Altimar de Alencar Pimentel



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Altimar de Alencar Pimentel

FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR


A Paraíba ficou mais pobre em 21 de fevereiro de 2008, pois, nesta data faleceu o professor e intelectual do teatro de nossa amada Paraíba, trata-se do historiador e escritor Altimar de Alencar Pimentel, nascido aos 30 de outubro de 1936, em Maceió, capital do Estado de Alagoas, filho do comerciante Altino de Alencar Pimentel e Maria das Neves Batista Pimentel. Em seu curriculum vitae consta quando tinha aos nove anos, em 1945, perdeu o pai, sendo ele o primeiro dos seis irmãos órfãos. Sua mãe, de origem paraibana, logo em seguida voltou para morar em João Pessoa, onde com dificuldades criou sua prole dentro dos princípios da moral e formação cristã, onde a felicidade é conquistada e não comprada. O extinto era casado com a professora Cleide Rocha da Silva Pimentel, e pai da economista Tatiana, do advogado Altino e de Hilda, licenciada em letras e informática.

Iniciou seus estudos primários ainda na capital alagoana, concluindo o ginasial e o clássico no Lyceu Paraibano, antigo Colégio Estadual da Paraíba. Pela Universidade Federal da Paraíba, em 1971, concluiu o curso de Licenciatura em Letras – Vernáculo e pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília, bacharelou-se em Comunicação Social – Jornalismo, em 1976.

Dedicado ao teatro, Altimar fez curso de especialização em Direção Teatral na Federação das Escolas Isoladas do Rio de Janeiro e na Universidade Federal da Paraíba, em 1978.

Ainda em 1975 ingressou no magistério do 2° grau, tornando-se professor de Educação Artística no Lyceu Paraibano e na cidade de Cabedelo. Daí foi um passo para ingressar no magistério superior, lecionando as disciplinas Evolução do Teatro e Dança (1977) e Introdução às Técnicas de Comunicação (1979), na Universidade Federal da Paraíba.

Foi Diretor do Teatro Santa Rosa, Diretor do Departamento de Extensão Cultural do Estado, Coordenador do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular da UFPB e Diretor da Rádio Correio da Paraíba.

Participou de vários colegiados, entre eles o Conselho Estadual de Cultura, a Comissão Executiva do IV Centenário da Paraíba, o Conselho da Lei Viva a Cultura, na Paraíba, e foi Secretário do Conselho Consultivo de Alto Nível do Instituto Nacional do Livro, no Rio de Janeiro. No jornalismo também sua atuação foi brilhante.

Como teatrólogo foi autor de inúmeras peças, muitas delas consagradas nacionalmente. Presidente da Comissão Paraibana de Folclore publicou 17 livros sobre temas folclóricos. Dedicou-se, também, à história paraibana, com vários livros publicados, o último dos quais, denominado: CABEDELO, alcançou grande receptividade nos meios culturais e educacionais.

Bastante premiado por seus trabalhos, foi sócio efetivo do IHGP-Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, o que ocorreu no dia 22 de novembro de 2002, quando passou a ocupar a cadeira n° 10, sucedendo ao historiador José Pedro Nicodemos, sendo saudado pelo consócio Guilherme Gomes da Silveira d’Avila Lins.

Além dos livros, publicou vários artigos em revistas e jornais. No Folclore, destacou-se: O Coco Praieiro – Uma Dança de Umbigada, Editora Universitária/UFPB, João Pessoa, 1ª. ed., 1966, 2ª. ed., 1968; O Diabo e Outras Entidades Míticas no Conto Popular, Coordenada Editora, Brasília, 1969; O Mundo Mágico de João Redondo, Serviço Nacional do Teatro, Rio de Janeiro, 1971; Saruâ, lendas de árvores e plantas do Brasil, Editora Cátedra, Rio de Janeiro, 1977; Sol e Chuva: ritos e tradições, Thesaurus, Brasília, 1981; O Mundo Mágico de João Redondo, 2ª edição revista e ampliada, Ministério da Cultura, Rio de Janeiro, 1988; Incantations, Thesaurus Publishing Co., Miami, Flórida, 1995; Contos Populares de Brasília, Editora Thesaurus, Brasília; Estórias de Luzia Teresa, vol. I, Editora Thesaurus, Brasília, 1995 e vol. II, Editora Thesaurus, Brasília, 2001; Barca, Bois de Reis e Coco de Roda, João Pessoa, FIC, 2005.

No Teatro, entre as peças de sua autoria já encenadas na Paraíba e outros Estados, registramos 20 peças, entre elas Auto da Cobiça, Auto de Maria Mestra, Viva a Nau Catarineta, Lampião vai ao inferno buscar Maria Bonita, Coiteiros. Registramos um destaque especial para a peça Como nasce um cabra da peste, adaptação da obra homônima de Mário Souto Maior, a qual conquistou mais de 40 prêmios em festivais na Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e realizou vinte apresentações em Portugal e uma em Cabo Verde. Possui dez peças inéditas.

Em História, o destaque é sua obra Cabedelo, em dois volumes, publicados em 2001 e 2002.

Foi pesquisador, diretor de teatro e jornalista, além de ter pertencido a várias entidades culturais e ter recebido, por sua vitoriosa carreira, elogiosas críticas, prêmios e condecorações.

Na política, exerceu o cargo de Secretário de Cultura do Município de Cabedelo, Paraíba.

Ele viveu de 1952 a 21/02/2008 na Paraíba, além de professor e jornalista, foi dramaturgo e folclorista, deixou um acervo de várias centenas de artigos, peças teatrais e livros sobre teatro, folclore, ensaio literário e história. Como autor teatral, a sua produção é comparada com as importantes produções de Luiz Marinho e do grande paraibano Ariano Suassuna. Ele foi, essencialmente, um homem de teatro, sem deixar de ser um dos mais notáveis folcloristas com que o Brasil contou do século XX e inicio do século XXI. Pesquisador incansável, sempre deixou marcas superlativas em tudo o que fez. É dele – porque a obteve praticamente sozinho – a maior coleta do conto popular realizada no Brasil, assim como a das rondas infantis (feita com a parceria da esposa, dona Cleide Pimentel). Pesquisou e produziu obras fundamentais sobre o coco-de-roda, o boi-de-reis, a ciranda de adultos. Ultimava, com outros parceiros, a edição de um livro dedicado à coleta do romanceiro tradicional ibérico na Paraíba.



Educador - Advogado



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