Agosto Diocese de Lichinga, C. P. 111, 90100 Lichinga – Niassa Caros



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Durante a mesma Celebração fo-ram ordenados dois Diáconos dio-cesanos, nomeadamente, Marcelino Manuel e Luis Lino, e com a leitura das suas biografias deu-se início à Santa Missa, tendo o Bispo como principal celebrante, ladeado de numerosos sacerdotes das diversas congregações ao serviço do Evangelho na Diocese.

Num momento antes de Homilia, o prelado apresentou o lema das celebrações de bodas de ouro da diocese, que se resume nas significativas palavras: “A Família Renova a sua Fé e Anuncia o Evangelho” .

O Senhor Bispo aproveitou este lema para explicar o Conteúdo do documento sinodal dos Bispos Africanos, no qual o Santo Padre insiste na necessidade dos Africanos pegarem na Igreja com as suas próprias mãos, de forma a preservá-la e perpetuá-la por meio das vocações missionárias cujo viveiro é a família.

Exortou igualmente aos governantes para a necessidade de verem a pessoa humana, não apenas sob ponto de vista material, mas também espiritual e moral, pois esta é à imagem e semelhança do Deus criador; deste modo, e só compreendendo esta última componente seriam mi-norados os males que infelizmente grassam sobre a sociedade Mo-

çambicana.

O Senhor Governador focalizou os esforços que as Igrejas, principalmente a católica, tem desenvolvido na formação da pessoa humana para a altura dos vários desafios do desenvolvimento da Província e do País, evidenciando a faculdade da Agronomia e de outros cursos profissionais da universidade Católica.

No fim da Missa, houve um almoço de confraternização com a presença dos familiares dos novos servidores do povo de Deus, que receberam o sacramento da Ordenação Diaconal naquela manhã.
Paulo Amisse - Paróquia de Nzinje

CONSELHO PASTORAL DIOCESANO

De 15 a 16 de Maio 2012 realizou-se o Conselho Diocesano Pastoral de Lichinga, em Cuamba, nas instalações do ESAM, presidida pelo Sr. Bispo, D. Elio Greselin. Estavam presentes 78 membros: sacerdotes, dois seminaristas, irmãs, animadores paroquiais e representantes dos projectos e das comissões.

Depois da Eucaristia, presidida pelo Sr. Bispo, deu-se início à primeira sessão do encontro.

O Vigário da Diocese, Pe. Joaquim Lopes saudou os participantes e apresentou a agenda desta assembleia. Fez-se a apresentação das paróquias, e dos representantes das comissões e projectos.

O Sr. Bispo fez a abertura oficial do encontro com umas palavras de boas-vindas e apelando aos párocos que apresentasse a caminhada deste ano: a nível de formação, auto-sustentabilidade e a vida das comunidades. Esta deveria ser feita com autenticidade, objectiva e sinté-tica.

Deu-se seguimento ao primeiro ponto da agenda: a apresentação dos relatórios das paróquias, das comissões e dos projectos.

Terminada a apresentação da vida das paróquias o Pe. Joaquim explicitou um pouco o contexto das comunidades de Cóbué devido às distâncias e ao difícil acesso a essas mesmas.

O Sr. Bispo reforçou a necessidade de missionários e da permanência de um sacerdote nesta paróquia, de forma a dar uma assistência contínua.

Temos de ter consciência de uma pastoral de conjunto. Evidenciando também a necessidade de uma pastoral ao mundo muçulmano, havendo uma inter-comunicabilidade entre a igreja e o Islamismo.

Também salientou, que deveria haver uma maior motivação e empenho por parte dos animadores e sacerdotes na dinamização do dízimo.

A Diocese tem projectos que ajudam como caminhada da Igreja, no entanto, há um caminho a fazer. Todos nós devemos dar contas dos projectos e fazê-lo com o máximo de transparência possível” reforçou D. Elio.

Um dos grandes pontos deste encontro era reflectir no caminho espiritual e pastoral que a diocese quer fazer durante este ano.



O jubileu da diocese será um marco forte de vivência espiritual na nossa caminhada como diocese. O ano jubilar terá a sua abertura em Massangulo, no 21 de Julho de 2012 e encerrará no dia 21 de Julho de 2013.

O ano da fé será também um ponto forte a trabalhar, assim como, o documento África múnus.

O Pe. Dário, director do Secretariado da Diocese fez algumas considerações acerca do mapa estatístico, ofertórios e da revista do Niassa tanto a nível da colaboração dos artigos assim como da economia. D. Elio acrescentou (...) “Temos que tomar consciência de que a revista é nossa, é para nós e a colaboração tem de vir de nós tanto a nível económico como a nível da colaboração do envio de notícias.

Quero que esta chegue a todas as comunidades e é importante a colaboração e o empenho de todos”.

O Sr. Bispo salientou que o pagamento das despesas relativas aos seminaristas deve ser também um contributo por parte das famílias. A diocese não tem que suportar continuamente estes gastos.

As paróquias devem-se organizar. “Aquelas paróquias que são mais pobres talvez não consigam contribuir, mas as que mais podem devem ajudar estas. Não deve existir a comunidade rica e a comunidade mais pobre. Numa igreja diocesana não pode haver a distinção entre ricos e pobres. É bom que esta ideia se vá tornando uma norma, uma vez que, cada dia há mais padres diocesanos”.

E terminando duma forma conclusiva salientou-se os seguintes desafios para este ano:

-O pagamento do dízimo por parte dos cristãos deve ser encarado como uma questão de responsabilidade, de compromisso e de maturidade, devendo sempre ser paga;

- Rever os estatutos do PAD e do ESM;

- A equipa económica deve planear as suas reuniões de modo mais assíduo para uma melhor gestão económica;

- As paróquias devem caminhar para uma auto-sustentabilidade e autonomia.

- Reforçar, durante este ano, a formação a todos os níveis;

- Maior transparência na gestão dos projectos.

- A diocese durante este ano deve caminhar à luz do Ano Jubilar e dos temas acima propostos.

No final deste encontro, o Pe. Joaquim, despediu-se com palavras de agradecimento por todo o carinho, amizade e apoio, expressando: “Parto com alegria, generosidade e com vontade de dar o meu melhor e deixar a nossa diocese bem”. Agradeceu emocionado a todos os presentes da assembleia apelando à oração de todos.

Finalizámos este encontro com uma Eucaristia, dando graças a Deus, por estes dias de trabalho e por tudo o que é dom e vida da nossa Diocese.


Lichinga, 16 de Maio de 2012

A COMUNHÃO E A PARTILHA DE BENS CAMINHO PARA O AUTO-FINANCIAMENTO DA COMUNIDADE CRISTÃ



Introdução
Num diálogo improvisado no refeitório da minha casa fui, em meses passados, interrogado acerca da economia das missões. Puseram-me a seguinte pergunta: porque é que no passado (remoto e recente), as missões tinham uma boa estabilidade económica e hoje em dia não o têm? A pergunta foi acrescentada com uma outra pergunta muito mais abrangente da primeira; o que foi que mudou na missão?

Neste artigo tentaremos, não dar uma resposta às anteriores perguntas, mas sim umas pautas para entender as mudanças da missão e o seu impacto na economia das missões. Procuraremos igualmente, orientar umas vias para promover a comunhão e a partilha de bens como caminho para a auto sustentabilidade das comunidades cristãs.



1. A história como mestra de vida
A comunhão de bens como característica da comunidade

As primeiras comunidades cristãs, a começar da comunidade de Jerusalém, caracterizaram-se pela comunhão de bens, pretendia-se nesta partilha, suprir as necessidades de cada um (Actos 2. 42-45). Deste modo, a evangelização assumiu um rosto muito particular porque ao lado do anúncio estava o exercício da caridade até ao ponto que não havia ninguém necessitado (Actos 4. 34).

Mais tarde, ao lado da comunhão de bens entraram as colectas especiais para atender as necessidades da comunidade e ajudar aquelas comunidades mais necessitadas; neste sentido devemos entender a colecta para a Igreja mãe de Jerusalém (II Cor. 8. 1-15; e todo o cap.9)
Novos tempos e novos paradigmas missionários

Durante a idade média e o tempo moderno a Conceição da missão mudou radicalmente e com ela os meios de financiamento da mesma. Com a intervenção directa do Estado, quer ao tempo da conhecida donatio santi Petri e Paolo (doação de S. Pedro e de S. Paulo) (idade media) quer sob o Padroado (em tempos modernos) o Estado assumiu a responsabilidade de financiar o envio dos missionários, de construir os templos e as obras necessárias para a evangelização e de garantir a sua manutenção; isto a câmbio dos privilégios concedidos pelos Papas.

No caso concreto de Moçambique, a Igreja nasceu sob a égide do Padroado o que lhe foi de garantia para que a construção das suas Igrejas e das inúmeras obras de caridade contassem não só com pessoal missionário, senão também com meios económicos para o seu normal desenvolvimento.

Importa dizer que enquanto o padroado garantia o bom andamento da missão os

missionários procuravam envolver os cristãos nas obras de caridade e de

crescimento da comunidade.

Com o aparecimento do Estado moderno a situação financeira da igreja começou a mudar. Ao mudar o paradigma da missão mudou o envolvimento dos cristãos na comunidade e a auto sustentabilidade económica da evangelização e das obras da Igreja sofreu um revés ainda não superado.

Sob o novo tempo e o novo paradigma o Estado interveio no seio da Igreja no sentido de confiscar os seus bens, questionar o papel da igreja na sociedade e na expulsão dos missionários; processo este que prosseguiu com a posterior declaração da separação dos poderes e a laicização do Estado.

No contexto dos novos paradigmas e das suas respectivas mudanças a situação económica da igreja encontrou as suas dificuldades porque não só perdeu o financiamento do Estado, mas também muitas das suas obras e do seu pessoal missionário.
2. Situação em Moçambique

A situação anteriormente descrita viveu-se igualmente em Moçambique e a igreja não foi poupada dos vaivéns políticos da Metrópole. Houve momentos de intensa unidade e colaboração Igreja-Estado e outros momentos da história em que a ruptura se fez sentir em todos os âmbitos da vida da igreja e da situação económica das missões.

A situação deteriorou-se radicalmente com o advento da Independência nacional (1975) do carácter marxista-leninista que assumiu o Estado, com as nacionalizações (1977) e a posterior guerra civil que concluiu com a assinatura dos Acordos Gerais de Paz (1992). Neste período de tempo a Igreja em Moçambique perdeu junto do pessoal missionário as suas obras de caridade, de promoção humana; as instituições educativas e da saúde que eram, em parte, as que lhe garantiam o financiamento da sua incansável acção apostólica e a manutenção do pessoal missionário.

3. A situação actual

Poderíamos dizer que desde 1968 até ao presente estamos num constante processo de instabilidade social, política, religiosa-missionária e económica causadas por uma mudança não só de época quanto de paradigma; situação que se agravou ainda mais, com a crise financeira mundial que vivemos nos nossos dias.

Esta situação de mudanças, de novos paradigmas e de crise financeira a vivemos também em Moçambique e o seu impacto negativo reflecte-se também na vida das comunidades cristãs que sofrem tanto uma diminuição estatística dos seus efectivos quanto uma redução económica e financeira para a sua acção evangelizadora e de promoção humana.
4. E agora, como é que a comunidade cristã pode superar a crise económica e chegar a sua auto-sustentabilidade?

Considero que todo este discurso pode-se resumir em três propostas:

A primeira: Voltar às origens

É necessário que as comunidades cristãs de hoje em dia voltem os olhos e o coração à prática das primeiras comunidades cristãs: voltar às origens, ao tempo da partilha e da comunhão de bens.

Um pouco por todas as partes fala-se da necessidade que a igreja tem de alcançar a auto-sustentabilidade económica das paróquias e das suas obras; assim o pregoa o II Sínodo especial dos bispos para África quando na sua proposição nº 31 chama a atenção dos cristãos para globalizar a solidariedade como alternativa à globalização. Também os bispos da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) no seu Plano Trienal de Pastoral (2011-2013) propõem que na formação dos Agentes da Pastoral se trabalhe sobre a auto-sustentabilidade da Igreja local de onde resulta o desejo de que se organizem cursos de gestão e contabilidade, implementar o dízimo e promover o sentido da partilha entre os cristãos.

Os párocos nas Paróquias também sentem a necessidade de que se organizem alternativas para a auto-sustentabilidade da Paróquia e de suas obras.

Mas este sonho não o podemos conseguir se antes não trabalharmos no sentido de voltar às origens, de fazer como faziam os primeiros cristãos, isto é: promover a comunhão e a partilha de bens para socorrer os necessitados, para atender as diferentes necessidades da vida pastoral e administrativa da comunidade cristã.

A segunda: Promover a corresponsabilidade e a eclesiologia de comunhão.

Chegou o momento de que na Igreja, na Paróquia se fale das questões financeiras não como um argumento aleatório, do que é melhor falar o menos possível e de forma isolada, mas como um elemento integrante e que faz parte das estratégias pastorais. Ao lado desta urgência temos que ser claros em promover mais a eclesiologia da comunhão; isto é: que todos os cristãos se sintam chamados a participar nas discussões, no discernimento como processo de tomada de decisões e nas despesas que a actividade religiosa da vida cristã comporta.

Para que os fiéis sintam a necessidade de serem corresponsáveis com a sua Paróquia e façam a comunhão de bens requer-se: criar consciência de que a Igreja com todo o seu empenho na evangelização e nas obras de promoção humana é um bem público no que vale a pena investir. Daqui a necessidade de que a gestão da Paróquia gaste bem os dinheiros, de forma transparente austera e feita com critérios éticos; informar periodicamente os cristãos acerca do andamento financeiro da Paróquia no que se refere a receitas e despesas relacionadas com a actividade religiosa (bens necessários para a realização da evangelização e o culto, gastos do pessoal e de escritório).

Terceira: Promover novas iniciativas de comunhão económica

São Paulo escrevendo aos Coríntios agradece pela generosidade da colecta para os Macedónios (II Cor. 9) lembrando-lhes de que quem pouco semeia, pouco colherá; mas quem semeia com generosidade com generosidade também colherá.

A partir desta motivação e no espírito da partilha e da comunhão de bens, as Paróquias devem promover campanhas especiais de solidariedade, de corresponsabilidade para com os doentes e pobres da comunidade, assim como com o financiamento da actividade evangelizadora e de manutenção dos ministérios e das obras da Igreja. O relançamento do sentido do ofertório dominical e do dízimo deveriam ser dois modos concretos a serem institucionalizados em todas as comunidades cristãs com o compromisso de que os encarregados de recolher e de administrar esses bens façam bom uso dos mesmos e informem à comunidade.

Assim, as Paróquias não precisariam, no caso concreto de Moçambique, depender de projectos financiados do exterior para a sua sobrevivência e no seu lugar, aproveitarem da comunhão e partilha dos cristãos de outras latitudes para promover obras de desenvolvimento social e comunitário; como universidades, centros de desenvolvimento agrário, hospitais; entre outras.

Pe. Álvaro López, IMC



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