Apocalipse



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CapítuloIV


1. “DEPOIS destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu: e a primeira voz, que como de trombeta ouvira falar comigo, disse: Sobre aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois desta devem acontecer”.

I. “...Depois destas coisas”. Com o capítulo 4. inicia-se a segunda parte do Apocalipse. A partir desse capítulo o livro do Apocalipse é completamente futurístico e a visão muda também de posição geográfica: da terra para o céu. As secções deste grande livro de Deus sempre são divididas pelo uso da palavra “depois”; a partir daí a cena muda de posição. Às vezes marca também, o fim de uma coisa e o início da outra (cf. 1.19; 4.1; 7.1, 9; 8.5; 15.5; 18.1; 19.1; 20.3, etc). Talvez, o “depois” do capítulo 11.11, marque a 4ª ordem da ressurreição da imortalidade que, tecnicamente falando, trata-se da primeira ressurreição (cf. 1Co 14.23; retrospectivamente: Mt 27.51-53; 1Co 15.23; 52; Ap 11.11; 20.4). “Passando-se deste texto diretamente para o capítulo 4.1, observa-se que a preposição grega META, regida pelo acusativo e traduzida em português pelo advérbio “DEPOIS”, logicamente nos indica a continuação do relato constante da primeira visão narrada no capítulo primeiro do mesmo livro”.

1. Uma porta aberta no céu. No fim do capítulo convida-se o homem a abrir uma porta para Cristo; agora uma porta abre-se no céu para que o homem entre. Com esta porta aberta inicia-se a parte verdadeiramente profética do livro, embora a ação profética definida não comece até o capítulo seis. Esta é a terceira “porta” que encontramos no Apocalipse: a primeira, foi a da “oportunidade” para anunciar o Evangelho, aberta diante da igreja de Filadélfia (3.8); a segunda, a porta do “coração” dos crentes de Laodicéia (3.20), porta fechada para Cristo. Esta, agora, do texto em foco, a terceira: a porta da “revelação”. Através dela Deus mostrará aos seus servos “as coisas que depois destas devem acontecer”. Alguns comentaristas opinam que a palavra “depois” vista no presente texto, equivale “depois da era da Igreja” e João, sendo arrebatado em espírito, serve de figura expressiva do arrebatamento da Igreja da terra para a recâmara celeste.

2. A primeira voz. Agora a “voz” fala novamente ao vidente João. Essa voz, anteriormente, falou-lhe na “terra” (cf. 1.10), mas agora se dirige a ele “no céu” com uma nova intensidade.

2. “E logo fui arrebatado em espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assento sobre o trono”.



I. “...Logo fui arrebatado”. O Apocalipse caracteriza-se por um sentimento de urgência e de iminência. O vocábulo “imediatamente” aparece apenas cinco vezes no Antigo Testamento, e mais de sessenta e cinco em o Novo. No Apocalipse, sempre ocorre o vocábulo próximo: (1.3), sem demora (3.11), logo (4.2), etc. São expressões que denotam urgência e rapidez. Isso se harmoniza também com a natureza do livro que diz: “próximo está o tempo” (cf. 22.10). João, ao ser arrebatado em espírito, se encontra agora noutra dimensão. Esta conclusão é sustentada pela grande facilidade com que as cenas no Apocalipse mudam do céu para a terra. Ele em sua visão é levado ao céu em 4.1 e permanece lá até o fim do capítulo 9. No capítulo 10 ele está novamente na terra, porque vê o anjo “que descia do céu” (10.1), onde permanece até 11.13; em 11.15-19 a cena da visão novamente se desenrola no céu. Parece que no capítulo 12 o vidente está de novo na terra, mas em 14.18-19 presume sua presença no céu.

2. Eis que um trono estava posto no céu. Visto que a palavra “trono” aparece 38 vezes no Apocalipse, ele é, sem dúvida, “o livro do trono” e chega até nós com toda a autoridade do espantoso controle de Deus. No Apocalipse, o “trono” é aludido, algumas vezes como pertencente ao Pai; mas em outras vezes com pertencente ao Filho. “O livro abre (1.4) e fecha (22.3) com um trono” (81). Cf. 1.4; 3.21; 4.2-6, 9, 10; 5.1, 6, 7, 11, 13; 6.16; 7.9-11, 15, 17; 8.3; 12.5; 14.3, 5; 16.17; 19.4, 5; 20.11; 21.5 e 22.1, 3). Algumas traduções, ao invés de dizerem “eis que um trono estava posto...”, dizem: “E eis que estava armado um trono no céu”. “Posto” traz a idéia de que o trono foi levado de algum lugar para lá, motivo pelo qual somos propensos a achar mais exata a primeira tradução, que nos parece, aliás, mas de acordo com o texto grego (Nestlé-Marshall). Esse trono foi a “primeira coisa” que João viu no céu. O trono é, pois, o de Deus. É sinal da divina Soberania e Majestade. Não admira, portanto, que essa palavra esteja presente em quase todos os capítulo desse livro.

3. “E o que estava assentado era, na aparência, semelhante à pedra jaspe e sardônica; e o arco celeste estava ao redor do trono, e parecia semelhante à esmeralda”.

I. “...E o que estava assentado”. O Pai está em foco nesta passagem. Ele está “assentado”, porquanto assumiu a posição de autoridade, como um Rei, o qual se “assenta em seu trono”, enquanto que seus ministros estão “...à sua mão direita e à sua esquerda” (cf. 1Rs 22.19).

1. Ao se deparar com aquela autoridade “assentada” no trono, João teve a seguinte percepção: (a) Exaltação e Majestade; (b) Poder sobre todo o universo, intervenção na história humana, planejamento do destino humano; (c) Região do espírito puro e da vida em sua forma de expressão mais elevada; (d) Fonte de revelação da intenção de Deus para com os homens, agora, e na eternidade.

2. Sua aparência. O profeta Ezequiel viu a aparência de Deus (Ez 1.26-28), esta passagem (e outras correlatas nas Escrituras) faz cair por terra a doutrina falsa do panteísmo, que diz que Deus não tem forma, e que tudo está em Deus e que Deus está em tudo. “A filosofia é o ramo do conhecimento que tem por objetivo descobrir a verdade concernente a Deus, ao homem e ao universo, tanto quanto essas verdades podem ser compreendidas pela razão humana”. Os epicureus eram céticos, que rejeitavam todas as religiões e suas formas de expressões. Acreditavam que o mundo se formou casualmente, que a alma é mortal e que o prazer é o principal fim da vida. Os estóicos eram panteístas, quer dizer, acreditavam que tudo é parte de Deus. Criam que a virtude é o fim principal da vida, e que devia ser praticada como um fim em si mesma. As Escrituras, porém, falam da “forma de Deus” e suas “expressões”. Paulo diz que “há corpos celestes” e “corpo espiritual” (cf. 1Co 15.40 e 44). Por cuja razão, fala-se de Deus como: “A forma de Deus” (cf. Fl 2.6). “A imagem de Deus” (cf. 2Co 4.4). “A sua pessoa” (cf. Hb 1.3), etc.

3. Pedra jaspe. Além desta menção, lê-se que de “jaspe” eram os alicerces da Nova Jerusalém (Ap 21.19). Também havia “jaspe” na superestrutura da muralha da cidade Celeste (Ap 21.18) e no brilho da Capital da Nova Terra e do Novo Céu (Ap 21.11).

4. Sardônica. Plínio diz-nos que esse nome (sardônica) deriva de Sardes, onde era explorada e de onde era exportada. Supostamente corresponde nossa pedra coralina. É a pedra que forma a sexta camada do Alicerce da Jerusalém Celeste. (Cf. Ap 21.20). Trata-se de uma forma de quartzo, de cor vermelha ou marrom escuro. Alguns estudiosos sugerem que o jaspe simboliza a santidade, ao passo que a Sardônica simboliza a retidão.

5. O arco celeste. Originalmente aparece pela primeira vez em (Gn 9.13) com “sinal” de um Pacto, isto é, uma promessa de Deus ao homem, de que a terra não seria novamente destruída pela água. Sua cor verde como é descrita pelo presente texto, fala de vida. No contexto da promessa, isso aponta para a vida eterna. Alguém observa que, o “arco celeste” aqui, representa uma esperança que a tragédia não pode destruir. No trono dos céus, acima do firmamento humano, há também um “Arco Celeste”. Ali reinam expectações gloriosas; todas as cores (sete) são exigidas para expressar os múltiplos aspectos de satisfação, representados para o Reino de Deus.

4. “E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestidos brancos; e tinham sobre suas cabeças coroas de ouro”.

I. “...vinte e quatro anciãos”. Em (Is 24.23), afirma-se que o Senhor quando “...reinar no monte de Sião e em Jerusalém... perante os seus anciãos haverá glória”. Os judeus criam que a Jerusalém terrena tivesse seu paralelo nos céus, e que o Templo terrestre cópia do celestial (cf. Hb 8.5 e 9.23). Assim, se há anciãos que entoam louvores a Deus, na Capital terrestre, haverá aqueles que fazem idêntica coisa nos céus. “Os vinte e quatro anciãos” do capítulo em foco, não podem ser anjos: eles entoam o cântico da redenção, como tendo sido redimidos (Ap 5.8-9). É evidente que, em sentido geral, os anjos não são vistos coroados, e nem assentados em tronos. Jesus falou aos seus discípulos que eles n futuro se assentariam sobre “doze tronos” (Mt 19.28). Esses “personagens” misteriosos encontram-se estado de salvação definitiva (vestidos de branco), já possuem o prêmio de sua salvação (coroas de ouro) e participam com autoridade no desenvolvimento da salvação (assentados em tronos). Quem são eles? Há somente um sentido possível: Os doze primeiros anciãos deste turno de vinte e quatro, são “os doze patriarcas” filhos de Israel, que estão ao lado de Cristo, representando todos os remidos da “dispensação da lei” focalizada no Antigo Testamento (cf. Nm 13.2-3; 17.1-6; Hb 8.5 e 9.23). Os outros doze, são “os doze Apóstolos do Cordeiro”, pois em alguns casos eles são chamados de “anciãos” (cf. Fm v.9; 1Pd 5.1; 2Jo v.1 e 9 Jo v.1). Estão ao lado de Cristo, representando todos os remidos da “dispensação da graça” focalizada no Novo Testamento (cf. Mt 19.29; Ap 21.12, 14). Está aqui já o início do cumprimento da promessa do Senhor em (Mt 19.28). Tronos, no primeiro caso, e coroas no segundo (cf. 2Tm 4.8). Provavelmente serão eles os mesmos personagens que se assentarão ao lado de Cristo durante o Milênio (cf. Ap 20.4).

5. “E do trono saíam relâmpagos, e trovões, e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete Espírito de Deus”.



I. “...relâmpagos, e trovões, e vozes”. No contexto profético, relâmpagos, trovões e vozes, são sempre manifestações do grande poder de Deus. Provavelmente é correto ver, no presente texto, o mesmo sentido. A voz fala de paz, mas também ameaça julgamento. Seu relâmpago revela a verdade, mas também produz o desastre. O Salmo 29 faz um elogio da “voz do Senhor”, em que a glória de Deus troveja. Sua leitura nos fornece idéia sobre o significado do pensamento inserido no presente versículo. Nesse Salmo, a “voz” tanto é uma bênção como é o irrompimento da ira de Deus contra os ímpios. Acerca da cena, no Monte Sinai, a “voz” de Deus apresenta um simbolismo (cf. Êx 19.16). Em Ezequiel 1.13, temos relâmpagos que saíam do fogo entre os seres viventes; quando Deus desceu sobre o Monte Sinai, houve trovões e relâmpagos e espessa nuvem sobre o Monte. (Ver Êx 19.16 e Hb 12.18-21). Em iguais circunstâncias essas manifestações serão encontradas no Apocalipse (8.5 e ss).

6. “E havia diante do trono um como de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás”.



I. “...um como mar de vidro”. Simbolicamente o “mar” representa povos, e multidões, e nações, e línguas: em estado de inquietação (cf. Lc 21.25 e Ap 17.15). O “mar” do presente texto, pode simbolizar a “nação santa, o povo adquirido...” pelo sangue do Cordeiro (cf. 1Pd 2.9), que subseqüentemente acharam seu lar nos céus. O “mar” terrestre representa as “nações mortais” (Ap 13.1). Assim, o “mar” celestial representa as “nações celestiais”. Esse “mar” é claro e puro, em contraste com as águas agitadas e imundas dos mares terrenos aqui deste mundo. Podemos observar a frase: “como mar de vidro” e aceitarmos esse sentido. (“Um dia chegaremos na praia do outro mar”. Enfatiza um cantor sacro).

1. quatro animais cheios de olhos. Estes seres sobrenaturais são sempre citados em conexão com o trono de Deus (cf. Ez 1 e 10). Nas passagens dos capítulos (1 e 10) de Ezequiel eles são chamados de “querubins”. A palavra “querubim” ou “querubins” tem sua raiz no verbo “Ker~uhbim”. Plural de “querube”. Significa guardar, cobrir ou celestial. São vistos pela primeira vez, ao lado oriental do Jardim do Éden, guardando “o caminho da árvore da vida” (Gn 3.24). Sobre o propiciatório (a tampa da arca), eram contemplados dois querubins de ouro (Êx 25.17-22). As bordaduras das cortinas do tabernáculo eram figuras de querubins (Êx 25.18). O véu que fazia “separação entre o santuário e o lugar santíssimo” era bordado com figuras de querubins em alto relevo (Êx 26.31, 33). Deus habita entre os querubins e deles faz sua carruagem (Sl 18.10 e 80.1). Os querubins contemplados aqui por João, fazem a “Guarda Celeste” do trono de Deus (Ap 4.6, 9; 5.13-14). O comentarista Ridout é de opinião que estas quatro criaturas, correspondem à significação dos quatro Evangelhos e a sua apresentação de Cristo. “Assim em Mateus, o primeiro Evangelho, Cristo é ali representado como o poderoso “Leão da tribo de Judá” em razão de ser este animal, o mais nobre da fauna (cf. Pv 30.30). Em Marcos, o segundo Evangelho, Cristo é visto aí como o “paciente novilho”, representado a força divina e sua paciência no holocausto da cruz (Lv capítulo 1). Em Lucas, o terceiro Evangelho, Cristo é contemplado como “O Filho do homem”: sua humanidade representada nele por mais de quarenta vezes, servindo a vontade divina e a necessidade humana (Mt 20.28 e Lc 22.27). Em João, o quarto Evangelho, Cristo é representado como “uma Águia voando”, em razão de ser esta ave a mais nobre das aves do céu e Jesus o mais nobre dos filhos de Deus (cf. Hb 1.4 ss). “Cada uma dessas criaturas tem seis asas, e estão cheias de olhos “por diante e por detrás”, o que sugere aventurosa energia, serviço obediente, direção inteligente e elevadas aspirações e plenitude.

7. “E o primeiro animal era semelhante a um leão, e o segundo animal semelhante a um bezerro, e tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era semelhante a uma águia voando”.

I. “...o primeiro... o segundo... o terceiro... e o quarto”. O leitor deve observar o comentário feito no sexto versículo deste capítulo, onde, elaborando: uma breve, e precisa interpretação, declaramos que os animais descritos por Ezequiel (capítulos 1 e 10), são seres sobrenaturais que fazem guarda celeste do trono de Deus e ao mesmo tempo, são “figuras das coisas que estão no céu” (Hb 8.5 e 9.23). Semelhantemente, podem perfeitamente representar “coisas” na terra. “A águia é exaltada entre as aves; o homem é exaltado entre as criaturas em termos gerais; o novilho é exaltado entre os animais domésticos; o leão é exaltado entre os animais selvagens. Todos eles, têm recebido domínio, e lhes tem sido proporcionado grandeza; não obstante, acham-se “abaixo da carruagem”: (do Santo). Cf. Sl 18.10. Há ainda outra possível interpretação:

1. “Parece que esses quatro animais representam a perfeição na terra, tanto antes de entrar o pecado, como depois da criação estar livre da maldição, por causa do pecado, como representantes da criação os quatro dirigem os anciãos e os anjos e a terra e a toda a criação em adorar ao Criador, O Apóstolo João viu os quatro, com os rostos cobertos, adorando a Deus”.

8. “E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que há de vir”.

I. “...estavam cheios de olhos”. O presente versículo descreve os “seres viventes” como tendo a inteireza da inteligência; são “cheios de olhos por diante e por detrás” (4.6). podem tanto ver para frente como para trás. O passado e o futuro estão abertos a eles como um livro. Visão interna (olhos por dentro), visão externa (olhos por diante) também lhes pertence. Em Ezequiel (1.15), fala-se de roda junto aos querubins e, no verso 18, estas rodas estavam “cheias de olhos ao redor”. Os olhos agora são transferidos para os próprios seres viventes, ao invés de estarem associados às rodas que os acompanhavam. Alguns estudiosos afirmam que os “olhos” representam o governo onisciente da providência divina, iminente na vida do mundo. A absoluta visão circundante corresponde uma infinita visão interior, que expressa a concentração contemplativa, a unidade da onisciência divina. Vigilância!

1. E não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso. Existe uma característica dupla nestes seres viventes: eles têm a função de querubins (guardas celestiais). Cf. Gn 3.24; ao mesmo tempo a função de Serafim (componentes do coro celestial). Cf. Is 6.1-6. Os seres viventes, aqui, têm um só objetivo: encher todo o céu e toda a terra do louvor do Senhor.

9. “E, quando os animais davam glória, e honra, e ações de graças ao que estava assentado sobre o trono, ao que vive para todo o sempre”.

I. “...Ao que vive para todo o sempre”. Sobre a vida de Deus, temos muito que falar. Deus da “Imortalidade”(cf. 1Tm 6.16). No testemunho de Jesus Cristo, Deus é aquele que “...tem a vida em si mesmo” (Jo 5.26a). Isso, naturalmente, significa que as causas de Sua existência estão NELE mesmo. Nele é a vida inerente. De modo oposto à vida criaturas. Sua vida não vem de fonte externa. Ele tinha “vida em SI mesmo” quando não havia em parte alguma fora dele. Quando Ele interpõe Seu juramento, em confirmação à Sua palavra, jura por SI mesmo dizendo: “Vivo Eu!”. Permitindo que seu juramento repouse sobre a base imutável de sua auto-existência”. O Deus perenemente vivo é a fonte originária de todo o bem-estar, o que significa que esse próprio bem-estar deve ser eterno. Deus nunca poderá sofrer dano ou declínio com a passagem do tempo!.

10. “Os vinte e quatro anciãos prostravam-se diante do que estava assentado sobre o trono, e adoravam o que vive para todo o sempre; e lançavam as suas coroas diante do trono, dizendo”.



I. “...prostravam-se diante do que estava assentado”. Enquanto os seres viventes “davam glória, e honra, e ações de graças... ao que vive para todo o sempre. Os vinte e quatro anciãos prostravam-se diante do que estava assentado sobre o trono...”, e num gesto de amor, de a SI mesmos se humilharem e exaltarem a Deus, lançavam as suas coroas diante do trono, dizendo: “Digno és Senhor, de receber glória, e honra, e poder”. Aqui teve início o grande culto da criação; tendo início no “interior do céu” (cf. 5.13), a adoração contínua, porém, já com a participação de “toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar”. É o grande culto da criação! No versículo 5, ‘os animais diziam: Amém; não para que o culto terminasse, e sim para a continuidade do mesmo.

11. “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas”.



  1. ...tu criaste todas as coisas”. O presente versículo mostra-nós a pessoa de Deus como o Criador supremo de “Todas as Coisas”. Isso, inclui “céus e terra”(o espiritual com os seus anjos); o material (com a raça humana). Num contexto geral, isso é depreendido no primeiro capítulo da Bíblia. Deus criou: “Céus e terra” (Gn 1.1; 2.1 e Ne 9.6); o céu e a terra com todo o seu exército é mencionado em Gn 2.1 – Exército aqui, é “tsebaam”, de “tsaba”, significa: Avançar como soldado andar juntos para serviço, o termo é usado acerca dos anjos (cf. 1Rs 22.19; 2Cr 18.18; Sl 149.2; Lc 2.13); refere-se também aos corpos celestes e aos poderes do céu (cf. Is 34.4; Dn 8.10; Mt 24.29). O vocábulo Senhor tinha um sentido muito especial para os crentes de então, quando Domiciano, arrogantemente, ostentava o título oficial de “senhor e Deus”. Mas o texto em foco diz que só um é Senhor e Deus dos crentes; só Um é digno de “receber glória, e honra, e poder; porque todas as coisas...foram por Ele criadas”. O “poder” e “vontade” de Deus foram a causa da existência de todas as coisas: Deus é também Criador. O homem pode fazer alguma coisa com material já existente. Porém cria tudo do Nada!


Capítulo V


1. “E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos”.

I. “...um livro selado com sete selos”. No presente capítulo temos a continuação da administração programada pelo governo divino. O livro selado contém: “o programa divino” que se cumprirá sucessivamente até ao capítulo 8.5 do presente livro. Isso não significa que não pode ser lido, mas que simplesmente a indignidade não permitia e, por essa razão, ainda não se encontrou ninguém que executasse a ordem celeste. Também é autoridade legal a fim de ser quebrado seus selos. Observemos as interpretações diversificadas quanto a sete livro misterioso:

1. A igreja universal (qual?) pensa e reflete e chega à conclusão de que o livro exprime, com toda probabilidade, o plano de Deus a respeito dos acontecimentos e dos homens. Tudo é fixado e determinado por Deus, nenhum ser criado consegue compreender o conteúdo do livro.

2. Um outro ponto de vista identifica o rolo com o “Livro da Vida co Cordeiro”, que aparece diversas vezes no Apocalipse (cf. 3.5; 13.8; 20.12, 15; e 21.27). O livro está escrito em todos os espaços livres porque contém uma multidão de nomes (7.9). No momento em que seus selos forem abertos os nomes dos redimidos são revelados.

3. O rolo selado com sete selos é o Antigo Testamento, cumprido no Novo. Jesus, na sinagoga de Nazaré, depois de ler do rolo de Isaías (61.1-2), proclamou: “Hoje se cumpriu esta escritura em vossos ouvidos” (Lc 4.21b). Jesus, assim, é o único capaz de levar toda a esperança profética do Antigo Testamento ao seu cumprimento assim como Deus planejou.

4. (O nosso ponto de vista). O profeta Ezequiel, profeta do cativeiro, cerca de 595 a.C., viu também um livro “... escrito por dentro e por fora” (Ez 2.10). Sendo, porém, que aqui, o livro está hermeticamente fechado com sete selos. E ninguém consegue abri-lo. A “Dispensação da Graça” começou com a morte e ressurreição de Cristo e terminará em sua “plenitude” com o arrebatamento da Igreja. Mas, é evidente que, uma dispensação, sempre entrou na outra. Assim para nós, restritamente falando a “Dispensação da Graça” terminará sua missão completa, no capítulo 8.5 deste livro do Apocalipse. Para nós, esse livro selado contém as mensagens e visões desenvolvidas nos capítulos 6.1-17; 8.1-8, a seguir aparece um “depois” que introduz outra secção na seqüência dos julgamentos. A partir daí, aparece apenas dois dispositivos na salvação da pessoa humana (a fé e o sangue do Cordeiro); a graça já cumpriu sua missão (cf. 12.11; 14.12, etc).

5. Quanto à selagem dos antigos rolos, observemos vários outros pontos de vista: (a) Segundo o comentário de Charles, as leis romanas só aceitavam um testemunho se estivesse selado com sete selos e confirmado por sete testemunhas; (b) Conforme hábito da época, os escritos eram feitos em papiro ou pergaminho. A parte escrita deixava em cada um dos 4 lados a margem de 6 cm. Quando necessário mais de uma folha, elas eram colocadas horizontalmente formando uma faixa em cujos extremos se fixava um cilindro de madeira para suporte. O Apocalipse ocuparia uma faixa de 4.56m. Calculando, grosso modo, pode dizer-se que a largura da folha feita no pairo era ligeiramente menor que sua altura (25 cm). Entre os mais antigos manuscritos do Novo Testamento contam-se 10 folhas do Apocalipse; (c) No tocante à selagem em si, era comum, sempre que se fazia mister resguardar o conteúdo do rolo, de pessoas não autorizadas a conhecê-lo. Ela podia efetuar-se de duas maneiras; (aa) a determinada pelas leis romanas, isto é, mandavam passar sete cordões, amarrá-los e selar com sete nós bem apertados; (bb) A outra maneira era a selagem sucessiva: escrevia-se uma parte, enrolava-se aquela porção e selava-se; escrevia-se mais um pouco e selava-se novamente. Provavelmente esta foi a adotada no livro em foco, pois os selos foram abertos sucessivamente, como veremos mais tarde.

2. “E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os selos?”

I. “...um anjo forte, bradando...” O Arcanjo Miguel deve está aqui em foco! O Arcanjo Miguel é sempre designado para missão especial (cf. Dn 12.1; Jd v.9; Ap 12.7). Três vezes é referida essa categoria de anjo denominado de “forte”; e todas elas (5.2; 10.1; 18.21) para tarefas executivas de grande importância. Aqui, ele é o arauto de uma proclamação de grande urgência.

1. “O vocábulo” anjo em hebraico é “mal’ãkh” (lê-se malaque); no grego “angellos”. Ambos os termos denotam um “mensageiro de Deus”, familiarizado com Ele face, e por isso pertence a uma ordem de ser superior ai homem (cf. Sl 8.5 e 2P 2.11). A palavra é também usado na Bíblia, em alguns casos, para descrever homens mortais (cf. 2Sm 14.17; Mt 11.10; Ap 1.20). No presente texto, porém, refere-se a um mensageiro de natureza imortal”. Estas criaturas celestes são mencionadas cerca de 108 vezes no Antigo Testamento e 175 no Novo. Em Lucas nada menos de 23 vezes. Neste livro do Apocalipse, além de referências tais como: “...milhares de milhares” e “milhões e milhões” (5.11), são mencionados textualmente por 71 vezes: (1.1, 20; 2.1, 8, 12, 18; 3.1, 7, 14; 5.2, 11; 7.1, 2, 11; 8.2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10, 12, 13; 9.1, 11, 13, 14, 15; 10.1, 5, 7, 8, 9, 10; 11.1, 15; 12.7; 14.6, 8, 9, 10, 15, 17, 18, 19; 15.1, 6, 8’16.1, 3, 4, 5, 8, 10,12, 17; 17.1, 7; 18.1, 21; 19.17; 20.1, 9, 12, 17; 22.6, 8, 16 etc). Existem apenas 3 capítulos: 4, 6, 13 onde a palavra está ausente.

3. “E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele”.

I. “...podia abrir o livro”. O ato de desatar os selos significa “revelar” a mensagem do juízo, garantindo o seu cumprimento. Essa mensagem é aquela essencialmente contida nos capítulos sexto e oitavo do Apocalipse. Mas para tal, era preciso alguém que tivesse “dignidade” ou “no céu” ou “debaixo da terra”. Mas ninguém foi encontrado! A idéia de “dignidade” no presente texto e nos que se seguem, provavelmente, envolve, antes de tudo, o conceito de “dignidade moral”. Todavia, também deveria envolver outros aspectos.

1. Ninguém no céu. Os habitantes das regiões celestes, segundo o pensamento judaico e dos cristãos primitivos, habitavam em “muitas moradas”, ou seja, nos “lugares celestiais”, conforme se vê em (Jo 14.2 e Ef 1.3), onde o conceito é comentado por Paulo. Na presente passagem como em outras expressões do mesmo significado do pensamento, os habitantes aqui, referem-se aos anjos. Eles podiam até serem capazes, mas não eram “dignos” por terem sido criados (cf. Cl 1.16, etc).

2. Nem na terra. Refere-se aos homens num contexto geral. É esta a grande declaração do Salmista: “Os céus são os céus do Senhor, mas a terra deu-a ele aos filhos dos homens” (Sl 115.16). A primitiva morada dos homem foi o Jardim do Éden (Gn 2.8), porém, ao pecar, ele teve que desocupar esse lugar. E a partir daí, o homem fixou sua morada a trinta quilômetros do Rio Jaboque. Provavelmente, na cidade que leva o nome de “A-dai-mi~er, que segundo se diz, teria sido ali a verdadeira morada de Adão e Eva. Dali partiram as famílias adâmianas até Noé, onde essas famílias são destruídas pelo dilúvio e nos três filhos de Noé (Sem, cão e Jafé), têm novamente uma expansão eterna das famílias na face de toda a terra. Assim, no contexto social, e profético, os habitantes da terra, são de fato, os homens. Mas também, eram indignos para tão grande tarefa! Não podiam abri-lo!!!.

3. Nem debaixo da terra. O Hades está em foco nesta passagem. Os habitantes desta região melancólica e tenebrosa, são os espíritos dos homens que morreram sem encontrarem em Jesus a Salvação prometida. “Há uma tradição entre os escritos judaicos que diz: “Originalmente, o poço do abismo era reputado como o lugar que abrigava “os espíritos em prisão”; mas ali viviam apenas como “sombras” a vaguearem o redor”. Seja como for, tanto os espíritos humanos como seres angelicais; ali se encontram; mas também são indignos para uma tão grande e sublime missão. Assim ninguém podia sequer olhar para o livro, apenas João, para revelar o que viu.

4. “E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele”.

I. “...eu chorava muito”. Talvez seja esta a única ocorrência de uma pessoa chorar no céu: ali não haverá pranto! O termo grego aqui traduzido por “chorava”: indica um choro em voz audível (cf. Lc 6.21). João chorava muito por ver tanta indignidade diante daquele livro misterioso. Não admira, portanto, que João começasse a “chorar muito” – o verbo no imperfeito, que significa “chorar de modo audível”, como se tratasse duma criança decepcionada ou ferida, é empregado aqui – quando viu que ninguém respondia ao convite feito: “Quem é moralmente digno de abrir o livro?” Não havia ninguém digno de abri-lo. Talvez, como judeu, João visse naquele rolo selado, a significação de um título de resgate que não encontra remedo (cf. Jr 32.6-15).

1. “João afligia-se e chorava, porque temia que não houvesse alguém capaz de vencer o mal. Teria de ser UM: que? que fosse apto para cumprir os propósitos daquele que estava assentado sobre o Trono (cf. Ef 1.21), e pudesse vencer o mal, governando sobre os principados, poderes, potestades e domínios e, assim, por um fim ao grande conflito”. Só seria capaz de abri-lo, aquele que abriu o túmulo e venceu a morte: Cristo.

5. “E disse-me um dos anciãos: Não chores: eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos”.

I. “...O leão da tribo de Judá”. A presente expressão “leão da tribo de Judá”, faz alusão a uma das primeiras profecias messiânicas, em (Gn 49.9-10): “Judá é um leãozinho, de presa subiste, filho meu. Encurva-se, e deita-se como leão, e como um leão velho quem o despertará? O Cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Silo (aquele a quem pertence, outra tradução); e a ele se congregarão os povos”. De acordo com o Dr. G. Ladd a literatura judaica contemporânea ao Apocalipse, pintava a figura do leão para representar o Messias conquistador. Apesar de que esta metáfora não se encontra em nenhuma outra passagem do Novo Testamento. É óbvio que a referência em Gênesis 49 não é a um Messias humilde e sofredor, mas a um que brande o Cetro como um rei valente que governa (cf. Ap 10.3).

1. Que venceu. Cristo é Vencedor por vários motivos. Consideremos os pontos seguintes: (a) Através de seu ofício real; (b) Através de Sua descendência real como Filho de Davi segundo a carne. Rm 1.3; (c) Através do seu poder inerente, na qualidade de Leão da tribo de Judá; (d) Através do equilíbrio de seu caráter; (e) Através de sua missão terrena, que foi completada, incluindo a expiação, ressurreição e glorificação, como grande declaração de seu supremo poder pessoal. Essa grande vitória de Cristo é abrangente e universal e pode fazer calar a todos que pranteiam, a exemplo de João no presente capítulo.

2. A raiz de Davi. Em Isaías, 4.2, há referência a um Renovo que brotou dessa raiz, que Scofield comenta como segue: “O Renovo é um nome de Cristo, e é empregado em quatro maneiras:

(a) O Renovo de Jeová (Is 4.2), isto é, Cristo como Emanuel (7.14), para ser proclamado plenamente e manifestado a Israel restaurado e convertido depois de Sua volta em divina glória. Cf. Mt 25.31:

(b) O Renovo de Davi (Is 11.1 e Jr 23.5 e 33.13), isto é, o Messias, “da semente de Davi segundo a carne” (Rm 1.3), revelando na glória terrestre como o Rei dos reis e Senhor dos senhores:

(c) O Servo de Jeová, o Renovo (Zc 3.8), o Messias em humilhação e obediência: até a morte, de acordo com Is 52.13-15 e 53.1-12; Fl 2.58:

(d) O Homem cujo nome é Renovo (Zc 6.12, 13), isto é, Seu caráter com o Filho do homem, o “último Adão”, o “segundo homem” (1Co 15.45-47), reinando como Sumo sacerdote-Rei sobre a terra, no domínio dado a, e perdido pelo primeiro Adão. Mateus é o Evangelho do Renovo de Davi; Marcos do Servo de Jeová, o Renovo; Lucas, do “Homem cujo nome é Renovo”; João do Renovo de Jeová. Deus”.

6. “E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a terra”.



I. “...Um Cordeiro”. O nome “Cordeiro” (gr. “arnion”) ocorre 27 vezes no Apocalipse e proporciona um sentido lato e significativo. O vocábulo está em foco nas seguintes passagens: (5.6, 8, 13, 14; 6.1, 16; 7.10, 17; 12.11; 13.8; 14.4 (duas vezes), 10; 17.14; 19.7, 9; 21.9, 14, 22, 23, 27; 22.1, 3, 14). Em 13.11: é usado para descrever a segunda Besta. O Cordeiro do versículo 6 é o mesmo Leão do versículo 5. Ele é na qualidade de um “Cordeiro” na sua mansidão em tratar com os homens, mas, como o Leão, no Seu poder irresistível para executar juízo contra os ímpios. Nas páginas do Antigo Testamento, conforme devemos estar lembrados, o cordeiro pascoal conferiu aos israelitas a vitória sobre o Egito, não sendo apenas aquilo que forneceu a expiação. Paulo alude à pessoa de Cristo como a páscoa, que foi sacrificado por nós (1Co 5.7). João, em todo o Novo Testamento, ao referir-se à pessoa de Cristo como Cordeiro, usa o termo no grego “arnion”. O vocábulo grego “anion” é a forma diminutiva de “arnos”, e necessariamente tem o sentido de “cordeirinho”, expressando, assim, a inocência de Cristo (cf. Is 53.7; Jo 1.29, 36; At 8.32; 1Pd 1.19, etc).

1. Como havendo sido morto. Sobre essa intuição de fundo, o autor constrói: sua vertical simbólica. Quatro vezes no Apocalipse se fala de Cristo como havendo sido morto, imolado (5.6, 9, 12; 13.8). Seu sangue sacrificial tinge cada cena deste drama espiritual. João é assegurado de que seu poderoso Messias, já conquistou uma grande vitória. A palavra ‘venceu” diz literalmente “ganhou uma vitória”. Observemos em uma pausa reflexiva, os dados fornecidos pelo autor: (a) “imolado” exprime o sacrifício cruento de Cristo; (b) “de Pé” (Ed. Atualizada), sua ressurreição.

2. E sete pontas. (E sete chifres: Ed. Atualizada). “Chifres, o orgulho do novilho jovem, são uma escolha que claramente quer representar força invencível. J. Mellaart descobriu que em alguns povoados da Idade da Pedra na Ásia Menor os chifres do gado eram guardados e usados para decorar cadeiras, ou talvez para servir de encosto para a cabeça: Como troféus de caça eles representavam vitória sobre a força. De maneira semelhante, na “Bênção de Moisés” José é um novilho primogênito, “...e as suas pontas são pontas de unicórnio: com elas ferirá os povos juntamente até às extremidades da terra...” (cf. Dt 33.17). Os chifres podem ser exaltados na vitória ou cortados na derrota (Sl 75.10). Quando usada neste sentido figurado a palavra tem a forma plural normal, e não a forma dual e coisa que existem normalmente aos pares. O mesmo vale para os chifres artificiais do altar, e da palavra usada no presente texto de Apocalipse, onde a palavra é usada para representar: “totalidade de perfeição naquilo que empreende”.

3. Sete olhos. A presente expressão encontra seu paralelo na passagem de Zc 4.10b. De acordo com o Dr. H. G. Michell, a palavra “ayon” (olho) é muito versátil no hebraico. Além de significar o olho físico, ela aparece em contextos de metáforas conhecidas para nós, como “...na menina do seu olho” (Zc 2.8), “...foram abertos olhos de ambos” (Gn 3.7), “...o seu olho será mesquinho para com...” (Dt 28.54, RIB). Em outros termos temos de ser mais literais na tradução, ou mudar a metáfora: o olho (face) da terra (Êx 10.5), o lho (aparência) do maná (Nm 11.7), o lho (brilho) do vinho (Pv 23.31), e o olho (resplendor) do bronze (Ez 1.4). No texto em foco, “os sete olhos” do Cordeiro estão associados com os “Sete Espíritos”. Isso pode apontar para a “onisciência em plenitude”, discernimento: visão circundante.

7. “E veio, e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono”.

I. “...tomou o livro da destra”. O livro estava na “destra” (mão direita) de Deus. Simbolicamente, representa a mão mais forte: a mão do poder:

1. O antigo Testamento absolutamente não se compraz em antropomorfismos (com algumas exceções), mas falar da “mão” da “direita” de Deus, é humanamente a maneira concreta de falar da autoridade do Deus vivo e ativo, que cria e mantém ativamente, ataca e defende, que julga,castiga e salva. Mostra-nos poucas vezes as mãos consoladoras e envolventes (Is 40.11), maternais (Nm 11.12!). Fala da mão libertadora (Êx 13.3), do Senhor proprietário (Sl 95.4), do pastor que não perde de vista seu rebanho (Sl 95.7), do protetor livre e poderoso (Is 40.2) do rei que instrui seus mensageiros (Ez 3.22; 37.1), do Criador (Sl 104.28), do juiz que usa de severidade (Is 5.25), do adversário invencível (Dt 32.39; 2Sm 24.14), do juiz de último instância (Sl 31.6, 16). “Vingadora “não vindicativa, mas literalmente: mão de justiça. Is 41.10)”, esta mão restaura a justiça em prol dos oprimidos e da honra de Deus. No mesmo sentido fala-se do braço do Senhor.

2. O Novo Testamento raras vezes fala da mão ou da destra de Deus (Lc 1.51; Hb 10.31; 1Pd 5.6). Efetivamente a intervenção divina tomou forma e nome na aparição de Jesus Cristo; agora, o novo Testamento fala expressamente deles, isto é, do Pai e o Filho em conjunto. Em compensação, a expressão “à direita de Deus” (do Salmo 110) figura uma vinte vezes. Usa-se expressões similares; “O exaltor” (At 5.31), “assentou-se” (Hb 1.3), “em pé” (somente At 7.55 e ss), “à destra de Deus”, significa pois, que Jesus, após seu ministério, morte e ressurreição foi instalado por Deus como rei no sentido do Salmo 110, ou seja como vencedor de todos os seus inimigos: recebendo todo o poder “no céu e na terra”(cf. Mt 26.64; 28.18; Rm 8.34; Ef 1.20; Cl 3.1; Hb 8.1; 10.12; 12.2 e 1Pd 3.22).

8. “E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos”.



I. “...Harpa”. Originalmente, esse instrumento era de formato triangular, com sete cordas (provavelmente estas,de caráter divino tenham dez cordas). Mas tarde, o número de cordas foi aumentado para onze e Josefo menciona em seus escritos harpas contendo dez cordas, as quais eram tangidas com um “plectrum” – pequena peça de marfim. O uso da harpa fala da celebração de vitória. Citada cerca de 43 vezes no Antigo Testamento, está ligada sempre ao cântico. As do presente texto, lembram, as harpas nos salgueiros significando o cativeiro e portanto ausência de cântico (Sl 137.2). João fez referência às orações dos santos (5.8), porque ajudaram a executar a investida de Jesus como juiz e Senhor de todos. O cântico dos 144.000 era acompanhado por esses instrumentos (Ap 14.2), e de igual modo o cântico de Moisés, e do Cordeiro junto ao “mar de Vidro” (Ap 15.2). A harpa é um instrumento já mencionado em (Gn 4.21). Também nos Salmos há alusão a esses instrumentos (ver Salmos: 33.2; 98.5; 147.7, etc). Foi a harpa (excetuando-se a trombeta) o único instrumento mencionado no culto celeste e comumente usada nos cultos do Antigo Testamento: “Celebrai ao Senhor com harpa” (Cf. Sl 33.2). Entre os judeus, as harpas representavam louvores.

9. “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação”.



I. “...cantavam um novo cântico”. Segundo Russell Norman Champrin, Ph, D. Os “novos cânticos” do Apocalipse podem ser vistos em Ap 5.9 (o texto em foco) e 14.3. Também há outras “coisas novas” neste livro, como sendo: “um novo nome”. (Cf. Ap 2.17); a “nova Jerusalém” (Ap 3.12 e 21.2); o “novo nome de Cristo”. (Cf. Ap 3.12) e os “novos céus e nova terra” (Ap 21.1); além do fato que todas as coisas serão “novas” (Ap 21.5). No texto em foco encontramos três doxologias. A primeira delas aqui, e começa aqui, e ocorre na cena imediata do trono, sendo proferido pelos elevados poderes angelicais. A segunda (ver os versículos 11 e 12) é um eco da primeira, com adições da parte da inumerável hoste de anjos. E a terceira é expressa pela “criação inteira”, partindo dos céus, da terra até do Hades (ver os versículos 13 e 14). A medida que o Apocalipse se desdobra, esta doxologia aumenta. Nesta passagem ela possui duas partes: em 4.11, possui três; em 5.13, possui quatro e em 7.12, sete. O grande “Amém” celestial dos mais elevados poderes angelicais santifica essas três doxologias.

10. “E para o nosso Deus os fizestes reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra”.



I. “...e eles reinarão sobre a terra”. Foi predito nas Escrituras que, um dia, Israel será cabeça das nações. Isso sucederá durante o Milênio. Mas o presente versículo mostra-nos que a posição do Israel espiritual, a Igreja, será ainda mais elevada. O texto em foco, lembra-nos (Mateus 5.5), quando Jesus em seu imortal ensino disse aos seus discípulos: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”. O texto em apreço, fala do Milênio de Cristo; no primeiro caso, e de nossa herança no “Novo Céu e Nova Terra”, onde habita a justiça; no segundo (cf. 2Pe 3.13). Essa é, nosso ver, uma face interessantíssima da remissão. Somos, assim, como um pobre rebanho que o Cordeiro deu ao pastor, depois de transformar-se ao ponto de nos constituir “reino e sacerdotes”; isto é, súditos do Reino Celestial e Sacerdotes para Deus, o Pai. Essa promessa de “reinar sobre a terra” é para o futuro, mas também tem aplica;cão na era atual; estamos, realmente, já reinando ao lado de Cristo, no “Reino de Deus” (cf. Rm 14.14, etc).

11. “E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões e milhares de milhares”.



I. “...milhões de milhões e milhares de milhares”. Graficamente falando, os anjos são mencionados por 293 vezes nas Escrituras, mas na esfera celeste este número é elevado à terceira potência: “Há muitos milhares de anjos” (Hb 12.22) e “milhões de milhões” (Ap 5.11). O Salmista Davi inspirado por Deus, fala de “milhares de milhares” na poesia (Sl 68.17). A angelologia do Antigo Testamento atingiu seu mais alto desenvolvimento no livro de Daniel. Ali os anjos são pela primeira vez em toda a extensão das Escrituras dotados de nomes próprios. (Ver Dn 8.16 e 10.21). No conceito geral dos escritores sagrados, o anjo é um “enviado”, pouco importa sua natureza boa ou mal, dependendo do contexto (cf. Ap 12.7 e ss). São enviados por Deus para missões específicas e dependendo do ofício do mensageiro, são chamados:

1. (a) sacerdotes. Ec 5.6 e Ml 2.7; (b) intérpretes. Jó 33.23; (c) homens. Lc 24.4; (d) mancebos. Mc 16.5. Na poesia são chamados de “deuses” (Sl 97). A palavra hebraica “deuses” é traduzida por anjos, angellos no grego da Septuaginta e assim aparece no texto original da Epístola aos Hebreus.

2. O Dr. E. H. Bancroft, citando Gabelein diz; “Em Hb 12.22 os anjos são indicados como uma inumerável companhia, literalmente, miríades. De acordo com Lc 2.13, multidões de anjos apareceram na noite do nascimento de Cristo, clamando de alegria em visita do início da nova criação, como tinham feito no principio da primitiva criação. Quão vasto é o número deles, somente o sabe Aquele cujo nome é Jeová-sabaote, o Senhor dos Exércitos. Cenário de beleza nunca vista; João ouviu a voz de muitos anjos. Não está escrito que os anjos aqui cantavam. Alguns acreditam assim. (Jo, descreve que os anjos cantam! Quando cantaram os anjos? Na criação do universo (particularmente da terra): “...Quando se fundava a terra... as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?”. Jó 38.4, 7).

12. Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças”.



I. “...Digno é o Cordeiro, que foi morto”. O Cordeiro é o centro do livro do Apocalipse e, místico e brilhante, como enfatizado na nota triunfal repetida sete vezes (v.12): “...poder, riquezas sabedoria, força, honra, glória, e ações de graças...”. Neste capítulo temos o palco divino preparado para o juízo. No versículo seis, fala-se de um “Cordeiro” como havendo sido “morto”. Nesta passagem, porém, aparece novamente o mesmo cordeiro como sendo “Digno” de toda a honra. A palavra “Cordeiro” em sentido etimológico, naturalmente tem ligação com os sacrifícios estabelecidos pela lei cerimonial. A dignidade de Cristo inspira a longa lista de palavras elogiosas, as quais combinam mas ultrapassam aquilo que já fora dito em Ap 4.9, 11. Notemos que em Ap 4.11, Deus também é chamado de “Digno”. Assim, pois, tanto a dignidade especifica é conferida a Deus Pai como a Deus Filho.

13. “E ouvi a toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que nelas há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre”.



I. “...E, ouvi a toda a criatura...”. O presente versículo lembra o Salmo 29, onde o Salmista apresenta “cântico similar” sobre uma tempestade, e o mesmo é ouvido no “interior do céu”, e os anjos (filhos de Deus) são convidados para se ajuntares ao louvor e à adoração a Jeová, na beleza da sua santidade. Leslie S. – M’Caw descreve o que segue: “O âmago do poema, descreve uma tempestade vinda do mar Ocidental que atravessou as colinas cobertas de florestas no Norte da Palestina e chegou aos lugares áridos de Cades, nas fronteiras extremas de Edom (Nm 20.16). Tal acontecimento é apresentado não como demonstração de poder natural, mas como uma sinfonia de louvor ao Criador, que realmente participou com uma voz de trovão (cf. Salmo 18.13). A porção descrita do poema se divide em três estrofes iguais que correspondem com:

1. (a) a formação; (b) o assalto; (c) a passagem da tempestade:

2. Observemos: (aa) A aproximação da tempestade. Vs 3 a 4; (bb) O assalto. Vs. 5 a 7; (cc) A passagem da tempestade. Essas três coisas, que sugerem turbulenta energia, se resumem em duas palavras: (aaa) “dá”; (bbb) “paz”. A primeira palavra, dá, é uma conclamação à adoração; e a última palavra, paz, implica em sua vontade de abençoar”. Aqui, agora, a cena se repete em forma crescente e pluralizada: “...sejam dadas...etc”. No salmo em foco, a impressão geral é de pressentimento opressivo, a atividade está oculta, o poder está sendo controlado, o Deus da glória (v.3) ainda não se tornou evidente, e Sua voz está abafada. E, temos extremo, os angélicos filhos de Deus se prostram em santa adoração. A mesma ação, se reproduz aqui, toda natureza entra em ação: todas as coisas!!!

14. “E os quatro animais diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre”.



  1. ...os vinte e quatro anciãos prostravam-se, e adoravam”. O Dr. R. Norman Champrin, declara: “A primeira das três doxologias começou diante do trono, entoada pelos anciãos e pelos seres viventes. A segunda aumentou o escopo da doxologia, em um círculo crescente, incluindo os céus, através da agência das inumeráveis hostes angelicais. A terceira ampliou ainda mais seu escopo, envolvendo os lugares celestiais, a terra e até mesmo o Hades, da qual participaram todos os seres criados e até mesmo a natureza inanimada”. Os anciãos e os animais vistos no presente versículo, percorrem todo esse livro como figuras elevadíssimas. Só no capítulo 19.4, eles nos “dão um adeus” e a partir daí nos esperam na eternidade. Este louvor do versículo 14 (do céu), encontra-se em harmonia com o louvor do versículo 13 (da terra). É a antevisão de uma Era Futura. Futura, mas iminente. As cenas do capítulo cinco são proféticas, e de tais eventos participará a Igreja Invisível de todos os tempos.




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