Achegas ao estudo das pastorinhas



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ACHEGAS AO ESTUDO DAS PASTORINHAS 1

Ulisses Passarelli

A extensão territorial brasileira e as múltiplas influências culturais, naturalmente confluíram, com outros fatores, para dar às representações pastoris diversas formas, a saber:




  • PASTORINHAS: nos quatro estados da Região Sudeste do Brasil 2, também chamadas cordão de pastorinhas, terno de pastorinhas, folia de pastorinhas e reis de pastorinhas;

  • PASTORIL: em todo o Nordeste, com diversos subtipos 3;

  • LAPINHA: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Também chamada pastoril dramático (familiar), auto-pastoril, presépio e presepe;

  • BAILE-PASTORIL: da Bahia (centro irradiador) ao norte mineiro, SE, CE, TO. É uma forma praticamente extinta;

  • PASTORAL: Maranhão, Pará, Amazonas, também conhecida por pastorinhas e pastor. É de fato a forma mais parecida à do Sudeste, se bem que mais teatralizada.

Não caberia aqui discorrer sobre cada forma do país, havendo inclusive as mistas, de difícil classificação, como ocorrem no Rio Grande do Norte, os “pastoris-lapinhas” (p.ex., Pedro Velho, Natal – Bairro das Rocas), correspondendo aos pastoris-religiosos pernambucanos. Os próprios ternos e ranchos de Reis, que da Bahia difusamente se espalharam no século XIX até o Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul pelo litoral, são reisados ricos em personagens destes autos pastoris. Em Minas e Rio de Janeiro surgem reisados que misturam personagens de folias de Reis, pastorinhas e bumba-meu-boi. O bumba baiano tem muitas pastoras entre seus personagens, segundo Alceu Maynard Araújo. Para este texto basta porém citar estes folguedos mais sincréticos, sem adentrar em detalhes.

A questão geográfica torna-se mais confusa quando se considera as correntes migratórias que mudaram o mapeamento original e introduziram, por exemplo, pastoris na cosmopolita São Paulo, Lapinha em Vila Velha / ES, pastoril-religioso em Pirenópolis / GO, onde se apresenta na Festa do Divino. Em César de Pina (Tiradentes / MG), há também um pastoril-religioso.

As pastorinhas tem bases bíblicas. O tema da visita dos pastores (S.Lucas, 2: 8-20) e dos magos (S.Mateus, 2: 1-12) constituiu-se no motivo mais relevante para as primeiras representações, cujas matrizes estão na Europa medieval. Seu início teve como ponto-chave a criação do presépio (do latim praesepium, curral, estrebaria, cocheira) por São Francisco de Assis, nos bosques de Groccio, Itália, em 1223. É um conjunto de figuras esculpidas ou moldadas representando a cena do nascimento de Jesus. Pode ainda ter uma representação teatral, com figurantes devidamente trajados.

Logo o presépio se difundiu. Rossini Tavares de Lima informou:
Nos séculos XIII e XIV, popularizaram-se os presépios, com a representação da cena do nascimento e a inclusão de tipos populares e diferentes aspectos da vida do campo e das cidades. Aos poucos, já eram dramas representados, verdadeiro teatro religioso, estimulado pelos jesuítas no século XVI. Assim o presépio feito ao vivo ou apenas com figuras, tornou-se tradição na Igreja e no mundo católico em geral, (etc.) 4.
Luís da Câmara Cascudo informou que no século XVI, o assunto da natividade tornou-se realmente popular nas representações, dizendo que o canto sem enredo ou representação como as pastorais, saudando a natividade, tendo ou não tema coreográfico, é o noel francês, o christmas carol dos ingleses, a pastorella italiana, o weinacht dos alemães, os vilancicos portugueses e espanhóis.

Portugal foi o maior fornecedor dessas tradições para o Brasil e já em 1583 aqui haviam, segundo o jesuíta Fernão Cardim.

É ainda Cascudo que atribuiu aos vilancicos ibéricos a fonte original de nossas pastorinhas e congêneres. Inicialmente eram canções de pastores na Península Ibérica. Passaram depois a designar pequenas peças teatrais, menos desenvolvidas que os autos sacramentais e mistérios. Estes eram representados nas igrejas e os temas giravam em torno do nascimento de Cristo. Compositores e poetas esforçavam-se por produzir peças cada vez mais belas até o século XVIII na citada península, tornando-se grandes cantatas natalinas, com solistas, recitativos, coros e interlúdios. Posteriormente regrediram e degradaram-se, chegando Dom João V a proibir esses costumes nas igrejas de Portugal.

Para Ednéa Pascoal, nasceram ...


Dos dramas litúrgicos da natividade representados nas igrejas, nas quais se assistia ao nascimento de Jesus, ao aviso aos pastores, à adoração dos anjos e à oferenda de incenso, ouro e mirra e por fim, a mensagem dos anos aos Reis para não irem ao palácio de Herodes.
Théo Brandão, estudando a lapinha considerou ser “o mesmo auto das pastorinhas de outros estados” e afirmou sobre sua origem: “guardam eles a mesma estrutura dos noéis ou autos de Natal, ainda hoje representados no sul da França (Provença)”.

Alguns autores ressalvam o duvidoso valor folclórico das pastorinhas, em virtude de sua origem não popular, facilmente identificável na composição de seus versos. Por exemplo, Edson Carneiro afirmou:
Qualificamo-los de folclóricos mas com um mundo de reservas. Esses autos, que descendem de “tropos”, “jeux”, “miracles”, “mystéres”, do teatro religioso medieval, não são de origem popular, mas semi-erudita, senão erudita. Na Europa eram exibidos no adro e às vezes no interior dos templos, como chegou a acontecer em Pernambuco5 . Mesmo quando exibidos na rua como “miracle plays”ingleses, montados em “pageants”, palcos ambulantes, tinham o patrocínio da Igreja ou, pelo menos, a sua permissão. Quando as autoridades eclesiásticas se desinteressaram deles, o povo que continuou a representá-los, se permitiu algumas liberdades, tanto de estrutura como de elementos circunstanciais – personagens, música, dança, indumentária, etc. Era natural que essas liberdades fossem maiores no Brasil, em conseqüência da distância geográfica e temporal em que se encontram os autos, em relação ao modelo europeu.
Discordo desta posição. Se sua origem não popular é incontestável, isto por outro lado não basta para lhe tirar o valor folclórico, haja vista que mesmo em casos onde o aspecto erudito foi mais preservado (como em Passos / MG), o grupo passou por um processo de popularização, ou melhor, está vivendo hoje sob as características essenciais que identificam uma manifestação folclórica. Tal se deu com certas danças em nosso meio, como por exemplo a polca, a mazurca, a valsa, dentre outras. O próprio escrito do folclorista supra-citado dá a chave deste entendimento, ao afirmar que o povo tomou a liberdade de fazer alterações ao seu bel-prazer, ou seja, folclorizou-as. Claro que as origens específicas de cada grupo influem diretamente. O grupos de São João del-Rei / MG é por exemplo eminentemente popular, como peditório natalino. Na vizinha Tiradentes o grupo já mescla elementos populares e semi-eruditos. O de Passos, a sudoeste do estado, por sua origem no Caraça – grande centro catequético do interior mineiro – com larga influência do catolicismo oficial, reteve mais o modelo original e pouco se popularizou. Assim se explica sua menor semelhança textual com outras pastorinhas do Sudeste.

Algumas formas destas manifestações alcançaram grande valor teatral, desenvolvendo dramas e episódios variados sempre com um fundo moral e religioso. São pastoras atentadas pelo demônio, são intervenções cristãs em questões diárias da comunidade ou de ambientes imaginados; são cenas bíblicas dramatizadas. Entremeios, atos, epílogos. É o caso dos grupos nortistas (formando até mesmo companhias teatrais); também das lapinhas e do baile-pastoril. Por outro lado há formas que fazem desfilar uma grande sucessão de personagens, as mais diversas, sem qualquer relação aparente com a natividade do Salvador, que, contudo, se apresentam com suas características próprias, dizendo que vão saudá-lo. É o caso das pastorinhas fluminenses e de certas de Minas. Surgem baianas, samaritanas, peixeiras, jardineiros, borboletas, luas, sóis, estrelas, relâmpagos, caridades, amores, camponesas, ciganas, etc.

Outras mais são agrupamentos de crianças com o objetivo máximo e quase único de louvar ao Nascimento de Cristo, mais diretamente predominando o clima religioso. Há então pouca intervenção de personagens estranhas à descrição bíblica.

Há ainda as formas profanas cujo lado religioso encontra-se em segundo plano, em maior ou menor grau. Assim muitos dos pastoris nordestinos que podem chegar mesmo à imoralidade, com conhecidos acontecimentos de exploração sexual.

Uma cena típica dos pastoris é a rivalidade entre as duas filas de dançantes, chamadas devido à cor dominante dos trajes das pastoras de “cordão azul” e “cordão encarnado” (vermelho ou rosa).

A jardineira era uma manifestação folclórica derivada das pastorinhas ou quiçá uma forma local sua, de Angra dos Reis / RJ, que se apresentava na Festa do Divino, com meninas à pastora, portando arcos floridos nas mãos 6.

Outro caso curioso é o da capelinha de melão, que é a única forma de representação pastoril que mudou de ciclo, saindo do Natal para o tempo junino, ao qual está perfeitamente adaptada.

Todos estes exemplos porém são de manifestações femininas. É um ponto de estudo não explorado. A bíblia não cita em momento algum pastoras envolvidas com a natividade do Salvador, mas sim pastores. Como a grande maioria das danças folclóricas são masculinas, alguns mesmo com a participação vedada à mulher, pode ter havido no passado plausivelmente uma transposição de pastores para pastoras e assim permitir a participação feminina com finalidade catequética.

Porém existe uma exceção chamada companhia de pastores, típica do sudoeste mineiro, que um grupo que mescla elementos de pastorinhas e de folias de Reis, constituído porém de homens adultos. São os autênticos pastores bíblicos 7.

PASSOS
Foram introduzidas em Passos pelo sr. Ilarindo Moraes, no ano de 1903, segundo modelo trazido do Caraça / MG. Durante muitos anos foi o organizador do grupo. Posteriormente assumiu-o a sra. Elza Barros de Melo e na ocasião da pesquisa (jul./1997) a responsável era a sra. Ilda das Graças Leite, do Bairro da Penha.

As primeiras apresentações foram na igreja matriz da cidade. Mais tarde passaram para a de Santo Antônio. Era costume também apresentarem-se onde havia presépio armado. Presentemente pratica-se nas igrejas, junto ao altar, diante da imagem do Menino Jesus.

São seguintes as personagens e seus trajes: Pastoras (cerca de vinte), divididas em duas filas, trajadas de blusa branca, de manga comprida, saia xadrez com predomínio de preto (azul noutras versões) ou vermelho, cores também vistas nos coletes, identificando, em conformidade, a ala a qual pertence a Pastora. Complementam-se com meias brancas, sapatos pretos, avental branco, chapéu de palha com fita na cor do respectivo cordão; Anjo, vestido de branco, trazendo na mão uma palma; Estrela, de cetim amarelo, carregando um cetro; Pastor, único personagem masculino, de camisa branca de colarinho e manga longa, calça preta, faixa vermelha larga na cintura, chapéu de palha à cabeça. Traz um cesto a tiracolo, contendo rosas vermelhas. Porta um cajado enfeitado de fitas e flores vermelhas; Pastora Briosa, que em nada destaca nos trajes, senão no papel, convidando as demais a ofertar flores ao Menino Jesus.

A música não tem acompanhamento instrumental.

Transcrevi os cantos de um caderno, gentilmente emprestado pela organizadora.

Outrora o grupo iniciava a atividade marchando pelas ruas na formação de dupla fila, a cantar o seguinte hino (hoje abandonado), enquanto rumavam para os presépios:




Vamos ver pastoras belas

Vamos ver a luz divina

Entoemos afinal

O altar do Redentor,

O phanal do eterno amor. 8

A canção dos serafins;

O Filho de Maria,

Vamos, pastorinhas belas,

Ao Infante Divinal

Que nasceu por nosso amor.

Vamos ver o Salvador.

Gloria in excelsis sem fim.










Vamos, pastorinhas belas,

Vamos ver grandes da Terra




Vamos ver Nosso Senhor,

Vamos ver e admirar,




No presepe de Belém

Deixa a vã cabeça




Está do céu todo esplendor.

Vamos a Deus adorar.



Hoje começam logo com o Canto de Entrada (na igreja), um hino natalino:





Vamos, pastorinhas belas,

Dissipou-se a terra espessa

Vamos, vamos pastorinhas,

Vamos todas com fervor,

Da justiça e do terror

Flores e frutas ofertar,

Vamos ver o Deus Menino,

Nasceu em Belém

Vamos rendidas de amor,

Nosso amado Salvador.

O Divino Redentor.

A nosso Jesus adorar.










Vamos ver esse presépio,

Ofuscou-se a tirania




Donde jorra tanta luz,

Ante o sol da redenção.




O estábulo sagrado

Transformaram-se os destinos




Santo berço de Jesus.

Da humana geração.



Na parte do Anjo, a primeira quadra é cantada e a segunda recitada:




Gloria in excelsis,

Adorai, oh boa gente,

In excelsis Deo,

Vinde ver a maravilha,

Et in Terra pax hominibus

Lá das bandas do oriente

Bonne voluntatis 9.

Como o sol e a estrela brilha ...

Entra cantando a Estrela:




Eu sou a estrela de paz e amor,

(Refrão:)

Que trago as novas do Salvador;

Eu sou a Estrela de Israel formosa!

Eu sou a estrela resplandecente

Eu sou a Estrela de Jacó mimosa!

Que guia os Magos do Oriente 10 .



A seguir a Estrela recita:


Acordai, belas pastoras,

Vinde ao presépio adorar,

Jesus, Filho de Maria,

Que nasceu para nos salvar!
Entra o cordão de Pastoras trajadas com predomínio do vermelho, cantando:


(Refrão: coro)

(Solo:)

(Solo:)

Vamos todas a Belém,

Já levantam-se pastores

Vinde todos os pastores

Para fazer oração,

E tomando seus bordões,

Ao presépio de Belém

Ninguém certo ficará

No caminho de Belém

Dar sinceros louvores

Nesta triste solidão.

Vão soltando estes pregões.

Ao nosso único bem.

Da retaguarda sai lentamente o Pastor e distribui flores às Pastoras. Canta o número abaixo e as Pastoras intercalam o mesmo refrão anterior.




Cantemos louvores

Há um Deus Menino,

Ao Menino Deus,

Senhor das Alturas,

Que para nos salvar

Que vem humanar-se

Dos céus desceu.

Entre as criaturas.







Os anjos vos cantam

A sagrada gruta

Com doce contentamento,

De bela vassalagem,

Louvores e aplausos

Vinde Pastora Briosa

Ao nascimento.

Prestar sua homenagem.

A última quadra é recitada.

Do lado oposto entra a Pastora Briosa. Seu canto é intercalado por um refrão das demais Pastoras.


Eu sou a pastora mais briosa

Vinde pastora d’oriente,

Vinde pastoras briosas,

Que venho do oriente,

Vinde com grande alegria,

Com prazer e alegria,

Adorar o Deus Menino BIS

Adorar o Deus Menino BIS

Vinde adorar a Jesus BIS

Jesus Onipotente.

Jesus, Filho de Maria.

Filho da Virgem Maria.

(Refrão:)

Vinde todos adorar,

A Jesus, Filho de Maria!

Do mesmo lado da Pastora Briosa surge a outra ala, com prevalência do preto na roupa:




Vamos, vamos adorar,

A Virgem, Mãe do Presépio,

Nós todas ajoelhadas

Cristo, Nosso Salvador,

Ao pequenino Jesus,

Pra fazermos oração,

Que ao mundo veio salvar,

Nós pedimos por obséquio

Nossas preces oferecemos

O seu povo pecador.

Seja sempre a nossa luz.

Ao bom Deus da Redenção.

(Refrão:)

Vamos todas a Belém

Pra fazer oração;

Ninguém certo ficará

Nesta triste solidão.


Ainda o cordão de preto canta:


Bateu asas, cantou o galo,

Deixou a corte celeste

Venho oferecer presentes

Quando o Redentor nasceu,

E as galas ricas dos céus,

Que a Arábia rica produz,

Cantaram anjos nas alturas,

Quem entre os homens é homem

Louvar na Terra os anjos

Gloria in excelsis Deo.

Quem entre os anjos é Deus.

Louvar no céu a Jesus.

(Refrão:)

Povos e reis adorai-o

É nascido o Redentor,

Veio viver na Terra

Veio morrer por nosso amor.

A fila de vermelho canta:




Oh noite, ditosa noite,

Imenso povo que então

Nenhum recurso Maria

Do Natal do Salvador 11,

A cidade concorria,

E José podendo achar,

Nela dos anjos se escutam,

Ocupada já estava,

Albergaram-se num curral

Hinos de glória e amor.

A estalagem que havia.

Para a noite ali passar.

O refrão intercalado pelo coro é composto pelos versos da primeira quadra.

Termina a apresentação com todas ofertando as flores distribuídas pelo Pastor, duas a duas, começando pelo Anjo e Estrela. Vão ofertando e saindo do altar até o corredor central da igreja, onde refazem a dupla fila, vis-a-vis. Todas cantam:


Adeus, oh Jesus Menino,

Adeus, lapinha sagrada,

Quanto nos custa deixar,

Onde o Menino nasceu,

Um Menino tão amável,

Para o ano voltaremos,

Que nasceu para nos salvar.

Se nos permitir o céu.


Assim termina a apresentação normal. Apenas no dia de Santos Reis, 6 de janeiro 12, inserem a parte dos Três Magos. Após o Canto de Entrada, cantam um hino a Nossa Senhora da Penha, findo o qual a Estrela e o Anjo cantam em solo e as Pastoras seguem-lhes em coro:


(Solo:)

((Coro:)

Vinde ditosos Reis Magos do Oriente,

Estrela querida de Jacó saída,

Vinde todos com grande alegria,

Que dos Reis Magos é esperança ditosa,

Para presentearem as suas homenagens

Ela nos guie e nos protege sempre,

Ao Deus Menino, ao Deus Menino, BIS

Teus filhos somos, teus filhos somos, BIS

Filho da Virgem Maria.

Oh, estrela formosa!

Personagens representando os Reis Magos cantam:




Guiai nossos passos à Gruta de Belém,

Aqui estamos humildes prostados,

Guais os caminhos que lá nos conduz,

Que de tão longe viemos adorar,

Ela nos guia e nos protege sempre,

Assim vos pedimos oh Bom Jesus,

Para vermos, para vermos, BIS

Se dignai a salvação, a salvação, BIS

Santo berço de Jesus.

Nossa única esperança.







Reverentes sinceros viemos oferecer

Ditosos partimos da gruta sagrada,

Os presentes que Arábia produz,

Levando em nossa alma tão grata lembrança;

Incenso, ouro e mirra, símbolo da fé,

Ainda vos pedimos, oh Bom Jesus,

Queira aceitá-los, queira aceitá-los BIS

A salvação, se dignai, se dignai, BIS

Oh Menino Jesus.

Nos abençoar 13.

O arremate é feito desta forma:




(Solo: Anjo e Estrela)

(Coro: Pastoras)

se foram Reis Magos do Oriente,

Adeus, oh minha lapinha sagrada,

E a seus lares pastoras voltarão,

Onde o Menino jesus nasceu,

Com as bênçãos do Deus Menino

Para o ano aqui voltaremos

No Reino dos Céus, no Reino dos Céus, BIS

Se assim, se assim, BIS

Um dia entrarão.

Nos permitir o céu.


RIO DAS MORTES
As pastorinhas são conhecidas e tradicionais na Microrregião Campos das Vertentes, do centro-sul de Minas Gerais. Em um de seus municípios, São João del-Rei, encontraram um lugar propício para se fixarem, seja na zona urbana14, seja na rural, aparecendo na vila nominada Rio das Mortes15, a 10 Km a oeste da sede municipal. É assim chamada por causa do fluxo d’água que lhe contorna, o Rio das Mortes Pequeno.

A manifestação foi introduzida nesta vila pela senhora Nilza Aparecida de Carvalho, tendo lhe servido de modelo, fielmente aprendido, as pastorinhas de outra vila próxima e do mesmo município, São Sebastião da Vitória, onde as praticavam na primeira metade a meados do século XX.

Eram cerca de 10 a 12 meninas, vestidas de saia xadrez com pregas, blusa branca com cabeção, avental vermelho com os cordões de amarrio cruzados nas costas; chapéu de palha à cabeça, com uma fita vermelha em volta da copa. Portavam bastões imitando cajados, pintados de azul (aproveitamento de cabos de vassoura), que percutiam ritmadamente no chão, obtendo efeito idiofônico. As Pastoras dispunham-se em dupla fila. Ao centro e adiante ia uma menina vestida de Nossa Senhora, carregando um cestinho contendo a imagem do Menino Jesus. Na retaguarda, três tocadores, executavam violão, sanfona e caixa.

O grupo era itinerante e peditório, humilde e de ritualização muito simples. Chegavam cantando nas casas:


Ô de casa, nobre gente,

Nossas vozes escutareis;

Que dá lá do oriente

A chegada dos três Reis!
Anunciavam o pedido do óbolo e logo o confirmavam num refrão tradicionalíssimo:


Onde está o Menino Deus,

(Refrão:)

Filho de Nossa Senhora,

Vinde! Vinde! Todas pastorinhas!

Visitando vossas casas

Pedem uma esmola,

E pedindo uma esmola.

Para um Deus Menino.

Agradeciam a oferta e partiam para outro lar:


Deus lhe pague a boa esmola

Dada de boa vontade;

Lá no céu tereis o pago

Da Santíssima Trindade.
Viveu este grupo nas décadas de 1970-80, até 1987. Serviu de modelo para outro conjunto de pastorinhas que ainda está ativo, o já citado das Águas Férreas, que teve contudo, algumas adições de personagens conforme a criatividade da organizadora e também uma ligeira diferença musical, facilmente explicável por Ter sido a mesma aprendida de outiva.

Vale por fim ressaltar que além de D. Nilza, minha informante, outra grande entusiasta e colaboradora da vida das pastorinhas no Rio das Mortes foi Dona Nêga (Maria da Conceição Silva), falecida e saudosamente lembrada.

Ainda no Rio das Mortes houve outro grupo de pastorinhas, paralisado pelas inúmeras dificuldades, saindo à rua nos anos 1997 e 1998. A organizadora, sra. Helena Rios, informou-me que diferenciava-se substancialmente do grupo supradescrito, do qual apenas se assemelhava na composição das Pastoras segurando bastões. Totalizava 32 a 36 componentes, tendo como personagens: Pastoras, Anjo, Estrela, Samaritana, São José, Nossa Senhora (com a imagem do Menino Jesus), três Reis Magos, três Ciganas e Bastião (o mesmo Palhaço das folias de Reis, influência desta manifestação encontrável nesta região).

A música foi aproveitada de um disco de vinil (LP – long playing) de folia de Reis. Curioso caso de uso folclórico de uma música já parafolclórica. Os músicos tocavam sanfona, pandeiro e caixa.

Diz que a maior parte de seu grupo criou da própria imaginação, depois de abandonar o espiritismo e tornar-se católica, quando então resolveu dedicar-se às crianças, que considera muito desamparadas.

Ambos os grupos de pastorinhas paralisaram suas atividade ante tantas mudanças sociais, mas também frente às dificuldade materiais para mantê-los ativos, que de tanto se repetirem, com absoluta falta de apoio, acabaram por desanimar as organizadoras.


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CRIANÇAS cantam em louvor a Jesus. Estado de Minas, Belo Horizonte, 02/01/2000. Caderno Gerais.





1 - In: Revista da Comissão Mineira de Folclore, Belo Horizonte, n. 22, ag. / 2001.

2 - Há citações da existência no passado de grupos de pastorinhas nos seguintes lugares: - São Paulo: Cunha, São Luis do Paraitinga; - Rio de Janeiro: Monte Alegre (Santo Antônio de Pádua), Miracema, Duas Barras, Itacuruçá (Magaratiba), Angra dos Reis, São João da Barra, Campos, Rio de Janeiro (Realengo, Méier, Coelho Neto, Morro do Catrambi [Tijuca], Morro de São Carlos [Estácio]); - Espírito Santo: Vitória, Serra, Santo Antônio de Muqui (Mimoso do Sul), Fundão, Conceição da Barra; - Minas Gerais: Monte Santo, Itamogi, São Sebastião do Paraíso, Fortaleza de Minas, Pratápolis, Passos, Guaxupé, Santa Cruz da Cachoeira (Viçosa), Nova Lima, Vespasiano, Montes Claros, Antônio Dias, Santa Luzia, Elói Mendes, São Romão, Manga, Novo Cruzeiro, Belo Horizonte, Justinópolis, Ouro Preto, Congonhas, Jequitibá, Santana do Pirapama, Sete Lagoas, Tiradentes, Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, São Tiago. A grande maioria destes grupos está desativada e decerto que houveram outros além desta listagem. Não há levantamento da sua situação atual, que é contudo sabidamente precária, estando em franca decadência, afetado pelas violentas mudanças sociais do presente. Minas é ainda seu maior reduto. Informações orais dão conta de apenas quatro grupos ativos nos outros estados do Sudeste, a saber, o de São Luís do Paraitinga / SP, o de Monte Alegre (Santo Antônio de Pádua / RJ), o de Fundão / ES e o de Conceição da Barra / ES. Ednéa Pascoal lamentou: “em pouco tempo deles só restará a lembrança”.

3 - A saber, existe uma classificação pela faixa etária dos participantes: pastoril-mirim (só de crianças até a pré-adolescência), pastoril-juvenil (de adolescentes e jovens), pastoril-da-saudade ou de-idosos (adultos, sobretudo da terceira idade). Outra classificação identifica os pastoris pela secularização:pastoril-religioso e pastoril-profano, este com as formas pastoril-de-passagem, pastoril-de-estudantes (ou masculino) e pastoril-de-ponta-de-rua, que atinge claramente a obscenidade.

4 - Ainda hoje nossos “presépios figurativos” contém fartas cenas camponesas e mesmo urbanas, havendo também os “presépios temáticos”, que se especializam em representar a natividade sob uma ótica específica. Desde os pequenos e familiares até os grandes e públicos, o presépio é uma face muito genuína do natal brasileiro. Uns são muito humildes e outros alcançam elevado lavor artístico. Merecem destaque os presépios com peças movimentadas, sempre muito criativos, com suas engenhocas de baixo custo para mexer, pernas, braços, cabeças, bichos, etc. A exemplo o mais famoso de todos é o Presépio do Pipiripau, em Belo Horizonte, dentre outros. Por aqui em São João del-Rei até cerca de 1960 foi célebre o presépio do sr. João Ximbica, na Rua Frei Cândido, Bairro das Fábricas. Dos móveis restam o do rtista sacro Osni Paiva, no bairro Pio XII e o querido Presépio da Muxinga. Por outro lado há os presépios vivos, espécie de folia de Reis com figuras humanas representando a Sagrada Família, pastores, anjos, magos, num teatro religioso típico e verdadeiramente antigo. Existe pelo menos em Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.

5 - Fato ainda verificável em Minas Gerais e Espírito Santo. Em São João del-Rei / MG, além de residências e capelas, também se apresentam em outros locais onde hajam monumentos religiosos, tais como nichos, cruzeiros e grutas.

6 - O arco enfeitado de flores é elemento festivo português, com exemplos em outrasm anifestações folclóricas brasileiras: dança-de-São Gonçalo (norte mineiro), pastorinhas (Conceição da Barra / ES), sairé (Amazonas, Pará, Amapá), dança-do-cupido, também chamada arco-de-flores e jardineira (Florianópolis e Laguna / SC, Porto Alegre / RS), caboclinhos (Ceará-mirim / RN).

7 - Também conhecida por pastor, pastoria do Menino Jesus, companhia de Jesus e folia do Menino. Existe em Passos (2 grupos), Carmo do Rio Claro, Alpinópolis e Nova Resende. Migrantes a levaram para Caconde e Campinas, São Paulo. Naquela região mineira aconteceu ainda de um grupo de pastorinhas de Guaxupé ser formado sob o exato modelo da companhia de pastores mas só por mulheres o que mostra como se interrelacionam. Parece que ocorre o mesmo em Barra Doce. Aponto leigamente uma diferença musical entre as companhias e as pastorinhas: aquelas tem a resposta coral escalonada em cinco ou sete vozes e estas em uníssono.

8 - Fanal: s.m. (it. Famale, do gr. Phanos). Fogo que se acende de noite, nas costas marítimas ou à entrada dos portos. Lanterna grande a bordo dos navios. Por ext. Lanterna. Fig. Guia. Notar a poética deste hino e a

rima alternada da última quadra, pouco comum nas estrofes populares.



9 - Expressão laudatória latina, de fundamentação bíblica, que se traduz: “Glória a Deus nas altura e paz na Terra aos homens de boa vontade.”

10 - Rima emparelhada, incomum nos meios folclóricos. Notar no refrão a base nas escrituras sagradas.

11 - Versão de São João del-Rei, informada por meu avô materno, Aluísio dos Santos, em 1999, como peça natalina avulsa, do começo do século XX: “Oh noite! Oh ditosa noite! / O Natal do Salvador! / Já nasceu o Rei Monarca, / entre glórias e louvor!”. Disse-me que grupos de pessoas passavam pelas ruas cantando-a.

12 - Nas Águas Férreas, São João del-Rei, a folia de Reis e o grupo de pastorinhas incluem os personagens humanos representando os três Reis Magos do Oriente, também apenas neste dia. Existe em Minas Gerais um tipo de folia de Reis chamado folia de pastorinhos (no masculino), no qual estes personagens são fundamentais, bem como meninos vestidos de pastores. Também aparecem o Anjo Gabriel e o Fabristo – chefe dos pastores (Cajuru e Ribeirão de Santo Antônio – município de Resende Costa), Bastião ou Palhaço (S.J.del-Rei, Bairro Bonfim). Também uma folia dessas em Congonhas. Tem cantadores-tocadores com instrumentos como outras folias.

13 - Quintilhas são estrofes raríssimas nos cantos folclóricos, que no geral as usam com quatro ou seis versos. O último de cada uma está em sistema de “pé-quebrado” (menor número de sílabas poéticas).

14 - Só está ativo na cidade o grupo das Águas Férreas, Bairro Tijuco, organizado pelo casal Júlia Maria de Lacerda e Geraldo Elói de Lacerda, fundado em 1977 (paralisado em 1992; reativado em 2001). Estão desativados: grupo da Rua da Prata (hoje Rua Padre José Maria Xavier), da sra. Zezé Bolgnani (primeira metade do século XX) – modelo dos três seguintes: grupo da Rua das Flores (atual Rua Maestro Batista Lopes), Centro, organizado conjuntamente pelas sras. Glorinha (Maria da Glória Viegas da Silva) e Bebel (Anizabel Nunes Rodrigues de Lucas) da década de 1970; grupo da Rua Santo Antônio, Centro, da sra. Bebel, da década seguinte; grupo da sra. Glorinha, no Conjunto IAPI, Bairro das Fábricas, de 1987 a 1992.

15 - ... recuperou felizmente o nome setecentista desta vila: Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, que fora encurtado em 1938.




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