Análise preliminar de presença de home adavantage aplicado ao desempenho da republica dominicana na história dos jogos Pan ame



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Relatórios de Pesquisa em Engenharia de Produção V. 7 n. 08


Análise preliminar de existência de home advantage aplicada ao desempenho da República Dominicana na história dos jogos Pan Americanos

Fábio Gomes Lacerda 1

Universidade Federal Fluminense
João C.C.B Soares de Mello 2

Universidade Federal Fluminense
______________________________________________________________________________

Resumo
Vários trabalhos acadêmicos vêm sendo desenvolvidos nos últimos anos para se verificar a existência de vantagem de se disputar competições esportivas em domínios próprios. A maioria destes trabalhos utiliza ferramentas estatísticas para verificar a existência de Home Advantage, variando entre eles as ferramentas que são aplicadas. Este trabalho traz uma aplicação da estatística para o tema, verificando a ocorrência desta vantagem no desempenho da delegação da República Dominicana ao longo da história dos jogos Pan Americanos, realizando a comparação com os jogos de 2003, sediados naquele país, e os demais, em que foi visitante.
Palavras-chave: Home Advantage, regressão estatística, modelos de previsão.

Abstract
Many academic researches about home advantage in sports have been developed last years. The most of them use statistical concepts to verify if teams who played sports competitions at home had better results than when they played the same competitions abroad. The main difference between these works is what kind of statistical issue is used.

This paper brings another statistical application in study of Home Advantage, using the performance of Dominican Republic in the story of Pan American Games, by comparing its results in the Pan American Games of Santo Domingo (2003), and all the other editions, when the Dominicans played as visitors.


Keywords: Home Advantage, statistic regression, forecast models.


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  1. flacerda@predialnet.com.br

2- jcsmello@producao.uff.br

Introdução
Diferentes fatores podem determinar a vitória de uma equipe em uma competição esportiva. No esporte de alto rendimento, principalmente, cada vez mais as equipes se preparam para as competições utilizando-se de recursos até então não aplicados, como pesquisas científicas e análises de desempenho dos adversários baseados em ferramentas estatísticas.
Dentre os fatores que mais influenciam o desempenho das equipes, o local onde a competição está ocorrendo têm sido apontado como um dos mais determinantes. A vantagem de uma equipe mandante em jogar nos seus domínios vem sendo quantificada considerando-se diferentes enfoques, tanto subjetivos quanto objetivos. Um exemplo de enfoque objetivo na análise do chamado Home Advantage é o simples levantamento de pontos conquistados em uma competição disputando jogos em casa e como visitante. A diferença de desempenho apontada pode indicar para um treinador ou dirigente qual é a melhor estratégia de preparação que a equipe deve desenvolver. Um enfoque subjetivo para análise de Home Advantage é a verificação do impacto da presença de torcedores na motivação dos jogadores, ou ainda a influência exercida pelo público no julgamento dos árbitros durante as partidas.
O certo é que a análise de Home Advantage é um dos fatores que mais têm rendido trabalhos estatísticos e de pesquisa operacional aplicada aos esportes, indicando um terreno fértil para o desenvolvimento de trabalhos científicos que visem o aumento de rendimento e a construção de estratégias de preparação inovadoras para as equipes.
Este trabalho está estruturado da seguinte forma: inicialmente é realizada uma breve revisão bibliográfica do que vêm sendo estudado sobre Home Advantage, enfatizando os métodos utilizados. Em seguida, é apresentado como estudo de caso o desempenho da delegação da República Dominicana na história dos Jogos Pan Americanos, seguido de uma análise qualitativa sobre os números apresentados. Finalmente, é feito um modelo de previsão para as próximas edições dos Jogos baseando-se em métodos de regressão estatística, respeitando-se premissas indicadas durante a fase de análise das pontuações obtidas por edição dos jogos.

Revisão bibliográfica
Conforme mencionado anteriormente, a maioria dos artigos acadêmicos utiliza-se de técnicas de estatística e testes paramétricos para quantificar o desempenho de equipes dentro e fora de seus domínios. Balmer et al. (2001) realiza uma avaliação de Home Advantage entre os países participantes dos Jogos Olímpicos de Inverno baseando-se em testes de hipóteses estatísticas para enfoques objetivos e subjetivos, atribuindo pesos diferentes para medalhas de Ouro, Prata e Bronze, através de pontuações arbitradas. Posteriormente (2003), o mesmo autor repetiu a análise para os Jogos Olímpicos de Verão, testando sua técnica para um conjunto de dados maior que o anterior. Pollard (2002) analisa a redução da vantagem de uma equipe em jogar em casa quando esta se muda de uma cidade para outra, uma situação comum em locais onde os times são franquias particulares.
Os artigos científicos que tratam do Home Advantage têm se estruturado basicamente a partir de levantamento de hipóteses que expliquem as razões de as equipes mandantes terem desempenho superior às visitantes na maioria das vezes em que competem. Várias hipóteses diferentes são levantadas. As principais hipóteses levantadas por estes trabalhos têm sido:


  • As equipes mandantes levam vantagem por conhecerem melhor a característica do local de competição, como condições do campo de jogo, do traçado da pista, etc.

  • Os julgamentos dos árbitros das competições são mais favoráveis para as equipes e atletas mandantes (Dawson et al, 2007). Esta hipótese é particularmente importante em modalidades esportivas que avaliam os competidores através de notas, envolvendo mais fortemente o julgamento subjetivo, como ginástica e saltos ornamentais, por exemplo. Embora as federações internacionais destes esportes tenham códigos rígidos de pontuação, com o objetivo de retirar do árbitro a responsabilidade sobre a medição de desempenho e torná-lo apenas um observador da execução ou não de um conjunto de movimentos pré-determinado, o levantamento dos dados relativos a estas competições mostra que esta hipótese é relevante para a verificação de home advantage.

  • O comportamento dos torcedores influencia de forma positiva para que as equipes mandantes melhorem seu desempenho, devido à maior motivação dos atletas destas equipes (Nevill et al, 1999). Por tratar-se de uma hipótese que se fundamenta em um aspecto comportamental, sua verificação através de ferramentas estatísticas é mais difícil de ser realizada. Neste caso, a maior dificuldade está em correlacionar os dados de home advantage com o nível de incentivo do público que assiste à competição esportiva.

Nestes estudos, as hipóteses elaboradas nem sempre são comprovadas através dos testes de hipótese estatística, ou seja, há outros fatores determinantes de Home Advantage que não têm sido considerados nestes artigos científicos.


Além disso, não só neste como em outros artigos que tratam do tema, as análises apresentadas tomam os dados com base em metodologias que interpretam os dados obtidos de forma estática, isto é, não são observadas tendências entre os dados obtidos, como, por exemplo, se está havendo evolução do desempenho esportivo daquela nação ou ainda se o desempenho é influenciado por alguma externalidade em determinado período.
Como exemplo da situação descrita nos parágrafos anteriores, pode-se verificar o caso, estudado neste trabalho, da trajetória da República Dominicana nos Jogos Pan Americanos. A análise através de uma ferramenta que permite visualizar as tendências, como a regressão, denota que a preparação mais elaborada do país sede de uma competição de grande porte também é um fator que contribui para acentuar a vantagem de se jogar em casa. Além disso, freqüentemente os países-sede de grandes eventos que não contam com investimentos maciços na prática esportiva recorrem a estratégias que escapam do foco dos artigos publicados sobre o tema.
O caso que ilustra de forma mais clara esta situação é o da naturalização de atletas de ponta para defender sua bandeira, mediante compensação financeira. A República Dominicana naturalizou alguns atletas chineses de tênis de mesa para defender sua bandeira nos jogos de Santo Domingo, em 2003. Com isso, ganhou medalhas em uma modalidade em que não contava com nenhum cidadão nato figurando na elite deste esporte, não só nos jogos de 2003 como também no Rio de Janeiro em 2007. Atento a estas movimentações de atletas, que ameaçam a integridade de competições entre nações, os Comitês Olímpicos nacionais e o Comitê Olímpico Internacional estudam medidas restritivas à participação de atletas naturalizados em suas competições, estabelecendo um tempo mínimo de vivência do atleta em seu novo país, ou até a exigência de existência de algum vínculo familiar do atleta com sua nova pátria. Um fator complicador da imposição destas medidas é a legislação de cada país para naturalizar os seus cidadãos, matéria a qual os comitês não têm competência legal para tratar.
Além do caso dos atletas profissionais naturalizados, outro fator que não vem sendo estudado pelos artigos científicos é o efeito residual de uma preparação bem realizada em edições posteriores dos jogos. O desempenho dominicano nos jogos do Rio de Janeiro em 2007 também foi significativamente superior aos anos anteriores a 2003. Estes efeitos serão comentados na análise de dados e conclusões.
Sobre a classificação das equipes participantes de competições esportivas de grande porte, tem-se que a utilização de um ranking lexicográfico para classificar as nações participantes dos jogos é utilizada pelos comitês organizadores e consagrada pelo público e mídia como a ordenação oficial, tanto para os Jogos Pan Americanos como para os Jogos Olímpicos. Nesta classificação, uma única medalha de ouro tem maior peso que qualquer número de medalhas de prata, com o mesmo raciocínio valendo para estas em relação às de bronze. Alguns autores já propuseram alternativas para esta classificação. Lozanno et al (2002) utiliza a metodologia Data Envelopment Analysis (DEA) para elaborar um ranking dos Jogos Olímpicos, assim como o faz Lins et al (2003). Churilov e Flitman (2006), utilizando-se de diferentes critérios de classificação e desempate entre os competidores.
Sobre a atribuição de pesos para as medalhas, com o objetivo de se montar um ranking baseado em pontuação, Balmer (2000) utiliza-se de ponderação simples, dando às medalhas de ouro mais importância que as de prata, e destas em relação às de bronze, em intervalos iguais. Posteriormente, Soares de Mello (2004) atribui para as medalhas de ouro em relação às de prata ponderação mais significativa que para estas em relação às de bronze, considerando que o vencedor de cada modalidade deve ter seu desempenho mais valorizado em relação aos outros competidores, já que é natureza da competição esportiva que a vitória de um implique na derrota dos outros, o que na teoria dos jogos chama-se de interação estritamente competitiva. Neste trabalho, também será feito uso desta consideração para a atribuição de pontos e montagem quantitativa do desempenho da delegação estudada.

Levantamento dos dados
A tabela 1 indica quando e onde ocorreu cada edição dos jogos Pan Americanos, desde 1951 até 2007:


Edição

Ano

Cidade

País

1

1951

Buenos Aires

Argentina

2

1955

Cidade do México

México

3

1959

Chicago

Estados Unidos

4

1963

São Paulo

Brasil

5

1967

Winnipeg

Canadá

6

1971

Cáli

Colômbia

7

1975

Cidade do México

México

8

1979

San Juan

Porto Rico

9

1983

Caracas

Venezuela

10

1987

Indianápolis

Estados Unidos

11

1991

Havana

Cuba

12

1995

Mar Del Plata

Argentina

13

1999

Winnipeg

Canadá

14

2003

Santo Domingo

República Dominicana

15

2007

Rio de Janeiro

Brasil


Tabela 1: Sedes dos Jogos Pan Americanos
Pela simples observação da tabela acima, nota-se que é possível utilizar várias delegações diferentes para testar a existência de home advantage. A República Dominicana foi escolhida dado que foi sede de uma edição relativamente mais recente dos Jogos (2003), sediou as competições por apenas uma vez e já houve uma edição dos jogos posterior a esta edição. Outro país que poderia ser observado segundo estes critérios seria o Canadá, sede dos jogos em 1967 e 1999. No entanto, a República Dominicana acabou sendo escolhida por ter sediado os jogos apenas em uma oportunidade, além de não contar com um nível de investimento em infra-estrutura esportiva constante, como se presume que aconteça no Canadá.
A próxima tabela mostra o desempenho da República Dominicana em cada edição dos jogos, além de seu desempenho medido pelo método lexicográfico, que, como mencionado anteriormente, considera apenas o total de medalhas de ouro, em seguida as de prata e, finalmente, as de bronze:


Ed.

Ano

Ouro

Prata

Bronze

Posição do país no quadro

de medalhas (lexicográfico)

1

1951

-

-

-

-

2

1955

1

0

1

12

3

1959

0

0

0

20

4

1963

-

-

-

-

5

1967

-

-

-

-

6

1971

0

0

0

21

7

1975

0

1

7

14

8

1979

0

5

10

10

9

1983

0

7

7

14

10

1987

0

3

9

16

11

1991

0

5

4

15

12

1995

1

1

5

13

13

1999

1

3

6

14

14

2003

10

12

19

9

15

2007

6

6

17

9


Tabela 2: Desempenho da República Dominicana nos Jogos Pan Americanos (Em 1951, 1963 e 1967 não participou).
Os anos de 1959 e 1971, em que o país participou dos Jogos, mas não ganhou medalha, foram incluídos na regressão linear com valor nulo. Os anos de 1951, 1963 e 1967 foram excluídos da regressão porque o país não enviou competidores nestas edições dos Jogos.
Conforme já foi explicado, foram atribuídos pesos diferentes para as medalhas de ouro, prata e bronze e obtida uma pontuação total para cada edição dos jogos, segundo as tabelas 3 e 4:





Ouro

Prata

Bronze

Peso

4

2

1


Tabela 3: Pesos atribuídos a cada medalha


Ed.

Ano

Ouro

Prata

Bronze

Pontuação

1

1951

-

-

-

0

2

1955

1

0

1

5

3

1959

0

0

0

0

4

1963

-

-

-

0

5

1967

-

-

-

0

6

1971

0

0

0

0

7

1975

0

1

7

9

8

1979

0

5

10

20

9

1983

0

7

7

21

10

1987

0

3

9

15

11

1991

0

5

4

14

12

1995

1

1

5

11

13

1999

1

3

6

16

14

2003

10

12

19

83

15

2007

6

6

17

53


Tabela 4: Desempenho da República Dominicana com pontuação ponderada
Análise dos dados
Após a coleta das informações acima, foi feito o gráfico a seguir, com o desempenho da República Dominicana ao longo do tempo.

Gráfico 1: Pontuação ponderada da República Dominicana nos jogos Pan Americanos
A plotagem dos pontos indica fortemente a ocorrência de Home Advantage nos jogos de 2003. Verifica-se que a República Dominicana apresentou até 1999 uma performance regular, com seu desempenho variando pouco entre 0 e 20 pontos. No entanto, a performance em 2003 foi significativamente superior ao das edições anteriores, tendência que se manteve, porém em menor escala, em 2007.
A seguir, é feita a análise do desempenho usando a regressão estatística, a partir dos dados da tabela 4. A partir da dispersão dos pontos no gráfico, foram testados os diferentes métodos de regressão estatística, a fim de obter a curva que melhor se ajusta aos dados. Foram testadas as seguintes curvas de regressão:


  • Linear

  • Polinomial de ordem 2

  • Logarítmica

O gráfico seguinte mostra a dispersão dos dados com as diferentes curvas de regressão analisadas.




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