Alongamento dos músculos da mastigaçÃo no tratamento das disfunçÕes temporomandibulares



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ALONGAMENTO DOS MÚSCULOS DA MASTIGAÇÃO NO TRATAMENTO DAS DISFUNÇÕES TEMPOROMANDIBULARES

James Felipe Tomaz de Morais – Monitor Bolsista da Disciplina Anatomia Aplicada a Fonoaudiologia II;


Ana Karine Farias da Trindade – Professor Responsável pelo Plano de Ação da Disciplina;
Eliane Marques Duarte de Sousa – Coordenador do Programa Acadêmico de Monitoria em Anatomia Humana.

Introdução:

Os músculos da mastigação é um conjunto de músculos responsáveis pela movimentação da mandíbula durante a mastigação, deglutição e fala. Recebem inervação motora através das fibras nervosas eferentes motoras conduzidas pelo componente motor do nervo mandibular, terceiro ramo do nervo trigêmeo (V par de nervos cranianos). As disfunções da articulação temporomandibulares (DTM) são alterações que acometem os músculos da mastigação, estruturas articulares ou ambos. Dor nas regiões de face, próximas à orelha são sintomas desta disfunção e podem ser classificadas como extracapsulares (de origem miogênica) e intracapsulares (de origem articular, por alteração de estruturas ou desarmonia de movimentação), nestes casos os desvios de mandíbula, alterações e assimetrias nos movimentos mandibulares normalmente constituem os principais sinais deste tipo de disfunção. Assim sendo, este grupo de músculos está frequentemente relacionado com casos de DTM, tanto aqueles relacionados à disfunções intracapsulares quanto extracapsulares. As consequências desses problemas articulares se refletem no indivíduo, durante a execução dos movimentos mandibulares (na mastigação, processo de preparatório da deglutição e na fala), como dor na região facial bem como nas dificuldades e limitações na abertura de boca. As etiologias das DTMs são multifatoriais, podendo ser resultado fatores estruturais, degenerativos, emocionais, desproporções esqueléticas, alterações neuromusculares e de oclusão, além de traumas na região da articulação temporomandibular (ATM).



Objetivo:

O objetivo do presente trabalho é realizar uma revisão da literatura a respeito do uso do alongamento dos músculos da mastigação como sendo uma proposta terapêutica para os casos de DTM, aplicando estes conhecimentos ao ensino e atualização profissional no que se refere ao tratamento das DTMs.


Método:

A pesquisa bibliográfica foi em busca do material indexado nas bases de dados da Medline (Pubmed), publicados entre 2000 e 2011, utilizando os descritores “temporomandibular joint disorder” e “masticatory exercises”. O descritor “muscle stretching” (alongamento muscular) não foi utilizado tendo em vista a falta de artigos que utilizem esta nomenclatura na língua inglesa. Foram selecionados apenas aqueles artigos que se propunham a descrever aspectos relacionados com exercícios de alongamento nos músculos da mastigação para o tratamento da DTM. Foram excluídos da análise de conteúdo artigos que foram publicados em mais de um periódico, outro idioma a não ser inglês, bem como aqueles que mencionavam o tratamento da disfunção sem a abordagem de terapia com foco nos músculos da mastigação.



Resultados:

Foram encontrados principalmente estudos que verificavam a eficácia dos exercícios de alongamento dos músculos da mastigação como proposta terapêutica nos casos de DTM, também foi resgatado estudos testando a efetividade do uso de dispositivos de alongamento muscular desenvolvidos para uso em terapia miofuncional, observando o desempenho dos exercícios em pacientes que não obtiveram sucesso em tratamentos mais convencionais e, ainda, verificando a influência das orientações com e sem terapia na melhora da sintomatologia das DTMs. Com os estudos, podemos observar a eficácia dos exercícios nos músculos da mastigação para o tratamento das DTMs. Foram confirmados resultados de melhora nos parâmetros de dor, funções mandibulares e também nos casos com deslocamento anterior do disco sem redução. Quanto aos dispositivos os resultados também foram satisfatórios no que diz respeito à utilidade desses aparelhos, porém não obtendo dados significativos, também verificou-se que é imprescindível a presença da terapia manual, e não somente orientações ao paciente, além da melhora do quadro de uma paciente com os exercícios de alongamento comparando com outros métodos. Os exercícios da musculatura mastigatória ajudam a diminuir a isquemia local, estimula a propriocepção, quebra as aderências fibrosas, estimula a produção de líquido sinovial e reduz a dor entre outros efeitos.



Discussão:

O diagnóstico e tratamento das DTMs são feitos por uma equipe com cirurgião-dentista, fonoaudiólogo, psicólogo e fisioterapeuta, cada um aplicando as propostas terapêuticas de sua área de acordo com a necessidade do paciente. A terapia com exercícios mastigatórios é feita tanto por fisioterapeutas quanto por fonoaudiólogos. A atuação da fisioterapia está relacionada à presença de dor nos músculos da mastigação e na ATM, além de alteração do equilíbrio entre os músculos que se fixam no crânio e coluna cervical. A fonoaudiologia se faz necessária nos casos de DTM por apresentar alterações na mastigação e na fala pela presença de dor e/ou limitações de abertura de boca. O que se supõe é que o tratamento apenas visando a sintomatologia dolorosa pelos fisioterapeutas não exclui totalmente e permanentemente as alterações no sistema estomatognático causadas pela DTM, provavelmente pela relação dos músculos com as funções estomatognáticas, as quais se encontram alteradas precisando, então, de um tratamento que envolva além da diminuição da dor, o reestabelecimento das funções estomatognáticas da mastigação, deglutição, respiração e fala, bem como a eliminação de hábitos que possam estar relacionados com os fatores etiológicos da desordem temporomandibular.



Conclusão:

Independentemente da proposta e o terapeuta que executará os exercícios, concluímos essa revisão confirmando a real eficácia da manipulação dos músculos da mastigação no tratamento das desordens temporomandibulares e explicitando a necessidade de novas pesquisas com uma metodologia que enfoque com mais detalhes os mecanismos fisiológicos que o alongamento desse grupo de músculos são feitos e que resultam na melhora dos sintomas e sinais das desordens da articulação temporomandibular.



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