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Caríssimos irmãos


Estamos próximos do Ano da Fé e o nosso ANO JUBILAR está inserido nesta caminhada.

Com estas celebrações tão significativas quero tentar comunicar algumas reflexões sobre a fé: quero abrir a porta da fé.

O Papa Bento XVI decidiu lançar o Ano da Fé que iniciará no dia 11 de Outubro de 2012, por ocasião dos 50 anos da abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II e terminará na solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo REI DO UNIVERSO, a 24 de Novembro 2013.

“No dia 11 de Outubro de 2012, lembraremos também os 15 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, texto promulgado pelo meu predecessor, o Bem-aventurado João Paulo II para iluminar todos os fiéis da força e da beleza da fé. Este Documento autêntico fruto do Concílio Vaticano II foi auspicado pelo Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985 como instrumento ao serviço da catequese e foi realizado mediante a colaboração de todo o Episcopado da Igreja católica”.

E a Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos é convocada, no mês de Outubro do 2012, sobre o tema: “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.

Será uma ocasião propícia para introduzir toda a Igreja a um tempo de particular reflexão e descoberta da fé.


Pela , Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio que se tornaria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (Lc1,38). Visitando Isabel, elevou o seu hino de louvor ao Altíssimo para as maravilhas que realizava a quantos a Ele se confiam (Lc 1,46-55). Com alegria e trepidação deu à luz o seu único Filho, mantendo intacta a sua virgindade (Lc 2,6-7). Confiando em José seu esposo, levou Jesus para o Egito para o salvar da perseguição de Herodes (Mt 2,13-15). Com a mesma fé seguiu o Senhor na sua pregação e ficou com Ele até ao Gólgota (Jo 19,25-27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, guardando cada lembrança no seu coração (Lc 2,19.51), o transmitiu aos Doze reunidos no Cenáculo para receber o Espírito Santo (Act 1,14; 2,1-4).

Pela Fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre (Mc 10,28). Acreditaram nas palavras de Jesus que anunciava o Reino de Deus presente e realizado na Sua Pessoa (Lc 11,20). Viveram em comunhão de vida com Jesus que os instruía com o seu ensinamento, deixando-lhes uma nova regra de vida com a qual teriam sido conhecidos como seus discípulos depois da sua morte (Jo 13,34-35). Pela Fé foram pelo mundo inteiro, seguindo o mandato de levar o Evangelho a toda a criatura (Mc 16,15) e, sem qualquer temor, anunciaram a todos a alegria da ressurreição da qual foram fiéis testemunhas.
Pela Fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, colocando em comum quanto possuíam para sustentar as necessidades dos irmãos (Act 2,42-47).
Pela Fé, os mártires doaram a sua vida, para testemunhar a verdade do Evangelho que os tinha transformado e capazes de chegar até ao dom maior do amor e do perdão dos seus próprios perseguidores.
Pela Fé, mulheres e homens consagraram a sua vida a Cristo, deixando qualquer coisa para viver em simplicidade evangélica: a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos da espera do Senhor que não tarda a chegar.
Pela Fé, tantos cristãos promoveram uma acção a favor da justiça para tornar concreta a palavra do Senhor, que veio para anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (Lc 4,18-19).
Pela Fé, no curso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida (Ap 7,9; 13,18), confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus, onde eram chamados, a dar testemunho do seu ser cristãos: na família, na profissão, na vida pública.
Pela Fé, vivemos nós também: para o reconhecimento vivo do Senhor Jesus, presente na nossa existência e na história.
O Ano da Fé será também uma ocasião propícia para intensificar o testemunho da caridade. Paulo lembra: “Agora permanecem três coisas: a fé, a esperança e a caridade. Mas a maior de todas é a caridade!” (1Cor 13,13).

Com palavras ainda mais incisivas e fortes - que desde sempre empenham os cristãos – o apóstolo Tiago afirma: ”De que vale, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: ”Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda: poderá alguém alegar sensatamente: “ Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé (Tiago 2,14-18)

A fé sem a caridade não dá fruto e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente duvidoso.

Fé, e caridade caminham juntas, assim que uma permite à outra de actuar o seu caminho.

Muitos cristãos, de facto, dedicam a sua vida com amor a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído como o primeiro ao qual dedicar-se e sustentar, porque é nele que se reflete o rosto de Cristo. É pela fé que reconhecemos em quantos pedem o nosso amor, o rosto do Senhor ressuscitado.

Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequenos, o fizestes a mim” (Mt 25,40): estas palavras são uma advertência a não esquecer e um convite perene a lembrar aquele amor com o qual Ele toma conta de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo e é o seu amor que puxa a socorrer o próximo no caminho da vida.

Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso compromisso no mundo, na esperança de: “os novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça” (2Pe. 3,13; Ap 21,1).

+ Elio Greselin, Bispo

ANO JUBILAR – ANO DA FÉ


O que caracteriza o cristão é antes de mais a fé, isto é, a adesão ao Deus único e vivente, explicado, narrado de maneira definitiva por Jesus, o Messias e Senhor.

A fé é um dom que vem de Deus. Escreve Paulo em 2Tess 3,2: «Nem todos têm fé», mas ela habita, somente, naqueles que Deus a concedeu. «A fé nasce da escuta» - escreve sempre São Paulo, e por isso, é necessário que a palavra de Deus chegue ao coração do homem e vivifique a fé.

Mas a fé, deve ser acolhida pelo homem, porque é o homem que acredita. É também um acto humano, um acto da liberdade do homem que responde a Deus que chama: «Não é Deus mas o homem que acredita», disse justamente Karl Barth. Assim a fé é uma escolha do homem que envolve todo o seu ser pessoal, manifestando-se como um acto humaníssimo e vital que tende à vida, é entrar numa relação viva com um outro.

Fé é dizer: Ámen, é assim; eu aceito, dou confiança, confio plenamente em alguém.

Quando se fala de fé, precisa-se de ter atenção em não pensar e a acreditar, imediatamente, em verdades, em dogmas (aquela que o teólogos definem fides quae!); não, devemos pensar na fé como aquele acto, do qual nos testemunham as sagradas escrituras, que consiste em colocar o pé no seguro (Sl 20,8-9; 125,1; Is 7,9), no confiar como um menino que se amamenta no seio da sua mãe (Is 66,12-13), seguro nos seus braços (Sl 131,2).

Dito isto, queria tentar apresentar um caminho ligado à fé como necessidade humana. Alguém pode ficar maravilhado por este caminho, mas estou firmemente convencido de que seja necessário para dar um fundamento concreto aos discursos mais teológicos.

Saio deste ponto elementar: não pode existir autêntica vida humana, humanização, sem fé. Como seria possível viver sem confiar em Alguém? Nós homens, somos diferentes dos animais. Saímos incompletos do útero da mãe, e para chegarmos ao mundo e crescer como pessoas precisamos de Alguém no qual depositamos a fé e a confiança. Quantas acções da nossa vida precisam de fé? É possível crescer sem ter confiança em Alguém, a partir dos pais? É possível percorrer uma história de amor sem ter confiança no outro?

É significativo que, numa história de amor, as pessoas sentem-se, primeiro, noivos, isto é, pessoas que dão e recebem confiança; depois sanciona-se a história de amor mediante um anel, chamado, não por acaso, fé.

Em toda a vida, nós homens e mulheres devemos ter fé, dar confiança, acreditar em Alguém.

Quando entramos na plenitude das relações, mais pessoais e íntimas como nas sociais e públicas, devemos confiar, dar credibilidade, acreditar em alguém. Em breve, não é possível ser homens sem acreditar, porque crer é a maneira de viver a relação com os outros; e não é possível nenhum caminho de humanização sem os outros, porque viver é sempre viver com e através do outro.



É por esta humanidade constituída pela fé, que hoje devemos confessar que a crise da fé inicia na crise do ato humano do crer, que se tornou difícil e muitas vezes contraditório.

Experimentamos dificuldades em acreditar no outro, estamos pouco dispostos a dar confiança ao outro, não ousamos acreditar no outro até ao fundo. Experimentámo-lo em cada dia: porque se prefere a convivência ao matrimónio? Porque se tornou tão difícil a história perseverante no amor? Porque sofremos, muitas vezes, por causa da separação, do apagar-se da aliança do amor humano ou da aliança estreita dentro de uma vida comunitária? A verdade é que já não somos mais capazes de pôr o acto humano de crer. Verdade é que, perante aquela celebração da fé e do compromisso que é o matrimónio, o pensamento que atravessa a mente, muitas vezes, é:” Até quando durará?”

Nós não acreditamos no amor, contradizendo assim na definição lapidária dos cristãos dada pelo Apóstolo João: ”Nós acreditamos no amor (1Jo 4,16)!”

A quem se queixa da crise de fé em Deus, sou tentado responder: “Mas como é possível acreditar em Deus que não se vê, se não acreditamos no outro, no irmão que se vê (1Jo 4,20)?”

A partir deste carácter humaníssimo do movimento da fé-confiança, nasce também a nossa fé em Deus, aquele Deus que nos últimos tempos nos falou definitivamente mediante Jesus (Hebr 1,1-2), através do seu modo de viver, as suas palavras, a sua morte e ressurreição. Para conhecer a Deus, o cristão deve conhecer o homem Jesus Cristo, deve escutá-Lo, como proclama a voz do Pai no coração da página da transfiguração: “Este é o meu Filho, muito amado: escutai-O!” (Mc 9,7).

Compreendido isto, pode-se entender, em profundidade, quanto escreve São Basílio nas Regras Morais: “O que é mesmo a fé? Plena adesão, sem dúvida, à verdade das palavras inspiradas por Deus… O que é próprio daquele que acredita? Conformar-se com plena adesão ao significado das palavras da Escritura e não operar cortes ou juntar qualquer coisa. Se, de facto, tudo o que não procede da fé é pecado, como diz o Apóstolo: mas a fé nasce da escuta e a escuta da Palavra de Deus, então tudo o que é fora da Escritura inspirada, não nascendo da fé, é pecado “ (Regras Morais 80,22).

Temos que ser realistas: partilhar com outros homens e mulheres, procurar um mundo mais humano, possuir horizontes de esperança e de fraternidade é partilhar, é adesão a um Deus vivente e operante na história que nos espera depois da morte para uma vida eterna com Ele.

Mas só os cristãos acreditam que um homem foi o rosto de Deus, que um homem foi a incarnação e a humanização de Deus, que Ele só narrou o Deus invisível. Eis a irreduzível singularidade cristã!

Os cristãos são os que escutam Jesus Cristo, o amam, o esperam como Senhor que chega glorioso no fim da história, o confessam homem como nós, mas vindo de junto de Deus Pai, seu Filho, e por isso, procuram viver a sua vida, seguindo os seus caminhos, estar com perseverança na sua presença e sequela.

Sim, somos cristãos porque seguimos a Cristo e a nossa vida se diz cristã porque inspirada em Cristo, vivida como Ele viveu.

Ao centro da fé cristã, está Jesus de Nazaré: deve-se conhecer Jesus “ segundo as Escrituras (1Cor 15,3.4), deve-se acreditar Nele, escutá-Lo, segui-Lo.

Nas outras religiões é o livro, é o ensinamento que polariza toda a atenção e o amor, ou, talvez, é o caminho ascético que dá garantia de conseguir o fim; no Cristianismo, ao contrário é Jesus, no Evangelho (Mc 10,29), é Ele o caminho para chegar a Deus (Jo 14,6) e é por Ele que todos os legítimos afectos humanos têm valor (Lc 14,25-27). Um trecho do Budismo diz: “Se encontras o Buda pela estrada, mata-o”, isto é, o amor para o Mestre pode ser obstáculo para a sua mensagem. No Cristianismo ao contrário dizemos: “Se encontrares Jesus, terás a vida eterna (Jo 6,68; 1Jo 1,2).

O Baptismo, sacramento da vida cristã, deveria ser compreendido assim: o homem é imergido em Cristo, isto é, envolvido na morte de Cristo, morre com Ele, com Ele é sepultado, com Ele é vivificado, com Ele é ressuscitado, com Ele está sentado à direita do Pai (Rm 6,3-8); Col 2,12; Ef 2,6).

O Batismo é imersão da vida mundana em Cristo, é saída das águas como nova criatura (2Cor 5,17); a partir daquele momento é Cristo que vive nele (Gal 2,20).

Quem é portanto o cristão?

É aquele que ama o Senhor sem O ter visto e, sem O ver, acredita n’Ele, responde o apóstolo Pedro (1Pdr. 1,8). O cristão é aquele que, seguindo a Jesus como discípulo, permanece e habita n’Ele. A vida cristã é vida em Cristo: mas sabemos bem, que esta vida conquista-se a um alto preço, mas é também realidade escondida, não sempre visível e evidente, por vezes até realidade ameaçada e camuflada pela incredulidade que permanece em nós.

Possuir a fé não quer dizer estar isentos de dúvidas, não significa caminhar à luz da visão (2Cor 5,7), tão pouco ser imunes das tentações. Os evangelhos, testemunham que a fé pode vacilar, pode tornar-se frágil (Mt 17,20), por vezes, pode faltar, desmoronar, tornar-se incredulidade (Mt 13,58; Mc 6,6; 9,24; 16,14).

Porém, se a nossa fé fosse real e concreta (como um grão de mostarda), seria capaz de deslocar as montanhas (Lc 17,6), (Mt 17,20).

A fé cristã é adesão a Jesus Cristo, ligação com a sua pessoa, obediência aos seus ensinamentos, mas é também envolvimento na sua existência humana, porque a maneira de viver de Jesus é uma vida humana autêntica que Ele quis ensinar-nos (Tt 2,12), aquela existência que era revelação e narração do Deus invisível no Antigo Testamento; mas no novo testamento é amor, vida vivida em Jesus (1Jo 4,8.16) e por Jesus. Eis porque Basílio diz: “ É próprio do cristão a fé que opera mediante o amor.

+ Elio Greselin - Bispo




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