Albert de Rochas a levitação



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Os eflúvios ódicos
por Albert de Rochas


Parte da “Introdução” à obra do Sr.
Barão de Reichenbach: Les Effluves Odiques

O emprego da baqueta
em busca das fontes e veios metálicos


Em fins do século XV vê-se aparecer o uso da baqueta giratória nas mãos de certas pessoas, para descobrir no solo os veios metálicos; no meado do século XVII empregam-na para a procura das águas e alguns anos depois ela se torna inteiramente célebre, graças a um campônio delfinês, Jacques Aymar, que oficialmente serviu-se dela para descobrir o autor dum assassínio cometido em Lião no ano 1692.

Depois desse acontecimento, que teve ruidoso eco, numerosas obras foram publicadas para estudar os fatos, detalhar os processos e apresentar as suas explicações.

O abade de Vallemont, como o Abade de Lagarde, e os Drs. Chauvin e Garnier, que igualmente estudaram a questão, atribuem os efeitos da baqueta aos corpúsculos que, desprendendo-se de todos os corpos, agem, seja diretamente sobre a baqueta, seja indiretamente sobre o corpo do operador, e, graças aos turbilhões postos em voga nessa época por Descartes, determinam o movimento da baqueta dum modo análogo àquele pelo qual o ímã atua sobre o ferro; mas esses eflúvios atuam diferentemente sobre os diversos indivíduos. Os bons operadores, dotados duma sensação especial, chegam a reconhecer a natureza dos diferentes eflúvios, quando já uma vez os tenham percebido e conhecido; por isso podem seguir, como o cão, a pista de um criminoso, uma vez que a tenham descoberto num ponto.

O padre Lebrun conclui, de diversos exemplos que cita, que a causa que faz girar a baqueta se acomoda aos desejos do homem e que ela segue suas intenções.

Não faltaram as experiências, umas sem o menor êxito, outras coroadas dele às vezes por processos diversos; ora era necessário ter na mão um objeto da mesma natureza que aquele que se buscava, para obter-se o movimento da baqueta; ora a baqueta apontava para todos os lados, menos para o lugar onde se achava um metal determinado ou uma corrente d’água, se se tivesse na mão esse metal ou um pano molhado.

No fim do século seguinte, um tal Sr. Bleton, delfinês, possuiu em grau elevado o poder de descobrir fontes, por meio da baqueta. Um médico distinto, o Dr. Thouvenel, tendo ouvido falar dele, pediu-lhe que viesse a Lorena e submeteu-o a numerosas provas cujos resultados publicou com o título de Memória física e medical mostrando relações evidentes entre os fenômenos da baqueta adivinhatória, o magnetismo e a eletricidade, Paris, 1781.

Thouvenel julga que das águas subterrâneas e dos minerais escondidos na terra se desprendem eflúvios que, penetrando no corpo do mágico pelos pés, olhos e pulmões, passam para o sangue, atuam sobre o sistema nervoso e produzem uma comoção no peito. Daí os movimentos inconscientes que determinam a rotação da baqueta; daí também o aumento das pulsações, com febre, suores, síncope e perda considerável de forças.

Após essa publicação, Bleton veio a Paris, onde foi examinado por diversos membros da Academia, notadamente por Lalande, que lhe armaram ciladas em que ele caiu; fato que se tem visto e deve reproduzir-se sempre que as sensações delicadas dos sensitivos forem submetidas a influências perturbadoras, mesmo simplesmente morais.

Depois da Revolução, o Dr. Thouvenel emigrou para a Itália, aonde conduziu outro mágico, Pennet, também delfinês; ele o fez experimentar por diversos sábios, como Spallanzane, o padre Barletti, professor de física experimental em Pávia; Charles Amoretti, diretor da Biblioteca Ambosiana de Milão,92 e Fortis. Este último publicou o resultado de suas experiências na Memória para servir a História Natural e principalmente a Orictografia da Itália e dos países adjacentes, 1802.

Pennet conseguiu achar depósitos metálicos e um aqueduto subterrâneo, mas foi mal sucedido em certo número de experiências; o que prova somente a instabilidade dessas faculdades especiais, visto não se poder estabelecer uma comparação entre o número dos êxitos e o dos insucessos, quando se trata de achar um objeto colocado em lugar determinado e extremamente restrito em relação ao espaço em que se faz a experiência.

Alguns anos depois, em 1806, um sábio alemão, Ritter, que tinha visto como operava Pennet, encontrou essa mesma faculdade de hidroscópio num jovem campônio chamado Campetti. Ritter conduziu-o a Munique, onde ele foi igualmente experimentado por Schelling e Francisco Baader.

O Conde de Tristan publicou em 1826 um livro sob o título Estudo de alguns eflúvios terrestres, onde constata a realidade do movimento inconsciente da baqueta sobre as correntes d’água e na vizinhança dos metais, expondo com muito boa-fé e franqueza as numerosas experiências que tentou para estabelecer uma teoria, infelizmente um tanto confusa. Limitar-me-ei a algumas das suas conclusões:

“A Terra emite eflúvios de natureza elétrica que diferem em quantidade e qualidade, conforme os lugares, as estações e as horas; esses eflúvios penetram nos corpos de certas pessoas que possuem uma condutibilidade especial e aí se polarizam, passando o fluido positivo ou boreal para a metade direita e o negativo ou austral para a metade esquerda. As meias de seda se opõem ao movimento da baqueta, impedindo que o fluido penetre no corpo do sensitivo; da mesma maneira, o movimento é detido pelas fitas de seda que cerquem os punhos da baqueta, interrompendo assim a corrente. Se o fluido positivo vencer o negativo, a baqueta, partindo do plano horizontal, se eleva; ela se abaixa no caso contrário. O fluido que se desprende do solo, por cima duma corrente d’água, é devido ao atrito da água contra as paredes do canal.”

Experiências feitas no século XIX
com o pêndulo e instrumentos análogos


As experiências feitas com a baqueta giratória induziram Fortis, Amoretti, Volta, Ritter, Schelling e Baader a se ocuparem de outro fenômeno inteiramente análogo: o de um pêndulo seguro na mão e que toma movimentos diversos, conforme a natureza das substâncias sobre as quais está suspenso. Os resultados obtidos pelo Rr. Ritter foram publicados, em janeiro de 1807, pelo Morgenblatt, de Tubingue. Aí se encontram indicações um tanto claras sobre a polaridade do corpo humano, dos ovos, das frutas, dos metais, etc. Ritter emite a opinião de que a baqueta adivinhatória é apenas um duplo pêndulo que, para ser posto em movimento, só precisa duma força superior àquela que produz os movimentos do pêndulo simples. Eis o que ele diz:

“Toma-se um cubo de pirite, de enxofre nativo ou um metal qualquer. A grandeza e a forma desse metal são indiferentes (pode-se, por exemplo, empregar um anel de ouro). Prende-se isso a um fio cujo comprimento seja de três a seis decímetros; aperta-se o fio entre os dedos, suspendendo-o perpendicularmente e impedindo todo o movimento mecânico; convém que se molhe um pouco o fio.

Nestas condições, coloca-se o pêndulo por cima dum vaso cheio de água ou dum metal qualquer; escolhe-se, por exemplo, uma moeda, uma placa de zinco ou de cobre; o pêndulo faz insensivelmente oscilações elípticas, que se formam em círculo e tornam-se cada vez mais regulares. Sobre o pólo norte do ímã, o movimento se efetua da esquerda para a direita; e sobre o pólo sul, da direita para a esquerda. Por cima do cobre ou da prata, dá-se o mesmo que sobre o pólo sul; por cima do zinco ou da água acontece o mesmo que sobre o pólo norte.

Deve-se proceder sempre do mesmo modo, isto é, aproximar o pêndulo do objeto, seja por cima, seja por um dos lados; porque, modificando-se a aplicação, modifica-se também o resultado; o movimento que se fazia da esquerda para a direita se fará da direita para a esquerda e vice-versa. Não é também indiferente que a operação se faça com a mão direita ou a esquerda; porque em alguns indivíduos há tal diferença entre o lado direito e o esquerdo, que ele produz uma diversidade de pólo.

Toda a suposição de erro nestas provas é fácil de destruir, porque o pêndulo oscila sem o menor movimento mecânico; a regularidade dos movimentos acabará por convencer-vos disto.

Podeis multiplicar as experiências ou mesmo dar ao pêndulo um impulso mecânico oposto ao seu movimento; ele não deixará de retomar a primitiva direção quando cessar a força mecânica.

Se suspender-se o pêndulo por cima de uma laranja, uma batata, etc., do lado do talo, o movimento se efetua como sobre o pólo sul do ímã; se voltar-se o fruto para o lado oposto, o movimento também muda; a mesma diferença de polaridade se apresenta nos cabeços dum ovo fresco. É ainda mais notável nas diversas partes do corpo humano. Por cima da cabeça o pêndulo faz o mesmo movimento que sobre o zinco; por cima da planta dos pés, o mesmo que sobre o cobre; por cima da testa, dos olhos ou do queixo o mesmo que sobre o pólo norte; por cima do nariz ou da boca o mesmo que sobre o pólo sul. Experiências análogas podem ser feitas sobre todas as partes do corpo. O movimento que se dá na palma da mão é inverso do que se opera na sua parte externa. O pêndulo move-se por cima de cada ponta de dedo; mas o quarto dedo (o anular) provoca um movimento inverso; possui igualmente a faculdade de deter o pêndulo ou dar-lhe outra direção, quando o colocamos sozinho na extremidade da mesa das experiências.”

Em 1808, Gerboin, professor na Escola Médica de Estrasburgo, publicou seus Estudos experimentais sobre um novo meio de ação elétrica, volume de 356 páginas em que descreve 253 experiências com um pêndulo formado por uma bola fixa na extremidade de uma linha, cuja parte superior é simplesmente presa entre o polegar e o indicador. Essa obra é digna de ser consultada, porém torna-se difícil analisar a complexidade de suas conclusões.

Em 1812, tendo Deleuze exposto as pesquisas de Fortis, Amoretti e Ritter a Chasreul, este falou sobre o assunto a Ersteat, então em Paris. Ambos constataram então os movimentos do pêndulo; mas, apesar do conceito que lhes merecia a opinião de Ritter, reservaram o seu parecer acerca da causa do movimento. Alguns anos depois (1833), Chevreul, que continuara a fazer experiências do fenômeno, publicou na Revue des Deux-Mondes, sob a forma de carta dirigida a Ampère, as seguintes conclusões:

Pensar que um pêndulo seguro pela mão do experimentador pode mover-se e se move, sem que se tenha consciência de que o órgão lhe dá um impulso, eis o primeiro fato.



Ver esse pêndulo oscilar e esse movimento tornar-se mais extenso pela influência da vista sobre o órgão muscular, sempre sem se ter consciência disso, eis o segundo fato.”

Chevreul explica esses dois fatos pela simples suposição de que a possibilidade dum movimento provoca movimentos musculares inconscientes para produzi-lo, e que a vista dum movimento provoca, por imitação, movimentos da mesma natureza. Em apoio desta última proposição, ele fez notar que:

1º) Quando a atenção está inteiramente fixa sobre um pássaro que voa, sobre uma pedra que fende o ar ou sobre a água que corre, o corpo do espectador se dirige dum modo mais ou menos acentuado para a linha do movimento.

2º) Quando um jogador de bola ou bilhar segue com a vista o objeto a que deu movimento, inclina seu corpo na direção que deseja dar ao objeto, como se lhe fosse ainda possível dirigi-lo para o ponto que quis fazer atingir.

Chevreul aplicou essa mesma explicação às mesas girantes, numa obra que publicou em 1854, porém, não podendo explicar os movimentos sem contato, não pode mais essa explicação ser invocada para a generalidade dos fatos.

Mas, nessa época em que os movimentos sem contato pareciam tão absurdos que nem mesmo eram discutidos, todos os esforços daqueles que atribuíam os movimentos do pêndulo a uma ação exercida sobre a matéria do mesmo por um agente fluídico especial emitido pelo operador deviam tender somente a dispor as condições da experiência de modo a anular o efeito dos movimentos inconscientes em contacto com o pêndulo. Foi o que fez, primeiro que todos, o Sr. J. de Briche, secretário-geral da Prefeitura de Loiret, por meio dum aparelho muito simples, que lhe dava um ponto de suspensão fixo. Esse aparelho compunha-se dum escabelo pequeno de carvalho, com cerca de 30 centímetros de altura, formado duma travessa de 20 a 25 milímetros de espessura e 13 a 14 centímetros de largura por 36 centímetros de comprimento, fixo sobre uma mesa sólida, a fim de lhe dar toda a estabilidade necessária e servir de apoio à mão do operador. À extremidade dum fio de seda, cânhamo, linho, algodão ou lã, de 21 a 22 centímetros de comprimento, ele pendia um anel, uma pequena bola ou um pequeno cilindro de metal (ouro, prata, cobre ou chumbo); fixava esse fio no meio da parte horizontal do escabelo com uma pequena pelota de cera, que o tornava aderente à madeira; nesta posição, o pêndulo, apresentado a uma substância qualquer, fazia espontaneamente, pelo contato da mão com o fio, movimentos rotatórios ou de oscilação; quando o apresentavam a outro objeto capaz de produzir movimento diverso, não era necessário deter o primeiro movimento, o qual, continuando os dedos aplicados sobre o fio, se modificava mesmo insensivelmente para passar aquele (às vezes inteiramente contrário) que devia ser produzido pelo novo objeto.

Afinal, o Sr. Briche reconheceu que o pêndulo, ao simples contato do dedo e sem impulso algum sensível comunicado pela mão, faz todas as oscilações que lhe impõe a vontade do operador.93

Iguais experiências foram empreendidas no ano de 1851, em Brighton (Inglaterra), pelo Sr. Rutter.94

Numa conferência feita no Instituto Literário e Científico da Brighton, sobre certas questões de fisiologia humana, é que o Sr. Rutter apresentou ao público, para apoiar suas demonstrações, um aparelho de sua invenção denominado magnetoscópio.

Esse instrumento era uma mesinha de acaju bem seco e envernizado, composta de uma coluna, um suporte e um disco. O disco sustentava-se por um eixo que se introduzia no interior do suporte e era seguro por um parafuso. Esse aparelho mantinha-se estável sobre uma mesa perfeitamente horizontal, colocada numa sala onde não houvesse vibrações do soalho. Uma haste de cobre atravessa uma bola de cobre e se encaixa numa cavidade praticada no centro da coluna; a haste vai adelgaçando-se para a sua extremidade fendida em forma de pinça, que se pode fechar ou abrir à vontade por meio dum anel corrediço.95

Em vez de chumbo, o magnetoscópio era armado dum pedaço de lacre em forma de pião, preso às pontas da pinça por meio dum fio de seda extremamente fino. Sobre o disco era colocada uma manga de vidro, com cerca de 4,5 polegadas de diâmetro, ficando o centro de sua base imediatamente por baixo e distante do pião cerca de 1 polegada inglesa. Na base em que assentava essa manga, estava colocando o diagrama da rosa-dos-ventos.

O pêndulo, a fim de ser protegido contra as correntes atmosféricas da sala e contra a respiração dos assistentes ou do operador, ficara encerrado na manga de vidro, cuja altura era de 12 polegadas.

As condições para se usar o instrumento eram as seguintes: colocar-se ao lado do aparelho, tomar entre o polegar e o indicador da mão direita a bola de cobre que sobremonta a coluna, sem apertar muito os dedos; dobrar contra a palma da mão os dedos não empregados e fixar os olhos no pêndulo. Como se vê, Rutter queria evitar as objeções e pretendia, isolando assim o pêndulo, demonstrar experimentalmente a existência de correntes ou irradiações magnéticas emanando não só do organismo humano, mas também de todos os corpos da Natureza.

Apesar das precauções que havia tomado na construção do seu aparelho, suas teorias e seus processos experimentais foram violentamente atacados; numerosas polêmicas, cujo traço se encontra no jornal científico da época, o Homœpatic Times, reproduziram mais ou menos as mesmas objeções que já haviam sido feitas por Chevreul, apoiando-se sobre a imperfeição de certos detalhes da construção.

Foi então que o Sr. Dr. Léger, médico francês residente em Londres e partidário das teorias de Rutter, procurou invalidar essas objeções, construindo um novo aparelho que lhe pareceu dever afastar toda a suspeita de impulso muscular voluntário ou inconsciente. Colocou o pêndulo numa campânula de vidro, sobre a qual havia uma armadura de cobre terminada por uma bola; depois, inspirando-se numa das experiências em que Rutter provava que as substâncias animais mortas como os ossos, o marfim e a barbatana, não têm a menor influência ativa sobre o pêndulo, fez partir da bola de cobre duas hastes do mesmo comprimento colocadas em direções opostas, uma de cobre como a armadura, e a outra de osso, marfim ou espinho de porco, cada qual sustentando um fio de seda da mesma extensão e um pião de lacre com a mesma forma e igual peso. Assim, o instrumento comportava três pêndulos: um central, colocado sob a campânula e diretamente acionado; o outro no extremo da haste de cobre e que, indiretamente acionado, tomava o nome de repetidor (pois recebia a mesma ação que o pêndulo central); e finalmente, o terceiro na ponta da haste de matéria orgânica que, em virtude das propriedades especiais dessa substância, não transmitia e corrente e, conservando-se na inércia mais completa, tomava o nome de testemunha. Era evidente que, num aparelho assim construído, o menor impulso mecânico, a mais leve ação muscular, consciente ou inconsciente, devia, se viesse a produzir-se, abalar os três pêndulos; todos os três, pela própria natureza do seu modo se suspensão, que era idêntico e duma mobilidade extrema, deviam simultaneamente responder à mesma ação mecânica; e é fácil compreender que a imobilidade absoluta do pêndulo testemunha durante o trabalho dos dois outros (pêndulo central e pêndulo repetidor) deviam ser o sinal comprovativo da realidade do fenômeno, isto é, da passagem da corrente emitida duma fonte qualquer, vindo sensibilizar o aparelho de demonstração. Tal era em seu conjunto o aparelho com que o Dr. Léger repetiu as experiências de Rutter e pôde, variando-as ao infinito, demonstrar não só que cada corpo da Natureza, mineral, vegetal ou animal, é dotado de propriedades irradiantes especiais, mas também que a vontade do homem é uma força efetiva, suscetível de influenciar, pela irradiação, a matéria inerte.

Das experiências publicadas pelo Dr. Léger, em Londres, resulta, com efeito, que pela influência só duma vontade firme e seguida, e sem o auxílio de alguma força mecânica (pois basta um simples e leve contato do dedo com a armadura), o pêndulo entra em movimento na direção exigida sobre todas as linhas do diagrama, isto é, descreve à vontade rotações normais ou inversas e oscila nos rumos: N.S. - E.O. - N.E. e S.O. - N.O. e S.E., etc.

Desse fato, porém, não se deve concluir que a vontade seja sempre a causa única dos movimentos do pêndulo e, conseguintemente, que o instrumento não pode dar uma indicação diversa da que o operador deseja; todas as substâncias com que o operador se põe em relação, tocando-as com a mão esquerda, modificam dum modo especial os movimentos de rotação ou oscilação do pêndulo; e isto não é uma ilusão, porque não é necessário que o operador saiba com antecedência em que substância vai fazer a experiência, para que o fenômeno se realize. A substância sujeita à experiência pode mesmo ser encerrada numa caixa de papelão ou num tubo de vidro. Esse processo, sem conhecer-se previamente o nome da substância e, por conseguinte, o resultado que ela deve dar, é a maior garantia da sinceridade da operação e ao mesmo tempo dá uma perfeita segurança da neutralidade do operador. O que convém saber é que o operador pode substituir a ação de sua vontade à que resulta da irradiação especial do corpo do operador, ou deixar o campo livre à manifestação dessa irradiação, reduzindo sua potência volitiva pessoal a um estado de neutralidade passiva. “São, diz o Dr. Léger, variantes muito delicadas a que nem todos os experimentadores ligaram importância, e é à ignorância dessa condição indispensável ao manejo dum aparelho tão delicado que é devida a verdadeira causa das irregularidades ou variações descritas nos relatórios das experiências, variações que puderam fazer duvidar a autenticidade do fenômeno.”

Assim, apesar das numerosas experiências feitas pelo Dr. Léger com um aparelho cuja precisão, como construção, pouca margem deixava às objeções, a idéia fez pouco progresso. Não foi, entretanto, abandonada e isso é a melhor prova do seu valor; nem por um só instante deixou de ser objeto de estudos perseverantes e curiosos. O químico Louis Lucas foi quem, em 1834, se esforçou primeiramente por fixar as relações que ligam os seres vivos às forças livres ambientes; serviu-se alternadamente de agulhas não imantadas de ferro batido e de um galvanômetro especial a que chamou biômetro ou balança da vida;96 suas conclusões são as mesmas que as dos experimentadores do pêndulo e podem ser assim resumidas:

1º) cada corpo é dotado de um poder irradiante especial;

2º) essa irradiação é traduzida e ritmada fielmente pela agulha do biômetro, não só quando em contato, mas também a distância;

3º) a influência da vontade no fenômeno da transmissão é considerável;

4º) os seres vivos se diferenciam entre si pelo grau de intensidade da influência que cada um deles exerce sobre o instrumento;

5º) a ação dos corpos mortos é nula;

6º) os vegetais e os minerais, como os corpos orgânicos vivos, têm influências irradiantes, porém menores;

7º) essas influências irradiantes são polarizadas;

8º) o caráter desse movimento irradiante é ser contínuo e em relação constante com o foco da ação, o que permite estabelecer uma hierarquia progressiva na emissão radiante de todos os corpos da Natureza, minerais, vegetais e animais.

Em 1855, o Dr. Durand de Gros (Dr. Philips) constatou 97 em todos os corpos a existência de uma força que, segundo a natureza desses corpos, é suscetível de determinar a distância e apesar da interposição de matérias densas e compactas, efeitos especiais sobre a economia viva, efeitos cujo caráter e intensidade podem ser exatamente determinados por meio de processos mecânicos. Deu a essa força irradiante, cujas propriedades variam em razão da qualidade ou do arranjo molecular, o nome de eletricidade peolética, por oposição a eletricidade posotética, cujas propriedades, segundo ele, também variam em razão do arranjo molecular, mas sobretudo em razão das massas. Renovou todas as experiências feitas por seus predecessores sobre o pêndulo, servindo-se do aparelho do Dr. Léger, que ele vira em Londres; a longa série de resultados concordantes, obtidos pelo Dr. Durand de Gros, induziu-o às seguintes conclusões:

1º) existe um novo princípio de física que se depreende incontestavelmente do conjunto dos resultados particulares obtidos mais ou menos simultaneamente na França, Áustria 98 e Inglaterra, e por homens cujos estudos tendiam para o mesmo fim, sem que houvesse combinação entre eles;

2º) a influência exercida por uma substância sobre o pêndulo é sempre a mesma em natureza e amplidão, qualquer que seja a quantidade dessa substância; assim, a experiência prova que simples glóbulos homeopáticos, de dinamizações elevadas (a 30º, por exemplo), produzem sobre o pêndulo um efeito idêntico ao da mesma substância, em massa, que esses glóbulos representam;

3º) nas experiências pouco importa, para o resultado final, que a substância esteja descoberta na mão ou colocada, quer numa caixa de papelão, quer num tubo de vidro hermeticamente fechado, o que indica que um certo isolamento entre o experimentador e a substância não diminui sensivelmente o efeito obtido pelo contato direto.

Vinte anos depois, o Conde de Puyfontaine demonstrou, por meio de um aparelho de sensibilidade extrema, a possibilidade, para a maioria dos homens, de produzir a distância movimentos, sob a influência da vontade.

Eis como a Enciclopédia Popular de Pierre Conil, publicada em Paris no ano de 1880, relata as experiências do Dr. de Puyfontaine, sob o título Magnetismo:

“Há, no ato magnético, emissão de um fluido dotado de qualidades especiais, em virtude do meio que o origina, e apresentando em sua essência eterna uma analogia pronunciada com os fluidos elétrico e eletromagnético.

O homem cuja vontade põe em jogo o mecanismo dessa ação assemelha-se a uma pilha e, como ela, produz correntes partindo dele para voltarem a ele, depois de atravessarem condutores especiais e seres animados.

Esta verdade física foi demonstrada, desde 1876, por experiências efetuadas na presença de várias pessoas, não deixando pairar dúvida sobre a exatidão de um fato até então contestado.

O Conde de Puyfontaine fez construir pelo Dr. Rhumkorf um galvanômetro de fio de prata, cuja sensibilidade é a maior possível. Esse fio de prata tem uma extensão de 80 quilômetros. O aparelho, posto em comunicação com a mais fraca fonte elétrica, fornece todas as indicações conhecidas, quando se introduz no circuito um regulador, um interruptor e um comutador. Suprime-se depois a fonte elétrica, do mesmo modo que os instrumentos acessórios, e agarra-se com as mãos os eletrodos.

O repouso, os deslocamentos da agulha para a direita ou para a esquerda, ou o seu estacionamento num grau designado, revelam a ausência ou a passagem do fluido humano, seu reforço ou enfraquecimento, à vontade da pessoa que substituiu a fonte elétrica.

Pode-se igualmente colocar os eletrodos em recipientes isolantes ou isolados, contendo água pura, e obter as mesmas indicações operando com os dedos mergulhados n’água em frente dos eletrodos.

Resulta dessas experiências que o homem possui em si uma fonte fluídica; as correntes que daí tira podem ser projetadas fora dele e é em sua vontade que se acham o excitador, o comutador, o regulador e o interruptor dessa faculdade, que se prende à própria vida e cujo princípio reside em causas de ordem superior.”

Em 1881, o Dr. Baréty, de Nice, apresentou à Sociedade de Biologia uma memória com o título: Des propriétés physiques d’une force particulière du corps humain, force neurique rayonnante, connue vulgairement sous le nom de magnétisme animal. Mais tarde, em 1889, publicou uma obra volumosa sobre o magnetismo animal,99 em que procurou pôr de acordo os braidistas com os mesmeristas, apresentando a força nêurica como uma força essencialmente física análoga às que são conhecidas: som, calor, luz e eletricidade.

“Na revisão do magnetismo que se procede há tantos anos, ficamos – diz ele – no período analítico; mas talvez não estejamos muito longe do dia em que todos os fenômenos, grupados no mesmo feixe por um grande trabalho de síntese, aparecerão aos olhos do público com a sua brilhante e indestrutível simplicidade.”

O Dr. Baréty cita, aprovando-as, as experiências feitas por um colega seu, o Dr. Plamat, a fim de dar uma prova visível da ação irradiante da força nêurica sobre os objetos inanimados.

O aparelho do Dr. Plamat consiste numa agulha de aço extremamente fina, de três ou quatro centímetros de comprimento, na qual está enrolado um fio de latão muito fino, cujas extremidades se prolongam cinco centímetros além da agulha e terminam por duas pequenas asas. É depois preso pelo meio a uma tira de papel gomado de um a dois centímetros de largura, cuja parte livre, talhada em ângulo agudo, é munida dum fio de seda para suspender o aparelho a um globo de vidro cobrindo um semicírculo graduado de ambos os lados até 90 graus, com a linha mediana no zero. Assim, ao abrigo de toda corrente de ar e da ação instantânea de calórico, a agulha livre conduz (ainda que não imantada), com extrema lentidão, toda a equipagem para o meridiano magnético do lugar; sofrendo francamente a ação coercitiva do globo, ela oferece a vantagem de desempenhar o papel de mola em relação às ações espontâneas ou provocadas, às quais pode ser submetida. Essas ações, consideradas como correntes eletromagnéticas dos corpos, não se exercem sensivelmente, através do vidro de campânula, senão para os animais; ao passo que, tratando-se de metais, madeiras, cristais, etc., só se obtém efeito apresentando-os diretamente às pequenas asas da agulha. Essas influências se traduzem pela atração ou repulsão. Apresentando um ou vários dedos por fora do globo na frente duma asa da agulha, e seguindo muito lentamente o contorno do anteparo de vidro, pode-se fazer que a agulha descreva um ângulo de 90 graus. A produção dessa força não é exclusiva do sistema nervoso, pois é também observada nos minerais, e o aparelho do Dr. Plamat parece próprio para medir o grau de tensão da sua emissão irradiante.

O Dr. Baraduc também procurou estabelecer um modo de medição exata dessa emissão; para isso serviu-se do magnetômetro do abade Fortin, cuja construção complicada não dá talvez ao experimentador a mesma certeza sobre a verdadeira causa do fenômeno, mas permite constatar a ação das correntes.

Foi assim que o Dr. Baraduc chegou à conclusão de que o corpo humano é influenciado pelo meio que o envolve, e exerce sobre os corpos vizinhos uma ação proporcional ao grau da sua própria energia.100 Esse corpo tende constantemente a colocar-se em relação harmônica com o estado vibratório ambiente; daí as influências recíprocas que existem dum modo permanente entre o organismo e todos os corpos da Natureza e a possibilidade, com um aparelho suficientemente sensível, de constatar as variações dessas emissões irradiantes. É nesse ponto que o aparelho do abade Fortin constitui, segundo o Dr. Baraduc, um processo de biometria suscetível de dar uma medida suficiente da tensão numa pessoa sã ou enferma. Constatou que a fórmula biométrica assim obtida estava em relação com a energia da pulsação arterial e da força muscular dada pelo dinamômetro.

O Sr. Thore, de Dax, publicou em 1887, no Bulletin de la Societé Scientifique de Borda, as experiências que fez, por meio de um novo aparelho, sobre “a emissão irradiante de uma nova força”.

Esse aparelho compõe-se de um cilindro de marfim com 24 milímetros de comprimento e 5 de diâmetro, suspenso por um simples fio de seda, de tal maneira que seu eixo fica bem no prolongamento do fio de suspensão, que se fixa pela outra extremidade num suporte que tem uma juntura permitindo levantar ou abaixar o cilindro sem imprimir-lhe abalos bruscos; em uma palavra, é um pequeno pêndulo que se coloca ao ar livre, no centro de uma mesa bem fixa, posta no meio de um compartimento cujas aberturas se acham todas fechadas para evitar tanto quanto possível os movimentos da atmosfera.

Obtida a estabilidade do cilindro suspenso, se lhe for aproximado outro cilindro também de marfim e disposto verticalmente, ver-se-á produzir no primeiro cilindro um movimento acelerado de rotação, que parede não ter outro limite senão o esforço contrário desenvolvido pela torção do fio. Essa rotação se efetua sempre no mesmo sentido que a das agulhas de um relógio, quando o segundo cilindro está colocado à esquerda do primeiro em relação ao observador fazendo face ao aparelho, e em sentido contrário quando o segundo cilindro está colocado à direita.

A natureza das substâncias dos dois cilindros é sem efeito sobre a produção do movimento, do mesmo modo que a sua quantidade; o sentido da rotação está intimamente ligado à posição do observador em relação ao aparelho, o que parece indicar que a origem dessa força está no próprio observador. O autor conclui que é inútil procurar a causa desses singulares movimentos nas forças físicas conhecidas, pois deve ser uma propriedade inerente ao organismo humano e talvez uma propriedade geral da matéria viva.

Há alguns anos tive ocasião de conhecer em Turene um venerável sacerdote, o abade Guinebault, cuja sensibilidade nervosa era tal que ele teve de renunciar ao serviço paroquial. As tempestades afetavam-no de um modo terrível;101 ele gozava da propriedade de encontrar as correntes de água com uma baqueta de ponta de ferro, indicando exatamente a sua profundidade; além disso, podia indicar com os olhos vendados a direção do pólo magnético.102 Tendo-lhe dito um capitão de navio que os chineses se serviam do pêndulo para descobrir as fontes, ele fez experiências que deram o seguinte resultado:


“a) Movimento do pêndulo sob a ação dos cursos d’água subterrâneos

Se eu conservar na minha mão direita um anel de ferro, cobre ou ouro, suspenso por um fio de cânhamo ou de linho, e voltar a minha face no sentido de uma corrente d’água subterrânea, isto é, olhando para a vazante, meu pêndulo põe-se logo a oscilar em linha reta no sentido da corrente e as oscilações não tardam a atingir de 76 a 80 centímetros de amplitude, se o fio for assaz longo; depois, no fim de três ou quatro minutos, o pêndulo começa a descrever elipses alongadas, em seguida círculos concêntricos, e acaba por oscilar num plano perpendicular à corrente.

Mas esse movimento não é definitivo, porque o pêndulo repassa depois pelo movimento elíptico e pelo movimento circular, para voltar ao movimento plano no sentido da corrente, e assim indefinidamente, sem nunca variar.

Dois jovens professores do pequeno seminário de Tours, a princípio incrédulos, acabaram por experimentar esses efeitos.

Coisa estranha! cada vez que levanto o pé direito, deixando só o esquerdo em contato com o chão, não se produz espécie alguma de movimento, qualquer que seja o tempo da experiência. Se eu trouxer uma luva de seda na mão direita, ou simplesmente um lenço de seda no lado direito do pescoço, todo o movimento se detém subitamente.

Enfim, se eu tiver o pêndulo na mão esquerda, nunca o fenômeno se dará. Se, em vez de colocar-me a princípio no sentido da corrente, voltar a face para o lado oposto, isto é, olhando para o ímã, o pêndulo põe-se logo em movimento; mas, em vez de balançar-se no sentido da corrente, oscila a princípio perpendicularmente e passa, do mesmo modo que no caso procedente, por movimentos elípticos e circulares, para oscilar no sentido da corrente, e assim seguidamente.

Vê-se que o movimento do pêndulo, admitindo que ele seja determinado pela presença do curso d’água, é dirigido pela posição do corpo.


b) Movimento do pêndulo por influência do magnetismo terrestre

Quando, tendo na mão o pêndulo, volto minha face para o lado norte, o pêndulo se move no plano do meridiano magnético, dirigindo-se primeiro para o norte; depois, porém, de algumas oscilações nesse plano, ele se inclina um pouco para a esquerda, descreve sucessivamente elipses e círculos e acaba por se mover num plano perpendicular ao meridiano magnético.

Se, em vez de voltar a face para o norte, o fizer para o sul, o pêndulo, em vez de oscilar a princípio no plano do meridiano, entra logo em movimento no plano perpendicular. A ação da corrente magnética é muito mais fraca que a das correntes d’água.


c) Ação da vontade

Quando o pêndulo está bem lançado na direção do meridiano magnético, por exemplo, se eu, por uma vontade íntima muito firme, lhe ordenar que se detenha, ele o faz quase instantaneamente e conserva-se imóvel enquanto se mantiver a minha vontade proibitiva.

Ainda mais, se uma pessoa estranha tomar-me a mão e quiser mentalmente que o pêndulo se dirija num sentido que ela não me indica, o pêndulo se detém logo e toma pouco a pouco a direção mentalmente indicada.

Devo acrescentar que, sob a ação de certas influências, provavelmente atmosféricas, perco às vezes toda a influência sobre o pêndulo e fico muitos dias sem poder pô-lo em movimento pelo processo usual empregado, apesar duma vontade enérgica e da persistência do ensaio.”

* * *

Terminarei este estudo pela exposição ainda inédita das pesquisas do Sr. Alphonse Bué, a quem devo grande parte das informações precedentes e que, como Reichenbach, estudou a questão com uma perseverança e um método inteiramente excepcionais.

Considerando as objeções feitas contra os primeiros processos de experimentação, que deixavam, com efeito, um campo vasto à crítica, o Sr. Bué aplicou-se a rodear suas experiências de todas as garantias suficientes; variando para isso, tanto quanto possível, os seus meios de verificação, ele estudou ao mesmo tempo nos corpos vivos organizados e nos corpos inorgânicos, não só o modo de transmissão dessa força misteriosa tão diversamente apreciada, mas ainda suas transformações e sua influência.

Em fins de maio de 1886, o Sr. Bué apresentou ao Sr. Chevreul o resultado de suas pesquisas sobre as propriedades magnetóides dos corpos e sobre a influência irradiante das correntes nervosas.

O Sr. Chevreul transmitiu, no mês de agosto do mesmo ano, essa comunicação à Academia das Ciências.

A objeção feita contra a sensibilização do pêndulo pela corrente emanante da rede nervosa do operador foi mais ou menos a mesma que a que já tinha sido formulada 50 anos antes, na Revue des Deux-Mondes.

Os músculos, diziam, sendo os órgãos auxiliares da vontade, obedecem às ordens desta com uma precisão e uma prontidão tais que os movimentos que resultam são muitas vezes espontâneos e voluntários.

A atenção e a antecipação têm uma influência tão poderosa sobre o sistema nervoso inteiro que certos fenômenos subjetivos se apresentam muitas vezes de modo a simular os efeitos produzidos por causas exteriores ou objetivas; assim, o ouvido atento e ansioso percebe sons no silêncio mais profundo, o olhar atento, que espia febrilmente, vê objetos imaginários; a atenção, fixada sobre uma parte determinada do corpo, produz sensações particulares; enfim, um movimento antecipado pode perfeitamente, pela mesma razão, ser inconscientemente preparado pelos músculos encarregados da produção desse movimento. Não havia, pois, mais que um passo para se tirar daí a conclusão de que o movimento impresso ao pêndulo conservado entre os dois dedos do experimentador era apenas resultado de um impulso muscular inconsciente, gerado pela concentração da atenção antecipada do operador; e é sobre este ponto que a crítica se apoiava para negar a existência de correntes emanando dos corpos e irradiando ao redor deles, na produção do fenômeno.

O Sr. Bué, por uma longa prática no estudo do magnetismo humano, verificara muitas vezes a troca dessas correntes,103 não só entre dois organismos em contato, mas ainda entre organismos colocados a distâncias mais ou menos consideráveis um do outro, tinha motivos bastantes para crer na generalização do fenômeno.

Resolveu, portanto, assentar sua convicção em experiências feitas em condições rigorosas; e foi com esse intuito que reconstituiu em 1886, por meio de documentos colhidos na Biblioteca Real de Londres, o aparelho do Dr. Léger, cujas disposições especiais apresentam, por causa do pêndulo testemunha, garantias suficientes para que não se possa mais fazer intervir na crítica a antecipação ou a tendência ao movimento. Com esse aparelho renovou todas as experiências dos seus antecessores, imaginou mesmo outras e, para dar ao fenômeno uma consagração mais firme, confrontou as experiências do pêndulo com as que foram simultaneamente empreendidas em indivíduos sensitivos pelos Srs. Dècle e Chazarain, que então estudavam as leis da polaridade. A concordância dos resultados obtidos por esses dois modos é extremamente curiosa.

Os Srs. Dècle e Chazarain experimentaram sucessivamente em seus sensitivos a influência das correntes polarizadas do organismo humano, dos ímãs, da eletricidade, das cores e substâncias vegetais, enfim de todos os produtos químicos, sais, bases ácidas, álcalis, metais e metalóides. O Sr. Bué, sem ter indicação alguma dos efeitos assim obtidos por esses senhores, verificava a seu turno cada experiência pelo seu aparelho.

Para se compreender os pontos de comparação por meio dos quais se pode admitir a identidade dos fenômenos, é preciso saber-se que o pêndulo faz seis movimentos absolutamente distintos, cujo traço é indicado no diagrama da base do aparelho:104

1º) por um círculo dando duas rotações circulares antagonistas: a) Rotação normal, movimento circular da direita para a esquerda no sentido do movimento das agulhas de um relógio; b) Rotação inversa, movimento circular da esquerda para a direita em sentido inverso do movimento das agulhas;

2º) por duas outras linhas cortando-se em ângulo reto, em oposição normal; c) Movimento de oscilação N.S.; d) Movimento de oscilação E.O.;

3º) por duas outras linhas cortando-se igualmente em ângulo reto, em oposição normal; e) Movimento de oscilação N.E. – S.O.; f) Movimento de oscilação N.O. – S.E..

Os operadores admitiam como resultado de uma polaridade positiva (+) os movimentos seguintes:105



  • Rotação normal (R.N.); oscilações N.S. e N.E. – S.O.. Por este fato, os três outros movimentos do pêndulo: Rotação inversa (R.I.) e oscilações E.O. e N.O. – S.E. se tornavam necessariamente negativos (–), pois são opostos aos primeiros.

Isso estabelecido, eis o quadro sumário dos resultados obtidos ao mesmo tempo pelos Srs. Dècle e Chazarain com os sensitivos e pelo Sr. Bué com o pêndulo:
Polaridade humana

  • Mão direita: (R.N.), (+).

  • Mão esquerda: (R.I.), (–).

  • Lado do polegar nas duas mãos: (R.I.), (–).

  • Lado do dedo mínimo nas duas mãos: (R.N.), (+).
Polaridade do ímã 106

  • Planta, lado da raiz ou terra: (R.I.), (–).

  • Planta, lado da flor ou folha: (R.N.), (+).

  • Fruto, lado do : (R.I., (–).

  • Fruto, lado da coroa: (R.N.), (+).

  • Fatias horizontais de uma haste, um legume ou fruto:

  • Face posterior (lado da terra): (R.I.), (–).

  • Face anterior (lado do céu): (R.N.), (+).

  • As flores, reduzidas a , dão indistintamente: (R.N.), (+).

  • As raízes, reduzidas a , dão indistintamente: (R.I.), (–).107
Polaridade das substâncias químicas e dos minerais

a) Ouro, cobre, enxofre, magnésio, antimônio, lítio, arsênico, mercúrio dão: (R.N.), (+).

Prata e bismuto: (R.I.), (–).

Ferro e manganês: Oscilação N.S., (+).

Aço e platina: Oscilação E.O., (–).

Zinco, estanho, bromo, iodo: Oscilação N.E. – S.O. (+).

Níquel, alumínio, cobalto, chumbo: Oscilação N.O. – S.E. (–).108

b) Os ácidos dão (+); os álcalis e os carbonatos dão (–).

c) Quanto mais uma substância se compuser de elementos diversos, tanto menos veloz e claramente ela determina o movimento do pêndulo; os carbonatos custam mais a sensibilizar o pêndulo que seus metais e dão amplitudes menores.


Influência da forma


O Sr. Bué constatou que a forma dos corpos exerce sobre o modo de manifestação do fenômeno uma influência preponderante, e que toda disposição no alongamento modifica a natureza da corrente, de modo a substituir ao movimento específico dado pela substância o movimento polarizado do ímã; assim, se tomarmos o pó de uma substância qualquer, mineral ou vegetal, e o encerrarmos em um cartucho longo de 12 a 15 centímetros, esse cartucho, em vez de sensibilizar o pêndulo pela influência irradiante especial à substância do seu conteúdo, se comporta em relação ao aparelho absolutamente como a barra do ímã, isto é, dá R.N. (+) numa das extremidades, e R.I. (–) na outra, qualquer que seja a sua composição, acusando assim claramente a polaridade dupla do ímã. Uma régua, um charuto, uma vela, um lápis, uma caneta, um tubo de vidro, enfim todos os corpos cilíndricos ou alongados, atuam do mesmo modo. Donde o Sr. Bué, apoiando-se em outras experiências similares, chegou à conclusão de que a forma dos corpos e a sua disposição em barra influem poderosamente sobre as correntes; e tirou daí deduções novas aplicáveis à fisiologia do sistema nervoso e às correntes no organismo humano.109

Influência da massa


Segundo o Sr. Bué, os efeitos obtidos com o pêndulo não estão, como se poderia crer e como o afirmaram muitos experimentadores, na razão direta da massa dos corpos. Como os Srs. Durand de Gros e Léger, o Sr. Bué, experimentando sobre dinamizações homeopáticas, verificou que as preparações vegetais ou minerais da trigésima acusaram no pêndulo um movimento da mesma natureza e tão claramente pronunciado como o fornecido pela própria substância. Isto induz a crer que as correntes não estão em potência proporcional à massa dos corpos 110 e, demonstrando que o milionésimo do grau de uma substância pode produzir o mesmo efeito que um grama da mesma espécie, se recomece implicitamente nas dinamizações medicinais uma virtude que lhes foi negada e que ainda hoje é mais ou menos contestada.

Influência da vontade


As mais curiosas constatações que o Sr. Bué tirou de suas experiências são, sem dúvida, as que ele fez acerca da influência da vontade na manifestação do fenômeno.

“A princípio – diz o Sr. Bué – nada parece mais fácil que servir-se do aparelho; fazer mover o pêndulo, pondo um dedo sobre o disco da armadura; é uma coisa em si tão simples que todos estão dispostos a crer que o instrumento produzirá imediatamente, nas suas mãos, o resultado esperado; é isso, entretanto, um erro profundo, porque talvez não exista outro instrumento mais difícil de manejar e que reclame maior cuidado. O principal inconveniente, próprio de todos os principiantes, provém de quererem eles fazer logo as experiências mais diversas e complicadas, sem se preocuparem com as condições numerosas e delicadas que devem observar para se produzir o fenômeno com exatidão. Alguns, recusando mesmo escutar qualquer explicação, são mal sucedidos e naturalmente se apressam em concluir que não devem dar crédito às descobertas anunciadas. Cumpria-lhes, entretanto, pensar que mesmo as pessoas que têm grande hábito de experiências científicas nem sempre triunfam na primeira prova; só chegam aos seus fins depois de muitas tentativas e quando adquirem certa prática. Não seria contrário à razão esperar-se logo pleno êxito?

Haverá um instrumento, um utensílio qualquer, do qual se possa fazer uso conveniente sem se ter previamente estudado o seu manejo?

Por que não admitir uma aprendizagem, quando se trata dum instrumento tão delicado? Além das condições materiais e de meio, em que é indispensável nos colocarmos para experimentar convenientemente com o pêndulo, o ponto essencial é sabermos mentalmente dispor da nossa vontade, de modo a irradiá-la sobre o instrumento e comunicar-lhe certas propriedades que ele só adquire com o tempo. Um pêndulo é tanto mais sensível quanto maior é o seu tempo de serviço; todos os experimentadores o têm verificado e nisso concordam.

Esse estado particular da força nervosa, cuja influência é tão notável sobre o instrumento, é o que se obtém com maior dificuldade, não podendo bem compreendê-lo aqueles que não têm hábito algum de magnetizar. É, entretanto, esse estado que dá ao aparelho suas qualidades especiais de condutibilidade, condição essencial da experiência. Não devemos daí inferir que a vontade seja a causa única dos movimentos do pêndulo e que o instrumento não possa dar outra indicação que não seja a da vontade do operador. A experiência com substâncias encerradas em caixas de papelão e tubos de vidro, sem se conhecer previamente quais elas são e o movimento que devem produzir, basta para demonstrar a neutralidade da vontade nessa circunstância. É essa a melhor prova que se pode dar à sinceridade da operação, pois o operador não pode intervir de modo efetivo na produção do fenômeno e é também o melhor modo de se adquirir pessoalmente a segurança de que o instrumento está sendo bem utilizado. Mas, se nessa categoria de experiências é exigido pela própria natureza da operação o estado de neutralidade nervosa que reduz a zero o poder volitivo do experimentador e deixa o campo livre à ação irradiante da substância, não é menos verdade que o experimentador retoma, quando lhe apraz, o livre exercício da sua vontade. Então ele pode, a capricho, inverter todas as polaridades obtidas; basta-lhe para isso sair da neutralidade e formular mentalmente com energia a expressão da sua vontade; o pêndulo então, em vez de obedecer às irradiações especiais da substância, só responde ao pensamento mentalmente expresso pelo operador.”

Foi por uma circunstância fortuita que o Sr. Bué descobriu essa influência sutil da vontade. Experimentava com produtos químicos encerrados em caixas de papelão, com o nome da substância escrito no interior da tampa. Certa ocasião julgou ter tomado uma caixa com carbonato de bismuto, cujo movimento negativo lhe era conhecido (oscilação N.O. – S.E.), e com efeito obteve essa oscilação; mas, ao examinar, constatou com grande surpresa que se enganara, pois experimentara o ácido oxálico, que dá precisamente a oscilação positiva (N.E. – S.O.). A predisposição mental em que ele se achava durante a operação bastara para determinar a ação do pêndulo no sentido do seu pensamento.

Uma série de experiências nas mesmas condições demonstrou-lhe que a influência preponderante de toda predisposição mental, substituindo a atividade volitiva do cérebro à influência irradiante do objetivo, vem infalivelmente modificar a natureza do resultado. É, pois, provável que as divergências notadas pelos resultados obtidos pelo maior número daqueles que manejaram o pêndulo (divergências cujo efeito lamentável é comprometer a unidade do fenômeno) não sejam devidas a outras causas; e, por isso, o melhor meio de não se sofrer, mesmo involuntariamente, essas predisposições mentais que vêm mais ou menos perturbar o fenômeno é experimentar, sem conhecer previamente a natureza da substância, ou pelo menos o modo pelo qual ela deve influenciar o pêndulo.

A influência da vontade mal exercida pode, pois, ser perturbadora e apresenta um inconveniente grave contra o qual sempre se deve estar alerta. Mas essa constatação nos fixa um ponto interessante: é que não só o organismo humano possui a faculdade de unipolizar suas polaridades de detalhe e agir diretamente em certas condições de estado e gradação sobre a matéria inerte, mas ainda que essa ação se opera pelo impulso irradiante da vontade, que absorve, então, todas as polarizações inferiores à sua.


FIM

Notas:

1Exonerou-se desse cargo em 1902.

2Vide suas principais obras: L’Extériorisation de la Sensibilité; L’Estériorisation de la Motricité; Les Effluves Odiques; Les Sentiments, la Musique et le Geste.

3O corpo humano é polarizado e as leis físicas de magnetismo humano repousam sobre essa polaridade. Essas leis são análogas às que regem a ação dos ímãs e da eletricidade:

1º – Os pólos de mesmo nome (isônomos) se repelem, excitam, adormecem; os pólos de nomes contrários (heterônomos) se atraem, acalmam, despertam.

2º – As ações se produzem na razão inversa do quadrado das distâncias.

Por toda parte na Natureza observamos duas forças antagônicas, ou antes, duas modalidades diferentes duma mesma força. O equilíbrio que nos seres vivos entretém a vida e a saúde parece estar sob sua dependência. Com efeito, vemos por toda parte a vida lutar contra a morte, o princípio plástico, organizador e conservador da vida fazer todos os esforços para resistir a esse princípio não menos evidente que desagrega, desorganiza e destrói. Esses dois princípios é que mantêm o mundo físico e o mundo moral em equilíbrio. Em filosofia pura, é a doutrina do finito e do infinito; em religião, é o dualismo pelo bem e pelo mau, ou Deus e o diabo; em economia social, Prudhomme chamou-lhe lei das antinomias; em mecânica, as duas forças geradoras do movimento circular são a força centrífuga e a força centrípeta. A toda força é necessário uma resistência para ponto de apoio. Sem sombra não apreciaríamos a luz; e se o prazer não tivesse a dor por ponto de comparação, ser-nos-ia impossível não só defini-lo, mas ainda fazer dele uma idéia. A afirmação motiva-se da negação e o forte só triunfa do fraco. Nas manifestações dos agentes físicos essa dualidade, essa modalidade é, sobretudo, evidente na eletricidade, o ímã e o magnetismo terrestre. Constitui a polaridade à qual estão mais ou menos submetidos todos os corpos da Natureza. (Nota do tradutor.)



4Esclarecemos ao leitor que o texto a seguir, de autoria do tradutor desta obra, é de natureza um tanto esotérica, contrariamente o trabalho de Albert de Rochas, que é rigorosamente científico, alicerçado em anos de pesquisas sobre os fenômenos psíquicos. (Nota do revisor).

5Esta palavra tem aqui acepção diferente do líquido volátil do mesmo nome.

6Vide Física Transcendental,* por Zöllner.

* Esta obra foi editada em língua portuguesa sob o título Provas Científicas da Sobrevivência, pela EDICEL.



7Vida de Apollonius de Tyana, livro III, capítulo XV.

8E. Burnouf, 1884, tomo I, pág. 183. Veja-se também páginas 250, 312 e seguintes.

9Voyage au pays des fakirs enchanteurs, pág. 61.

10O Sr. Jacolliot diz (pág. 27) que já vira fazer isso mesmo a outros encantadores, e o Magasin Pittoresque deu a este respeito, se não me engano, uma descrição. Robert Houdin imitou-o, mas com a ajuda de couraças e de hastes de aço ocultas por baixo das roupas, ao passo que o faquir estava nu. A maior parte dos truques dos prestidigitadores são, de resto, inspirados por fenômenos reais reproduzidos em condições essencialmente diferentes.

11O pranayama (de prana, respiração) é um exercício religioso que consiste em tapar com o polegar uma venta e respirar pela outra.

Encontra-se no Oupnek’hat, livro do ocultismo indiano, citado por Eliphas Lévy em sua Histoire de la Magie, pág. 71:

“Para nos tornarmos um deus, é necessário reter a respiração, isto é, atraí-la por tanto tempo quanto se puder, e encher-nos dela completamente. Em segundo lugar, retê-la por tanto tempo quanto se puder e pronunciar quarenta vezes neste estado o nome divino de Aum. Em terceiro lugar, expirar por tanto tempo quanto for possível, enviando mentalmente o sopro através dos céus, para unir-se ao éter universal.

Neste exercício é necessário ficar-se como cego, surdo e imóvel como um pedaço de pau. É necessário ficar-se colocado sobre os cotovelos e os joelhos, com o rosto voltado para o norte. Com um dedo fecha-se um buraco do nariz; pelo outro buraco atrai-se o ar e depois deve-se fechá-lo com um dedo, pensando que Deus é o criador, que está em todos os animais, na formiga do mesmo modo que no elefante. Deve-se ficar engolfado nestes pensamentos.

Primeiro diz-se Aum 17 vezes e durante cada aspiração é necessário dizer Aum 80 vezes, fazendo-se isto tantas vezes quantas for possível.

Procedei assim durante três meses, sem temor, sem preguiça, comendo e dormindo pouco. No quarto mês vereis os devas; no quinto tereis adquirido todas as qualidades dos devas; no sexto estareis salvo, sereis deus.”



12O padmazan (literalmente sentado sobre o lodão) é a postura de um religioso na meditação, sentado com as pernas cruzadas. Ela simboliza Brama sentado sobre o lodão.

13O kumba é também um exercício religioso que consiste em tapar o nariz e a boca para reter o hálito.

14Conforme a experiência de Brevster, referida no capítulo IV.

15Segundo as teorias dos teósofos da Índia, os elementais (dévatas) são os gênios ou demônios que as nossas antigas tradições designavam pelos nomes de gnomas, silfos, ondinas ou salamandras, conforme a sua existência na terra, no ar, na água ou no fogo. São de uma essência inteiramente diversa da nossa. Os iniciados (mahatmas) podem chegar, graças a processos que conservam secretos e a que chamam em sânscrito Yalastambha, a repelir os elementais, e a impedi-los de terem domínio sobre eles durante um certo tempo. É assim que o Bustambha, ou arte de repelir os elementais da terra, permite a certos iogues enterrarem-se impunemente durante alguns meses. Do mesmo modo, pelo Vaju stambha (arte de repelir os elementais da água), outros iogues se colocam em condições de flutuar na água, sem nenhuma roupa, dia e noite, durante quatro ou cinco semanas. Outros, ainda, se entregam, ao Agnistambha, que lhes permite afrontar os ataques do fogo, etc.

Vê-se que os hindus seguem as tradições dos filósofos neoplatônicos, os quais, tendo constatado o desenvolvimento progressivo da vida, do grão de areia ao cristal, do cristal à planta, da planta ao animal, não podiam admitir que ela parasse bruscamente no homem e que houvesse uma lacuna na criação entre o homem e Deus. Foram levados, assim, a personificarem as forças da Natureza, e como não sabemos mais do que eles o que são essas forças, ficaríamos muito embaraçados para contradizê-los.

Abaixo dos elementais, os hindus colocam os elementares (Pisachas-schells), Espíritos melhores ou piores e pouco inteligentes, que habitam a atmosfera da Terra. Destes é que se servem os nigromantes (Doug-pas) para pregarem as suas más peças, e é a esses que se atribui a maior parte dos fenômenos do Espiritismo. Os elementais parecem ter primitivamente personificado as paixões humanas.


16Le Livre des Mystères, 3ª parte.

17Cartas edif., tomo VII, pág. 303.

18Cartas Teológicas, Avinhão, 1739, tomo II, pág. 1.310.

19 Essa mulher é a filha que dormia com ela, pretendiam que ela era muitas vezes, de noite, transportada, quer para o telhado das casas vizinhas, quer para a torrente de Ouvèze, donde a mesma força invisível a reconduzia toda molhada para o seu leito.

20Essais de Psychologie Physiologique, 1844, pág. 293.

21Des Esprits, 1858, pág. 301.

22Comunicação feita à Academia das Insc. e Belas-Letras em 23 de outubro de 1885.

23No Antigo Testamento (Daniel, XIV, 35) encontra-se a história de Habacuc, que foi transportado pelos ares, do país de Judéia às terras da Caldéia. Eliseu elevou-se também aos ares.

24Eis a continuação desse fato interessante da vida de Santa Teresa, escrita por ela própria (capítulo XX):

“Enquanto o corpo está em arroubo, fica como morto e muitas vezes em absoluta impotência de operar. Conserva a atitude em que foi surpreendido. Por isso, fica em pé ou sentado, com as mãos abertas ou fechadas, numa palavra, no estado em que o arroubo o encontrou.

Quase nunca se pode resistir ao arroubo. Às vezes eu podia opor alguma resistência; mas como isso era de alguma sorte lutar contra um forte gigante, eu ficava moída e exausta. Outras vezes, tornavam-se vãos todos os meus esforços. A minha alma era arrebatada e a minha cabeça seguia quase sempre o movimento sem que eu pudesse retê-la. Algumas vezes mesmo, o meu corpo era arrebatado de tal sorte que deixava de tocar no chão. Quando eu queria resistir, sentia debaixo dos pés uma pressão admirável que me levantava.”


25Mémoires d’un Magnétiseur, t. I, pág. 284.

26Revelações acerca da minha vida sobrenatural, Paris, 1864, págs. 52-53.

27Realizou-se na América, país de Dunglas Home, na obscuridade, na noite de 8 de agosto de 1852 (Home tinha então 19 anos), em que se haviam produzido movimentos de mesas e outras manifestações espíritas.

Uma das testemunhas relata-o assim: “De repente, com grande surpresa da assembléia, o Sr. Home foi elevado ao ar! Eu tinha então a sua mão na minha e senti, assim como outros, os seus pés suspensos a doze polegadas do solo. Estremecia desde a cabeça até os pés, em luta evidentemente com emoções contrárias de alegria e de temor, que lhe abafavam a voz. Duas vezes ainda, os seus pés deixaram o chão. Na última, chegou até ao alto teto do aposento, onde a sua mão e a sua cabeça foram bater brandamente.” (Revel., pág. 52.)



28O Sr. William Stainton Moses, nascido no Condado de Lincoln em 5 de novembro de 1839 e falecido em 5 de setembro de 1892, era um sacerdote que professou na Universidade de Cambridge. Fora estudar durante seis meses Teologia num mosteiro do Monte Athos. Desde 1870, foi objeto de fenômenos extraordinários. Um resumo destes, feito pelo Sr. Myers, membro da Sociedade de Investigações Psíquicas de Londres, acaba de ser publicado nos Annales des Sciences Psychiques. O Sr. Myers foi durante 17 anos seu amigo íntimo e dá o mais brilhante testemunho da sua honradez. O Sr. Stainton publicou a maior parte dos seus livros sob o pseudônimo de Oxon, que significa membro da Universidade de Oxford.

29O Sr. Gaboriau disse, a esse respeito, numa nota: “Tendo o Sr. Mac-Nab acendido bruscamente a luz como sempre, vi que o médium estava muito esbofado e a suar, como se acabasse de alçar um fardo. Gastou algum tempo para descansar. Tanto quanto me recordo, ele devia ter passado por cima da mesa para vir cair ao meu lado, em cima da minha cadeira. Recordo-me perfeitamente do ar comovido e assustado do Sr. C..., e estou persuadido de que ele havia passado por cima da mesa com a cadeira, porquanto, sendo muito pequeno o quarto em que estávamos, nós o ocupávamos quase completamente com a mesa e as cadeiras dispostas em volta. Ele não teria podido passar por detrás de nós sem se roçar conosco, principalmente na obscuridade.”

30John é o nome de uma individualidade enigmática e invisível da qual Eusápia pretende estar possuída quando em transe.

31Charpignon – Physiologie du Magnétisme, pág. 74.

32Diz Alfred Erny, na sua excelente obra O Psiquismo Experimental: “Segundo os iogues, da Índia, a levitação depende da diferença entre as polaridades elétricas ou magnéticas, e o corpo humano tem uma polaridade diferente da da Terra, de sorte que elas se podem anular em certos casos. Isto quer dizer que, se a Terra e o corpo chegam no mesmo estado de polaridade, o corpo fica em estado de elevar-se na atmosfera.” (N.T.)

33Sabe-se que outrora pretendia-se reconhecer as feiticeiras mergulhando-as na água. Eram condenadas, no caso de flutuarem, isto é, se apresentassem uma leveza específica maior que o comum dos mortais.

34Numa das últimas sessões que se efetuaram com Eusápia, em Choisy-Yvrac, perto de Bordéus, na casa do Sr. Maxwell, eu achava-me sentado à direita do médium, cujas mãos estavam seguras. Senti uma mão que se introduzia no meu sovaco direito e, obedecendo a esta indicação, pus-me em pé. Imediatamente, a minha cadeira subiu ao longo das minhas costas e veio colocar-se de tal maneira que fiquei com a cabeça entre os quatro pés. Eusápia disse ter querido levantar-me com a minha cadeira e levar-me para cima da mesa, porém que eu me levantara sem lhe dar tempo.

35Têm-se visto crianças de peito, arrebatadas dos braços das mães, transportadas e depositadas, sem lesões, a muitos passos de distância, tendo sido as mães mortas ou feridas pelo meteoro (Id, t. I, pág. 212.)

36Vide a obra de Aksakof: Um Caso de Desmaterialização, e a da Sra. d’Espérance: No País das Sombras.

37Traduzi do grego para o francês os dois tratados de Pneumatômato de Héron e Filon, que foram publicados em 1882 pela Livraria Masson sob o título: La Science des Philosophes et l’art des thaumaturges dans l’antiquité.

38A tradução latina da óptica e da catóptrica de Euclides foi publicada pela primeira vez com o discurso de Jean de Gène servindo de prefácio, em 1557, em Paris, pela Livraria André Wechel.

39Sombras significa Espíritos ou almas dos mortos. A médium inglesa Sra. E. d’Espérance deu também esse nome a uma obra sua: No País das Sombras.

40Fabre – La Musique des Couleurs, Paris, 1900, pág. 31.

41Artigo publicado no Zukunft, números de 16 de abril e 7 de maio de 1898.

42Isenkrahe – Das Rœthsel der Schwerkraft.

43Newton – Princípio, III.

44Erkloerung der universellen Gravitation ans den statischen. Wirleungen der Eletricitât, – et Wissenschafti. Abhandi., I, 417-459.


45 Faraday – Rech. expérim. sur electricité, Tradução alemã, III, § 2702-2717.

46Comptes Rendus, 30 de setembro de 1872.

47Zöllner – Natur der Kometen, 70, 127, 128.

48Zöllner – Wissensch Abhemdl, II, 2, 638-640.

49Brewster – Life of Newton, 338.

50Revue des Deux-Mondes, 1854, 530.

51Huyghens – Diss. de causa gravitatis.

52Ibidem.

53Rapport des Commissaires de la Soc. Royale de Med. pour faire l’examen du magnetisme animal, pág. 21.

54Wirchow – Ueber Wunder, 23.

55Herschel – Einleitung in das Studium der Naturwissenschaft, 104.

56Perty – Die mystichen Erscheiming, 1, 271.

57Petetin – Mémoire sur la découverte des phénom, que présentent la catalepsie et le somnambulisme, 1, 21.

58Reichenbach – Wer ist sensitiv, wer nicht?, 34.

59Der sensitive Mensch, 1, § 447-456.

60Les effluves odiques, trad. franc., 104-106.

61Les effluves odiques, trad. franc., 118-111.

62Ibidem, 118

63Ibidem, 123-133.

64Reichenbach – Der sensitive Mensch, 1, 121-126.

65Owen – Das streitige Land, 1, 109 (traduzida em língua portuguesa sob o título Região em Litígio, pela editora FEB.

66Psychische Studien, 1874, 24-25.

67Reichenbach – Die Dynamide.

68Sphinx, X, 265.

69Crookes – Anfreichn. uber Sitzungen mit Home (Trad. alemã) 10-12. Na obra de Delanne O Fenômeno Espírita, acham-se relatadas as experiências de Crookes. (N.T.)

70Annales des Sciences Psychiques, IV, 196.

71Zöllner – Wissenschaft Abhandhungen, II, 1, 340.

722 Reis, 6: 4.

73De Rochas – L’Extériorisation de la Motricité.

74Badaud – La Magie, 17.

75Reichenbach – Die odische Loch und sinige Bowegungserschenungen.

76De Rochas – L’Extériorisation de la Motricité.

77Kerner – Die somnambulen Tisch, 21. – Die Scherin von Prévorst, 158.

78Archiv. f. thier Magnetismus, V, 1, 149.

79Jacolliot – Le Spiritisme dans le Monde, 245, 281, 282, 285, 295.

80Crookes – Recherches sur le Spiritualisme.

81Psychische Studien, 1874, 108.

82Kerner – Blaetter aus Prévorst, I, 119.

83Home – Révélations sur ma vie surnaturelle, 44, 222.

84Hellenbach – Verurthelle der Menschheit, III, 265.

85Glanvil – Sadduscismus triumphatus, II, 220.

86Goerres – Die christtiche Mystile, V, 145.

87Ibidem, V, 145.

88Daumer – Das Gesteirreich, II, 253. Cf. Jolier – Darsteltellung selle terleleter mysticher Érscheinungen.

89Ibidem, 256, 259.

90Ibidem, 267, 268.

91Sphinx, XVIII, 251-260; Annales des Sciences Psychiques, 1893-94.

92Amoretti encontrou em sua casa diversas pessoas capazes de fazerem girar a baqueta, entre as quais um pequeno servo, de dez anos, Vicente Anfossi, com quem fez grande número de experiências. Certas substâncias faziam experimentar a Anfossi uma sensação de frio. No primeiro caso a baqueta girava para dentro, no segundo para fora.

93J. de Briche – Le pendule ou indication et examen d’un phénomène physiologique dépendant de la volonté, 1838.

94J. O. N. Rutter – Recherches sur les courants et les propriétés magnétoides des corps, 1851.

95Na edição francesa da obra de Reichenbach, sobre os Eflúvios Ódicos, encontra-se o desenho desse aparelho, bem como dos outros aqui citados.

96Louis Lucas – La médecine nouvelle basée sur des principes de physique et de chimie transcendentales, Paris, 1862.

97Philips – Electro-dynamisme vital où les relations physiologiques de l’esprit et de la matière, Paris, 1885.

98Reichenbach acabava de publicar suas experiências.

99Baréty – Le Magnétisme animal étudié sous le nom de force neurique rayonnante et circulante dans ses propriétés physiques, physiologiques et thérapeutiques, Paris, 1887.

100Baraduc – La Force vitale, notre corps vital fluidique, sa formule biométrique, Paris, 1893.

101Em fevereiro de 1893 foi extremamente abalado pela grande perturbação que inverteu os pólos dos instrumentos magnéticos do mundo inteiro e da qual só teve conhecimento pelo seu próprio estado.

102Eu mesmo possuí essa faculdade na minha infância, e recordo-me de que, quando fixava a atenção sobre as minhas sensações, só ficava tranqüilo quando me voltava para o norte.

103Lede a obra do Sr. Alphonse Bué, Magnetismo Curativo.

104Na página 38 da obra de Reichenbach, Les Effluves Odiques, acha-se desenhado esse aparelho. (N.T.)

105A polaridade positiva é assinalada por (+) e a negativa por (–). (N.T.)

106O Sr. Bué, julgando obter efeitos mais pronunciados sobre o pêndulo, com o emprego de um ímã mais poderoso que aquele de que habitualmente se servia, viu com espanto que, em vez do resultado esperado, a transmissão da corrente perturbara a sensibilidade do aparelho, a ponto de impedir nesse dia a continuação das experiências. O pêndulo, imobilizado sem dúvida por uma influência muito persistente, tinha de repente perdido essa sensitividade natural que até então permitira traduzir as mais delicadas impressões; não recuperou essa sensitividade senão no dia seguinte, após longo repouso do aparelho.

107Se misturar-se em quantidades iguais o pó da flor e o pó da raiz de uma mesma planta, obtém-se sobre o pêndulo o movimento que produziria a tintura-mãe extraída da planta inteira, como se a reconstituição do indivíduo vegetal tivesse sido feita por essa mistura. O movimento cessa então de ser polarizado, para se tornar específico à substância.

108Devemos aqui assinalar uma pequena divergência entre as experiências sobre os sensitivos dos Srs. Dècle et Chazarain e as que foram feitas sobre o pêndulo pelo Sr. Bué: enquanto as primeiras determinam positiva a polaridade da prata, alumínio, chumbo, cobalto e platina, e negativa a do enxofre, as que foram feitas sobre o pêndulo estabelecem o contrário. De onde provém tal divergência? É difícil explicar. Essa é a única diferença que existe nas numerosas constatações feitas de acordo pelos experimentadores. As experiências feitas pelos Srs. Durand de Gros e Léger dão razão ao Sr. Bué, caracterizando a polaridade dessas substâncias no sentido que ele determina.

109Vide, na referida obra de Bué, Magnetismo Curativo, a parte que trata da Biologia e Higiene.

110Por essa mesma razão, na nota do nosso prefácio, só dissemos que as ações se produzem na razão inversa do quadrado das distâncias. (N.T.)


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