Angelo Domingo Pretto vem de uma família de imigrantes italianos. Sua história é simples, como simples são sua figura e sua personalidade



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CMPA – Fl. 0|__
PROC. Nº 0355/18

PLL Nº 023/18


EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS

Angelo Domingo Pretto vem de uma família de imigrantes italianos. Sua história é simples, como simples são sua figura e sua personalidade.

E foi de modo simples que, em 1932, nasceu, em Xaxim, Santa Catarina, o oitavo filho do comerciante José Pretto.

Com apenas oito anos, Angelo realizou sua primeira tropeada, saindo de Xaxim para levar produtos coloniais a Lajeado e a Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul. Foram quatro dias no lombo da égua Malacara, uma aventura inesquecível, decorrente da imposição que seu pai fazia de que todos os filhos começassem a ajudar nas lides da família a partir dos oito anos. Logo preferiria tropear a estudar.

No início dos anos 1940, José Pretto, disposto a atender aos agricultores fregueses de sua bodega colonial, decidiu montar um moinho de grãos, tocado pelo jorro de uma pequena cascata. E, com esse arriscado projeto, teve início a saga da família Pretto na indústria moageira.

Em 1950, a família Pretto compra e moderniza um antigo moinho de grãos em Progresso. No ano seguinte, o “tropeiro” Angelo Domingo Pretto deixa a família para prestar o serviço militar em Porto Alegre. Em treze meses de caserna, o então conhecido como “mocorongo de Xaxim” se tornou cabo atirador e foi aprovado no curso de sargento. Insatisfeito com a vida de quartel, deu baixa e voltou para casa, com cinco mil cruzeiros no bolso e a decisão de se tornar empresário.

Depois do serviço militar em Porto Alegre, Domingo Pretto, como também é conhecido, começa a trabalhar como ajudante de motorista, passando depois a caminhoneiro-mascate, tempo em que percorreu uma longa trajetória, que o levaria a comandar uma pequena frota cargueira tocada por parentes e amigos.

Em 1955, Angelo Domingo Pretto contraiu núpcias com Ida Berté. No ano seguinte, nasceu Sérgio Pretto, o primeiro dos seis filhos do casal, sendo os demais Jaime, Jair, Ivete, Gerson e Rejane.

Em 1958, a família Pretto fundou no centro de Lajeado o Moinho Ideal, construído com recursos próprios e com a participação de toda a família.

Em 1961, Domingo Pretto afastou-se do Moinho Ideal e transferiu-se para Porto Alegre, onde montou uma distribuidora de alimentos – Distribuidora Dália – na Avenida Mauá, 1.509. Contava com uma frota de quatro caminhões. A distribuidora localizava-se a uma quadra do Mercado Público, à época o maior centro de abastecimento da Capital, e do qual Angelo Domingo Pretto se tornou importante fornecedor.

Fortalecido como atacadista, liderou a compra do Moinho Estrela que, em 1970, transferiu-se para Porto Alegre, após a compra do Moinho Brasileiro.

Com o sucesso e o desenvolvimento dos negócios na moagem de trigo da Capital gaúcha, Pretto, em 1974, montou o grupo Moinho Estrela S.A. – MESA – e criou várias subsidiárias, entre elas a Mesacon – Comércio de Cestas Básicas, a Mesapec e a Mesabras, fazendas de arroz e de criação de gado no cerrado, a Mesarodo, no setor de transportes, a Mesaimov, na construção civil e a Nutec, no setor de informática, além da Superpan, padaria e mercado em Porto Alegre.

Em 1978, após participar de um cursilho da cristandade, Domingo Pretto assumiu um novo papel na sociedade e passou a prestar assistência a pessoas carentes da Vila Pinto, na Zona Leste de Porto Alegre.

No período de 1986 a 1990, após a dissolução do grupo MESA, Domingo Pretto cria a Mesasul, especializada no comércio de cestas básicas, e começa a transferir a gestão dos negócios para os filhos.

O apoio dos filhos, o resgate dos manuscritos, das fotos, dos documentos, das histórias e das visitas resultou num livro de 280 páginas que oferece importante contextualização da história da economia do Rio Grande do Sul e do Brasil. Não por acaso, a grande família do Grupo Estrela, que inclui 650 colaboradores diretos e 150 indiretos, chegou aos 50 anos seguindo o exemplo e a inspiração de seu fundador.

Aos 85 anos, Angelo Domingo Pretto tem justo orgulho da sua trajetória. Mais do que isso, além de um reverente reconhecimento pelo esforço dos seus antepassados, ele deposita serena confiança no futuro, representado pelos descendentes encarregados de levar adiante o empreendedorismo familiar herdado do passado.

Agora, na maturidade, quando poderia unicamente desfrutar da cômoda estabilidade que a vida lhe proporcionou, ele, inquieto e consciente do valor histórico da saga de sua família, quatro anos atrás apanhou uma caneta e um caderno pautado e decidiu registrar suas memórias.

Foi dessas anotações que o jornalista Geraldo Hasse partiu, junto com Domingo, para transformar aquele sincero depoimento no livro “De Um Só Grão Não se Faz Pão – Memórias do Fundador do Moinho Estrela”, cujo lançamento ocorreu no Instituto Ling, em Porto Alegre.

O depoimento transformado em livro é o relato de uma vida bem vivida, com todas as características das vidas comuns, a que foram acrescentadas a firmeza de vontade, o império da determinação e a inarredável certeza de que estava na família a condição primeira para se alcançar a vida plena e feliz.

A tudo isso, somou-se a fé cristã, que deu mais sentido e finalidade à vida, reforçando em Angelo Domingo Pretto a consciência de sua responsabilidade social, o que o levou à prática contínua e permanente do amor, materializado em ações objetivas e práticas nas comunidades pobres de Porto Alegre.

Sala das Sessões, 2 de março de 2018.
VEREADOR JOÃO CARLOS NEDEL

Subscrição dos vereadores da Câmara Municipal de Porto Alegre para a concessão do título de Cidadão de Porto Alegre ao senhor Angelo Domingo Pretto, fundador do Moinho Estrela, com base no § 1º do art. 133 do Regimento da Câmara Municipal de Porto Alegre:



PROJETO DE LEI


Concede o título de Cidadão de Porto Alegre ao senhor Angelo Domingo Pretto, fundador do Moinho Estrela.

Art. 1º Fica concedido o título de Cidadão de Porto Alegre ao senhor Angelo Domingo Pretto, fundador do Moinho Estrela, com base na Lei nº 9.659, de 22 de dezembro de 2004.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

/JEN



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