Apocalipse



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Capítulo VII


1. “E DEPOIS destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma”.

I. “...depois destas coisas”. O capítulo 7 deste livro do Apocalipse é um parêntese da graça. Neste capítulo temos duas visões distintas: a primeira referente a Israel (7.1-8); a segunda refere-se aos gentios salvos na Grande Tribulação (7.9-17). O leitor deve já estar familiarizado com algum “episódio” que são intercalados no decorrer deste livro. O Sr. Mc Conkey, se refere aos mesmos como “inserções”. O leitor pode perguntar: essas “inserções” fazem parte do conteúdo do livro? respondemos que sim! Há certa diferença no método de apresentação. A secção celestial é cronológica: cada acontecimento é numerado. Mas a secção terrena é tópica, e algumas vezes há emprego de símbolos. No caso de acontecimentos numerados, como por exemplo os selos e as sete trombetas, a regra é: quando os acontecimentos são numerados, têm lugar obedecendo a ordem numerada. Assim a secção celestial é contínua. Nada está fora de lugar; tudo está em sua própria ordem.

1. O trecho de Ap 6.17 promete a ira divina contra os rebeldes. Este sétimo capítulo mostra que essa “ira” não poderá ser descarregada contra os “assinalados”, os quais estão justificados em Cristo. No presente versículo João contempla: “quatro anjos que estava sobre os quatro cantos da terra”. Os antigos povos pensavam que a terra fosse quadrada, e, portanto, dotada de quatro cantos. Os filósofos gregos e jônicos (600 a.C.) modificaram esse conceito, pensando ser a Terra um disco. O profeta Daniel (607 a.C.), teve uma visão sobre “os quatro ventos do céu” (Dn 7.2); o profeta Zacarias (520 a.C.) viu também em sua futurística visão algo semelhante (Zc 6.5). No presente texto, porém, os ventos são dos “quatro cantos da terra” e não do céu. Isso significa: os quatro ventos dos quatro pontos cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste). Os quatro ventos cardeais simbolizam também os poderes celestiais e esses poderes põem em movimento as nações do mundo.

2. “E vi outro anjo subir da banda do sol nascente, e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar”.

I. “...outro anjo subir da banda do sol nascente”. João em sua visão futurística vê a terra como uma grande superfície quadrada, com um anjo em cada um dos quatro cantos. Mas algo especial, novamente lhe chama atenção: vê outro elevado poder angelical “subir da banda do oriente”, ou seja, do oriente em direção à Palestina. O elevado poder angelical, tinha o selo do Deus vivo; ele gritou aos quatro anjos que não danificassem a terra até que fossem “assinalados” 144.000 israelitas separados para Deus e o Cordeiro.

1. O Deus Vivo. O Deus Eterno está em foco nesta passagem. Russell Norman: ressalta: “temos aqui um título dado freqüentemente a Deus no Antigo Testamento; também nos escritos judaicos e helenistas, salientando o fato de que Deus é a única deidade verdadeira, em contrate com os “ídolos mortos” do paganismo, que não têm vida, e, portanto, não têm poder”. O leitor deve ainda consultar as seguintes passagens sobre “O Deus Vivo” no Novo Testamento (Jo 6.69; At 14.15; Rm 9.26; 2Co 3.3; 1Ts 1.9; 1Tm 4.10; Hb 3.12; 10.31; 12.22). O Deus vivo confere vida aos homens, a saber, a sua própria modalidade de vida, de tal modo que os remidos virão a participar da imagem e natureza do Seu Filho Jesus que também é a vida.

3. “Dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos assinalados nas suas testas os servos do nosso Deus”.

I. “...assinalado nas suas testas”. O Apocalipse em sua magnitude é um livro de selo e assinalação. Em muitas de suas passagens (13.16, 17; 14.9; 16.2; 19.20 e 22.4) vemos todo o exército da Besta assinalado em sua testa. Isto parece ser uma antítese desta passagem aqui em foco. Portanto, todo o povo de Deus é marcado. O profeta Ezequiel no capítulo 9 de seu livro, descreve também uma companhia de homens assinalados (v. 4). O sinal posto pelo homem vestido de linho sobre eles, protegia dos juízos de Deus sobre a rebelde cidade 9v. 6). O trecho de Isaías 44.5 menciona a “inscrição” do nome de Deus sobre as mãos dos fiéis, para identificá-los como pertencentes a ele. (Ver um simbolismo disso em Ap 14.1; talvez este versículo terceiro seja um paralelo). Esse é um dos tipos de selo. A passagem de Ezequiel: 9.1-8 encerra cena similar a esta, quando seis anjos são retratados como preparados para destruir Jerusalém, quadro então aparece um outro personagem (o homem vestido de linho), e “marca com um sinal as testas dos homens que suspiram...” (vs. 4, 11).

4. “E ouvi o número dos assinalados, e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel”.

I. “...cento e quarenta e quatro mil”. Na passagem de Apocalipse 7.4-8 os judeus selados (diferentes da multidão gentia) são numerados, e as tribos são cuidadosamente separadas. Em números precisos, há 144.000 judeus selados. Estes judeus são salvos no início da Grande Tribulação e são selados a fim de passarem por ela. É o remanescente judaico preservado do martírio. Existe sempre uma pergunta a respeito dos 144.000 por parte dos estudantes da Bíblia: é a Igreja representada? Observando com atenção os textos e contextos em foco, fica terminantemente esclarecido quem são os 144.000. O Espírito de Deus diz que são “...de todas as tribos dos filhos de Israel”. Na verdade a palavra “Israel” nunca é usada para a Igreja, a não ser em Gl 6.16; mas há divergência sobre a exegese deste texto. Passagem também similar pode ser vista em Gl 3.29: “E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa”.

1. É evidente que, mesmo havendo estes textos que colocam Abraão na condição de “pai de todos os que crêem” (cf. Rm 4.11); mesmo assim, os crente cristãos não pertencem às doze tribos de Israel, ainda que alguns eruditos os comparem com o “Israel de Deus” (Gl 6.16), porém, nessa passagem isso não tem sentido. Os 144.000, pois, são, necessariamente israelita: estes constituem o remanescente do povo terrestre de Deus – são eles, sem dúvida, os pregadores do “Evangelho do Reino” durante a Grande Tribulação. Alguns teólogos têm procurado ver neste texto e nos que se seguem apenas um número simbólico, e não literal, dizendo que esse número se derivaria do conceito dos “setenta”; que simbolizaria a totalidade de Israel (Gn 46.27) ou se derivaria da Igreja, representada em seus líderes (Lc 10.1); comparam, ainda com as setenta nações” do livro de Gênesis. A forma mais completa poderia ser “setenta e dois” e seria simbolicamente representado por 72 x 2.000 = 144.000. Nós aceitamos a interpretação literal oferecida pelo texto divino; os 144.00 são israelitas, e conseqüentemente, 12 mil de cada tribo. Não nos deixemos levar por preconceitos contra os judeus, a pensar que os 144.000 não serão israelitas. Lembremos-nos de que todos os profetas eram judeus. Jesus era judeu. O escritor do Apocalipse era judeu. Todos os Apóstolos (com exceção de um?) eram judeus. A própria salvação vem dos judeus (cf. Jo 4.22).

5. “Da tribo de Judá, havia doze mil assinalados: da tribo de Rubem, doze mil: da tribo de Gade, doze mil”.

I. “...da tribo de Judá, etc”. Diz o Dr. Joseph A. Seiss em seu livro: “Todos os nomes judaicos têm significação, e o sentido dos nomes dados aqui não é difícil de ser descoberto”. O texto em foco cita tr&es nomes: Judá, Rubem e Gade. Seguiremos aqui o Dr. Norman numa breve interpretação:

1. Judá significa confissão ou louvor a Deus; Rubem quer dizer eis um filho; Gade, uma companhia ou fortuna. Observemos, pois, as significações especiais:

(a) JUDÁ: O leitor deve observar que Judá é mencionado em primeiro lugar na lista dos assinalados, mormente porque, Cristo, o Messias prometido, era desse tribo. Judá foi o quarto filho de Jacó, por Lia (Gn 29.35). Bem como o primeiro ponto, acima, seu nome significa “louvor de Deus” e é através de seu Filho maior (Jesus) que esse louvor se torna possível entre as nações do mundo. O louvor é apreciado por todos os verdadeiros discípulos de Cristo, especialmente pelo grupo selecionado de judeus, que são representados durante o tempo da Grande Angústia por esse nome.

(b) RUBEM: Foi o primogênito de Jacó, por Lia (Gn 29.32). Por causa se seu pecado, perdeu direito à primogenitura. Seu nome significa: Eis o filho! Nisso se pode perceber certa lição espiritual porque é ao Filho que nos convém contemplar. A instabilidade de Rubem encontrou cura no Filho maior de Israel, Jesus Cristo. Deus não se repele aos instáveis, antes, oferece-lhes o remédio da transformação segundo a imagem de Cristo (Rm 8.29), mediante o poder espiritual (2Co 3.18; Gl 5.22-23).

(c) GADE: Seu nome significa “tropa” (Gn 30.11). Espiritualmente falando, talvez denote o número incomensurável dos santos, especialmente, no presente texto, no caso do grupo de selecionados. Esses são aqueles que Deus reservou para si mesmo, com fidelidade precípua, visando ao bem-estar de toda a humanidade. Foi ele o sétimo filho de Jacó, através da criada de Lia, Zilpa.

6. “Da tribo de Aser, doze mil: da tribo de Naftali, doze mil: da tribo de Manassés, doze mil”.



I. “...da tribo de Aser, etc”. O leitor deve observar que os nomes continuam com a mesma significação especial:

1. Aser, bendito; Naftali, lutando ou lutando contra; Manassés, esquecimento: e ss. Isso indica que, olhando para o Filho, é organizada uma companhia de benditos, lutando contra o esquecimento, com significação especial:

(aa) ASER: Seu nome significa “bendito” (Gn 30.13). Espiritualmente significa as bênçãos do Messias sobre todos os discípulos, mas, sobretudo, sobre os mártires e testemunhas do período da Grande Tribulação. Foi ele o oitavo filho de Jacó, por meio de Zilpa, criada de Lia.

(bb) NAFTALI: Seu nome significa “luta” ou “lutando contra” (Gn 30.8). Espiritualmente, pode designar o conflito dos santos, escatologicamente falando, isso pode apontar para os tempos da Grande Tribulação, que certamente será também um tempo de “luta” entre o mal e o bem. Isso é especialmente veraz no que diz respeito às tremendas perseguições religiosas prometidas pelas profecias e promovidas pelo Anticristo. Naftali foi o sexto filho de Jacó, nascido de Bilha, criada de Raquel, a filha mais nova de Labão, o arameu (Gn 29.26).

(cc) MANASSÉS: Foi o filho mais velho de José, nascido no Egito e de mãe egípcia, Asenate, filha de Potífera, sacerdote de On (Gn 41.5). Substituiu a tribo de Dã na lista dos assinalados, e o possível motivo disso, é que seu nome significa “esquecimento” (Gn 41.51). Espiritualmente falando, isso talvez queira ensinar-nos a esquecer-nos do que fica para trás, buscando novas vitórias em Cristo, o alvo precioso. Os mártires e assinalados do período da Grande Tribulação terão de fazer isso, por cuja razão vitoriosos em tempos tão adversos (cf. Fl 3.13-14).

7. “Da tribo de Simeão, doze mil: da tribo de Levi, doze mil: da tribo de Issacar, doze mil”.



I. “...da tribo de Simeão, etc”. Observemos o significado especial de cada nome e analisemos cada detalhe: tópico do Dr. Joseph A. Seiss:

1. Simeão, significa ouvindo e obedecendo; Levi, união, reunindo ou apego; Issacar, recompensa: ouvindo e obedecendo a Palavra, apegados à recompensa futura, etc:

(aaa) SIMEÃO: Seu nome significa “ouvindo” ou “audição”. Espiritualmente, isso pode significar que devemos “ouvir” a fim de obedecer, e também que as ovelhas de Cristo ouvirão a sua voz e o seguirão, até mesmo sob as mais difíceis circunstâncias (Jo 10.16), como sucederá durante a Grande Tribulação, em que o Anticristo martirizará a muitíssimos seguidores de Cristo.

(bbb) LEVI: Foi ele o terceiro filho de Jacó, por meio de Lia (Gn 29.34). Seu nome significa “reunido”, e, espiritualmente falando, isso pode indicar como o amor de Cristo nos confere união no bem-estar, de tal modo que nada é capaz de separar-nos do amor de Deus em Cristo (cf. Rm 8.39). Isso será algo necessário quando o Anticristo perpetrar suas violências ímpias e lançar o caos no meio da comunidade (os santos da Grande Tribulação). Nada pode separar-nos da graça de Deus, que opera por meio do amor em qualquer tempo ou circunstâncias. A tribo de Levi era a tribo sacerdotal. Os assinalados foram comprados com “o precioso sangue do Cordeiro”, por cuja razão são constituídos “reis e sacerdotes para Deus” (Ap 1.6 e 14.4).

(ccc) ISSACAR: Foi o nono filho de Jacó, por meio de Lia (Gn 3.17, 18). Seu nome significa “salário” ou “recompensa”. Talvez indique, espiritualmente falando, os benefícios e galardões que Deus confere aos seus servos, especialmente para os fiéis sofredores durante os tempos difíceis da Grande Tribulação.

8. “Da tribo de Zebulom, doze mil: da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim, doze mil”.

I. “...da tribo de Zebulom, etc”. O significado especial continua em cada nome: Zebulom, lar ou moradia; José adição; Benjamim, filho da mão direita, filho da idade avançada:

1. Ora, ponham-se todos esses nomes em ordem, como os anteriores, e teremos a seguinte descrição: abrigo ou lar (Zebulom); uma adição (José); filho da mão direta de Deus (Benjamim), gerado no fim dos dias:

(aaaa) ZEBULOM: Foi o décimo filho de Jacó, por meio de Lia (Gn 30.20). Seu nome significa “habitação”. Lia tinha esperança de quem em face de ela ter dado seis filhos a Jacó, obteria o seu favor; que ele continuaria a habitar com ela, favorecendo-a diante de Raquel. Espiritualmente, Cristo habita conosco e nos favorece por meio do Espírito Santo, ao ponto de fazer de nós a própria habitação ou templo de Deus (Ef 2.21, 22). O Senhor “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje, e eternamente”. (Cf Hb 13.8), e durante o tempo da aflição, Ele se postará ao lado dos assinalados e mártires, no período sombrio da Grande Tribulação, de tal modo que nenhum dano real e duradouro lhes poderá sobrevir.

(bbbb) JOSÉ: Foi o décimo-primeiro filho de Jacó, por meio de Raquel, sendo o primeiro filho desta (Gn 30.24 e 35.24). José foi o filho favorecido e mais estimado de Israel, foi mimado por Jacó e amado por Raquel; Vendido à servidão, por seus próprios irmãos mais velhos, conseguiu vencer em meio à adversidade e Deus postou-se ao seu lado, fazendo redundar em bem o que parecia ser mal. Isso ele fará novamente no caso dos assinalados do período sombrio da Grande Tribulação. O nome José significa “adição” (Gn 3024). Seu nascimento retirou o opróbrio de Raquel por não ter desistido de sua confiança em que Deus ainda lhe “adicionaria” outro filho. Seu nome podia ser traduzido também por “aumentador”, e em breve seria mudado para ZAFENATE-PENEÁ (salvador do mundo. Homem sábio que foge da contaminação, e ainda revelador de segredos). Ver a significação especial na língua egípcia. Cf. Gn 41.45.

(cccc) BENJAMIM: Foi mais novo de Jacó, nascido de Raquel, que faleceu ao dá-lo à luz. Após o desaparecimento de José, Benjamim obteve o favor especial de Jacó. Seu significado “filho da mão direita” (Gn 35.18). Isto simboliza a importância que Jacó atribuiu ao seu nascimento, pois, assim, ele obtivera um filho especial. Raquel, quando já faleceu, deu-lhe o nome de Benoni, que significa “filho da minha dor” (Gn 35.18). Jesus foi apresentado ao mundo com ambos os significados, porquanto Ele é o “Homem de dor” (Is 53.3), mas também é o Filho especial de Deus, Filho da “Mão Direita”, o Filho do Seu Poder. Em Cristo, através de ambos esses aspectos, os assinalados e testemunhas da Grande Tribulação aprenderão lições espirituais necessárias. Passarão por grande tristezas e dores, à semelhança de Cristo, mas triunfarão em Cristo e por Cristo, não obstante todos os sofrimentos.

2. O leitor deve observar que a tribo de Dã foi excluída desta lista. Irineu, escrevendo perto do fim do segundo século de nossa era, informa-nos sobre uma antiga tradição muito divulgada entre os judeus e ensinada pelos rabinos, que supunham que o Anticristo viria dessa tribo. Na presente lista dos assinalados os nomes de Levi e José são postos no lugar de Dã encabeçará as tribos do Senhor no novo governo de Cristo 9Ez 48.1). Ficará ao norte da cidade de Damasco, bem ao norte da Síria. Efraim é excluído também dessa lista e substituído por José. O profeta Oséias durante o desaparecimento dessa tribo durante um tempo de apostasia, dizendo: “Efraim está entregue aos ídolos; deixa-o”. Este pronome final do presente texto é muito significativo (Os 4.17). Continua: “Efraim com os povos se mistura” (Os 7.8): “Efraim, a sua glória como ave voará” (Os 9.11): “Efraim foi ferido, secou-se a sua raiz” (Os 9.16): “Efraim... fez-se culpado em Baal, e morreu” (Os 13.1), etc. Durante o Reino Milenial de Cristo essa tribo voltará a existir novamente (Ez 48.5, 6).



3. “O Antigo Testamento encerra vinte lista diferentes das tribos dos Filhos de Israel, e nenhuma ordem especial é ali seguida. Três destas listas têm sentido profético, e dezessete são genealógicas. Quanto às várias listas de tribos, no Antigo Testamento, (ver Gn 35.22 e ss; 46.8 e ss; 49.3 e ss; Êx 1.1 e ss; Nm 1.2 e ss; 13.4 e ss; Dt 27.11 e ss; 33.6 e ss; Js 13 ao capítulo 22; Jz 5.1 Cr capítulo 2 e 8; 12.24 e ss; 27.16 e ss; Ez 48)”. Podemos analisar as listas proféticas referentes a Israel em três períodos diferentes; o primeiro período pode sofrer duas aplicações: uma, logo com sua entrada na Terra Santa, a segunda, durante o período sombrio da Grande Tribulação. A lista das tribos do presente texto terá seu lugar de aplicação durante esse tempo de angústia; a de Ezequiel 48, somente no Milênio: (a) A profecia de Gênesis 49 fala do bem-estar das trios da terra dentro da terra da promissão; (b) A de Apocalipse 7 fala da preservação da integridade física e moral dos 144.000 tomados de cada tribo dos filhos de Israel; (c) A de Ezequiel 48, fala da salvação final de Israel e da divisão escatológica da Terra Santa durante o Milênio de Cristo. Daremos aqui um resumo das doze tribos em cada uma das três listas:

A.

Gênesis 49:

B.

Ezequiel 48:

C.

Apocalipse 7:




Rubem (v.3)




Dã (v.1)




Judá (v.5)




Simeão (v.5)




Aser (v2)




Rubem (v.5)




Levi (v.5)




Naftali (v.3)




Gade (v.5)




Judá (v.8)




Manassés (v.4)




Aser (v.6)




Zebulom (v.13)




Efraim (v.6)




Naftali (v.6)




Issacar (v.14)




Rubem (v.5)




Manassés (v.6)




Dã (v.16)




Judá (v.7)




Simeão (v.7)




Gade (v.19)




Benjamim (v.23)




Levi (v.7)




Aser (v.20)




Simeão (v.24)




Issacar (v.7)




Naftali (v.21)




Issacar (v.25)




Zebulom (v.8)




José (v.22)




Zebulom (v.26)




José (v.8)




Benjamim (v.27)




Gade (v.27)




Benjamim (v.8)

9. “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestidos brancos e com palmas nas suas mãos”.

I. “...eis aqui uma grande multidão”. A vasta multidão não numerada dos gentios do presente texto e dos que se seguem, está em vivido contraste com o número mais limitado e exatamente definido de Israel. Esta multidão de “todas as nações”, com palmas nas mãos não deve ser confundida nem com a Igreja nem com Israel. Este é o poderoso ajuntamento de almas que Joel predisse ao dizer que no dia do Senhor todo o que invocasse o nome do Senhor seria salvo (cf. Jl 2.30-32; At 2.16-21). O capítulo 6. 9 deste livro relata que os mártires da Grande Tribulação encontram-se “debaixo do altar”, aqui, porém, a cena mudou, e eles se encontram “diante do trono e perante o Cordeiro”. Porém, as vestes são as mesmas (6.11 e 7.9).

1. Com palmas nas suas mãos. De acordo com a simbologia profética das Escrituras, as palmas simbolizavam vitória e paz. Esta foi a interpretação quando entrou em Jerusalém o Príncipe da Paz (Jo 12.12-13). As palmas ou ramos de palmeiras são citados em caráter cerimonial com a festa dos tabernáculos (cf. Lv 23.40), e é curioso observar que esta festa durava “sete dias” (em caráter profético, equivale a sete anos). Cf Lv 23.40; Nm 14.34; Ez 4.6). No texto em foco, as palmas são dadas em lugar de coroas para simbolizar a vitória daqueles crentes e a paz que desfrutarão no céu.

10. “E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro”.

I. “...Salvação ao nosso Deus”. A grande “multidão” vista nesta secção, clama agora “salvação”! Segundo H. H. Halley é possível distinguir dois grupos neste capítulo, como segue: os 144.000 foram os eleitos de Israel. Aqui, a “multidão” é de todas as nações. Na primeira visão, a cena se desenrolou na terra. Aqui, porém, a cena tem lugar no Céu. Lá foram assinalados em vista de uma tribulação próxima. A dos versículos que se seguem, a tribulação já passou. Se os 144.000 e a grande multidão são dois grupos separados, ou se é o mesmo grupo sob dois aspectos diferentes há opiniões variadas por parte dos estudiosos da Bíblia. Porém, se, analisarmos o texto com atenção, verificaremos que o “Israel” do (v.4) está em contraste com “todas as nações” do (v.9), e que aquele significa os cristãos judeus, enquanto que a grande multidão significa os cristãos gentios.

11. “E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais: e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus”.



I. “...todos os anjos estavam ao redor do trono”. A palavra “trono” ou “tronos” ocorre por 38 vezes no Apocalipse e sete delas só nesta secção (vs. 9, 10, 11, 15, 17). No presente texto João contempla “todos os seres” celestes diante do trono em adoração à Deus. Há diversidades de seres celestes, embora todos pertençam à natureza angelical; mas a referência específica que temos aqui, mui provavelmente é aos “muitos anjos”. Os capítulos 4 e 5 do Apocalipse revelam várias ordens de seres angelicais, cada qual postado ao redor do trono, em distâncias cada vez maiores. Imediatamente perto do trono há quatro seres viventes; então aparecem os 24 anciãos; finalmente, figuram os anjos em grande multidão.

1. prostraram-se diante do trono. O quadro aqui descrito parece completar o do versículo 9. No centro da cena, o trono de Deus; diante dele, os quatro seres viventes e, em disposição concêntrica como as fileiras de um anfiteatro grego, os vinte e quatro anciãos; depois a grande multidão e, por fim, rodeando todos, em círculo, os anjos em pé fecham o grande coro de louvor e adoração àquele que vive para todo o sempre. O clamor é um só: a Salvação pertence não só ao Cordeiro mas também ao Pai: clama a grande multidão. E os anjos amém! Que reunião maravilhosa!

12. “Dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre Amém”.

I. “...Louvor, e glória, etc”. Isso é comparado com Ap 5.12, onde o “louvor” é atribuído ao Cordeiro, ao passo que aqui neste texto, o mesmo é atribuído a Deus o Pai. O autor sagrado não hesita em atribuir o mesmo louvor ao Pai e a Jesus Cristo seu Filho, e isso subentende a deidade deste último. Isso explica explicitamente a “divindade de Jesus Cristo” como a segunda pessoa da Santíssima Trindade. O “Amém” em foco nesta passagem, encabeça e termina a lista, adicionando dignidade à mesma (Cf. Jo 1.5 e Ap 5.14), em suas respectivas significações esta palavra pode ser uma exclamação optativa: “Assim seja!”, ou pode ser uma declaração: “É assim”; reafirma a veracidade de qualquer declaração feita e com freqüência é empregada nas doxologias, nas páginas das Escrituras. O próprio Cristo é o “Amém” personificado, o qual confirma a veracidade de Deus aos homens (ver Ap 3.14).

13. “E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestidos bancos, quem são, e donde vieram?”.



I. “...quem são, e donde vieram?”. Diante de tal pergunta feita pelo ancião, o Apóstolo João, hesita em saber o verdadeiro sentido, e apela para o esclarecimento do ser superior. Este ancião pode ser igual a João, mas na esfera celeste se tornou maior (cf. 1Jo 3.2). Esta grande multidão de salvos não fará parte da Igreja, mas terá o seu lugar diante do trono. O Dr. C. I. Scofield afirma: “Não pertencem ao sacerdócio, à Igreja, à qual parece estar um tanto relacionados como os levitas aos sacerdotes sob a aliança mosaica”. A multidão não deve também ser enumerada entre os vastíssimos exércitos de anjos, estes, são “recém-chegados” à cena celestial.

1. Do texto em foco, concluímos que o “anciãos” não era um dos integrantes daquela inumerável multidão (os mártires), fazia parte de um outro grupo especial (o arrebatamento), reforçando a idéia de que os vinte e quatro anciãos sejam representativos dos remidos de Israel e da Igreja arrebatada, pois a multidão cuja contagem foge à possibilidade humana, pertencia ao grupo “vindo da Grande Tribulação”. Este grupo não está assinalado com o selo da proteção porque já não precisava mais dela. Estavam já fora do mundo e na presença de Deus. Não estava “assentado no trono” como a Igreja (3.21), mas diante do trono e ali, adorando a Deus e ao Cordeiro.

14. “E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram de grande tribulação, e lavaram os seus vestidos e os branquearam no sangue do Cordeiro”.

I. “...Estes são os que vieram de grande tribulação”. O presente versículo é a resposta da pergunta feita pelo anciãos no versículo anterior. Muitos estudiosos do Apocalipse encontram certa dificuldade na presente expressão: “...vieram de grande tribulação” quando se extrai da Bíblia Edição Revista e Corrigida; porém outras traduções evitam o problema. Para melhor compreensão do significado do pensamento, observemos as traduções que se seguem: “...estes são os que vieram d’uma grande tribulação”. “...estes são aqueles que saíram do grande sofrimento...”. “...Ce sont ceux qui viennent de la grande tribulation”: tradução literal “estes são aqueles que vieram da grande tribulação”. “...são os que passaram pela grande perseguição”. “...são estes os que vêm da grande tribulação”. Poderíamos fazer inúmeras outras citações que, de uma maneira ou de outra, sempre indicam que estes santos, vieram de uma “prova especial”. Evidentemente, esta grande multidão, são os mártires do período sombrio da Grande Tribulação. A companhia inumerável representa o efeito (não a causa) da obra extensiva da graça continuada através da semana profética de Daniel (Dn 9.24-27).

1. E lavaram os seus vestidos e os branquearam no sangue do Cordeiro. Durante a “Dispensação da Graça” em sua plenitude, três dispositivos divinos eram usados na salvação do pecador: (a) A Graça. Ef 2.8; (b) A Fé. Lc 18.42; (c) O sangue do Cordeiro. 1Jo 1.7; Ap 12.11, etc. Porém o arrebatamento da Igreja a Graça terminou sua missão (cf Mt 25.10); porém, Deus, em sua justiça e retidão, continuará usando dois dispositivos ainda: a Fé e o sangue do Cordeiro (ver Ap 7.14; 12.11 e 14.13). Assim, a Grande Tribulação, segundo Scofield “será, porém, um período de salvação. A eleição de Israel é selada para Deus (7.4-8), e, com uma grande multidão de gentios (7.9), é declarada ter vindo “da grande tribulação”. Esta secção revela que, mesmo fora da dispensação da graça, pode haver salvação, mas sempre baseada na morte expiatória de Cristo. A justiça de Deus se exerceu sobre o Cordeiro, e só através da Cruz pode o homem, em qualquer circunstância, alcançar o perdão.

15. “Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá a sua sombra”.

I. ‘...os cobrirá com a sua sombra”. O Salmista falou no Salmo 91.1 da “sombra do Onipotente”. É, sem dúvida alguma, o lugar de verdadeiro descanso para o cristão agora e na eternidade. Charles traduz esta frase por “Aquele que se assenta no trono fará com que sua “chequinah” (glória) repousa sobre eles”. A frase é singular. A “chequinah” (glória) era a manifestação da presença de Deus, guiando o seu povo no deserto. A sombra de Deus é eterna também. Os da multidão se encontram diante do trono de Deus e debaixo de sua sombra se assentam (cf. Ct 2.3). É um privilégio conferido àqueles cujas vestes foram lavadas e alvejadas no sangue do Cordeiro, estar na presença do Soberano. No Antigo Testamento, os gentios eram retidos no pátio dos gentios e os judeus no pátio dos israelitas. Mas, o sangue de Jesus, lhes confere ousadia “para entrar no santuário” celeste (cf. Hb 10.19-20).

16. “Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem sol nem calma alguma cairão sobre eles”.



I. “...nunca mais terão fome, nunca mais terão sede”. O presente texto, faz também alusão à afirmação tirada de Is 49.10 que diz: “Nunca terão fome nem sede, nem a calma nem o sol os afligirá...”. Este grupo de santos é composto daqueles que tiveram fome e sede na terra (cf. Mt 5.6 e Ap 6.10). Este livro informa que o Cordeiro conduzirá seus servos às fontes da água da vida. Aquele que bebe essa água nunca sofrerá os tormentos da sede espiritual, a sede da alma (ver Lc 16.24). O próprio Deus é a fonte da vida (Sl 34.10). Talvez também haja alusão na presente passagem ao salmo 23, o salmo do bom pastor. Davi, ao anelar por água da fonte de Belém, quando recebeu um pouco de vida, recusou-se a beber, mas ofereceu-a ao Senhor, como uma oferta pacífica, tão preciosa tornara-se ela! (2 Sm 23.15-17). Mas, no estado eterno, não haverá hesitação para beber da água da vida, não haverá limite para a alegria espiritual!!

17. “Porque o Cordeiro que está nomeio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima”.



I. “...e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida”. As águas celestiais não terão o gosto salgado das lágrimas, porquanto nos conduzirão a uma vida livre das labutas e das tristezas que acompanham o martírio. Aquele que fez o seu povo beber do rio, ao longo do caminho (ver Sl 110.7) que dava aos que vinham a ele a água que é a única capaz de satisfazer-lhes a sede (Jo 4.13, 14 e 7.37-39) haverá então de conduzi-los às fontes espirituais das águas da vida, levando-os a beber dos seus prazeres (cf. Sl 36.8).

1. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima. O texto em foco lembra as palavras de Jesus, em Lc 7.13 quando disse a pobre viúva: “Não chores”. Os que choraram na terra, serão consolados no céu (cf. Mt 5.4), e os que aqui choraram; choraram numa eternidade sem Deus, sem haver quem os console! A figura bondosa e protetora do pastor palestino não encontra similar nos dias de hoje. Tão considerado naquela época de João, pela devoção, pelo espírito de sacrifício, que Cristo fez dele a imagem de Si mesmo: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”. (Cf. Jo 10.11). Este último versículo revela-nos a proteção, a bondade, o gozo, a companhia do Filho na presença do Pai. Ali os remidos o servirão “de dia e de noite” no seu santuário (v.15). A linguagem aqui usada, tem forma antropomórfica (forma humana para ser entendida pela mente natural), pois “ali não haverá noite...” (22.5). “A metáfora mista deste versículo, que combina com diversos elementos da pessoa de Cristo, e o que Ele significa para seus discípulos de todas as épocas, tenciona transmitir a idéia de que Cristo é “tudo em todos” agora e na eternidade!”.




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