Antônio gonçalves dias



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ANTÔNIO GONÇALVES DIAS
 

(1823 - 1864) Nascido no Maranhão, filho de pai português e mãe provavelmente cafuza, Gonçalves Dias se orgulhava de ter no sangue as três raças formadoras do povo brasileiro: a branca, a índia e a negra. Após a morte do pai, sua madrasta mandou-o para a Universidade em Coimbra, onde ingressou em 1840. Atravessando graves problemas financeiros, Gonçalves Dias é sustentado por amigos até se graduar bacharel em 1844. Retornando ao Brasil, conhece Ana Amélia Ferreira do Vale, grande amor de sua vida.

Em 1847, publica os Primeiros Cantos. Esse livro lhe trouxe a fama e a admiração de Alexandre Herculano e do Imperador Dom Pedro II, que, a partir de então, o nomeia para diversos cargos públicos. Em 1851, pede a mão de Ana Amélia em casamento. Recusado pela família da amada, casa-se, no ao seguinte, com Olímpia da Costa. Em 1862, seriamente adoentado, vai se tratar na Europa. Já em estado deplorável, em 1864 embarca no navio Ville de Boulogne para retornar ao Brasil. O navio naufraga na costa maranhense no dia 3 de novembro de 1864. Salvam-se todos a bordo, menos o poeta, que, já moribundo, é esquecido em seu leito.

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  1. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Antônio Gonçalves Dias (Caxias, 10 de agosto de 1823 — Guimarães, 3 de novembro de 1864) foi um poeta e teatrólogo brasileiro.






Biografia

Nascido em Caxias, era filho de uma união não oficializada entre um comerciante português com uma mestiça cafuza brasileira (o que muito o orgulhava de ter o sangue das três raças formadoras do povo brasileiro: branca, indígena e negra), e estudou inicialmente por um ano com o professor José Joaquim de Abreu, quando começou a trabalhar como caixeiro e a tratar da escrituração da loja de seu pai, que veio a falecer em 1837.

Iniciou seus estudos de latim, francês e filosofia em 1835 quando foi matriculado em uma escola particular.

Foi estudar na Europa, em Portugal em 1838 onde terminou os estudos secundários e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (1840), retornando em 1845, após bacharelar-se. Mas antes de retornar, ainda em Coimbra, participou dos grupos medievistas da Gazeta Literária e de O Trovador, compartilhando das ideias românticas de Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antonio Feliciano de Castilho. Por se achar tanto tempo fora de sua pátria inspira-se para escrever a Canção do exílio e parte dos poemas de "Primeiros cantos" e "Segundos cantos"; o drama Patkull; e "Beatriz de Cenci", depois rejeitado por sua condição de texto "imoral" pelo Conservatório Dramático do Brasil. Foi ainda neste período que escreveu fragmentos do romance biográfico "Memórias de Agapito Goiaba", destruído depois pelo próprio poeta, por conter alusões a pessoas ainda vivas.



No ano seguinte ao seu retorno conheceu aquela que seria sua grande musa inspiradora: Ana Amélia Ferreira Vale. Várias de suas peças românticas, inclusive “Ainda uma vez — Adeus” foram escritas para ela. Nesse mesmo ano ele viajou para o Rio de Janeiro, então capital do Brasil, onde trabalhou como professor de história e latim do Colégio Pedro II, além de ter atuado como jornalista, contribuindo para diversos periódicos: Jornal do Commercio, Gazeta Oficial, Correio da Tarde e Sentinela da Monarquia, publicando crônicas, folhetins teatrais e crítica literária.


Litografia de Gonçalves Dias em rótulo de cigarro.

Em 1849 fundou com Manuel de Araújo Porto-alegre e Joaquim Manuel de Macedo a revista Guanabara, que divulgava o movimento romântico da época. Em 1851 voltou a São Luís do Maranhão, a pedido do governo para estudar o problema da instrução pública naquele estado.

Gonçalves Dias pediu Ana Amélia em casamento em 1852, mas a família dela, em virtude da ascendência mestiça do escritor, refutou veementemente o pedido. No mesmo ano retornou ao Rio de Janeiro, onde casou-se com Olímpia da Costa. Logo depois foi nomeado oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros. Passou os quatro anos seguintes na Europa realizando pesquisas em prol da educação nacional. Voltando ao Brasil foi convidado a participar da Comissão Científica de Exploração, pela qual viajou por quase todo o norte do país.

Voltou à Europa em 1862 para um tratamento de saúde. Não obtendo resultados retornou ao Brasil em 1864 no navio Ville de Boulogne, que naufragou na costa brasileira; salvaram-se todos, exceto o poeta que foi esquecido agonizando em seu leito e se afogou. O acidente ocorreu nos baixios de Atins, perto da vila de Guimarães no Maranhão.

Sua obra pode ser enquadrada no Romantismo. Procurou formar um sentimento nacionalista ao incorporar assuntos, povos e paisagens brasileiras na literatura nacional. Ao lado de José de Alencar, desenvolveu o Indianismo.Por sua importância na história da literatura brasileira, podemos dizer que Gonçalves Dias incorporou uma ideia de Brasil à literatura nacional.

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Por ocasião da elaboração da antologia poética da fase romântica, elaborada por Manuel Bandeira, Onestaldo de Pennafort gentilmente escreveu a nota que segue, retirada daquela obra e aqui transcrita:



A poesia 'Ainda uma vez — adeus!', bem como as poesias 'Palinódia' e 'Retratação', foram inspiradas por Ana Amélia Ferreira do Vale, cunhada do Dr. Teófilo Leal, ex-condiscípulo do poeta em Portugal e seu grande amigo. Gonçalves Dias viu-a pela primeira vez em 1846 no Maranhão. Era uma menina quase, e o poeta, fascinado pela sua beleza e graça juvenil, escreveu para ela as poesias 'Seus olhos' e 'Leviana'. Vindo para o Rio, é possível que essa primeira impressão tenha desaparecido do seu espírito. Mais tarde, porém, em 1851, voltando a S. Luís, viu-a de novo, e já então a menina e moça de 46 se fizera mulher, no pleno esplendor da sua beleza desabrochada. O encantamento de outrora se transformou em paixão ardente, e, correspondido com a mesma intensidade de sentimento, o poeta, vencendo a timidez, pediu-a em casamento à família. A família da linda Don'Ana — como lhe chamavam — tinha o poeta em grande estima e admiração. Mais forte, porém, do que tudo, era naquele tempo no Maranhão o preconceito de raça e casta. E foi em nome desse preconceito que a família recusou o seu consentimento. Por seu lado, o poeta, colocado diante das duas alternativas: renunciar ao amor ou à amizade, preferiu sacrificar aquela a esta, levado por um excessivo escrúpulo de honradez e lealdade, que revela nos mínimos atos de sua vida. Partiu para Portugal. Renúncia tanto mais dolorosa e difícil por que a moça que estava resolvida a abandonar a casa paterna para fugir com ele, o exprobrou em carta, dura e amargamente, por não ter tido a coragem de passar por cima de tudo e de romper com todos para desposá-la! E foi em Portugal, tempos depois, que recebeu outro rude golpe: Don'Ana, por capricho e acinte à família, casara-se com um comerciante, homem também de cor como o poeta e nas mesmas condições inferiores de nascimento. A família se opusera tenazmente ao casamento, mas desta vez o pretendente, sem medir considerações para com os parentes da noiva, recorreu à justiça, que lhe deu ganho de causa, por ser maior a moça. Um mês depois falia, partindo com a esposa para Lisboa, onde o casal chegou a passar até privações. Foi aí, em Lisboa, num jardim público, que certa vez se defrontaram o poeta e a sua amada, ambos abatidos pela dor e pela desilusão de suas vidas, ele cruelmente arrependido de não ter ousado tudo, de ter renunciado àquela que com uma só palavra sua se lhe entregaria para sempre. Desvairado pelo encontro, que lhe reabrira as feridas e agora de modo irreparável, compôs de um jato as estrofes de 'Ainda uma vez — adeus!', as quais, uma vez conhecidas da sua inspiradora, foram por esta copiadas com o seu próprio sangue.

Julgamento crítico


Três renomados escritores brasileiros do século XIX. Da esquerda para direita: Gonçalves Dias, Manuel de Araújo Porto-alegre and Gonçalves de Magalhães (1858).

De Alexandre Herculano

"Os primeiros cantos são um belo livro; são inspirações de um grande poeta. A terra de Santa Cruz, que já conta outros no seu seio, pode abençoar mais um ilustre filho. O autor, não o conhecemos; mas deve ser muito jovem. Tem os defeitos do escritos ainda pouco amestrado pela experiência: imperfeições de língua, de metrificação, de estilo. Que importa? O tempo apagará essas máculas, e ficarão as nobres inspirações estampadas nas páginas deste formoso livro.






















Abstenho-me de outras citações, que ocupariam demasiado espaço, não posso resistir à tentação de transcrever das Poesias Diversas uma das mais mimosas composições líricas que tenho lido na minha vida. (Aqui vinha transcrita a poesia Seus Olhos.) Se estas poucas linhas, escritas de abundância de coração, passarem, os mares, receba o autor dos Primeiros Cantos testemunho sincero de simpatia, que não costuma nem dirigir aos outros elogios encomendados nem pedi-los para si" ("Futuro Literário de Portugal e do Brasil" em Revista Universal Lisbonense, t.7,pág. 7 ano de 1847-1848)

De José de Alencar

"Gonçalves Dias é o poeta nacional por excelência: ninguém lhe disputa na opulência da imaginação, no fino lavor do verso, no conhecimento da natureza brasileira e dos seus costumes selvagens" (Iracema)

De Machado de Assis



"Depois de escrita a revista, chegou a notícia da morte de Gonçalves Dias, o grande poeta dos Cantos e dos Timbiras. A poesia nacional cobre-se, portanto, de luto. Era Gonçalves Dias o seu mais prezado filho, aquele que de mais louçania a cobriu. Morreu no mar-túmulo imenso para talento. Só me resta espaço para aplaudir a ideia que se vai realizar na capital do ilustre poeta. Não é um monumento para Maranhão, é um monumento para o Brasil. A nação inteira deve concorrer para ele. (Crônicas em Diário do Rio de Janeiro, de 9 de novembro de 1894.)

Cronologia

  • 1823 - 10 de agosto: Nasce no sítio Boa Vista, em terras de Jatobá, a 14 léguas da vila de Caxias, Antônio Gonçalves Dias. Filho do comerciante João Manuel Gonçalves Dias, natural de Trás-os-Montes, e de Vicência Ferreira, maranhense.

  • 1830 - É matriculado na aula de primeiras letras do Prof. José Joaquim de Abreu.

  • 1833 - Começa a servir na loja do pai como caixeiro e encarregado da escrituração.

  • 1835 - É retirado da casa comercial e matriculado no curso do Prof. Ricardo Leão Sabino, onde principia a estudar latim, francês e filosofia.

  • 1838 - Parte para São Luís, onde embarcará para Portugal; chega em outubro a Coimbra e entra para o Colégio das Artes.

  • 1840 - 31 de outubro: Matricula-se na Universidade.

  • 1845 - Embarca no Porto para São Luís, aonde chega em março, partindo no dia 6 para Caxias.

  • 1846 - Embarca para o Rio de Janeiro.

  • 1847 - Aparecem os Primeiros Cantos, trazendo no frontispício a data de 1846.

  • 1848 - Aparecem os Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão.

  • 1849 - É nomeado professor de Latim e História do Brasil no Colégio Pedro II.

  • 1851 - Publicação dos Últimos Cantos.

  • 1852 - É nomeado oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros

  • 1854 - Parte para Europa.

  • 1856 - Viagem à Alemanha. É nomeado chefe da seção de Etnografia da Comissão Científica de Exploração.

  • 1857 - O livreiro-editor Brockhaus, de Dresda, edita os Cantos, os primeiros quatro cantos do poema Os Timbiras e o Dicionário da Língua Tupi.

  • 1859 - 1861 - Trabalhos da Comissão no interior do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pará e Amazonas, chegando até Mariná, no Peru.

  • 1862 - Parte para o Maranhão, mas no Recife, depois de consultar médico, resolve embarcar para Europa.

  • 1862 - 22 de agosto: É desligado da comissão Científica de Exploração.

  • 1862 - 1863 - Estação de cura em Vicky. Marienbad, Dresda, Koenigstein, Teplitz e Carlsbad. Em Bruxelas sofre a operação de amputação da campainha.

  • 1863 - 25 de outubro: Embarca em Bordéus para Lisboa, onde termina a tradução de A noiva de Messina, de Schiller.

  • 1864 - Fins de Abril: Volta a Paris. Estações de cura em Aix-ls-Bains, Allevard e Ems (Maio, junho e julho).

  • 1864 - 10 de setembro: Embarca o Poeta no Haver no navio Ville de Boulogne. Piora em viagem

  • 1864 - 3 de novembro: Naufrágio nas costas do Maranhão e morte de Gonçalves Dias.

Obras

  • 1843: Canção do exílio

  • 1843: Patkull

  • 1846: Primeiros cantos

  • 1846: Meditação

  • 1846: O Brasil e Oceania

  • 1848: Segundos Cantos

  • 1848: Sextilhas de Frei Antão

  • 1846: Seus Olhos

  • 1857: Os timbiras

  • 1851: I-Juca-Pirama

  • 1858: Dicionário da Língua Tupi, chamada língua geral dos indígenas do Brasil

  • 1859: Segura o Índio Louco

Ligações externas

  • Perfil no sítio oficial da Academia Brasileira de Letras (em português)

  • Poemas de Gonçalves Dias

  • Obra completa de Gonçalves Dias na Brasiliana Digital

  • Obras de Gonçalves Dias sobre o Tupi Antigo e o Nheengatú na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju

Obra

Livros


  • Primeiros Cantos - poesia (1846)

  • Leonor de Mendonça, teatro (1847)

  • Segundos Cantos, poesia (1848)

  • Sextilhas de Frei Antão, poesia (1848);

  • Últimos Cantos (1851);

  • Cantos - poesia (1857);

  • Os Timbiras, poesia (1857);

  • Dicionário da língua tupi (1858);

  • Obras Póstumas, poesia e teatro (1868-69)

Poemas compilados


  • O Soldado Espanhol

[Poemas


As seguintes obras foram dispostas no Wikisource sem se saber precisar de qual coletânea original do autor as mesmas procedem. A sua ajuda em determiná-las é bem-vinda

  • A Baunilha*

  • A Concha e a Virgem

  • Adeus

  • Ainda uma vez - Adeus

  • A História

  • A Leviana

  • A Minha Musa

  • Amor! delírio - engano

  • A Mendiga

  • A Minha Rosa

  • À Morte Prematura

  • A Noite

  • Ao Dr. João Duarte Lisboa Serra

  • A Escrava

  • Amanhã

  • A Tarde

  • A Tempestade

  • As artes são irmãs

  • As duas coroas

  • A um Menino

  • A Vila Maldita, Cidade de Deus

  • Canção

  • Canção do Exílio

  • Canção do Tamoio

  • Caxias

  • Como! és tu?

  • Como eu te amo

  • Delírio

  • Deprecação

  • Desejo

  • Epicédio

  • Espera!

  • Idéia de Deus

  • I-Juca-Pirama

  • Inocência

  • Leito de Folhas Verdes

  • Lira

  • Marabá

  • Meu anjo, escuta

  • Minha terra!

  • Minha vida e meus amores

  • Miserrimus

  • Não me deixes!

  • No jardim!

  • O Amor

  • O Canto do Guerreiro

  • O Canto do Índio

  • O Canto do Piaga

  • O Desengano

  • O Gigante de Pedra

  • Oh! Que acordar!

  • Olhos Verdes

  • O Mar

  • O Pirata

  • O que mais dói na vida

  • O Romper d'Alva

  • O Templo

  • O Trovador

  • O Vate

  • Os Timbiras

  • Palinódia

  • Pensas tu, bela Anarda, que os poetas

  • Pedido

  • Quadras da Minha Vida

  • Que me Pedes

  • Recordação

  • Retratação

  • Rola

  • Rosa no mar!

  • Sempre ela

  • Se muito sofri já, não me perguntes

  • Se se morre de amor

  • Se te amo, não sei!

  • Seus Olhos

  • Sobre o túmulo de um menino

  • Sofrimento

  • Te deum

  • Tristeza

  • Visões

  • Voltas e mortes glosados

  • Zulmira

Outros sites:





Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

Fonte: virtualbooks.terra.com.br

Fonte: www.secrel.com.br

Fonte: www.mundocultural.com.br

Wikisource, a biblioteca livre



Esta é a versão publicada, verificada a 1 de Fevereiro de 2011
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