Amor de Aluguel Heart-throb for hire Miranda Lee Qual seria o preço de uma noite de amor?



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Encontro11.09.2017
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CAPÍTULO X

Kate entrou no quarto de hóspedes no meio da madrugada. Fechou a porta tão silen­ciosamente quanto suas mãos trêmulas permitiam, e depois encostou-se nela. Parecia temer que o ruído de seu coração, que batia descontrolado, pudesse acordar Roy.

"O que estou fazendo aqui?", perguntou-se depois de al­guns segundos. Estava gelada de medo. Mas, no fundo, sabia o que a levara até lá. A resposta estava na cama, dormindo.

Não conseguira adormecer. No começo rolara na cama, ouvindo o barulho do chuveiro no qual Roy tomava banho. Quando, finalmente, ouviu a porta do banheiro abrir-se, resolveu ela mesma tomar um banho quente, mas aquilo só piorou a situação. Enxergar o próprio corpo nu lhe des­pertou desejos que nunca tivera.

Desejo, quente e forte, era tudo o que corria por sua veias, paralisando sua mente e fazendo sua imaginação via­jar por lugares até então desconhecidos. Deixou de se im­portar com os exageros de Roy. Ou com suas mentiras. Ele parecia desejá-la, e isso era tudo que importava.

Quanto a seus próprios sentimentos... Kate era inexpe­riente demais a respeito de homens e relacionamentos para saber se o que sentia por Roy era simples atração sexual ou algo mais.

Tudo o que sabia era que seus sentimentos eram fortes o bastante para impeli-la a fazer o que ele pedira: tomar a iniciativa.

Mas agora, encostada àquela porta, vestindo apenas uma minúscula camisola vermelha, sentia que sua coragem ia sumindo. Na verdade, já não tinha coragem alguma.

Por mais poderoso que fosse seu desejo, o medo de falhar e ser rejeitada mais uma vez era maior.

O que a fizera chegar àquela situação? Devia estar louca! Talvez conseguisse sair tão sorrateiramente quanto entra­ra... Sua mão alcançou a maçaneta. Kate começou a girá-la lentamente.

— Se sair agora — advertiu uma voz grave —, nunca mais vou falar com você.

Kate prendeu a respiração.

— Eu... eu... pensei que você estivesse dormindo — sus­surrou, trêmula.

Ele se moveu, iluminado pelo luar que penetrava no apo­sento. Ao virar-se, o cobertor escorregou e revelou seu peito nu. Apoiou-se no cotovelo e procurou o relógio de pulso na cabeceira da cama.

— Já é bem tarde. Mas eu tenho o sono leve. Será que você veio para um encontro furtivo no meio da noite?

Kate ficou irritada com o sarcasmo.

— Sabe muito bem por que vim.

— Espero que sim. — Levantou o cobertor, convidando-a a juntar-se a ele, e deixou à mostra o corpo nu. Kate ficou paralisada. — Venha, garota. Antes que eu congele.

Engasgada, ela começou a mover-se na direção da cama. Praticamente jogou-se embaixo dos lençóis, de tão nervosa que estava. Depois começou a tremer incontrolavelmente.

— Ei! — Roy disse, acariciando-lhe o cabelo. — O que há? Não está com tanto frio assim, está?

— Não. Estou aterrorizada.

Ele abraçou-a apertado, confortando-a. Depois ajeitou o travesseiro e lançou-lhe um olhar compreensivo.

— Não há motivo para ficar nervosa — disse, beijando-a suavemente na boca. — Nós, gigolôs, sabemos agradar uma mulher.

Kate sentiu que corava.

— Precisava me lembrar disso?

— Por que não? Isso não a excita?

— Não mais...

— Vou cuidar de você, moça.

Ela não sabia ao certo o que estava sentindo, e continuava apavorada diante da perspectiva de fazer papel de boba.

— Sabe, ainda tenho dificuldade em acreditar que você me deseja. Além disso... faz muito tempo que não faço isso. Na verdade...

Roy virou-se na cama, acariciando-a entre as coxas enquanto sua boca encontrava a dela. Kate podia sentir ondas de prazer aproximando-se com uma força que ja­mais imaginara.

— Eu já disse, não se preocupe — ele murmurou. — Deixe tudo por minha conta. Além disso... também faz muito tempo que eu não faço amor.

— Acho difícil acreditar.

— Nos últimos meses, tudo o que fiz foi trabalhar, mas agora quero esquecer isso.

Num gesto rápido, jogou as cobertas no chão. Ao contem­plar o belo corpo masculino, Kate esqueceu o frio. Na ver­dade, queimava no fogo do desejo.

Ele a segurou pelas pernas, fazendo-lhe carícias, excitando-a ainda mais. A respiração de Kate estava entrecor­tada, e sua pulsação aumentava a cada segundo.

Roy começou a tirar-lhe a camisola. Seus lábios percor­reram o pescoço de Kate, descendo lentamente para o colo e, finalmente, detiveram-se nos seios. Mordiscou suavemen­te um mamilo, depois o outro, e começou a sugá-los devagar. Kate sentia vontade de gritar, e seus quadris agitavam-se como se estivesse no meio de um terremoto. O que mais podia acontecer? Aquilo era o prazer supremo!

Suas mãos acariciavam as costas, o peito e as coxas dele, sem parar por um segundo. Que sensação incrível tocar aquele corpo perfeito!

Então Roy empreendeu uma viagem lenta e sensual pelo corpo feminino, beijando e sugando cada centímetro. Kate entregava-se, entorpecida. Descobriu o máximo do prazer quando ele tocou-a mais intimamente. Tudo o que imaginara até aquele momento não podia ser comparado à sensação que Roy lhe proporcionou com os lábios e a língua experientes.

— Não pare — gemeu quando ele beijou-a no ventre, segurando-a pelos quadris. A língua viril foi descendo ver­tiginosamente, passando ao lado da virilha e subindo outra vez, muito lentamente. No meio dessa trilha de prazer, Roy distribuía beijos suaves.

Com mãos ágeis, ele jogou longe a camisola. A visão do corpo perfeito, iluminado pela pálida luz do luar, pro­vocou um gemido de prazer em Roy, que parou por um momento para admirá-la. Sorriu ao notar que Kate pro­testava débilmente contra a interrupção, murmurando sú­plicas desconexas.

— Mais... mais, por favor...

— Você é linda — ele murmurou, enquanto acariciava-lhe as coxas com suavidade. — Vou ter muito prazer a seu lado. Mas hoje você vem em primeiro lugar...

Ao dizer isso, Roy afastou suavemente as pernas de Kate, e seus lábios voltaram a distribuir beijos, primeiro nos seios, depois no ventre... Ela conteve um suspiro quando Roy fi­nalmente posicionou a cabeça entre suas pernas. Sentia os movimentos da língua ávida na parte interna da coxa, até atingir a parte mais íntima. Sim, aquele homem conseguia enlouquecê-la.

Subitamente sua respiração ficou suspensa e uma explo­são de luzes pareceu surgir diante de seus olhos. Um grito abafado saiu-lhe dos lábios, fazendo seu corpo arquear-se e agitar-se. Quando ela, finalmente, conseguiu relaxar, pa­recia que um furacão passara por seu corpo. Estava exausta e confusa.

Roy abraçou-a com força, os olhos brilhando. Quando ela tentou falar, interrompeu-a colocando suavemente um dedo sobre seus lábios.

— Quieta, por favor. Isso foi só o começo. Mulheres são criaturas inacreditáveis. Podem ter muitos orgasmos numa só noite, sabia?

Ela balançou a cabeça negativamente. Não sabia quase nada sobre sexo.

— Melhor continuar logo com isso. — ele disse com um sorriso sedutor. — Você parece cansada, mas quero deixá-la exausta...

Kate ficou apavorada ante a perspectiva de sentir algo ainda mais forte. Seria isso possível? Agüentaria todo aquele prazer? A simples idéia a fez prender a respiração.

Roy beijou-a no rosto e, virando-se, apanhou algo que estava na gaveta do criado-mudo. Voltou rapidamente com um envelope plástico entre os dedos.

Kate observava, curiosa, enquanto ele abria o envelope do preservativo e o colocava.

— Pare de olhar desse jeito. Acaso nunca viu uma camisinha?

Ela engoliu em seco.

— Na verdade não. Quer dizer, não igual a essa.

— Será que estamos falando da mesma coisa? — Ele piscou, sorrindo insinuante.

— A... acho que não...

— Você realmente me faz bem, Kate. Faz tão bem que a quero agora, nesse momento. Venha cá. — murmurou, puxando-a para junto de seu corpo. — Você está me deixando louco. Louco de paixão!

Kate entregou-se completamente ao beijo, esquecendo-se do cansaço. Tudo em que podia pensar era que queria mais e mais...

Sentiu o corpo dele insinuando-se entre suas coxas, preparando-a para a penetração. Experimentou uma dorzinha estranha e soltou um pequeno grito. Ofegando, ele parou. Os olhos azuis a encaravam com espanto.

Kate imaginou que devia tê-lo ferido. Como era tola! O pior de tudo é que sua inexperiência a impedia de saber o que tinha saído errado.

— Você é virgem! — ele exclamou, chocado. Kate virou a cabeça, envergonhada. — Diabos — murmurou, sentan­do-se na beira da cama e puxando um robe que estava na cadeira ao lado. Voltou-se para encará-la, e seu rosto mos­trava nervosismo. — Por que não me contou?

— Eu... eu pensei que você soubesse.

— Como eu poderia saber? Imaginei que não dormisse com ninguém desde a universidade, quando teve aquela ex­periência ruim. Nem por um instante considerei que fosse virgem!

— Isso... faz diferença? — ela perguntou num fio de voz.

Roy deitou-se a seu lado e segurou-a pela mão.

— Claro que faz diferença. Se eu soubesse, teria sido mais cuidadoso. — Kate ficou espantada ao notar que ele corava, embaraçado. — Desculpe, querida.

— Mas foi maravilhoso! — ela disse, emocionada. — E quero terminar o que começamos.

Ele levantou-se de um salto.

— Ah, não. De jeito nenhum.

Lágrimas saíram dos olhos dela.

— Você não me quer mais?

— É claro que quero você.

Kate sentou-se, depois de apanhar a camisola do chão, e começou a vesti-la.

— Tudo bem, eu entendo. Não quer perder seu tempo com uma virgenzinha.

— Está enganada, moça.

— Então, por que parou? — Lágrimas voltaram a rolar por seu rosto.

— Querida, acha que conseguiria ter prazer se eu fosse até o fim? Acha que a dor iria, de alguma forma, transfor­mar-se em prazer? — Encarou-a com olhos cheios de ter­nura. — Isso é tolice. Uma tolice romântica, mas uma tolice. Provavelmente iria acabar pensando que fazer sexo era uma coisa horrível.

— Eu...

— A primeira vez requer muita paciência e experiência por parte do homem. Eu simplesmente não estava preparado para isso. Mas estarei na próxima vez.



Os olhos dela faiscaram.

— Verdade? E quando, exatamente, vai ser a próxima vez? Vou ter que tomar a iniciativa de novo?

Ele sorriu.

— Está zangada comigo.

— Pode estar certo disso.

— Pois não devia. Divertiu-se muito mais do que eu.

— Você me embaraça falando assim.

Roy levantou-a, abraçando-a com ternura.

— Quando eu terminar o que comecei, você não vai achar nada embaraçoso. Agora saia da minha cama antes que eu mude de idéia e faça algo de que possa me arrepender.

— Até parece que se arrepende de alguma coisa!

O riso grave de Roy ecoou pelo quarto.

Você é quem vai se arrepender se continuar a falar tão alto. Ou será que seus pais têm sono pesado?

Kate gelou. Felizmente o quarto dos pais ficava no outro extremo do corredor.

— Essa é outra razão pela qual não quero fazer nada hoje à noite. — Roy disse, segurando-a com gentileza nos ombros. — Não quero ter que sussurrar. Acho que não de­vemos agir furtivamente para fazer amor de verdade. Pro­meto que vai ser bom. Muito melhor do que pode imaginar. Confie em mim.

Naquele momento ela reparou na promessa erótica que brilhava nos olhos dele, achando-a tão excitante quanto o calor que sentia em todo o corpo.

— Me dê um beijo de boa-noite. — ela sussurrou.




CAPÍTULO XI

No dia seguinte, Kate esforçou-se para não demonstrar a frustração. Não conseguia olhar para Roy sem pensar no que acontecera durante a noite, sem lembrar aqueles momentos incríveis. Apesar do desfecho inesperado, tudo fora maravilhoso. Além disso, ele dissera que o melhor ainda estava por vir.

Notou com surpresa que toda a família parecia realmente impressionada com seu novo estilo. Seus irmãos comenta­ram que estava mais alegre e relaxada. Kate sentia-se muito alegre, é claro, apesar de um pouco frustrada. Mas... rela­xada? Oh, não. Não mesmo.

Não conseguia saber exatamente o que sentia por Roy. Seu bom senso lhe dizia que não podia estar apaixonada. Nunca acreditara em amor à primeira vista. Talvez fosse só luxúria à primeira vista. Isso ela podia aceitar.

Roy não era somente bonito, um "pedaço de homem" como sua mãe dissera. Também era diferente de qualquer outro que ela conhecera. Comportava-se de maneira sempre irre­verente, o que a surpreendia. Era um verdadeiro homem. Forte, decidido e muito, muito sexy.

Esse fato, na verdade, era o que a atormentava. Não podia olhar para ele sem pensar em sexo, sem experimentar uma vertigem profunda.

E, ainda que tivesse chegado ao ponto de ser considerada uma "mulher normal", como diria Estelle, estava também desapontada consigo mesma. Sempre sonhara com um amor verdadeiro, diferente daquela atração física que sentia por Roy.

Mas um amor verdadeiro era uma coisa muito distante naquele momento. Só conseguia pensar em Roy deitado na­quela cama, iluminado pela pálida luz do luar.

Depois de se despedir rapidamente de todos, Kate entrou no carro e suspirou aliviada assim que a Mercedes fez a primeira curva, partindo rumo a Sídnei.

— Estou feliz que tudo tenha terminado. Obrigada por ter sido amável e simpático com minha família.

— Não foi nenhum sacrifício. Gostei deles.

— E eles gostaram de você. Principalmente meus irmãos. Mas você também fez muito sucesso com as mulheres, in­clusive com mamãe.

— Oh, que bom! Gostei muito de Alice, apesar de ela não estar completamente convencida sobre minhas inten­ções em relação à filhinha predileta.

— É mesmo? O que ela disse?

— Nada muito específico, apenas algumas recomendações.

— Também fez algumas para mim.

— Ah... atacou por todos os flancos. O que ela lhe falou?

— Para tomar cuidado com você.

Roy ergueu as sobrancelhas.

— Cuidado em que sentido?

— Você sabe... no sentido sexual.

— O que andou dizendo para sua mãe?

Kate ficou frustrada com o súbito nervosismo dele.

— Na verdade, acho que ela está preocupada comigo. Tenho a impressão de que mamãe acha que vou perder a cabeça por você. Sabe que tenho pouca experiência com os homens.

— Um defeito que você está prestes a remediar. — ele comentou, divertido.

A brincadeira provocou uma reação rápida em Kate.

— E o que há de errado nisso? Devia estar orgulhoso por transformar a velha Kate numa mulher apresentável. Fazendo-a sentir como se quisesse arrancar as roupas de um homem quando o vê.

Roy olhou-a de relance, e sua expressão era irônica.

— Mas que lisonjeiro! E isso é tudo o que quer de mim? Sexo?

— Está dizendo que quer mais do que isso de mim? — ela perguntou, cautelosa.

— Talvez.

Os olhos dela fecharam-se. Até aquele momento não ima­ginara aquilo possível. Tentara convencer-se de que tudo o que sentia por ele era luxúria, mas no fundo sabia que essa idéia era apenas tolice. Uma grande tolice.

— Mas provavelmente não. — ele completou secamente.

O abatimento dela foi imediato. Tinha realmente pensado que ele podia estar interessado? Que queria casar e ter filhos com ela? Provavelmente Roy não deixaria a vida de solteiro por nada. Podia dormir com quem quisesse sem ter que assumir nenhum compromisso.

— Então não vamos mais fingir que existe algo entre nós. — ela determinou com firmeza.

— O que quer dizer?

— Quero dizer que você está precisando de uma mulher e eu de um homem. Só isso.

— Quanta honestidade! Tiro meu chapéu. Você progrediu muito em uma semana! — O tom era cínico. — Certo. Vamos ser objetivos. Então, quando vai ser o grande dia? Que tal sexta à noite? Ou será que é um dia inconveniente?

— O que quer dizer com... "inconveniente"?

— Não precisa ficar envergonhada quando fala nesse as­sunto. Prometi que tudo seria perfeito na próxima vez. E costumo cumprir minhas promessas. Hoje, quando chegar­mos, estaremos muito cansados, e para fazer sexo não se pode estar cansado...

O rosto dele continuava impassível. Kate reparou que Roy olhava somente para a estrada, sem desviar a atenção um instante sequer.

— Nesta semana, estarei muito ocupado, preparando a festa de inauguração das academias, que vai acontecer no sábado. Mas vou reservar a noite de sexta para descanso e recreação. Portanto, se não houver nenhum inconveniente para você...

Kate tentou não se irritar, mesmo quando Roy descreveu a noite de sexta, que pretendia passar com ela, como sendo de "descanso e recreação".

— Não, não há nenhum inconveniente.

— Ótimo. Então será na próxima sexta.

Os dois ficaram em silêncio. O sofrimento dela aumentava a cada minuto. Então, subitamente, Roy segurou-a pela mão, tendo no rosto um sorriso sincero e encabulado.

— Sinto muito. — ele disse. — Me perdoa?

O alívio de Kate foi enorme.

— Claro. Estou perdoada também?

— Não tem que pedir perdão por ser honesta. Eu agi como um tolo.

Ela permaneceu calada. "Não espere por coisas que podem não acontecer", pensou. "Aproveite o momento. Mesmo que seja apenas sexo, estaremos juntos na noite de sexta, e então...”.

— Que tal um pouco de música? — ela sugeriu, ligando o rádio em seguida. Escutaram baladas que falavam de amores perdidos, permanecendo em silêncio por um longo tempo.

Na manhã seguinte, Kate estava em seu escritório, per­dida em pensamentos, quando Estelle irrompeu pela porta.

— Trouxe algo para você. — ela disse em tom de mistério.

Kate ergueu a cabeça.

— Oh... o quê?

— Surpresa! — a garota exclamou, estendendo-lhe um pôster enrolado.

Kate ficou boquiaberta. Era o pôster de Roy!

— E então? — Estelle estava sorrindo. — Vai colocá-lo na parede de seu quarto ou usar aqui mesmo no escritório?

Kate continuava olhando para o pôster, espantada. Sabia que Roy era bonito, mas aquilo não era apenas beleza. Era a perfeição masculina!

— Chefe? — Estelle disse, passando a mão na frente do rosto de Kate. — Ainda está aí?

Um sorriso desajeitado foi à resposta.

— Acho que é melhor colocar isso numa gaveta, não acha?

— Deve estar brincando! — Estelle riu. — Isso seria um sacrilégio. Bem, se você não quer, vou pendurá-lo na cafeteria. As outras garotas vão...

Kate interrompeu-a batendo na mesa.

— Oh, não, você não ousaria. Pelo menos se quiser con­tinuar trabalhando comigo.

Estelle sorriu.

— Claro, chefe. Bem, como vai indo nosso esportista pre­dileto? Levou-o para casa no final de semana?

— Claro que não. — Kate negou bruscamente, virando-se para a tela do computador.

— Acho que foi melhor.

— O que quer dizer com isso?

Um amigo meu, que conhece Roy, disse que ele é um conquistador incorrigível. Sai com as garotas e depois as descarta. Nunca duram mais de uma semana. Não deve levá-lo muito a sério, para não se machucar depois.

Kate olhou mais uma vez para o pôster, imaginando que Estelle podia mesmo ter razão. Obviamente muitas mulhe­res se interessavam por Roy. Mas, por um momento, aca­lentou a esperança de que talvez ele ainda não tivesse acha­do a garota certa.

— Não vai mais sair com ele, vai? — Estelle perguntou com uma ponta de preocupação.

— Talvez. — Kate respondeu com sinceridade. — Mas não se preocupe, não vou levá-lo a sério. Agora, que tal pegar uma caneca de café para mim? Tenho muito trabalho acumulado e preciso estar bem desperta.

Logo que Estelle saiu da sala, ela deu uma última olhada no pôster e depois o enrolou, jogando-o numa das gavetas.

Considerou mais uma vez a possibilidade de Roy não ter encontrado a mulher certa. Seria ela essa mulher? Fosse como fosse, melhor não alimentar fantasias, pois esse seria o caminho mais rápido para a desilusão.

A sexta feira amanheceu cinzenta, mas o tempo melhorou à tarde. Roy telefonara na noite anterior, para confirmar o encontro. Ela ficara surpresa ao constatar a frieza em sua voz. Talvez ele já estivesse arrependido do que prometera.

Mas, agora que o dia marcado chegara, ela não estava deprimida. Ao contrário. Naquela noite teria Roy em seus braços novamente, poderia beijá-lo outra vez. Naquela noite fariam amor de verdade.

Kate deixou o trabalho por volta das cinco e meia, per­correndo a pé o trajeto que separava seu escritório do apar­tamento dele. Roy se oferecera para apanhá-la pessoalmen­te, mas ela recusara, dizendo que preferia ir sozinha.

Estava um pouco nervosa quando cruzou as portas de vidro do edifício e caminhou até a recepção, mas tentou aparentar calma.

Depois de ser anunciada, caminhou até os elevadores e apertou o botão de chamada. Um executivo, segurando uma pasta de couro negra como a dela, esperava pelo elevador também. Ao vê-la, examinou-a de cima a baixo com um olhar curioso.

Ela ficou imaginando se o homem era um morador. Talvez soubesse o que Kate estava fazendo lá. Ou será que ficara atraído? Não era possível. Voltara a usar as mesmas roupas sérias de sempre. Naquele dia o único toque diferente era um pouco de maquiagem discreta e um toque de perfume.

Decidira vestir-se daquele jeito por não conseguir enxer­gar nenhum bom motivo para fingir ser alguém que na realidade não era.

Certo, fora divertido chocar sua família no final de se­mana, mostrar que podia ser diferente. Mas era só isso.

O elevador finalmente chegou, e poucos minutos depois Kate estava batendo no apartamento de cobertura. A porta abriu-se e Roy lançou-lhe um olhar penetrante.

— Não demorou muito tempo para voltar aos velhos há­bitos, não é? — murmurou, com um sorriso sarcástico nos lábios.

— Nem você — ela replicou, ríspida. — Ou será que sempre recebe suas amigas vestindo apenas um robe?

Uma expressão de raiva começou a formar-se em seu rosto, mas ele conseguiu se controlar, abrindo o robe para mostrar que vestia um calção de banho.

— Estive nadando. É muito relaxante. Devia tentar qual­quer dia desses.

— Talvez eu tente. — ela disse ao entrar. Depois colocou a maleta num móvel que ficava perto da entrada.

A noite não tinha começado muito bem. Kate ficou, por­tanto, espantada quando reparou que Roy a encarava com uma estranha expressão no olhar. Ele suspirou e deu de ombros.

— Acho que mereço isso, depois de tratar as mulheres mal por tanto tempo. — ele murmurou. — Mas, droga, não podíamos esquecer os problemas hoje? Ou pelo menos tentar?

— Por que diz isso? Eu sou assim. Não me quer do jeito que sou?

— Eu podia dizer o mesmo. Já houve muitas mulheres que me desejaram. Mas não era o verdadeiro Roy que elas queriam... queriam o herói do futebol, a celebridade.

— Eu não sabia de nada disso na primeira vez que vi você. — ela se defendeu.

— Mas agora você sabe, não é?

— Ouvi algumas histórias...

— Antes ou depois que me contratou para o final de semana?

Ela corou violentamente.

— Sabe que não foi assim. Você me enganou.

— E mesmo? — A risada dele foi seca. — Bem, talvez eu tenha feito isso. Mas, seja como for, dá no mesmo. Além disso, quem sou eu para desapontá-la? Venha... — E, tomando-a pela mão, caminhou para a escada que ficava do lado direito da grande sala.

Kate até pensou em continuar a discussão, mas desistiu ao notar o sorriso franco de Roy. Ele estava certo, não es­tava? Continuar a discutir seria um sinal de hipocrisia. Ela realmente se encontrava ali porque o desejava fisicamente, nada mais. E concordara com aquele encontro mesmo sa­bendo que tudo o que ele queria era sexo.

Ao menos deixara claro que sabia que ele a descartaria depois de levá-la para a cama. Assim a separação não cau­saria tanta dor.

— Se quer mesmo realizar todas as suas fantasias, tem que prometer que vai fazer o que eu disser. Sem inventar desculpas.

— Eu... — Kate engoliu em seco. Com certeza ele não estava falando de... certas práticas... estava?

— Kate? — Ele segurou-a pelo ombro, fazendo-a perceber que tinha ficado parada na escada.

— Estou indo — ela disse, vencendo os últimos degraus que a separavam do topo.

Quando chegou, mal acreditou no que viu. Diante de seus olhos estava um aposento dominado por uma grande piscina coberta, decorado como as antigas casas de banho romanas. Era extraordinário. Num espaço parecido com um terraço havia cadeiras e uma mesa, colocadas defronte a uma janela panorâmica.

Tudo era maravilhoso. Havia um candelabro, louças e copos de cristal. Num vaso de vidro transparente, no centro da mesa, repousava um solitário botão de rosa vermelho.

Ela avançou para olhar tudo de perto. Primeiro a mesa, depois a vista. Já estava começando a escurecer e as luzes da cidade iam sendo, pouco a pouco, acesas. Era uma visão gloriosa.

— Gostou? — Roy perguntou suavemente, juntando-se a ela.

Kate virou-se para encará-lo, ainda estupefata. Toy devia gostar muito dela para ter todo aquele trabalho. Ou será que seu jogo de sedução era sempre o mesmo?

— E muito... romântico. — ela disse, tentando aparentar indiferença.

Ele riu.

— E eu que pensava que você gostasse de um pouco de romance. Que tolice a minha!

— Mas eu gosto! — ela exclamou, sentindo que fora pouco cortês.

— Espero que sim — ele disparou num tom frio. — Se preferir, podemos mandar servir o jantar dentro de uma hora. Enquanto isso, acho que gostaria de relaxar na piscina. E antes que diga que não trouxe roupa de banho, aviso que não quero que você use nada. Agora deixe-me mostrar-lhe o vestiário. Poderá deixar suas roupas lá. Há um robe pen­durado atrás da porta, caso você queira vestir algo.



Se queria vestir algo? Aquele homem devia estar louco se achava que ela ficaria caminhando nua por ali. O que aconteceria quando viessem servir o jantar? Já seria em­baraçoso o suficiente estar vestindo apenas um robe. Ela encolheu os ombros. Definitivamente não estava acostuma­da àquele estilo de vida. Sentia-se muito inibida.

— Roy, eu... — A voz dela pareceu murchar diante do olhar de reprovação. — Deixa pra lá.

— Assim é que se fala.

Kate tomou um banho e colocou o robe vermelho. O mo­mento chegara, e não podia mais adiá-lo.

Quando saiu, Roy estava sentado numa das espreguiça­deiras ao lado da piscina, batendo um dos pés na água. Ele já se livrara do robe, mas continuava vestindo o calção de banho, e isso a impediu de atirar-se sobre aquele corpo excitante.

— Ah, finalmente a princesa chegou! Pensei que tivesse desistido na última hora.

Como se ela pudesse desistir...

— Entre na água. Não precisa ter medo do frio. A piscina é aquecida.

Kate estava no lado oposto da piscina, mas a visão do corpo de Roy parecia atraí-la. Sabia que precisava apressar as coisas. Então lançou-lhe um olhar desafiador, ergueu o queixo e deixou o robe deslizar, revelando o corpo nu. Depois mergulhou graciosamente na água.

Quando voltou à tona, ouviu Roy batendo palmas.

— Bravo! Por um momento achei que não fosse mergulhar.

— E perder a chance da minha vida? Vamos lá, acha que sou alguma tola?

O contra-ataque fez faiscarem os belos olhos azuis. Ele levantou-se de um salto, tirando o calção de banho e mer­gulhando também. Kate queria fugir, mas ele, muito forte e rápido, agarrou-a.

— Sim — ele retrucou enquanto a encarava. — Você é uma tola. Podia ter muito mais do que imagina. Mas, se é só isso que quer, é isso que vai ter. — E, sem que ela pudesse reagir, beijou-a com paixão.

Kate nem pensou em resistir. Envolveu-o num abraço forte, aproximando o corpo dele do seu, que tremia incon-trolavelmente de desejo.

Ele gemeu enquanto suas mãos agarravam-lhe os quadris e a erguiam. Quando sentiu-se flutuando, Kate prendeu as pernas nos quadris de Roy e ofereceu os seios para a boca mágica.

Roy não a desapontou. Logo ela estava de olhos fechados, exultante, entregue aos estranhos sentimentos que toma­vam conta de seu corpo. O prazer era tão grande que não deixava lugar para medos ou dúvidas.

Sentia-se viva com os carinhos e os beijos de Roy. Não desejava outra coisa no mundo. Ele lhe mordiscava os ma­milos lentamente, e depois fazia com que a boca parecesse engolir um dos seios. Kate gemia. Não queria que ele pa­rasse. Nunca mais. Desejava intensamente ser possuída. De forma completa.

Suspirando, e erguendo-se nos ombros dele, posicionou-se para que ele a penetrasse.

— Não. — ele murmurou. — Não faça isso.

— Mas eu quero!

— Ainda não. E muito cedo.

— Não é, não! — A voz demonstrava angústia. Abraçando-o, começou a beijar-lhe o pescoço com paixão, percorrendo com os lábios a pele máscula.

— Diabos...

Qualquer resistência seria inútil. Ele gemeu de desejo antes de fazer o que Kate pedia, e depois penetrou-a pro­fundamente. Ela soltou um grito de prazer e ajudou-o, mes­mo depois da penetração, com movimentos frenéticos.

— Não estou machucando você, estou? — ele sussurrou.

Ela balançou a cabeça negativamente.

— Não. Isso... isso... é fantástico!

O sorriso dele era de satisfação.

— Concordo.

— Faça amor comigo, Roy. — ela sussurrou, beijando-lhe a nuca lenta e sedutoramente.

— É o que pretendo. Mas vai ser melhor, e mais confor­tável, se sairmos da piscina e formos para meu quarto.

Uma escada que invadia a piscina permitiu que ele saísse de lá, carregando Kate, sem que seus corpos se soltassem. O rosto feminino incendiava-se a cada passo. Kate inclinou a cabeça para trás e seus olhos se fecharam. Queria expe­rimentar todas as sensações que aquele homem proporcio­nava. Queria sentir tudo. Sua cabeça girava.

Ouviu uma porta sendo aberta e, quando finalmente abriu os olhos, estava no quarto de Roy. Decorado em tons de azul, com quadros sensuais na parede acima da cabeceira da cama, o ambiente tinha luzes suaves e indiretas, que escapavam do teto.

— Não... esquecemos de nada? — ela perguntou, trêmula.

Os olhos dele brilharam, e em sua boca formou-se um sorriso incrivelmente sexy.

— Desculpe, querida, mas você insistiu... Vou cuidar disso agora.

Com movimentos ágeis colocou o preservativo, e depois voltou a acariciá-la. Primeiro beijou-lhe os seios, depois o ventre, os quadris. A língua insinuava-se por todo o corpo dela, provocando ondas de prazer intensas, como Kate ja­mais conseguira imaginar. Ela nem se dava ao trabalho de conter os gemidos que escapavam-lhe dos lábios. Tudo em que conseguia pensar era em seus corpos molhados, unidos, quentes.

A língua experiente de Roy continuou trabalhando por algum tempo, preparando-a, excitando-a. Quando, finalmen­te, ele a penetrou pela segunda vez, Kate não sentiu um só traço de dor. Os movimentos de ambos foram tornando-se mais frenéticos a cada segundo. Rolavam e alternavam po­sições, mas os beijos não cessavam, cada vez mais doces.

O orgasmo de Kate foi muito mais intenso do que aquele que experimentara na semana anterior. Chegou a outro clí­max juntamente com Roy, apenas alguns momentos depois. Era gratificante sentir o prazer que provocava nele.

Finalmente, exaustos, ficaram juntos, unidos por um abraço apertado. Kate sentia uma felicidade que jamais experimentara.

Aquele tinha sido seu primeiro homem, e sua primeira noite de amor. E ela amara com todo o seu coração.




CAPÍTULO XII

A noite de sexta-feira foi mágica. Pura mágica. O jantar, o champanhe, tudo remetia Kate para um mundo onde as fantasias se transformavam em realidade, uma realidade muito diferente daquela que as pessoas, vinte andares abaixo, poderiam imaginar.

Por volta da meia-noite ela e Roy estavam na varanda, bebendo a última taça de champanhe e apreciando a vista.

— Não quero que essa noite acabe nunca. — ela sussurrou.

O braço dele a envolveu e Kate deixou a cabeça repousar em seu ombro.

— Durma aqui.

— Não. Você precisa descansar. Vai ter um dia puxado amanhã.

— Você quer dizer hoje? — Ele pegou a garrafa vazia e colocou-a sobre a mesa. — Prometa que vai à festa comigo.

Ela sorriu suavemente.

— Prometo qualquer coisa.

Kate ficou satisfeita pela reação que seu comentário pro­vocou. Roy a abraçou mais apertado. O bastante para que, atônita, ela percebesse que ele a queria outra vez.

— Promete mesmo? Bem, talvez eu consiga mais algumas promessas se fizer a coisa certa.

As mãos selvagens abriram-lhe o robe e deixaram os seios expostos ao frio ar da noite e à boca quente. Kate logo tornou a ficar excitada. Arqueou o corpo, jogando a cabeça para trás, e seu cabelo solto esbarrou na garrafa sobre a mesa, fazendo-a cair.

— Vai precisar quebrar mais do que uma garrafa antes que terminemos, Kate Reynolds. — ele avisou e, tomando-a nos braços, carregou-a até a cama, onde fizeram amor mais uma vez.

Depois que tudo acabou, e vendo Roy deitado a seu lado, exausto, Kate começou a massageá-lo nas costas. Os mo­vimentos leves e sensuais de seus dedos aos poucos foram descendo para as pernas, os braços, os quadris. Como era maravilhoso sentir aquele corpo perfeito!

Roy rolou na cama depois de algum tempo, com um sorriso.

— Meu Deus, Kate, está tentando me matar?

— Pensei a mesma coisa sobre você mais cedo. — ela replicou, também sorrindo.

O rosto dele ficou subitamente abatido.

— Acho que fui um pouco rude. Desculpe.

— Por quê? Adorei cada momento. — Rolando por sobre o corpo masculino, beijou-o suavemente na boca. — Acho que você é o melhor amante do mundo.

— Obrigado. Era tudo o que eu queria ouvir.

— A maioria dos homens adoraria.

— Talvez eu esteja cansado desse tipo de coisa. Gostaria de encontrar uma mulher que não pensasse em mim como um apetitoso pedaço de carne.

Kate encarou-o com surpresa. Achava-o um homem ma­ravilhoso, gentil e delicado, mas forte e viril ao mesmo tem­po. Uma combinação perfeita. Arrependia-se por ter imagi­nado coisas tão cruéis e sórdidas a seu respeito.

— Talvez eu possa dizer uma coisa que você realmente quer ouvir. — ela disse, trêmula.

Roy olhou-a atentamente. Kate estendeu a mão, hesitan­te, e acariciou-o no rosto.

— Eu... eu amo você. — Sentiu que as palavras não pro­duziram, aparentemente, efeito algum. Ele simplesmente segurou-a pela mão e suspirou. — Você... não acredita em mim — ela balbuciou, sentando-se e soltando a mão.

— Querida, é um erro comum confundir sexo e amor. Muito comum, principalmente se a pessoa não tem muita experiência.

— Mas eu o amei desde a primeira vez que o vi!

— Aquilo foi pura atração sexual. Você ficou atraída, e não apaixonada.

— Bem, pode ser. Mas... mas eu amo você agora.

— Que bom.

— Que bom? — ela explodiu.

— Sim, bom — Roy confirmou, inalterado. — Agora deite e durma. Já é madrugada e vamos ficar exaustos amanhã se não dormirmos um pouco.

Cansada demais para discutir, Kate virou-se na cama, ficando de costas para Roy. Algum tempo depois sentiu os braços dele envolverem-na num abraço e viu-se perdida. Por que aquele homem não acreditava nela?

Tentou imaginar se ele tinha razão quando falara sobre sexo e amor, mas o cansaço acabou vencendo e ela caiu num sono profundo.

Não sabia que, a seu lado, as mesmas inquietações preo­cupavam Roy, só que mais profundamente. Algum tempo se passou antes que ele pudesse dormir.

Kate não se demorou na manhã seguinte. Achou emba­raçoso o fato de acordar nua na cama de Roy, e quis sair de lá o mais rápido possível. Ele não acreditava que era amado, achando-a inexperiente e ingênua. Sentia-se uma tola.

Roy chamou um táxi e acompanhou-a até o térreo. Ela não conseguiu encará-lo na hora de se despedir.

— Ainda quero que venha à festa. — ele insistiu. — Vou pegá-la às sete horas.

Kate não conseguiu dizer não, apesar de todas as suas dúvidas. Aquilo era amor ou apenas luxúria?

Quando chegou em casa, sentia-se ainda mais confusa.

— O que você acha, Pippa? — perguntou para o canarinho amarelo enquanto colocava ração e trocava a água da gaiola. — Amo aquele homem ou não?

Pippa soltou um pequeno trinado.

— Está dizendo sim? Nesse caso concordo com você. Mas Roy não pensa assim.

Suspirou. Se Roy não acreditava que ela o amava, por que parecera tão ávido quando fizera amor? Egocentrismo novamente? Ou será que havia outra explicação para isso?

O coração dela disparou quando uma idéia lhe veio à mente. Estaria ele ficando apaixonado? Seria possível que, milagrosamente, ela fosse à mulher especial que capturara aquele coração? Talvez aquilo explicasse os sentimentos con­fusos de Roy, o fato de achar que estava sendo usado apenas como objeto sexual.

Era difícil aceitar essa explicação. Era perfeita demais para que fosse verdade, mas não podia ser desprezada. Podia ter acontecido, não podia? Roy era capaz de amar, Kate tinha certeza disso.

De qualquer maneira, devia fazer o máximo para agra­dá-lo naquela noite. Escolheu cuidadosamente a roupa, ar­rumou o cabelo como ele gostava, maquiou-se e usou o per­fume. Todo esse trabalho valeu a pena quando, à noite, percebeu o sorriso satisfeito de Roy, que a examinou de alto a baixo, com um brilho de satisfação nos olhos azuis.

Ele próprio estava muito elegante, vestindo calças cin­zentas e uma camisa de seda listrada de cinza e azul sob o blêiser grafite. Estava com a barba feita e seus cabelos ondulados tinham sido penteados para trás, o que dera a seu rosto másculo um toque suave e simpático.

— Você está lindo!

— Obrigado. Achei que devesse ficar bonito para você.

— Prometo que tentarei me comportar direito, mas não tenho muita prática. Essa é apenas a segunda vez que saio com um homem.

— Ah, claro. Tenho certeza de que vai agradar — ele comentou de forma distante.

Infeliz consigo mesma, Kate apanhou a bolsa e as chaves, virando-se depois para encará-lo.

— Podemos ir?

— Claro.


Na descida do elevador não trocaram sequer uma palavra. Ao entrarem no carro, Roy virou-se para ela.

— Preciso lhe dizer algumas coisas. Meu sócio, Ned... — começou, hesitante. — Ele está paralítico, mas odeia que as pessoas o olhem com piedade. Por isso, quando o conhecer, aja com naturalidade.

— Pobre homem! Como aconteceu?

— Um acidente de carro, alguns meses atrás. Mas lem­bre-se, nada de fazer cara de pena, sim?

— Pode deixar. — Kate prometeu, admirando a preocu­pação dele com os sentimentos do amigo.

— Ah, outra coisa. — Roy continuou quando já estava com o carro em movimento. — Muitos repórteres estarão presentes, e vamos exibir os comerciais que fizemos. Acho que você já conhece o garoto-propaganda...

— Você, Roy? Fazendo o quê?

— Falando sobre exercícios físicos e malhação, você sabe. Precisavam de uma pessoa para vender uma imagem que associasse saúde, exercício, sensualidade... o de sempre.

Kate pensou no pôster que guardara na gaveta, em seu escritório, e chegou à conclusão de que os comerciais fariam muito sucesso.

— Vai estar vestido, dessa vez? — ela perguntou com um sorriso irônico.

— Pode acreditar que sim.

— Mas não muito, não é querido?

— Com roupas de ginástica... — ele murmurou sem notar a insinuação sarcástica na voz dela.

Cinco minutos depois estavam chegando a Paddington e estacionando em frente a um prédio parecido com um ar­mazém, todo pintado em tons de lilás e com listras diagonais na cor malva. Na fachada, um enorme luminoso de neon com o nome "Corpo Perfeito" piscava a intervalos regulares.

— Achou espalhafatoso, não foi? — Roy perguntou, an­sioso, ao desligar o motor.

— Sim, bem, é...

— Visível. — ele completou, resignado.

— Verdade.

— Isso atrai clientes.

— Não tenho dúvidas. — Lilás e malva juntos realmente chamavam a atenção...

— Se você ficar rindo quando estiver na festa. — ele ameaçou, brincando —, vai me pagar.

— Ah, é? Como?

— Posso pensar em algo. — ele murmurou, e, pegando-a pela mão, caminhou rapidamente na direção da escada.

O ambiente interno era sofisticado, decorado em tons cin­zentos, e estava repleto de pessoas bebendo e conversando.

— Finalmente vocês chegaram! — ecoou uma voz pro­funda, e um homem dirigiu-se até eles numa cadeira de rodas. Era muito bonito e exibia um sorriso simpático. — Esta deve ser Kate. — Estendeu a mão, cumprimentando-a. Depois puxou-a levemente e beijou-a no rosto. — Nunca perco a chance de beijar uma mulher bonita.

Apesar do bom humor dele, Kate sentiu pena do estado de Ned. Mas a pena transformou-se em curiosidade quando uma atraente morena aproximou-se sorrindo e segurou-o carinhosamente nos ombros.

— Está namorando de novo, Ned? — a morena o re­preendeu com afeto. — Oi, Roy. Esta é sua Kate? Olá, Kate. Sou Maria, esposa de Ned.

Kate estava impressionada com o charme e a beleza de Maria. Percebeu rapidamente que ela era muito devotada ao marido, um homem encantador, cheio de humor e muito esperto.

— Já exibimos os comerciais uma vez, Roy. — Ned co­mentou. — Todos acharam muito bom. Você estava ótimo. Não sei por que ficou preocupado. Já viu os comerciais, Kate?

— Não, mas adoraria. — Roy dirigiu-lhe um olhar pe­netrante, mas ela o ignorou. — Poderia me mostrar?

— Dentro de alguns minutos. — Ned respondeu, virando a cadeira para não ficar no centro da roda.

— Ora, Ned, você às vezes parece um tanque de guerra! — Maria reclamou. — Quase passou em cima do meu pé! Roy, querido, poderia pegar drinques para mim e para Kate?

Minutos depois os comerciais foram exibidos novamente. Ned tinha razão. Roy estava muito bem. Melhor que isso, estava incrivelmente sexy. Kate já podia até imaginar mu­lheres percorrendo quilômetros para inscrever-se nas aca­demias "Corpo Perfeito", na esperança de encontrar o corpo perfeito em pessoa.

Quanto à voz dele... Ainda não tinha notado como era sensual, profunda e grave. Sentiu arrepios quando ele olhou para a câmera e disse: "Um belo corpo precisa de exercício. Venha conhecer nossas academias e exercite sua beleza".

— Vamos lá, Kate. — Ned disse quando a exibição ter­minou. — Dê-nos sua opinião. O que achou?

— Acho que vão precisar contratar mais telefonistas para atender aos chamados — ela comentou sorrindo.

— Viu, Roy? O que foi que eu disse?

— Você estava ótimo, Roy. — Maria concordou.

— Claro que estava! — A voz pertencia a uma loura, que aproximou-se do grupo sorrindo. Era uma mulher bonita e voluptuosa, com um míni-vestido preto quase indecente.

— Não se lembra de mim, Roy? — indagou numa voz sen­sual. — Célia... Célia Huntington.

Todos olharam para Roy, que encarava a loura com um sorriso nos lábios.

— Célia Huntington. — ele repetiu. — Como poderia es­quecer? O que está fazendo aqui?

— Trabalhando numa revista esportiva. Sabe como é... — Um sorriso sexy formou-se em seus lábios. — Sempre gostei de esportes.

— E de esportistas. — Roy comentou com uma risada.

— Não vai nos apresentar para sua amiga, Roy? — Maria cortou, talvez notando a expressão de Kate.

Kate não disse uma palavra enquanto Roy fazia as apre­sentações, mas notou que ele se referiu a ela simplesmente como "uma amiga".

— Podemos conversar a sós por um minuto, Roy? — Célia perguntou, usando mais um de seus sorrisos sensuais. — Tenho uma idéia para um artigo sobre suas academias e gostaria de discuti-la.

— Bem, acho que vou precisar de toda a publicidade grátis que puder conseguir. Tome conta das damas, Ned. Volto num minuto.

Kate observou, consumida pelo ciúme, Roy afastar-se com a loura. Já entrava numa depressão profunda quando Ned segurou-a pela mão.

— Não se preocupe com aquela mulher. Eu a conheço. Era chefe de torcida quando Roy e eu jogávamos na uni­versidade. Roy chegou a sair com ela, mas isso foi antes de descobrir que Célia tinha dormido com o time todo. — Sorriu com gentileza. — Agora que ele encontrou uma garota decente como você, não vai mais sair com tipos como ela. Não acha, Maria?

Maria não parecia tão convencida disso.

— O quê? Oh... não, claro que não. Mas talvez não seja boa idéia deixar Célia monopolizar Roy. Há muitos outros repórteres querendo ser atendidos.

Eles olharam para o canto no qual Roy e Célia conver­savam. Kate cerrou os dentes quando viu a loura colocar a mão no peito de Roy, sussurrando algo no ouvido dele. Roy deu um passo para trás e riu, o que fez o coração de Kate disparar. Quando ela desviou o olhar, encontrou o sor­riso simpático de Maria.

"Ela sabe que tipo de homem ele é", foi o pensamento que lhe passou pela cabeça. Maria sabia que Kate não pas­sava de uma diversão ocasional. Naquele momento, Roy devia estar marcando um encontro com aquela loura fatal. E a mulher era incrivelmente sexy!

Quando Ned atravessou o salão para interromper a con­versa dos dois, apenas confirmou o que Kate imaginara. Os amigos deviam conhecê-lo muito bem! Ela sabia que qual­quer reação de sua parte seria inútil. Roy faria o que qui­sesse. Estava fazendo ali mesmo, debaixo de seu nariz.

— Não tire conclusões precipitadas. — Maria sussurrou. Kate piscou, consciente de que devia estar inspirando pie­dade. — Roy apenas não consegue ser rude com as pessoas. O fato de estar rindo não significa nada. Roy gosta de rir e divertir-se. Conhece a história do pai dele, não conhece?

Kate meneou a cabeça, sem saber como o pai de Roy se relacionava com o fato de ele estar flertando com outra na frente dela.

— Bem, o pai dele foi sempre um grande fardo, doente como era. Mas Roy nunca se abalou. Sempre quis manter a felicidade, por mais difícil que isso fosse. Podem ter havido muitas mulheres na vida dele, mas nenhuma significou nada, acredite.

— Entendo. Mulheres nunca significam nada para ele. São apenas "descanso e diversão", como ele mesmo diz. Pro­vavelmente troca de mulher como troca de roupa.

— Ele já foi assim. No passado. Mas mudou muito desde que o pai morreu. Você é diferente das garotas que ele já conheceu.

— Você quer dizer que sou mais velha, e não tão bonita quanto às outras. Não tente ser gentil apenas para me fazer sentir melhor. Eu sabia no que estava me metendo quando me aproximei de Roy, e é claro que ele saiu comigo porque sou diferente das outras. Mas agora vejo que a loura fatal vai retomar o lugar que já foi dela uma vez.

— Não concordo. Roy nunca voltaria para ela. Pelo menos enquanto estiver com alguém como você.

— É muito gentil de sua parte, mas não acredito.

— Não se menospreze. E, por falar nisso, você é muito bonita. — Kate riu. Um riso triste. — Pode não acreditar, mas estou muito feliz por ver Roy com alguém como você. Os homens ficam fartos de mulheres fáceis depois de algum tempo, e Roy é um homem muito esperto. Escolheu muito bem.

Kate balançou a cabeça, desconsolada. Sabia que ela mes­ma fora uma das mulheres "fáceis" a que Maria se referira. Mas não podia competir com louras fatais o resto da vida. Sabia que não ia ter a mínima chance.

— Como vai indo, amor?

O rosto dela ficou pálido ao notar que Roy estava na sua frente, sorridente. Por um instante pensou em esbofeteá-lo, mais limitou-se a fazer um comentário qualquer.

— Tenho que dar mais algumas entrevistas. — ele con­tinuou com jovialidade. — Não posso deixar Ned cuidar de tudo. Depois vamos tirar algumas fotos. Está gostando de Maria?

— Claro.

— Vou tentar ser rápido.

— Não se apresse.

Ele arqueou as sobrancelhas.

— Tem certeza de que está bem?

— Não podia estar melhor.

Quando ele se afastou, Kate virou-se para Maria e disse:

— Vamos pegar outro drinque. Acho que estou precisando.

Roy cumpriu a palavra, demorando-se pouco. Mas Kate notou que Célia o perseguia por toda parte com seu sorriso sexy, sempre fazendo caras e bocas fatais. Mas a gota d'água aconteceu quando Roy voltou e sentou-se entre ela e Maria. A loura aproximou-se e disse que ligaria na segunda, con­forme tinham combinado.

— Certo. — ele respondeu com naturalidade. Depois olhou para Maria e disse, como se nada tivesse acontecido: — Ned me deixou ir embora, Maria. Está na outra sala dando uma entrevista. O homem não cansa nunca! Não sei como você o agüenta.

— Eu nem tento.

— Vamos embora, Kate? Maria, cuide bem do louco do seu marido. — ele disse, beijando-a no rosto.

— Vou cuidar. E você, tome conta de sua adorável na­morada.

— Claro que sim.

Kate hesitou quando ele lhe estendeu a mão.

— Boa noite, Maria. — disse. — Prazer em conhecê-la.

— O prazer foi meu.

Kate tomou uma decisão enquanto caminhavam para o carro. Tinha que acabar com aquilo antes que ficasse ma­chucada.

— Roy — balbuciou quando ele abriu a porta do passa­geiro e caminhou ao redor do carro. — Eu... acho melhor você me levar para casa.

— Por quê?

— Porque eu...

— Você o que?

— Porque eu quero ir para casa.

— Entre no carro, Kate. Vamos conversar sobre isso na minha casa.

Ela sabia que não podia resistir a ele naquele aparta­mento. — Não. Se não quer me levar, posso tomar um táxi.

Justamente nesse momento viu um táxi se aproximando. Sabendo que era sua única oportunidade de escapar, correu pelo estacionamento. O motorista parou do outro lado da avenida, enquanto Kate atravessava sem olhar.

— Cuidado! — gritou Roy.

Ela não viu um sedã que passava no sentido contrário, mas Roy, que a seguia, conseguiu evitar o pior. Agarrou-a uma fração de segundo antes que ela se lançasse embaixo do carro.

Apavorada, Kate se deixou envolver pelo abraço, encostando-se em seu peito.

— Oh, Kate... Kate — ele gritou com a voz trêmula. — Você podia ter morrido!

— Ei! — o motorista do táxi gritou. — Ela está bem, companheiro?

— Acho que sim. Obrigado, mas acho que não vamos precisar de você.

— Tudo bem, boa noite.

Kate respirava com dificuldade.

— Eu... não vi o carro. — disse, chorando, encostada no peito dele.

Roy a afastou, encarando-a com um olhar cheio de ter­nura.

— Não vou mais esperar que você se apaixone por mim. Vou dizer agora, para o inferno com a paciência. Eu te amo, Kate! E quero casar com você, o mais rápido possível. Diga que aceita, minha querida. Diga que aceita!

A expressão dela era de incredulidade. Não conseguiu fazer nada, a não ser segurar o rosto dele entre as mãos trêmulas. Sabia que Roy entendera a mensagem.

— Mas... e você e Célia?

— Eu e Célia? Do que está falando? Ah! Entendo... foi porque ela disse que ligaria. É apenas para uma entrevista, sua tola. Acha que eu me interessaria por ela, tendo você ao meu lado?

— Eu... fiquei morta de ciúmes.

Ele sorriu.

— Gostei de ouvir isso. E então? Qual é a sua resposta? Preciso ouvir agora. Vai se casar comigo? — Os olhos dele demonstravam vulnerabilidade. — Não diga não, por favor. Amo você, preciso de você...

Depois de respirar profundamente, Kate disse às palavras que pensara nunca poder dizer.

— Amo você também, Roy. E sim, quero me casar com você.

Agora foi a vez de Roy ficar maravilhado. Enlaçou-a e começou a beijá-la apaixonadamente.

— Ei, qual é o motivo da festa? — Ned gritou, aproxi­mando-se com Maria, que empurrava a cadeira de rodas com um sorriso nos lábios.

— Ela disse sim! — Roy anunciou orgulhoso, pegando Kate no colo e carregando-a na direção deles.

— Claro, mas disse "sim" para quê? — Ned perguntou.

— Casamento, companheiro, casamento.

— Mas vocês só se conhecem há duas semanas!

Roy encarou-o, espantado.

— Verdade? Parece que eu a conheço há muito tempo. Esperei por ela a minha vida toda.

— Na verdade. — Kate disse suavemente —, faz uma semana, cinco dias e... — olhou para o relógio de pulso. —... dezessete horas.

Ned e Maria entreolharam-se.

— Ela o ama — disseram em uníssono.

— E eu a amo — Roy insistiu. — Diabos, sou louco por ela!

— Bem, por que está esperando? — Ned comentou, jovial.

— Agarre-a logo, antes que outro sortudo faça isso.

— Mas você disse... — Kate começou.

— Oh, pelo amor de Deus, eu estava brincando. — Ned ralhou. Depois virou-se para a esposa. — Lembra-se, que­rida, quando nos conhecemos? Pedi você em casamento na primeira noite, não foi?

— Sim, querido. Mas só disse aquilo porque queria me levar para a cama.

Deu certo, não deu? — Olhou para Roy, desconfiado.

— Não está dizendo isso só para levar a moça para a cama, está?

Roy e Kate começaram a gargalhar.

— Que homem impossível! — Maria resmungou, empurrando-o para longe.

— Não vai casar comigo só para me levar para a cama, vai? — Roy perguntou logo que os amigos se afastaram.

— Como não? — Kate perguntou com uma expressão inocente. — Vamos, querido, vamos para casa... e para a cama. — E caminhou na direção do carro com um sorriso de satisfação nos lábios.




Vou sentir sua falta. Kate levantou os olhos da mesa, interrompendo a arrumação por um instante.

— Também vou sentir sua falta, Estelle.

— Adoraria ir para Armidale assistir ao casamento. As outras garotas do escritório ficaram verdes de inveja quando mostrei o convite. Mas é o aniversário de mamãe e ela me mataria se eu não fosse.

— Entendo. Minha mãe faria exatamente à mesma coisa.

— Por falar nisso, o que sua mãe está achando de seu casamento? Deve estar muito surpresa. Até eu fiquei sur­presa. Nunca imaginei que Roy Fitzsimmons pudesse se casar, ainda mais com minha chefe!

Kate sorriu ao olhar para seu belo anel de noivado.

— Na verdade, mamãe não ficou tão surpresa assim. Acho que as mães são mais espertas do que podemos imaginar.

— É... minha mãe sempre sabe quando não estou bem. — Estelle resmungou, fazendo um gesto teatral. — Mudando de assunto, estou preocupada com a pessoa que vai te subs­tituir. Provavelmente vão mandar uma daquelas solteironas rabugentas do sexto andar. Tem certeza de que não precisam de uma secretária na academia?

Kate riu.

Eu vou ser a secretária. Além de ser também a con­tadora, a gerente e tudo o mais.

Quando Roy comentara casualmente que estava difícil conseguir uma boa secretária, Kate imediatamente se ofe­recera para ajudá-lo. Ele e Ned ficaram exultantes com a proposta. Afinal de contas, nenhum tinha experiência com finanças, e contar com uma profissional do gabarito de Kate seria excelente. Fizeram um acordo, segundo o qual ela re­ceberia um pequeno salário e participação nos lucros.

Pelo sucesso que a rede de academias vinha obtendo na­queles dois primeiros meses, Kate fizera um excelente ne­gócio. Em pouco tempo estaria ganhando o dobro do que ganhava na companhia de investimentos.

— Por falar nisso, conheço a pessoa que vai me substituir. — Kate disse casualmente, enquanto continuava a arrumar as gavetas. — E a posição vai ser preenchida por um homem.

Estelle ficou curiosa.

— Um homem?

— Sim, o Sr. Robinson, do escritório de Melbourne.

— Do escritório de Melbourne?

— Isso mesmo. Eu o conheci numa reunião. Ele é... jovem, bonito, simpático e, principalmente, disponível.

— Não brinque!

— Pareço estar brincando?

— Você é mesmo terrível, Kate Reynolds! Me enganou por muito tempo, mas agora descobri que é terrivelmente... esperta!

Kate riu.

— Aceito o elogio. Agora, podia me ajudar a levar esses papéis velhos para o incinerador? Não queremos que o Sr. Robinson encontre um escritório desarrumado, não é? — Diante do assentimento entusiasmado da secretária, ela sor­riu mais uma vez e passou-lhe um calhamaço de papéis.

— Ah, Estelle, uma última caneca de café iria muito bem. Podia trazê-la para mim?

A secretária pegou os papéis e saiu, deixando Kate so­zinha.

Nesse momento ela abriu a gaveta na qual o pôster de Roy estava guardado. Se ele soubesse da existência daquele pôster, certamente ficaria muito embaraçado. Sorriu, sa­bendo que guardaria aquilo como recordação por toda a sua vida. Um dia o mostraria para Roy, e diria que tinha sido a única mulher a ver o homem que existia por trás daquele corpo perfeito.

Sim, porque Roy sentira-se por muito tempo solitário, acreditando que as mulheres somente se aproximavam dele por causa de sua beleza física. Num certo sentido, tinha razão. Mulheres como Célia realmente só se interessavam por sexo. Mas aquilo era passado.

Somente Kate descobrira que ele era um homem mara­vilhoso, sensível, gentil, que falava com entusiasmo de as­suntos como constituir família, cuidar da casa, da esposa, dos filhos...

Lágrimas brotaram em seus olhos ao recordar-se da con­versa da semana anterior. Roy falara sobre crianças com tanta ternura, e seus olhos azuis brilharam tanto ao pensar no assunto...

Certo. Mas não era tempo para lágrimas, a não ser que fossem de felicidade. Kate estava prestes a se casar com um homem perfeito e...

Crianças!

A palavra caiu como uma bomba sobre sua cabeça.

Desde a noite da festa, ambos tinham decidido não usar mais preservativos. Haviam chegado à conclusão de que a confiança que um tinha no outro era absoluta. E dois meses tinham se passado desde aquela conversa.

Ela andava se sentindo estranha nos últimos dias, e, pensando bem, naquele mês algumas irregularidades vi­nham ocorrendo... Oh, não podia ser. Estava imaginando coisas.

Terminava de colocar os últimos papéis na maleta quando ouviu alguém entrando na sala. A princípio pensou que fosse Estelle com o café, mas ao erguer a cabeça, deparou com Roy parado na porta do escritório. Ele sorria. Vestia um velho jeans surrado e um agasalho de corrida. Nem mesma aquelas roupas conseguiam disfarçar seu sex-appeal.

Kate sorriu, jogando os últimos papéis dentro do cesto de lixo.

— O que está fazendo aqui a esta hora do dia? — per­guntou com fingida reprovação.

— Vim ver se minha garota estava bem. Algo errado?

— Por que algo estaria errado?

— Você parecia muito pálida hoje pela manhã.

Ela riu.


— Eu pareço pálida toda manhã. É minha cor normal quando não uso maquiagem. Pálida.

— Eu achei que estava mais pálida do que o normal. — ele insistiu, encarando-a de forma inquisidora.

Kate percebeu que carregava nas mãos um pequeno em­brulho. Por que estaria tão preocupado?

— Depois que passamos a viver juntos comecei a reparar em certas coisas, e... Bem, acho melhor você usar isso.

Estendeu a mão, caminhando na direção dela. Kate abriu o pacote e notou que se tratava de um kit para teste de gravidez, do tipo que usualmente se encontra nas farmácias.

Não era possível! Roy tivera a mesma intuição que ela!

Engolindo em seco, foi até o banheiro sem dizer uma palavra. Quando voltou, minutos depois, estava ainda mais pálida.

— Ficou azul. — disse com voz rouca.

Roy deu um passo ansioso na direção dela.

— O que significa?

— Positivo. Nós... vamos ter um bebê.

Depois de um grito sufocado, Roy abraçou-a, beijando-a com paixão. Ainda estavam se beijando quando Estelle vol­tou com o café. A secretária colocou a caneca sobre a es­crivaninha, sem que o casal sequer percebesse, sua presença.



— Isso é que é amor de verdade. — A garota murmurou com ar sonhador, e saiu silenciosamente da sala, tomando o cuidado de fechar a porta.

FIM




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