Adriana Cristiane Ortiz da Silva



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O COMPLEXO EXISTIR DO SER HUMANO EM SEUS RELACIONAMENTOS: UMA VISÃO DENTRO DO ESTÁGIO NA DELEGACIA DE DEFESA DA MULHER.

Adriana Cristiane Ortiz da Silva


Mariane Perez da Cruz

Rita de Cássia Soares Pires



Profª. MS. Gislaine Lima da Silva – gilisilva@ig.com.br

CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO UNISALESIANO Auxilium de LINS




RESUMO
Este artigo baseou-se na experiência do Estágio de Núcleo Básico, disciplina do curso de Psicologia do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium de Lins. Iniciou-se no mês de abril de 2009 e finalizou-se em novembro de 2010 na Instituição Pública Delegacia de Defesa da Mulher de Lins-SP. Abordou a necessidade da existência de um profissional de psicologia dentro dessa Instituição, que atuaria prestando atendimento em forma de “Plantão Psicológico” para as vítimas de violência, realizando o Acolhimento dessas com Escuta Qualificada que tem por finalidade ajudá-las na organização de seus conflitos para um relato mais eloqüente no momento da realização do Boletim de Ocorrência. Também, dentro desse projeto realizou-se Palestras Informativas nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) que teve por objetivo levar temas como violência e relacionamentos a um público que necessita de informações sobre esses assuntos


Palavras-Chaves: Plantão Psicológico, Delegacia de Defesa da Mulher, Escuta Qualificada, Palestras Informativas.
ABSTRACT
This article based on the experience of the Apprenticeship of Basic Nucleus, it disciplines of the course of Psychology of the Catholic Academical Center Salesiano Auxilium of Lins. He/she began in the month of April of 2009 and she concluded in November of 2010 in the Institution Public Police station of Defense of the Woman of Lins-SP. He/she approached the need of a psychology professional's existence inside of that Institution, that would act rendering service in form of "Psychological Duty" for the violence victims, accomplishing the Reception of those with he/she Listens Qualified that has for purpose to help them in the organization of their conflicts for a more eloquent report in the moment of the accomplishment of the Bulletin of Occurrence. Also, inside of that project he/she took place Informative Lectures in the Centers of Reference of Social welfare (CRAW) that had for objective to take themes as violence and relationships to a public that needs information on those subjects.

Key Words:
O COMPLEXO EXISTIR DO SER HUMANO EM SEUS RELACIONAMENTOS: UMA VISÃO DENTRO DO ESTÁGIO NA DELEGACIA DE DEFESA DA MULHER.
INTRODUÇÃO
A DDM foi criada em 1985 com espaço e quadro de funcionários inicialmente formado apenas por mulheres: escrivãs, carcereiras, investigadoras, auxiliar de serviços geral e hoje comandada por um delegado, para romper com os preconceitos presentes nas outras delegacias e com o objetivo de que a violência invisível e sem importância social, finalmente se tornaria pública e notória. Contribuiria para ampliar e reequilibrar a distribuição de justiça, ampliando a cidadania de uma categoria social discriminada e reelaborando o significado da violência com uma perspectiva de gênero. A DDM ganhou força com a Lei 11.340/06 Lei Maria da Penha de 7 de agosto de 2006.

Hoje o órgão público tem por função defender a mulher nas mais diversas situações, onde de alguma maneira ela sofra algum tipo de violência física, moral ou psicológica praticada por qualquer membro da sociedade, homem ou mulher. Também são considerados os abusos de qualquer espécie cometidos contra crianças e adolescentes.

Esta Instituição não tem uma profissional da área de Psicologia para o atendimento das vítimas que geralmente procuram a Delegacia, num estado emocional fragilizado e alterado: ansiosas, nervosas, confusas e atormentadas por não identificarem os sentimentos que as perturbam no momento. São recebidas por escrivãs treinadas para atender com eficiência o caso de violência em qualquer de seus aspectos, que é hoje conhecido por Violência de Gênero.

Nesta Instituição de Segurança Pública, a prática psicológica ainda não tem muito espaço, o psicólogo só atua na área jurídica que é fundamental dentro do seu enfoque, contudo permanece em aberto um espaço para o psicólogo que possa orientar de maneira a dar àqueles que procuram a DDM um apoio em seus problemas de ordem familiar, o que não é função desse órgão público. (MONGE, PIRES E SILVA, 2009 p. 02)

As profissionais que atuam nessa Instituição foram preparadas para receberem as vítimas e ouvi-las e darem uma possível resolução aos seus problemas gerados pela violência, ou seja, elas têm como foco o problema, o quadro de violência e não a vítima, o ser humano, o psicológico da vítima.

A Escuta Qualificada realizada por um profissional capacitado, o psicólogo, aborda exatamente esse aspecto que falta na DMM em relação à vítima: o acolhimento. Isto significa saber ouví-la e assim ajudá-la a organizar seus sentimentos, nomeá-los.A vítima assim, se acalmará, o que lhe será útil não só no momento de fazer seu relato para a realização do Boletim de Ocorrência(BO), porque, calma e sabendo distinguir seus sentimento fará um relato mais linear, com as idéias colocadas de maneira organizada.E também poderá chegar a conclusões mais reais em relação ao que a levou à DDM. Nem sempre, após falarem seus problemas e serem ouvidas devidamente realizam o BO por acharem não ser a melhor solução para seu caso.

Esse Acolhimento com a Escuta Qualificada ajuda não só a vítima como também as oficiais, que receberão uma vítima com discurso mais eloqüente, o que facilita o entendimento e elaboração da queixa como também, no caso da vítima desistir de realizar o BO, poupará a realização de um trabalho desnecessário. Porque nervosa e emocionalmente alterada a vítima realiza o BO e poucos dias depois volta para cancelar o mesmo por ter pensado melhor.

A função do psicólogo não se resume a essa Escuta Qualificada, mas cabe a ele também levar informações corretas ao público alvo que procura a Instituição. Entende-se isso, pois se considera o psicólogo um agente transformador dentro da sociedade onde atua, devendo assumir um compromisso social.

(...) o trabalho do psicólogo deve apontar para a transformação social, para a mudança das condições de vida da população brasileira. Friso que disse “apontar”, porque é a finalidade do trabalho que importa ser caracterizada aqui. Estamos falando do compromisso, portanto de uma perspectiva ética. Assim, vale a intenção. A finalidade do trabalho. (...) Assumir um compromisso social em nossa profissão é estar volta do para uma intervenção crítica e transformadora de nossas condições de vida. É estar comprometido com a crítica desta realidade a partir da perspectiva de nossa ciência e de nossa profissão. (BOCK,.1999, p.325- 327)
A realização de Palestras Informativas com temas sobre as diversas formas de violência, com objetivo da formação de uma consciência crítica sobre o quanto a violência é tema comum no cotidiano sendo cada vez mais assumida como algo natural, comum. A violência é mais um produto de consumo pelo homem que cada vez mais busca menos envolvimento com o próximo e se isola em sua casa, fortalezas que o protege do mundo exterior, da violência de fora.

Ainda assim a violência existe dentro da clausura dos lares, na vida diárias das famílias. Existe na violência de gênero, na disputa de poder, no abandono das crianças e adolescentes, nos maus tratos a idosos, no descuido com o meio ambiente, no desrespeito com o ser humano. Acontece também no silencio da dor perpetrada pelo outro no assédio moral e psicológico.


Aceitar que a violência possa ser banalizada e naturalizada é uma tentativa de diluir o seu impacto, seu terror; de se evadir de seus efeitos, de não se implicar com a existência de suas manifestações e com as possibilidades, por pequenas que sejam, de sua transformação. "Esta banalização da violência é, talvez, um dos aliados mais fortes de sua perpetuação. Resignado à idéia, inculcada pela repetição do jargão de que somos ‘instintivamente violentos’, o homem curva-se ao destino e acaba por admitir a existência da violência, como admite a certeza da morte. A virulência deste hábito mental é tão daninha e potente que, quem quer que se insurja contra este preconceito, arrisca-se a ser estigmatizado de "idealista", "otimista ingênuo" ou "bobo alegre” (SOUZA. 2000 p.02)
Passar uma noção básica, verbalizar, dar nome a esses tipos de violência esclarecendo o quanto afeta a auto-estima e a qualidade de vida é parte do papel transformador do psicólogo, do seu compromisso social.

Os relacionamentos também é tema vivenciado no dia-a-dia por essas mulheres, pelas famílias que formadas por indivíduos com suas diferenças habitando num mesmo espaço; o lar, local em que geralmente iniciam-se os atos de violência proveniente na maior parte das vezes pela falta de comunicação.

Assim propiciar a elas a aquisição de conhecimento através de Palestras Informativas, com a utilização das técnicas do Psicodrama como jogos e dramatizações, possibilita a visualização e identificação por parte do público, das situações vivenciadas no seu cotidiano e assim conscientizam-se não só de seus sentimentos e ações, podendo ter mais condições de uma auto-reflexão, mas também da formação de uma consciência crítica sobre suas atitudes e das atitudes dos outros com quem se relacionam no dia-a-dia.

O Psicodrama foi criado por Jacob Levy Moreno que entendeu que através do lúdico a espontaneidade aflorava nas pessoas e que quando o indivíduo se manifesta assumindo, ou falando através de uma personagem, numa dramatização, sene segurança em colocar seus sentimentos por não estar expondo a si mesmo diretamente. (YOZO,1996).

Desde 1914, Moreno utilizava-se de técnicas grupais e realizou nessa época um trabalho com prostitutas. Fundou, em 1921, o Teatro de Espontaneidade, experiência que constituiu a base de suas idéias da Psicoterapia de Grupo e do Psicodrama. A primeira sessão psicodramática oficial deu-se no dia 1º de abril de 1921. (GONÇALVES, 1988).

O paciente vê-se na situação sem estar nela propriamente, o que lhe permite consciência da cena como verdadeira para ele, mas sem a exposição de seus problemas de maneira real. É um faz de conta que leva a consciência e questionamentos reais.

Moreno descobriu o teatro terapêutico em 1923 quando no “teatro do improviso” surgiu uma jovem atriz que levou para as cenas seus conflitos conjugais e mudando suas apresentações de personagens ingênuas e românticas modifica seu relacionamento ao interpretar uma prostituta. O marido relata para Moreno a melhora do comportamento e do humor da mulher. Esse caso ficou conhecido como Bárbara - Jorge (nomes fictícios). Moreno percebe a evolução do caso e começa a atendê-los longe dos palcos surgindo assim o teatro terapêutico e a psicoterapia de casal. (ALMEIDA, 1991).

Moreno vê o homem como um ser espontâneo, criativo e sensível. A espontaneidade é a capacidade de agir de modo “adequado diante de situações novas. A criatividade é a capacidade de criar respostas novas à partir de conservas culturais como ponto de partida (GONÇALVES, 1988).


OBJETIVO

Geral


Mostrar a necessidade da atuação do Profissional de Psicologia na Delegacia de Defesa da Mulher, que intervirá junto às vítimas, ajudando-as a identificar seus problemas emergentes e organizar seus sentimentos.

Atuar no sentido de fomentar uma consciência critica em relação à violência em todos os seus aspectos e aos direitos da mulher.

Específico


Proporcionar por meio da fala, como recurso terapêutico (Escuta Qualificada), a identificação de soluções para os conflitos emergentes que gerava a crise.

Levar a comunidade esclarecimentos a respeito da violência e relacionamentos que permeia o contexto em que vivem essas mulheres por meio de Palestras Informativas.
METODOLOGIA
Inicialmente realizou-se a observação da atuação das profissionais que atuam nesta instituição, como escrivãs, carcereiras, delegado e auxiliar de serviços gerais, no atendimento ao público feminino que procura a DDM para fazer queixas e solicitar a elaboração de um boletim de ocorrência.

Posteriormente implantou-se o Plantão Psicológico. Utilizou-se a Escuta Qualificada das vítimas que procuram a DDM. Essas Escutas preferencialmente eram realizadas antes que a vítima falasse com a escrivã, pois a finalidade dela era na medida do possível acalmar as vítimas para que estas pudessem ter um norteamento em suas idéias para não agirem precipitadamente ou sob descontrole emocional.

Também realizou-se Palestras Informativas nos Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Lins e região.O tema da palestra realizada no primeiro semestre de 2010 foi “Os Diversos Tipos de Violência”. Durante a palestra foi realizada a dinâmica “Escultor x Escultura”, técnica do Psicodrama, que tem por finalidade trabalhar o sentimento de conduzir e ser conduzido, moldar e ser moldado pelo outro.

Ao término das palestras realizou-se uma pesquisa com os participantes presentes para a obtenção de dados sobre faixa etária, sexo, grau de escolaridade, averiguar a opinião sobre a palestra e palestrante e se houve entendimento do tema abordado. Também foram pesquisados novos temas para futuras palestras.

No segundo semestre de 2010, realizou-se palestras nos mesmos locais do primeiro semestre. Mudou-se apenas o tema, que foi escolhido com base na pesquisa realizada nas palestras anteriores. O assunto escolhido foi relacionamento. O tema da palestra foi “Família e Comunicação”. Durante a palestra, para ilustrar e como uma melhor forma de entendimento, foram realizadas quatro pequenas dramatizações pertinentes ao tema que foram: 1)comunicação deficiente entre marido e mulher; 2)a mesma cena sugerindo uma comunicação saudável entre marido e mulher; 3) comunicação deficiente entre mãe e adolescente; 4) a mesma cena sugerindo uma comunicação saudável entre mãe e adolescente.
DESENVOLVIMENTO
A observação iniciou-se em abril de 2009, pela visita de reconhecimento da Instituição de Segurança Pública Delegacia de Defesa da Mulher, e coleta de informações sobre seu histórico.

Nas visitas que se seguiram, leram-se boletins de ocorrência e inquéritos, que tratavam de casos de prostituição infantil, pedofilia, atentado ao pudor, abuso sexual, violência contra menor, agressões físicas e acompanhou-se o atendimento e orientação da delegada e das escrivãs ao público.

Em agosto de 2009 a proposta de estágio mudou da Observação para a Intervenção que consistia na Escuta Qualificada, porém a devolutiva era feita com a reformulação da fala do paciente que devolvida a ele proporcionava uma auto-reflexão, norteando seus pensamentos.

Em março de 2010 realizou-se e foi implantado o Projeto que consistia em realizar na DDM o “Plantão Psicológico” que deu seqüência a técnica de Acolhimento e Escuta Qualificada e a realização de Palestras Informativas nos “Centro de Referencia de Assistência Social” (CRAS) de Lins/SP, Promissão/SP, Guaiçara/SP e Getulina/SP, cujo tema foi “Os Diversos Tipos de Violência”.

Em agosto de 2010, foi dada seqüência ao Projeto iniciado no semestre anterior, porém com novo tema para a Palestra: “Família e Comunicação”.
RESULTADOS
Por meio de relatos das funcionárias que atendem as vítimas na DDM, comprovou-se o quanto é difícil para elas darem respaldo aos problemas de ordem emocional. Segundo as atendentes vêem-se obrigadas a utilizar de suas próprias experiências de vida para tentar confortar a vitima, sem qualquer respaldo científico, ou seja, sem estarem preparadas pela ciência da psicologia, permanecendo nelas a angustia de não estar orientando-as corretamente, pois estas encontram-se geralmente em total descontrole emocional. Este quadro exerce um agravante em ambos os lados, vítima e funcionaria, pois a vítima não recebe a orientação profissional adequada e a funcionária na maioria das vezes somatiza os problemas que a vítima relata o que prejudica na sua atuação dentro da instituição, apresentando sintomas como nervosismo, ansiedade, no seu dia a dia na instituição e em sua vida pessoal.

Quanto às Escutas Qualificadas observou-se que são válidas e eficientes dentro do contexto emergencial em que são realizadas. Porém problemas foram enfrentados em relação a estrutura física do prédio onde funciona a DDM que não possui uma sala apropriada para a realização dessa Escuta de maneira a proporcionar o devido sigilo à vitima, diminuindo a eficácia da atividade além de saber-se ser anti-ética tal atendimento.

Muitas vezes as funcionárias não respeitaram o processo da Escuta Qualificada. As sessões eram interrompidas por elas para que fosse realizado o Boletim de Ocorrência.

Outra situação que não deu resultado foi à proposta de realizar a Escuta antes da realização do BO. A intenção era de realizar uma triagem, através da Escuta Qualificada passando para as oficiais apenas os casos de violência e que necessitasse de registro de queixa. Na maioria dos casos isso não acontecia, pois as vitimas eram imediatamente chamadas para prestarem seus depoimentos.

As palestras, dentro da proposta do Projeto, foram as mais eficazes e mostraram melhores resultados. Percebeu-se essa eficácia na atenção e interação dos participantes durante a palestra. Também pelas perguntas realizadas após o término desta, em particular às palestrantes, e a manifestação tanto dos participantes como das psicólogas dos locais em que fossem realizadas outras palestras com novos temas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluiu-se com esses dois anos de Estágio na Delegacia de Defesa da Mulher que em termos físicos, o prédio não oferece condições para o exercício da psicologia, por falta de uma sala reservada que proporcione individualidade e sigilo na Escuta Qualificada.

Quantos as funcionárias, percebeu-se que são cordiais para com as estagiárias mesmo não entendendo a real importância de seu trabalho com as vítimas. Inicialmente a percepção em relação a estas funcionárias foi de que elas agiam em relação às vítimas, muitas vezes com grosseria, indiferença, pouco caso, o que passou uma idéia de desprezo por estas vítimas e sua condição de sofrimento.

No último semestre de 2010, chegou-se a conclusão, depois desses meses de observação dessas funcionárias em seu trabalho, que pelo fato de estarem praticamente todos os dias em contato com essas mulheres (vítimas), traçaram um perfil mais real delas. Sabem que na maior parte das vezes elas estão tentando se utilizar da lei Maria da Penha para benefícios próprios e sem que tenha havido uma violência real. Simulam ou mentem em relação ao fato que relatam às oficiais. Por isso elas tratam essas vitimas, com certa frieza e descaso ou mesmo descrença. Por experiência sabem que não dizem a verdade ou que vão prestar a queixa e retirá-la dias depois.

Entendeu-se a necessidade de se olhar um mesmo problema por mais de uma lente, por mais de um viés para não correr-se o risco de entendimentos distorcidos ou permeados de pré-conceitos ou entendimentos oriundos de uma visão particular do observador.

Considerou-se que a realização das palestras nos dois semestres foi o ponto forte do Projeto realizado e implantado na DDM, pelo fato do retorno imediato que foi obtido. Percebeu-se o quanto público alvo, de uma maneira geral, tem sede de informações claras e verdadeiras colocadas de maneira simples sem tabu, com o intuito apenas de esclarecimento e de instaurar, fomentar o conhecimento.

A utilização das técnicas do psicodrama nas duas fases das palestras, dinâmica “Escultor x Escultura” no primeiro semestre e dramatizações sobre formas de comunicação nos relacionamentos no segundo semestre foi surpreendentemente aceita e mostrou ser um meio eficaz para envolver a platéia e conseguir um entendimento do conteúdo do tema de maneira lúdica, divertida sem perder o foco que é o de passar conteúdo, conceitos e norteamentos para essa parcela da comunidade.

De maneira geral, concluiu-se ter sido o Estágio de Núcleo Básico I, II III e IV no curso de Psicologia, fundamental para o aprendizado da técnica de Observação, para saber o como realizar um Projeto em uma Instituição vivenciando todos os percalços, dificuldades e adversidades para sua implantação.

Foi também através desse Estágio que se pode obter um crescimento não só do conteúdo teórico, mas também de todo um conteúdo vivencial que só se pode obter em trabalho de campo, no estar junto. Isso aconteceu nos dias de estágio no contato com o dia-a-dia da Instituição e com a Escuta Qualificada de cada vítima. Um mundo totalmente desconhecido apresenta-se em cada relato, manifestando, expressando a complexidade dos relacionamentos humanos, da mente, enfim mostrando que dentro da força e da grandeza do ser humano reside a fragilidade, a dor e a angústia da solidão ontológica que sem o respaldo de uma orientação profissional, de um olhar especializado e uma escuta qualificada do psicólogo, conduz esse ser ao mais elevado patamar da patologia, da perturbação, do desespero, do ódio que pode levá-lo a violência contra o outro e contra si.

O contato com a dor, com as doenças e a diferença fortalece os estagiários fomentando um crescimento que jamais seria conseguido só com a teoria em classe.

Concluiu-se também que as supervisões em sala de aula, onde os casos foram levados para serem avaliadas, assim como o trabalho, conduta e postura das estagiárias durante o estágio na Instituição, foram fundamentais e realizados com senso crítico, conhecimento, profissionalismo e propriedade. Sem essas observações e considerações, tanto durante as supervisões como na leitura e correção dos Relatórios, Projetos e Artigos, não seria possível a aquisição do conhecimento sobre a atuação na prática de estágio e a obtenção de parte teórica em sala de aula. Também da elaboração de uma síntese entre teoria e prática, para apreensão de todo conteúdo de maneira eficaz, necessário para que a formação integral dos alunos graduandos em Psicologia seja de profissionais com visão crítica e agentes transformadores da sociedade.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, W. C. Moreno: um encontro existencial com as psicoterapias. São Paulo: Àgora, 1991.


BOCK, Ana Mercês Bahia (1999). Aventuras do Barão de Munchhausen na Psicologia. São Paulo: EDUC.
GONÇALVES, C. S.; WOLF, J. R. e ALMEIDA, W. C. Lições de Psicodrama: introdução ao pensamento de J. L. Moreno. São Paulo: Ágora, 1988.
MONGE, A.M.M.; PIRES, R.C.S.; SILVA, G.L. A Necessidade do Profissional de Psicologia na Delegacia de Defesa da Mulher. http://www.unisalesiano.edu.br/encontro2009/trabalho/aceitos/RE36611797807.pdf

SOUZA, Maria Laurinda Ribeiro. A banalização da violência: efeitos sobre o psiquismo. http://www2.uol.com.br/percurso/main/pcs25/abanalizacaodaviolencia.htm



YOZO, Ronaldo Yudi K. 100 Jogos para Grupos: Uma abordagem psicodramática para empresas, escolas e clínicas. São Paulo: Ágora. 1996.



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