Apocalipse



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Capítulo XV


1. “E VI outro grande e admirável sinal no céu: sete anjos, que tinham as sete últimas pragas; porque nelas é consumada a ira de Deus”.

I. “...nelas é consumada a ira de Deus”. O presente capítulo mostra-nos outra série de calamidades a sobrevir a terra. essas calamidades são similares em caráter e propósito às pragas das sete trombetas (8.7 a 11.19), e, sobretudo, a estas últimas: há um período de antecipação, porém, em cada uma dessas séries, a ordem cronológica é estabelecida. Na primeira, tivemos a aclamação do Cordeiro como digno de romper os selos do livro selado (5.1-14). Na segunda, quando da abertura do selo (8.1-6), houve preparação para o toque das sete trombetas (8.6). E mesmo as taças sendo a consumação dos juízos executados pelas trombetas, contudo, há, aqui também um pequeno intervalo.

1. O leitor deve observar a frase “...grande e admirável” nesta secção. Separadas, as palavras “grande e admirável” aparecem muitas vezes. Mas, em todo o Novo Testamento, uma ao lado da outra, só neste capítulo, nos versículos primeiro e terceiro. O comentarista H. R. Charles declara: “Este capítulo consiste de duas visões. A primeira (vs. 2-4) trata do cântico triunfal, entoado pelos mártires, estando ao redor do mar de vidro, nos céus. A segunda visão se relaciona aos sete anjos que desceram do templo celestial (vs. 5-8), aos quais foram dadas as sete taças, repletas da ira de Deus”

2. “E vi um como mar de vidro misturado com fogo; e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus”.

I. “...mar de vidro misturado com fogo”. No capítulo 4.6 deste livro encontramos este mar de vidro visto por João. Neste ponto, porém, João adiciona uma característica ao que já dissera antes, a saber: que seu colorido era como “fogo”. Nas passagens de Apocalipse 4.6 ele é descrito como “mar completamente transparente”, que se mantém calmo, pois um “mar de vidro” indica uma massa compacta. Além disso, mostra-se que ele é atravessado pela luz, como o cristal. Isso lembra o grande acontecimento nas margens do Mar Vermelho, quando Israel, salvo por Deus da fúria de Faraó, cantou ao Senhor do outro lado em voz de trunfo (Êx 15.1 e ss). Parece que João queria dizer em seu informativo apocalíptico que esse “mar” do presente texto se tornara uma espécie de “mar vermelho celestial”, onde os vencedores da Besta e seus sequazes, se encontram do outro lado da vida, e em pé, à margem do mar de vidro, antes de prosseguir em direção ao trono, entoam “o cântico de Moisés... e o cântico do Cordeiro”.

1. “O mar de vidro espelha a divina beleza e glória de Deus. Está repleto de luz, clara e brilhante como cristal, e transparente como os pensamentos e planos de Deus, os quais são de sabedoria, clareza e veracidade indescritíveis...”. Os capítulos sétimo e décimo quarto deste livro já haviam descrito este grupo de peregrinos como “vencedores”, e o autor sagrado somente faz, aqui alusão ao fato; a não ser que agora eles cantam o novo cântico, o hino da vitória de Moisés, por terem atravessado o mar Vermelho e terem triunfado.

3. “E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-poderoso! Justo e verdadeiro são os teus caminhos, ó Rei dos santos”.

I. “...o cântico de Moisés... e o cântico do Cordeiro”. Já que este cântico é de Moisés e do Cordeiro, pode estar subentendida a unidade essencial da Antiga e da Nova dispensação ou testemunhos, bem como a unidade de todos os remidos em Cristo. (Ele veio “...reunir em um corpo os filhos de Deus”. Jo 11.52). Sua redenção é boa para o primeiro e para o segundo Pacto, não conhecendo limites de tempo, de espaço e de raça. Assim, os “vencedores” de todos os tempos, podem “cantar” na “terra” (cântico de Moisés), e no “céu” (cântico do Cordeiro). O cântico de Moisés é o “Cântico da Libertação”; e o do Cordeiro sem dúvida, é o ‘Cântico da Redenção”. O Antigo Testamento registra dois cânticos de Moisés (Êx 15.1 e ss; Dt capítulo 32), porém, apenas com essas palavras citadas nos versículos 3 e 4 desta secção, está em foco o “Cântico Triunfal” nas margens do mar Vermelho.

4. “Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso todas as nações virão, e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos”.



I. “...todas as nações virão, e se prostrarão”. Essas palavras frisam a conversão das nações durante o Milênio (cf. 21.24 e ss; 22.2). Na passagem de 14.7 as nações são exortadas a se arrependerem e adorarem a Deus. Naturalmente, isso envolverá somente as nações que sobreviverem aos juízos divinos; mas certamente, também está em foco o estado eterno; subentendendo que todas as nações encontrarão em Cristo a razão de sua existência, pois ele é o “Mediador entre Deus Pai e todas as criaturas” (Ef 1.23; 1Tm 2.5). nele, tudo encontra seu propósitos, pois ele é “tudo para todos”. Deus é o Senhor de todos; tanto da presente era como na eternidade. Ele é e será proprietário e Senhor. O mundo inteiro, finalmente, haverá de perceber isso, mediante o processo histórico completado por meios de várias intervenções divinas.

5. “E depois disto olhei, e eis que o templo do tabernáculo do testemunho se abriu no céu”.



I. “...o templo do tabernáculo’. No Novo Testamento dois vocábulos gregos: “hieron” e “naos”, são traduzidos geralmente por “templo”. Mas, em uso literal ou figurado, no pensamento cristãos, deve-se conferir o emprego dos termos “casa” (oikos) e “lugar”. O uso metafórico de “templo” deve ser também comparado a “edifício” (oikodom~e).

1. A expressão “tenda” (sk~em~e) ou o tabernáculo do testemunho se acha somente em trecho do Novo Testamento, em At 7.44. Mas ali não há qualquer alusão ao templo, e, sim, ao tabernáculo original, armado no deserto. Em algum sentido todos os templos (isto é, o de Salomão; de Esdras; de Herodes; esses que os judeus erigirão, no local da Cúpula da Rocha (Dn 9.27; Mt 24.15; 2Ts 2.4), e o templo escatológico de Ezequiel, capítulo 40 a 48), todos serão tratados como uma só “casa”: a casa de Deus. No presente texto, o “templo” que João viu se “abrir” não foi na terra, mas no “céu”. O Apóstolo foi capaz de olhar para o “interior” do lugar do testemunho de Deus. Os judeus criam que as coisas terrenas eram figuras das celestiais (Hb 8.5 e 9.23), de maneira que o templo terrestre era apenas uma “cópia” do celestial (Ap 3.12; 7.15; 11.19; 14.15, 17; 15.5, 6, 8; 16.1).

6. “E os sete anjos que tinham as sete pregas saíram do templo, vestidos de linho puro e resplandecente, e cingidos com cintos de ouro pelos peitos”.

I. “...vestidos de linho”. Observemos que os trajes dos anjos, no presente texto, são semelhantes ao traje de Cristo, visto glorificado no capítulo 1.13 deste livro. Isso significa “dignidade” e “elevado ofício”. Estas vestes e cintos só eram usados pelos sacerdotes e juízes da Alta Corte. No caso de Cristo, isso representa sua dignidade como “sacerdote e juiz”. No caso dos anjos nesta secção, refere-se à função de “juízes” por eles desempenhado. Os sete magistrados da Suprema Corte estavam também cingidos com cintos de ouro; a mesma coisa é dita acerca de Cristo, em Is 11.5 e Ap 1.13 respectivamente; “A justiça será o cinto dos seus lombos, e a verdade o cinto dos seus rins”. Esses anjos estavam encarregados de uma missão; uma comissão proveniente dos mais elevados céus. Seus trajes, devidamente equipados, fala de poder, dignidade, retidão e verdade (Is 22.21; Jr 12.18; Ef 6.14). A passagem de Daniel 10.5, 6; 12.7, mostra um anjo celestial vestido da mesma forma.

7. “E um dos quatro animais deu aos sete anjos salvas de ouro, cheias da ira de Deus, que vive para todo o sempre”.



I. “...sete salvas de ouro”. O termo grego usado nesta passagem diz “phiale”. Indica um vaso largo e raso, usado para propósitos de libação ou para servir bebidas; mas estas dos elevados poderes angelicais, são de fabricação divina. Elas não estão vazias e, sim, “cheias da ira de Deus”; essa expressão “ira de Deus” é retratada por seis vezes no Apocalipse (14.10, 19; 15.1, 7; 16.1, 19). Como em português, o grego usa duas palavras diferentes para traduzir o sentido de indignação: “thymos”, a primeira, significando cólera ou furor, a mais forte; a segunda: “orguê”, significa “raiva”, “ira”. (Ver notas expositivas sobre isso em Ap 6.17). “A ira de Deus” é um termo técnico que indica “juízo”, não sendo descrição de qualquer emoção violenta da parte do Senhor.

8. “E o templo encheu-se com o fumo da glória de Deus e do seu poder; e ninguém podia entrar no templo, até que se consumassem as sete pragas dos sete anjos”.



I. “...o templo encheu-se”. As visões contempladas por João, neste versículo, marcam acontecimentos semelhantes aos que temos em Êx 40.34 e ss. A “tenda” ficou tomada pela glória de Deus, do poder de sua presença, de sua presença temível de tal modo que nem o próprio Moisés pode ali entrar (Êx 40.35). Algo semelhante pode ser visto em 1Rs 8.16 e Ez 10.2-4. Nessa visão, a glória de Deus encheu o templo, como se fosse uma fumaça expelida de uma grande fornalha (Is 6.1-6). Devemos ter em mente que cerca de 1.550 anos antes, houve uma manifestação de Deus no Monte Sinai. “O Monte Sinai ficou inteiramente toldado pela fumaça, porquanto o Senhor desceu ali em foco; e a fumaça subiu como se fora de uma fornalha, e o Monte inteiro estremeceu grandemente”. Seja como for, o templo celeste aqui foi envolvido em chamas! Deus é inabordável, exceto por meio de Cristo, que é o Verbo. Sob certas circunstâncias, como estas do presente versículo todo acesso a Deus é interrompido! Nem mesmo os seres celestes ali puderam entrar, pois se assim o fizessem a ira divina os consumiria! (cf. Hb 12.18-21).

Capítulo XVI


1. “E OUVI, vinda do templo, uma grande voz, que dizia aos sete anjos: Ide e derramai sobre a terra as sete salvas da ira de Deus”.

I. “...uma grande voz”. Este capítulo marca os juízos de Deus em magnitude! É utilizada nove vezes a palavra “grande” nesta secção com sentido especial:

1. “...uma grande voz” (v.1); “...grande calores” (v.9); “...grande rio Eufrates” (v.12); “...grande dia” (v. 14); “...grande voz do templo” (v.17); “...grande terremoto” (v.18); “...grande cidade” (v. 19); “...grande Babilônia” (v.19); “...grande saraiva” (v.21). A passagem de Apocalipse 15.7 mostra-nos que os “quatro seres viventes” (seres superiores a esses anjos pela demonstração do contexto) entregaram os juízos, salvas, aos sete anjos. Algo semelhante pôde ser presenciado em Ez 10.7, onde um querubim entregou aos sete personagens ali descritos o julgamento das brasas de fogo. Este capítulo apresenta a última série de (“sete”) no que diz respeito aos julgamentos principais, embora ainda tenham de aparecer mais duas séries assim a saber, as “sete” visões sobre a queda de babilônia e as visões da “derrubada de Satanás”.

2. Ide e derramai. A presente expressão segue paralelamente o mesmo número da palavra “grande” neste capítulo: 9 vezes (vs. 1, 2, 3, 4, 6, 8, 10, 12, 17). “Derramai”: isso sugere um juízo súbito, completo e esmagador. Os anjos que vão executá-los, são seres “magníficos em poder” (Sl 103.20). A missão deles é clara; e eles se mostram obedientes. Também é a “voz de Deus” que em foco nesta passagem, porque todos estavam “fora do templo” (15.8) até o fim de sétimo flagelo. João ouviu a voz do Senhor. Isto empresta maior dignidade ao material que se segue. O Dr. R. N. Champrin declara: “Deus cuidará pessoalmente das últimas pragas. Elas serão tão horrendas que terão uma intervenção divina em sua execução. Tenhamos também em mente que as sete taças, como assinala o versículo, têm um caráter geral e abrangente; elas são a consumação dos juízos nas visões dos selos e trombetas”.

1ª Taça


2. “E foi o primeiro, e derramou a sua salva sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem”.

(VER A INTRODUÇÃO DESTE FLAGELO EM APOCALIPSE 8.7, QUE DIZ: “E o primeiro anjo tocou a sua trombeta, e houve saraiva e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra...”).

I. “...uma chaga má e maligna”. Os juízos das trombetas limitam-se, mais ou menos, aos limites do mundo romano, mas os juízos das taças hão de cobrir a terra e devem constituir a guerra total de Deus sobre o mundo. Na consumação deste juízo encontramos paralelo na passagem de Jó 2.7, onde lemos: “Então saiu Satanás da presença do Senhor, e feriu a Jó duma chaga maligna...”. J. Filo refere-se a úlceras (elkos) dolorosas como castigo apropriado que se deveria esperar contra os aderentes do “culto do imperador”. Nos últimos dias maus, os adoradores da Besta, terão de sofrer os horrores descritos neste versículo. Os medicamentos terrenos não poderão impedir ou curar essa “chaga má e maligna”. Os magos de Faraó (Janes e Jambres) não podiam permanecerem quietos diante de Moisés “...por causa da sarna; porque havia sarna em os magos, e em todos os egípcios” (Êx 9.11b); ali, aquelas eram de caráter temporários; porém, sendo de caráter escatológico; são incuráveis (Dt 28.27, 35). A sexta praga do Egito que tem o seu paralelo nesta primeira aqui, foi dirigida contra os magos egípcios; neste ponto, porém, a praga se volta contra aqueles que adorarem a Besta. “Assim como se submeteram à marca da Besta, assim também terão de submeter-se à marca do Deus vingador”.

2ª Taça


3. “E o segundo anjo derramou a sua salva no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda a alma vivente”.

(VER A INTRODUÇÃO DESTE FLAGELO EM APOCALIPSE 8.8, QUE DIZ: “E o segundo anjo tocou a trombeta; e foi lançada no mar uma coisa como u grande monte... e tornou-se em sangue...”).

I. “...e morreu no mar toda a alma vivente”. Esta segunda praga tem seu paralelo, na primeira praga que caiu no Egito, quando o Rio Nilo tornou-se em sangue, matando os peixes (Êx 7.14 e ss). Mas aqui o próprio “mar” é afetado em grau supremo. Quando dos juízos das trombetas, somente uma “terça parte” se transformou em sangue, e somente uma “terça parte” da vida marinha pereceu (8.9). Mas, no presente texto, os efeitos serão mais vastos. O mar tornou-se em sangue como de um morto, imundo e coagulado, impossibilitando a vida no mesmo. “O sangue é uma vívida e terrível da morte, o salário do pecado. Essa foi a primeira praga do Egito, o Nilo transformou-se em sangue... mas agora será o mar... cardumes de criaturas que tinham vida no mar morreram, e como testemunha apodrecida da iniqüidade dos súditos da Besta, o homem do pecado...”. Alguns estudiosos da Apocalipse, opinam que toda essa descrição é simbólica, referindo-se ao envenenamento do sangue da vida das nações, como se a questão fosse de ordem “moral” ou “espiritual”, e não literal. Mas devemos ter mente o que disse Jesus a João: “...estas coisas hão de acontecer” (1.1, 19; 22.6).

3ª Taça


4. “E o terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue”.

(VER A INTRODUÇÃO DESTE FLAGELO EM APOCALIPSE 8.10, QUE DIZ: “E o terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela... sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas”).

I. “...nos rios e nas fontes das águas”. Essa praga tem também seu paralelo na primeira praga que caiu sobre o Egito, que atingiu não somente o rio Nilo, mas também as fontes, os poços e os ribeiros, transformando-os em sangue. Nos dias sombrios do governo do Anticristo homens terão manchado a terra com o sangue dos mártires. Deus agora lhes dará sangue a beber – uma justa retribuição, como é declarada em Gl 6.7. Esta é a lei da compensação divina para os súditos da Besta. deus como Justo Juiz, em sua perfeita justiça e retidão, derramará a sua grande ira, no tempo da terceira taça, dando sangue a beber aos que derramaram sangue dos santos. Será uma das mais horrendas pragas desta série de “sete” quando os homens e os animais terão somente sangue coagulado para beber.

5. “E ouvi o anjo das águas que dizia: Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e santos és, porque julgaste estas coisas”.



I. “...o anjo das águas”. Além do que é depreendido do presente texto, havia também idéia entre o povo da aliança helenizado que certos elementos da natureza são controlados pelos anjos. Assim, teríamos os anjos dos quatro ventos (Ap 7.1), do calor, da geada, das águas, do fogo, e assim, interminavelmente. No versículo em foco, o anjo representado, literalmente falando, tem a tarefa de guardar o suprimento das águas, sendo assim, o “anjo-capitão” dessa parte da natureza (cf. Jo 5.4; At 27.23-24). Na teologia judaica os judeus e outros escritores da antiguidade, chegaram até exagerar nomes de alguns desses anjos. Assim, Niconias estaria encarregado das fontes das águas. E Admael seria o anjo da terra, conforme diziam as idéias da época sobre os anjos.

1. No sentido simbólico do significado do pensamento, As águas que viste (diz o anjo intérprete a João), onde se assenta a prostituta (“são povos, e multidões, e nações, e línguas”). Na simbologia profética, fontes, rios e mares, têm o sentido geral das nações inquietas e desorganizadas (cf. Jr 6.5; Ez 29.3; Dn 7.2; Lc 21.25; Tg 1.6; Ap 17.15). Assim, para nós, o “anjo das águas”, refere-se a um “guarda eterno” responsável pela segurança das nações, e também de executar juízo sobre elas (Êx 14.19, 20; 23.20; Dn 10.13, 20, 21).

6. “Visto como derramaram o sangue dos santos e dos profetas, também tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores”.

I. “...visto como derramaram sangue”. Dois anjos apareceram em foco nesta declaração: o das águas (v.5) e o do altar (v.7). Eles proclamam que o “sangue dos santos” deve ser punido. No livro de Números (32.23) há um solene aviso de Deus: “...se não assim, eis que pecastes contra o Senhor: porém, sentireis o vosso pecado, quando vos achar”. O castigo desta secção, é uma espécie de “punição de acordo com a natureza da transgressão”. Aquilo que um homem semeia, isso também ele ceifará, isto é o “abc” da doutrina cristã tanto no passado como no presente. Profeticamente falando, entretanto, essas palavras se aplicam aos crentes mártires que sofrerão por mandado do Anticristo. No contexto profético do significado do pensamento, esse livro foi escrito para os cristãos de todos os tempos, mas, sem sentido especial, para os santos gentios e israelitas convertidas na tribulação.

7. “E ouvi outro do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor Deus Todo-poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos”.



I. “...outro do altar”. Em Ap 6.9 as almas dos mártires, clamavam debaixo do altar, por vingança. O altar do presente texto, é o mesmo altar visto por João na visão anterior, e o “outro do altar” que se traduz também no original grego por “o anjo do altar”, é sem dúvida um elevado poder angelical, revestido de uma “função sacerdotal”, responsável em guardar “as orações dos santos”. Sua voz assinala o cumprimento e resposta das orações dos santos do capítulo seis do presente livro. o Apóstolo João ouviu a poderosa voz do anjo sacerdote justificando o julgamento de Deus. “Exemplificando: encontramos o sangue de Abel falando (Gn 4.10), e o altar é a base dos juízos de Deus, que nos fala da morte de Cristo. Deus ouvirá também, a voz dos santos mártires, desde Abel até aos da Grande Tribulação (8.5). A implacável ira divina, santa e justa... requererá do Trono uma resposta segura e firme, e como certeza disso, nele está posto “um vigia eterno”. O anjo do altar”.

4ª Taça


8. “E o quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abrasasse os homens com fogo”.

(VER A INTRODUÇÃO DESTE FLAGELO EM APOCALIPSE 8.12, QUE DIZ: “E o quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol...”).

I. “...abrasasse os homens com fogo”. A quarta taça tem mais ou menos seu paralelo na sexta praga do Egito. A da saraiva misturada com fogo (Êx 9.24 e ss). Na introdução, porém, tem seu paralelo na nona praga egípcia (Êx 10.21-23). Na passagem em foco vemos os homens sendo abrasados com “fogo”, embora a palavra “fogo”, no grego, culto ela indique a extrema intensidade do calor solar. A literatura paralela do Apocalipse predissera que Deus fará o sol ficar parado na mesma altura por três dias, criando um calor excessivo que castigará aos povos ímpios e rebeldes. É lamentável dos homens desprezarem a “sombra do Altíssimo” e se submeterem, mesmo que contragosto, ao fogo do juízo de Deus. A profecia bíblica não foi escrito para satisfazer a curiosidade humana, antes do que “cumprimento”, e, sim, para “instruir” aqueles que viverem na época do seu cumprimento. Oremos pelos homens! Deus pode humilhar os que andam na soberba (Dn 4.37).

9. “E os homens foram abrasados com grandes calores, e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória”.



I. “...não se arrependeram”. Já tivemos a oportunidade de ver no Apocalipse, os juízos de Deus a cair sobre a humanidade, em ordem crescente, e, ao mesmo tempo, vemos homens endurecidos contra Deus, seguindo um paralelo na mesma escola: Não se arrependeram! “Note-se como as primeiras quatro taças segue o curso das quatro trombetas. Porém, quanto à cronologia não são paralelas. Os juízos das trombetas marcam a introdução destes juízos e caíram numa área delimitada: terra, mar, rios, fontes das águas, sol, lua e estrelas (8.7, 8, 10, 12), contudo, foram limitados, cada vez, à “terça parte”. Mas não há limites nos juízos das taças; elas varrem tudo”. O que os homens persistem em fazer, se for mau, torna-os incapazes de vencer a própria corrupção de sua natureza. A fibra moral é tão debilitada que os tornam incapazes do arrependimento; e esse é um dos aspectos do julgamento contra o pecado (Rm 6.23).

5ª Taça


10. “E o quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, e o seu reino se fez tenebroso; e eles mordiam as suas línguas de dor”.

(VER A ITRODUÇÃO DESTE FLAGELO EM APOCALIPSE 9.1-2, QUE DIZ: “E O QUINTO anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra... e abriu o poço do abismo, e subiu fumo do poço, como o fumo de uma grande fornalha, e com o fumo do poço escureceu-se o sol e o ar”).

I. “...se fez tenebroso”. A presente passagem ainda tem seu paralelo na nona praga do Egito. Ali o reino de Faraó também se fez “tenebroso” durante três dias (Êx 10.22). Aqui o “trono da Besta” afetado pelo juízo da quinta taça é o mesmo que ela herdou do dragão logo no início de seu reino (13.2). A missão deste anjo celestial, é derramar a sua taça sobre o “grande trono” não só da apostasia religiosa do mundo, mas, conseqüentemente, sobre todo o ‘falso” poder. As trevas que envolveram o trono da Besta, são “trevas sobrenaturais”. É verdade que através da história tem havido trevas estranhas e aterrorizante, em que o sol, por assim dizer, não dava luz. Diz um astrônomo que “Isso se deve à (“poeira cósmica”) ao atravessar as elevadas camadas da atmosfera terrestre, em quantidade apreciável”. Mas na quinta taça este fenômeno, será produzido por uma intervenção sobrenatural; sem dúvida alguma: O poder de Deus. W. Ramsay declara que a expressão “mordiam as línguas de dor” é a única na Bíblia e indica uma agonia mais intensa e excruciante.

11. “E por causa das suas dores, e por causa das suas chagas, blasfemaram do Deus do céu; e não se arrependeram das suas obras”.



I. “...blasfemaram do Deus do céu”. A palavra “blasfêmia” no grego moderno é “blasphemeo”, ou seja “falar coisas injuriosas”, “difamar”, ‘dizer coisas abusivas”, etc. Tanto no Antigo Testamento como no Novo encontramos uma extensão do seu significado. Aqui no presente texto, o sentido da raiz da palavra é a de um ato afrontoso mediante o qual a honra de Deus é insultada. Nos ensinamentos de Jesus está declarado que a “blasfêmia” nasce no “interior dos corações dos homens” (Mc 7.21.22), cuja finalidade um psicólogo descreve como segue: “...odiar, ferir, prejudicar, aniquilar, menosprezar, desdenhar, detestar, abominar, difamar, caluniar, amaldiçoar, espoliar, arruinar, demolir, repugnar, ridicularizar, implicar, provocar, caçoar, humilhar, acerta (eu te acerto), espicaçar, envergonhar, criticar, cortar, contrariar, banir, surrar, subjugar, competir com, embrutecer, maltratar, oprimir, intimidar, esmagar, imprensar”. O objetivo próprio do verbo e seus cognatos é vilipendiar o nome de Deus, o qual é amaldiçoar ou desonrado em lugar de ser honrado.

6ª Taça


12. “E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do Oriente”.

(VER A INTRODUÇÃO DESTE FLAGELO EM APOCALIPSE 9.13, QUE DIZ: “E tocou o sexto anjo a sua trombeta, e ouvi uma voz que vinha das quatro pontas do altar de ouro, que estava diante de Deus. A qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solta os quatro anjos, que estão presos junto ao grande rio Eufrates”).

I. “...O grande rio Eufrates”. O rio Eufrates era um dos rios do Paraíso (Gn 2.14). Seu nome em hebraico é “perath”, derivado do acadiano “purattu’, que representa o sumeriano “buranun”, e a forma neotestamentária, “Euphart~es”. Os hebreus o chamavam de “o grande rio” (ver notas expositivas sobre isso, 9.14). O Eufrates forma-se pela junção de dois tributários: o Murado-Su, que começa no lago Van, e o Kara-Su ou Frata, que nasce a 74 quilômetros a nordeste de Erzerum.

1. “O curso total do rio Eufrates desde sua nítida nascente até sua desembocadura no Golfo pérsico é de 3.093 quilômetros e 600 metros. Sua profundidades varia entre 3 e 10 metros e sua largura é de 200 a 400 metros aproximadamente”. Seu leito se encravava na Ásia Continental, e na antiguidade era conhecido como a linha divisória entre o mundo oriental e Ocidental. O juízo desta taça secará suas águas momentaneamente, pois doutra forma, seriam necessários três anos consecutivos sem chuver. Ilustrando a passagem em foco, temos Deus abrindo o mar Vermelho (Êx 14.21, 2), de igual modo o Jordão 40 anos depois (Js capítulo 3). Também está profetizado a secura do rio Nilo (Is 11.15). O grande rio Eufrates passará por um momento semelhante na história. Suas águas secarão preparando assim “o caminho dos reis do oriente” que vêem em demanda da terra de Israel.

2. Reis do Oriente. H. Lindsey diz: “Cremos que a China é o princípio da formação dessa grande profecia chamada “reis do leste” pelo Apóstolo João”. Como o emblema nacional do Japão é “o sol nascente”, pode ser que essa nação partilhe no avanço das asiáticas. Isso se depreende na forma plural (“reis do Oriente”) vista no presente texto. Recentemente um documentário de TV sobre a China Vermelha, denominado “A Voz do Dragão”, citava potência dispor de um “exército popular” de 200.000.000 de homens.

13. “E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs”.



I. “...semelhantes a rãs”. Esse elemento, envolve uma certa aparência daquilo que foi visto no Egito, em sua segunda praga; a das rãs (Êx 8.1 e ss). Vemos apenas três espíritos, mas, demoníacos; eles explicam as grandes hordas de “rãs” naturais, como equivalentes. A rã é um animal imundo conforme a lei cerimonial; é sinal de maldade.

1. Segundo o Dr. W. Malgo, Rãs são estranhos seres anfíbios. Elas vivem tanto nas escuras e enlameadas profundezas, como em solo firme sob o sol. Elas podem ocupar a fantasia dos homens. Elas têm membros semelhantes a eles., O que chama a atenção são seus olhos extremamente grandes e o volume de voz desproporcional. Muitas vezes elas surgem repentinamente das profundezas. Uma rã tem algo de misterioso e sinistro”. A simbologia profética aqui depreendida é, certamente, a rã vive tanto na terra como na água; podendo juntar combatentes tanto da terra (os continentes) como da água (as ilhas). O zoroastrismo dividia os animais em duas categorias, bons e maus, mais ou menos como faziam os judeus, em limpos e imundos. A rã era um animal imundo. Portanto, aquelas rãs serão espíritos “imundos”, tal como suas fontes originais, o dragão e duas Bestas.

14. “Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-poderoso”.

I. “...dia do Deus Todo-poderoso”. Há no Novo Testamento quatro termos técnicos para determinar três épocas distintas e o quarto, assinalam um acontecimento especial (o dia da ressurreição de Cristo):

1. O DIA DE JESUS CRISTO. O dia do Senhor Jesus Cristo está ligado com o arrebatamento da Igreja, porque o nome de JESUS que significa Salvador, está na frase inserido (Mt 1.21; At 4.12). Ele faz parte do “dia da salvação” e nele não há vingança. Os acontecimentos que terão lugar nele são: (a) Jesus virá para os seus santos. 1Ts 4.17; (b) Virá como a estrela da manhã, 2Pd 1.19; (c) Virá até aos ares e voltará. 1Ts 4.17; (d) Virá para sua Igreja. Jo 14.3 (e) Virá como o Cordeiro de Deus.

2. O DIA DO SENHOR OU DE CRISTO. O dia do Senhor em (Is 2.12; 13.9; 26.20-21; 34.8; Jl 1.15; 2.1-2; Am 4.18; Ob v.15; Sf 1.14-15; Zc 14.1; Ml 4.5; At 2.20; 1Ts 5.2, 3), e outras passagens, tanto do Antigo como do Novo Testamentos, como “Filho do homem”em Lc 17.24 e dia de Cristo em 2Ts 2.2; refere-se ao “dia da ira” (2Ts 1.7, 8 e Ap 6.16, 17). O nome de Cristo, que quer dizer: “O Rei Ungido”, relaciona-se com o senhorio e governo de Cristo. Esse dia terminará no vale do Armagedom e será precedido por sete sinais: (a) O novo aparecimento de Elias, Ml 4.5; (b) Sinais sobrenaturais. Jl 2.1-11; Mt 24.29-30; At 2.19-20; (c) Os “filhos do dia” (os crentes) fora do mundo. 1Ts 5.1-5; (d) A apostasia numa igreja morna que será vomitada na vinda de Jesus – Laodicéia. 2Ts 2.3; Ap 3.16; (e) A manifestação do homem do pecado. 2Ts 2.2, 8. (f) Os acontecimentos narrados nos capítulos 6 a 19 de Apocalipse; (g) A grande convocação dos combatentes para o vale de Armagedom. Ap 16.14. Os acontecimentos que terão lugar nele são: (aa) Jesus virá para ser recebido por Israel. Zc 12.10; Mt 23.39; Rm 11.26; (bb) Virá para terminar a grande guerra do Armagedom. Mt 24.30; Ap 19.11 e ss; (cc) Jesus virá com os seus santos. Cl 3.4; Jd v.14; (dd) Jesus virá até terra e ficará nela. Zc 14.4; (ee) Jesus virá como o sol da Justiça. Ml 4.2; (ff) Virá como Leão da Tribo de Judá. O dia da passagem em foco, é exatamente esse terrível grande dia.

3. O DIA DE DEUS. O dia de Deus também pode ser chamado de “dia do Senhor” no sentido próprio (2Pd 3.10). Os acontecimentos que terão lugar nele são: (a) A expurgação do céu e terra pelo fogo. 2Pd 3.12; (b) O Juízo final descrito em Ap 20.11 e ss; (c) A perdição dos homens ímpios. 2 Pd 3.7.

4. O DIA DO SENHOR. Esse dia marca o dia da ressurreição de nosso Senhor com sentido especial (Jo 20.19; Ap 1.10). Cronologia: do dia do Senhor (ressurreição) até o dia do Senhor Jesus Cristo, 2.000 anos aproximadamente; do dia de Jesus Cristo até o dia de Cristo ou do Senhor, 7 anos; do dia de Cristo até o dia de Deus, 1.000 anos aproximadamente. (Ver notas expositivas sobre isso, Ap 1.10).

15. “Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda os seus vestidos, para que não anda nu, e não se vejam as suas vergonhas”.



I. ‘...como Ladrão”. Outras passagens do Novo Testamento comparam a vinda do Senhor com a vinda de um ladrão (ver notas expositivas sobre isso, em Ap 3.3). A idéia não é de astúcia, mas surpresa para os que andam nas trevas (1Ts 5.4); isso sugere uma maneira secreta, repentina e inesperada (Mt 24.43; Lc 12.39; 1Ts 5.4, 15; 2Pd 3.10; Ap 3.3; 16.15). Visto como o ajuntamento dos reis do Oriente com a Besta é sinal da vinda de Cristo a fim de destruir seus inimigos, os santos da tribulação são exortados a vigiar esperando sua volta; esse deve ser o significado do pensamento na presente passagem (cf. 1Ts 5.4).

1. Guarda os seus vestidos. Isso pode ser analisado de duas maneiras: (a) A ponta para a indecência, para falta de pureza, por ter-se entregue a devassidão, e ao pecado em qualquer sentido. Gn 3.10; (b) Indica a nudez do espírito, ou seja, sem aquelas vestes da “imortalidade” indispensável a todos os santos (2Co 5.8). A igreja de Laodicéia tinha sido advertida contra pobreza e nudez espiritual, e aconselhada a comprar ‘vestidos brancos” para que não aparecesse sua nudez espiritual naquele grande dia (Ap 3.18). Isso é uma exortação ao zelo espiritual.

16. “E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom”.

I. “...Armagedom”. A palavra “Armagedom” significa “montanha de Megido”; designa o local onde se ferirá a batalha. Historicamente falando, já foi uma fortaleza Cananéia no tempo de Josué (Js 12.21). Geograficamente, tem formato triangular, encrava-se na confluência de três vales (Jesreel, Esdraelom e Armagedom). Embora Armagedom possa ser classificada como vale, pela sua extensão e aspecto do conjunto é preferível qualifica-la como planície. Este vale tem sido muito famoso campo de batalha dada a importante posição que ocupa. Dele Napoleão Bonaparte: “Eu faria deste lugar um campo de batalha para os exércitos de todo o mundo”. (Ver notas expositivas sobre isso, em Ao 14.20). Hoje, como todos sabem, à sua entrada está o porto de Haifa. É uma das áreas da Palestina mais acessíveis ao desembarque de tropas anfíbias.

1. Armagedom ou Megido era também o nome da cidade (hoje al lejjun); é o vale que os judeus chamam planície de Jesreel, que vai do monte Tabor até junto do monte Carmelo. O vale “Megido” ou “Asdraelom”, é também interpretado como: “lugar de tropas” ou “lugar de multidões”. Vários personagens do passado foram derrotados aí neste vale: Sísera (Jz 5.8, 31); Acazias (2Rs 9.27); Josias (2Rs 23.29, 30). Ao nome de Jesreel (cidade) está ligado a violenta morte da rainha Jezabel, cujo nome se tornou proverbial e simbolicamente profético. Saul e seus filhos tombaram mortos em Armagedom ao lado da montanha de Glboa (1Sm 29.1, 11 e 31.1). Seja como for, ali, pois, haverá a grande conflagração e mortandade, naquele vale e no extremo ocidente do Jordão, naquele grande dia do Deus Todo-poderoso.



7ª Taça

17. “E o sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e saiu grande vos do tempo do trono, dizendo: Está feito”.



(VER A INTRODUÇÃO DESTE FLAGELO EM APOCALIPSE 11.15, QUE DIZ: “E tocou o sétimo anjo a sua trombeta, e houve no céu grande vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre”).

I. “...Está feito”. A sétima taça é a consumação do “terceiro ai” (a sétima trombeta), Ambas as coisas nos levam ao fim desta era, e ambas envolvem a “ira final”. A presente expressão lembra-nos das últimas palavras do Senhor Jesus na cruz, quando disse: “Está consumado” (Jo 19.30). Elas marcam o término de uma grande obra e o início de outra; ambas são consolidadas na terceira expressão: “Está cumprido” (Ap 21.6). Está feito, no presente texto, é para declarar que “os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo”. É o fim da presente era e o estabelecimento do governo de Cristo com poder e grande glória. A grande vos que disse: “Está feito”. É a voz de Deus e sua declaração final. Deus é que diz a última palavra. Convém notar que no segundo dia da criação quando Deus criou “os ares”, não pronunciou a palavra: (“bom”); isso se reveste de significação especial (Gn 1.6-8). Satanás é o príncipe “...das potestades do ar” (Ef 2.2), e portanto sua influência perniciosa será derribada de qualquer posição nesta sétima taça.

18. “E houve vozes, e trovões, e relâmpagos, e um grande terremoto, como nunca tinha havido desde que há homens sobre a terra: tal foi este tão grande terremoto”.

I. “...um grande terremoto”. No texto bíblico geral, os terremotos ou seus fenômenos correlatos são registrados em diversos períodos: No Monte Sinai, ao ser transmitida a lei (Êx 19.18), nos dias de Saul (1Sm 14.15), nos dias de Elias (1Rs 19.11), de Uzias (Am 1.1; Zc 14.5), e de Paulo e Silas (At 16.36). Dois grandes terremotos marcaram a morte e ressurreição de Jesus (Mt 27.51 e 28.2). O Dr. Kirpatrick diz que o terremoto dos dias de Uzias foi produzido por força sobrenatural. E o Historiador F. Josefo diz que se deu no momento quando o rei Uzias tentou impiamente forçar a sua entrada no templo, para queimar incenso (2Cr 26.16 e ss). Nesse momento um grande terremoto abalou o chão, o templo abriu-se, e uma luz brilhante como raio fulminou dele e feriu a cara do rei, de maneira que ele ficou leproso; enquanto em frente à cidade, no lugar chamado Eoge, a metade da montanha ao oeste desmoronou, e, rolando até a montanha ao leste, ali parou. Seja como for, o terremoto do presente versículo, será produzido por uma demonstração do poder de Deus.

19. “E a grande cidade fendeu-se em três partes. E as cidades das nações caíram; e da grande Babilônia se lembrou Deus, para lhe dar o cálice do vinho da indignação da sua ira”.

I. “...a grande cidade fendeu-se em três partes”. O grande terremoto descrito nos versículos (18 e 19) festa secção foi um terremoto sui generis: nunca houve igual desde que há homem sobre a terra. Talvez antes tenha havido, mas antes de haver homem na terra (Jr 4.23-26). O epicentro foi registrado na capital da Judéia (Jerusalém), mas o abalo derrubou as cidade das nações. Todas caíram.

1. Tão destruidor é esse vasto terremoto que Jerusalém é dividida em três partes. Seus efeitos são também, sentidos em vários aspectos: (a) todas as cidades caíram; especialmente a capital do império do Anticristo: Roma; (b) os montes foram removidos dos seus lugares (especialmente o monte das oliveiras). Zc 14.4-5; (c) as ilhas como são vistas no versículo 20, fugiram. Isto é, desapareceram inundadas por grandes maremotos sem precedentes na história humana; (d) uma chuva de saraiva cai como chumbo sobre a humanidade. Em Ap 6.14, temos a introdução deste grande acontecimento.

20. “E toda a ilha fugiu; e os montes não se acharam”.

I. “...toda a ilha fugiu... os montes não se acharam”. Na passagem de Ap 6.14, há apenas a remoção das ilhas e das montanhas, aqui, porém, será a consumação de tudo aquilo. Um terremoto sem precedente na história fará desaparecer não só as ilhas, mas removerá também as montanhas. Os cientistas contemporâneos esperam modificação na estrutura da terra e dos pólos dentro dos próximos 30 anos. Eles asseveram que se houvesse estudo suficiente, poder-se-ia predizer quando a terra terá seus pólos modificados. Nós, que cremos na palavra profética e nas determinações de Deus, sabemos ser isso possível a qualquer momento. Cremos que na antiguidade já tenha havido fatos semelhantes. Cidades antigas completas têm sido encontradas sob o nível do mar. Supomos que o dilúvio de Noé foi uma dessas ocasiões, quando massas terrestres inteiras deslizaram e os pólos modificaram suas posições.

21. “E sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, pedras do peso de um talento; e os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraiva: porque a sua praga era mui grande”.

I. “...caiu do céu uma grande saraiva”. Já tivemos ocasião de falarmos sobre saraiva em outra secção deste livro (8.7). Ela é sempre um juízo súbito esmagador: usado no campo do castigo (Is 28.2; Ez 38.22; Ap 8.7; 11.19). A natureza esmagadora e avassaladora deste juízo tornou-se clara ao lembrarmo-nos de que as pedras caídas do céu “pesavam um talento” cada. Uma chuva semelhante aconteceu no Egito (Êx 9.27) que aludi à sétima praga, a praga da saraiva; e também com Ap 11.19, que se refere ao mesmo fato deste versículo. Os súditos da Besta serão atingidos com saraiva de um talento. Este peso é calculado entre 31 e 48 quilos. Mas, segundo um rabino, a palavra “tonelada” teve sua raiz na palavra “talento”. Se assim for, então esse peso será multiplicado por vinte vezes mais. Cremos que há séculos e milênios esta chuva já estava preparada para esse dia nos “tesouros da saraiva... até ao dia da peleja e da guerra” (Jó 38.22, 23). Este capítulo inteiro é uma demonstração sobre a natureza humana recalcitrante da iniqüidade. “Seu desafio obstinado é inflexível. Os homens resistem a Deus e à sua autoridade e morrem sem misericórdia!”.


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