Agência fides 23 ottobre 2004



Baixar 157,37 Kb.
Página1/2
Encontro17.07.2017
Tamanho157,37 Kb.
  1   2

FIDES SERVICE - FIDESDIENST - AGENCE FIDES - AGÊNCIA FIDES - AGENCIA FIDES - FIDES SERVICE – FIDESDIENST


A
gência FIDES - 23 de outubro de 2004

Especial Dia das Missões
Progresso e subdesenvolvimento, computadores e pedras,

mísseis e camelos, tudo e nada:

ÁSIA E OCEANIA

UMA TERRA PARA A NOVA EVANGELIZAÇÃO: A MONGÓLIA

A pobreza



A ajuda às crianças de rua

História

O país

A economia

Religião

A Igreja Católica

Os compromissos dos missionários ante os problemas da sociedade
VANGUARDA TECNOLÓGICA, DESENVOLVIMENTO, FUNDAMENTALISMO HINDUÍSTA: A ÍNDIA

O crescimento econômico e tecnológico

As novas fronteiras da inovação

Religião e política

Uma opção pela paz e a harmonia social

O fundamentalismo hinduísta

A missão nos meios de comunicação
DEMOCRACIA A PROVA DE FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO: A INDONÉSIA

Um povo profundamente religioso



Nação realmente 90% muçulmana?

O islamismo indonésio entre intolerância e fundamentalismo

A Igreja Católica pela harmonia

Aonde vai a economia
NA OCEANIA ENTRE MISSÃO E INCULTURAÇÃO: A PAPUA NOVA GUINÉ

Um país fragmentado

O problema da violência juvenil

A variedade religiosa

Cristo na Oceania
DOSSIÊ FIDES
Progresso e subdesenvolvimento, computadores e pedras,

mísseis e camelos, tudo e nada:

ÁSIA E OCEANIA

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Um continente em que a Igreja vive como pequena minoria e com os pobres, mas em que a luz da fé permanece viva, não obstante as ameaças do fundamentalismo e o avanço da secularização. Em linhas gerais, é este o quadro da Ásia do terceiro milênio. Um continente em que o convite Missionário, lançado por João Paulo II na Redemptoris Missio, e reiterado na Ecclesia in Ásia e na Novo Millennio Ineunte, ressoa ainda forte na consciência dos fiéis Católicos.

A Igreja na Ásia é uma minoria nas cifras, deparou-se com culturas e religiões de tradição milenar e fadigou para inserir-se no contexto pluri-linguístico e multi-cultural das populações locais asiáticas, no processo de inculturação que teve os missionários Jesuítas Matteo Ricci e Francesco Xavier como pioneiros. Por isto, em algumas partes da Ásia, o cristianismo é ainda visto como “Religião estrangeira”, embora tenha origens e história Asiáticas.

Também a Oceania é um continente com características contrapostas: é o maior e mais disperso dos continentes, e ao mesmo tempo é o menor em área geográfica habitável e em população. É o continente de mais recente evangelização, mas também uma área na qual o evangelho produziu muitos frutos. De fato, a Oceania é quase totalmente cristã e continua a viver uma primavera de vocações.

Por ocasião do Dia Mundial das Missões, este dossiê da Agência Fides, traz como amostras quatro regiões da Ásia e da Oceania, na tentativa de elaborar um quadro de elementos úteis para ilustrar a missão que aguarda a Igreja naquela área do planeta. (Agência Fides 23/10/2004)



Uma terra para a nova evangelização: a Mongólia

É uma terra em que o anúncio cristão voltou a florescer depois de anos de trevas, marcados pelo domínio opressivo da ideologia comunista. Hoje, o pequeno rebanho da comunidade Católica, retornada ao país no início da década de 90, após a queda do muro de Berlim, é formada por 177 unidades. Em relação ao passado, muito mais pessoas do país estão interessadas na fé Católica. Existe mais confiança na Igreja, enquanto no recente passado existia uma espécie de vergonha em declarar-se membro de uma Religião considerada nova. Hoje, a população mongol é mais consciente, demonstra mais abertura e confiança na fé Católica e os novos batismos, a cada ano, são uma evidente demonstração.

A comunidade é muito engajada do ponto de vista social: o programa de preparação ao Batismo é chamado “Escola de Caridade”, e prevê não só a consciência da fé, formação bíblica e liturgia, mas também trabalho social e serviço.

A nova evangelização caminha de vento em popa no país: abrem-se novas igrejas, pois as existentes são sempre repletas, e não dão vazão à pastoral de toda a porção de povo de Deus a elas confiada. As pessoas têm o coração aberto: muitos cristãos vão à Igreja, e há grande curiosidade pela fé e muitas conversões.

Aproximam-se sobretudo muitos jovens, entre 16 e 30 anos, que têm ‘sede de Deus’. O regime comunista havia criado um vazio na alma do povo. Hoje, Jesus Cristo, anunciado pela Igreja, preenche este vazio.

Entretanto, completou-se a construção da primeira Igreja em Ulaan Baatar, desejada pelo próprio Santo Padre, intitulada aos Santos Pedro e Paulo. Com esta, o número de paróquias aumenta para três na cidade, com a Igreja de Nossa Senhora da Assunção e a Igreja do Coração Imaculado de Maria.

Uma faísca que com freqüência gera conversões é a presença de missionários, religiosos e leigos, empenhados com todas as forças no serviço social. Eles ajudam pobres, vagabundos e alcoólatras, acolhem e alimentam meninos de rua, assistem famílias com dificuldades, organizam escolas, centros sociais e hospitais. As pessoas se perguntam: por que fazem isso? E querem nos conhecer mais. O apostolado gratuito e desinteressado dos missionários gera muitas conversões. E os jovens se deixam envolver rapidamente nestas atividades: têm vontade de se doar, têm grandes ideais, aos quais a sociedade não sabe oferecer resposta. Aqui, na Igreja dos pobres, encontram a si mesmos, na dimensão do amor ao próximo.
A pobreza
A Mongólia vive um longo inverno de fome, do qual não consegue emergir. A maioria da população mongol é nômade e sobrevive com a pecuária, espinha dorsal da economia nacional. O país está em grave dificuldade pelo pior inverno dos últimos 50 anos: seca, nevadas abundantes e frio intenso, com temperaturas de –50° Celsius, causaram nos últimos anos a morte dos bovinos, e reduziu à miséria 75 mil famílias, de uma população total de 2,5 milhões de pessoas.

A FAO (Food and Agricolture Organization, Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação), lançou vários alarmes pela situação na Mongólia, e estima em 8,7 milhões de dólares anuais as ajudas necessárias para socorrer as mais de 300 mil pessoas com problemas pelo gelo, que a cada ano causa vítimas.

A operação de socorro da FAO visa reduzir a morte dos bovinos, criando estalas, oferecendo serviços veterinários e víveres para o gado. Já no inverno de 2000, na Mongólia, morreram mais de 2 milhões e meio de animais e milhares de famílias nômades ainda não conseguiram encontrar um meio aceitável para sobreviver.
A ajuda às crianças de rua
Em resposta à pobreza extensa na sociedade, Padre Gilbert Sales, filipino, dos missionários de Scheut, trabalha na Mongólia há 9 anos para recuperar e restituir esperança aos pequenos que vivem nas ruas prostituindo-se ou roubando, que morrem de tuberculose, vermes e doenças urinárias ou sexualmente transmissíveis. Crianças vítimas também de horríveis práticas do turismo sexual.

Pe. Sales conhece os bastidores e esgotos de Ulaan Baatar melhor do que ninguém. Seu objetivo é tirar desta vida desesperada as crianças que povoam os esgotos da cidade. Sua atividade iniciou-se em 1995. Alugou um apartamento da cidade e em poucos meses, acolheu 400 meninos de rua. Mas a casa era pequena demais: assim, graças a ajuda oferecida pela Missio alemã, construiu o Verbist Caring Center, que tem capacidade para acolher 120 crianças. Ali, com cerca de 30 pessoas, leigos Católicos e não-Católicos, oferece-lhes refeição e um leito quente, e sobretudo, educação escolar, que é a chave para seu futuro.

O Verbist Caring Center não é um centro Católico: é um centro leigo, reconhecido pelo governo como Organização Não-Governamental, não confessional. Mas as crianças, crescendo, pedem para ir à Igreja (a três km do Centro) e para participar das aulas de catecismo. Algumas seguem este percurso e acabam sendo batizadas.

Dos cerca de 4.000 meninos de rua existentes na Mongólia, 2.000 estão na capital, Ulaan Baatar. Em 80% dos casos, a vida da rua é conseqüência da pobreza. As famílias não têm casas, e com o frio, são obrigadas a viver em sub-solos. Os outros 20% são crianças fugidas de suas casas por dramas familiares, como violências por parte dos pais, alcoólatras ou separados. Está também em aumento o fenômeno de famílias de desalojados: por isto, Pe. Sales pensa em abrir um Centro de ‘adultos de rua’, nos quais oferecer abrigo à famílias, ensinando-lhes profissões e permitindo-lhes reintegrar-se no mercado de trabalho.


História
Até o século XIII d.C., a Mongólia era habitada exclusivamente por populações nômades, que se dedicavam à criação de ovelhas. Com a subida ao poder do imperador Genghis Khan, que reuniu todos os mongóis em um só reino, e em poucas décadas, os mongóis estenderam seu domínio do Danúbio ao Mar Amarelo. No século XVII, a Mongólia foi palco da rivalidade russo-chinesa e tornou-se uma província chinesa. Somente em 1911, durante a Revolução Chinesa, a Mongólia declarou a independência. Dez anos depois, os russos invadiram o país, e deram início a uma política de destruição sistemática dos templos budistas e de fixação dos nômades. Em 1921, nasceu a República Popular da Mongólia.

O país
A Mongólia confina com a Rússia, a República Popular da China e o Cazaquistão, e não tem acesso ao mar. O País ocupa uma imensa superfície geográfica, escassamente habitada. A população é jovem: mais de 60% das pessoas têm menos de 30 anos. Um terço da população se concentra na capital, Ulaan Baatar. Uma terceira parte vive em vinte cidades de província, e o restante em outros centros, ou como nômades no território. A Mongólia é hoje uma mistura de antigo e moderno: em 1990, ocorreram grandes transformações: a cultura e o estilo de vida ocidentais penetraram no país com seus aspectos negativos. Após 70 anos de isolamento soviético, os mongóis de hoje têm acesso à mídia internacional e mais possibilidades de locomoção, fatores que alteraram seus estilos de vida e valores.
A economia
Depois de décadas de economia baseada no modelo soviético, em 1990, a Mongólia optou por uma um sistema econômico de livre mercado. A fase de transição foi marcada por uma terapia de choque, centralizada em três mecanismos principais: privatizações, liberalização dos preços e salários, reforma monetária. O programa, aplicado sob controle do Banco Mundial, do FMI e da Asian Development Bank, ao qual a Mongólia aderiu em 1991, obteve resultados aparentemente positivos no setor agrícola e na pecuária, cujas produções começaram lentamente a aumentar.

Muito importante para a futura política econômica do país também foi o acordo alcançado em julho de 2003 com a Rússia. O acordo estabeleceu o cancelamento de 98% da dívida externa mongol com a ex-União Soviética. Isso pode gerar efeitos significativos, já que alivia um peso considerável ao país, e espera-se possa aumentar a confiança de empresas estrangeiras, que no momento consideram excessivo o risco financeiro de um investimento na Mongólia.

Segundo as previsões, o índice de crescimento real do PIB aumentará em 6% ao ano em 2005. No âmbito do setor industrial, o manufatureiro chegou ao auge do ritmo de crescimento, índice que dificilmente manterá. O setor da mineração pode ter perspectivas melhores, especialmente na produção de cobre.

Em 2003, graças a infra-estruturas rurais modernas, ao programa de desenvolvimento rural da Asian Development Bank, e a recursos hídricos melhores, o declino da pecuária se reverteu, estabilizando-se em 2004. No setor do turismo, prevê-se um fluxo maior em 2005, recuperando-se depois da crise devida à difusão da SARS em toda a região, no início de 2003.

Todavia, em 2004-05, a Mongólia espera ajudas internacionais e investimentos estrangeiros a médio-prazo em prol de seu desenvolvimento.
Religião
Desde 1577, o budismo lamaista tibetano é a Religião oficial da Mongólia. Mosteiros budistas continuaram a surgir até pouco tempo no território mongol. Os budistas da Mongólia reconhecem no Dalai Lama seu guia espiritual.

Além do Catolicismo (ver no quadro), os principais grupos religiosos hoje na Mongólia são: Luteranos, Ortodoxos Russos e Batistas. São registrados também cerca de quarenta grupos cristãos não-católicos, quase todos muito pequenos. Entre os grupos de não-cristãos estão os budistas lamaistas tibetanos, o islamismo sunita, o shamanismo, e o Bahai.


A Igreja Católica
A primeira evangelização da Mongólia ficou a cargo dos Nestorianos, vindos da Pérsia no século VII. Somente em 1921, a Santa Sé atribuiu a Pastoral da Prefeitura Apostólica de Urga (Mongólia) aos missionários belgas de Scheut (Congregação do Coração Imaculado de Maria, CICM), que jamais chegaram. No ano seguinte, de fato, a Mongólia foi envolvida na revolução soviética e submetida ao controle de Moscou. Nos 70 anos seguintes, o País foi formalmente independente, mas ao mesmo tempo dependente de Moscou para tudo. Foram anos em que a população sofreu uma sistemática e violenta perseguição, que cancelou características e tradições religiosas e eliminou fisicamente milhares de fiéis. Em 1991, com a queda do império russo, o Governo de Ulaan Baatar pediu à Santa Sé que enviasse missionários, e que se retomassem as relações diplomáticas. Após a visita do Representante Pontifício, Dom Jean Paul Gobel, o território foi confiado à Congregação do Coração Imaculado de Maria, CICM: os primeiros três missionários chegaram à capital mongol no verão de 1992. Para Superior da Missio sui iuris, foi nomeado Dom Wenceslao Padilla. Em 1992, foram então reatadas as relações diplomáticas entre a Santa Sé e a Mongólia.

Depois de um ano dedicado ao conhecimento da língua e da cultura mongol, os missionários iniciaram a atividade pastoral: na Mongólia não existia alguma comunidade cristã, com exceção de um grupo de europeus e simpatizantes mongóis. A Missa era celebrada em uma sala do apartamento dos missionários. Hoje, a comunidade cristã conta uma centena de pessoas, o número de agentes eclesiásticos aumentou e o fervor da obra pastoral faz bem esperar para o futuro.


Os compromissos dos missionários ante os problemas sociais
Pe. Wenceslao Padilla, Administrador Apostólico de Ulaan Baatar, afirma que os jovens constituem uma das maiores preocupações da Igreja local, pois precisam de pontos de referencia: o alcoolismo, um dos problemas mais graves, frequentemente surge durante os anos da juventude.

A missão oferece cursos de inglês e organizou um grupo de 40 jovens, Católicos e não-Católicos, que dedicam parte de seus dias a alimentar, cuidar e assistir os sem-casa que vivem nas ruas. O cultivo dos campos também é um objetivo, e neste sentido, existe um sacerdote coreano que tenta realizar pequenos projetos agrícolas.

Há também uma Sociedade Bíblica. Em janeiro de 1998, o governo da Mongólia restituiu 10 mil livros de histórias inspiradas na Bíblia e 600 vídeos sobre as Escrituras, confiscados à Sociedade Bíblica. A importação de textos sobre as Escrituras era considerada pelo Ministério da Justiça mongol como "propaganda religiosa organizada", declarada ilegal. Padre Fergus Mac Donald, da Sociedade Bíblica, disse que a devolução dos livros é prova da boa-vontade do governo em respeitar as tradições cristãs. Entre os problemas principais da evangelização, estão motivos geográficos (a pequena população vive dispersa, o clima é rígido e o inverno é longo, as comunicações são insuficientes); ideológicos (70 anos de domínio comunista deixaram marcas e muitos valores espirituais foram perdidos); morais (as relações conjugais são frágeis, é fácil obter o divórcio e o abordo é o método anticoncepcional mais usado); sócio-econômicos (inflação e desvalorização têm níveis altos, recentemente muitos bancos faliram, os salários não acompanham o custo de vida, e cerca de 36% da população é pobre).

Vanguarda tecnológica, desenvolvimento, fundamentalismo hinduísta: a Índia

Um verdadeiro subcontinente, um bilhão de habitantes, enormes riquezas econômicas, de desenvolvimento e modernização, mas ainda oprimido por problemas de pobreza, fome, doenças, discriminação social e religiosa: é o quadro oferecido pela Índia, no início do terceiro milênio. Rica de tradições políticas e culturais de modelo britânico, e pela contribuição de homens de celebridade internacional como Mahatma Gandhi, a Índia é hoje um terreno de grande confronto religioso e cultural para a comunidade Católica. Uma terra onde os desafios das missões são sempre mais fortes, nítidos e difíceis. A comunidade Católica é chamada a dar uma resposta que concilie fé e novas regras econômicas, novas tecnologias e pressões de grupos fundamentalistas hinduístas, relacionando-se política e socialmente, sobretudo agora, com o governo liderado pelo Partido do Congresso, após anos de poder do Partido Nacionalista Baratiya Janata Party.


O crescimento econômico e tecnológico
A Índia tem um sonho: criar uma grande comunidade econômica Asiática, com um mercado único que se estenda do Himalaya a Oceania. É o que disse o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh na terceira conferência a Índia e Asean (Associação dos Países do Sudeste Asiático), recentemente realizada em Nova Iorque. Singh quer abrir reciprocamente os mercados da Índia e dos dez países do sudeste Asiático aderentes a Asean. Tal comunidade econômica seria grande como a União Européia em termos de entradas econômicas e maior do que o Nafta (Acordo de livre comércio da América do Norte) em termos de quantidade de trocas comerciais. Há muito tempo, Nova Délhi tenta se aproximar do organismo econômico, ao qual pertencem República Popular Chinesa, Japão e Coréia do Sul. A Índia é uma das nações com o maior impulso de crescimento no mundo: nos últimos anos, seu produto interno bruto aumento em um ritmo de 7-8%, e espera-se para o próximo ano fiscal um crescimento de 6-7%.

Neste sentido, a missão da Igreja quer oferecer uma ética aos negócios, valores morais à economia, e tenta colocar o progresso e o mercado a serviço do homem. As universidades Católicas da Índia, famosas por seu alto nível formativo, estão se aprimorando no campo da economia, dos negócios e do management. Assim, diversos institutos universitários Católicos investem um novo campo de estudo e de confronto: a formação empresarial, conscientes da importância estratégica que a economia reveste hoje no cenário internacional, no progresso dos povos, e na paz para a humanidade.

O objetivo é demonstrar que é possível conciliar ética e business, difundir valores morais na economia, encontrar fórmulas para que o desenvolvimento e o mercado se coloquem a serviço do homem. Algumas Escolas de Administração, mantidas por ordens religiosas em estados indianos como Goa, Karnataka e Jharkhand, receberam reconhecimentos e foram inseridas no rol das instituições mais sérias e competentes. É o caso do “Xavier Labour Research Institute” (XLRI), administrado por Jesuítas em Jamshedpur (estado de Jharkhand), indicado pela pesquisa do prestigioso magazine Business Today, em sua edição de 10 de outubro passado como o segundo melhor instituto de administração da Índia.

Na lista de 30 institutos elaborada pelo periódico, constam outros três institutos Católicos: o “Goa Institute of Mangement”, o “Xavier Institute of Management” de Bhubaneswar, e o “Christ Institute of Management”, de Bangalore.

“A característica comum é concentrar a atenção não somente nas doutrinas e técnicas econômicas, mas também nos valores éticos” – explica o semanário, que destaca que “o ensino de como servir a nação e a empresa, e a respeitar o ambiente sem assumir compromissos no que se refere a princípios morais”.

O importante é explicar a importância, nos campos da economia e das finanças, dos valores da honestidade, da legalidade, transparência, democracia, respeito da dignidade das pessoas. Agir segundo tais critérios cria um círculo vicioso que garante o bem-estar da empresa e de seus trabalhadores.

Neste sentido, a recente vitória do Partido do Congresso no estado de Maharashtra, coração da economia indiana foi um sinal positivo: o voto demonstrou que o povo indiano acredita na divisão entre política e Religião e que a economia deve ser governada com critérios leigos, que podem se inspirar em uma ética diferenciada.
As novas fronteiras da inovação
Outro setor em que a Índia registra progressos gigantes no cenário internacional é o das novas tecnologias. De fato, o país constitui a nova fronteira do trabalho qualificado para as multinacionais de todo o mundo. O novo milênio abriu-se com o maciço êxodo de postos de trabalho nos setores mais inovadores, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, em direção do continente Asiático. É a nova fase da globalização, que vê o trabalho empregatício mover-se dos EUA à Ásia, aos países mais pobres da Europa do leste, ou à África. A maior beneficiária nessa imponente migração é a Índia, mais favorecida do que a China, por motivos lingüísticos, de serviços e de software. Vejamos as razões:

A nova estratégia é facilitada por três fatores: em primeiro lugar, o advento de Internet e das novas tecnologias permite deslocar a áreas do Terceiro Mundo atividades até agora pertencentes ao mundo industrializado, como a engenharia de software, os call centers ou a pesquisa avançada. Também a partir da década de 80, as universidades anglo-saxônicas formaram gerações inteiras de laureados em matérias científicas. Ao retornarem a seus países, estes permanecem em contato com as empresas ocidentais, criando condições para a abertura de filiais locais.

Enfim, o custo do trabalho de um jovem laureado Asiático é muito inferior ao de um colega ocidental: segundo estimativas do Bank of América, um engenheiro indiano custa 20 dólares por hora, contra os 80 de um colega norte-americano; um analista financeiro pode receber 1000 dólares por mês, enquanto seu homólogo nos EUA tem um salário de 7000.

A área de Bangalore está se configurando como uma nova Silicon Valley: cidade do sul da Índia, capital do estado de Karnataka, é um dos países escolhidos pelos grandes grupos dos EUA para abrir novas filiais. Intel, Texas Instruments, Hewlett Packard e outros gigantes da informática e das telecomunicações estão presentes há muito.

Ingrediente principal do sucesso no hi-tech deste centro urbano, que conta mais de dois milhões e meio de habitantes, é o seu prestigioso instituto de ciência, que produz a cada ano laureados especializados principalmente em software. Importantes também são as ligações ferroviárias e aéreas: de fato, Bangalore encontra-se na linha ferroviária Bombay-Madras, uma das mais importantes do país, e dispõe de um aeroporto internacional, próximo ao qual surgem diversos laboratórios e escritórios. Além das atividades coligadas mais diretamente à pesquisa e ao desenvolvimento, Bangalore hospeda numerosos call center, que trabalham por conta de importantes empresas norte-americanas.

A Igreja não se limita a observar esse imponente desenvolvimento e empenhou-se no campo do ensino, obtendo diversos sucessos e reconhecimentos.

Por exemplo, a Federação Indiana conferiu à escola católica Don Bosco Higher Secondary School de Kohima, capital do estado de Nagaland (Nordeste da Índia), um prêmio de excelência pelo ensino da informática. O reconhecimento, atribuído recentemente em Nova Délhi pelo Presidente da Índia, Abdul Kalam, consiste em 150 mil rúpias e foi retirado pelo reitor do instituto, o salesiano Pe. John Bosco Perianayagam.

O prêmio, que se soma a diversos prestigiosos reconhecimentos obtidos nos últimos anos por escolas Católicas, confirma o ótimo trabalho desempenhado pela Igreja Católica na Índia em setores chave do ensino, empenhando-se no progresso cultural e na consolidação da milenar cultura indiana.

A escola detém o recorde de ter introduzido como pioneira o programa de criação do ensino da Informática no estado de Nagaland, em 1986. Hoje, conta mais de 1.400 estudantes e um laboratório tecnológico de vanguarda, com 35 computadores e 35 professores de informática. A escola é freqüentada sobretudo por alunos provenientes de áreas rurais.

Em todo o país, escolas e institutos Católicos, que oferecem altos padrões qualitativos de ensino, tornaram-se pontos de referência para o serviço educativo nacional, tanto muitas são freqüentadas em maioria por alunos não-cristãos.

Considerando que a educação dos jovens é fundamental para o crescimento da pessoa e o progresso da sociedade, a comunidade Católica está se esforçando em aumentar os níveis de alfabetização do povo indiano, promovendo também a livre contribuição do setor privado no campo da educação, como o oferecido pelas escolas Católicas.
Religião e política
Se no campo do ensino e do social as instituições Católicas são geralmente apreciadas, um ponto em que a situação é mais difícil para a comunidade Católica é a relação com a política: a Igreja sempre sustentou uma visão de necessária distinção entre Religião e política, defendendo o caráter leigo do estado, assim como previsto na Constituição indiana, e os direitos de liberdade de todas as comunidades religiosas. Em oposição, encontra-se o Baratiya Janata Party (Bjp, Partido do Povo Indiano), formação nacionalista hinduísta, que governou o país na passada legislatura, e que foi derrotado nas eleições gerais de abril de 2004 pelo Partido do Congresso.

A derrota eleitoral não serviu para um mea culpa, nem para uma análise dos motivos da derrota, mas, ao contrário, para radicalizar ainda mais as posições: o Bjp, após a surpreendente vitória do Partido do Congresso, consolidou suas posições radicais e continua a encorajar os grupos extremistas hinduístas. A ideologia em que o Partido se inspira é o hindutva (“hinduísmo”), que prega o princípio de “um povo, uma língua, uma cultura”, e promove uma nação indiana completamente conformada à cultura e a Religião hinduístas, sem lugar para as minorias religiosas e os grupos sociais mais pobres.

Segundo os observadores, a derrota eleitoral tem duas razões principais: uma política econômica falimentar, que privilegiou as classes médio-altas e deixou milhões de cidadãos abaixo da linha da pobreza e desempregados; e a política para com as minorias religiosas, que criou tensões sociais em diversos estados da Índia.

A discriminação social promovida pela ideologia fundamentalista hinduísta, que continua a penalizar amplas massas de sem-casta e milhões de excluídos, não gerou desenvolvimento, em uma fase histórica em que o modelo produtivo se impõe cada vez mais. Ao lado da economia das novas tecnologias e dos trabalhadores qualificados, expande-se a base da força de trabalho nos setores industrializados tradicionais, com a necessidade de operários genéricos, que um país populoso como a Índia pode facilmente oferecer.

Apesar de tudo, a ideologia radical está se sobressaindo no âmbito das diversas correntes do Bjp. Para entender melhor a atual situação política indiana, Fides propõe uma análise dos dois maiores partidos políticos indianos.
Congress Party

Triunfador nas eleições de abril passado, contrariando as previsões, contou com o apoio de Sonia Gandhi, esposa de Rajiv. Gandhi, que conseguiu reunir o consenso das classes mais baixas, fez um passo atrás, deixando o cargo de Premiê nas mãos de Manmohan Singh, um sikh especialista em economia.

É o principal partido político da Índia. Fundado em 1885, foi o protagonista da luta pela independência e desde 1947, domina a vida política da Índia independente. Até 1920, fez uma oposição “leal” ao domínio colonial britânico, ao qual criticava sobretudo os excessos. A partir de 1920, sob a nova liderança de Mahatma Gandhi, o objetivo passou a ser a completa independência, perseguida através de uma série de campanhas não-violentas de desobediência civil de massa. Esta fase se concluiu em 1947, com a conquista da independência.

Desde então, e até 1989, com a exceção de breves períodos, manteve a maioria absoluta das cadeiras, seja no parlamento central, como, quase sempre, nos parlamentos estaduais da União Indiana. A política do partido foi marcada pela sucessão de três líderes, pertencentes à mesma família: Jawaharlal Nehru, sua filha, Indira Gandhi, e o filho dela, Rajiv Gandhi. A ação do partido estava subordinada a dois imperativos. O primeiro era a modernização do país através do desenvolvimento econômico mediante o planejamento econômico e a criação da indústria pesada, com Nehru, e o aumento da produtividade agrícola, através da chamada “revolução vede”, com Indira. O segundo consistia em manter a ordem social por meio de uma política substancialmente conservadora.

Em 1989, teve início a fase mais recente, caracterizada por dois novos elementos. O primeiro foi o declínio eleitoral, com a perda da maioria absoluta das cadeiras, mantendo a relativa. O segundo, depois do assassinato de Rajiv Gandhi (1991), foi o fim da longa hegemonia da família Nehru-Gandhi no partido, substituída por uma nova liderança, com efeitos benéficos no caráter democrático seja do partido como na vida política indiana.
Baratiya Janata Party
Seu nome significa “Partido do Povo Indiano”. Obteve consenso político a partir da década de 80, cavalgando o nacionalismo religioso hinduísta e desfrutando as campanhas dos movimentos sociais defensores da ideologia “mono-cor” da hindutva, como Rashtriya Swayamsevak Sangh, (Rss). Depois de subir ao poder em 1998, perdeu clamorosamente as eleições, com a campanha “Shining India”, que oferecia uma imagem de país forte, em crescimento econômico e tecnológico. Foi derrotado porque não valorizou o ressentimento das massas de camponeses pobres e subdesenvolvidos, que vivem em aldeias com menos de um dólar por dia, distantes da riqueza dos pólos tecnológicos da outsourcing globalizada e da informática, sem receber algum benefício.

A história do BJP tem raízes na Associação do povo indiano (Bharatiya Jana Sangh Bjs), criada pelo RSS nas primeiras eleições gerais de 1951-52. Naquele tempo, o nome denotava o desejo de não se encerrar em uma conotação puramente hinduísta. Desde então, o partido oscilou entre uma estratégia moderada e uma política de mobilização étnico-religiosa mirada a atrair os consensos da comunidade de maioria.

Nos anos 80, a estratégia moderada faliu e os extremistas levaram a melhor. Rebatizado Baratiya Janata Party, seu nome atual, o partido aderiu à mobilização organizada pelo Rss para “reconquistar” o suposto local do nascimento do Deus Rama, em Ayodhya, cidade do Estado de Uttar Pradesh, onde no século XVI foi construída uma mesquita. Esta campanha de mobilização teve seu ápice no início dos anos 90 e depois se concluiu em 1992, com a demolição da mesquita por parte dos militantes nacionalistas hindus. Um momento que marcou a definitiva consagração política do Bjp.

O partido obteve em 1996 a maioria relativa no Parlamento e continuou sua marcha adiante, até a derrota deste ano. Permanece, no entanto, um partido principalmente urbano (41% dos habitantes das cidades e 35% da zona rural são seu eleitores ou aliados) e representa principalmente as castas mais altas (56% de seus membros dão o seu voto), baluarte contra a promoção dos intocáveis e das castas mais baixas.

A intolerância religiosa dos movimentos fundamentalistas hindus foi encorajada depois que o Bjp subiu ao poder. Os conflitos entre os hindus (80% da população) e as minorias religiosas (principalmente muçulmanos e cristãos) tornaram-se violentos de uma hora para outra.

Os cristãos recordam que o Bjp incluiu no seu programa eleitoral a questão das “convenções forçadas”, com um projeto de lei que submetia à decisão de um juiz a vontade de um cidadão de mudar de religião.


Uma escolha pela paz e a harmonia social
Os Bispos comentaram favoravelmente a mudança ocorrida no cenário político indiano, notando que “o povo indiano escolheu a paz e a harmonia social. Escolheu não ceder ao fundamentalismo, não confundir política e religião, e demonstrou que quer uma nação baseada em valores seculares, de tolerância e liberdade. A vitória do Partido do Congresso significará uma mudança na política indiana: ele, de fato, representa a alma moderada do povo indiano, não é contaminado pelo nacionalismo religioso, mas leva adiante uma idéia laica do Estado, fundado sobre valores seculares garantidos pela Constituição. As minorias religiosas, entre as quais a comunidade cristã, sabem que o Congresso vai aplicar uma política de tolerância e desenvolvimento, favorecendo a harmonia social e religiosa e não incitando as tensões. A população indiana deu prova que não quer ceder aos fundamentalismos e de acreditar nos valores de democracia e liberdade”. Os cristãos recordam que o Bjp incluiu no seu programa eleitoral a questão das “conversões forçadas”, com um projeto de lei que submetia à decisão de um juiz a vontade de um cidadão de mudar religião.

O que a comunidade católica pede ao governo é que elimine as discriminações religiosas, ofereça iguais oportunidades para as minorias, diminua a pressão a que os cristãos são submetidos na Índia, trabalhe pelo desenvolvimento econômico e social das faixas mais pobres.

Entre os temas particularmente caros à Igreja católica, está a questão do desenvolvimento social e econômico dos dalit cristãos e dos sem-castas. A Igreja pede ao Estado iguais direitos e oportunidades em relação às outras comunidades religiosas: a discriminação baseada na religião ou na casta é contrária à carta e ao espírito da Constituição indiana e, por isso, toda lei, instituição e toda prática que não respeita a igualdade de direitos deve ser corrigida. Aos dalit cristãos cabem os mesmos direitos daqueles que professam outras crenças. Ocorre recordar a forte pressão que sofrem na Índia as minorias cristãs, em diversas áreas e em diversos níveis, recordando a ideologia intolerante de alguns grupos extremistas hindus.
O fundamentalismo hindu
E é exatamente a difusão do fundamentalismo hindu e de suas derivações violentas a questão com a qual os fiéis em Cristo são chamados a confrontar-se. Os cristãos são cerca de 2% da população (17 milhões os católicos), entre mais de um bilhão de pessoas, das quais 80% de religião hindu. Entre os pedidos mais urgentes feitos ao governo, depois dos recentes episódios de violência contra pessoas e instituições cristãs, os cristãos pediram a adoção de medidas legislativas específicas para eliminar da agenda política e dos hábitos sociais indianos os rastros da ideologia nacionalista e fundamentalista hindu.



  1   2


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal