material pelo autor como no fato de que, através dos anos, o fundo histórico e o caráter literário foram depreciados e completamente perdidos. Os primeiros leitores aparentemente entenderam o significado, em virtude do conheci­mento que tinham, mas este conhecimento perdeu-se para as gerações subsequentes, e o Apocalipse, desde então, tem sido um mistério. A escola bíblica moderna tem desempenhado uma parte importante no redescobrimento deste fundo histórico e, assim, está tornando este livro mais inteligível à cultura contemporânea. Os títulos de métodos de interpretação que seguem são usados por vários estudiosos para descrever seu próprio método e o de outros. Frequentemente os estudiosos usarão o mesmo método, mas com um nome diferente. Tentamos reunir sob um nome uma teoria que talvez tenha um ou mais outros nomes. A lista não é exaustiva; ela representa a maioria das aproximações feitas ao estudo do Apocalipse.



TEORIAS PRETERISTAS

No sentido estrito do termo, isto significa que todo o Apocalipse se cumpriu no passado, nos dias do Império Romano. A premissa básica daqueles que mantêm esta aproximação é que o Apocalipse é um retrato das condições do Império na última parte do primeiro século. A profecia se há mesmo alguma profecia no livro, foi cumprida há muito tempo atrás. Este método tenta entender e interpretar o apuro da igreja do primeiro século durante sua crise. A primeira apresentação sistemática desta posição foi uma polêmica, por um monge jesuíta do século dezessete, Alcazar, contra os reformadores, que haviam usado o Apoca­lipse para identificar o Papa com o anticristo. Alcazar escreveu para provar que o Apocalipse não tinha nenhuma aplicação àquela época nem no futuro, pois tudo havia sido completado. Alguns que se atem a esta posição concebem um juízo final e um estado aperfeiçoado a ocorrerem no fim.



TEORIAS FUTURISTAS

Este método interpreta o Apocalipse como sendo somente para o tempo imediatamente anterior e seguinte ao segundo advento. Esta teoria iniciou-se com Ribeira (1585), como uma polêmica contra os ataques dos protestantes pela Roma papal (a Reforma Protestante era a 'besta'!). Este método é o completo oposto das teorias preteristas. Inteiramente escatológico, o Apocalipse pretende ser um livro de profecias não cumpridas (especialmente após 4:1), e tanto quanto possível deve ser interpretado literalmente. Também mostra que existem duas variações principais neste grupo. Uma é denominada "Dispensacionalismo", e a outra simplesmente nega esta. A teoria dispensacionalista originou-se com John N. Darby, o fundador dos "Plymouth Brethren", e foi sistematizada e popularizada pela Schofleld Bible. Estes escritores mantêm que Jesus veio à primeira vez para estabelecer o Reino, mas, mediante sua rejeição por seu próprio povo (os judeus), a Igreja foi estabelecida como um parêntese na história, até o tempo em que ele finalmente estabeleça o Reino sobre a terra. O tempo presente é denominado a "era da Igreja" ou a "dispensação do Espírito Santo". A história do mundo pode ser dividida em seis dispensações, cada uma sendo denominada para a maneira pela qual uma pessoa poderá, nesse tempo, ser salva. A "era da Igreja" é a quarta dispensação, e o reino milenar será a quinta, seguida pela renovação da terra, como a sexta, que então abrirá o caminho para a sétima: a eternidade. A Igreja é um ajuste temporário no plano de Deus. Ela será "arrebatada" (tirada do mundo) no final da era da Igreja", e será revelada", sete anos mais tarde, no início do milênio. Os não-dispensacionalistas (e até mesmo alguns dispensacionalistas) negam qualquer distinção entre o "arrebatamento" e a "revelação", e mantêm que tudo passará através da "grande tribulação". Este grupo também considera o Israel apocalíptico como literal e, desta forma, insiste em uma restauração literal do reinado de Israel. Tenney observa acerdatamente que, quanto mais literalmente se considera o Apocalipse, mais fortemente se será um futurista.

É verdade que o Apocalipse contém profecia acerca da vinda de Cristo. Isto é importante, porque o grande evento do futuro é a vinda de Cristo, e todos os outros eventos derivam sua importância nele. O leitor moderno, assim, fica na mesma atmosfera de expectação que o escritor do Apocalipse. O autor escreveu que os eventos deviam, na maior parte, acontecer breve.

TEORIAS HISTÓRICAS

Este método é geralmente aproximado de duas maneiras: ou pelo método "histórico contínuo" ou pelo "histórico sincrônico". A aproxi­mação histórico-contínua mantém que o Apocalipse é uma epítome profética da história da igreja, desde a época de João até a consumação. O argumento em favor desta teoria é afirmado na base da menção de dois términos: o dia em que o autor viveu e o dia do fim. Esta é a visão protestante típica no fato de que ela fez o Apocalipse profetizar em detalhes a apostasia da Igreja Romana. Por este método, a série de sete igrejas, sete selos, sete trombetas e sete taças se faz representar nos eventos específicos na história do mundo. Estes consideram a cronologia do livro seriamente, e, achando profecias específicas acerca dos eventos nos seus próprios dias, cada geração declarou confiantemente que o fim do mundo está próximo, às portas.

A aproximação histórico-sincrônica é um resultado do que foi denomi­nado a "teoria da recapitulação", de Vitorino, do quarto século. Esta teoria ensina, que as séries de sete são realmente paralelas, cada série começando próximo à época de João e estendendo-se até o fim dos tempos. O problema que existe com este método (o histórico) é que a identificação exata com eventos da história passada em relação aos tempos modernos nunca foi totalmente explicada ou estabelecida. Se um evento devesse ser de valor para o leitor como uma indicação sobre onde ele (o leitor) pertenceu ao processo histórico, este evento seria identificável com grande certeza. Este método também exige a teoria da profecia de "ano-dia", que significa que um dia na profecia é sempre um ano. A "besta" que deve ter poder por "quarenta e dois meses", na realidade, tê-lo-á por 1.260 anos. Esta teoria nunca foi totalmente estabelecida.

COMO ENTENDER A DIVISÃO DO LIVRO DE APOCALIPSE

A CORRENTE PÓS-MILENISTA

Crê que o mundo vai ser cristianizado e que teremos um grande e poderoso reavivamento e o crescimento espantoso da igreja ao ponto da terra encher-se do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar (Hc 2:4).

Essa corrente foi forte no século XVIII e XIX quando as missões estavam em franca expansão. Homens como Jonathan Edwards, Charles Hodge e Loraine Boetner foram defensores do Pós-Milenismo. Muitos missionários foram influenciados por esta interpretação, bem como muitos hinos foram escritos inspirados por esta visão.

A CORRENTE PRÉ-MILENISTA

Os Pré-Milenistas históricos ou moderados distinguem dos amilenistas em poucos aspectos: Reino e ressurreição. Porém os Pré-Milenistas dispensacionalistas ou extremados têm vários ensinos estranhos às Escrituras:

a) Distinção entre Igreja e Israel no tempo e na eternidade.

b) O Reino de Deus adiado para o Milênio terreno.

c) A crença num arrebatamento secreto, seguido de uma segunda vinda visível.

d) A ideia de que a igreja não passará pela grande tribulação a igreja será poupada da ira de Deus, mas não da tribulação. A tribulação não é a ira de Deus contra os pecadores, mas, sim, a ira de Satanás, do anticristo e dos ímpios contra os santos. .

e) A ideia que teremos várias ressurreições.

f) A ideia de que haverá chance de salvação depois da segunda vinda de Cristo.

A CORRENTE AMILENISTA OU ESPIRITUAL

O livro de Apocalipse deve ser visto não como uma mensagem que registra os fatos em ordem cronológica, mas temos no livro sete seções paralelas e progressivas. Cada seção descreve todo o período que compreende da primeira à segunda vinda. Cada sessão descreve uma cena do fim. A cena do fim vai ficando cada vez mais clara e até chegar ao relato apoteótico da última sessão. Essas sete seções estão divididas em dois grandes períodos (1-11) e (12-22). A primeira descreve a perseguição do mundo e ímpios e a segunda a perseguição do dragão e seus agentes.



Primeira Seção (1-3) - Os sete candeeiros:

Qual é a lição dessa seção? É que Cristo tem o controle da igreja em suas mãos.

Encontramos aqui Jesus uma descrição do Cristo que morre, ressuscita e vai voltar (1:5-7).

A morte e ressurreição de Cristo é o começo da era cristã, e o juízo final é o término da era cristã.



Segunda Seção (4-7) - Os sete selos:

Qual é a mensagem dessa seção? É que ele tem o controle da história em suas mãos (5:5). Contemplamos sua morte (5:6), mas essa seção encerra com uma cena da segunda vinda de Cristo (6:6-12 e 7:9-17). Notemos a impressão produzida nos incrédulos pela segunda vinda (6:16-17) . Agora a felicidade dos salvos (7:16-17). A segunda seção é uma reiteração da primeira seção. Sua revelação vai do princípio ao fim dos tempos, ao juízo final. E nos é mostrado à diferença entre os remidos e os perdidos.



Terceira Seção (8-11) - As sete trombetas:

Nesta visão vemos a igreja vingada, protegida e vitoriosa. Havendo começado com o Senhor como nosso sumo sacerdote no capítulo (8:3-5), avançamos até o juízo final em (10:7; 11:15-19). Uma vez mais estamos tratando das mesmas coisas - O senhor e sua igreja e o que lhes sucede no mundo, o juízo final, os redimidos e os perdidos. As trombetas são avisos antes do derramamento completo das taças da ira de Deus. Antes de Deus punir finalmente, ele sempre avisa.



Quarta Seção (12-14) - A tríade do mal:

Novamente voltamos ao início, ao nascimento de Cristo (12:5). Depois vem a perseguição do Dragão a Cristo e à igreja (12:13). Ele levanta a besta e o falso profeta. Finalmente, vem à cena do juízo final (14:8). Em (14:14-20) há uma cena clara do juízo final.



Quinta Seção (15-16) - As sete taças:

Descreve as sete taças da ira, representando a visitação final da ira de Deus sobre os que permanecem impenitentes. Uma vez mais a cena começa no céu relatando o Cordeiro com seu povo. Mas no capítulo 16 vemos uma espantosa descrição do juízo (16:15,20). Aqui a destruição é completa.



Sexta Seção (17-19) - A derrota dos agentes do Dragão:

Há um relato da destruição dos aliados do Dragão: A meretriz (18:2), a besta e o falso profeta, os seguidores da besta e em contrapartida a igreja é apresentada como esposa de Cristo (19:20). A grande festa das núpcias ocorre; o juízo final chegou outra vez e a uma grande distinção entre redimidos e perdidos ocorre novamente. No capítulo 19 há uma descrição detalhada da gloriosa vinda de Cristo (19:11-21).



Sétima Seção (20-22):

Essa seção mostra o Reinado de Cristo com as almas do santos no céu e não o milênio na terra depois da segunda vinda. O capítulo 20 começa na primeira vinda e não depois da segunda vinda. Então temos a descrição do juízo final (20:11-15). Após isso, vemos os novos céus e a nova terra e a igreja reinando com Cristo para sempre.



CONCLUSÃO

Apesar de essas seções serem paralelas, elas são também progressivas. A última seção leva-nos mais além para o futuro que as outras. Apesar do juízo final já ter sido anunciado em (1:7) e brevemente descrito em (6:12-17), não é apresentado detalhadamente senão quando chegamos a (20:11-15). Apesar do gozo final dos redimidos já ter sido insinuado em (7:15-17), não encontramos uma descrição detalhada senão quando chegamos em (21:1-22:5).



CRISTO REVELADO

         Quase todos os títulos usados em várias partes do NT para descrever a natureza divino– humana e a obra redentora de Jesus são mencionados pelo menos uma vez no Apocalipse, que junto com uma série de títulos adicionais, nos fornece uma revelação multidimensional da posição presente, do ministério contínuo e da vitória definitiva do Cristo exaltado.


Embora o ministério terreno de Jesus seja condensado entre sua encarnação e ascensão em (12:5), o Apocalipse afirma que o Filho de Deus, como Cordeiro, terminou completamente sua obra de redenção (1:5-6). Através de seu sangue, os pecadores foram perdoados, purificados (5:6,9; 7:14; 12:11) liberados (1:5) e fizeram reis e sacerdotes (1:6; 5:10). Todas as manifestações resultantes de sua vitória aplicada baseiam-se em sua obra terminada na cruz; portanto, satanás foi derrotado (12:7-12) e preso (20:1-3). Jesus ressuscitou dos mortos e foi entronado como Soberano absoluto sobre toda a criação (1.5; 2.27). Ele é o “Reis dos reis e o Senhor dos senhores” (17.14; 19.16) e deve receber a mesma adoração que recebe de Deus, o Criador.

O único que é “digno” para executar o propósito eterno de Deus é o “Leão de Judá”, que não é um Messias político, mas um Cordeiro (5:5,6). “O Cordeiro” é seu título primário, utilizado vinte e oito vezes em Apocalipse. Como aquele que conquistou, ele tem a legítima autoridade e poder de controlar todas as forças do mal e suas consequências para seus propósitos de julgamento e salvação (6:1-7.17). O Cordeiro está no trono (4:1-5:14; 22:3).

         O Cordeiro, como “um semelhante ao Filho do Homem”, está sempre no meio de seu povo (1:9-3.22; 14:1), cujos nomes estão registrados em seu livro da vida (3:5; 21:27). Ele os conhece intimamente, e com um amor incomensuravelmente sagrado, ele cuida, protege, disciplina e os desafia. Eles compartilham totalmente sua vitória presente e futura (17:14; 19:11-16; 21:1-22:5), bem como a “ceia das bodas” (19:7-9; 21:2) presente e futura. Ele habita neles (1:13), e eles habitam nele (21:22).  

Como “um semelhante ao Filho do Homem”, ele também é o Senhor da colheita final (14:14-20). Ele derrama sua ira em julgamento sobre satanás (20:10), seus aliados (19:20; 20:14) e sobre os espiritualmente “mortos” (20:12,15) – todos aqueles que escolheram “habitar na terra”. O cordeiro é o Deus que está chegando (1:7-8; 11:17; 22:7,20) para consumar seu plano eterno, para completar a criação da nova comunidade de seu povo em “um novo céu e uma nova terra” (21:1) e restaurar as bênçãos do paraíso de Deus (22:2-5). O Cordeiro é a meta de toda a história (22:13).



APOCALIPSE — ESBOÇO

A PARTE EPISTOLAR (Capítulos 1-3)

INTRODUÇÃO (1:1-20)

I — Sobrescrita (1:1-3)

II — Saudação (1:4-8)

III — Comissão (1:9-20)

AS CARTAS ÀS SETE IGREJAS DA ÁSIA (2:1-3:22)

I — Éfeso (2:1-7)


II — Esmirna (2:8-22

III— Pérgamo (2:12-17)

IV— Tiatira (2:18-29)

V— Sardo (3:1-6)

VI — Filadélfia (3:7-13)

VII — Laodicéia (3:14-22)

LIVROS DE VISÕES (Capítulos 4-22) LIVRO I (4-11)

A SOBERANIA DE DEUS (Cap. 4,5)

I — Deus Criador (Cap. 4)
II — Deus Salvador (Cap. 5)

O CONTROLE DE DEUS SOBRE A HISTÓRIA (Caps. 6,7)

I— Sobre os ímpios (Cap. 6)
II — Sobre os Justos (Cap. 7)

A CERTEZA DO JUÍZO (Caps. 8-11)

I — Quatro Trombetas: Julgamento dos Ímpios (Cósmico) (Cap. 8)

II — Duas Trombetas: Ais Contra os Ímpios (Pessoal) (Cap. 9)



  1. Interlúdio de Segurança aos Justos (Cap. 10)

  2. — A Última Trombeta: Ai Final Contra os Ímpios (Cap. 11)

LIVRO II (Capítulos 12-22)

A SITUAÇÃO DA IGREJA (Caps. 12-14)

I — A Igreja no Deserto (A Mulher e o Filho-Varão) (Cap. 12)

II — A Fonte da Perseguição (As Duas Bestas) (Cap. 13)


III — Segurança dos Crentes (Cap. 14)

A IRA DE DEUS (Caps. 15,16)

I — O Cenário (Cap. 15)

II — A Ira Derramada (Cap. 16)

A DESTRUIÇÃO DE ROMA (Caps. 17,18)

I — O Cenário (Cap. 17)

II — A Destruição Derramada (Cap. 18)

A VITÓRIA DE CRISTO (Caps. 19,20)

A CONSUMAÇÃO (21:1-22:5)

EPÍLOGO (22:6-20)


BÊNÇÃO (22:21)

TRABALHO A SER FEITO:

Tema:

As cartas às sete igrejas da Ásia, Éfeso, Pergamo, Sardes, Filadélfia, Esmirna, Tiatira e Laodicéia.



Dissertar sobre:

- O propósito geral das cartas.

- O motivo da escrita.

- As características das cidades.

- As religiões da época.

- Correlação histórico-tipológico das sete igrejas.

- Etc..

Observações:

Mínimo 5 laudas de conteúdo, dentro das regras da ABNT.



Um bom trabalho a todos, Deus abençoe”.

Duvidas: 22-9.99219957 / 22-9.8828456



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