Albert de Rochas a levitação



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Capítulo IV

Casos contemporâneos do Ocidente

A – Observações do magnetizador Lafontaine


Lafontaine, em suas excursões através da Europa, teve ocasião de observar, entre os crisíacos que lhe traziam para serem curados pelo magnetismo, alguns fenômenos que podem relacionar-se com aqueles que acabamos de mencionar.

Assim, conta ele 25 que uma donzela de família nobre, na Inglaterra, apresentava todos os sintomas da grande histeria descrita depois por Charcot, e essa agilidade extraordinária que mais raras vezes tem sido constatada. Quando chegou à casa dela, encontrou-a estendida sem movimento num leito, sem respiração aparente. A vida parecia tê-la abandonado. O seu rosto, de palidez baça, estava coberto de suor frio. De repente, esse cadáver animou-se:

“Com um pulo, a donzela foi ao meio do aposento, arregalados e fixos os olhos, gesticulando com os braços, elevando-se na ponta dos dedos dos pés e correndo, semivestida, pelo quarto; atirou-se ao chão, reboleou-se em convulsões horríveis, chocando o corpo em todas as partes, dando gritos e batendo nas pessoas que procuravam retê-la para evitarem que ela se ferisse. Depois, endireitando-se de repente e pronunciando palavras entremeadas de sons inarticulados, caminhou direita e firme, saltou a alturas extraordinárias. Em seguida, torcendo-se em atitudes impossíveis, pôs a cabeça entre os joelhos, levantou ao ar uma das pernas e girou sobre a outra com rapidez espantosa, conservando ao mesmo tempo a cabeça perto do soalho.

Umas vezes endireitava-se, soltando gritos de terror como se visse um espetáculo horrível; outras, abraçava com amor fantasmas; depois, rolava exausta pelo tapete.

Em seguida, pulava de novo e corria para um e outro lado do aposento, pondo os pés sobre os móveis, sobre os copos, as xícaras, o globo da pêndula, sobre esses frágeis nadas que guarnecem as prateleiras, e isso sem quebrar, sem deitar coisa alguma ao chão. Depois, sentava-se no tapete, conversando com um ser imaginário, cujas respostas imaginárias ela escutava. As convulsões apresentavam-se outra vez... Logo depois, os seus olhos exprimiam indizível arroubamento; ela caía de joelhos; os seus lábios murmuravam palavras melífluas como uma oração.

Estava em êxtase. A inspiração apossou-se dela; recitou versos; compôs poesias; anunciou fatos, sucessos que haviam de suceder; elevou-se ao ar como para voar; depois, finalmente, tornou a cair em completa prostração, inerte, sem movimento, sem respiração perceptível. Estava terminada a crise, que durara duas horas.

Depois desses terríveis abalos, a donzela caía num sono muito longo, durando algumas vezes dois dias, nos quais não tomava alimento algum.”

Lafontaine diz que empreendeu a cura dessa donzela e que, magnetizando-a durante três meses, fez desaparecer as crises, que lhe haviam durado desde os 14 até os 18 anos.

Em 1858, visitou a aldeia de Morzina, em Chablais, onde se declarara uma epidemia de convulsionárias entre as donzelas de 11 a 20 anos (das 23 pessoas atacadas, apenas uma era rapaz, com 13 anos de idade).

“As possessas puseram-se a correr pelos bosques, a subir às árvores com extraordinária agilidade e a balançar-se na parte mais alta dos grandes pinheiros; porém, se a crise cessa enquanto escavam em cima, nada era mais singular que o seu embaraço para descerem. Além disso, essas meninas não se recordavam, ao despertarem, do que se passara durante a crise.

Uma delas, Vitória Vuillet, com 16 anos de idade, de um rosto simpático e gênio muito afável, era a mais exaltada. Não só corria os campos durante horas inteiras sem ficar cansada, falando e gesticulando sempre, ou subia ao cimo das mais altas árvores e descia com extrema rapidez, mas também, quando estava no cimo dos mais altos pinheiros, atirava-se de um para outro, como faria um esquilo ou um macaco...”

Recorreram a Lafontaine para que tratasse dela e levaram-na para sua casa, em Genebra.

“Vimo-la pela primeira vez em nossa casa a 3 de abril de 1858. Estava em crise. Falava com voz cava e sepulcral, ela, que tinha a voz suave e clara.

Dizia frases como esta: “Sou um demônio do inferno donde saí para atormentar Vitória até acabar por levá-la comigo. Ouvis o tinir das cadeias? Ouvis o fogo a crepitar e os gritos dos condenados que estão a arder? Isto alegra o coração e dá prazer.” Depois, saltava a uma altura pasmosa, dava gritos roucos, retorcia o corpo a ponto de tocar com a cabeça nos calcanhares. Em seguida, reboleava-se pelo chão. Num pulo ela ficava de pé, girava com velocidade espantosa e parava instantaneamente. Fazia depois grandes gestos, articulava sons incompreensíveis e saltava sobre os braços de uma cadeira; pulando de repente, achava-se suspensa no espaldar desse móvel, em posição indescritível.

Em seguida, corria por cima de todos os móveis, pondo um pé no encosto de uma poltrona, o outro no espaldar de uma cadeira; depois, atirava-se para cima de outros móveis, dando assim, sem perder o equilíbrio, volta ao nosso gabinete e à nossa sala de visitas, falando sempre. Entretanto, depois de termos observado bem essa crise, quando pusemos uma das mãos na cabeça da donzela e a outra no seu estômago, todo esse maravilhoso desapareceu logo e apenas ficou à nossa frente uma doente que tinha estertores e se torcia em convulsões que fizemos cessar quase instantaneamente. Depois de a termos magnetizado com grandes passes durante trinta minutos, e desembaraçado, Vitória sentiu-se muito bem.”

Lafontaine acrescenta que, após quinze dias de magnetização, Vitória achou-se inteiramente curada das suas crises e das dores de cabeça ou do estômago. Essa cura foi definitiva, como lhe certificou um tio da donzela que a levara e que com ela residia em Genebra.

Eis outro caso referido pelo mesmo autor (tomo II, pág. 96):

“Uma doente minha, a Sra. de A..., que eu sonambulizara durante o seu tratamento, proporcionou-me ensejo para fazer várias observações curiosas. Um dia em que, mais doente, ela ficara no leito e tinha junto de si uma das suas parentas, cheguei para magnetizá-la.

Adormeci-a prontamente, depois localizei a minha ação sobre o seu estômago e as suas pernas. Fiquei silencioso enquanto a magnetizava, como sempre faço nos casos graves, o que deu motivo a que a jovem Laura, aborrecendo-se, passasse para a sala de visitas, cujas portas estavam abertas. Depois de ter lançado um olhar distraído pelos álbuns espalhados por cima de uma mesa, ela aproximou-se do piano, abriu-o, preludiou alguns acordes e ficou algum tempo numa espécie de abstração.

Às primeiras notas dos acordes, a minha doente experimentara, por todo o corpo, um ligeiro frêmito que, pouco a pouco, se acalmara durante o tempo da pausa; porém, quando a jovem Laura principiou a tocar um trecho muito patético, que ia direto à alma, minha doente pareceu sair do estado de entorpecimento em que a imergira o sono.

Animou-se-lhe o rosto, sentou-se no leito e, continuando a música com o mesmo ritmo, achou-se, num pulo, em pé e direita, por cima do leito, com os olhos arregalados e fixos. Seus pés deslizaram depois até à beira do leito, sem haver movimento algum dos músculos.

Aí os pés passaram com suavidade para fora do leito e, vagarosamente, desceram ao mesmo tempo, sem ponto algum de apoio, até ao tapete, como se tivessem estado sobre um desses alçapões de que se servem nos teatros para fazerem descer as divindades do meio das nuvens. Todo o corpo parecia sustentado no ar por um fio invisível. Seus membros estavam inteiriçados.

Eu olhava com profunda estupefação, sem compreender coisa alguma, mas os meus olhos estavam bem abertos. A minha inteligência e a minha razão velavam e estavam no seu posto. Não me podia enganar. Os pés e as pernas estavam nus. A própria Sra. de A... estava apenas coberta com uma camisa e uma mantilha leve.

Entretanto, tendo descido até ao tapete, os seus pés continuaram a escorregar juntos, sem o menor movimento, sem a menor contração. Ela parecia uma estátua colocada numa prancha à qual estivessem puxando e que resvalasse sem nenhum solavanco, como se houvesse sido posta num trilho.

Eu, admirado, a seguia com os meus braços em volta do seu corpo, mas sem lhe tocar, a fim de poder sustê-la, se sobreviesse um acidente.

A Sra. de A... chegou assim até às portas abertas da sala de visita. A jovem Laura, ao vê-la aparecer, pálida, toda de branco, com os cabelos em desordem caindo-lhe pelas espáduas, com os olhos fixos, baços e sem vida, como um fantasma, soltou um grito de pavor e deixou de tocar. Imediatamente alquebrou-se o corpo da Sra. de A... Não pude retê-la. Movimentos convulsivos produziram-se nos seus membros; depois, ficou hirta, fria, o rosto lívido como a morte; era um cadáver.

A meu pedido, Laura, toda trêmula, tocou algumas notas que pareciam ser percebidas pela doente e que, continuando, a fizeram voltar à vida. Não tardou que a música operasse o seu efeito. A Sra. de A... levantou-se, deitando a cabeça para trás, abrindo os olhos que se tinham fechado. Estendendo os braços para um ser invisível, caiu de joelhos. A sua cabeça bateu no tapete com humildade; depois, com movimentos da mais suave volúpia, contornou o corpo em atitudes cuja graça não se pode exprimir. Nunca vi nada tão belo nem tão gracioso. Parecia que tudo o que há de imortal em nós agia e se revelava em suas atitudes.

Passado certo tempo, atraí de novo a Sra. de A..., que deslizou para trás, sempre em êxtase. Fiz cessar a música quando ela estava perto do leito e, com um movimento brusco, deitei-a ao comprido. Então, seu corpo tornou-se em pouco tempo tão frio e tão hirto como um verdadeiro cadáver. Todo o movimento, toda a respiração desapareceu. O pulso, como o coração, não mais se fazia sentir. Parecia que sua alma se escapara e não me ficara senão o corpo da doente. Era para aterrar e para fazer-me perder a cabeça, sobretudo ao ver a dor e o desespero de Laura, que acusava a si própria de a ter matado e perdia os sentidos num desmaio que durou uma hora.

Mandei que os criados a levantassem e conduzissem para outro quarto, e fiquei só com a doente, que não dava nenhum sinal de vida.

À força de insuflações quentes sobre o coração, o estômago e o cérebro, fiz que ela voltasse gradualmente à vida. Isto durou meia hora. Fiz-lhe depois passes em todo o corpo, desde a cabeça até os pés, durante duas horas, mantendo um sono benéfico e restaurador. No fim desse tempo, arquejante, exausto, mas triunfante e contente comigo mesmo, acordei a doente e desembaracei-a inteiramente.

Então, tive a felicidade de ouvir a Sra. de A... dizer que jamais se sentira bem como nesse momento. Além disso, a paralisia das pernas, de que essa senhora padecia, recebera um abalo que, produzindo-lhe tão grande melhora, no mesmo dia ela pôde dar, completamente acordada, duas voltas pelo quarto, mal amparada, resultado este tanto mais maravilhoso quanto havia dois meses que ela não podia sustentar-se nas pernas. Depois do que sucedera, a melhora aumentou de tal modo que, três semanas depois, a Sra. de A... estava completamente curada.”

B – Caso do Dr. Cyriax


O Dr. Cyriax, de Berlim, conta, numa brochura publicada há alguns anos com o título Como me tornei espírita, uma aventura que lhe sucedeu em Baltimore, onde ele habitava em 1853.

“Achavam-se uma tarde reunidas no vasto atelier do pintor Lanning umas cem pessoas para ouvirem um discurso da Sra. French em estado de transe, quando, de repente, ela foi elevada do estrado, em cima do qual se achava, e levada para o fundo da sala, cuja volta deu completamente, pairando a uma altura de cerca de dois pés acima do soalho. Esse fenômeno, constatado pelos meus olhos, como era no mesmo momento por uma centena de senhoras e cavalheiros, causou-me calafrios. Via diante de mim, na plenitude do meu conhecimento, uma pessoa que, sem fazer movimento algum, com os braços cruzados e os olhos fechados, pairava por cima do soalho, era transportada por entre duas filas de bancos, cada uma com cinqüenta pessoas aproximadamente, voltava depois, da mesma maneira, do fundo da sala até ao estrado e prosseguia o seu discurso como se nada se tivesse passado de extraordinário! Via todas as outras pessoas constatarem esse fenômeno e ficarem tão aturdidas como eu. Os meus sentidos não me haviam, portanto, enganado. O que eu vira, passara-se pois em toda a realidade!

Qual era então a força que fora posta em ação? Seria uma força natural, cega, capaz de realizar resultados tão admiráveis sem ir de encontro a algum obstáculo? Estando esta hipótese em oposição com a experiência, fui obrigado, após sério exame, a chegar à conclusão de que, nestas circunstâncias, parecendo suprimidas as leis da gravidade, ou encontrando pelo menos resistência, era-me necessário admitir a intervenção de uma vontade inteligente e que, em conseqüência de esta vontade dar prova de inteligência, não podia emanar senão de uma personalidade, de um indivíduo. Querer achar a explicação na manifestação inconsciente de um cérebro não era admissível nesta circunstância.

Este fenômeno impressionara-me de tal maneira que não dormi toda a noite. Achava-me constantemente em frente do que vira e procurava em vão explicá-lo pelas leis naturais conhecidas.”


C – As levitações do médium Home


Essas levitações foram constatadas por grande número de testemunhas e notadamente pelo Sr. Crookes, que dá a esse respeito as particularidades seguintes nas suas Investigações sobre o Espiritismo:

“Estes fatos produziram-se quatro vezes em minha presença, na obscuridade. As condições de verificação em que se realizaram foram inteiramente satisfatórias, tanto quanto se pode julgar; mas a verificação, pelos olhos, de semelhante fato é tão necessária para destruir as nossas idéias preconcebidas sobre o que é e o que não é naturalmente possível, que me limitarei a mencionar aqui unicamente os casos em que as deduções da razão foram confirmadas pelo sentido da vista.

Houve uma ocasião em que vi uma cadeira, na qual estava sentada uma senhora, elevar-se a algumas polegadas do chão. Noutra ocasião, em que a mesma senhora se elevou cerca de três polegadas, ficando suspensa durante dez segundos mais ou menos, e em seguida desceu vagarosamente, ela ajoelhou-se para afastar toda a suspeita de que a elevação fosse produzida por si em cima da cadeira, de tal maneira que lhe víamos os pés. Duas crianças também se elevaram do solo com as suas cadeiras, em duas ocasiões diferentes em pleno dia e nas condições mais satisfatórias para mim, porque eu estava de joelhos e não perdia de vista os pés da cadeira, notando bem que ninguém podia tocar-lhe.

Os casos mais surpreendentes de levitação, dos quais fui testemunha, deram-se com o Sr. Home. Em três circunstâncias diferentes, eu o vi elevar-se completamente acima do soalho do aposento. Na primeira, estava sentado numa espreguiçadeira; na segunda, estava de joelhos em cima da cadeira; na terceira, estava em pé. Em cada uma dessas ocasiões, tive todo o vagar possível para observar o fato no momento em que se produziu.

Há pelo menos cem casos bem constatados da elevação do Sr. Home, os quais se produziram na presença de muitas pessoas diferentes, tendo eu ouvido da própria boca de três testemunhas, o Conde de Dunraven, Lord Lindsay e o Capitão C. Wynne, a narrativa dos mais surpreendentes fatos desse gênero, acompanhada das menores particularidades do que se passou. Rejeitar a evidência dessas manifestações equivale a rejeitar todo o testemunho humano, seja qual for; porque não há fato, na História sagrada ou na História profana, que esteja apoiado por provas mais imponentes.

A acumulação dos testemunhos que estabelecem a realidade das elevações do Sr. Home é enorme. Seria muito para desejar que alguém, cujo testemunho fosse reconhecido como concludente pelo mundo científico (se porventura existe uma pessoa cujo testemunho em favor de semelhantes fenômenos possa ser admitido), quisesse estudar pacientemente essa espécie de fatos. Muitas testemunhas oculares dessas elevações vivem ainda e certamente não recusariam dar o seu testemunho.

Os melhores casos de levitação do Sr. Home deram-se na minha casa. Numa ocasião ele colocou-se na parte mais visível da sala e, passado um minuto, disse que se sentia levantar. Vi-o elevar-se vagarosamente, num movimento contínuo e oblíquo, e ficar, durante alguns segundo, cerca de seis polegadas acima do solo; em seguida, desceu lentamente. Nenhum dos assistentes saíra do seu lugar. O poder de se elevar quase nunca se tem comunicado às pessoas próximas do médium; entretanto, uma vez minha mulher foi levantada com a cadeira em que estava sentada.”

Crookes escreveu ao Sr. Home a 12 de abril de 1871:

“Podeis, sem constrangimento, citar-me como um dos vossos mais firmes testemunhos. Meia dúzia de sessões no gênero das de ontem à noite, com alguns homens de ciência bem qualificados, bastariam para fazer admitir cientificamente essas verdades, que então se tornariam tão incontestáveis como os fatos da eletricidade.”

A narrativa circunstanciada da levitação que se realizou a 16 de dezembro de 1868, em Londres, numa sessão obscura, em presença de Lord Lindsay, Lord Adare e do Capitão Winne, foi redigida por Lord Lindsay para a Sociedade Dialética, nos termos seguintes:

“Home, que estava em transe havia algum tempo, depois de ter passeado pelo quarto, dirigiu-se para a sala vizinha. Nesse momento, veio assustar-me uma comunicação. Ouvi uma voz murmurar-me ao ouvido: “Ele vai sair por uma janela e entrar pela outra.”

Completamente aturdido com o pensamento de uma experiência tão perigosa, dei parte aos meus amigos do que acabava de ouvir, e não era sem ansiedade que esperávamos a sua volta. Percebemos então que se levantava a vidraça da janela do outro quarto, e quase imediatamente vimos Home flutuar no ar, por fora da nossa janela. A Lua dava em cheio no quarto e, como eu estava com as costas voltadas para a luz, o peitoril da janela projetava sombra na parede que me ficava fronteira. Vi então os pés de Home suspensos por cima, a uma distância de cerca de seis polegadas. Depois de ter ficado nessa posição durante alguns segundos, levantou a vidraça, resvalou para o quarto com os pés para a frente e veio sentar-se. Lord Adare passou então para o outro aposento e, notando que a vidraça da janela, pela qual ele acabava de sair, estava erguida tão-somente até dezoito polegadas de altura, exprimiu a sua surpresa de que Home tivesse podido passar por essa abertura. O médium, sempre em transe, respondeu: “Vou mostrar-vos.”

Voltando então as costas para a janela, inclinou-se para trás e foi projetado para fora com a cabeça para a frente, o corpo inteiramente rígido; depois, voltou para o seu lugar. A janela estava a setenta polegadas do chão. A distância entre as duas janelas era de sete pés e seis polegadas e cada uma tinha apenas um peitoril de doze polegadas que servia para receber vasos.”

Acrescentarei ainda alguns testemunhos recentemente publicados:

“Home foi levantado da cadeira, e peguei-lhe nos pés enquanto ele flutuava por cima das nossas cabeças.” (Carta do Conde Tolstoi à sua mulher, 17 de junho de 1866.)

“Depois, o próprio Sr. Home anunciou que se sentia levantado. O seu corpo toma a posição horizontal e é transportado, com os braços cruzados sobre o peito, até ao meio da sala. Depois de ter aí ficado quatro ou cinco minutos, é reconduzido ao seu lugar, transportado da mesma maneira.” (Ata redigida pelo Dr. Karpovitch, acerca de uma sessão realizada em São Petersburgo, na casa da Baronesa Taoubi, em presença do General Philosophoff e da Princesa Havanschky.)

“Na mesma noite, tendo-se Home sentado ao piano, começou a tocar. Como houvesse convidado para que nos aproximássemos, fui colocar-me junto dele. Eu tinha uma das minhas mãos na sua cadeira e a outra no piano. Enquanto tocava, a cadeira e o piano se elevaram a uma altura de três polegadas; depois voltaram para o seu lugar.” (Atestado de Lord Crawford, depois Lord Lindsay, em 1869.)

Um célebre médico inglês, o Dr. Hawksley, que tratava em 1862 a primeira mulher de Home, refere que um dia Home fez, na sua presença, subir consigo um visitante, que desejava ver algum fenômeno, numa forte e pesada mesa “que se elevou imediatamente, com a sua carga, a oito polegadas pelo menos de altura”. O Dr. Hawksley abaixou-se e passou facilmente a mão entre as pernas da mesa e o tapete; depois, terminado esse exame, a mesa desceu e o visitante abandonou-a.

Eis como o próprio Dunglas Home descreve as suas impressões:26

“Durante essas elevações ou levitações, nada sinto de particular em mim, exceto a sensação do costume, cuja causa atribuo a uma grande abundância de eletricidade nos meus pés. Não sinto mão alguma que me sustenha e, desde a minha primeira ascensão citada mais adiante,27 deixei de ter receio, posto que, se eu tivesse caído de certos tetos, a cuja altura fora elevado, não teria podido evitar ferimentos graves.

Sou em geral levantado perpendicularmente, hirtos os braços e erguidos por cima da cabeça, como se quisesse agarrar o ser invisível que me levanta suavemente do solo. Quando chego ao teto, os pés são levados até ao nível da cabeça e acho-me como que numa posição de descanso. Tenho ficado muitas vezes assim suspenso durante quatro ou cinco minutos. Encontrar-se-á exemplo disso numa ata de sessões que se realizaram em 1857, num castelo perto de Bordéus. Uma só vez a minha ascensão se fez em pleno dia. Era na América. Fui levantado num aposento em Londres, rua Sloane, no qual brilhavam quatro bicos de gás e em presença de cinco cavalheiros que estão prontos a testemunhar o que viram, sem se contar grande número de testemunhos que posso publicar depois. Em algumas ocasiões, tendo diminuído a rigidez dos meus braços, fiz com um lápis letras e sinais no teto, que pela maior parte ainda existem em Londres.”

Home atribuía as levitações e a maior parte dos outros fenômenos que produzia a seres inteligentes e invisíveis que se apoderavam da sua força nervosa para se manifestarem. Tal era também a opinião do Dr. Hawksley, que assim se exprimia num relatório pedido por uma sociedade sábia de Londres:

“Consentido em fazer este relatório, reservei a liberdade de exprimir a minha opinião sobre a causa desses fenômenos. Não é a que tem curso geralmente. Depois de um exame sério, cheguei à conclusão de que essas manifestações eram produzidas por um Espírito inteligente, que se apoderava do corpo do meu amigo e podia deixá-lo para operar a distância certos atos, por exemplo, tocar um instrumento, levantar e projetar objetos materiais, ler no pensamento ou responder com inteligência, por meio de percussões, às perguntas que lhe eram feitas.

Os casos de possessão, de que falam as Escrituras, dão lugar a crer que esses fenômenos são idênticos aos que se passavam no tempo do Cristo. Essas possessões, segundo o Evangelho, não constituíam punição nem prova de culpabilidade dos que eram suas vítimas. Cumpria antes ver nelas uma provação ou um infortúnio que deve ter a sua razão de ser, porém que até agora tem ficado totalmente incompreensível para nós. Quanto ao que diz respeito ao Sr. Home, ainda que eu seja levado a crer que ele estava possesso, deixa-me o que conheci da sua vida e das suas qualidades, absolutamente convencido da sua veracidade, da sua honestidade, da sua benevolência e da nobreza do seu caráter.” (Gardy – Le Médium D. D. Home, pág. 142.)

D – As levitações do Sr. Stainton Moses


O Sr. Stainton Moses 28 descreveu igualmente as impressões que sentiu na primeira das levitações de que foi objeto, no decurso das sessões efetuadas com alguns amigos.

“Um dia (30 de junho de 1870) senti que a minha cadeira se afastava da mesa e virava-se no canto onde eu estava sentado, de modo que fiquei com as costas voltadas para o círculo e a frente para o ângulo da parede. Em seguida, a cadeira foi levantada do chão até uma altura que, segundo o que pude julgar, havia de ser de 30 a 40 centímetros. Os meus pés tocavam no plinto, que podia ter 30 centímetros de altura. A cadeira ficou suspensa alguns instantes e então senti que a deixava e continuava a subir com um movimento muito suave e vagaroso. Não tive nenhum receio e não senti mal-estar. Tinha perfeita consciência do que se passava e descrevia a marcha do fenômeno aos que estavam sentados à mesa. O movimento era muito regular e pareceu-nos bastante duradouro antes de ter finalizado.

Eu estava bem perto da parede, tão perto que pude com um lápis, solidamente preso ao meu peito, marcar o canto oposto no papel da parede. Este sinal, tendo sido mais tarde medido, achava-se a pouco mais de 1,80m do soalho e, segundo a minha posição, a minha cabeça devia estar no ângulo do quarto, a pouca distância do teto. Estou longe de pensar que estivesse por qualquer forma adormecido. O meu espírito estava com toda a sua perspicácia e eu tinha completa percepção desse curioso fenômeno. Não senti no corpo nenhuma pressão; tinha a sensação de estar num ascensor e de ver os objetos passarem longe de mim. Recordo-me somente de uma leve dificuldade de respirar, com uma sensação de enchimento no peito e de ser mais leve que a atmosfera. Fui descido com muita suavidade e colocado na cadeira que voltara à posição anterior. As medições foram feitas imediatamente e registradas as marcas que eu fizera com o lápis. A minha voz, disseram-me, ressoava como se viesse do ângulo do teto.

Esta experiência foi repetida nove vezes com maior ou menor êxito.”


E – Observações do Sr. Donald Mac-Nab


O Sr. Donald Mac-Nab, engenheiro de artes e manufaturas, tão notável pela inteireza do seu coração como pela elevação de seu espírito, e que a morte roubou prematuramente à Ciência, fez uma série de experiências com dois amigos seus, o Sr. F..., compositor de música, e o Sr. C..., escultor, várias obras dos quais foram admitidas no Salão dos Campos Elíseos.

O Sr. Mac-Nab publicou, em 1888, o resultado dessas experiências no Lotus Rouge, dirigido então pelo senhor Gaboriau. Eis o que se refere às levitações:

“O médium Sr. F... é freqüentes vezes levantado ao ar durante as sessões; mas isto sucede, a maior parte das vezes, com um amigo meu, o Sr. C..., que é também médium. Uma vez disse-nos este que era levantado com a sua cadeira. Ouvíamos, com efeito, o som da sua voz que mudava de lugar. Note-se que ele tinha sapatos grossos e não se ouvia o menor barulho de passos. Finalmente, tendo acendido a luz, achou-se sentado na sua cadeira e esta em cima do leito. Uma outra vez, tendo inconsideradamente acendido a luz, enquanto era levitado sobre o mocho do piano, caiu tão pesadamente que o pé do móvel se quebrou. Três engenheiros, os Srs. Labro, F... e M... foram testemunhas destes fatos.

Parecia-me necessário ter provas mais palpáveis desta levitação, e eis o que imaginei: Estendi no chão um pedaço quadrado de pano muito pouco resistente, que se chama andrinópolis, espécie de tecido de cor vermelha; no meio, pusemos uma cadeira e fizemos sentar nela o Sr. C... Outro médium, o Sr. F..., não estava aí. Cada um pegou numa ponta do pano e, como éramos cinco, duas pessoas seguraram numa ponta. Apaguei a luz, e quase imediatamente sentimos a cadeira levantar-se, ficar algum tempo no ar e descer depois devagar. O pano nem mesmo estava retesado e ao menor esforço ter-se-ia rasgado. Esta experiência enchia o Sr. C... de terror. As pessoas presentes eram os Srs. R... e C..., duas senhoras e eu.

Não creio que se possa objetar alguma coisa a esta experiência de levitação do médium, constatada por meio de um pano estendido por baixo da cadeira. Ele estava já colocado na sua cadeira quando apagamos a luz. A elevação efetuou-se quase imediatamente. Éramos cinco em volta dele e era-lhe impossível descer e tornar depois a subir sem que o percebêssemos.

A levitação não é uma força necessariamente vertical, como muitas pessoas crêem. Damos como exemplo o fato seguinte produzido na presença do Sr. de Rochas e que eu observo em quase todas as sessões:

O Sr. C... estava sentado ao meu lado, junto da janela, na obscuridade. De repente, foi levantado e colocado ao pé do piano com a sua cadeira, muito perto do Sr. Gaboriau.29 Isto se passou de um modo tão rápido que ouvimos quase simultaneamente o barulho que fez a cadeira ao levantar-se e ao pousar no chão. Durante o transporte ela descrevera um ângulo de 180º, porque o Sr. C... tinha as costas voltadas para o piano, ao passo que um instante antes elas estavam viradas para a janela.

Numa sessão o Sr. Montorgueil e noutra o Sr. de Rochas passaram a mão por baixo dos pés do médium, durante a ascensão, e puderam certificar-se de que ele não empregava nenhum dos processos ordinários da ginástica.”


F – Observações do Sr. B...,
antigo professor da Escola Politécnica


No decurso do ano de 1887, um amigo meu, antigo professor da Escola Politécnica, que ocupa posição científica elevada, descobriu, por acaso, que um membro da sua família apresentava faculdades mediúnicas. Estudou-lhe as diversas manifestações e eis o que me escreveu a respeito dos fenômenos de levitação:

“Estes fenômenos devem ser tidos na conta dos mais interessantes de todos os que testemunhamos. Mesas pesadas, a uma simples aposição da mão do médium, levantavam-se com os quatro pés numa altura assaz considerável e dificilmente eram retidas ao chão, apesar dos nossos esforços reunidos.

Uma noite estávamos sentados no quarto do médium, então às escuras, em volta de uma mesinha colocada em frente do calorífero. Em cima do soalho, num dos ângulos do calorífero, estavam dois obuses vazios. Um tinha o calibre de 16 centímetros e o peso de 30 quilogramas; o outro, menor, pesava 12 quilogramas.

Depois de uma série de pancadas violentas, ouço crepitações que se produzem por baixo da mesa, análogas às das faíscas de uma máquina elétrica, e, olhando para a esquerda, vejo o mais grosso dos dois obuses cercado de um vivo clarão. Senti que ele se elevava roçando-me pela perna e vi-o pousar devagarinho em cima da mesa. O outro obus, o menor, seguindo o mesmo caminho, veio quase logo colocar-se ao pé do primeiro.

Um instante depois, ouvimos o médium exclamar: “Sinto que me elevo.” Trepado numa cadeira, sigo a sua ascensão até ao teto, ao longo do qual se acha deitado, e a minha mão pôde percorrer-lhe o corpo em todo o seu comprimento, da cabeça até aos pés.

Desce lentamente, tomando de novo a posição vertical, e coloca-se em pé por cima da mesa, onde o achamos, depois de termos aumentado a luz do gás, com os pés exatamente postos no espaço estreito que separa os dois obuses.

Essa tríplice ascensão, apesar do esforço considerável que faz supor, efetuou-se sem nenhum barulho, e o médium, por mais estranha que seja a sua situação, não parece surpreendido nem assustado.

O peso do médium podia ser avaliado, na época das nossas experiências, em 60 quilogramas. Supondo de 80 centímetros a altura da mesa e de 3 metros a do teto, o trabalho efetuado pela força oculta para produzir as três ascensões sucessivas não foi menor do que

(30 + 12) x 0,8 + 60 x 3 = 213,6 quilogrâmetros

Em outras duas sessões distintas, o médium foi igualmente levantado e deitado de encontro ao teto do seu quarto, sem experimentar a sensação de qualquer impulso exterior e sem poder compreender os motivos de sua ascensão.”


G – Levitações de Eusápia Paladino


Eusápia Paladino é uma mulher de Nápoles, com quarenta anos de idade, cujas propriedades mediúnicas foram estudadas por grande número de sábios, em Nápoles, Roma, Milão, Varsóvia, Cambridge e França. Os diferentes relatórios, redigidos logo depois das experiências, foram por mim reunidos no livro L’Extériorisation de la Motricité, publicado pela Livraria Chamuel, de Paris, em 1885.

1º) Levitações em Nápoles, no ano de 1883


O cavalheiro Chiaia remeteu ao Congresso Espírita de 1889 a relação de experiências que acabava de fazer em Nápoles com Eusápia, na presença do Professor Dr. Manuel Otero Acevedo, de Madrid, e do Sr. Tassi, de Perúgia. A médium estava em transe e o gás fora baixado a seu pedido.

“No fim de alguns instantes, durante os quais só se ouvia o ranger habitual dos dentes da médium em letargia, Eusápia, em vez de conversar, como sempre, em muito mau vasconço napolitano, começou a falar em puro italiano, pedindo às pessoas sentadas ao seu lado que lhe segurassem nas mãos e nos pés. Depois, sem ouvirmos qualquer atrito nem o menor movimento rápido da sua pessoa, ou mesmo a mais rápida ondulação da mesa em volta da qual nos achávamos, os Srs. Otero e Tassi, os mais próximos da médium, foram os primeiros a perceber uma ascensão inesperada. Sentiram que seus braços se levantavam muito devagar e, não querendo por forma alguma largar as mãos da médium, tiveram que acompanhá-la na sua ascensão.

Este caso esplêndido de levitação é tanto mais digno de atenção quanto se realizou sob a mais rigorosa vigilância, e com tal celeridade que eles pareciam levantar uma pena. O que surpreendeu sobretudo esses senhores foi sentirem os dois pés da médium postos em cima da pequena superfície da mesa (0,80m x 0,60m), já em parte coberta pelas mãos de quatro assistentes, sem que nenhuma dessas mãos fosse tocada, estando elas na mais completa escuridão.

Ainda que aturdidos por um fato tão extraordinário e tão imprevisto, um de nós perguntou a John 30 se lhe seria possível levantar um pouco a médium acima da mesa, a pés juntos, de modo que nos permitisse constatar melhor a elevação. Em seguida, sem discutir a pergunta exigente e maliciosa, Eusápia foi levantada de 10 a 15 centímetros acima da mesa. Cada um de nós pôde livremente passar a mão por baixo dos pés da “feiticeira” suspensa no ar!

Ao contar-vos isto, não sei qual é o sentimento mais forte em mim: se a satisfação de ter obtido um fenômeno tão magnífico, tão maravilhoso, ou se a suspeita penosa de ser considerado como visionário, mesmo pelos meus mais íntimos amigos. Felizmente éramos quatro, compreendido neste número o Dr. Acevedo, sempre desconfiado, e dois “semicrentes”, muito dispostos a aceitar a evidência dos fatos.

Quando a nossa “feiticeira” quis descer da mesa sem o nosso auxílio, com uma destreza não menos maravilhosa que a empregada para subir, tivemos outros motivos de admiração. Achamos a médium estendida, com a cabeça e a parte superior das costas apoiadas à borda da mesa, com o resto do corpo horizontal e direito como uma barra, sem nenhum outro apoio na parte inferior, ao passo que o vestido estava aderente às pernas, como se estivesse atado ou cosido em volta de si. Ainda que produzido na escuridão, esse fato importante foi (inútil é repeti-lo) observado escrupulosamente com o maior cuidado por todos, e de maneira a torná-lo mais evidente do que se fosse realizado em pleno dia.

Contudo, tive ocasião de ser testemunha de uma coisa mais extraordinária ainda. Uma noite, vi a médium, com o corpo hirto no mais completo estado de catalepsia, conservar-se na posição horizontal, tendo somente a cabeça encostada à borda da mesa, durante cinco minutos, à luz do gás, na presença dos professores de Cintüs, Dr. Capuano, o bem conhecido escritor, Frederico Verdinois e outras personagens.”

2º) Levitações em Milão, no ano de 1892


O relatório oficial das experiências de Milão, redigido pelo Sr. Aksakof, Conselheiro de Estado do Imperador da Rússia, é assinado pelos Srs. Giovanni Schiaparelli, diretor do Observatório Astronômico de Milão; Carl du Prel, doutor em Filosofia, de Munique; Angelo Brofferio, professor de Filosofia; Giuseppe Gerosa, professor de Física na Escola Superior de Agricultura de Portici; Ermacara, doutor em Física; Charles Richet, professor na Faculdade de Medicina de Paris; César Lombroso, professor na Faculdade de Medicina de Turim.

Constata, com a levitação, outros dois fenômenos que lhe são conexos:

Variação da pressão exercida por todo o corpo da médium sentada na balança – A experiência apresentava muito interesse, mas também muitas dificuldades; porque se compreende que todo o movimento, voluntário ou não, da médium sobre a prancha da balança pode causar oscilações desta prancha e, por conseqüência, da alavanca. Para que a experiência fosse concludente, era mister que a alavanca, uma vez na sua nova posição, aí ficasse alguns segundos para medir a deslocação do peso. Fez-se o ensaio com esta esperança. A médium foi colocada na balança, sentada numa cadeira, e achou-se um peso de 62 quilogramas.

Depois de algumas oscilações, produziu-se abaixamento muito pronunciado da alavanca durante segundos, o que permitiu ao Sr. Gerosa, colocado perto da alavanca, avaliar o peso imediatamente. Era de 52 quilogramas, o que indicava uma diminuição de pressão equivalente a 10 quilogramas.

Ao desejo expresso por nós de obtermos o fenômeno inverso, a extremidade da alavanca não tardou a elevar-se, indicando então um aumento de 10 quilogramas. Esta experiência foi repetida várias vezes e em cinco sessões diferentes. Uma vez não deu resultado; mas, em outra ocasião, um aparelho registrador permitiu obter duas curvas do fenômeno. Tentamos reproduzir semelhantes depressões e não pudemos consegui-las senão ficando completamente em pé na prancha e carregando então, quer de um lado, quer do outro, perto da borda, com movimentos bastante amplos, os quais nunca observáramos na médium, nem a sua posição na cadeira teria permitido. Todavia, reconhecendo que não se podia declarar a experiência absolutamente satisfatória, nós a completamos com a que vai ser descrita mais adiante.

Nesta experiência da balança, alguns notaram que o êxito dependia provavelmente do contacto do vestido da médium com o soalho, em cima do qual estava diretamente colocada a balança.

Foi isto verificado por um observador especialmente proposto para esse efeito na noite de 9 de outubro. Estando a médium na balança, a pessoa que estava encarregada de vigiar os seus pés não tardou a ver a orla inferior do seu vestido alongar-se até pender para baixo da prancha. Enquanto se opuseram a esta operação, que, com certeza, não era produzida pelos pés da médium, a levitação não se efetuou; mas, desde que deixaram que a parte inferior do vestido de Eusápia viesse a tocar no soalho, viu-se produzir uma levitação repetida e evidente, que foi indicada por uma grande curva no quadrante registrador das variações de peso.

Em outra ocasião, tentamos obter a levitação da médium colocando-a em cima de uma tábua larga de desenho e esta em cima da prancha da balança. Impedindo a tábua o contacto do vestido com o soalho, a experiência não surtiu efeito.

Finalmente, na noite de 12 de outubro, preparou-se outra balança, com uma prancha bem isolada do soalho e distante deste cerca de 30 centímetros. Como se vigiava cuidadosamente para impedir todo o contacto fortuito entre a prancha e o soalho, mesmo pela orla do vestido de Eusápia, a experiência falhou. Não obstante, nestas condições acreditamos obter, em 18 de outubro, alguns resultados; mas a experiência não foi bem evidente.

Chegamos à conclusão de que nenhuma levitação nos deu resultado quando a médium estava perfeitamente isolada do soalho.



Movimento de alavanca da balança de contrapeso – Esta experiência foi feita pela primeira vez na sessão de 21 de setembro.

Depois de ter-se constatado a influência que o corpo da médium exercia na balança, enquanto estava sentada em cima dela, era interessante ver se esta experiência podia surtir efeito a distância. Para isso, a balança foi colocada por detrás das costas da médium sentada à mesa, de tal modo que a prancha ficasse a 10 centímetros da sua cadeira.

Em primeiro lugar, a orla do seu vestido foi posta em contacto com a prancha: a alavanca começou a mover-se. Então o Sr. Brofferio pôs-se no chão e segurou a orla com a mão. Constatou que não estava de modo algum repuxada, depois volveu ao seu lugar. Continuando os movimentos com bastante força, o Sr. Aksakof pôs-se no chão por trás da médium, isolou completamente da orla do vestido a prancha, dobrou aquela por baixo da cadeira e certificou-se, com a mão, de que estava bem livre o espaço entre a prancha e a cadeira, do que imediatamente nos deu conhecimento. Enquanto ele ficava nessa posição, a alavanca continuava a mover-se e a bater de encontro à barra de espera, o que todos vimos e ouvimos.

Foi feita a mesma experiência uma segunda vez, na sessão de 26 de setembro, em presença do Professor Richet. Quando, depois de algum tempo de demora, o movimento da alavanca se produziu à vista de todos, batendo de encontro à espera, o Sr. Richet deixou logo o seu lugar junto da médium e certificou-se, passando a mão no ar e pelo chão, entre a médium e a prancha, de que esse espaço estava livre de toda a comunicação, de todo o manejo ou artifício.



Elevação da médium para cima da mesa – Colocamos entre os fatos mais importantes e significativos esta elevação, que se efetuou duas vezes, em 23 de setembro a 3 de outubro. A médium, que estava sentada numa extremidade da mesa, fazendo ouvir grandes gemidos, foi levantada com a sua cadeira e colocada com ela em cima da mesa, sentada na mesma posição, tendo sempre as mãos seguras e acompanhadas pelas das pessoas que lhe estavam próximas.

Na noite de 28 de setembro, a médium, enquanto os Srs. Richet e Lombroso lhe seguravam as duas mãos, queixou-se de mãos que a agarravam por baixo dos braços; depois, num estado de transe, disse com uma voz mudada, que lhe é usual nesse estado: “Agora trago a minha médium para cima da mesa.” No fim de dois ou três segundos, a cadeira, com a médium sentada nela, foi, não atirada, mas levantada de improviso e depositada em cima da mesa, estando os Srs. Richet e Lombroso certos de em nada terem auxiliado essa ascensão com os seus próprios esforços. Depois de ter falado, sempre em estado de transe, a médium anunciou a sua descida e, tendo-se o Sr. Finzi substituído ao Sr. Lombroso, foi a médium depositada no chão com a mesma segurança e precisão, ao passo que os Srs. Richet e Finzi acompanhavam, sem os auxiliarem em nada, os movimentos das mãos e do corpo e interrogavam-se a cada instante acerca da posição das mãos.

Além disso, durante a descida, ambos sentiram uma mão que, por várias vezes, os tocava levemente na cabeça. Na noite de 3 de outubro, renovou-se o mesmo fenômeno em circunstâncias bastante análogas, estando ao lado da médium os Srs. Carl du Prel e Finzi.”

3º) Levitações em Varsóvia, nos anos de 1893 e 1894


Eusápia foi a Varsóvia no fim do ano de 1893 e ficou lá durante o mês de janeiro de 1894. Aí foi examinada por muitas pessoas, e suscitaram-se a seu respeito polêmicas muito animadas.

Houve vários casos de levitação, que foram mal descritos no relatório dado pela Revue de l’Hypnotisme. Eis um caso bem comprovado:

“Uma vez, conta o Sr. Matazewski, fui testemunha da elevação da médium ao ar, no meio do quarto, sem nenhum apoio. Estava então em transe e elevava-se gradual, vagarosa e levemente (em postura ereta), tornando a cair assim vagarosa e levemente no soalho. Isto fazia a mesma impressão que se alguém levantasse e abaixasse a médium. Eusápia ficou bastante tempo suspensa no ar, para que livremente se lhe pudesse passar a mão por baixo dos pés com o fim de constatar que ela não tocava de modo algum no soalho. A elevação foi de algumas polegadas. O fato repetiu-se quatro vezes.”

O Sr. Ochorowicz falou assim dessas levitações na Ilustração, de Varsóvia:

“Um outro fato dos mais surpreendentes e raros (obtido assim no Congresso de Milão) foi a levitação completa da própria pessoa da médium, a qual, sempre agarrada pelas mãos e pelos pés, foi levantada do chão e levada com a sua cadeira, em estado de catalepsia, para cima da mesa.

“Levantarei a minha médium ao ar”, disse Eusápia em francês bastante correto (língua que ela não conhece no seu estado normal); e, na realidade, foi levantada. Tal foi, pelo menos, a minha impressão durante alguns segundos. Passando a mão por baixo das suas botinas, pude constatar que entre estas e a mesa havia uma distância de quatro a cinco polegadas.

Ainda outra vez a médium foi bruscamente levantada do chão. Estava em pé, e o Sr. Ochorowicz teve tempo de passar a mão entre os pés de Eusápia e o soalho. Terminada a levitação, a médium, sempre em estado semiconsciente, caminhou para a mesa e, firmando as mãos em cima, tentou simular muito grosseiramente ou talvez provocar uma nova elevação. Uma particularidade bastante digna de nota, diz o Sr. de Siemiradzki, que a testemunhou, é a dos movimentos automáticos análogos, porém, muito fáceis de ser distinguidos dos verdadeiros fenômenos, aos quais, em muitos casos, se deve atribuir a fraude aparente de que às vezes acusaram Eusápia.”

4º) Levitação em Agnelas


No mês de setembro de 1895, Eusápia esteve em França na minha casa de campo, situada em Agnelas, perto de Voiron (Isère), a fim de ser estudada aí por uma Comissão composta dos Srs. Sabatier, deão da Faculdade de Ciências de Montpellier; Coronel de Rochas, diretor da Escola Politécnica; Conde Arnaldo de Gramont, doutor em Ciências Físicas; Dr. Dariex, doutor em Medicina, diretor da revista Annales des Sciences Psychiques; Maxwell, substituto do Procurador Geral em Limoges; Barão de Watteville, licenciado em Ciências Físicas e em Direito.

Houve uma levitação na sessão de 27 de setembro. A ata publicada pela Comissão descreve assim o fenômeno:

“10h 50m. – Os Srs. de Gramont, Sabatier e Coronel de Rochas são sucessivamente tocados na cabeça, no ombro, nas costas, no braço. Nesse momento, o Sr. Dariex, cansado, deixa a sessão.

O Sr. Maxwell cede o seu lugar, à esquerda de Eusápia, ao Sr. de Rochas. O Sr. de Gramont, deixando a verificação das pernas de Eusápia, passa à direita, substituindo o Sr. Sabatier. O Sr. de Rochas segura a mão esquerda de Eusápia e o Sr. de Gramont a mão direita.

Eusápia pede que afastem a mesa da janela e a levem para o meio da sala. As mãos são examinadas, como fica dito. Os pés de Eusápia descansam, o direito em cima do pé esquerdo do Sr. de Gramont, o esquerdo em cima do pé direito do Sr. de Rochas.

Eusápia diz por várias vezes “Altare, altare”, isto é, “Elevar, elevar”, a fim de indicar que vai fazer esforço para erguer-se. Faz repetir aos Srs. de Gramont e Coronel de Rochas, que lhe seguram as mãos, o movimento de acompanhar mãos no ar, mas sem operar tração ou resistência notável. No fim de alguns minutos e numa escuridão quase completa, que permite com grande custo distinguir os perfis, pareceu ao Sr. de Gramont, que segurava a mão direita de Eusápia, que esta, sem se firmar nas mãos dos observadores que seguem simplesmente as suas, nem nos pés dos mesmos observadores em cima dos quais descansavam os seus, era levantada, sentada, com um movimento contínuo bastante rápido, não por um pulo ou salto, mas antes por uma ascensão. A cadeira eleva-se com ela e os pés de Eusápia chegam quase à altura da mesa. Os observadores levantam-se ao mesmo tempo para seguirem o movimento. A partir desse momento, ela escapa das mãos dos dois observadores. O Sr. Sabatier, colocado à direita do Sr. de Gramont, procura perceber pelo tato, na escuridão, se Eusápia, enquanto se eleva, coloca um joelho em cima da mesa para lhe servir de alavanca; mas nada pôde constatar claramente. Os Srs. de Gramont e Coronel de Rochas afirmam que Eusápia foi levantada com a sua cadeira a altura pouco inferior à da mesa, sem operar pressão neles e sem se firmar nas suas mãos ou nos seus pés.

A surpresa traz ao exame uma confusão e um relaxamento notáveis. Constata-se somente que Eusápia está em pé, com a sua cadeira em cima da mesa. Ela tenta elevar-se ainda verticalmente. O Sr. Sabatier passa rapidamente a mão por baixo da planta dos pés de Eusápia e constata que os calcanhares estão levantados acima da mesa, porém que Eusápia se apóia nos dedos dos pés, como fazemos quando nos erguemos na ponta dos pés.

Eusápia então se enfraquece. As pessoas próximas dela recebem-na nos braços e fazem-na sentar no chão.

Devemos acrescentar que uma das pessoas que se achavam próximas à mesa desmaiou quase completamente, não de emoção, mas de fraqueza, dizendo que sentira esvair-se de forças sob a influência dos esforços de Eusápia.”

H – Experiências em Roma no ano de 1893


O Sr. Palazzi (de Nápoles) publicou, em dezembro de 1893, a narrativa de uma sessão, à qual acabava de assistir em Roma, na casa de um pintor, o Sr. Francesco Alegiani, na presença do Sr. Henrique de Siemiradzki, do Dr. Nicola Santângelo, médico de Venosa, dos professores Ferri e Lorgi, da Universidade de Roma, do Sr. Hoffmann, diretor da revista Lux, do Sr. Giorli e de alguns outros homens ou senhoras, ao todo umas vinte pessoas, entre as quais três médiuns, o Sr. Palmiani, engenheiro, e dois jovens estudantes, os Srs. Arturo Ruggieri e Alberto Fontana. Este último era o médium mais poderoso.

Catorze pessoas formaram a cadeia em volta da mesa iluminada por uma lanterna vermelha.

O Sr. Fontana estava num dos ângulos. O Sr. Giorli segurava-lhe a mão direita e o Dr. Santângelo, que se achava, por causa do ângulo da mesa, na borda perpendicular à que ocupavam os outros dois, segurava-lhe a mão esquerda.

Ouviram-se em primeiro lugar estalidos na mesa; esta se levantou parcialmente e depois se ergueu inteiramente a trinta centímetros do solo.

Então, satisfazendo ao pedido da mesa, feito por meio de pancadas, estabeleceu-se completa escuridão.

“Momentos depois, de repente e sem que nada o tivesse feito prever, as três pessoas acima indicadas foram erguidas ao mesmo tempo e levadas para cima da mesa, os Srs. Fontana em pé, Santângelo de joelhos. Esta diferença de posição poderia achar a sua explicação no esforço que a força agente não pudera desenvolver inteiramente sobre Santângelo, o qual não se achava na mesma linha que o Sr. Fontana. Tivera que deixar o doutor ajoelhado sem conseguir pô-lo em pé.

Seja de que modo for, é necessário uma força muito poderosa para levantar, de uma só vez e ao mesmo tempo, três pessoas das quais duas, os Srs. Giorli e Santângelo, são muito pesadas.

Esse fenômeno foi devidamente constatado por várias pessoas, entre outras s Sra. Ferri e o Sr. Siemiradzki. Durante esse tempo, o médium era levantado acima da mesa, fenômeno constatado e verificado pela maior parte dos assistentes, não somente pelos que se achavam junto do médium, mas também pela Sra. Ferri, o Sr. Siemiradzki e por mim, que estávamos do lado oposto da mesa. Passamos completamente por várias vezes a mão por baixo dos pés do médium, entre os seus pés e a mesa. Estava levantado cerca de dez centímetros.

Como a escuridão completa podia deixar supor que os dois pés por baixo dos quais se passava a mão não eram os do médium, porém que um pertencia ao médium e o outro ao Sr. Giorli em pé ao lado dele, trouxeram a luz vermelha, fizeram descer os dois verificadores e pediram à força agente, que se dizia um Espírito chamado Oscar, que reproduzisse o fenômeno no médium, que ficara só em cima da mesa e sempre seguro da direita e da esquerda pelos verificadores, o que foi aceito.

Feita de novo a escuridão, o médium foi levantado acima da mesa. Verificou-se então, muito claramente, que ele fora levantado ainda a maior altura do que da primeira vez, pois a maior parte dos assistentes puderam passar a mão por baixo dos seus pés, não mais espalmada como precedentemente, porém direita e atravessada.

Tendo-se constatado bem a levitação, o médium desceu até à mesa.

Pedimos então ao mesmo Espírito que o descesse de cima da mesa, coisa que foi logo feita. O médium, enquanto era descido devagarinho, não cessava de gritar que, por piedade, não lhe largassem as mãos.

Poucos instantes depois de o médium estar sentado na sua cadeira, foi, de repente, atirado ao comprido, por baixo da mesa, com tal violência que arrastou consigo o Sr. Giorli e quase fez cair o Dr. Santângelo. O médium e o Sr. Giorli vieram bater com os pés nos nossos, e nós estávamos na extremidade oposta da mesa.

Dissemos ao Sr. Giroli que levantasse o Sr. Fontana; mas, depois de alguns esforços, disse-nos ele que, devido ao Sr. Fontana estar muito pesado, não o conseguira mover.

Várias outras pessoas tentaram também, porém inutilmente, levantar o médium.

O Sr. Giorli ficava sempre estendido ao lado do médium. Fizemo-lo retirar-se dali e pôr-se em pé, com o receio de que ele contribuísse para tornar pesado o Sr. Fontana. Este, em seu espanto eterno, recomendava aos Srs. Giorli e Santângelo que não largassem suas mãos.

O Sr. Siemiradzki, homem alto e robusto, quis então levantar o médium, mas não tardou a declarar que o Sr. Fontana “estava pregado no chão” e que não conseguia movê-lo.

A Sra. Ferri quis também tentar a prova, mas chegou ao mesmo resultado negativo. Ferri, que estava sentado ao meu lado, exclamava cheio de surpresa: “E não obstante, minha mulher é mais forte que um homem.”

Pedimos finalmente ao Espírito Oscar que levantasse o médium. Num abrir e fechar de olhos, foi este reposto na sua cadeira.”

O Sr. Dr. Santângelo confirmou os fatos de levitação, obtidos nas sessões de 8 e 15 de dezembro de 1893, numa carta da qual destaco o seguinte:

“Em completa escuridão, tanto na primeira como na segunda sessão, verificamos a levitação do médium Ruggieri, o qual se elevou quase à altura de um metro acima do nível da mesa, do que eu próprio me certifiquei e fiz constatar, na primeira sessão, pela Sra. Possidoni, que estava à minha esquerda, e na segunda sessão pela Sra. Ferri, que nos honrara com a sua presença.

No decurso da sessão, o médium, depois de ter sido elevado ao ar, foi com força tirado de debaixo da mesa e obrigado a ficar imóvel, deitado de costas. Eu, a Sra. Ferri, o Sr. e a Sra. Siemiradzki esforçávamo-nos para movê-lo pelo menos um centímetro. Tudo foi inútil; ele parecia de chumbo e fortemente preso ao chão.

Há mais ainda. Na segunda sessão produziu-se um fato que me impressionou muito e impressiona-me ainda todas as vezes que o relato.

Quando o médium Sr. Ruggieri começava a elevar-se, eu o estava segurando fortemente com a mão; mas, vendo-me puxado com força até perder pé, agarrei-me ao seu braço e assim fui elevado ao ar com o meu companheiro, que estava do outro lado do médium. Éramos todos três elevados ao ar até uma altura de, pelo menos, três metros acima do soalho, pois que eu tocava distintamente, com os pés, no lustre que pendia do centro do teto.

Na rápida descida, acesa a luz, achei-me ajoelhado em cima da mesa, quase em perigo de quebrar o pescoço, sem que, todavia, nada de desagradável me tivesse sucedido.

Sim, em Roma, eu próprio, sem asas, voei no ar, e isto posso atestar à face de Deus e dos homens; mas, antes de mim, os três médiuns Cecechini, Ruggieri e Boella foram também levantados no espaço até tocarem no teto... e era belo ouvir a voz deles vir de tão alto, anunciando o fenômeno. (Vede Lux, VI ano, fasc. 12º.)

Eis fatos e fatos importantes, incríveis, sim; mas, todavia, dignos de todas as considerações possíveis e imagináveis. Que vantagens tirarão deles a Química, a Física, a Fisiologia, a Psicologia, a Antropologia, a Ética, a Moral, a Política, a Religião, etc.?

Por que não são estudados?... São coisas incompreensíveis.”

O Sr. Falcomer, professor no Real Instituto Técnico de Alexandria, falou-me dessa sessão numa carta com a data de 10 de novembro de 1895:

“Na casa do meu amigo Hoffmann, em Roma, um médium elevou-se ao ponto de tocar com a cabeça no teto da sala. Enquanto se elevava, ele era seguro por duas pessoas, uma pela mão direita, outra pela mão esquerda. O meu amigo, o cavalheiro Santângelo, médico cirurgião, e um outro, erguidos pelos braços, elevaram-se ao mesmo tempo que ele.”

Na mesma carta, o Sr. Falcomer assinala outra levitação que acabava de se realizar em Florença, e cujo resultado foi tão desastroso que ele me pediu para não publicar os nomes das vítimas.

Um médico, redator de uma revista de hipnotismo, viera assistir à sessão, trazendo consigo o seu parente Sr. X..., tão incrédulo como ele. O Sr. X... desafiou, em termos bastante grosseiros, a força desconhecida a que produzisse alguma coisa diante dele. O Espírito não tardou a responder com um argumento irresistível. Levantou até ao teto da sala aquele que o desafiara e deixou-o cair tão pesadamente que lhe quebrou o braço.

Espero fazer entrar a convicção no cérebro dos leitores, por um processo menos brutal.

I – Casos diversos


Dois casos foram recentemente observados em Grenoble e afirmados pelo cura de uma das suas paróquias, por um professor da Faculdade e por um engenheiro, antigo aluno da Escola Politécnica, que os testemunharam.

O primeiro refere-se a uma extática recolhida num convento dos arredores. Essa mulher ficava deitada no momento das suas crises. Algumas vezes, o corpo tornava-se-lhe rígido e, se a pegavam pelo cotovelo, podia ser levantada como uma pena, tão leve parecia.

O segundo caso é o de um menino que, durante alguns anos, apresentou fenômenos muito análogos aos que foram descritos sob o nome de agilidade sobrenatural, no capítulo III, isto é, trepava sem esforço ao longo das paredes. A mãe estava muito inquieta com essas manifestações anormais. Consultou em vão os médicos. Um dia, o menino caiu numa crise de sonambulismo e indicou certa tisana que devia beber, o que foi feito, e ele se curou.

Na sessão de 3 de fevereiro de 1897, da Sociedade de Ciências Psíquicas, o padre Bulliot citou um caso de levitação que ouviu contar a Monsenhor Hulst. A tia de prelado, uma santa religiosa, mãe do burgomestre, morta em 1863, “era elevada acima do chão por várias vezes e à vista de todas as freiras da sua comunidade, notadamente quando na sua presença se falava do “amor de Deus”.

Um dia, a piedosa madre, tendo sido atada ao seu genuflexório, arrastou-o consigo. o genuflexório caiu e de uma altura tal para se quebrar em pedaços, que foram conservados. Monsenhor Hulst interrogou separadamente várias religiosas que testemunharam esses fatos.

Conheço, em Bordéus, uma honrada mulher, a senhora Agullana, que me contou ter sido, quando jovem, perseguida na sua aldeia, onde passava por feiticeira, porque algumas vezes se elevava de repente ao ar, durante um instante, sem que soubesse donde isso provinha.

A levitação foi algumas vezes obtida por atração magnética.

Um dos casos, observado pelo Sr. Borguignon, negociante em Rouen, foi descrito por ele numa carta endereçada ao Dr. Charpignon, a 3 de julho de 1840.

“Tenho notado – diz ele – que os seus membros (os do paciente que ele magnetizava) seguiam, quando eu desejava, todos os meus movimentos, lembrei-me de os atrair. Tendo colhido bom resultado em diferentes ensaios, coloquei minha mão a duas ou três polegadas acima do epigastro e todo o corpo se elevou, ficando suspenso... Acrescentarei que tendo tido, há seis semanas, a pessoa que eu magnetizo, um resfriamento do peito, deixei, para não cansá-la, de a elevar horizontalmente. Coloco então a mão por cima da sua cabeça e faço-a elevar de maneira que eu consiga passar várias vezes a mão ou uma bengala por baixo dos seus pés.”

O Sr. Borguignon afirma que, de dez experiências, tirou resultado em oito, porém que não pôde reproduzi-las com nenhum outro paciente.

“O Sr. Phéron, de Montauban – diz ele ainda –, com quem estou ligado e que se tem ocupado em magnetizar segundo os meus conselhos, asseverou-me ter obtido o mesmo resultado numa sonâmbula. Não vi isso, mas sei que ele é homem incapaz de alterar a verdade.” 31

O Journal du Magnétisme, de Ricard, consigna, no seu número de novembro de 1840, um fato análogo. O Sr. Schmidt, médico em Viena (Áustria), veio fixar-se na Rússia com sua filha, que ele casou depois com o Sr. Pourrat (de Grenoble). Em Kiev, a Sra. Pourrat, que era valetudinária, foi magnetizada por seu pai. O efeito foi tão poderoso que, depois de feitos alguns passes, a doente, com grande admiração dos assistentes, foi levantada do leito no qual estava estendida ao comprido, de maneira que podia passar-se a mão entre o leito e o corpo, sem tocar em coisa alguma.

O Dr. Kerner refere igualmente, na sua obra Voyants de Prévorst, que, tendo constatado que os seus dedos atraíam os da Sra. Hauffe, estendeu as mãos por cima dela e levantou-a do chão. Sua mulher obteve o mesmo resultado.

Enfim, farei observar que a levitação de uma pessoa viva pode ser considerada como um caso particular da levitação de um objeto pesado qualquer, de que dei tão numerosos exemplos no meu livro Extériorisation de la Motricité, e cuja realidade acabamos ainda de constatar em duas séries de sessões efetuadas de 15 de setembro a 15 de outubro de 1895 com Eusápia Paladino, em Paris e em Choisy-Yvrac, perto de Bordéus.

Em Paris, uma pesada mesa elevou-se bruscamente debaixo das mãos dos experimentadores até à altura das suas barbas, ficou nessa posição durante algum tempo, apesar dos esforços empregados para a fazerem descer, e depois caiu com estrondo.

Um desses experimentadores, o Sr. Sully-Prud’-homme, da Academia Francesa, viu um mocho de arquiteto, muito pesado, avançar sozinho para si. “Roçou-me, diz ele, o lado esquerdo, elevou-se à altura da mesa e veio pousar em cima.”

Em Choisy-Yvrac, enquanto segurávamos e víamos as duas mãos de Eusápia postas em cima da mesa, uma cadeira, colocada por trás dela, elevou-se sozinha, passou por cima da sua cabeça, por cima da mesa e veio apresentar-se, no ar, à mão de um de nós que ia ao seu encontro.

* * *

Certamente, qualquer pessoa que, abrindo ao acaso este livro, lesse isoladamente um dos fatos que citamos não hesitaria em classificá-lo como absurdo; mas está aí a história das ciências para nos recordar que cada geração viu derrocar-se, diante dos fatos novos pacientemente recolhidos e observados, a maior parte do acervo dos conhecimentos de que, entretanto, a geração precedente se julgava bem segura. Considerai a biblioteca de um físico, de um químico, de um fisiologista do último século. Que resta hoje? Temos o direito de nos considerar mais privilegiados que os nossos antepassados, sobretudo quando pensamos nas dificuldades de toda sorte que se têm oposto e se opõem ainda ao estudo dos fenômenos de que aqui se trata?




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