Apocalipse



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Capítulo XX


1. “E VI descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão”.

I. “...um anjo, que tinha a chave do abismo”. O Arcanjo Miguel deve está em foco nesta passagem. Ele é o anjo guerreiro, citado sempre em conexão com a guerra (Dn 10.21; 12.1; Jd v.9; Ap 12.9). Mas dessa vez sua tarefa é infinitamente maior. Ele deve amarrar ao próprio Satanás. Naturalmente não poderia fazer isso, exceto pela autoridade e poder de Deus. De acordo com Ap 1.18, é Cristo o possuidor das chaves: da morte e hades, a dimensão dos mortos. Portanto, nesta passagem, o uso dessas chaves é concedido ao elevado poder angelical por delegação divina.

1. O Abismo. Essa expressão é equivalente a “Hades”, “Sheol” e outros termos que são traduzidos dentro do mesmo conceito. São palavras usadas tanto pelos escritores do Antigo como do Novo Testamentos. E agora, o “abismo” servirá de prisão durante mil anos para Satanás. “Hades” em sentido lato, quer dizer “escondido”. A Bíblia também o descreve como sendo um “lugar” (At 1.25). Ele é realmente uma prisão contendo portas e ferrolhos (Jó 17.16; Mt 16.18), e ainda chaves que presentemente estão nas mãos de nosso Senhor Jesus Cristo. “O abismo ou abysus (grego) ou poço do abismo, ou tártaro no grego é a “escuridão” onde está localizada a prisão dos espíritos maus. Jd v.6”. (Ver notas expositivas sobre isso, em Ap 9.2).

2. “Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos”.

I. “...ele prendeu o dragão”. Muitos têm dificuldade em aceitar a prisão de Satanás no sentido literal. Mas nós temos na Bíblia outras passagens falando de “...espíritos em prisão” (1Pd 3.19; 2Pd 2.4; Jd v.6). As algemas que o agrilhoarão são de fabricação divina. Não há, pois, razão para o sentido literal da “cadeia” e “prisão” de Satanás, pois a palavra grega usada para “cadeia” (hálusis), é a mesma usada nas passagens de (At 12.7; 28.20; 2Tm 1.16; T. Nestlé). Em todas essas passagens a significação é literal. Essas precauções contra o grande inimigo de Deus mostram-nos a grande e perigosa força desse inimigo; segurar, prender, lançar no abismo, fechá-lo, pôr selo sobre ele!. Os mil anos de Satanás no abismo não produzirão nenhuma mudança em seu caráter maligno. Uma vez que seja liberto, provará ser o mesmo antigo diabo. Isso prova, que prisão não “transforma” mas “deforma”. Mas enquanto estiver preso a terra se sentirá aliviada, e o reino milenial de Cristo trará paz e justiça por mil anos.

3. “E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto, por um pouco de tempo”.



I. “...e pôs selo sobre ele”. Devemos observar que, além da chave e da corrente, haverá também alguma “espécie de selo” posto sobre ele impedindo-lhe espaço para qualquer movimento ou ação maléfica de sua pessoa , já estamos bastante familiarizados com o (“selo”) como sinal de autoridade e respeito (Dn 6.17; Mt 27.66), como instrumento de marcar ou de fechar, com um pouco de cera ou metal, que conserva fechado algum receptáculo ou livro. Este selo posto sobre Satanás o colocará na condição de uma “múmia”, o qual como “sombra” apenas em seu sentimento perverso se revolverá ao redor da prisão. É possível que, nesta passagem, devamos entender a selagem da entrada do abismo, para que dali Satanás não possa sair.

1. Até que os mil anos se acabe. Neste capitulo chegamos a “sétima” e última “dispensação da plenitude dos tempos” (o Milênio). Nesta secção encontramos seis vezes expressão (“mil anos”): vs. 2, 3, 4, 5, 6, 7, com respeito ao Milênio. O termo derivado do grego “chilliad”, e do latim “millenium”; aponta para o futuro governo sobre a terra, exercido pelo “Príncipe da Paz” durante mil anos. Jerusalém será o centro de adoração para todos os povos e a Capital religiosa do mundo (Jr 3.17; Zc 14.16 e ss): Assim o Reino do Messias será universal.

4. “E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus e que não adoravam a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos”.

I. “...e vi tronos”. O livro do Apocalipse, em sua divisão menor tem 404 versículos do presente texto, sendo, porém, o maior deles (62 palavras). Este versículo nos fala de tronos e juízes. Devem ser os mesmos personagens vistos no capítulo 4.4 deste livro; sem dúvida alguma, o que falou Jesus em Mateus 19.28: “...quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vós (os doze Apóstolos) assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel”. (Ver notas expositivas sobre “tronos”, em Ap 2.13).

1. As almas daqueles que foram degolados. Essas são as mesmas que João viu “debaixo do altar”, em Ap 6.9: (são os mártires da Grande Tribulação), eles agora terão o direito de “viver”. Os tempos dos verbos gregos usados nesta passagem reforçam o significado do pensamento. O Dr. MacDowell nos fornece a seguinte sugestão: “Viveram (ezesam, aoristo ingressivo) e reinaram com Cristo, etc.”. “...Os outros mortos não reviveram (ezesam, aoristo ingressivo) até que os mil anos se acabaram”. Assim a expressão: “...e viveram”quer dizer: “...e ressuscitaram” por Cristo.

5. “Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição”.

I. “...Mas os outros mortos não reviveram”. Justino Mártir, que viveu em Éfeso cerca de 135 d. C., escreveu acerca do Apocalipse de João “E, além disso, um homem entre nós, de nome João, um dos apóstolos de Cristo, profetizou em uma revelação que feita, de que aqueles que confiassem em Cristo passariam mil anos em Jerusalém, e que depois viria a ressurreição universal e eterna de todos, como também o juízo final”. As Escrituras usam pelo menos três expressões sobre ressurreição:

1. RESSURREIÇÃO (“de”) MORTOS. Esta compreende pela ordem: O filho da viúva de Sarepta (1Rs 17.21-22); O filho da Sumamita (2Rs 4.34-35); O homem que tocou os ossos de Eliseu (2Rs 13.43-44); O filho da viúva de Naim (Lc 7.11-17); A filha de Jairo (Lc 8.54-55); Lázaro de Betânia (Jo 11.43-44); Tabita (At 9.40-41); Um jovem por nome Êutico (At 20.9-12).

2. A RESSURREIÇÃO (“dentre”) OS MORTOS. Esta compreende “...cada um por sua ordem...” (1Co 15.23). Esta ordem de ressurreição, cronologicamente é mais ou menos assim: (a) Cristo as primícias. 1Co 15.20, 23; (b) Os que ressuscitaram por ocasião da ressurreição do Senhor. Mt 27.52-53; (c) Os que são de Cristo na sua vinda. 1Co 15.23 a 24; (d) As duas testemunhas escatológicas Ap 11.11-12; (e) Os mártires da Grande Tribulação. Ap 20.4.

3. A RESSURREIÇÃO (“dos”) MORTOS. Esta é geral e abrangente. Ela compreende todos os mortos que morreram em seus delitos e pecados (cf. Dn 12.2; Jo 5.28-29).

6. “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição: sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos”.

I. “...parte na primeira ressurreição”. A “Bem-aventurança” do presente versículo é aplicada à “ressurreição dos santos”. O bem-estar espiritual, ou a felicidade dos mártires advém da primeira ressurreição. Assim, receberam a “vida última”. O Novo Testamento, em seu conceito geral, jamais encerra a “vida eterna” como tendo lugar apenas nesta vida, mas ele declara que após a morte física, o ser humano continuará vivendo na eternidade. Sobre os participantes da primeira ressurreição, podemos inferir que finalmente eles têm sido perdoados e não aparecem no último juízo (cf. Jo 5.24). Admite-se contudo, que a inferência mencionada por último não seja tão estranha como parece ser para alguns estudiosos da Bíblia, isto é, dos cristãos serem “sacerdotes”, e “reis” no Milênio. Para nós, isso não estranho, pois isso sugere que há um ministério para eles cumprirem na última dispensação: a milenial (cf. Ez capítulo 40-48).

7. “E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão”.



I. “...Satanás será solto”. Com a soltura deste terrível ser, a geração da nova, como foi provado Adão, no jardim do Éden (Gn capítulo 3). Não seria mais necessário o homem agora aderir a Satanás a despeito de tudo que Cristo já realizou por sua pessoa, porém, aqui, fica demonstrada a natureza humana. “A humanidade já foi provada sob todas as condições possíveis, e falhou em cada prova. Falhou debaixo da lei, e ainda mais debaixo da graça, e agora, “na dispensação da plenitude dos tempos” (o Milênio), quando o Senhor é conhecido em tudo o mundo e reina a justiça em toda a terra, torna a falhar, não correspondendo à graça de Deus, a ele oferecida...”. Esta dispensação, que pela ordem cronológica é a sétima e a última. Não será um tempo de graça, mais de justiça divina para todos; será o tempo em que “...os reinos do mundo” serão só de nosso Senhor e do seu Cristo (11.15). Cumprir-se-á finalmente Daniel 7.13-14, suas palavras são aplicáveis a esse tempo do fim.

8. “E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha”.



I. “...Gogue e Magogue”. Ezequiel 38-39 fala de Gogue, Magogue, Mezeque e Tubal. Geograficamente falando, “São regiões ocupadas pelos antigos citas e tártaros, correspondendo aos modernos russos. Josefo diz que Magogue são os citas ou tártaros, correspondendo aos modernos russos. Josefo diz que Magogue são os tártaros que são os russos”. Mezeque converteu-se em Moskva (Moscou), como diz em russo, e Tubal é o moderno nome de Tobolsk. Profeticamente falando, essa nação do norte é inimiga de Israel. Em nossos dias, como é sabido, essa nação vem orando a Deus, para que o mesmo impeça uma invasão de Gogue à Terra Santa.

1. “No dia 28 de novembro (1983), 25 judeus ortodoxos foram a Hebrom, para interceder diante de Deus junto ao túmulo de Abraão para que “a chegada de Gogue e Magogue ainda seja adiada”, pois alguns deles tiveram um sonho: “Gogue e Magogue estariam prestes a vir”. Já o rabino-chefe, diante do Muro das Lamentações considerou que “verdadeiros cabalistas não deveriam orar pelo adiamento da vinda de Gogue e Magogue, mas pelo seu rápido aparecimento, pois, assim, seria apressada a vinda do Messias”. Porém, é evidente que a investida de Gogue e Magogue na passagem em foco, não se refere àquela mencionada em Ez capítulo 38-39. Uma está distante da outra, pelo menos, 1000 anos. Os nomes “Gogue e Magogue” em Ezequiel, se referem aos poderes do norte, chefiados pela Rússia; após o Milênio, porém, os nomes “Gogue e Magogue” são empregados metaforicamente para representar (“as nações que estão sobre os quatro cantos da terra”).

9. “E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu, e os devorou”.

I. “...desceu fogo do céu, e os devorou”. O comandante do norte na sua invasão a Terra Santa, não chegou a cercar “...o arraial dos santos” (ISRAEL) nem “...a cidade amada” (JERUSALÉM), mas foi derrotado por Deus nas montanhas da Judéia; e, ainda por um ato de misericórdia divina teve um (“lugar de sepultura”) ao oriente do mar Morto (Ez 39.11). Nesta secção porém, Gogue e Magogue aqui, representados, serão tragados por fogo que “desceu do céu”, e os devorou. “No sentido mais profundo, o Apocalipse é um livro de divindade. É um livro acercar de Deus; é um livro sobre os atos de Deus. Por igual modo, a derrota das forças do mal é um ato divino. Os habitantes da cidade amada descobrirão que Deus terá feito a causa dele e a causa deles. Eles terão armas suficiente poderosas para aquela batalha final. Mas Deus proverá seu fogo destruidor dos céus”.

10. “E o diabo que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”.



I. “...o diabo, que os enganava”. Aqueda de Satanás nesta secção, aludi, profeticamente, à queda de todos os poderes do mal, conforme se depreende na secção seguinte. Ele tinha já passado mil anos no abismo, mais isso foi uma ação intermediária. Agora, entretanto, ele sofrerá sua derrota final e irá para seu destino. Finalmente a cabeça da serpente é ferida para sempre (Gn 3.15). A vitória conseguida sobre o diabo no calvário agora recebe operação completa. Sua queda será gradual. Ele será expulso dos ares para a terra e o mar no período da Grande Tribulação (12.9 e ss). Será aprisionado por mil anos (20.2 e ss). E então, no texto em foco, derrotado completamente pela ação poderosa e imediata de Deus, mesclada de ira. Este capítulo do Apocalipse é a consolidação, no que diz respeito a toda e qualquer revolta ou rebelião do ser humano ou de hostes espirituais do mal. O bem triunfará, e o Cordeiro de Deus, tirará definitivamente “...o pecado do mundo” (Jo 1.29), e só existirá no Universo a semente do bem.

11. “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles”.



I. (“...UM GRANDE TRONO BRANCO”). Já tivemos ocasião de frisar em notas expositivas nos capítulos 2.13 e 20.4 deste livro, a palavra “trono” ou “tronos”. Ela, no grego, é (“thonos”). É usada no Novo Testamento com o sentido de “trono real” (cf. Lc 1.32, 52), ou com o sentido de “tribunal judicial” (cf. Mt 19.28; Lc 22.30). Também há alusão aos “tronos” de elevados poderes angelicais, ou governantes humanos (cf. Cl 1.16). O trono do presente texto, é grande! É de vastíssimas dimensões enchendo o campo inteiro de nossa visão; expulsa da vista todos os outros elementos. Ameaça; deixa a mente atônita. Trata-se de um infinito julgamento, diante do qual está que é finito: o pobre humano, morto. O trono é branco! Resplandece de pureza e de santidade, o que exije justiça! Castigo! Julgamento! Purificação! Retribuição! Tudo isso descreve uma cena fora da história humana! É o juízo Final!

12. “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida: e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras”.



I. “...grandes e pequenos”. O Filho se assentará juntamente com o Pai, em seu trono, para julgar. Mas o Pai é quem figura majestaticamente em todas as seguintes referências: (At 17.31; Hb 1.3; Ap 4.2, 9; 5.1, 7, 13; 7.10; 19.4; 21.5), e por meio de Jesus todos ali serão julgados (Jo 5.22). Duas classes de seres, ali serão julgados: “...os grandes” (os anjos caídos). 2Pd 2.4; Jd v.6, e os “...pequenos” (os homens em sentido geral). Sl 8.5; Hb 9.27. Todos ali “...postos em pé” diante do trono. Fica assim subentendida no expressivo a “segunda ressurreição”, isto é, dos incrédulos (20.5).

1. Os mortos foram julgados. Entre os muitos julgamentos ou juízos mencionados na Bíblia, sete têm significação especial, como é descrito por C. I. Scofield em seu SCOFIEL REFERENCE BIBLE:

(a) O julgamento dos pecados do crente na cruz de Cristo. Jo 13.31. Ele foi aí justificado porque Cristo, havendo levado os seus pecados sobre a cruz, foi feito por Deus justiça. 1Co 1.30:

(b) O crente julgando-se a si mesmo, para não ser julgado com o mundo. 1Co 11.31:

(c) O julgamento das obras dos crentes diante do Tribunal de Cristo, logo após o arrebatamento. Rm 14.10; 1Co 3.12; 2Co 5.10:

(d) O julgamento das nações vivas, na “parousia” de Cristo com poder e grande glória. Mt 25.32 e ss:

(e) O julgamento de Israel, na volta de Cristo. Ez 20.33 e ss; Mt 19.28, etc.

(f) O julgamento descrito por Paulo em 2Tm 4.1, que se dará “...na sua vinda e no seu reino”.

(g) O julgamento do “Grande Trono Branco” aqui mencionado nesta secção (20.11-15)

13. “E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras”.



I. “...deu o mar os mortos que nele havia”. Estes mortos saídos do mar, são aqueles que foram tragados na hecatombe provocada quando “... desceu fogo do céu”. (v. 10); Eles não passaram pela ação “intermediária” do Hades, visto que concomitantemente foi estabelecido o juízo final. João observa que não necessário no julgamento um anjo assistente “abrir” os livros. Eles se abriram movidos por uma força sobrenatural emanada do supremo Juiz: observe-se a frase: “...e abriram-se os livros...” (v.12). Podemos observar a exposição excepcional do versículo 15 desta secção, ela demonstra um julgamento individual, confirmando o versículo 13: “...e foram julgados (“cada um”) segundo as suas obras”. Deus julgará cada um segundo as suas obras”. Deus julgará cada um segundo as suas obras, porque no inferno há também grau elevado de sofrimento (Ez 32.21-23; Hb 10.29); após uma acurada investigação do Justo Juiz, nas obras, feitos, motivos, memória e consciência, confrontando tudo com o que está escrito em cada livro (Jo 12.48). Ali agora só há uma sentença: “Apartai-vos de mim!”. Alguém se estremecerá, mas ali não haverá margem para erro, para indecisão, equivoco ou modificação.

1. Existe uma pergunta no meio da cristandade e até fora dela baseada nos versículos 11-15 que termos nesta secção: (“como serão julgados aqueles que morreram sem ouvir o Evangelho?”). Essa pergunta quando dentro da lógica da visualização do homem pode ultrapassar qualquer possibilidade de entendimento da mente humana. Mas é evidente que, Deus tem falando e vem falando ao homem de “muitas maneiras” (Hb 1.1). Paulo diz que o Evangelho foi “pregado a toda criatura que há debaixo do céu” (Cl 1.23). Deus pode alcançar através de seus métodos a todos os homens; vejamos alguns dos métodos de Deus:

(a) DEUS fala através do Universo: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento (“anuncia”) a obra das suas mãos... Sem linguagem, sem (“fala”), ouvem-se as suas vozes, em (“toda a extensão da terra”), e as suas palavras até ao fim do mundo”. Sl 19.1-4:

(b) DEUS fala através da percepção: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles (nos homens) se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder... se entendem, e claramente se (“vêem”) pelas coisas que estão criadas, para que eles (os homens) fiquem inescusáveis”. Rm 1.19-20:

(c) DEUS fala através da consciência: “Porque, quanto os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei. Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, que acusando-os, quer defendendo-os; no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo”. Rm 2.14-16:

(d) DEUS fala através da vida dos animais: “Mas, pergunta agora às alimárias, e cada uma delas to ensinará; às aves dos céus, e elas to farão saber; ou fala com a terra; e elas to ensinará até os peixes do mar to contarão. Quem não entende por todas estas coisas que a mão do Senhor fez isto?”. Jó 12.7-9:

(e) DEUS fala através dos meios geográficos: “...Deus anuncia agora a (“todos os homens”), e em (“tudo o lugar”), que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo...”. At 17.30-31:

(f) DEUS fala através dos sonhos: “Antes Deus fala uma e duas vezes, porém ninguém atenta para isso. Em sonho ou visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama. Então (“abre os ouvidos dos homens”), e lhes sela a sua instrução. Para apartar o homem do seu desígnio, e esconder do homem a soberba; Para desviar a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada”. Jó 33.14-18:

(g) DEUS fala através dos anjos: “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar (“aos que habitam sobre a terra”), e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo”. Ap 14.6:

(h) DEUS fala através de seu Filho: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. Hb 1.1:

(i) DEUS fala através de sinais e milagres: “Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo...”. Hb 2.4a. Perguntamos agora: havendo Deus falado tanto e de muitas maneiras, chegará alguém inocente diante do Grande Trono Branco? (Êx 34.7). Segundo se depreende do significado do pensamento, aqueles que não viveram de acordo com a (“FÉ”). Rm 4.5-6; Hb 10.38; serão ali julgados de acordo com as (“OBRAS”). Jn 3.10. Deixemos o assunto com o Senhor – O Justo Juiz (Dt 29.29; Rm 4.15).

14. “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo: esta é a segunda morte”.



I. “...foram lançados no lago de fogo”. Naturalmente, é provável que este versículo seja o cumprimento real, daquilo que profetizou Is 25.8, e citado por Paulo em seu argumento sobre a ressurreição, em 1Co 15.26, onde é descrito que o “...último inimigo que há de ser aniquilado é a morte”. Isso significa um triunfo total de Cristo e dos santos. A morte, como aliada do pecado, será destruída juntamente com o pecado; o Hades não envolverá mais terrores, para os santos nos céus. Não haverá mais temor da morte (Hb 2.15) ela não existirá (21.4). O ciclo temível do juízo agora está completamente terminado. O Anticristo e seu consorte já haviam sido lançados no lago de fogo (19.20). Satanás sofreu essa mesma sanção (20.10). Agora a morte e o inferno, são ali lançados. E no versículo 15, chegará a vez dos perdidos. É realmente a sorte dos ímpios, e todas as gentes que se esquecem de Deus (Sl 9.17). Os anjos maus foram também ali lançados (Mt 25.41).

15. “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”.



I. “...aquele que não foi achado escrito”. É evidente que os salvos, que comparecerão diante do trono branco, cujos nomes “se encontram no livro da vida”, não é a Igreja (isso não afasta a possibilidade de ela estar presente, mas não para ser julgada, e, sim, tomar parte no julgamento), e sim, aqueles que foram fiéis a Deus durante o Reino Milenial de Cristo. “Diante do Trono Branco estarão multidões incalculáveis que, durante o Milênio, creram em Jesus e foram fieis, e permaneceram até o fim. Quando Satanás, pela última vez, rebelou-se contra Deus, esses não o acompanharam e, agora, estão diante do Trono Branco, sabendo que seus nomes estão no Livro da Vida”.

1. O Lago de Fogo. É este o lugar onde o bicho não morre e o fogo nunca se apaga. (Cf. Mc 9.46). “A palavra hebraica que descreve este lugar, como no Antigo Testamento, é “Tofete” (Is 30.33; Jr 7.31-32). Mas a palavra grega é “Geena” (Mt 5.22, 29, 30; 10.26; 23.14, 15, 33). “Geena” refere-se literalmente ao “Vale do filho de Himom”, vale, este, fora da cidade de Jerusalém que servia de Monturo da cidade e onde queimavam seus filhos em sacrifícios a Moloque, o deus pagão. Jesus empregou o termo “Geena” 11 vezes, sempre no sentido literal. Ali sempre havia fogo aceso, servindo desta maneira para figurar o Lago de Fogo que arde eternamente. A palavra encontra-se em Mt 5.22, 29, 30; 23.15, 33; Mc 9.43, 45, 47; Lc 12.5; Tg 3.6. Em cada caso, com exceção do último, a palavra sai dos lábios do Senhor Jesus em solene aviso das conseqüências do pecado. Ele descreve como o lugar onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. A expressão é idêntica à que temos aqui: “o lago de fogo”.


Capítulo XXI


1. “E VI um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe”.

I. “...um novo céu, e uma nova terra”. no principio, portanto, Deus criou os céus e a terra. no texto original hebraico a palavra para céus é (“shamayim”). A terminação “im” indica o plural. Isso pretende mostrar que há mais do que somente um céu.

1. Na Bíblia distingue-se pelo menos três céus; o céu inferior (auronos), o céu intermediário (mesoranios) e o superior (eporanios).

(a) Céu inferior. Por céu inferior entendemos o céu atmosférico. Isto é o (“alto”): onde sobrevoam as aves e os aviões, passam as nuvens, desce a chuva, se processam os trovões e relâmpagos. Deus o chamou de “...a face da expansão dos céus”. Gn 1.20 e Jesus, de “...extremidade inferior do céu”. Lc 17.24.

(b) Céu intermediário. Por céu intermediário entendemos céu estelar ou planetário, chamado também o céu astronômico. A Bíblia o chama de a (“altura”):

(c) Céu superior. Esse é chamado de as (“alturas”). Sl 93.4; At 1.9; Hb 1.3. É declarado em 2Co 12.2, como sendo “...o terceiro céu”, o “Paraíso”; podemos chamá-lo de “o espiritual”, e de “céu dos céus” por estar acima de todos (Ne 9.6; Jo 3.13). É o lugar onde habita Deus (Sl 123.1), Cristo (Mc 16.19), o Espírito Santo em seu retorno (Ap 14.13), os anjos (Mt 22.30; Jd v.6); será também a morada dos salvos em Cristo (Jo 14.3).

2. Deus criou os céus pelo supremo poder da palavra (1Cr 16.26; Jó 26.13; Sl 8.3; 33.6; 96.5; 136.5; Pv 8.27). Os céus incluindo a terra (Êx 20.11; 31.17; Ne 9.6; Sl 89.11, 12; 102.25; Salmo 115; Salmo 121.2; 124.8; 134.3; 156.6; Pv 3.19; Is 37.16; 42.5; 44.18; 51.13; Jr 10.12; 32.17; 51.15; Zc 12.1; At 4.24; 14.15; Ef 3.9; 2Pd 3.5; Ap 4.11; 10.6; 13.7). Deus os criou em seis dias (Êx 20.11; 31.17). São sustentados pelo poder da sua palavra (Sl 33.9; 148.5; Hb 1.3; 2Pd 3.5). Uma vez que o (“Céu Superior”), é eterno, não é, pois sujeito a nenhuma mudança “...um novo céu, e uma nova terra” implica a transformação dos (“céus atmosféricos e astronômicos”); eles passarão com grande estrondo no dia do juízo (Is 51.6; Mt 24.33; Mc 13.31; Lc 21.33; Hb 1.10, 11; 2Pd 3.7, 10; Ap 6.16 (1º estágio); Ap 20.11; 21.1; consumação.

3. E o mar já não existe. Uma omissão conspícua da nova criação de Deus é a de oceano: “...e o mar já não existe” (21.1). Como o coração de João deve ter sido confortado por tal revelação, pois na ilha de Patmos o Apóstolo estava separado pelo revolto do mar! No céu, entretanto, nada nos separará dos nossos queridos.

2. “E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido”.



I. “...a nova Jerusalém”. Esta linda cidade, vista por João, corresponde à mesma do versículo 10, deste capítulo; porém, em relação ao tempo, uma visão está distante da outra cerca de mil anos. “Este trecho ocupa-nos outra vez com o período milenial. O que foi dito em 20.5-6, é agora revelado plenamente, e temos uma descrição da noiva, a esposa do Cordeiro, na sua glória milenial, em relação a Israel e às nações sobre a terra”.

1. A cidade em foco de gigantescas dimensões tendo o formato quadrangular, vista no versículo 10; descrerá para a terra no início do Milênio e, ficará (“acima”) da Jerusalém terrestre durante mil anos e, a iluminará (v. 23). Iluminada pela glória da Jerusalém celeste a Jerusalém terrestre se transformará também na cidade casada como descreve o profeta Isaías: “Nunca mais te chamarão: desamparada, nem a tua terra se denominará jamais: Assolada; mas chamar-te-ão: Hefzibá; e à tua terra: Beulá...”(Is 62.4a.). Aqui o profeta descreve a glória de Sião durante o Milênio. A cidade (“desamparada”), será chamada (“Hephzibat”) meu regozijo está nela”, e a terra desolada, (“Beulá”), ou casada. E o senhor habitará em Sião e se regozijará sobre ela como o noivo se regozija da noiva.

3. “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus”.

I. “...o tabernáculo de Deus”. O trecho de Ezequiel 37.27, mostra esse tempo futuro: “O meu tabernáculo estará com eles, e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”. No presente texto, é-nos dito com notável franqueza que a habitação de Deus está com os homens. A expressão, “...grande voz”, presente em cerca de 18 versículo deste livro, e tão nossa conhecida, aparece agora, pela última vez, para anunciar o tabernáculo de Deus com os homens. O tabernáculo, como sabemos, era a tenda em que permanecia a glória de Deus, e onde, no deserto, o povo se reunia para, através de sacrifícios e sacerdotes, aproximar-se de seu Criador. Agora, esta cidade será eterno tabernáculo, pois nela Deus mesmo estará com os homens. E a fim de que não haja engano, as palavras são repetidas: “O mesmo Deus estará com eles”. E então o pensamento é expressivo e um verdadeiro clímax de esperança: “...eles serão o seu povo”.

1. O antigo tabernáculo tinha o “sshekinah” de Deus ou resplendor divino; na nova cidade isso sucederá supremamente. O próprio tabernáculo fora construído de modo a permitir certa manifestação de Deus entre os homens. Aqui, porém, agora, tudo que no passado era sombra, agora é realidade.

4. “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas”.

I. “...toda a lágrima”. No capítulo 7.17 deste livro a expressão “...toda a lágrima” é atribuída aos mártires da Grande Tribulação: a do presente texto, porém, a todos os santos de todos os tempos. Agora, como nos versículos anteriores, essa cidade será o eterno tabernáculo, pois nele Deus mesmo estará com seus filhos e nela não haverá lágrimas, nem morte, nem luto, nem pranto, nem dor. A lágrima é (“silenciosa”): o pranto não. Na dor ou sofrimento intenso sobrevém o pranto. A lágrima é antes expressão da dor surda, intensa, intima. Agora tudo isso é (“pretérito”), diz o texto em foco: “...as primeiras coisas são passadas”. Hough observa que as lágrimas acompanham todos os atos dos homens. Elas são contundentes em três fases principais da vida humanas: Ao nascer; no viver; e na morte. As lágrimas afloram-nos aos olhos pelas tristezas, pelos ideais perdidos ou frustrados, pelos defeitos e pelas vitórias que foram obtidas ou perdidas. Porém, na nova terra, a última lágrima já foi derramada, e toda tristeza será substituída por uma alegria eterna.

5. “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis”.



I. “...Eis que faço novas todas as coisas”. O versículo em foco não diz quem está assentado no trono. O Pai ou o Filho. Sabemos que no estado eterno será de Deus e do Cordeiro (22.1), porque o reino é de Cristo e de Deus (Ef 5.5).

1. A presente voz, assim, é do Criador, visto dizer: “Eis que faço novas todas as coisas”, mas Cristo estará também ali, pois “...sem ele nada do que foi feito se fez”. Lemos neste livro neste livro sobre muitas coisas novas como por exemplo: (a) “um novo nome”. 2.17; (b) “o novo nome de Cristo”. 3.13; (c) “novo céu e nova terra”. 21.1; (d) “a Nova Jerusalém”. 21.3, 12; (e) “todas as coisas”. 21.5. Neste versículo há um fato extremamente singular: “Essa é a primeira e única vez que Deus Pai se dirige a João, ou, de fato (à parte de 1.8), ao menos fala. O silêncio quase inquebrantável atribuído a Deus, no Apocalipse, corresponde à razão divina, prescindível de dizer palavras, a dirigir as coisas mortais por meio da sua retidão e poder”.

6. “E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o principio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da água da vida”.

I. “...o Alfa e o Ômega”. Em Ap 1.8, Deus é retratado como sendo o primeiro: em sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade, amor, retidão e verdade. Ele é o último, porque nele existe a potencialidade de toda a vida e bem-estar. Nele também se acha o cumprimento desses objetivos. Nele há a consolidação de todas as promessas. Na passagem já focalizada (1.8) esse título (“o alfa e o Ômega”) é dado a Deus; aqui, parece-nos também assim. Em Ap 22.13 é aplicado a Cristo. Além das grandes promessas feitas ao vencedor, neste livro, aparece mais uma “...de graça lhe darei da água da vida”. O Senhor Jesus Cristo em sua vida terrena, duas vezes declarou ter sede: no poço de Jacó e nos braços da cruz (Jo 4.7; 19.28). Em ambas as ocasiões seus circunstantes lhe negaram, mas Jesus perdoa e exclama agora: “...a quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da água da vida”.

7. “Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”.



I. “...e ele será meu filho”. A filiação especial é tomada de 2Sm 7.14 (feita a Salomão) mais tarde a Davi (Sl 89.26), os quais próximos de Deus por seu cargo, eram chamados filhos. Aqui no texto em foco tem sentido mais preciso e mais vasto, pois implica a filiação divina que Deus participa a todos, vista como ponto de chegada em sua realização plena. A antecipação do contexto diz: “...herdará todas as coisas”; é, pela adoção. Em (“Huiothesia”), nós tornamos “...herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo” (Rm 8.18).

1. Adoção não é tanto uma palavra de parentesco, como de posição. Esse direito ou poder, só é concedido ao homem através do novo nascimento (Jo 3.12, 13). Adoção é o ato de Deus pelo qual crente, já filho, é colocado na posição de adulto (Gl 4.1 e ss), e como o direito de clamar: (“Aba”), isto é, Pai. Mas a plena adoção, o crente espera na ressurreição, mudanças e trasladação dos santos, que é, “...a redenção de nosso corpo” (Rm 8.23; 1Jo 3.2). No Apocalipse, essa é a única instância em que a bem-aventurança eterna é expressa em termos de “filiação”. Mas em o Novo Testamento, a idéia e comum (Hb 2.10).

8. “Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte”.

I. “...quanto aos tímidos, etc”. O presente versículo, fala-nos de pecadores. O pecado é a doença espiritual. A doença da alma. Era comum, entre os grego, usar-se “lista de vícios” como meio de instrução, algo semelhante ao uso dos mandamentos da cultura hebraica. Nesta secção vejamos a lista de adjetivos apresentada:

1. TÍMIDOS. Acreditamos que os tais sejam os apóstolos que por covardia, viraram as costas ao combate da fé, e que em tempo de tribulação, abandonaram a Cristo e seu testemunho, a fim de salvarem a pele. Negaram a Cristo na terra, e em conseqüência disso, serão negados no céu (Mt 10.33):

2. INCRÉDULOS. São aqueles que recusaram a crer em Cristo e aceita-lo como fiel Salvador: são os discípulos do mundo ateu de todos os tempos (Sl 14.1; 53.1):

3. ABOMINÁVEIS. São aqueles que praticam a idolatria e seus vícios acompanhantes. A alma de Deus aborrece essas criaturas, e por isso ficarão fora do céu; tendo por herança o lago de fogo (cf. 1Co 6.10):

4. HOMICIDAS. Em outras listas de vícios do Novo Testamento, o “homicida” também é alistado como “uma figura sombria” (Gl 5.21); especialmente nesta secção, o homicida faz parte do pecado chamado de “obras da carne”. Em Rm 1.29 é alistado esse pecado entre as características dos antigos povos pagãos, cujos atos pecaminosos atraís contra eles o julgamento de Deus. Em 1Jo 3.15, está ligado com o mundo religioso. É um pensamento solene: aquele, que como Caim, “Não matarás” (Êx 20.13):

5. FORNICÁRIOS. A fornicação é uma perversão ligada ao campo da sexualidade e tem sido nocivo tanto a Deus como à sociedade; as tais criaturas ficarão fora do céu por ser esse um lugar de pureza, amor e inocência (Ef 5.5):

6. FEITICEIROS. Em Gl 5.20, as feitiçarias são alistadas entre “as obras da carne”, e no capítulo 9.21 do Apocalipse, a palavra ocorre sempre com um duplo sentido do mal. Em Apocalipse 18.23, ocorre de novo o termo usado neste texto. O substantivo correspondente se acha em Apocalipse 21.8, que é o texto em foco: (onde os “feiticeiros” são sentenciados a “segunda morte”); em Apocalipse 22.15; (onde são colocados ao lado daqueles que ficarão de “fora” dos portões da cidade celestial). A feitiçaria está ligada ao mundo pagão, e se entrelaça estritamente com o mundo nas trevas. São criaturas que se tornaram escravas dos demônios, e devem ser aprisionadas (Êx 22.18):

7. IDÓLATRAS. Nos dias de João, a idolatria permanece em todos os setores do Universo; o culto ao imperador romano tinha se tornado a mais vil forma de idolatria. Nos últimos dias, o Anticristo será assim adorado (2Ts 2.4; Ap 13.4). A idolatria também figura na lista de vícios, portanto, é pecado (Gl 5.20):

8. MENTIROSOS. No momento que o homem mente está se tornando um agente do diabo que é o pai da mentira (Jo 8.44). No campo espiritual ou religioso, o mentiroso é aquele que nega que Jesus é o Cristo, o filho Eterno de Deus (1Jo 2.22):

9. “E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete praga, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro”.



I. “...a mulher do Cordeiro”. Uma introdução particularmente solene (21.9-10) prepara a verdadeira descrição da Jerusalém celeste. Numa perspectiva literária que se reporta a Oséias (2.19-21), a Isaías (44.6; 54.1 e ss; 61.10), a Ezequiel (capítulo 16), desenvolve-se gradualmente a imagem da nova Jerusalém. Na presente era, a Igreja, como uma virgem, é a noiva de Cristo (2Co 11.2; Ef 5.22); Após o arrebatamento, ela é contemplada como sendo a “esposa, a mulher do Cordeiro” (19.7; 21.9; 22.17). É curioso observar duas expressões significativas do anjo a João; a primeira é descrita no capítulo 17.1 e a segunda no capítulo 21.9: (“Vem, mostrar-te-ei...”). Embora estes versículos e o trecho sejam paralelos em sua forma de expressão, aquilo que é mostrado em segunda é bastante diferente. O primeiro mostra uma “mulher poluída” (Babilônia), o segundo uma “mulher pura” (a Igreja). Notemos o entrelaçamento entre a esposa do Cordeiro e a cidade amada; uma é contemplada como sendo a outra, visto que no reino eterno e na glória infinda, tudo é de Cristo e Cristo de Deus.

10. “E levou-me em espírito a uma grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu”.



I. “...a santa Jerusalém”. Devemos observar que no versículo 2, deste capítulo, essa cidade é chamada de (“nova”), enquanto que agora no presente versículo de (“santa”). A diferença é apenas em relação ao tempo. Tudo sugere uma cidade literal: ouro, ruas, dimensões, pedras. Ela desce do céu, pois é impossível construir uma cidade santa aqui. O versículo 10 desta secção tem uma ação retrospectiva; enquanto que o versículo 2, prospectiva; no versículo 2, João contempla esta nova cidade já na (“eternidade”) como capital do “Novo Céu e da Nova Terra”. Porém, o nome será o mesmo que o Senhor lê deu durante o Milênio: “Jerusalém-Shammah” – isto é, O Senhor está ali (Ez 48.35). A frase no texto e contexto: “...de Deus descia do céu”, significa: desceu para a terra no início do Milênio (v.10); enquanto que no versículo 2, o significado do pensamento deve ser: desceu para a nova terra já na Eternidade. A concebida como algo encobria o monte, mas como algo que descia o local próximo, conforme se ver descrito em Ez 40.2.

11. “E tinha a glória de Deus; e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente”.



I. “..semelhante a uma pedra preciosíssima”. A glória da cidade do senhor, do presente texto, é comparada a uma pedra (“preciosíssima”). Por igual modo, a salvação que os homens recebem de Cristo não tem descrição em palavras, não podendo ser calculado o seu valor. Isso envolve até mesmo a obtenção de “toda a plenitude de Deus”. Isso indica também particularmente, a presença de Deus, e não somente sua manifestação ocasional como acontecia no antigo tabernáculo montado no deserto (Êx 40.34). Essa situação fará a glória divina a “Shekinah”, vir habitar permanentemente com os santos, pois a frase em si: “...o Senhor está ali” (Ez 48.35) no seu equivalente ocorre três vezes aqui (vs. 3, 22; 22.3). No deserto a nuvem especial servia de sombra, aqui, porém, só de luz da cidade, como já ficou demonstrado, compara-se ao ofuscar do jaspe, como cristal resplandecente, isto é, tem uma glória como a do Criador, cuja aparência se diz ser como a de pedra jaspe (4.3).

12. “E tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos de Israel”.



I. “...com doze portas”. O número (“12”), com seus cognatos, ocorre mais de 400 vezes na Bíblia e é extremamente importante. Neste livro ocorre cerca de (“20”) vezes, e permeia o governo patriarcal, apostólico e nacional. Temos, assim: “As 12 estrelas (12.1); os 12 anjos (12.12); as 12 tribos (21.12); os 12 fundamentos (21.14); os 12 frutos (22.2); as 12 portas (21.12, 21); as 12 pérolas (21.21); entre os múltiplos de 12 temos: 12.000 estádios (21.16); 12.000 selados (7.5-8); 144.000 é um número formado de 12 vezes 12.000 (14.1); 24 anciãos e 24 tronos (4.4; 11.16), são também especiais”. Todos esses números se relacionam agora com a Jerusalém celestial, na qual se viam 12 portões como sendo 12 pérolas, 3 de cada lado do quadrado (21.21). Em cada portão havia a gravação do nome de uma das 12 tribos de Israel. Em Ez 48.31-34, há uma descrição semelhante da nova Jerusalém durante o Reino Milenial de Cristo.

13. “Da banda do levante tinha três portas, da banda do norte três portas, da banda do sul três portas, da banda do poente três portas”.



I. “...tinha três portas, etc”. Na antiga cidade de Jerusalém terrestre, havia também 12 portas, sendo, por assim dizer, uma cópia da Jerusalém celestial (cf. Hb 8.5 e 9.23); essas portas estavam também nas cardeais; ladeavam toda a cidade de Davi: a porta do gado (Ne 3.1); a porta do peixe (Ne 3.3); a porta velha (Ne 3.6); a porta do vale (Ne 3.13); a porta do monturo (Ne 3.14); a porta da fonte (Ne 3.15); a porta da casa de Eliasibe: sumo-sacerdote (Ne 3.20); a porta das águas (Ne 3.36); a porta dos cavalos (Ne 3.28); a porta oriental (Ne 3.29); a porta de Mifcade (Ne 3.31); a porta de Efraim (Ne 8.16). “Isso pode ser comparado também ao acampamento de Israel, onde havia o arranjo das tribos de acordo com direções dos pontos cardeais: A leste ficava Judá, Issacar e Zebulom; Ao sul, Rúben, Simeão e Gade; A oeste, Efraim, Manassés e Benjamim; E ao norte, Dã, Asser e Naftali. Números capítulo 2.

14. “E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”.



I. “...doze apóstolos do Cordeiro”. Devemos observar que, cada vista da cidade se menciona o (“Cordeiro”), e a referência sétupla a ele (21.9, 14, 22, 23, 27; 22.1, 3) indica que embora Cristo entregue o reino ao Pai, não obstante partilha-o com os remidos. Os Apóstolos do cordeiro, mostram nisso sua importância, tanto naquilo que eram como naquilo que faziam. Porém, Cristo Jesus é quem dá por empréstimo o seu valor àqueles, o que significa que eram grandes somente por sua causa. Não obstante, os Apóstolos e profetas são grandes, tal como todos os homens o são, uma vez que sejam transformados segundo a imagem de Cristo, já que participação da sua natureza divina. Na nova Jerusalém o divino se combinará com o humano, da mesma maneira que o número três, multiplicado pelo número do mundo “quatro”, resulta em doze. Assim cumpre-se a frase: “...para o humano se tornar divino, foi necessário que o divino torna-se humano”. Na cidade do Deus vivo, o humano se encontra com o divino absorve o humano, menos a individualidade (2Co 5.4).

15. “E aquele que falava comigo tinha uma cena de ouro, para medir a cidade, e as suas portas, e o seu muro”.



I. “...para medir a cidade”. O texto em foco, mostra-nos um anjo que trazia “...uma cana de medir” para medir a grandeza da cidade do senhor. “Neste ponto, a cidade, ao ser medida, dá a entender a sua total importância e consagração, em todas as suas partes, trazida ao padrão exato das exigências de Deus; outrossim, fica entendido o cuidado de Deus, dali por diante, cada partícula de sua Santa Cidade, para o mal não a atinja”. É a medição que exibe a beleza e as proporções da cidade, a qual agora viverá em paz. O ouro é uma das grandes características dessa cidade; as ruas são de ouro; isso pode representar o rico resplendor da cidade real (cf. 1Rs 10.14-21; Sl 77.15); mas a riqueza daquela cidade será o amor. Essa “medição”, sem dúvida, denota o caráter e ideal da Igreja eterna, o conhecimento e a nomeação divina da mesma (Ez 42.16; Ap 11.1).

16. “E a cidade estava situada em quadrado; e o seu comprimento era tanto como a sua largura. E mediu a cidade com a cana até doze mil estádios: e o seu comprimento, largura e altura eram iguais”.



I. “...doze mil estádios”. Segundo os rabinos, o estádio era uma oitava da milha romana, ou seja, cerca de 185 metros. Portanto, doze mil estádios correspondem mais ou menos a 2.200 quilômetros. Porém, devido à ambigüidade das conforme é observada no grego, os intérpretes diferem imensamente no que se refere ao seu formato tencionado. “Os judeus dizem acerca de Jerusalém que, no porvir, ela será tão grande e ampliada que atingirá os portões de Damasco, sim, até ao trono da glória”. Cremos que realmente a nova Jerusalém terá, sem dúvida, essas dimensões em foco nesta secção, isto é, 12.000 estádios. “Doze mil estádios multiplicados por cento e oitenta e cinco metros, e o resultado elevado à terceira potência dará a medida cúbica da cidade: (“dez bilhões, novecentos e quarenta e um milhão e quarenta e oito mil quilômetros”). A grandeza da cidade assegura lugar para todos!”.

17. “E mediu o seu muro, de cento e quarenta e quatro côvados, conforme à medida de homem, que é a dum anjo”.



I. “...à medida de homem”. Essa expressão (“à medida de homem, que é a dum anjo”) tem deixado alguns teólogos perplexos. Provavelmente isso deriva do fato de que o côvado era uma medida tomada com base na estrutura do corpo humano, o comprimento entre a ponta do dedo médio da mão e a junção do cotovelo. Para ocidentais, o côvado mais conhecido é o francês: 66 centímetros, mas o côvado mencionado na Bíblia é o hebraico: 50 centímetros, aproximadamente. Apesar da cidade ter aproximadamente 555 quilômetros de altura, o seu muro é bastante baixo (cerca de 72 metros) para nós aqui na terra; mas, segundo se diz que, no céu ele é bastante alto. Pois é importante lembrarmos que lá não existe ladrão! Há outras possíveis interpretações sobre a medida do anjo, vista nesta secção. “Supõe-se que esse “côvado” é uma medida angelical, não do mesmo comprimento do côvado humano, sendo antes cerca de 180 centímetros, isto é, da altura de um homem. Mas essa opinião é extremamente improvável”. É evidente que 144 côvados, refere-se a medida estabelecida acima, isto é, cerca de 72 metros.

18. “E a fábrica do seu muro era de jaspe, e a cidade de ouro puro, semelhante a vidro puro”.



I. “...a cidade de ouro”. O livro do Apocalipse traz muitas alusões ao “ouro”. Para o leitor curioso, esta lista é provida: (1.12, 13, 20; 2.4; 3.18; 4.4; 5.8; 8.3; 9.7, 13, 20; 14.14; 15.6, 7; 17.4; 18.12, 16; 21.15, 18, 21). Mas a maioria das referências aludi ai ouro de qualidade celestial. Será um ouro transparente, de qualidade metafísica, o da cidade do Senhor! Presumivelmente de uma qualidade desconhecida na terra. será um “ouro” celeste, de origem divina. “O ouro é emblema da natureza divina (Jó 22.25), difundido por todo o mundo, por causa da fusibilidade desse metal”. Alguns intérpretes instem aqui em um material literal, mas a maioria deles vê o ouro como símbolo de dignidade, valor, pureza e natureza exaltada do caráter da Noiva. Mas essa opinião não se coaduna com a natureza do argumento principal. Seja como for, importantíssimo aparece aqui, e, evidentemente, refere-se mesmo ao “ouro”, mas de natureza celestial.

19. “E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de todas a pedra preciosa. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda”.



I. “...os fundamentos”. Notemos que as várias pedras preciosas mencionadas são essencialmente paralelas às pedras do peitoral do Sumo Sacerdote, conforme se depreende em Êx 28.17 e ss; 39.10 e ss; Na Septuaginta (LXX) feita do hebraico para o grego essas pedras também são vistas no adorno das vestes do rei de Tiro: literalmente, o monarca Itobal II. Ez 28.13.

1. No livro do Êxodo, cada pedra recebeu a gravura do nome de uma tribo, mas no Apocalipse, cada pedra tem o nome de um Apóstolo do Cordeiro. No versículo 14 do presente capítulo, é dito que o “...muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”; é evidente que estas pedras correspondam aos nomes desses personagens respectivamente. 2Pd 2.5:

(a) Jaspe (Pedro). Isso pode ser confrontado com Ap 4.3, onde o Deus supremo aparece em uma manifestação visível com a aparência de jaspe. A simbologia aqui empregada mostra sua natureza divina; será verdadeiramente, uma habitação apropriada para Deus, para Cristo e para seu povo. Esse jaspe é como uma pedra luminosa, “cristalina” que refletirá por assim dizer, a glória de Deus, tal como os remidos são a “imagem de Deus” em Cristo. “O jaspe oriental é extremamente duro, quase indestrutível. As colunas feitas dessa pedra têm perdurado alguns milênios, e parecem nada ter sofrido dos estragos do tempo”. O material da muralha, portanto, se reveste de igual importância com a sua altura, valor infinito e duração infinita, qualidades que pertencem às pedras mais preciosas;

(b) Safira (André). Podemos comparar o presente texto, com Is 44.11 e Ez 1.26. Talvez se trate do (“láios lazúli”), ao passo que a moderna safira talvez seja o “jacinto” do vigésimo versículo . Plínio descreve a pedra aqui mencionada (sappheiros) como uma pedra opaca e rajada com tracinhos de ouro... procedia da Média, Pérsia e Bocara, essa pedra era opaco azulada:

(c) Calcedônia (Tiago). Assim chamada por proceder da Calcedônia, onde era encontrada nas minhas de cobre. Provavelmente era uma esmeralda de qualidade superior à que conhecemos atualmente. Plínio informa-nos que ela era pequena e quebradiça e que era fruta-cor. Não possuímos maiores detalhes sobre esta pedra, calcedônia: este é o único lugar onde essa palavra figura em todas as Escrituras:

(d) Esmeralda (João). Essa palavra aparece em Ap 4.3. Dentre todos os escritores antigos que conhecemos, Heródoto foi o primeiro a mencionar essa pedra. Ele visitou um templo dedicado a Hércules, em Toro, adornado de esmeralda. Havia ali duas colunas, uma de ouro puro e a outra de esmeralda, que “brilhava com grande fulgor à noite”. A que foi vista por João na muralha da cidade celeste, ultrapassa todas as perspectivas daquela contemplada por Heródoto, em Tiro.

20. “O quinto sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo, ametista”.

I. “...o quinto e ss”. O presente versículo, é a continuidade da lista das pedras iniciada no versículo anterior.

1. Seguiremos aqui a ordem anterior do versículo 19 deste capítulo:

(e) Sardônica (Filipe). Era uma bela e rara forma de Ônix, assim chamada devido à sua semelhança com as veias brancas e amarelas da unha humana. (No grego: “onuks”). Em tempos antigos, evidentemente essa pedra era chamada “Ônix”, quanto a pedra era rajada ou salpicada de branco:

(f) Sárdio (Bartolomeu). Essa pedra também é encontrada em Ap 4.3. Era de cor vermelha, usualmente rebrilhante. Sua cor vermelha se aplicava à pessoa de Cristo, como a vitima da expiação no holocausto da cruz:

(g) Crisólito (Tomé). O termo grego subentende uma pedra de cor dourada. Plínio a descreve como “translúcida e com um tom dourado”. Está em foco o topázio, que é um quartzo amarelo:

(h) Berilo (Mateus). De acordo com Plínio, essa pedra se assemelhava ao verde mar. Talvez tenha sido uma espécie de esmeralda, embora muitos eruditos pensem que era uma espécie de pedra inferior àquela; mas em sentido natural é esmeralda. Ez 1.16; 10.9; 28.13:

(i) Topázio (Tiago, filho de Alfeu). Essa é a nossa pedra “peridot”. Alguns estudiosos afirmam que o topázio era desconhecido dos antigos, mas isso parece impossível. A pedra aqui mencionada era de cor verde-amarelado. Jó 38.19; Ez 28.13:

(j) Crisópraso (Lebeu, apelidado Tadeu). Devida-se do grego que significa “alho de ouro”. Essa pedra era de cor verde-dourado e translúcido, e se assemelhava a um alho, do formato do (“mundo ocidental”). Plínio pensava que essa pedra era uma variedade de berilo; uma pedra bastante conhecida de todos:

(l) Jacinto (Simão Cananita). Essa pedra, segundo os antigos, era usada para lembrar um belo jovem, que segundo a mitologia grega, foi morto durante um jogo de disco. O termo grego aqui empregado indica a pedra preciosa que leva esse nome. Sua cor podia ser vermelha, vermelho-escuro, azul-escuro ou púrpura:

(m) Ametista (Matias). O termo grego significa “não estar bêbado de vinho” por causa da noção de que a pedra evitava a intoxicação alcoólica. Essa pedra é a quartzo ametistino, ou cristal de rocha, que pode receber um tom purpurino, devido ao manganês ou do ferro. É evidente que estas doze pedras preciosas, são responsáveis por cada cor durante um (“mês”) na cidade celestial (22.2).

21. “E as doze portas eram doze pérolas: cada uma das portas era uma pérolas; e a praça da cidade de ouro puro, como vidro transparente”.

I. “...as doze portas eram doze pérolas”. Há uma promessa para a Jerusalém terrestre durante o período milenial. Em Is 54.12, diz: “E as tuas janelas farei cristalinas, e as tuas portas de rubins...”. A pérola é a única jóia que a arte humana não consegue aprimorar. Instrumentos podem dar lustro a outras pedras. Mas a perfeição da pérola deve ser algo original e inerente a ela mesma. As bênçãos mais profundas de Deus, na Nova Jerusalém, não poderão ser melhoradas, porquanto, participam da perfeição da própria perfeição de Deus. Ainda sobre essa jóia tão importante, encontramos em Mt 13.45, 46 a parábola da pérola de grande valor que em uma interpretação comum representa a Igreja comprada pelo “precioso sangue de Cristo”. No presente texto, a pérola significa unidade, pureza e amor. Uma porta de pérola conforme o tamanho das portas daquela cidade! Só Deus e mais ninguém possui tal riqueza! Mas ali tudo é dele e para ele.

22. “E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro”.



I. “...nela não vi templo”. Cada um desses versículos traz particularidades que distinguem o estado eterno do Reino Milenial. As sombras aqui agora dão lugar à substância (cf. Hb 8.5 e 9.23). No Milênio havia o sol e a lua que iluminava. Havia também templo, por mão humana (Ez capítulos 40-48). Mas na nova Jerusalém celestial não são necessários. Em algum sentido todos os templos, (isto é, o de Salomão. 1Rs capítulo 6; o de Esdras. Ed capítulo 6; o de Herodes. Jo 2.20; esse que será construído pelos judeus (Dn 9.27; Mt 24.15; 2Ts 2.4), e o templo escatológico de Ezequiel (usado no Milênio). Ez capítulos 40 e ss, todos são tratados como uma só casa: (“a casa de Deus”), visto que todos professaram ser isso). Aqui, porém, no texto em foco, não haverá mais templo: “porque o seu templo (da cidade) é o Senhor”. A cidade inteira será então um só santo templo de Deus. Como observa Lang, “A nova Jerusalém não terá lugar para abrigar ao Senhor, porquanto ela mesma será abrigada por ele. Ele armará tabernáculo sobre eles (7.15). Seus habitantes habitarão sob sua luz manifesta e abrigadora”.

23. “E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada”.



I. “...não necessita de sol nem de lua”. No versículo anterior João viu que a cidade não precisa de santuário, isso equivale a dizer que toda a cidade é o próprio santuário, pois Deus e o Cordeiro são seu próprio santuário (Jo 2.21). A cidade brilha desde seu interior, não precisando de qualquer iluminação externa. A luz de Cristo atravessa em todas as direções, por tratar-se de ouro transparente, e nada pode impedir a difusão dos raios luminosos de Cristo. Assim fica demonstrado que, a cidade celeste não necessita de luz, nem mesmo de sol. Entretanto, na cidade terrestre (na era milenial) haverá necessidade de luz, como podemos ver em Is 30.26, pois haverá noite e haverá dia: fatores da vida física (cf. Is 24.23-30). Agora na presente era, os remidos andam por fé, vêem as coisas celestes “...refletindo como um espelho” (2Co 3.18); mas ali tudo será alterado.

24. “E as nações andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra”.



I. “...as nações”. Cronologicamente falando, a última vez que lemos neste livro sobre (“nações terrenas”), é em 20.8; aqui, portanto, e, nas secções que se seguem (21.26 e 22.2); trata-se de (“nações celestiais”). Por três vezes são mencionadas as nações aqui. O Milênio aqui já é passado (obedecendo a ordem cronológica dos acontecimentos). É verdade que palavra “nação” empregada nos versículos (24, 26; 22.2), não contenha certos elementos que lhe pertencem quando se refere às “nações gentílicas”, mas o sentido de “nação” lhe é inerente. Assim podemos depreender que essas nações não soa mais os convertidos da era milenial, a menos, que trate-se de uma secção (“tópica”) e não (cronológica”). Mas, se assim for, esses versículos estariam deslocados de suas posições. Essas nações, portanto, devem ser “nações santas” já numa forma de vida (cf. 1Pd 2.9; Ap 5.9; 7.9-14). A menos que numa ação retroativa sejam as nações mileniais que aqui são contempladas (Zc 14.16). Mas dificilmente isso se harmoniza com o argumento principal.

25. “E as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite”.



I. “...suas portas não se fecharão”. O Dr. J. A. Seiss diz aquilo que segue: “A hospitalidade da cidade santa será suprema em todos os seus aspectos. Há uma rica e calorosa cidade de portões abertos. Ela oferecerá o dom das portas abertas a todos os peregrinos da luz. Onde quer que os homens tenham visto estrelas de esperança no firmamento noturno e tenham querido viajar para a pátria da expectação, têm pertencido à companhia daqueles que foram acolhidos pelas portas abertas da cidade de luz. Em paz durante o dia, as portas da cidade estarão abertas; e nem haverá noite ali”. Uma cidade é um centro de cooperação, harmonia e governo, e, colocada sobre um monte, é bem evidente (Mt 5.14; Ap 21.10). Na capital do céu, tudo será paz, pois o oxigênio espiritual nela existente será o amor. Não haverá nela trevas, nem pecado, nem egoísmo, nem violência, coisas que encobrem os corações dos homens como uma noite tenebrosas. Mas, seja como for, “ali não haverá noite!”.

26. “E a ela trarão a glória e honra das nações”.



I. “...glória e honra”. Na era presente e honra e a glória que pertencem a Deus, em muitas das vezes, têm sido dedicadas a outras criaturas (cf. Is 42.8; Rm 1.19 e ss). Porém, na cidade do Senhor, isso não acontecerá, pois ali toda a honra e toda a glória e todo o louvor, só serão dados a Deus e ao Cordeiro, porque merecem (5.12, 13). A cidade será o objeto especial e eterno da riqueza das nações. Assim essa linda cidade denominada “nova Jerusalém”, não é a mesma Jerusalém do mundo atual; “a Jerusalém deste mundo pode penetrada por quem quiser nela entrar; mas a do mundo vindouro não poderá ser penetrada por ninguém, exceto por aqueles que estiverem preparados e foram nomeados para ela”. As Escrituras nos levam a entender que, na Nova Jerusalém celeste não poderá sobreviver seres humanos, mas, só celestiais. As nações convertidas durante o Milênio, serão (“transformadas”) quando “o céu e a terra” passarem (20.11); enquanto que os mortos da era milenial, serão ressuscitados numa nova forma de vida (cf. Dn 12.2; Jo 5.29). E, assim num contexto demonstrativo do significado do pensamento diz Paulo: “...assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial”.

27. “E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro”.



I. “...não entrará nela coisa alguma que contamine”. O presente texto nos faz lembrar das palavras de Platão, quando dizia: “Na vida presente, penso que nos aproximamos mais do conhecimento quanto menor for a nossa comunhão e ligação com o corpo (o corpo do pecado), não sendo infectados pela natureza do corpo (que é má), mas antes permaneceremos puros até a hora em que o próprio Deus agradar-se em libertar-nos... nenhuma coisa impura (há não ser por meio de Jesus) terá licença de aproximar-se do puro”.

1. Só os que estão inscritos. O contexto seguinte diz: “...no livro da vida do Cordeiro”. Entre os livros escritos com tintas e outras não, encontramos os seguintes:

(a) O livro da consciência. Rm 2.15; (b) O livro da natureza. Sl 19.1-14; (c) O livro da lei. Rm 2.12; (d) O livro do evangelho. Rm 2.16; (e) O livro das memórias. Lc 16.25; (f) O livro(s) das obras humanas. Ap 20.12; (g) O livro da vida. O livro da vida do Cordeiro é o livro que dá admissão ao mundo eterno. A missão plena de Jesus Cristo, derramando o seu sangue, foi para conduzir-nos a Deus, em sua real presença. Seu título, “Cordeiro”, faz subentender tudo isso. O livro da vida é o livro de uma infinita compaixão, porque contem, exclusivamente, nomes de ex-pecadores. Está aberto para todos; e, no entanto, muitos desprezam as suas promessas.

Capítulo XXII


1. “E MOSTROU-ME o rio da água da vida, clara como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro”.

I. “...o rio puro da água da vida”. Esse rio puro que segundo se diz, é (“o rio da água da vida”) não deve ser identificado como sendo o mesmo descrito por Ezequiel (47.1-12), por vários motivos:

1. O descrito por Ezequiel tem o seu leito na terra; o do texto em foco tem seu leito no céu; o de Ezequiel, que também é descrito por Zacarias (14.1-8), terá sua nascente “...debaixo do umbral da casa” (o templo). Ez 47.1; o desta secção, porém, no “trono de Deus e do Cordeiro”. O primeiro será visto durante o Milênio, o segundo, já na eternidade. Durante o Milênio, a terra será enriquecida com “o rio milenial”. O leito deste rio será criado no momento em que Jesus tocar com seus pés sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4). Sua foz será debaixo da casa do Senhor, especialmente do seu lado direito.

2. À semelhança do Jardim do Éden, em que seu rio era dividido em “...quatro braços” (Gn 2.10); Esse rio porém, será dividido em dois (Zc 14.4, 8). Esses dois canais seguirão direções diferentes:

(a) O primeiro, em direção ao mar Oriental (mar Morto) formando um vale nas montanhas de Judá (Zc 14.5), e ampliando as fontes de En-Gedi (fonte do cabrito) e En-Eglaim (fonte dos bezerros), que encrava-se entre Hebrom e o mar Morto (Js 15.62; Ez 47.10), chegando até Asel na parte oriental do território de Judá (Zc 14.5) conforme se depreende dos textos e contextos demonstrativos:

(b) O segundo canal, seguirá em direção do mar Ocidental (mar Mediterrâneo), numa extensão de 80 quilômetros aproximadamente (Zc 14.8). Tudo isso nos faz lembrar o Jardim do Éden que possuía rios que fluíam, fertilizando suas terras, de tal modo, que a vida ali era tranqüila e calma. Assim também agora a Jerusalém terá sua água da vida, e a vida eterna florescerá ali, além de qualquer imaginação humana.

2. “No meio da sua praça, e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são a saúde das nações”.



I. “...no meio da sua praça”. Durante o período sombrio da Grande Tribulação, as duas testemunhas escatológicas foram mortas (“na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito...”), agora, entretanto, elas estão desfrutando das venturas eternas na (“praça principal”) da cidade do Senhor. Em algumas traduções modernas, podemos ler em lugar de “praça” (singular), “ruas” (plural). O grego, nesta passagem, singulariza a palavra, esse deve ser o sentido original. A “praça” significa realmente a (“Avenida Principal”), ou (“Eixo da Cidade”). Evidentemente este se identificará como sendo o “centro” da Capital Celestial.

1. A árvore da vida. Durante o Milênio, à margem daquele rio, descrito por Ezequiel e Zacarias, havia “...toda sorte da árvore que dá fruto para se comer” (Ez 47.12), mas, evidentemente não era a “árvore da vida”, mas apenas uma (“figura”) daquela (Hb 8.5; 9.23). Aqui, nesta secção, aparece a “árvore da vida” dando também seus frutos de mês em mês, indicado que ali haverá (“uma espécie de santa ceia divina”) para lembrar permanentemente a morte de nosso Senhor Jesus Cristo. Suas folhas são (“foi”) para a saúde das nações, pois não haverá doença no estado eterno! O significado do pensamento, deve ser analisado em sentido antropomórfico para ser entendido pela mente natural. Assim, as folhas podem simbolizar a cura dos sofrimentos passados. A árvore do conhecimento do Bem e do Mal não aparece mais aqui: com a morte de Cristo, ela secou-se na cruz.

3. “E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão”.

I. “...nunca mais haverá maldição”. Segundo os estudiosos, o termo grego usual para “maldição” é “anathema” (1Co 16.22; Gl 1.8). O vocábulo aqui empregado significa, segundo se depreende qualquer “coisa maldita”; qualquer coisa digna de desaprovação ou juízo divino. A “maldição” vista na presente passagem cai sobre aqueles que não amam ao Senhor Jesus Cristo, mas na era eterna não existirá desamor (cf. 1Co 16.22). A maldição imposta sobre nossos pais (Adão e Eva) no Éden afetou a terra inteira, por causa do pecado; mas, agora, será totalmente banida. O pecado em sentido lato quando é citado no singular, define-se como aquele ato de rebeldia que produz a morte, tanto em seu aspecto físico como em seu aspecto espiritual (Gn 4.8); exemplifica a primeira parte (1Jo 3.15); exemplifica a segunda. O pecado assim é então personificado como (“o grande tirano”), que impõe tristeza, desespero, maldição e morte, colocando a criatura numa região tenebrosa, onde ela permanece triste e inativa (Mt 4.16; Ef 5.14). Mas na cidade celeste à perfeição será absoluta, a qual, naturalmente, não pode admitir maldição de qualquer espécie.

4. “E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o seu nome”.



I. “...verão o seu rosto”. Na era antiga, ninguém podia olhar para Deus e viver (Êx 33.20). Deus agora é invisível para os mortais, mas isso será alterado na nova era. Assim como Cristo foi mediador do que se pode conhecer de Deus, da sua existência e do caráter, em nosso velho e mortal período, assim também ele terá essa função na Eternidade (cf. 1Tm 6.15-16). Assim veremos a Deus “face a face” como Ele é.

1. Hoje, o nome Teodicéia tornou-se sinônimo de Teologia natural, e se aplica ao conjunto do tratado de Deus. É a ciência de Deus pela razão. A Teologia em si mesma difere um pouco da Teodicéia. A Teodicéia é então uma ciência racional; quer dizer que não recorre senão às luzes natural. Difere por isso da Teologia, que toma por primeiros princípios, não os princípios da razão, mas os dados da Revelação. Porém, esse avanço da Teologia Natural e da Revelação a respeito de Deus, não proporcionou o direito do homem contemplar a Deus face a face. Mas no mundo vindouro como Ele é o veremos!

5. “E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia; e reinarão para todo o sempre”.

I. “...não haverá mais noite”. O tempo se compõe, essencialmente, de três partes: o presente, o futuro. Só o presente existe: o passado já não é o futuro ainda não é. Isto prova, ainda, que o tempo, tomado na sua totalidade, não existe realmente a não ser no espírito, que, graças à memória, conserva o passado e, pela previsão, antecipa o porvir.

1. Agora, porém, nesta secção, a expressão “...para todo o sempre” é uma tradução do grego (“tous aionas ton aionon”). Essa expressão, treze vezes no Apocalipse. Ela é usada como segue:

(a) Nova vezes a palavra se refere a Deus, isto é, nove vezes é dito que Deus vive e domina “pelos séculos dos séculos”:

(b) Uma vez ela é utilizada para descrever a existência dos santos no céu:

(c) Uma vez ela é utilizada para descrever a duração do tormento e castigo eterno do diabo no inferno:

(d) Duas vezes a mesma expressão é usada para a duração dos sofrimentos daqueles infelizes perdidos, que têm suportar eternamente os seus tormentos. Percebemos que a expressão e seu equivalente, quer dizer “para sempre e eternamente!”. Essa é portanto, a grande promessa de Deus a todos os habitantes da cidade celestial.

7. “Eis que presto venho: Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro”.

I. “...Eis que presto venho”. Surge neste versículo uma particularidade sui generis do capítulo 22: a intercalação de palavras do próprio Jesus. Essa situação repetir-se-á, também, como veremos nos versículos 13 e 16. A seguir, vem a sexta “Bem-aventurança” do Apocalipse. As cinco anteriores vêm citadas nas seguintes passagens com significações especiais: 1.3 (para os leitores); 14.13 (para os mortos salvos); 16.15 (para os que vigiam); 19.9 (para aqueles que são chamados à ceia das bodas); 20.6 (para os mártires ressuscitados por Cristo); 22.7 (para os que guardam as palavras da profecia); 22.14 (para o que lavam suas vestiduras no sangue do Cordeiro). A palavra “profeta” ocorre por 12 vezes neste livro e o vocábulo “profeta”, por 7. Portanto o livro traz o selo da profecia, e a raiz desta se encontra em toda a extensão da Bíblia. O Apocalipse abre-se com uma bênção para “aquele que lê” e se fecha com uma bênção para “aquele que guarda” as palavras da profecia!

8. “E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar”.



I. “...Eu, João, sou aquele que vi e ouvi”. O nome de João, usado cinco vezes, demonstra que João, autor do quarto evangelho e das três epístolas que levam o seu nome também escreveu o Apocalipse, como foi divinamente instruído a fazer. 1.1, 9; 21.2; 22.8. É evidente que a presente passagem apresenta o autor como sendo a mesma pessoa do principio do livro, dizendo: “Eu, João” (1.9). O Cristianismo sempre aceitou a João, o filho de Zebedeu, como o autor deste livro: (ver notas expositivas sobre isso em 1.1 p. 4). Justino Márter (cerca do ano 135 d.C.) e Irineu (cerca do ano 180 d.C.), citaram verbalmente este livro, atribuindo-o a João, um Apóstolo de Cristo.

1. Prostrei-me aos pés do anjo”. É esta segunda tentativa de João adorar o anjo que lhe trouxe a revelação (19.10), mas o elevado poder angelical não aceitou e, diz a João num tom de amor, mas com exortação: adora a Deus.

9. “E disse-me: Olha não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus”.

I. “...Adora a Deus. Os anjos são vistos em todas a extensão das Escrituras. São seres superiores aos homens (2Pd 2.11), e obviamente inferiores a Cristo em cinco pontos (Hb 1.4 e ss); contudo, jamais, por hipótese alguma, eles aceitam adoração. Sua santidade, à semelhança da santidade de Deus, não é apenas uma isenção de toda impureza moral, mas antes, o conjunto de todas as excelências morais. Eles são exatamente na era presente aquilo que Deus quer que sejam. Eles possuem um senso, de apreciação da santidade divina; sentem, por essa santidade, intensa admiração, pois são seres santos. Portanto, o anjo não era digno objeto de adoração, conforme João chegou a supor momentaneamente. Essa rejeição por parte do anjo, foi certamente um golpe moral, na prática gnóstica da Ásia Menor ao tempo em que João escrevia este livro. eles adoravam aos anjos, além de outros seres que achavam superiores (cf. Cl 2.18).

10. “E disse-me: Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo”.



I. “...Não seles as palavras”. Um livro que não é selado está aberto ao exame e benefício de todos. O que foi selado nos dias de Daniel (12.4) agora é exposto aqui”. Daniel viveu cerca de 600 anos antes da introdução do “...tempo do fim”. Eis a razão por que era necessário a Daniel selar o livro, mas João, no contexto geral, pertencia a uma geração da “...última hora”, e não podia fazer o mesmo. Porque próximo está o tempo. Este versículo 10 além de outras recomendações, parece expressar: não seles as palavras, pois pouco tempo falta; e necessário é que sejam todos a avisados: Jesus vem breve! Não nos esqueçamos de que o Apocalipse significa revelação, e é justamente isto que o livro apresenta. Quanto mais perto nos achegamos dos acontecimentos registrados nele, tanto mais claras as profecias se tornam. Este versículo mostra-nos que nossas vidas, quando não vividas de acordo com o padrão divino, selam para outros a mensagem das profecias. Porquanto somos o único evangelho que algumas pessoas lêem (Mt 5.16).

11. “Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda”.



I. “...quem é injusto... quem é justo”. O versículo em foco, apresenta duas classes de pessoas: maus e bons. O primeiro grupo está seguindo em direção à perdição: no caminho largo citado por Jesus (Mt 7.13); o segundo grupo está seguindo em direção ao céu: no caminho estreito (Mt 7.14). O que João diz neste versículo não é (“O tempo é tão escasso que não se pode mais esperar que os homens queiram mudar, de mal para o bem: Deus exige definição: escolhei hoje a quem sirvais”). O mundo deve ver a diferença “...entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não serve” pois já é a última hora (Js 24.15; Ml 3.18; 1Jo 2.18). A decisão ou escolha é inevitável, mas é livre: quem quiser continue na maldade. Quem está em santidade, em santidade fique. Essa é a séria advertência! A parte de Deus está feita: a decisão cabe ao homem. Mas se há alguém nesta negra posição, tenha bom ânimo! levante-se, Jesus te chama!

12. “E eis que cedo venho, e o meu galardão esta comigo, para dar a cada um segundo a sua obra”.



I. “...o meu galardão está comigo”. Temos nesta secção alusão ao “Tribunal de Cristo”. Nos estádios gregos, a assembléia se reunia defronte de uma “plataforma” chamada de (“b~ema”) de onde as questões oficiais eram conduzidas. Esse vocábulo “bema” originalmente significava apenas um “degrau”; desta idéia passou a indicar uma “plataforma elevada”, como aquela usada pelos oradores, pelos juizes das competições esportivas, ou mesmo pelos magistrados, em seus julgamentos formais. Paulo, emprega essa palavra, para denotar o “Tribunal de Cristo”. Essa palavra é empregada por (“11”) vezes no Novo Testamento, e em todas as passagens onde ela aparece, tem sentido especial:

1. (a) O tribunal de Pilatos. Mt 27.19; (b) O tribunal de Herodes. At 12.21 (c) O tribunal de Gálio. At 18.12; (d) O tribunal de César. At 25; (e) O tribunal de Cristo. Rm 14.10. em retórica a encontramos nas seguintes passagens (Jo 19.13; At 18.16, 17; At 25.10, 17; 2Co 5.10). As citações textuais sobre o “Tribunal de Cristo” são:

(aa) 2Co 5.10, onde o que temos “feito por meio do corpo” será manifestado perante os olhos de todos tribunal:

(bb) Rm 14.10, onde nossas relaçoes com nossos irmãos serão examinadas perante o eterno Salvador:

(cc) 1Co 3.10-15, onde nosso serviço a Deus é provado como pelo fogo. Este fogo diz Speaker “durante apenas (“um dia”); é futuro, não presente; é destrutivo, não purificador; destrói; apenas doutrinas, não pessoas, causa perda e não lucro; causa apenas a reprovação das obras e não do obreiro”. Ali, portanto, haverá uma “avaliação” do que fizemos e não fizemos; então cada um receberá seu galardão segundo a sua obra.

13. “Eu sou o Alfa e o Ômega, o principio e o fim, o primeiro e o derradeiro”.



I. “...o Alfa e o Ômega”. Em Ap 1.8, há notas expositivas sobre estes títulos de Cristo. Essas letras eram usadas na simbologia profética para exprimir totalidade. Um escritor observa que o (“Alfa e o Ômega”) gregos, equivalem ao (“Álefe e Tau”) hebraicos. “Eu dito por exemplo, que Adão nosso antigo pai, transgrediu a lei de “álefe a tau”; Abraão nosso pai, pelo contrário, guardou a lei de “álefe a tau”. No presente versículo, o sentido é que o Pai, e o Filho são os Senhores de toda a História, seu principio, seu fim e todo o seu curso. Comparado isso com Hebreus (12.2). Cristo é o autor e consumador da fé. Portanto, em todas as dimensões e épocas ele é o começo, a causa primária, e também o fim, a causa final, a realização daquilo que fora iniciado e a consumação daquilo que foi continuado. Isso também é dito acerca de Deus Pai, em Ap 1.8 e 21.6; assim o Pai e o Filho são iguais em poder e glória.

14. “Bem-aventurado aqueles que lavam suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas”.



I. “...aqueles que lavam suas vestiduras”. Este versículo encerra a sétima e última “bem-aventurança”. Ela aparece na vida daqueles que (“lavam suas vestiduras no sangue do Cordeiro”). Essa palavra e suas cognatas são usadas cerca de 50 vezes no Novo Testamento, sendo uma das muitas que o uso testamentário expandiu e dignificou quanto ao seu sentido. A raiz original, no grego clássico, parece significar “grande”, e desde cedo foi usada como sinônimo de rico. No sentido religioso, seu valor é mais profundo. Ela declara, portanto, quem são os felizes, aos olhos de Deus.

1. O uso neotestamentário tem seguido a idéia inteira de felicidade espiritual. Assim, as “Bem-aventuranças” apresentam um quadro especial: (a) Humilhação: elevação; (b) Humildade de espírito: posse do reino, no coração ou em sentimento real; (c) Choro: consolo; (d) Mansidão: terra como herança; (e) Fome e sede de justiça: fartura de virtudes divinas; (f) Misericórdia para com os outros: misericórdia de Deus para com ele; (g) Pureza de coração: visão de Deus agora e no futuro; (h) Promoção de paz: paz com Deus por meio de Jesus Cristo; (i) Sofrimento por Jesus: posse do reino eterno; (j) Os perseguidos: os recompensados com o galardão da justiça de Deus.

15. “Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira”.

I. “...os cães”. Este é o único item novo neste versículo, algo que fora dito antes por João ou o anjo neste livro inteiro. Esse era um termo pejorativo usado pelos judeus, referindo-se aos gentios. De acordo com a lei cerimonial, o cão era animal imundo, não podemos conseguir uma posição melhor dentro do arraial, ficando assim do lado de fora (Dt 23.18).

1. Tanto o cão como o porco, são citados por Jesus e Paulo em (Mt 7.6 e Fl 3.2), como figuras de maus elementos. Os antigos os consideravam assim: (a) Os hereges: os cães; (b) Os inimigos: os porcos. Santo Agostinho os dividia assim: os perseguidores hostis (cães); os indivíduos imundos, sem sentimento de santidade (porcos).

2. Ama e comete a mentira. “A mentira é intrinsecamente má, e, conseqüentemente, totalmente ilícita. Sua gravidade se mede pela gravidade das conseqüência que pode ter para o próximo – ou, quaisquer que sejam essas conseqüências, pela intenção gravemente perniciosa que a tenha ditado”.

16. “Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas: eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã”.



I. “...a resplandecente estrela da manhã”. Já encontramos esse título aplicado a Cristo em (2.28). Na antiguidade, o planeta Vênus era considerado como símbolo da imortalidade, em toda a sua glória. Em 2Pd 2.19, essa estrela surgirá em nosso coração, dando a imortalidade e triunfo. Um escritor observa, quando diz: “Cristo é a brilhante Estrela da manhã do dia vindouro da eternidade; por conseguinte, ele também dá a estrela da manhã da visão espiritual do futuro”. A “aurora” era um símbolo messiânico (cf. Jr 23.5; Zc 3.8; 6.12), que denotava o “Renovo”. Conforme a idéia usada neste texto, trata-se de um duplo simbolismo: Jesus tinha um passado humano, mas também tinha um futuro divino. Assim ao mesmo tempo que Jesus é a “estrela da manhã” também é a “raiz e a geração de Deus”, isto é, o “Renovo” conforme é descrito pelos profetas do Senhor (Is 4.2; 11.1; Jr 23.5; 33.15; Zc 3.8; 6.12, 13).

17. “E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha, e quem quiser, tome de graça da água da vida”.



I. “...o Espírito e a esposa dizem: Vem”. Após dois mil anos ausente da corte celestial, o Espírito Santo é o primeiro a solicitar o retorno de Cristo para o arrebatamento: Vem! A Igreja segue o mesmo exemplo, dizendo: Vem! E um terceiro grupo: e quem ouve, diz também: Vem!

1. A volta de Jesus é solicitada em virtude de sua tríplice relação: à Igreja, à Israel, às nações:

(a) Para a Igreja, a descida do Senhor nos ares para ressuscitar os que dormem e a transformar os crentes vivos, é apresentada como uma constante expectação e esperança, 1Co 15.51-52; Fl 3.20; 1Ts 4.14-17; 1Tm 4.14; Tt 2.13; Ap 22.20.

(b) Para Israel, a Vinda do Senhor é predicada para cumprir as profecias que dizem respeito ao seu ressurgimento nacional, a sua conversão, e estabelecimento em paz e poder sob o pacto davídico. At 15.14-17:

(c) No caso das nações, a volta de Cristo é predicada para consumar a destruição do presente sistema político universal. Dn 2.44-45; Ap 19.11-21. A volta do Senhor em sua primeira fase, só se destinará à Igreja, e é chamada de “encontro”. No que diz respeito a Israel e às nações, é chamada de sua “manifestação com poder e grande glória”.

18. “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro”.



I. “...se alguém acrescentar alguma coisa”. O presente versículo tem seu paralelo em Pv 30.5-6, que diz: “Toda a palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras...”. A biblioteca divina é composta de 66 livros. Em nossas edições, há quatro divisões menores que estão assim estabelecidas: (“1.189 capítulos, 31.173 versículos; 810.697 palavras e 3.506.480 letras”). Do ponto de vista divino, esse conteúdo é o suficiente para suprir toda e qualquer necessidade humana; assim a partir do (“AMÉM”), contido no versículo 21 do presente capítulo, qualquer “acréscimo” à revelação de Deus é “anátema”. O autor sagrado desta tão grande obra, tinha certeza de que seu livro é inspirado; por conseguinte, precisava ser protegido de mãos criminosas; pelo que responsabiliza mediante autoridade de Deus. De conformidade com Eusébio, Irineu adicionou uma maldição assim a um livro que escrevera combatendo os hereges. Entretanto, a integridade do Apocalipse, sem dúvida alguma, é mais sublime e tem sido sustentada até hoje e continuará na Eternidade.

19. “E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão escritas neste livro”.



I. “...quaisquer palavras do livro desta profecia”. A palavra “livro” ou “livros” ocorre por 28 vezes no Apocalipse. Mas agora, na presente secção, ela termina a sua missão.

1. R. Norman observa, que o versículo anterior apresente o lado “negativo’, isto é, que os prevaricadores do texto sagrado serão severamente julgados. O presente versículo, porém, dá o lado “positivo”, isto é, as bênçãos que estes prevaricadores perderão! Tudo o que fora mencionado nas secções anteriores do Apocalipse. Certamente os versículos 18 e 19 ilustram a severidade da revelação divina e nossas relaçoes com a mesma.

2. Desde a antiguidade os escribas velavam cuidadosamente sobre o não “acrescentar” ou “diminuir” (“qualquer”) palavra da Escritura. Tão fiéis eram esses escribas em copiar o texto exatamente como acharam, palavra por palavra, letra por letra, que qualquer pessoa pode abrir uma Bíblia Hebraica (original) e verificá-la. Em certos trechos há letras impressas (escritas) invertidas, e a coisa curiosa é que nem escritos nem impressor as corrigiu. Deus coisas contribuíram para esse fim: (a) Os escribas eram fiéis; (b) Deus estava “...velando sobre ela” (Jr 1.12)!

20. “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus”.



I. “...Certamente cedo venho”. Há na Bíblia cerca de 2.500 referências sobre a vinda de Jesus para o arrebatamento 2.182 são predições proféticas e 318 em termos reais são encontradas em 24 livros do Novo Testamento. Apenas três livros dos 27 não contêm as citações textuais, mas em essência: (Filemon, 2 e 3 João).

1. Ora vem, Senhor Jesus. O texto em foco, pode ser também confrontado com 1Co 1.22, onde lemos: “Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema; maranata”. Esta expressão partida do coração de Paulo, é a transliteração do siriaco: “...maran-atha” que quer dizer “...nosso Senhor está vindo”, ou “O Senhor Vem!”. (Cf Fl 4.5). É esta a última oração da Bíblia: “VEM!”. Paulo, antes de pronunciá-la, disse: “...seja anátema”. Esse uso bem indica, uma interjeição, que significa: “Que seja maldito (sem importar quem ou seja que coisa), na vinda do Senhor” (cf. 2Tm 4.8; Ap 3.16). Essa palavra grega parece corresponder à “interdição” dos hebreus. Em outras palavras, isso significaria: “Que tal indivíduo seja à interdição, ou seja, consagrado à ira de Deus. Seja como for: “se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema!”

21. “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém”.

I. “...A graça de nosso Senhor”. O Antigo Testamento termina sua História com a palavra (“maldição”). Ml 4.6, o Novo porém, com a (“Graça do Senhor Jesus Cristo”). O Apocalipse, termina já dentro dos limites da Eternidade. O tempo corresponde ao que muda, ao que comporta a sucessão e o vir-a-ser. – A eternidade é uma duração, quer dizer, uma permanência de ser, sem nenhuma sucessão e, daí, sem começo nem fim. Pode-se dizer, em outras palavras, que é um eterno presente, uma perfeita e total do ser. A Bíblia começa sua história falando em Deus (Gn 1.1) e termina falando no homem: mas do homem santo (v.21). Ao terminar sua missão histórica, a Escritura encerra com “...a Graça”. Não poderia ser usada aqui melhor forma do que esta: “A Graça”. Eis uma gloriosa expressão: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com vós todos. Amém. Aqui termino! Toda a minha gratidão a Deus! Amém.

Compilado por: Isvonaldo de Omena Queiroz



10 de janeiro de 2005




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