Ampanha minas Gerais Brasil histórico do município



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Inventário de Proteção do Acervo Cultural
AMPANHA

Minas Gerais Brasil


HISTÓRICO DO MUNICÍPIO
Ano 2001



1. Município: Campanha 2 . Distrito: Sede








INFORME HISTÓRICO
Como, quando e onde surgiu a cidade da Campanha

As primeiras cidades fundadas em Minas Gerais devem sua origem à ambição pelo ouro, que moveu bandeirantes fazendo-os caminhar léguas por lugares antes não penetrados. Entre elas inclui-se a cidade da Campanha, o que é evidente ainda nos dias de hoje em profundas escavações nos terrenos que a circundam. A fase inicial da história compreende um longo período do século XVIII, onde encontravam-se princípios de uma sociedade. Muito antes de 1700 começaram as entradas dos paulistas, que vinham caçar índios com o fim de escravizá-los. Logo após, os bandeirantes, atraídos pela fama que corria das ricas minas de ouro descobertas em Minas Gerais. É então que se esboçam os primeiros rudes povoados que indicando a localização da antiga riqueza aurífera e de diamantes de Minas Gerais, constituíram o início da vida civilizada dos sertões de Minas.


Campanha é a cidade mais antiga do Sul das Minas Gerais – cidade histórica reconhecida oficialmente em 02/10/1737 – povoação iniciada no ciclo do ouro. Elevada à freguesia em 06/02/1752, à vila em 20/10/1798 e à cidade em 09/03/1840.
O ouvidor Cipriano José da Rocha, saindo de São João Del Rei a 23 de setembro chegou ao arraial da Campanha no dia 2 de outubro de 1737 e, entusiasmado com a fertilidade do seu solo e com as riquezas das minas de ouro encontradas, deu ao povoado o nome de São Cipriano. O nome da atual cidade – Campanha - se deve à topografia, pois a cidade se encontra localizada numa colina circundada por extensas campinas.
Campanha desde o século XVIII esteve presente em fatos históricos do Brasil e de Minas. Dentre eles, teve participação no episódio da Conjuração Mineira. Dr. Inácio de Alvarenga Peixoto, um dos conspiradores, viveu em Campanha, onde possuía inúmeras fazendas e era um dos homens mais ricos de Minas, no seu tempo. O esgotamento das minas, alegado por aqueles que se esquivavam ao pagamento de seu débito para com o físco, já na segunda metade do século XVIII, acentuava-se cada vez mais, prenunciando o fim de uma era de grandeza.
Passado o ciclo de grandes atividades desenvolvidas em torno das minas, sofreram natural estagnação ou decadência, todos os rincões de Minas Gerais onde predominavam os interesses ligados à mineração. Campanha, entretanto, manteve-se por muito tempo como centro de industrialização e cultural de toda a região Sul Mineira. Foi, ainda, sede administrativa e jurídica do Sul de Minas: a primeira, por quase um século, e a segunda além de um século. Pioneira da instrução, em razão mesmo de sua antigüidade, sempre gozou de merecido renome, pela notável contribuição que deu à causa do ensino em nossa pátria, desde os primórdios de sua formação histórica, como bem definiu o jurista e historiador campanhense Ministro Alfredo de Vilhena Valladão, quando declarou: “Refulgiu pelo ouro da terra e pela fé, pela cultura e pelo civismo de seus filhos”.
Ainda alguns anos depois da nossa independência, a instrução pública em Minas Gerais era extremamente limitada, pois além de algumas escolas de primeiras letras que aqui e ali se encontravam e de dois colégios dirigidos por padres, um conhecido em Congonhas do Campo e o outro no Caraça, não existia em toda província outro qualquer estabelecimento de instrução secundária além do seminário de Mariana, onde se preparavam os padres, e uma simples cadeira de latim em algumas das principais vilas da província. Campanha era uma dessas vilas privilegiadas e a única no Sul de Minas para onde afluíram estudantes de outros pontos, quer próximos, quer distantes, pois era a sede da 3a Circunscrição Literária.

O anseio de seus filhos para instrução manifestou-se desde os primeiros tempos, como se evidencia pelo que ocorreu quando foram inaugurados os cursos jurídicos no Brasil, apenas com duas faculdades – uma em São Paulo e a outra em Recife. Na primeira matricularam-se quatro mineiros, três dos quais eram campanhenses e um de outra cidade. Esta cidade, de 263 anos de existência oficial, tem tido inúmeros estabelecimentos de ensino, tanto particulares como oficiais.


Como não poderia ser diferente dos urbanismos de sua época a sua população era gente de todas as partes niveladas pela ambição de ouro. A cidade era organizada por camadas humanas relativas a cor, pois 60% era negra, que constituía a mão de obra escrava, 30% pardos e 10% brancos. Estes, dominavam politicamente e não se submetiam aos trabalhos pesados.
No percurso de sua história, Campanha recebeu gente vinda de várias partes do Brasil e de diversas categorias sociais. A sua riqueza mineral e vegetativa propiciou o desenvolvimento da sociedade, o que levou a receber visitantes ilustres como a Princesa Isabel, Carlota Joaquina, Conde D’Eu, Euclides da Cunha, Manoel Bandeira, Sílvio Romero, José do Patrocínio, Pedro Ernesto Baptista, Bárbara Eliodora, entre outros. Suas passagens por Campanha, marcaram a história da cidade, mas a recíproca é verdadeira. A cidade também os marcou, muitas vezes registrado nas suas obras culturais levando-os a construírem moradias (casarões e templos) e permanecerem aqui por um tempo considerado.
Campanha também gerou personalidades reconhecidas internacionalmente, como Vital Brazil Mineiro da Campanha - cientista descobridor do soro antiofídico e Maria Martins - considerada uma das artistas surrealistas mais relevantes do planeta.
No passado, a grande extensão do município ocupava a margem esquerda do Rio Grande até o Jaguari, das cumiadas da Mantiqueira até o rio Pardo, estendendo a sua jurisdição municipal – com legislação num círculo de quase 3 mil léguas. Por essa extensão de terra e pela riqueza natural e cultural, Campanha é considerada a cidade mãe, fertilizadora das outras cidades – o berço do sul de Minas.
Primeiros moradores
Na Segunda Carta do Ouvidor a D. Martinho vê-se que “vai entrando muita gente: tem mantimentos em abundância e bom cômodo, e continuamente estão entrando carregações”.
Depois de algumas pesquisas nos documentos da época, podem ser considerados como povoadores do lugar:
1 – Antônio de Sousa Portugal, natural de Santo André de Guiães, Feira no Bispado do Pôrto, casado com Antônia da Graça de Jesus natural de Baependi e filha de Domingos Nunes de Siqueira

(de Taubaté) e de Clara Moreira (de Jacareí).


2 – Luís Colaço Moreira, natural de Guarapiranga e filho do Sargento-mor Inácio Moreira de Alvarenga e de Ana Barreto de Lima. Pedro Taques menciona-o como “um dos primeiros povoadores da Campanha do Rio Verde”. Casou-se nesta localidade com Leonor Domingues de Carvalho, f. de Antônio Cardoso Bicudo e de Maria de Camargo de Almeida. Sua mãe (Ana Barreto Lima) aqui faleceu a 6 de maio de 1751;
3 – Capitão Manuel Garcia de Oliveira. Era Capitão-mor “o primeiro que conta o Arraial”. Achava-se provido desde 27 de janeiro de 1737 para Aiuruoca, Rio Grande e Paraibuna. Com ele entendeu-se o Ouvidor e pediu-lhe que também superintendesse o novo Arraial.
4 – Francisco de Araújo Dantas. Era natural de S. João de Itaboraí, Rio de Janeiro, e casado com Catarina Pedrosa de Almeida, natural de Pitangui. Foram pais do Descobridor das Águas Virtuosas, Antônio de Araújo Dantas, aqui batizado a 21 de janeiro de 1741.
5 – Henrique de Costa, natural de Caparica, Lisboa, casado com Jerônima Maria de Jesus, natural de Baependi e ali moradores, anteriormente.
6 – Domingos Gonçalves Viana, natural de Arcozelo, Braga, e filho de Manuel Gonçalves e de Serafina Alves. Era casado com Branca Teresa de Toledo, filha de Salvador Corrêa Bocarro e de Ana Ferreira de Toledo. Muitos campanhenses atuais descendem desse tronco.
7 – Alferes André da Silva Tourinho, natural de Conceição do Rio Grande e Carrancas. Foi casado com Maria da Silva Leme, natural da mesma localidade.
8 – Domingos de Araújo, natural de São Tomé de Lhanas, Lamego, filho de André de Araújo e de Ana Francisca. Era casado com Maria Caetana de Sá, natural de Ferros, Lisboa, filha de Atanásio de Sá e de Josefa Maria.
9 – Domingos Xavier Machado, casado com X. (Seu filho homônimo faleceu com 20 anos em Campanha, de onde era natural, a 2 de julho de 1757). Era casado com Paula Moreira. Foi um dos ribeirinhos do Rio Verde.
10 – Manuel Vás Guimarães, natural de São Pedro de Avação(!), Guimarães, e filho de Antônio Vás e de Ana Francisca. Era casado com Antônia Cardoso, natural de Guaratinguetá e filha de João Rabelo Crasto (sic) e de Maria Bicuda. Moravam antes em Aiuruoca.
11 – André Vieira da Fonseca. Em 1741 foi padrinho de batismo de Lizarda, filha de Miguel Antônio da Cunha e de Domingas Barbosa.
12 – Baltasar Gomes Lima, natural de Santa Marinha de Arcozelo, Braga, filho de Lourenço Gomes e de Ventura Lima. Era casado com Maria Cardoso, natural de Aiuruoca e filha de Manuel Vás Guimarães e de Antônia Cardoso.
13 – João Gonçalves Figueira, filho de Manuel Afonso Gaia e de Maria Fernandes Figueira. Foi casado 2 vezes, a 1A com Maria de Lara (51), filha de Lourenço Castanho Taques e de Maria de Araújo; a 2º com Josefa de Almeida, filha do Cap. Tomé Alvares e de Ana Maria de Almeida. Assevera Taunay que João Gonçalves Figueira “depois de ser juiz ordinário e dos órfãos em Santos e regente das minas de Paranapanema, afundou no sertão para junto dos irmãos”. É um dos signatários da Irmandade do Santíssimo Sacramento, desta localidade.
14 – Francisco Martins Lustosa, Natural de Santiago de Lustosa, no Bispado de Braga (donde o cognome), e nascido em 1700, filho de Antônio Martins e de Ângela Gomes. Foi tabelião em Mogi das Cruzes, em 1732, ali se casando com Maria Soares de Jesus, filha de Domingos de Carvalho e de Teresa de Jesus. Em 1736, era residente em Alagoa de Aiuruoca, onde leva a batismo Teresa, no dia 15 de julho. Em 1737, 21 de abril, é recebido na Irmandade do Santíssimo, em Aiuruoca. Logo depois, convidado pelo Capitão Manuel Garcia de Oliveira, vem residir na Campanha, onde foi “comerciante e cortador de gado”. É um dos signatários do auto de posse do Arraial, em 1743. Em 1745, é recebido na Irmandade do Santíssimo Sacramento, na Campanha.
Primeira Igreja
A primeira e antiga Matriz de Santo Antônio, a primeira igreja construída na Campanha, então Freguesia de Santo Antônio do Vale da Piedade da Campanha do Rio Verde, pela vontade e pela fé dos pioneiros e bandeirantes que habitaram estas ricas e aprazíveis terras, no limiar do séc. XVIII.
Entre 1737 a 1742, a igreja foi construída, nela se despendendo nove mil oitavas de ouro, pela Irmandade do Santíssimo Sacramento. Não era esse templo de pequenas dimensões, pois havia no seu interior 93 sepulturas e estava situado pouco abaixo da atual Catedral, na parte em que a Praça Dom Ferrão se larga, nas imediações dos jardins e das estátuas do Mininistro Alfredo Valladão e do cientista e sábio Vital Brazil Mineiro da Campanha. Durou relativamente pouco essa nossa primeira Igreja Matriz, pois em 1800, já tinha aspecto de ruínas. Em seu adro existia uma cruz, ao pé da qual foi enterrado, sem nenhuma pompa e no hábito do seu Padre São Francisco, de que era terceiro, por sua última vontade manifestada em testamento que fez antes de falecer em 20 de dezembro de 1748, o grande bandeirante Capitão-mor João de Toledo Piza e Castelhanos.
A segunda igreja construída na Campanha foi a da Nossa Senhora do Rosário, por Provisão Régia de 1759. Segundo descrição de Francisco de Paula Ferreira de Rezende, em sua obra “Minhas Recordações”, a Igreja do Rosário esta colocada acima da Matriz, no ponto mais alto da colina em que a povoação se assenta, justamente no lugar em que, naquele tempo, acabavam as casas e começava o campo. Sem nenhuma arquitetura e sem torres, o seu sino ficava do lado de fora. A mais alegre de todas as festas da Campanha era a festa dos negros, isto é, a de Nossa Senhora do Rosário e como vulgarmente se dizia a “subida do Rosário”. Essas festas, as congadas, com os seus vistosos “ternos” e animadas “embaixadas”, há anos passados, tivemos oportunidade de assistir e admirar. Houve tempo que, com o desaparecimento da antiga Matriz e achando-se a nova, atual Catedral em construção, a Igreja do Rosário foi a única e a mais importante da Campanha, sendo aí celebrados os ofícios religiosos. Assim foi por ocasião da morte de D. Maria I, a 20 de março de 1816, em que as suas exéquias solenes, com Missa e sermão, foram realizadas nesse templo. Essa igreja foi inexplicável e simplesmente demolida, edificando-se, muito mais tarde, outra, no fim da Chapada.
A igreja de Nossa Senhora das Dores é a terceira em antigüidade e foi concluída em 1799 pelo rico minerador, José de Jesus Teixeira. Felizmente aí está, na plenitude de sua beleza e de seu estilo colonial de linhas puras.
A segunda igreja demolida foi a de São Francisco, em meados do século passado. Foi construída em 1809, no quarteirão atual da rua Bárbara Eliodora.
A Igreja das Mercês, construída em 1815, situada na antiga Praça que levava o seu nome, pouco acima do atual Posto de Saúde, teve o mesmo fim.
A Igreja de São Sebastião, edificada em 1805, foi a última a ser demolida, dado o seu estado precário, mas foi substituída por outra mais bonita e mais ampla e com uma praça em frente.
A primitiva Capela Santa Cruz, construída por volta do ano de 1848, fora do perímetro urbano, na localidade denominada de Árvores Bonitas, foi consumida por um incêndio tido como criminoso. Substituiu-a a Segunda Capela, em 1895, em uma elevação no fim do Bairro das Almas e, mais tarde, por se achar em ruínas, foi demolida, até que, em seu lugar, foi edificada a terceira e atual Capela de Santa Cruz, em 1938, no mesmo belo e aprazível local.
A catedral de Santo Antônio – Sua pedra fundamental foi lançada no dia 21 de janeiro de 1787, em solenidade presidida pelo pároco local Pe. Bernardo da Silva Lobo, com assistência de grande número de fiéis e membros das irmandades. Foi construída pelos escravos e levou 35 anos para ser concluída. Foi feita em taipa, de terra da melhor qualidade, conduzida de grande distância, por toda gente sem distinção de sexo, idade, fortuna e posição social, sendo notável a solidez da obra, cuja espessura de 1,80m a todos causa admiração. Em 1925, foi modificada a sua fachada, descaracterizando-a completamente e dando assim novo aspecto à fachada e torres. Em 1937 e 38 D. Inocêncio Engelke, 2º bispo diocesano, às suas expensas, manda cercar a Catedral com uma grade de ferro. Várias reformas foram feitas ao decorrer dos anos. Em taipa, é o maior templo católico de Minas e um dos três maiores do Brasil.
Evolução Eclesiástica
Irmandades

A Irmandade de SS. Sacramento autorizada por D. Frei João da Cruz, Bispo do Rio de Janeiro, a 22.08.1742. O termo de abertura entretanto, é de 20.09.1745, quando assinaram os primeiros irmãos, tendo rendido a reunião, só naquele dia 777 oitavas de ouro.

A Irmandade das Almas segundo diversos registros de óbitos e a Confraria de Nossa Senhora do Terço.

Com o aparecimento da Irmandade de SS. Sacramento ambas se lhe agregaram e desapareceram oficialmente apenas figurando a do Santíssimo, com toda a vitalidade e esplendor.



Padroeiro

Santo Antônio de Lisboa (português)

Nasceu em 1195 e viveu até 1231. Naturalíssimo portanto a aposição de seu nome à povoação nascente e ao córrego que a rodeia e banha.

1º batizado foi em 1739 (não consta nos livros da paróquia, porque lhe faltam as primeiras páginas, consta entretanto, de um relatório, do Vigário, que se encontra na Cúria Diocesana.

O termo de abertura do 1º livro data de 1747. Nota-se ainda que o 1º Vigário se chamava Antônio (padre Antônio Mendes), anteriormente Vigário de Carrancas.
Origens

A Diocese da Campanha, foi criada pelo Decreto Pontifício Spirituali fidelium, do Papa São Pio X, a 8 de setembro de 1907. A execução desse Decreto foi confiada à Nunciatura, sendo então nomeado Administrador da novel Diocese D. João Batista Corrêa Nery, Bispo de Pouso Alegre.


No ano de 1889, o Internúncio apostólico D. Francisco Spoverini, então em uso de águas medicinais em Lambari, visita Campanha. Sua estadia nesta cidade foi causa de ser levantada a idéia da criação de um Bispado Sul-Mineiro. Mas, veio a separação da Igreja do Estado e impediu a concretização das aspirações populares. No ano de 1891, novamente Bernardo Saturnino da Veiga, proprietário do Jornal O Monitor Sul-Mineiro, expede circular aos Padres do Sul de Minas e lhes lembra a inadiável necessidade de se pedir a criação de um Bispado com sede em Campanha, o que iria premiar toda região sulina. Na oportuna circular aparece um decidido apoio unânime e contribuições espontâneas para a criação de nova Diocese. As subscricões que se fizeram para tanto chegaram a atingir 9:000$000, quantia avultada para a época. De novo se interpôs outro contratempo.
No ano de 1897, agita-se com mais veemência a alcandorada idéia, agora bipartida, porquanto duas cidades ambicionavam o título: Campanha e Pouso Alegre. O movimento campanhense foi liderado pelo Vigário Cônego José Teófilo Moinhos de Vilhena (era o dia 17 de abril) e o de Pouso Alegre pelo nortista Padre José Paulino de Andrade. Houve representações de ambas as cidades ao Internúncio e ao Bispo de São Paulo, D. Joaquim Arcoverde. Os pouso-alegrenses foram mais felizes: tiveram, também, o apoio de Silviano Brandão, mais tarde vice-presidente da República.
E foi criada a Diocese de Pouso Alegre pelo Decreto Regio Iatissime Potens, a 4 de agosto de 1900, porém com a possibilidade de ser desmembrada, quando necessário. Para dirigi-la foi transferido do Estado do Espírito Santo, D. João Batista Corrêa Nery. Uma de suas preocupações foi escolher um bom vigário geral, para o desempenho de uma tarefa de tanta responsabilidade. E a escolha recaiu na pessoa do Padre João de Almeida Ferrão, nomeado para tanto a 28 de outubro de 1901.
Foi a primeira vitória campanhense, porquanto não se opôs o prelado pouso-alegrense ao movimento de outra Diocese sulina. Pelo contrário, deu inteira permissão a seu primeiro Vigário Geral e o deixou agir com segurança e tato, nessa melindrosa questão.
No ano de 1903, uma representação composta dos campanhenses Dr. Américo Lobo (Ministro do Supremo Tribunal Federal), Dr. Olímpio Valadão (Deputado à Assembléia Geral). Agora recomendada por D. Joaquim Arcoverde, então transferido de São Paulo para o Rio de Janeiro, segue para a autoridade eclesiástica constituída. Nesse mesmo ano, querendo inteirar-se de toda situação, o Sr. Núncio Apostólico D. Júlio Tonti visita Campanha. Era o dia 22 de abril. A população o recebeu festivamente, quando foram ouvidos inúmeros discursos e aplausos e todos se mostravam esperançosos. Naquele dia estiveram em Campanha 40 sacerdotes com representações de 102 paróquias sul-mineiras. Nessa oportunidade, todos pediram ao representante do Santo Padre a transferência do Bispado para Campanha. Melhor seria – analisamos hoje – que fosse solicitada a criação de uma Nova Diocese. Mas, houve promessas, houve esperanças.
No ano seguinte, 1904, a Comissão recorre ao eminente Joaquim Nabuco, Diplomata brasileiro, então em Roma. E Sua Excia. responde, no dia 09 de junho, que iria interceder perante o Dr. Breno Chaves, ministro junto ao Vaticano, para alcançar o que todos almejavam. Dele chegam os augúrios, expressos com muita confiança: “muito desejarei ver a Campanha reviver, tão admirável é a sua oposição”.
Incansáveis se mostram Monsenhor João de Almeida Ferrão, Padres José Maria Natuzzi e Miguel Martins e os Srs. Deputados Joaquim Leonel de Resende e Gabriel Valladão. Continuam as “demarches” nos anos seguintes, agora com mais expectativa, de vez que estava já constituído o Patrimônio e escolhida a casa que iria servir de Palácio Diocesano. Enfim, foi criado o Bispado da Campanha.
Bispos Diocesanos

D. João Batista Corrêa Nery – 1908 a 1909.

1º - D. João de Almeida Ferrão - 1909 a 1935.

2º - D. Fr. Inocêncio Engelke, O. F. M., já em atividade na Campanha como coadjutor de D. Ferrão, de 1924 a 1935 - foi bispo de 1935 a 1960.

3º - D. Othon Mota – 1960 a 1985.

4º - D. Tarcísio Ariovaldo Amaral CSSR. – 1984 a 1991.

5º - D. Aloísio Roque Oppermann SCJ – Desde dezembro de 1991 a 1998

6º - D. Diamantino Prata Carvalho – Desde maio 1998 a ...



Evolução Econômica
A economia da Campanha é bem diversificada embora a agropecuária ainda tenha um peso maior no bolo produtivo - café, milho, feijão, batata, leite e laranja são produtos que se destacam. Hoje o município abriga 15 plantações de grande porte de laranja e mexerica-pocã. A apicultura também se destaca no município. A pecuária é voltada para a produção de leite comercializado na região e gado de corte. A avicultura é considerada uma das maiores em produtividade de toda a região, seguindo-se a bovinucultura com aproximadamente 18.000 cabeças. O município conta com 97 indústrias nos ramos: metalúrgico, artesanal, laticínio, de couro, artefatos de madeira. São itens produzidos pelas indústrias locais:

  • Artefatos de ferro e aço (canivetes, facas e chaves de fenda);

  • Madeira (gaiolas, estatuetas, artesanato de utensílios domésticos);

  • Cimento (postes, galpões e mourões);

  • Laticínios;

  • Confecções;

  • Tapeçarias (Kilim e Arraiolo);

  • Fábricas de Bilhar, Vassouras, Sapatilhas, Acessórios de carro e tecnologia avançada.

A média mensal de arrecadação de ICMS repassada ao município da Campanha é em torno de R$86.000,00.

Evolução Urbana e de Serviços

-Urbanismo




Ruas

Seguem o urbanismo medieval português e mourisco, isto é, o curso das ruas explora o relevo, sendo irregulares de largura variável, com cordoamento não planejado, sobem ladeiras íngremes. As ruas ligavam pontos de interesse: largos, igrejas e comércio.

Em fins do século XVIII novos planejamentos surgem, inclusive do plano em xadrez que às vezes deixa ruas impraticáveis tal a inclinação. Era importante não ter verde para contrastar com o rural. Eram de terra batida, pedra e hoje paralelepípedo. No século XIX, dá-se início à arborização dos espaços públicos e afastamentos das casas dos limites dos lotes ganhando jardins frontais. No século XX a tendência é um planejamento de uma estrutura com jardins.

Em Campanha aparecem as ruas com nomes característicos dos séculos passados, como:




  • Rua Direita: Chamava-se Rua Direita por levar direto de um lugar a outro. Teve o nome de Saldanha Marinho e hoje Rua Saturnino de Oliveira.




  • Rua do Fogo: Chamava-se assim por ser o lugar onde os escravos buscavam os braseiros para acender os seus fogões a lenha. No final da rua existia uma grande fogueira e todos que por ela passavam eram obrigados a atirar lenha para alimentar a fogueira e mantê-la sempre acesa. Recebeu depois o nome de Rua Princesa Izabel e atualmente Rua Dr. Brandão.




  • Rua do Comércio: Destinada ao comércio, pois ali existia um antigo mercado da cidade. Passou a chamar Rua Conde D’Eu, mais tarde Rua Tiradentes, Rua Cândido Ferreira, atualmente Rua Vital Brazil.




  • Rua das Almas: Atual Rua Santa Cruz. Inicia-se após a ponte de pedras chamada “Ponte das Almas”, com arco romano sobre o Rio Santo Antônio no Largo da Estação. A rua levava direto à capela que se encontrava no local chamado Árvores Bonitas. Costumava-se sempre lá celebrar missas dedicadas às almas do purgatório.




  • Rua da Prata: Totalmente em pedra bruta escolhida. O centro era mais baixo que as laterais, o que facilitava o escoamento das águas pluviais. Atualmente Rua Perdigão Malheiro, jurista campanhense.




  • Rua do Hospício: Atual Rua Bernardo da Veiga. Era a rua das rancharias e hospedarias, hospitais, hospícios. Do latim, hospitium, significa hospitaleiro. São na realidade modificações dos antigos mosteiros medievais. Foram sempre as irmandades e ordens terceiras que cumpriram o papel de velar pela saúde pública. Eram casas religiosas que recebiam peregrinos em viagem, sem retribuição. Hoje corresponderiam aos hospitais e albergues. Recolhiam órfãos, velhos, loucos, doentes. Quase todos os seus prédios datavam da 2a metade do século XVIII.




  • Rua da Forca: Assim chamada pois no final da rua existia uma forca. Nela foram feitos enforcamentos sendo o último narrado em livro de Francisco Paula Ferreira de Rezende “Minhas Recordações”. O réu só conseguiu ser enforcado na terceira tentativa, pois a corda sempre arrebentava. Por fim, o carrasco subiu em seu ombro conseguindo, assim, o seu estrangulamento. Era feito um grande cortejo que passava por todas as ruas da cidade, indo à frente o réu, o padre, o carrasco e um surdo que batia chamando a atenção dos moradores. Atrás acompanhavam todos os moradores adultos. As mulheres não tinham participação nessa cerimônia. Hoje a Rua tem o nome de Alexandre Stockler.




  • Rua do Bonde: Sua origem era a linha do bondinho que vinha de São Gonçalo do Sapucaí até o Largo da Estação. Hoje o seu nome é Rua Evaristo da Veiga.




  • Rua do Chafariz: Chamava-se assim por causa do Chafariz construído em 1853, que tinha a finalidade de abastecer a população local e principalmente os tropeiros que comercializavam em troca de ouro. Teve várias denominações: Rua da Máquina de Algodão, Beco do Chafariz e hoje Rua Dr. Cesarino.




  • Travessa da Aurora com Ladeira da Fonte: Lugar onde a população buscava água para suas casas. Hoje a rua está fechada até a fonte do Mathias, pedaço compreendido entre a Rua do Xororó e a Fonte que ganhou o nome atual de Álvaro Horta com João Batista de Melo.




  • Rua da Misericórdia: Assim chamada pois no final dela se encontrava a Santa Casa de Misericórdia, uma das primeiras Santas Casas de Minas Gerais e a primeira do Sul de Minas. Passou depois a chamar Rua Marechal Deodoro, Marechal Hermes, Benedito Valladares e hoje Av. Ministro Alfredo Valladão e Des. João Braúlio Moinhos de Vilhena.





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