Animais silvestres



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ANIMAIS SILVESTRES

AULAS: FISIOLOGIA, MANEJO, DOENÇAS E CLÍNICA DE PEIXES TROPICAIS

INTRODUÇÃO

Existem mais peixes no mundo em termos de número de espécies ou de indivíduos do que

animais de qualquer outro grupo de vertebrado. Seu número total de indivíduos supera a

soma de todos os indivíduos de todas as espécies vertebradas juntas, o que não deve causar

surpresa uma vez que quase 80% da superfície da Terra é coberta por água.

Os peixes e vertebrados semelhantes a peixes podem ser classificados em quatro classes:

Agnatha: peixes desprovidos de mandíbula como ciclóstomos, lampréias e peixes-bruxa.

Cerca de 50 espécies;

Placodermi: peixes primitivos com mandíbulas;

Chondrichthyes: peixes cartilaginosos como os tubarões, raias e quimeras. Cerca de 530

espécies;

Osteichthyes: peixes ósseos ou peixes de nadadeiras raiadas. Cerca de 20.000 espécies.

Como grupo, os peixes apresentam tamanhos bastantes variados. O maior é o tubarão

baleia, Rhineodon typus, que pode atingir mais de quinze metros de comprimento. O menor

peixe conhecido é uma espécie de gobião encontrada nas Ilhas Filipinas, Pandaka pygmea,

com um pouco mais de oito milímetros de comprimento. A maioria dos peixes se encontra

no mar, sendo chamadas de peixes marinhos, mas há muitas espécies que são encontradas

na água doce. Quando estas são estritamente confinadas `a água doce recebem a

denominação de peixes primários de água doce. Outras espécies podem penetrar no mar ou

em água salobra, por curtos períodos de tempo, e são chamadas de peixes secundários de água doce. Existem ainda, as espécies diádromas, que migram regularmente entre a água

doce e salgada, em certos períodos de seu ciclo de vida, tais como o salmão do Pacífico e as

enguias de água doce. Estima-se que 58,2% das espécies viventes de peixes são marinhas e

41,8% são de água doce. Destas, 33,1% são primárias, 8,1% são secundárias e 0,6% são

espécies diádromas.

De todas estas espécies de peixes, cerca de 400 tem sido tradicionalmente mantidas em

aquários e tanques como animais de estimação, sendo alguns acompanhado a própria

história do mundo ocidental como no caso do Carassius auratus, o Kingio ou "peixinho

dourado" que teve sua primeira citação de coloração vermelha no ano de 970. O sua criação

era comum na China em 1500, sendo levados para Portugal algumas vezes durante o século

seguinte e para a Holanda em 1728, tornando-se atualmente um dos mais populares peixes

mantidos em aquários em todo o mundo. O Kingio original é vermelho-ouro na superfície

dorsal, vermelho a dourado nos lados tornando-se bronze amarelado no abdome, e podem

viver por até 30 anos. A reprodução seletiva tem originado uma variedade de cores e

diversidade de formas nesta espécie. A determinação do sexo de jovens peixinhos dourados é difícil, mas é simples em adultos reprodutivos: a fêmea tem um abdome distendido

quando ocorre o amadurecimento das ovas, e no macho, observa-se os "tubérculos

nupciais" na cabeça, opérculo e nadadeiras peitorais.

CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS

SISTEMA CIRCULATÓRIO

O sistema circulatório dos peixes é essencialmente um sistema simples, em que o sangue

não oxigenado passa pelo coração. Daí, ele é bombeado para as brânquias, oxigenado e

então, distribuído para para o corpo. O coração possui quatro câmaras, mas somente duas

delas (o átrio e o ventrículo) correspondem às quatro câmaras (átrios pares e ventrículos

pares) dos vertebrados superiores. A primeira câmara do coração de um peixe, ou câmara

receptora, é chamada de seio venoso. Tem uma parede fina como a câmara seguinte, o átrio, para qual o sangue passa. Do átrio, o sangue passa para o ventrículo, que tem

paredes espessas, e é bombeado para fora, passando do cone arterioso para a aorta ventral. O sangue da aorta ventral vai para a região branquial para ser oxigenado, passando

pelos vasos brânquiais aferentes, depois disso, sai das brânquias através das alças coletoras eferentes e vai para a aorta dorsal. O sistema venoso é constituído pela veia cardinal comum, que entra no seio venoso de cada lado do corpo do peixe, sendo

constituída pela fusão das cardinais anteriores e posteriores. O sangue da cabeça é

coletado pelas cardinais anteriores e o sangue dos rins e das gônadas é coletado pelas

cardinais posteriores. As veias abdominais laterais pares, que recebem o sangue da parede

do corpo e dos apêndices pares, também entram na veias cardinais comuns. O sistema porta-renal é formado pela veia caudal e pelas duas veias porta-renais, situadas

lateralmente aos rins. O sangue da região caudal passa da veia caudal para as veias portarenais

e entra nos capilares dos rins. O sistema porta-hepático coleta o sangue do

estômago e do intestino e devolve-o ao fígado, de onde, depois de atravessar uma série de

sinusóides, ele passa para o seio venoso por meio das veias hepáticas pares.

SISTEMA RESPIRATÓRIO

O sistema respiratório com brânquias internas é uma característica dos peixes. As brânquia

formadas por lamelas branquiais são constituídas por pregas finas, recobertas por epitélio

respiratório que se situa sobre redes vasculares ligadas aos arcos aórticos, de modo que o

dióxido de carbono do sangue pode ser trocado por oxigênio dissolvido na água. Estas

trocas gasosas ocorrem durante os movimentos de bombeamento da água por ação

muscular em dois momentos: expansão da cavidade oro-faringea com aspiração de água ,e

num segundo momento, abertura dos ossos operculares liberando a passagem da água.

A quantidade de oxigênio disponível na água é 20 vezes menor do que a disponível no ar

atmosférico (1 litro de ar = 210 mmO2 , e 1 litro de água = 10,29 mmO2). O aumento da

temperatura diminui a solubilidade do oxigênio na água, trazendo problemas de anóxia para

os peixes de regiões tropicais, onde o aumento de temperatura da água também aumenta o

seu metabolismo

Na maioria dos peixes ósseos, um pulmão primitivo transformou-se numa bexiga natatória

ou órgão hidrostático, que pode ou não estar ligado ao esôfago por meio de uma conexão

dorsal. Por intermédio de glândulas, a quantidade de gás na bexiga natatória pode ser

aumentada ou diminuída, de modo a manter o corpo em vários níveis dentro da água.

LOCOMOÇÃO

A locomoção dos peixes é feita a partir dos movimentos de suas nadadeiras. Geralmente

existem nadadeiras pares peitorais e pélvicas, uma ou duas nadadeiras dorsais medianas ímpares, uma nadadeira anal ventral mediana e uma nadadeira caudal

NITRIFICAÇÃO E A "SINDROME DO AQUÁRIO NOVO"

O excesso de nitrogênio ingerido pela maioria dos peixes com nadadeiras raiadas é

excretado na forma de amônia por difusão pelas guelras e urina junto com grande

quantidade de água. Para garantir esta excreção sem desidratar o peixe necessita ingerir um

grande volume de água. Quando a espécie de peixe é de água doce, não haverá nenhum

problema, mas quando pertence a uma espécie de água marinha, a ingestão de água salgada

pode saturar o meio interno de eletrólitos. As espécies de peixes mais antigas, como os

tubarões, que sempre permaneceram na água marinha, desenvolveram um artifício para

manterem sua homeostase: no fígado a amônia tóxica é combinada com dióxido de carbono

e transformada em uréia. A uréia, que não é tóxica pode ser acumulada no organismo,

aumentando sua carga iônica, e evitando a entrada de eletrólitos do meio aquático, sendo

posteriormente excretada pelos rins.

A amônia liberada pelos peixes fica no meio aquático, e quando acumulada, pode intoxicalos.

O processo natural de eliminação desta amônia chama-se nitrificação. A nitrificação é

um processo microbiano, no qual a amônia é convertida a nitrato, em um processo de duas

etapas. Espécies bacterianas do gênero Nitrossomonas oxidam a amônia (sob a forma do íon amoníaco, NH4+) a nitrito (NO2), e as espécies de Nitrobacter oxidam o nitrito a nitrato

(NO3). A nitrificação é um processo natural, de ocorrência constante no solo e na água,

como parte principal do ciclo do nitrogênio. A amônia constitui 80% dos produtos

nitrogenados de excreção do peixe. A nitrificação é o mais eficiente método de remoção da

amônia (altamente tóxica) do ambiente do peixe. Em um aquário estabilizado ou

"condicionado", as bactérias nitrificantes podem oxidar a amônia a nitrito e nitrato tão

eficientemente que mesmo em caso de densidade populacionais muito elevadas, os níveis

de amônia e nitrito permanecem extremamente baixos. As concentrações de nitrato,

entretanto, irão aumentar regularmente no ecossistema relativamente artificial que é o

aquário, pois não poderá haver plantas suficientes no ambiente, de modo que todo o nitrato

produzido seja utilizado. Este não é, entretanto, um problema da maior monta, pois o nitrato é não-tóxico para os peixes; concentrações de até 4.000 ppm não os afetarão. As

concentrações apreciáveis de nitrato no aquário irá acarretar o indesejável efeito colateral

de estimular o crescimento de algas. As concentrações de nitrato são facilmente controladas

pela mudança de aproximadamente 25% da água do aquário, a cada 3-4 semanas.

A "sindrome do aquário novo" é provavelmente responsável por uma mortandade mais

elevada de peixes tropicais, a cada ano, que qualquer doença infecciosa isolada. Esta

sindrome ocorre quando demasiada quantidade de peixes é colocado em um aquário não

condicionado. O aquário, nessas condições, não possui um número significativo de

bactérias nitrificantes para oxidar a amônia tão rapidamente quanto a sua excreção pelo

peixe. Quando isto acontece, a concentração de amônia rapidamente aumenta, podendo

matar os peixes. Nos peixes intoxicados pela amônia exibem sinais de hipóxia, observandose

a hiperplasia e fusão das lamelas branquiais, resultando em deficiência respiratória.

Os níveis elevados de amônia estimulam, então, o crescimento de certas espécies de Nitrossomonas, que rapidamente oxidam NH4 em nitrito. Esse metabólito, por sua vez, é

também extremamente tóxico (1ppm) para os peixes; provavelmente terminará por

extinguir todos os peixes remanescentes no aquário. O mecanismo de intoxicação por

nitritos é similar ao do monóxido de carbono, ligando-se à hemoglobina e, uma vez

combinados, impedem o transporte de oxigênio. Assim, os peixes intoxicados por nitritos

exibem sinais de carência de oxigênio, vindo finalmente a morrer por asfixia. As altas

concentrações de nitrito estimulam o crescimento de espécies de bactéria Nitrobacter, que

passa a oxidar o nitrito a nitrato. Neste ponto, o aquário estará condicionado, e deverá

facilmente suportar muitos peixes. O tempo decorrente entre o momento em que os peixes

são colocados em um aquário não condicionado, e o início da mortalidade pela "sindrome

do aquário novo" varia diretamente com a velocidade de produção de amônia, que por seu

turno, é determinado pelo número e tamanho dos peixes, sendo geralmente entre 2 a 4

semanas após a montagem do aquário.

O tratamento pode ser feita pela troca de 25% da água do aquário diariamente, até que o

processo de nitrificação tenha se estabelecido. Esse procedimento irá efetivamente diluir os

agentes tóxicos, causando uma acentuada melhoria na condição dos peixes. A prevenção

pode ser alcançada por três métodos simples:

Introdução lenta e gradual de peixes em um novo aquário. Esse método manterá baixos os

picos de concentração da amônia e nitrito, dentro dos limites de tolerância dos peixes.

Colocação de algumas pedras do fundo de um aquário bem condicionado, e livre de

doenças, no novo aquário. As bactérias nitrificantes aderem à superfície das pedras, e o

procedimento irá, essencialmente, inocular os nitrificantes no aquário. Os peixes, todavia,

deverão ainda ser introduzidos cuidadosamente.

Estimulação artificial do processo de condicionamento pela adição de sais de amônia e

nitrito ao novo aquário. Haverá, em conseqüência, estimulação para o crescimento de

bactérias nitrificantes. Pela monitoração dos concentrações de amônia, nitrito e nitrato,

pode-se determinar quando o aquário estará condicionado e apto a receber os peixes.

DOENÇAS INFECCIOSAS

Peixes tropicais são altamente susceptíveis a uma variedade de doenças infecciosas. O

agente etiologico da maioria desta doenças são bactérias gram negativas com mobilidade.

Os principais sintomas e seus possíveis agentes etiológicos estão listados abaixo:

Lesão ou sinal Possível diagnóstico

Emaciação Muitos estados patológicos causam emaciação, entretanto dois agentes em

particular devem ser suspeitos: Ichtyosporidium phoferi (um fungo que

provoca infecção sistêmica) e espécies de Mycobacterium, que causam

tuberculose nos peixes.

Distensão

abdominal

(hidropsia) e/ou

escamas eriçadas

Septicemia bacteriana, usualmente provocada por Aeromonas liquefaciens.

A ação de um agente viral também é suspeitada.

Exoftalmia Um sinal bastante inespecífico, associado com diversas doenças (mas

comumente com septicemia bacteriana).

Nadadeiras rotas Sinal inespecífico. Má qualidade da água, presença de ectoparasitas

(Flexibacter columnaris).

Lesões brancas com

aspecto de algodão

Infecção por fungo, usualmente, Saprolegnia sp (S. parasitica) ou espécies

de Achtya ou Aphanomyces. Diagnóstico pela evidência de elementos

miceliais nos raspados.

Manchas ou

nódulos brancos

Ectoparasitismo. Diagnóstico no exame de raspado de tegumento e

fragmento de nadadeiras (protozoário, esporozoário).

Áreas

esbranquiçadas sob



a pele

Esporozoários (Plistophora).

Crescimentos

esbranquiçados

verrucosos na pele

ou nadadeiras

Infecção viral linfocística (pox vírus com hipertrofia dos fibroblastos).

Úlceras


avermelhadas

Aeromonas é um invasor secundário, que pode quase que invariavelmente

ser cultivado, entretanto, o problema primário pode ser o ectoparasitismo

ou injúria mecânica.

SEPTICEMIA E ENTERITE

Uma forma aguda desta doença em peixes tropicais tem sido atribuída a Paracolobactrum aerogenoides, uma bacilo gram negativo. Peixes dourados expostos ao agente tem

mortalidade de 100% em 19 horas. Os sinais clínicos são depressão e enterite.

Ocasionalmente, como resultado da enterite, ocorrera o prolapso anal nos estágios

terminais. Na necropsia, observa-se um intestino delgado atônico distendido por muco de

coloração amarelado. As lesões tendem a ser mais marcadas na porção distal dos intestinos.

Os vasos do mesentério e do fígado estarão congestos, e o baço pode estar aumentado de

volume até cinco vezes o seu tamanho normal.

Kanamicina ou sulfadiazina adicionada no aquário podem ser eficazes, juntamente com

medidas de limpeza e higiene por parte do proprietário, já que demostrou-se a patogenidade

deste agente ao homem e outros mamíferos

ASCITE (DROPSY)

A forma infecciosa com ascite é causada pela Aeromonas liquefaciens, um bacilo gram

negativo com mobilidade. Os sinas clínicos incluem eritema difuso da pele. Com a

evolução do doença o abdome distende-se duas a três vezes do normal com fluido ascítico.

Peixes maiores podem ser tratados individualmente pela administração intramuscular de

Clorafenicol. Banhos por oito horas com clorafenicol podem também auxiliar espécimes

menores.

DOENÇA RENAL

Esta doença em peixes foi inicialmente atribuída a um bacilo gram positivo, Moraxella sp.

Os peixes afetados apresentam petéquias na pele e pequena áreas de necrose focal nos rins.

Na cavidade peritonial observa-se fluido rosa.

Microscopicamente, há uma granulação generalizada. Fibrose generalizada nas vísceras e

anastomoses perivasculares dos vasos intestinais caracterizam a doença. Corpúsculos de

inclusão de tamanho variado são freqüentemente observados nas células acinares

pancreáticas. As pequenas inclusões são eosinofílicas e as maiores são basofílicas. Isto

sugere uma etiologia viral juntamente com uma granulação bacteriana. Não há tratamento

indicado.



TUBERCULOSE

Causada pelo Mycobacterium piscium, M. platypoecilus, e M. fortuitum, ocorre em várias

espécies de peixe mantidos em aquários. Estes agentes são bacilos alcool-ácido resistentes,

gram negativos e não móveis. Crescem otimamente na temperatura de 30ºC e param sua

multiplicação a 37ºC.

Os peixes afetados são anoréticos e rapidamente perdem peso. Apresentam exoftálmia,

ulceras cutâneas, descoloração e deformidades esqueléticas. Alguns peixes afetados podem

demonstrar fotofobismo. Lesões macroscópicas incluem focos necróticos cinzas que

freqüentemente se coalescem formando massas similares a neoplasias. O diagnóstico é feito

pela demonstração de bacilos álcool-ácido resistentes nos granulomas ou ulcerações.

Não há tratamento satisfatório, e deve-se tomar muito cuidado na manipulação de peixes

infectados já que esta doença é transmissível ao homem.



DOENÇA COLUMNARIS

A mais comum doença de pele, não parasita, em peixes de aquário é a doença columnaris.

Esta doença é causada por um bacilo gram negativo Flexibacter columnaris, que invade a

epiderme, formando inicialmente uma mancha cinza bem delimitada. As lesões evoluem

para ulceras. As nadadeiras tornam-se desgastadas e as brânquias áreas de necrose focal.

Espécies de Corynebacterium podem estar associadas ao F. columnaris.

Devido as técnicas especiais de cultivo para o isolamento do agente em laboratório, o

diagnóstico é realizado numa montagem úmida em lâmina da lesão, onde o agente pode ser

observado como um longo e fino bacilo. Tratamento a base de clorafenicol é efetivo.

PODRIDÃO DAS NADADEIRAS

A infecção ocorre secundariamente a lesão física, estresse por causas psicológicas,

superpopulação, desnutrição ou baixa qualidade da água, iniciando-se pela proliferação do

epitélio das nadadeiras, com seu engrossamento e opacidade. As lesões invariavelmente

iniciam-se da borda distal e avançam lentamente proximalmente. As bactérias Haemophilus piscium e Aeromonas sp tem sido incriminadas como possíveis agentes. Tratamento com

clorafenicol é eficaz.



ULCERAS CUTÂNEAS

As ulcerações cutâneas ocorrem com certa freqüência em peixes de aquário. Os agentes

etiológicos incluem: Nocardia asteroides, Aeromonas sp, Mycobacterium piscium e Ichthyobonus hoferi. Os três primeiros agentes são bactérias e o ultimo é um fungo

patogênico que pode ser diagnosticado por montagens úmidas da lesão.

PROTOZOÁRIOS EXTERNOS

Geralmente motilidade ciliar;

As infecções maciças irritam a pele e as brânquias, fazendo com que o peixe produza

quantidades excessivas de muco como mecanismo de defesa. Esse acréscimo na produção

pode tornar deficiente a respiração branquial, levando a sufocamento;

As lesões provocadas podem evoluir para infecções bacterianas secundárias;

Ichtyopthirius multifiliis "ICTOS" – Cryptocaryon irritans

Causa a chamada "doença da mancha branca". Ocorre em todo o mundo e acomete todos

peixes de água doce e em condições limitadas de um aquário são muito virulenta (a doença

similar para peixes marinho é causada pelo Cryptocaryon irritans). A doença pode ser

identificada após alguns dias da introdução de um novo peixe no aquário. Os sinais clínicos

incluem pequenas manchas ou pintas brancas sobre o corpo, emaciação, asfixia e morte. Os

protozoários Ichtyopthirius são organismos grandes, unicelulares, móveis, com formato

esférico a oval tendo seu maior diâmetro entre 0,05 – 1mm. Toda sua superfície é ciliada.

Seu macronúcleo possui a forma característica de ferradura. Os parasitas vivem em cistos

na hipoderme onde seus movimentos rotatórios podem ser observados. Em alguns casos, a

infestação é limitada as brânquias. A partir dos movimentos rotatórios o parasita se

alimenta de partículas epiteliais e fluidos teciduais do hospedeiro. As manchas e pintas

brancas que são comumente observada, chamadas de terontes são parasitos ou grupos de

parasitas encistados, não suscetíveis a droga antiprotozoárias. Com o crescimento do

protozoário o teronte aumenta de volume, rompe o libera o parasita, chamado trofozoito

que passa a viver sobre a pele ou brânquias do peixe. Posteriormente dirige-se ao fundo do

aquário, onde adere-se em objetos como cascalho ou tubulação, encapsula-se em uma

gelatina, O trofozoito aderido sobre mitoses internas, produzindo numerosos indivíduos

jovens ou tomites. Dentro de um período de 18 a 21 horas (em 23 a 25ºC) de 250 a 1000 de

tomites ciliados são produzidos, sendo libertados para a água. Eles nadam ativamente e

caso encontrem algum hospedeiro penetram na pele e dilatam-se formando cistos e

desenvolvendo-se em novas formas adultas. Caso não encontrem um hospedeiro morrem

em cercas de 48 horas. O ciclo é completado em 10-14 dias em cerca de 22º C até 21 dias

para temperaturas mais baixas.

Como drogas antiprotozoárias não podem penetrar em terontes encistados, o tratamento é

direcionado a evitar a reinfecção do peixe pelos tomites. As drogas mais usadas incluem:

verde malaquita, formalina e a mistura de verde malaquita e formalina em peixes de água

doce. Para peixes marinhos é utilizado o sulfato de cobre.

Em adição à quimioterapia, outros procedimentos ajudarão a controlar a infestação. A

elevação da temperatura alguns graus acima da temperatura normal do aquário por vários

dias tende a limitar a infecção por um efeito adverso nos terontes, bem como estimula a

resposta imune do hospedeiro.

A filtração com diatomáceas tende a reduzir o número de tomites. A transferência do peixe

para uma série de aquário limpos diariamente por sete dias limitara a reinfecção. Na prática

pode ser usado um único aquário onde a água é mudada diariamente e que tenha a

superfície interna de seus vidros limpas para remover algum trofozoito.



Epistylus

Parasitos que apresentam uma longa haste ligada ao peixe; seu corpo tem a forma de um

sino em uma das extremidades, possuindo um anel circular ciliado, ao alto.

Tetrahimena

Esses ciliados piriformes são parasitos de vida livre que atacam peixes debilitados. Estão

associados com problemas em "guppies" nos quais provocam um anel esbranquiçado de

necrose em torno do corpo.

ESPOROZOÁRIOS

A classe dos esporozoários (Sporozoasida) pertencem ao reino dos protozoários (Protista,

sub-reino Protozoa) e possuem como características:

Forma piriforme, arredondada ou amebóide;

Representantes obrigatoriamente de vida parasitária;

Flagelos e cílios ausentes;

Oocistos com esporozoítos infectantes. Produzem cistos brancos nos tecidos dos peixes.

Essas formações são freqüentemente visíveis sem ampliação ótica;

O diagnóstico pode ser obtido pela colocação de um cisto dissecado, em uma lâmina de

microscopia, esmagando-o em seguida com uma lamínula. A estrutura dos zoósporos irá

auxiliar na identificação.

As principais espécies encontradas são:



Henneguya sp

Formam cistos primariamente nas brânquias (onde irão interferir com a respiração) e nas

nadadeiras. Esses organismos produzem esporos distintos, longos e de "cauda dupla".

Plistophora hyphessobryconis

Provocam a "doença do neon-tetra". Esses organismos infectam e destroem a musculatura,

provocando o aparecimento de áreas de necrose esbranquiçadas, aparentes através da pele.

Essa doença ocorre em outros peixes, além dos neon-tetra. Os cistos (pansporoblastos)

contém numerosos esporos ovais, bastantes característicos.

FUNGOS


Fungos são um grande grupo de organismos nucleados semelhantes aos vegetais, mas

estando ausente a clorofila, e a diferenciação de seus tecidos em raízes, caule e folhas.

Quando observado na superfície de um peixe, a infecção fúngica assemelha-se com uma

massa de algodão branca. Esta massa, chamada de micélio, é composta de filamentos,

conhecidos como hifas, que podem ou não serem ramificadas. Os fungos usam a mateira

orgânica como fonte de nutrientes, geralmente vivendo associado com outra forma de vida.

Os fungos em peixes são geralmente um episódio secundário, acometendo animais

previamente debilitados invadindo ferimentos causados por outras enfermidades, tanto

traumáticas, infecciosa ou parasitárias.

O mais comumente fungo isolado em peixes é Saprolegnia sp. O diagnóstico é feito pela

observação das lesões clínicas típicas, e pela presença de elementos miceliais nas

montagens para exame microscópico do material das lesões.

O tratamento é realizado a base de banhos de verde malaquita.

ALGAS


Oodinium ou Ammyloodinium (dinoflageladas)

Este agente causa a "doença aveludada". Os peixes afetados apresentam em sua superfície

uma cobertura aveludada branca ou escura. As brânquias geralmente estão infectadas. O

parasito tem forma variável de 40 a 100 microns, desde esférica até a de um cilindro, e

usualmente contém grânulos altamente refrateis.

O ciclo de vida deste parasita inicia-se com a liberação por um cisto maduro (tomonte) de

cerca de 250 muito finos, algas nadadoras unicelulares chamadas dinosporideos. Este

tomonte pode estar fixo no muco do hospedeiro ou no fundo do aquário. A divisão das

células dentro do tomonte ocorre em 3 a 6 dias dependendo da temperatura da água. Os

dinosporideos precisam achar um hospedeiro para se alimentarem em no máximo 48 horas.

Como os peixes estão constantemente bombeando água por suas guelras, este tecido

respiratório é o mais freqüentemente parasitado. Após se fixarem, os dinosporideos tornamse

cistos (trofontes) e enviam filamentos (rizoitos) para os tecidos do hospedeiro para

absorver nutrientes. Em alguns dias, estes filamentos se degeneram e o parasita torna-se um

tomonte. Ocorre divisão celular interna e liberação de novos dinosporídeos.

O tratamento é feito com a manutenção dos peixes em banho com sulfato de cobre por dez

dias. A reinfecção é um problema comum e pode estar associado a habilidade do parasito

de colonizar o intestino.

TREMATODEOS MONOGENÉTICOS

Os peixes podem carrear grande número de vermes parasitários diminutos em seus corpos,

brânquias e nadadeiras. Estes parasitos podem multiplicar-se sobre o peixe sem a

necessidade de hospedeiros intermediários, sendo denominados tremátodes monogenéticos.

Sua ocorrência é comum e podem ocorrer pesadas infecções com altas taxas de

mortalidade. São facilmente transmissíveis a outros peixes pelo contato, e através da água.



Gyrodactylus

Geralmente encontrado sobre o corpo e nadadeiras, mas podendo também afetar as

brânquias. Esses parasitos tem cerca de 0,8mm e podem ser identificados pela falta de

máculas oculares, por um único par de grandes ganchos, e por serem vivíparos. Os

indivíduos ainda não expelidos podem ser vistos no interior dos vermes vivos.

As infecções inaparentes são comuns. Os parasitas alimentam-se de sangue e epitélio.

Quando presentes as lesões incluem hemorragia localizada, produção de muco e ulcerações

localizadas. Infecções secundárias por bactérias (Aeromonas, Flexibacter) são comuns.



Dactylogyrus

Uma espécie de trematodeos comumente encontrada nas brânquias, possuem quatro

máculas oculares e são vivíparos. Os vermes adultos medem cerca de 200 microns, tendo

tanto gônadas masculinas e femininas, e podendo ocorrer a auto fecundação. O peixe

parasitado apresenta movimentos acelerados dos opérculos, dispnéia com respiração

próxima à superfície, e esfrega-se ao substrato. Quando presente em número suficiente, os

parasitas causarão hiperplasia e destruição do epitélio, resultando em asfixia.

O tratamento para tremátodes monogenéticos incluem banhos com formaldeido, água

salgada (para peixes de água doce) e organofosforados.

TREMATODEOS DIGENÉTICOS

Trematodes digenéticos em peixes podem ocorrer como formas adultas no trato digestivo

ou, mais comumente, como estágios intermediários encistados nos tecidos. É raro encontrar

peixes tropicais como hospedeiros finais de formas adultas de parasitas nos intestinos, mas

freqüentemente servem como hospedeiro intermediário secundário . Na maioria dos casos

uma ave que se alimenta de peixes e que elimina ovos de parasitas para a água. Os ovos

evoluem para miracídeos que penetram em uma espécie específica de caramujo. Após o

desenvolvimento nos caramujos, as procercárias são espelidas e penetram nos peixes. Aqui

se desenvolvem em metacercarias dentro de cistos.

Formas larvais do gênero Neascus são freqüentemente observadas em peixes tropicais coco

pintas pretas de 2 a 3mm na pele de peixes. Estas pintas pretas representam uma reação

melanínica ao redor da metacercaria encistada.

COPÉPODOS (CRUSTÁCEOS)

Os parasitas copépodes são comuns, incomodam bastante, e são de difícil controle. Há

crustáceos de água doce e marinhos. Algumas espécies não parasitas servem como

hospedeiros intermediários para certos helmintos. Alguns copépodes introduzem-se

profundamente na pele, não sendo incomodados por agentes químicos.



Argulus

Comumente referido como "piolho dos peixes". Os organismos possuem uma forma

achatada, com aspecto de pires, podendo ser observados rastejando rapidamente sobre o

corpo do peixe parasitado. Quando imóvel, o parasita assemelha-se a uma escama. O exame

cuidadoso dos indivíduos irá revelar a presença se patas articuladas e duas grandes ventosas

discóides para aderência, o que dá aos organismos a aparência de possuírem dois olhos.

Quando presos ao peixe, os parasitos alimentam-se de sangue e fluidos corpóreos. Mesmo

peixes maiores podem morrer, se o parasitismo for intenso.



Achetheres

Comuns nas guelras de peixes, onde seus corpos de cores claras destacam-se, em agudo

contraste com o vermelho-escuro dos filamentos branquiais. Nesse crustáceo, as patas

desaparecem; duas formações bucais modificaram-se, redundando em um par de apêndices

curvos, que se pode fusionar nas extremidades, com isso aderindo o parasito às brânquias.

Esses parasitos consomem sangue branquial, sendo uma séria ameaça par o peixe.



Lernaea

Também conhecido como verme-âncora. O local de aderência tem a área circunvizinha

inflamada, desenvolvendo freqüentemente infecções bacterianas ou fúngicas secundárias. O

parasita fica tão firmemente aderido aos seus hospedeiros, que deve-se tomar precauções

quando da remoção dos organismos. Após a aderência das formas juvenis, os apêndices da

cabeça modificam-se, de modo que o parasito fica assemelhado a uma âncora, em sua

extremidade anterior. Essas protusões ramificantes impedem a retirada do parasito. Esse

organismo freqüentemente é fator primário nas infecções bacterianas.

TRATAMENTO E DOSAGENS

Rotas de administração:

BANHO: refere-se ao tratamento no qual a droga é dissolvida na água onde o peixe está

nadando. O tratamento usualmente dura de 15 minutos a 24 horas. A dosagem é geralmente

baseada no volume de água e não na biomassa do peixe.

MERGULHO: refere-se ao tratamento no qual o peixe é submerso numa solução por um

período de 1 segundo até 15 minutos. O volume de água é usualmente menos que aquele no

tratamento de banho e a concentração da droga é freqüentemente alta.

BANHO INDEFINIDO: a medicação é adicionada ao aquário ou tanque e usualmente não

há troca de água ou retirada dos peixes.

INJEÇÃO: o antibiótico é dado por injeção com agulha hipodérmica e seringa. As vias

podem ser subcutânea, intradermica, intramuscular, intravenosa e intraperitonial.

ORAL: a medicação é misturada com a alimentação. Usualmente há a incorporação da

droga numa dieta gelatinosa. Para grandes peixes, a medicação pode ser colocada em um

pedaço de alimento e então a sua ingestão pode ser feito a força.

TÓPICA: o antibiótico é aplicado diretamente na lesão.

MEDICAMENTOS MAIS UTILIZADOS

DROGA DOSE INDICAÇÃO

Cloreto de sódio

(não iodado)

2,5g por litro Em baixos níveis, o sal

aumentara a vitalidade dos

peixes e inibira o crescimento

de muitos parasitas

Verde Malaquita 1,0 g. em 500 ml de água (solução

estoque). Dose de 1 a 2 ml por litro

Formalina 6 ml de Formalina a 1% por litro

durante 15 a 30 minutos

Verde malaquita +

Formalina

1,4 g. de verde malaquita isento de

zinco em 3.800 ml de formalina

(solução estoque). Dose de 1 ml para

50 litros em dias alternados por no

minímo 3 aplicações.

Efetiva para protozoários

externos, fungos externos, algas

dinoflageladas e tremátodes

monogenéticos

Enrofloxacina 5-10 mg/Kg IM ou IP cada 48 horas

por 15 dias; ou

2,5-5 mg/litro como banho por 5 horas

repetido a cada 24 horas por 5-7 dias.

Trocar 50-75% da água entre os

tratamentos

Oxitetraciclina 20-50mg/litro como banho de 5-24 Muitas bactérias resistêntes

horas, repetido cada 24 horas por 5-7

dias. Trocar 50-75% da água entre os

tratamentos; ou

25mg/Kg IM ou IP cada 24 horas por

5-7 dias; ou

50 mg/Kg PO cada 24 horas por 10

dias.

Clorafenicol 50 mg por litro; ou



20-40 mg/Kg IM ou IP cada 48 horas

por 15 dias (usar luvas para segurança)

Tratamento tópico ou sistêmico

Metronidazole 400mg/litro como banho de 5 a 12

horas, repetido cada 24 horas por 3

dias consecutivos

Bom para anaeróbios e alguns

flagelados

Sulfametoxazol +

trimetoprim

30mg/Kg PO a cada 24 horas por 10-

14 dias; ou

20mg/litro como banho de 5-12 horas,

repetido cada 24 horas por 5-7 dias.

Trocar 50-75% da água entre os

tratamentos.

Muito efetivo como tratamento

de banho.

(continuação medicamentos mais utilizados)

DROGA DOSE INDICAÇÃO

Nitrofurazona 20mg/litro como banho de 5 horas,

repetido cada 24 horas por 5-7 dias.

Trocar 50-75% da água entre os

tratamentos.

Pomada de sulfadiazina de

prata


Aplicar diretamente sobre a ferida a

cada 12 horas.

Manter a área afetada fora

d’água por 30-60 segundos para

absorção do medicamento.

Sulfadiazina 100 a 250 mg por litro Tratamento tópico

Sulfato de Kanamicina 50-100 mg/litro como banho de 5

horas, repetir cada 72 horas por 3

tratamentos. Trocar 50-75% da água

Tratamento tópico

entre os tratamentos.

Sulfato de cobre 0,1 a 0,2 ppm Para Oodinium

BIBLIOGRAFIA

WALLACH, J.D. & BOEVER, W.J. Diseases of exotic animals, W.B. Saunders Co.,1983

MOE, M.A Jr. The marine aquarium handbook, Green Turtle, 1992

GRATZEK, J.B., SHOTTS, E. B. and DAWE, D.L. Infectious diseases end parasites of

freshwater ornamental fish. In: GRATZEK, J.B. (ed) Aquariology – Fish diseases

& water chemistry, Treta Press, 1992.



LEWBART, G.A. Antibiotic use in ornamental fish Proceedings AAZV, 1998



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