Ao Contrário, As Cem Existem



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Ao Contrário, As Cem Existem
Lóris Malaguzzi
A criança

é feita de cem.

A criança tem cem mãos

cem pensamentos

cem modos de pensar

de jogar e de falar.

Cem sempre cem

modos de escutar

de maravilhar e de amar.

Cem alegrias

para cantar e compreender

cem mundos

para descobrir

cem mundos para inventar

cem mundos para sonhar.

A criança tem

cem linguagens

(depois cem, cem, cem)

Mas roubaram-lhe noventa e nove.

A escola e a cultura

lhe separam a cabeça do corpo.

Dizem-lhe:

de pensar sem as mãos

de fazer sem a cabeça

de escutar e não falar

de compreender sem alegrias

De amar e maravilhar-se

Só na Páscoa e no Natal.

Dizem-lhe:

de descobrir um mundo que já existe

E de cem roubaram-lhe noventa e nove.

Dizem-lhe:

que o jogo e o trabalho

a realidade e a fantasia

a ciência e a terra

a razão e o sonho

são coisas

que não estão juntas.

Dizem-lhe enfim:

que as cem não existem.

A criança diz:

ao contrário, as cem existem.


“A linguagem falada (...) é uma extraordinária construção viva. Não é só um projeto tecnológico, mas também um projeto biológico, de evolução. A espécie humana tem florescido com ele. Faz parte do cérebro. É uma parte fisiológica do corpo humano, e algo que é muito profundo e misterioso. (...) A linguagem cresce conosco e ajuda-nos a formar os pensamentos que nos permitem conceber a realidade e sobreviver-lhe. Quanto melhor aprendermos a controlar a linguagem, melhor estaremos equipados para reconhecer, compreender e viver nos ambientes que constituem a realidade. É essa a substância da inteligência humana. Tudo o que afete o desenvolvimento e crescimento da linguagem afeta também o crescimento e desenvolvimento da inteligência.” (KERCHOVE, 1997, pp.255 - 256 ).

O processamento da informação começa com a linguagem falada. A linguagem ainda é o mais poderoso código disponível e vai permanecer como principal pelo menos no futuro previsível” (KERCHOVE, 1997, p.255).


“A primeira tecnologia da linguagem é a escrita. É ela que armazena os sons da fala para usos mais duradouros.” (...) (KERCHOVE, 1997, p.256).
Campbel afirmava que os mitos passados nos ajudam a compreender o presente e a nós mesmos (...). Dizem, afirma Campbel, que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos. (...).

Campbel discute o papel do sacrifício no mito, que simboliza a necessidade do renascimento. Ele enfatiza a necessidade de cada um encontrar o seu lugar sagrado neste mundo tecnológico e acelerado.


Felix Guattari propõe com sua teoria: As Três Ecologias – uma tomada de consciência ecológica global, baseada numa articulação ético política e, seguindo uma ótica ecosófica, cuja função seria a de articular os três registros: o ambiente, o social e o mental ou da subjetividade humana.

Defendendo que os três registros ecológicos relacionam-se nas artes, Felix Guattari sugere uma construção ética e estética do cuidar humano. Segundo ele os promotores do conhecimento, professores, atores, escritores, devem construir e cuidar dos territórios existenciais, pois, só assim, poderá ser elaborado um processo de revalorização e ressignificação das subjetividades.

1.Como as metáforas sobre a terra influenciam o modo pelo qual a tratamos?

2. Como o conceito de mundo selvagem mudou ao longo dos tempos?

3. Que influência poderia a ciência da ecologia ter sobre os estudos literários?
“(...) toda crítica ecológica contém a premissa fundamental de que a cultura humana está ligada ao mundo natural, afetando-o e sendo afetado por ele” (GLOTFELTY & FROM, 1996).
O termo ecocrítica foi cunhado por William Ruerckert no final da década de 70 sob o nome de ecocriticism.

Ecocrítica é o estudo das relações entre literatura e meio ambiente físico. A ecocrítica “consiste (...) de um compromisso multiforme com aurgência de reabilitar oque foi efetivemente marginalozado pelas concepções sociais dominantes” (Buell, 1999).

No corpo

de meus poemas

as palavras florescem

e frutificam alimentos.

(Divina Paiva)
Ecolinguística realiza um percurso que parte das primeiras manifestações da Ecologia da Linguagem ( anos 70). Crítica (anos 90). Novo milênio – identifica diferentes interpretações pontos de partida, teóricos e investigações práticas e procura enquadrá-los no âmbito não-restrito da Análise do Discurso questionando a afirmação desta nova (?) orientação dos estudos em Ciência da Linguagem com um novo paradigma. No ecolinguístico pode re-situar a diversidade da fala como instrumento mediador ao serviço do sujeito no seu esforço histórico transformador do entorno eco-social.
O gênero pictórico natureza-morta ou Still life tem provavelmente a sua origem no holandês Stilleven (natureza em pose), e em sentido amplo, juntamente com outros gêneros – retrato, paisagem, cenas do cotidiano etc., está relacionado ao termo “pintura de gênero”, que faz referência às representações da vida cotidiana, do mundo do trabalho e dos espaços domésticos. Natureza-morta é um gênero é um gênero de pintura em que representam seres inanimados, geralmente objetos comuns que podem ser naturais, ( alimentos, flores, plantas, rochas ou conchas) ou artificiais (copos,livros, vasos, jóias, moedas, cachimbos, etc.), todos referindo-se ao âmbito privado e à esfera doméstica, às vocações e aos hobies, à decoração e ao convívio no interior da casa.
Na arte contemporânea, a utilização de outros suportes tais como o corpo, a instalação,a fotografia, o vídeo, o computador nas representações de objetos inanimados mudou o sentido do gênero natureza-morta. E é o termo still life que mais se aproxima dessas obras, que retratam não exatamente a morte na natureza, mas um momento de suspensão da vida, que recorda ao espectador o trânsito do tempo. Os artistas atuais retratam cenas da vida cotidiana, nas quais os personagens parecem ter sido paralisados no instante em que realizavam as suas ações comuns e rotineiras, em dramáticas imagens pictóricas ou esculturas hiper-realistas.
Jeff Wall fotógrafo canadense – fotografia: A Studen Gust of Wind (transparência em lightbox, 229x337 cm 1993 (…)).
Fotografia é, essencialmente, a técnica de criação de imagens por meio de exposição luminosa, fixando esta em uma superfície sensível. Século XIX.

Já a noção de retrato (anterior à fotografia) estaria vinculada ao verbo retrahere que significa copiar. Embora nem sempre a idéia do retrato como imagem fiel à aparência do retratado se fizesse comum nos momentos históricos, nas variações de gênero oque se pode notar é sempre uma capacidade do retrato conter dentro de si algo que seria a essência do retratado.


“O espaço da Internet não é neutral, não tem fronteiras, não é estável nem unificado, é orgânico. Comporta-se como um sistema auto-regulado em perpétuo movimento. E tornará totalmente absoletas as nossas idéias políticas” (KERCHOVE, 1997, p. 242).
“Hoje, a nova ordem social não pode ser deixada a si própria. A diferença entre o presente e o passado é que enquanto antigamente as fronteiras se desenhavam geograficamente, através do equipamento, ou dos fusos horários, hoje dependem apenas de condições psicológicas. Já não é o poder militar que domina o mundo, mas o pensamento, o sentimento e a expressão da cultura tecnológica” (KERCHOVE, 1997, p.245).
“Desde a invenção da fotografia e seus derivados – do cinema até a realidade virtual – deslocamos, multiplicamos e revestimos tecnologicamente o ponto de vista. Com as redes neurais muitas das faculdades de juízo, que já foram as responsáveis pela preservação das deliberações pessoais e do grupo, serão cada vez mais delegadas nas extensões tecnológicas do homem” (KERCHOVE, 1997, p. 246).






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