Amor de Aluguel Heart-throb for hire Miranda Lee Qual seria o preço de uma noite de amor?



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Amor de Aluguel Miranda Lee


Amor de Aluguel

Heart-throb for hire



Miranda Lee


Qual seria o preço de uma noite de amor?

Quando conheceu Roy, Kate pensou que havia encontrado o homem da sua vida. E jogou para o espaço todas as convicções de manter-se solteira e dedicar-se a sua carreira. Porém, uma dúvida pairava em sua mente: por que um homem maravilhoso como Roy Fitzsimmons fora se interessar por uma mulher tão sem graça quanto ela? Logo a dúvida de Kate foi esclarecida: Roy levava a vida vendendo seu corpo para mulheres solitárias! O problema é que Kate rapidamente caiu em seu feitiço...



Este livro faz parte de um projeto sem fins lucrativos, de fãs para fãs.

Sua distribuição é livre e sua comercialização estritamente proibida.

Cultura: um bem universal.



Doação: Mana

Digitalização: Alê M.

Revisão: Luciara

Copyright © 1939 by Miranda Lee

Originalmente publicado em 1993

pela Mills & Boon Ltd., Londres, Inglaterra

Esta edição é publicada através de contrato com a Mills & Boon Ltd.

Título original: Heart-throb for hire

Tradução: Márcia Gimenez

EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.

Copyright para a língua portuguesa: 1996

CÍRCULO DO LIVRO LTDA.



CAPÍTULO I

Kate chegou cedo ao serviço. Muito cedo. Coi­sa que, por sinal, já vinha se tornando um hábito. Lutar para obter um lugar de destaque na Inter­national Credit & Finance, enfrentando todos os outros exe­cutivos, era um trabalho que começava cedo e terminava tarde. Todos ali acordavam e dormiam pensando na em­presa. Não tinham tempo para mais nada. Era a rotina dos ambiciosos. E Kate era ambiciosa.

Ela pensou nisso ao olhar para as letras douradas no vidro da porta de sua sala: "Kate Reynolds - Investimentos Internacionais". Ao lado da porta, a mesa da secretária es­tava vazia, e assim ficaria por mais uma hora. Estelle en­trava às oito e meia e, como toda garota normal, não apa­receria um minuto antes do horário.

"Será que só eu não sou uma garota normal?", Perguntou-se Kate ao fechar a porta, com uma expressão preocu­pada no rosto.

A maior parte das mulheres de trinta anos que conhecia era casada, tinha filhos, era noiva ou, ao menos, possuía um amante. Quando elas chegavam em casa, não encon­travam uma cama vazia nem tinham somente um bom livro e um canário para lhes fazer companhia. E, com certeza, não gostavam da solidão.

Mas Kate gostava. Será que isso fazia com que não fosse uma mulher normal?

Claro que não. Estava certa de que muitas, como ela, escolhiam um modo de vida mais recatado e discreto. Além disso, não tinha que justificar suas atitudes. A vida era sua, e não pretendia dividi-la com homem algum.

Colocou a pasta de couro preto ao lado da mesa, pendu­rando a sombrinha no chapeleiro que havia no canto da sala. Em seguida, caminhou na direção das persianas que ficavam atrás de sua confortável poltrona.

A luz do sol invadiu a sala quando as lâminas se abriram, revelando a magnífica vista do jardim botânico, que ficava do outro lado da rua. A chuva da noite anterior parecia tê-lo deixado ainda mais bonito.

Quando seus compromissos permitiam, e a chuva não atrapalhava, Kate gostava de almoçar naquele jardim. Seu lugar predileto era a clareira que ficava sob o grande car­valho. A mesma clareira para a qual ela olhava agora. E que era palco de um acontecimento que a deixou alarmada.

Um homem, provavelmente um velho indigente, estava deitado na grama. Parecia dormir, e dois adolescentes sus­peitos aproximaram-se dele.

— Oh, meu Deus!

Kate gritou, horrorizada.

Seu coração acelerou-se quando os dois bandidos ataca­ram o homem, que acordou, assustado. Nesse mesmo mo­mento, um dos rapazes o atingiu com alguma coisa. O in­digente tentou levantar, mas não teve sorte. Acabou caindo, protegendo a cabeça com as mãos.

Kate não teve tempo sequer para pensar. Pegou a som­brinha e atravessou o corredor, lançando-se escada abaixo sem prestar atenção no elevador. Já no térreo, passou pelo saguão do prédio correndo, empurrando as portas de vidro para chegar à rua.

Ouviu uma freada brusca quando atravessou a rua sem olhar, mas ignorou os palavrões que o motorista lhe dirigia e continuou correndo, cruzando a Rua Macquaire.

O pobre homem precisava de ajuda.

Talvez, se parasse para pensar por um segundo, ela che­gasse à conclusão de que uma mulher de cinqüenta e dois quilos não podia fazer muito contra uma dupla de bandidos. Mas não teve tempo para pensar. Agira por impulso.

— Parem com isso, seus vagabundos! — gritou ao cruzar a entrada do parque, chamando a atenção das pessoas que passavam pela rua e que não podiam ver o que acontecia lá dentro por causa do alto muro de arbustos que cercava o local.

Correndo pelas alamedas do parque, Kate enxergou a clareira. Lá, os bandidos chutavam o indigente, que conti­nuava caído no chão, sem reagir.

— Polícia! Polícia! — ela gritou.

Os assaltantes pararam e ergueram as cabeças, espan­tados com a chegada de Kate. Ela corria furiosa na direção dos três homens, com o cabelo ruivo emaranhado pelo vento e a sombrinha em riste.

Temendo a chegada da polícia, os dois bandidos correram, deixando Kate a sós com o homem. Deitado de costas, com o corpo arqueado, ele mantinha as mãos sobre o estômago.

— Você está bem? — ela perguntou, sem fôlego.

Quando o homem se virou, encarando-a com o rosto pá­lido, Kate percebeu que ele não era tão velho quanto ima­ginara. E, a não ser pelo cabelo desajeitado e pela barba por fazer, não se assemelhava a um indigente. Tinha bri­lhantes olhos azuis, mas sua expressão parecia um tanto vaga.

— Agora me sinto melhor — balbuciou ele.

Ao ver um filete de sangue escorrendo pela testa do des­conhecido, Kate ficou penalizada.

— Você está ferido!

Aproximou-se e, colocando a sombrinha na grama, ajoe­lhou-se ao lado dele.

— Onde?


— Na cabeça.

Ele levou a mão à testa, sentiu o calor do sangue e sus­pirou. — Você tem um lenço? — perguntou, com um débil sorriso nos lábios.

"Que rosto lindo!", ela pensou, confusa. Quem poderia achar atraente um vagabundo com a barba por fazer e um nariz que parecia já ter sido quebrado? Kate, é óbvio, que analisou aquele rosto por alguns momentos antes de con­seguir concentrar-se na pergunta.

— Lenço? Eu... bem... não. Mas acho que posso pedir para alguém.

Olhou ao redor. Apenas um senhor de meia-idade passava por perto, e mesmo assim caminhava com pressa, como quem não quer se envolver com problema algum.

— Pode deixar. Não se preocupe — o homem tranqüili­zou-a. Em seguida, rasgou a manga do agasalho de corrida e enrolou-a, pressionando-a contra a testa.

Kate contemplou o braço nu com a mesma surpresa com a qual olhara para o rosto atraente. Mais confusa ainda, ela se perguntou o que estaria acontecendo. Nunca fora o tipo de garota que se deixava impressionar por braços mus­culosos.

Aliás, desde pequena fora educada para apreciar apenas pessoas inteligentes. Mas de uma hora para outra lá estava ela, deixando-se levar por um monte de músculos.

Seu rosto ficou ruborizado. Felizmente, o homem não viu. Tentava, sem muito sucesso, levantar-se. Kate não teve ou­tra alternativa senão ajudá-lo. Enlaçando-o, tentou movê-lo.

Mas ele era tão pesado e tão alto... Com muito esforço conseguiu erguê-lo, e então seus olhos verdes encontraram-se com os espantados olhos azuis dele.

— Eu nem mesmo agradeci a você — ele disse com uma voz grave e profunda. — Deve ser uma mulher muito co­rajosa... ou muito tola.

— Tola, eu acho — resmungou Kate depois de pensar por um momento.

Era a conclusão mais sensata. Lá estava ela, uma mulher bem-sucedida, de trinta anos, sentindo-se atraída por aquele grandalhão desconhecido que não devia ter mais do que vinte e cinco anos. Não era simplesmente tola, era também idiota. Além disso, ele não era seu tipo.

"E desde quando você tem um tipo?", pensou, chocando-se com a própria honestidade.

Olhou para o desconhecido. O sangue continuava a correr sob o pano encharcado.

— Venha até meu escritório — ela decidiu. — Fica logo ali, do outro lado da rua. Vou chamar um médico para cuidar desse corte.

O homem franziu as sobrancelhas.

— Não quero dar trabalho. Você já ajudou muito, salvando-me daquele jeito. Posso apanhar um táxi e ir até o hospital.

— Para ficar esperando horas na emergência até ser aten­dido? Ah, não! Não desejo isso nem para meu pior inimigo!

Corou novamente ao perceber como fora insistente. O que o desconhecido iria pensar? Certo, ele não era o vaga­bundo que imaginara a princípio, mas isso não queria dizer nada. Seu agasalho de corrida parecia ter saído de uma feira de caridade, e os tênis, ao que tudo indicava, tinham sido disputados em algum brechó...

"Se é verdade que as roupas fazem o homem", ela pensou enquanto seus olhos analisavam vagarosamente o corpo dele, "este homem está em sérias dificuldades”.

Por um instante considerou que ele ficaria bem melhor sem as roupas. O pensamento, mais uma vez, chocou-a. Ba­lançou a cabeça, tentando se controlar. Reparou que ele a encarava com uma expressão curiosa.

— Quantos anos você tem?

A pergunta pegou-a de surpresa.

— Trinta. Por quê?

— Trinta... E não é loira. E, devo estar ficando louco...

— Do que você está falando?

— Não é nada — ele desconversou, balançando a cabeça.

— Bem, vai vir comigo ou não?

— Eu... — O homem hesitava, mas, como ficasse cada vez mais pálido, e parecesse zonzo, Kate decidiu por ele.

— Você vem comigo e pronto! — exclamou, segurando-o pela mão e puxando-o para fora do parque.

— Sim, madame. O que a senhora quiser, madame. A senhora é a chefe.

Andando devagar, atravessaram a rua com cuidado e en­traram no prédio. Dessa vez, Kate usou o elevador para subir.

— Você é realmente a chefe, não é? — ele perguntou depois de ser acomodado no amplo sofá de couro que deco­rava a sala de Kate.

Ela, que acabara de discar o número do médico da com­panhia, levantou os olhos.

— Apenas deste departamento. Agora fique quieto um momento, por favor, enquanto falo com o médico. — Ter­minada a ligação, colocou o fone no gancho e encarou-o com alegria. — Ele não deve demorar. Consegui encontrá-lo an­tes que saísse. Enquanto esperamos, quer que eu chame a polícia?

— Oh, não. Eu não agüentaria aqueles depoimentos sem fim. Estou muito cansado. Além disso, eles não conseguiriam prender os garotos.

— Por que atacaram você, afinal?

O homem balançou a cabeça.

— Quem sabe?

Provavelmente eram viciados, procurando por dinheiro.

— Dinheiro? Com você?

Ele sorriu diante da expressão de descrença de Kate.

— Nunca se devia julgar um livro pela capa... Não sou tão pobre quanto aparento.

— Então por que passou a noite num jardim público?

— Não passei a noite lá. Simplesmente parei para des­cansar.

— Descansar? Por quê?

— Eu estava correndo, como faço todas as manhãs, mas me cansei depressa. Tive uma noite terrível ontem. Eu... bem... fui dormir muito tarde.

Obviamente ele não queria dizer o que estivera fazendo. Kate imaginou em uma fração de segundo os cenários mais extravagantes. Festas de embalo, danceterias lotadas, lu­gares escuros e sórdidos. Tudo isso combinava muito bem com aquele homem.

Mas sua intuição feminina lhe dizia que ele não era pe­rigoso. O único perigo que oferecia vinha de seu sex-appeal, que parecia sair de cada poro. Kate imaginou que isso devia mexer muito com as mulheres. Mas não funcionava com ela.

— Deseja beber algo? Você está pálido.

— Estou? Bem, sim, gostaria muito.

— O que prefere?

— O que você tem aí?

O sorriso dele era adorável, cheio de autoconfiança. Kate teve que se deter antes de sorrir de volta.

— O que quiser — foi à resposta, seca.

— Que tal um copo d'água?

— Já vou buscar.

Sentiu que era observada enquanto cruzava a sala na direção de seu banheiro particular. Um arrepio de prazer percorreu-lhe a espinha. Ele devia ser o tipo de homem que gosta de ficar sentado no parque olhando para as mulheres que passam, analisando-lhes as pernas, os seios... despindo-as com o olhar.

Estaria fazendo isso agora? Imaginando como ela ficaria nua em sua cama?

Balançou a cabeça. O que estava acontecendo? Por que, de repente, esses pensamentos eróticos não lhe saíam da mente?

Começara o dia perguntando-se se era ou não uma mulher normal, e agora um forte apelo sensual tomava conta dela.

O que estava querendo provar? Que podia ser desejada por um homem? Que, por baixo das sóbrias roupas que usava para trabalhar, havia uma mulher sexy?

Contendo um suspiro, teve vontade de correr os pou­cos metros que a separavam da porta do banheiro só para se ver livre daqueles penetrantes olhos azuis. Mas, em vez disso, começou a andar mais lentamente, me­xendo os quadris. Odiava a si mesma por não conseguir se controlar, por enviar uma sutil mensagem sexual para aquele homem...

Ao entrar no banheiro, a primeira coisa que fez foi olhar para o espelho, e então notou o estado calamitoso de seu cabelo. Parecia uma bruxa!

Olhando fixamente para a própria imagem, voltou brus­camente à realidade.

Por que vivia planejando coisas, se sabia que nada iria acontecer? Se aquele homem tentasse se aproximar, ficaria apavorada, como sempre. Era uma covarde, sempre escon­dida na segurança de sua concha. E era lá que iria ficar. Por que tentar parecer sexy e provocante? Que patético!

Desanimada, arrumou os pequenos cachos que cobriam sua testa enquanto enchia um copo com água.

Entretanto, antes que pudesse se afastar do espelho, pen­sou que podia ter escolhido outra roupa para trabalhar na­quela manhã. O blêiser marrom, bem como as calças largas, davam-lhe uma aparência muito séria. Parecia uma cari­catura da executiva fria e bem-sucedida.

Subitamente ficou enfurecida com os próprios pensamentos.

Estava sendo ridícula. Era uma mulher feliz e sabia disso. Quanto antes aquele homem saísse de seu escritório, melhor. Deixou o banheiro com uma máscara de frieza no rosto.

— Aqui está — disse com um tom de voz civilizado, ao entregar o copo ao desconhecido. Ele o apanhou com a mão direita, que era tão grande e máscula quanto o resto do corpo.

Dando um passo para trás, Kate observou-o beber e cru­zou os braços, tentando parecer relaxada.

— Já lhe passou pela cabeça que ainda não sei seu nome?

Ele sorriu.

— Na verdade, sim.

Aquele sorriso a deixou sem ação por um segundo. Que poder tinha ele para provocá-la assim?

— Bem, e qual é? — ela insistiu.

— Roy.

— Roy de quê?



— Roy... Fitzsimmons — ele respondeu depois de hesitar por um momento, encarando-a com expectativa.

Kate franziu as sobrancelhas. Será que aquele nome de­veria significar algo? Por um momento, teve a impressão de que ele ficou bastante satisfeito por não ter o nome reconhecido.

— E o seu é Kate — ele continuou, antes que ela pudesse fazer qualquer pergunta. — Kate Reynolds. — Sorriu. — Está escrito na porta da sala.

— Oh... claro, que tolice a minha.

— Duvido que seja tola, srta. Reynolds. A propósito, é senhora ou senhorita?

Completamente senhorita. E também não tenho na­morado. — Kate respondeu, e em seguida corou violenta­mente. Por que fizera tanta questão de deixar claro que não tinha ninguém?

— Como eu — ele disse com casualidade. — Quero dizer, também não tenho namorada. — Outro sorriso surgiu em seus lábios. — Acho que as coisas devem ser muito claras hoje em dia. Não se pode namorar qualquer uma. — Fitou-a com interesse. — Posso assegurar, Kate... permite que eu a chame de Kate, não é? Posso assegurar que não faço o tipo conquistador.

Ela sorriu com desdém. Por que Roy fingia interesse? Uma leve batida na porta, anunciando a chegada do mé­dico, interrompeu a conversa de forma providencial. A cada minuto que passava, Kate se deixava envolver mais e mais pelo charme daquele homem.

Ficou aliviada por poder sentar atrás de sua mesa en­quanto o médico examinava o desconhecido e fazia os cu­rativos. Quando ele saiu, Kate já recobrara o autocontrole, e mal pôde conter um suspiro de alívio quando Roy levan­tou-se e se despediu.

Mas ele hesitou à porta. Lançando um olhar sobre o om­bro, virou-se para encará-la.

— Acho que não agradeci direito pelo que fez — disse com cautela. — Que tal um jantar hoje à noite, como prova de minha gratidão?

O coração de Kate disparou. "Ele está me convidando para sair!"

Mas retomou o controle rapidamente, cheia de suspeitas. Por que aquele desconhecido convidara-a para jantar? Seria realmente gratidão? Haveria outro motivo?

Passou-lhe pela cabeça que alguns homens preferiam mu­lheres mais velhas... e mais ricas. Ele parecera impressio­nado com o escritório, observando tudo com atenção. Talvez imaginasse que ela ficaria muito agradecida se lhe conce­desse um pouco de atenção. Talvez a "terrível" noite anterior tivesse sido na cama de uma velha viúva rica.

Um arrepio de repulsa passou pelo corpo de Kate.

— Obrigada, Roy — ela respondeu, gélida —, mas real­mente não é preciso. Eu teria feito o mesmo por qualquer pessoa.

Pronto! Agora ele entenderia de uma vez por todas que Kate era imune ao corpo musculoso e viril. Se insistisse no convite, era porque tinha segundas intenções. Afinal de con­tas, nenhum homem como Roy insistiria em sair com alguém como ela.

A surpresa que ele demonstrou ao vê-la negar a proposta acentuou as suspeitas de Kate. Talvez, depois do jantar, viesse com uma desculpa do tipo "esqueci minha carteira" para que ela pagasse a conta. Já ouvira falar desse tipo de homem. Gigolôs amadores, sempre dispostos a tirar alguma vantagem das mulheres. Capazes de fingir até o fim, desde que conseguissem alguma coisa em troca.

A imagem de Roy ao lado da cama, apanhando apressa­damente as roupas, a fez corar. Infelizmente, aquilo também a excitava.

— Ainda assim eu insisto — ele continuou. — Está ocu­pada hoje à noite, é isso? Que tal amanhã?

Kate realmente teve que se esforçar. Sua vontade era mandar o bom senso às favas. Seria maravilhoso desfrutar da companhia daquele homem jovem e sexy. Além disso, iria fazer muito bem a seu ego.

Mais uma vez, porém, o bom senso venceu a batalha. Kate deu de ombros e notou que Roy parecia um menino de quem se tira um doce.

— Sinto muito — disse finalmente. — Mas a verdade é que eu não saio com homens.

A expressão de surpresa dele fez com que Kate desejasse ser engolida por um buraco. Claro que Roy entendera errado. Na verdade, ela não fora nem um pouco clara.

— Entendo — ele respondeu lentamente.

— Sinto muito — ela murmurou mais uma vez, sentindo o rosto queimar.

Talvez fosse melhor que Roy pensasse que ela realmente não gostava de homens. Ao menos assim deixaria de insistir num encontro.

Roy sorriu, sem jeito.

— Eu também sinto muito, acho... — Balançando a cabeça devagar, olhou-a mais uma vez, como se não estivesse con­vencido do que acabara de ouvir. — Bem, Sra. Kate Rey­nolds, desejo-lhe sorte. Considero-a uma verdadeira dama. — Aparentemente frustrado, virou-se e saiu.

Tentando desesperadamente esquecer o que ocorrera, Kate começou a trabalhar, agarrando-se ao computador como a uma tábua de salvação. Apenas cinco minutos depois estava tão absorta que não percebeu sequer a chegada da secretária.

Estelle olhou pela fresta da porta entreaberta e viu aquilo que estava acostumada a ver todos os dias: a chefe total­mente mergulhada no trabalho.

No entanto, ninguém poderia imaginar que, por dentro, Kate sentia-se muito mal. Muito tola, vazia e, principal­mente, muito solitária.





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