Análise da obras: “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll e “Viagens de Gulliver” de Jonathas Swift Literatura Infantu – Juvenil Profª: Rejane Pivetta Aluna: Simone Mazzilli da Rosa Maio,2005



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Análise da obras: “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll e “Viagens de Gulliver” de Jonathas Swift

Literatura Infantu – Juvenil

Profª: Rejane Pivetta

Aluna: Simone Mazzilli da Rosa
Maio,2005

Após realizar a leitura das obras “Alice no país das maravilhas” de Lewis Carroll e “Viagens de Gulliver” de Jonathas Swift, gostaria de salientar alguns aspectos comuns, em ambas as obras: os autores jogam, diretamente, com o fictício e o imaginário do leitor; os personagens principais, das duas obras, necessitam afastar-se das relações de origem e sofrer transformações; é possível observar a valorização da utilização, dos autores, na representação dos animais e das simbologias presentes na obra. Por fim, a maior e mais forte característica, comum, é que ambos passam por alterações de tamanhos, no decorrer das narrativas.

Na obra “Viagens de Gulliver”, de Jonathas Swift encontramos uma história de aventuras fantásticas aliadas a uma sátira terrível contra as mesquinhezas e vícios humanos. Esse livro pode ser lido como sátira ao gênero humano. Swift pensava em, mostrar todas as qualidades do ser humano, ele ridiculariza o homem, faz críticas e satiriza profissões e estudos científicos. Mostra aversão ao organismo humano e as coisas relacionadas à natureza. Apresenta a racionalidade dos animais a ponto de verdadeiramente compará-los com o homem.

A história se desenvolve linearmente, numa seqüência cronológica ressaltada ao longo dos capítulos. O autor utiliza a data completa para demonstrar o tempo de acontecimento dos fatos. Por exemplo: “Saímos no dia 5 de agosto de 1706 e chegamos ao Forte St. George no dia 11 de abril de 1707. Lá permanecemos três semanas...” (p.127)

Lemuel começa a narrar suas viagens do dia 4 de maio de 1699 até 5 de dezembro de 1715 quando chega em casa e estabelece-se por fim.

As pessoas que aparecem como personagens são as mais variadas figuras humanas e até animais. Através das ações desses personagens, Gulliver consegue comparar-se,e, assim, analisar as pessoas do seu tempo, do seu país.

Nas descrições de personagens pode-se verificar perfeitamente o tamanho físico e moral deles. Relata o tamanho das criaturas de Liliput, pequenos, cuja altura não chegava a 15cm ( quinze centímetros) e viviam em uma sociedade em que todas as ações erradas eram advertidas. As pessoas tem regras a seguir, de comportamentos e atitudes, há um rei autoritário e uma rainha com muito pudor.

Já as pessoas de Brobdingnag, são maiores que Gulliver, com cerca de 18m (dezoito metros) de altura, com outros costumes, com uma vida mais solta. Mostravam agitação nas ruas, festas, toda vez que Gulliver e o rei passeavam pela cidade.


A obra está recheada de descrições de espaços, fatos e lugares como na terceira parte quando descreve Balnibarbi : “... tinha mais ou menos a metade de Londres, mas as casas eram construídas de forma estranha e a maioria delas se achava em mau estado. As pessoas nas ruas caminhavam depressa, tinham uma expressão alucinada...” (p.146)

Em suas viagens o espaço onde transcorre suas aventuras é sempre delimitado, ou está no mar, ou está numa cidade, ou em um local: edifício, palácio, casa.

Algumas comparações e críticas que faz o autor são quando está em Laputa e percebe, claramente, a situação de hierarquia existente lá. Um rei que domina e um povo dominado, mas consciente de sua condição. Também no país dos Houyhnhnms em que se dá valor de “status” pela raça dos cavalos, os mais nobres são os poderosos, os comuns são os criados. Inclusive o elogio que faz o autor aos Houyhnhnms, isto é, aos cavalos, mais nobres e mais inteligentes que os homens, é a condenação absoluta do gênero humano.

Menospreza o homem, a sociedade racional quando coloca seres humanos sujos (Yahoos) a serviço dos cavalos (Houyhnhnms).

Em relação à educação dos filhos, mostra-nos diversos pontos de vista, de acordo com o que acredita e espera cada povo. Por exemplo, em Lilipute, os pais não são responsáveis pela educação dos filhos. Eles vão para o seminário e ficam agrupados segundo uma hierarquia, sexo e classe social. A educação dos filhos dos roceiros e lavradores ficava a carga de seus pais mesmo, pois o que lhes cumpre é arar e cultivar terras, somente. No país dos cavalos, a temperança, a indústria, o exercício e o asseio são as lições igualmente ministradas aos jovens de ambos os sexos, é monstruoso, para eles divergir em termos de gêneros de educação.

Percebe-se em várias passagens a importância que se dá a certos ramos do conhecimento da ciência, da informação em detrimento de outros.

Em Brobdingnag, seus estudos consistiam em moral, hisória, poesia e matemática. Exemplo: “Nenhuma lei deve exceder em palavras as letras do alfabeto, que são 22 (vinte e duas)” (p. 153)

Em Laputa, preocupavam-se apenas com a matemática apesar de criar cálculos e com a música, os pratos tinham formato de instrumentos musicais.

Em Balnibarbi, uma academia de projetistas, onde os professores e estudiosos parecem ter perdido o juízo. Aprofundavam-se em estudos científicos como: ao invés de empregar a bicho-da-seda, porque não usar aranha que tece e fia, para fazer os tecidos; tranformar o gelo em pólvora pela calcinação.

Swift apresentou um traço comum entre autores de sua época, que foi a modalidade satírica, revelou espírito veemente agressivo. A sua sátira dirigiu-se contra a própria humanidade, negando-lhe todos os valores, desejando o fim deste mundo miserável.

Esta obra deve ter sido abominada, na época, por muitas pessoas, principalmente por fazer parte, o autor, da hierarquia eclesiástica.

Na obra “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carroll também observa-se que a personagem principal é o sujeito narrador da obra. A menina tem voz própria, age com individualidade e questiona sua identidade.

É considerada a primeira história voltada especialmente para crianças. A obra apropria-se de desafios (charadas), jogos lógicos, discutem filosofia e linguagem. Por ser lúdica aproxima e identifica-se ao pensamento infantil extrapolando esse interesse.

No poema que introduz a história, a fantasia, o maravilhoso é a aceitação do sobrenatural, Exemplo:”cair no túnel”, isso caracteriza um conto de fadas, só esse maravilhoso atrelado ao sobrenatural podem permitir.

A obra é dividida em doze capítulos e o elo inicial e condutor é a perseguição da Alice atrás do coelho.

Aparentemente, Alice obedece à estrutura trdicional de uma narrativa infantil. Parte da situação familiar: estar lendo um livro, com sua irmã, à margem de um rio. Faz-se

necessário chamar atenção ao livro que Alice lia: não tinha figuras nem diálogos. Assim ficamos diante de uma situação linear entre a fantasia e a realidade e é através dessa dualidade que surge a figura do coelho, curiosamente vestido e portando um relógio de bolso. Ao seguir o coelho há um deslocamento e Alice entra em um mundo desconhecido, em queda livre. Sabe-se que no mundo real seria impossível alguém ler rótulos, quando em queda livre. Porém, no mundo da fantasia tudo pode, embora a fantasia não necessite ser a perda de noção do mundo real. A fantasia está justamente no “desligamento” das regras relativas ao mundo real. O “nonsense” apresenta um questionamento ao sentido real. É uma crítica ao acabado, ao lógico. Através do “nonsense” Alice pode “beber” e encolher, “comer” e esticar, deixando o leitor diante d transformações físicas inimagináveis e impossíveis no mundo real.

Ao apresentar-se como sujeito da ação, Alice, inicia o processo de busca inconsciente, através do sonho e da transformação, utilizando-se de erros e acertos apresentados no decorrer da narrativa.

Na obra, os elementos mágicos não agem como os modelos tradicionais dos contos de fadas, pois apresentam animais, como “Gato de Cheshire”, a “Lagarta Azul” e outros que são extremamente confusos e enigmáticos. Dessa forma, Alice só pode contar consigo mesma para resolver os problemas, uma vez que os elementos mágicos “auxiliares” atuam como oponentes da personagem.

É importante ressaltar que Alice também é sua própria opositora, uma vez que se mostra despreparada para enfrentar situações, inusitadas, encontradas a cada novo capítulo. Ali, no mundo da fantasia suas aprendizagens são inaplicáveis, assim a menina sofre um deslocamento desorientado. Por isso, também é ao mesmo tempo, a única beneficiária da aventura vivida que será resultante de transformações. O crescer e o diminuir tratam das fases evolutivas do ser humano. Os dilemas do crescimento tratam do processo de identificação da personagem. Exemplo: desengonçada, pescoço longe dos pés, ordens, brigas, questionamentos constantes. A representação do processo de identidade da personagem é uma fase de amadurecimento, um rito de passagem.

A constante presença da aventura está ligada á uma viagem onírica porque relaciona o mundo real e o mundo fictício, as possibilidades de diversas vivências aventureiras relacionadas a esses dois mundos.

O conto de fada tradicional está ligado a uma existência que é mítica e em Alice encontramos um conto muito mais aberto, que os contos de fada tradicionais. Ela afasta-se do simbolismo lógico para oferecer ao leitor outras novas possibilidades de releitura e interpretação. Há questões relacionadas a teorias evolutivas como o aparecimento de pássaros pré- históricos como o “Dodô”.

A obra apresenta inúmeros aspectos simbólicos, tais como “coelho/lebre” que representam abundância, multiplicação dos seres, “túnel” que representa a abertura, entrada, desafio ao desconhecido, “porta” que é um local de passagem para dois mundos. O mundo conhecido e o mundo desconhecido.Representa o desafio do universo, “chave” responsável por abrir e fechar caminhos, passagens, possibilidades, “dourada” representa o metal mais nobre, mais perfeito, “jogo” simboliza a alma das relações humanas, é educador. Os jogos infantis, são uma preparação para as futuras convivências no mundo adulto.

No último capítulo, Alice dá-se conta de ter crescido e toma consciência da necessidade de organizar fatos e objetos. Ao ser interrogada pelo rei diz não saber nada, isso passa de importante para desimportante. Aqui acontece uma retratação da importante função no uso da linguagem.

Alice não se furta de experimentar a falta de sentido, isso é um traço da criança: ir contra o sentido para construí-lo; ela também não tem a intenção de remeter o leitor para o significado psicológico. Ao acordar do sonho, leva



a crer que o mundo adulto, que anteriormente era maravilhoso, aos seus olhos, já não é mais desejável e no futuro, Alice lembrará da sua infância, tendo como base que é necessário desconstruir e resignificar o mundo.

Para finalizar gostaria de abordar que ainda ,nos tempos atuais, a leitura dessas obras propiciam uma identificação com o público infanto-juvenil. Os jovens sofrem as transformações físicas e psíquicas nesta fase da sua vida. Crescem (fisicamente), acham-se pequenos diante de grandes desafios, necessitam viver intensamente suas fantasias para entender o mundo imaginário, compará-lo ao real para tornarem-se críticos capazes de interagir nos mais diferentes espaços sociais.



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