Agradeciento pelos 25 anos de episcopado



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Encontro30.12.2017
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AGRADECIMENTOS 25 ANOS DE EPISCOPADO
Vivo um momento gozoso, sem dúvida alguma, ao celebrar meus 25 anos de episcopado. Concelebrar a Sagrada Eucaristia com Sua Eminência o Cardeal Dom Serafim, meus irmãos arcebispos e bispos, todo o clero e esta assembleia tão rica e expressiva é, sem dúvida, uma alegria Pascal que experimento agora.
Ao falar-lhes neste momento gozoso procuro dar-lhes a chave de interpretação de minha vida ministerial.
Desde jovem sacerdote eu tinha uma grande preocupação. Queria ajudar as pessoas que estavam sobre minha orientação espiritual a aplicarem na vida, pessoal e comunitária, o Mistério da Páscoa. Esta foi a preocupação central em toda a minha vida ministerial, seja com sacerdote, seja como Bispo da Igreja. Quando padre eu me lembro quantas vezes procurei passar esta experiência de Deus para os casais que orientava, no então, Movimento Familiar “Betânia Encontro de Casais”, cujos representantes estariam aqui se não fossem problemas sérios de saúde. Eles vivem neste momento o Mistério da Paixão.
Ao celebrar estes 25 anos de Bispo da Igreja, um padre me disse que eu deveria falar alguma coisa no final da missa porque o povo queria ouvir o Bispo. Pois bem, tenho pouco, muito pouco a lhes comunicar a não ser esta experiência que tenho procurado viver conscientemente desde o início da minha vida, de minha consagração religiosa prolongada na vida de ministro de Cristo, Cabeça da Igreja.

Sempre fiquei muito impressionado, e fico ainda hoje, quando, mais consciente, estremeço diante da digna missão de fazer as vezes de Jesus Cristo, servo, esposo da Igreja, com a missão de ser outro Cristo.


O que tenho a lhes dizer sobre os vinte cinco anos de episcopado, é como tenho vivido intensamente este mistério..., tremendo mistério..., mistério pascal. Como padre e como bispo sempre fui um homem inquieto, buscando viver e anunciar o Grande Mistério da Páscoa. Porém, foi nestes 25 anos que passei a compreender melhor, na carne, o que significa fazer as vezes de Cristo, o que significa seguir a Jesus Cristo! Passei a entender melhor na prática que seguir Jesus significa viver com Ele e Nele o mistério da paixão, da desolação, do despojamento. Compreendi, um pouco mais na vida, o que significa imolação, silêncio, humilhação. Porém, aprendi também junto a tudo isso o que significa mesmo a alegria pascal, a força do alto.
Estes vinte cinco anos de Bispo ensinaram-me a viver melhor os sacramentos da iniciação cristã, o Santo Batismo, a Crisma e a Sagrada Eucaristia, todos, profundamente vinculados ao sacramento da ordem.
Estes vinte e cinco anos têm significado um mergulho na Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo todos os dias. Esta é a ressonância dos sacramentos da iniciação cristã e da ordem. “Ut Pastor Pascet” Apascente como pastor! Aprendi que na vida experimentamos a dor e a alegria. Mergulhar-se no Mistério Pascal é mergulhar-se na vida nova na qual todos fomos inseridos. Vida Nova que historicamente acontece nos passos de Jesus passando com Ele na experiência do servo de Javé seja como simples cristão, seja como presbítero e, sobretudo como Bispo. Esta é a minha modesta história de cristão, sacerdote e bispo da Igreja. O que acabo de dizer recebe seu significado nas palavras de Jesus: “quem quiser vir após mim tome a sua cruz e siga-me”. “Fazei isto em minha memória ou memória de mim.”. Vida Eucarística, Vida Pascal!
Nestes anos de episcopado tive grandes dores e grandes alegrias, momentos gozosos e gratificantes, seja na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim seja na Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo.
Por isso, irmãos e irmãs, agradeço a todos que passaram por minha vida, seja me edificando, seja me santificando, seja me alegrando seja colaborando comigo. Todos me fizeram muito bem nestes vinte cinco anos! A todos muito obrigado.
Ser Bispo é uma tarefa muito bonita. Bonita porque exigente no seguimento de Nosso Mestre e Senhor. De uma maneira inquieta e ousada tenho procurado viver o lema de meu episcopado: “Ut Pastor Pascet” Apascente como pastor! Quero continuar na busca deste ideal, mesmo parecendo ser atrevido ou ousado: pastorear como Jesus, amar como Jesus, imolar-me como Jesus e amparado como Jesus nos braços de nossa querida Mãe Maria Santíssima.
Conto com as orações de todos e peço-lhes perdão pelas minhas faltas, meus pecados. Tenho sido, como nos fala o Evangelho, um servo inútil, alguém que busca viver o Mistério da Páscoa, e, como São Paulo, o Grande Apóstolo, reclamo muitas vezes. O servo inútil não faz mais que a sua obrigação e, sua alegria, está em ser servo.
Agradecido a Deus por estes vinte cinco anos, agradecido à Diocese de Cachoerio de Itapemirim onde convivi por 17 anos, com aquele povo querido e não menos queridos os padres, religiosos e religiosas com quem lá trabalhei e dei a minha vida, agradecido à Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo com quem venho servindo à Igreja junto aos queridos presbíteros, aos caríssimos religiosos e religiosas, leigos e leigas consagrados, todas as comunidades, com seus movimentos e grupos de serviço eclesiais que crescem comigo, no caminhar juntos, no anúncio e testemunho do Evangelho, nosso grande objetivo comum: Ser sinal de esperança para o povo, anunciando e testemunhando a Boa Nova de Jesus Cristo, à luz da evangélica opção pelos pobres, caminhando juntos na acolhida fraterna. Convido a todos para que vivamos todos os dias o nosso Batismo, o Mistério da Páscoa o nosso sacerdócio no mistério da Páscoa.
E termino com as palavras de S. Paulo: “Não pretendo dizer que já alcancei a meta e cheguei à perfeição. Mas eu corro por alcançá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, consciente de não tê-la conquistado ainda, só procuro uma coisa: Esquecendo o que fica para trás, lanço-me em perseguição do que fica para a frente. Corro para a meta, para o prêmio celeste, para Deus que nos chama em Cristo Jesus. E todos nós que nutrimos o ideal da perfeição, tenhamos estes sentimentos. E, se alguma coisa pensais de modo diferente, Deus vos há de esclarecer. Em todo o caso, seja qual for o ponto já alcançado o que importa é prosseguir no mesmo rumo” (Fil. 3, 12- 16).
Muito obrigado.



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