Aconteceu na casa espírita



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ACONTECEU NA CASA ESPÍRITA
Cena 1 – Preparando a invasão
Cidade do plano espiritual inferior. Júlio César entra atrás do público com Gonçalves pelo meio falando alto, e dois desordeiros (um de cada lado) sentados no meio do público, levantam gritando e acompanham o Júlio César até o palco.
JÚLIO CÉSAR = Avante amigos, vamos atacar aquela casa maldita. Vamos! Vamos atacar aquela casa maldita. Não podemos mais perder tempo, é necessário agirmos agora ou então, o trabalho de anos será perdido.
GONÇALVES = Então Júlio, qual é a missão?
DESORDEIRO 1 = E como vamos agir? Por acaso, vamos fazer os objetos se movimentarem?
DESORDEIRO 2 = Atirar pedras contra os eleitos do Senhor? Vamos assassinar alguém?
JÚLIO CÉSAR = Não será assim! Nosso trabalho está dentro de certos limites, a Casa Espírita que desejamos invadir, dispõe de poderosa proteção espiritual.

Nossa atuação será discreta. Trabalharemos silenciosamente, ocultamente, no campo dos sentimentos, sugerindo pensamentos, estimulando as irritações, o ciúme, a fofoca, a indignação, os melindres, a disputa de cargos, funções, tarefas, etc.

Temos de valorizar o momento, pois as dificuldades econômicas, sociais e políticas do país estão a nosso favor: muitos, envolvidos com os problemas materiais, esquecem de se vigiar, cultivando o pessimismo, a irritação, os palavrões...

Avante! Para aquela odiosa Casa Espírita, o momento do apocalipse, do acerto de contas, do juízo final e da destruição chegou! (gargalhadas)


Saem todos.

Cena 2 – Avaliando a ameaça
Entra Joana, Mentora, Castro e Israel. No plano espiritual, uma reunião com a Mentora da Casa e Joana. Castro (presidente da Casa Espírita) e Israel (Diretor das atividades doutrinárias) se apresentam desdobrados do corpo.
JOANA = Vamos ter mais uma tentativa de invasão dos adversários do bem. Acabamos de socorrer um espírito desequilibrado que prestava serviços à extensa turba de obsessores. Tendo-se libertado da influência negativa, narrou-nos o plano do já conhecido Júlio César, almejando mais uma vez destruir a obra do bem.
MENTORA = Queridos Irmãos! O Senhor da Vida nos concedeu esta Casa Espírita como oficina de trabalho junto às criaturas humanas dos dois planos.

Temos encontrado, neste Centro, a alegria do estudo, do socorro e do labor espíritas, possibilitando-nos abençoada oportunidade de serviço cristão, em companhia dos confrades encarnados com o mesmo idealismo.

Agora, me compete alertar pessoalmente os dirigentes encarnados deste posto de serviço. Quanto a nós, sigamos com tranqüilidade, porém, alerta, guardando confiança em Deus, em nós mesmos e, principalmente nos confrades envoltos na matéria densa. Castro e Israel adormecidos estão sendo envolvidos para nossa breve conversa.

Após a reunião, Joana e os espíritos trabalhadores do bem saem. Joana encaminha Castro e Israel e sai.


Cena 3 – Orientando os encarnados
A Mentora conversa com Castro, enquanto Israel observa.
CASTRO = Caro amigo, Joana, nossa estimada cooperadora, já nos informou superficialmente sobre a possibilidade de mais um ataque à nossa Casa, poderia nos dar maiores detalhes?
MENTORA (abraça o Castro e Israel amorosamente) = O caso é realmente delicado! Castro, meu amigo, nossa instituição está sendo ameaçada por Júlio César!
CASTRO = Mas de novo?
MENTORA = Sim.
MENTORA = Sabes que será um dos primeiros que tentarão derrubar. É natural que assim seja, pois és tu quem estás à frente de toda a organização. Os adversários sabem da importância da função que executas, não é preciso uma super inteligência para compreender a utilidade da ordem que conduz ao progresso. E tu estás cumprindo satisfatoriamente com os teus deveres, o que, aliás, tem garantido a ti proteção espiritual proporcional.

Confiamos em teu trabalho, administras incalculável tesouro, que precisa ser multiplicado em benefício do bem comum.

Todas estas orientações, que são simplesmente a vivência do Cristianismo, são necessárias porque este não é um atraque comum. Júlio César está apostando todas as suas fichas, empenhando todos os seus esforços, e nós guardamos grande desejo de envolvê-lo em nossos braços, conduzindo-o ao progresso. Mas, para isso, será necessário um trabalho em conjunto. Desta maneira, precisaremos contar com o teu comando, exaltando a paciência.
CASTRO = Sendo este um caso tão grave permita-me lembrar desta nossa conversa, quando despertar no corpo físico, para que tenha possibilidade de tomar as devidas providências.
MENTORA = Não será possível, meu amigo. Lembra-te: nada de privilégios. Porém, guardarás a sensação de que algo desagradável está para acontecer, além de uma imagem simbólica, de uma grande casa com imensas rachaduras. Quanto a ti Israel, as mesmas recomendações, acrescidas de um cuidado redobrado com a pureza doutrinária. Tens em tuas mãos o coração da instituição, isto é, o próprio Espiritismo!

Cena 4 – Iniciando o ataque
Júlio César entra com dois desordeiros.
JÚLIO CÉSAR = Camaradas! Nossa hora chegou! Já fui informado de que os emissários da luz igualmente se organizaram, falando aos responsáveis encarnados da maldita Instituição sobre os nossos planos. Gonçalves!... Gonçalves...! (gritou)
Entra Gonçalves.
GONÇALVES = Estou aqui, Senhor.
JÚLIO CÉSAR = Já fez a verificação dos principais trabalhadores?
GONÇALVES = Sim, aqui está o levantamento, dez dirigentes serão visitados por nós.

Temos por exemplo, os registros da responsável pelo atendimento fraterno, e o nome dela é Márcia Boaventura.

Através dela não temos nenhum campo de ação, sem contar a proteção que angariou pelo trabalho tão bem realizado, quase não oferece brecha, limitando a 1% de nossa influência sobre ela. Entretanto, para nossa grande alegria, é casada com um homem possuidor de densas vibrações, o que nos permitiu a aproximação e convivência em sua própria residência: avesso ao Espiritismo, o esposo freqüenta raramente os cultos de uma seita evangélica, carregando na mente a idéia de que a Doutrina Espírita é coisa do diabo.
JÚLIO CÉSAR = Isso! Eis o nosso homem! Incentive-o a continuar na igreja, acompanhe-o, ore com ele se for preciso. (riso)
GONÇALVES = À igreja?! (admirado) Sabe mesmo o que está me mandando fazer? Explique melhor, senhor, quais são seus objetivos?
JÚLIO CÉSAR = Preste bem atenção, Gonçalves (abraçando). Vamos atormentá-la, envolveremos de tal forma o infeliz do marido que ele fará da vida dela um inferno.
GONÇALVES = Mestre, ainda há uma outra coisa, a considerar. O marido é dado à bebida, se o incentivarmos à igreja, as orientações, ainda que fanáticas, poderão levá-lo a largar o álcool, impossibilitando-nos de utilizar mais este trunfo.
JÚLIO CÉSAR = Ora, que trunfo melhor poderíamos ter senão o medo do inferno. Para nós o que importa é infernizá-la, irritá-la. Ela não agüentará os argumentos de um marido fanático, que contribui com a obra do Senhor, gastando mensalmente toda a economia doméstica na igreja.

Não esqueça de ver se tem alguém com vibrações de desejo em assumir um cargo, observem os companheiros de Márcia se tem brechas nesse campo, um pontinho de inveja. Fazer com que alguns comecem a se aborrecer com as orientações da Coordenadora.

Plano perfeito! Vamos, não quero mais perder tempo.
GONÇALVES = Mas Senhor, não deveríamos visitar primeiramente o presidente da casa juntamente com o diretor doutrinário? Não deveriam ser as primeiras vítimas de nossa perseguição?
JÚLIO CÉSAR = Já estão sendo, à medida que os departamentos forem atingidos por nossa influência, haverão de se preocupar e muito provavelmente se irritarão pouco a pouco, abrindo-nos o canal de influenciação.

Quero cuidar do caso Márcia Boaventura com especial atenção.


Júlio César, Gonçalves e os desordeiros saem.
Cena 5 – Na Casa Espírita
Entra Castro e Israel.
CASTRO = Israel, tive um sonho interessante.
ISRAEL = Eu também, sonhei que eu e você permanecíamos à frente de respeitável instrutor espiritual.
CASTRO = Não, meu sonho foi diferente, pude vislumbrar nossa Casa Espírita completamente infestada por rachaduras.
Israel fecha os olhos ligeiramente, como se buscasse os amigos espirituais.
ISRAEL = Nossa Casa com rachaduras?! Pode significar que o trabalho deste templo será abalado.
CASTRO = Sem dúvida, chamarei agora mesmo um profissional para verificar as estruturas do Centro; quem sabe as paredes guardam trincas que desconhecemos, talvez algumas de nossas obras assistenciais estejam precisando de verificação e, se for necessário, faremos reformas materiais urgentes.
ISRAEL = Isso pode ser, também, um simbolismo! Rachaduras, brechas, infiltrações, quem sabe é um alerta do plano espiritual para fortalecermos nossa vigilância, evitando em nosso templo as fendas no campo do espírito. A propósito, acordei com um desejo de promover entre os nossos cooperadores, um estudo acerca da Casa Espírita, seus objetivos, trabalho e trabalhadores, o que me diz?
CASTRO = Acredito, seja oportuno, (tom de profunda reflexão), enquanto eu verificarei o aspecto físico, você congregará os cooperadores tratando do aspecto moral. Não que estejamos fanatizados pelos sonhos, mas já que nossas interpretações revelam prudência e bom senso na administração desta Casa, não vejo mal em tomarmos as providências necessárias.
Castro e Israel saem, do outro lado entram Jonas e Márcia. Júlio e Gonçalves entram logo em seguida.
Cena 6 – Visita à casa de Márcia
LUZ BRANCA
Júlio César e Gonçalves observam o diálogo entre o casal Boaventura
JONAS = Mulher, você tem que parar com essas coisas de Espiritismo, é preciso pensarmos um pouco mais em nossa vida financeira. Quanto você recebe do seu Centro pelas horas que empenha a serviço do Espiritismo?
MÁRCIA = Recebo a consciência tranqüila de ter realizado algo de bom em benefício dos semelhantes.
JONAS = Basta! (irritado) Me diga, quem é que põe comida nesta casa? Quem é que paga as despesas domésticas e que paga o transporte que lhe conduz ao Centro?
MÁRCIA = É você, meu bem! Mas, tenho cumprido com os meus afazeres domésticos, faço as suas vontades. Do que é que você se queixa, Jonas? Só porque me dedico, algumas horas por semana, aos trabalhos voluntários promovendo o bem?
Nesse momento, Júlio César se aproxima de Jonas e o envolve com pensamentos ruins.
JÚLIO CÉSAR = À igreja, vá para a igreja, mostre a ela que você é mais caridoso. Se ela vai ao Centro, você também pode ir aos cultos evangélicos. Deus precisa de você!
Saem todos.
Cena 7 - Na igreja
Entra Daniel, depois Júlio César e Gonçalves. Júlio César e Gonçalves acompanham Jonas até a igreja e ao chegar encontram Daniel no local que nota a chegada de Júlio César; de sobressalto dirige-se ao seu encontro e, declina esta reverência.
DANIEL = Salve, ó grande Júlio César!
JÚLIO CÉSAR = Você me conhece? (admirado)
DANIEL = Quem já não ouviu falar de figura tão ilustre? Claro, que o conheço. Sei que o Senhor é um dos obsessores imediatos da falange da qual faço parte. Eu o admiro sinceramente! Seja bem-vindo em minha casa, quero que saiba: sou Daniel, desde agora seu servo.
Entra Jonas e senta na platéia.
JÚLIO CÉSAR = Estou agradecido, Daniel, pela sua hospitalidade. Falarei com meus superiores da sua boa vontade e colaboração e certamente será promovido.
DANIEL = Não, Senhor! Não desejo promoção, sei o quanto as vagas na sua equipe são concorridas. Uma oportunidade ao seu lado, para mim já estará excelente.
JÚLIO CÉSAR = Ótimo, ficará conosco sob as ordens do meu secretário. Preciso de sua ajuda para influenciar alguém em especial. Está vendo aquele senhor?
DANIEL = Sim, Senhor!
JÚLIO CÉSAR = Precisamos fazer com que fique completamente fascinado pelas idéias que você divulga aqui.
DANIEL = Ah! Quanto a isso o senhor não terá problema. Clodoaldo, nosso valoroso pastor, atende às nossas ondas mentais com muita facilidade. Então, vamos nos apressar, o culto já vai começar.
Saem Júlio César, Gonçalves e Daniel.
Cena 8 – O Culto
Neste momento entra Clodoaldo com a bíblia embaixo do braço, saúda os fieis e começa o culto. Entram também Mentora e sua auxiliar.
CLODOALDO = Meus irmãos, os sofrimentos no mundo representam o castigo divino. Se Você sofre é porque está em débito com Deus e precisa saldar esta dívida. Entretanto, nada na vida é de graça, dê a sua cota de sacrifício para se libertar dos problemas espirituais que lhe atormentam. Se você quer se ver livre dos problemas, doe sua parcela de sacrifício para a edificação do reino de Deus na Terra.
Clodoaldo continua a pregação sem voz.
MENTORA = Cara amiga, repare que o pastor Clodoaldo está visivelmente influenciado pelos companheiros de Júlio César e Daniel.
AUXILIAR = Isso me deixa com muitas dúvidas. Primeiro, por que ondas mentais tão perniciosas estão nesse ambiente que deveria ser de paz? Segundo, por que é permitido que nosso irmão Clodoaldo transmita todos esses pensamentos a tantas pessoas?
MENTORA = Respondendo a primeira pergunta, as ondas mentais são provenientes da mente das pessoas que aqui freqüentam, atente para o fato de que muitas pessoas que aqui se encontram, estão em plena vibração com espíritos superiores, estão aqui de coração realmente e não se deixando levar por promessas físicas ou passageiras. É bom salientar também que não é porque estamos em uma Igreja Evangélica que o ambiente está ruim, poderíamos muito bem estar em uma Igreja Católica, em uma Mesquita, em um templo budista ou em um Centro Espírita, em todos esses lugares todas as pessoas são suscetíveis a cair em pensamentos ruins e inadequados.
AUXILIAR = Mas como pode a Providência Divina permitir que o Clodoaldo transmita essas idéias a tantas pessoas?
MENTORA = Todos temos o livre-arbítrio e com Clodoaldo não é diferente, certamente não está plantando bons frutos, pois está em uma Igreja Evangélica onde vários preceitos que certamente lhe foram transmitidos não estão sendo cumpridos. Infelizmente há muitas pessoas como o Clodoaldo, nas Igrejas, Templos e Centros Espíritas que procuram satisfazer a matéria onde deveriam procurar evolução espiritual.

Sinto a presença de Júlio César, vamos, há muito a fazer, neste momento não conseguiremos influenciá-los a pararem com o show.


Júlio César entra acompanhado de Daniel e Gonçalves; estava transfigurado, ligara-se com planos mais inferiores, mentalizara a figura mítica de satanás assumindo perispiritualmente a forma mitológica, impressionando os adversários do bem.
DANIEL = Lindo! Que capacidade! Este é meu mestre, meu mentor. Que as trevas lhe acompanhem, Júlio César!
CLODOALDO = E todo aquele, que contribuir com Deus terá sempre o dobro. Portanto, quem mais doar, mais receberá.
Os que estão atrás da cortina gritam aleluia, aleluia! Jonas estava impressionado, atraído pelo pastor, notara ares de simpatia para com aquele homem. Neste momento, entra 1 pessoa com cestinha na mão gritando: Doem! Doem! Doem tudo!
CLODOALDO = Tudo para o Senhor! Deus é o nosso salvador!
Terminado o momento de ofertório, o pastor silenciou, foi quando Júlio César aproximou e fortaleceu o pastor com discurso mentiroso.
CLODOALDO = Eu lhe solicito, Senhor, que aqueles que contribuíram com a sua obra sejam especialmente abençoados e que os males espirituais sejam retirados, os demônios afastados.
De repente entram os atores se atiram no chão, simulando manifestações demoníacas.
CLODOALDO = Em nome de Deus, afastem-se agora. O sangue de Jesus tem poder.
Enquanto isso, Gonçalves, e Daniel debochavam, riam, divertiam-se. Nesse instante, os atores despertam as mentes, restabelecendo a ordem no ambiente.
CLODOALDO = Vocês viram o poder do demônio? Mas o nosso poder é maior! Aleluia! Aleluia!

Todos aqueles que não tem fé, caem nas garras de satanás. Ele age de várias formas, tendo sua morada nos centros espíritas.


Neste momento, Júlio César retirou-se ligeiramente do campo de ação do pastor, aconchegando-se a Jonas, influenciando-o, para que as informações o convencessem.
JÚLIO CÉSAR = O Espiritismo, é a doutrina do demônio, os espíritas são adoradores da maldade, os homens que são casados com mulheres que trabalham neste movimento podem ser contaminados. Se alguém aqui possuir parentes freqüentando ou trabalhando nestas casas, deixem os nomes para a reunião de libertação. Sejam fortes, não dêem trégua aos espíritas.
JONAS – Por isso então, permaneço na pobreza, esse é o motivo de não conquistar nada materialmente. Márcia vai me pagar! (Em off, gravação de voz)
Júlio César lança um olhar para o pastor, ajudando-o a terminar a exposição.
CLODOALDO = O espírito de Deus está me dizendo que aqui há várias pessoas com este problema, aqueles que possuem amigos ou parentes envolvidos com o espiritismo, por favor, levantem a mão. Que todos vocês sejam abençoados. O sangue de Jesus tem poder! Aleluia irmão! Aleluia!
Muitos levantam as mãos e dentre eles estava Jonas. Saem todos




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