Amor de Perdição (António Lopes Ribeiro, 1943)



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(4) AMOR DE PERDIÇÃO (ANTÓNIO LOPES RIBEIRO, 1943)

Em nove minutos e meio de vídeo é demonstrado o final, o clímax de todo o filme Amor de Perdição. A conversa de Mariana e Simão no seu quarto (ambiente físico) dá inicio ao fim, a morte, o amor, a amizade mas acima de tudo Teresa são o centro da conversa. Mariana desgostosa, apaixonada, perdida, abre o seu coração a Simão, este também algo que perdido na vida, nos seus sentimentos.


Teresa ainda se encontra no convento, para onde foi enviado por seu pai, de modo a evitar um casamento proibido, um amor que nunca poderia ter acontecido, surge-nos triste, chorosa, fraca, num anúncio da sua morte, que chega pouco depois quando esta vê Simão a caminho do exílio. Teresa morre, uma morte que nos é escondida, perceptível pela feição da freira que a acompanha.
Simão segue se a Teresa que de desgosto e doença não termina a sua viagem. Mariana como que numa sucessão de tristes finais, não aguenta a sua vida sem Simão, acaba perdida no mar.
O fim chega então, o mar revoltado, o infinito, a perda dos três, num amor impossível.
A 8 de Outubro de 1943, numa adaptação para filme da obra pela mão de António Lopes Ribeiro, estreou no Coliseu do Porto sublinhado com a música dissonante e extraordinária, composta por Jaime Silva Filho, Amor de Perdição.
Amor de Perdição dá nome ao romance português da autoria de Camilo Castelo Branco, escrita no ano de 1862. A obra de Camilo Castelo Branco tornou-se desde então no mais famoso romance do autor, considerado mesmo um dos expoentes do romantismo em Portugal, inspirada nas suas desventuras – uma vida envolta num sem número de casos amorosos complicados – e na peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare.
História do amor proibido vivido por Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, descendentes de famílias inimigas. Moradores de casas vizinhas, em Viseu, acabam por se apaixonar e manter um namoro secreto através das janelas próximas. Tadeu de Albuquerque, pai de Teresa, quer que esta case com seu primo Baltazar Coutinho, intenção partilhada por este. Simão mata Baltazar, sentenciando a impossibilidade de reunião com a amada. Teresa vai para um convento e Simão é condenado ao exílio, com a ajuda de seu pai que consegue que a sua sentença seja alterada, numa consequente fuga á forca. Mariana, filha de João da Cruz, o ferreiro moralmente endividado com o magistrado Domingos Botelho, pai de Simão, devota-se a deste até ele morrer de doença e amor.
A História termina com o embarque de Simão para o exílio. Simão vê Teresa, que pouco tempo mais tarde sucumbe de desgosto. Nove dias depois, doente, Simão acaba também ele por morrer também, e no momento em que vão lançar o corpo ao mar, Mariana, filha do ferreiro, lança-se ao mar.
À semelhança dos regimes nacional-socialista e fascista de Hitler, Mussolini e Francisco Franco, que o Estado Novo minimizava através da máquina de propaganda liderada por António Ferro, o cinema foi desde logo considerado como um instrumento fundamental de propagação do regime, uma forma de transmissão directa ao povo dos conceitos e imagens sobre os quais assentavam os pilares da sua ideologia.
É então neste contexto que o filme tem que ser interpretado e inserida a narrativa. António Lopes Ribeiro era aplicado de “cineasta do regime”, numa forte ligação com o Estado Novo, que transparece noutras obras de entre as quais A Exposição do Mundo Português (1942), ou até mesmo São Tomé e Príncipe (1942), O Pai Tirano (1941).

A actividade primordial do realizador continuou a ser o documentário, rodando Angola, uma Nova Lusitânia (1944), Gentes Que Nós Civilizámos (1944), A Morte e a Vida do Eng. Duarte Pacheco (1944), Inauguração do Estádio Nacional (1944), Viagem de Sua Iminência o Cardeal Patriarca de Lisboa (1944), As Ilhas Crioulas de Cabo Verde (1945) e Manifestação a Carmona e Salazar pela Paz Portuguesa (1945).

A última longa-metragem de Lopes Ribeiro foi a adaptação do romance de Eça de Queiroz O Primo Basílio (1959) e provou, apesar duma cuidada planificação, a dificuldade de passar as obras do escritor realista a outro meio. O filme passou despercebido e a crítica de órgãos de informação "menos oficiais" foi severa, considerando-o absolutamente falhado.

Sobre o filme, Amor de Perdição, Augusto Fraga no jornal O Século escreveu: “São António Vilar e Igrejas Caeiro, quanto a nós, as duas grandes afirmações do filme, que se pode considerar um excelente mostruário de valores humanos do cinema português.”


ESTEREÓTIPOS E CLICHÉS
Amor de Perdição resume-se a uma verdadeira história de amor, envolta nos mais diversos estereótipos e clichés que comportam uma conotação pejorativa, o amor eterno e impossível entre Teresa e Simão (o galã, forte e honroso que cumpre a sua promessa de sempre amar Teresa e de lhe ser até sempre fiel), que ultrapassa todas e quais queres barreiras, a distância, a disputa entre famílias, até mesmo a morte.
O triângulo amoroso, que envolve Simão, Mariana (personificação da mulher enquanto um ser inferior, fraco, apaixonado que sucumbe ao amor impossível) e Teresa.
As famílias que se odeiam, o rico e o pobre, os amores impossíveis…
GÉNERO FÍLMICO


Amor de Perdição pode ser classificado como um género de filme dramático, em que toda a história se baseia nos amores impossíveis entre os protagonistas, a morte dos mesmos por amor, numa fuga ao de sempre ‘final feliz’.
CÓDIGO CINEMATOGRÁFICO
O início da cena, o diálogo entre Mariana e Simão, torna-se numa sucessão de planos, entre Mariana e Simão.




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