Acg 416 rm (Vocazione e Formazione) portoghese



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1. CARTA DO REITOR-MOR

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VOCAÇÃO E FORMAÇÃO: dom e tarefa

Jesus chamou pessoalmente seus apóstolos para que ficassem com Ele e para enviá-los a proclamar o Evangelho... Ele chama para vivermos na Igreja o projeto de nosso Fundador como apóstolos dos jovens. Respondemos a esse apelo com o empenho de uma formação adequada e contínua, para a qual o Senhor dá cada dia a sua graça”. (Const. 96)



1. A CONSISTÊNCIA E A FIDELIDADE VOCACIONAL, DESAFIOS PARA A VOCAÇÃO. – 1.1. As motivações. – 1.2. Oportunidades e desafios antropológicos. Autenticidade – Liberdade – Experiência. – Relações humanas e afetividade. – Pós-modernidade. – Multiculturalidade – Renúncia. – Fidelidade. 2. VOCAÇÃO E FORMAÇÃO, DOM E MISSÃO. 2.1. Vocação: a graça como origem. – A vida como vocação. A vida, Palavra de Deus. – A vida, resposta devida a Deus. –Vocação, tarefa de uma vida. A vocação, missão dialogada. – A missão, casa e causa da formação. 2.2. Formação: a graça como tarefa. – Identidade carismática e identificação vocacional. Objetivos da formação. 1º. Enviados aos jovens: conformar-se com Cristo Bom Pastor. – 2º. Feitos irmãos para uma única missão: fazer da vida comum lugar e objeto de formação. – 3º. Consagrados por Deus: testemunhar a radicalidade do evangelho. – 5º. No coração da Igreja: edificar a Igreja, sacramento de salvação. – 6º. Abertos à realidade: inculturar o carisma. – Metodologia formativa. 1º. Chegar à pessoa em profundidade. – 2º Animar uma experiência formativa unitária. – 3º. Garantir o ambiente formativo e a corresponsabilidade de todos. – 4º. Dar qualidade formativa à experiência cotidiana. – 5º. Qualificar o acompanhamento formativo. – 6º Dar atenção ao discernimento. 2.3. Formação: prioridade absoluta. Oração conclusiva.

Roma, 31 de março de 2013.



Páscoa da Ressurreição

Queridos irmãos,

há muito tempo, eu desejava compartilhar com vocês a minha reflexão sobre o tema da vocação e da formação. Hoje, finalmente, posso fazê-lo com esta carta, que pretende ilustrar a beleza e as exigências da nossa vocação e formação e, ao mesmo tempo, a situação atual de fragilidade psicológica, inconsistência vocacional e relativismo ético que se manifestam na Congregação em quase todos os lugares. A situação evidencia claramente a falta de apreço pelo significado da vocação e o papel insubstituível que a formação tem na apreciação da idoneidade dos candidatos, na consolidação das primeiras opções vocacionais e, sobretudo, na progressiva configuração a Cristo obediente, pobre e casto nas pegadas de Dom Bosco.

É, de fato, preocupante o elevado número de saídas tanto de professos temporários durante o período da profissão ou ao final dos votos, quanto de professos perpétuos, ou ainda de sacerdotes que pedem a secularização para se incardinarem nas dioceses ou apresentam o pedido de dispensa do celibato sacerdotal e do ministério presbiteral ou – ai de mim – são demitidos.

É verdade que a Congregação como tal, e o Conselheiro para a formação em especial, fez um grande esforço para garantir a consistência das equipes formadoras, a qualidade da proposta e dos itinerários formativos, a qualificação e a identidade dos currículos de estudo, a salesianidade, a metodologia da personalização, a formação dos formadores, a incipiente atenção à formação permanente. Todavia, o problema continua a chamar a atenção, pedir o aprofundamento da reflexão e exigir intervenções corajosas de animação e de governo em todos os níveis.

Estou convencido de que a formação inicial é tarefa irrenunciável da Congregação, responsável última da identidade salesiana e da unidade na diversidade dos contextos, e que especialmente as decisões formativas fundamentais cabem ao Reitor-Mor e ao seu Conselho. Estou também convencido de que as Inspetorias têm um papel importante na orientação e no apoio às comunidades formadoras e aos centros de estudo, sobretudo em vista da inculturação da formação; e isso comporta o seu decidido investimento de pessoal e recursos a serviço da qualidade formativa.

Entretanto, creio que é, sobretudo, a vida ordinária das comunidades apostólicas locais a jogar afinal um papel determinante. De fato, de pouco ou nada serve uma formação de qualidade nas comunidades formadoras, que ajudam o desenvolvimento dos jovens irmãos segundo o Projeto de vida de Dom Bosco, se, depois, se vive nas comunidades locais um estilo de vida que não corresponde ao mesmo projeto, ou o despreza, ou até mesmo o renega. É justamente a falta de uma autêntica “cultura salesiana” a dar guarida a atitudes e comportamentos não correspondentes a consagrados apóstolos salesianos. Tudo isso evidencia que a preocupação com a vocação e a formação envolve todos os irmãos individualmente, todas as comunidades locais, todas as Inspetorias, a Congregação em seu conjunto. Além da formação inicial, é também preciso um sério esforço pela formação permanente, que permita a mudança da cultura de uma Inspetoria.

Não é a primeira vez que levo à atenção de vocês para este delicado tema da formação inicial e do estilo de vida, da mentalidade, das atitudes e comportamentos de uma Inspetoria. Já o tinha apresentado brevemente no relatório ao CG26, e não me parece que a situação tenha se alterado.



1. A CONSISTÊNCIA E A FIDELIDADE VOCACIONAIS, DESAFIOS DA FORMAÇÃO

A consistência vocacional foi um dos temas que mais atraiu a nossa atenção desde o início do meu reitorado. Sobre o tema, o Conselho Geral fez uma reflexão que se expressou com uma orientação do Conselheiro para a formação.1 O tema foi depois retomado pela União dos Superiores Gerais (USG), que lhe dedicou duas Assembleias Semestrais.2 Isso indica que o problema envolve todas as Ordens, as Congregações e os Institutos, tanto de vida apostólica como contemplativa. O estudo feito examinou uma multiplicidade de causas que estão à base da fragilidade psicológica, da inconsistência vocacional e do relativismo moral.



Para maior conhecimento de todos, acredito ser útil apresentar aqui a situação das entradas e saídas na Congregação, durante a formação tanto inicial como permanente, no último decênio:

Formação inicial

Ano

Novi-ços3

Noviços

saídos

Neoprofessos


Temporários saídos

Neoprofessos perpétuos

Neoperpétuos clérigos

Neoperpétuos coadjutores

Neo-

sacerdotes

2002

607

137




231

249

217

32

262

2003

580

111

470

225

254

221

33

218

2004

594

118

469

211

281

242 +1P

38

203

2005

621

151

476

237

249

219 +2P

28

230

2006

561

137

470

227

260

221 + 2P

37

192

2007

527

110

424

200

219

205

14

175

2008

557

121

417

216

220

200

20

222

2009

526

109

436

225

265

246

19

195

2010

532

125

417

222

177

161 +1P

15

203

2011

414

40

407

185

231

210 + 1P

20

206

2012

480

-

374

174

262

237

25

189

Formação permanente

Ano

Perpétuos clérigos saídos

Perpétuos coadjutores saídos

Dispensa celibato diáconos

Dispensa celibato padres4

Exclaus-tração

Seculariz. previo experimento

Seculariz.

simpliciter

Demissão

2002

8

12

3

15

18

7

11

24

2003

10

14

4

11

10

3

10

25

2004

14

15

3

20

14

9

12

26

2005

11

15

1

15

10

9

10

26

2006

13

10

3

27

11

11

11

26

2007

15

11

3

18

9

12

18

24

2008

8

6

5

18

5

12

14

24

2009

12

13

2

9

6

14

10

36

2010

9

9

1

11

0

29

8

38

2011

10

12

3

11

3

17

11

30

2012

8

11

1

33

4

23

15

29

Noviços segundo as Regiões

Ano

América

Cone Sul

América

Interamérica

Europa

Oeste

Itália

Oriente Médio

Europa

Norte

África

Madagascar

Ásia Leste

Oceania

Ásia

Sul

2002

76

110

11

43

71

55

80

135

2003

69

111

6

27

59

84

79

144

2004

86

98

12

25

51

92

84

145

2005

97

92

14

18

71

95

74

160

2006

76

88

3

22

47

92

75

158

2007

76

97

6

22

51

94

73

108

2008

58

105

4

18

48

100

89

135

2009

64

91

8

24

40

89

64

146

2010

40

73

1

18

55

114

93

138

2011

46

46

7

15

29

94

60

117

2012

43

63

3

21

38

107

69

136

TOT

731

974

75

253

560

1016

840

1522

A preocupação com as vocações e a formação sempre tiveram de enfrentar desafios antropológicos, sociais e culturais. Isso significa simplesmente que hoje devemos lidar com um tipo de desafios que exigem soluções novas, justamente porque nos encontramos diante de um jovem culturalmente novo, caracterizado pela dificuldade de optar e de considerar determinada opção como definitiva, pela falta de coragem para perseverar e viver a fidelidade, pela incompreensão da necessidade de ascese e de renúncias, pela fuga do sofrimento e da luta. O jovem sente a necessidade da afirmação de si no plano profissional e econômico; deseja independência e proteção ao mesmo tempo; acha difícil valorizar o celibato e a castidade, deformados pelo panorama difundido pelos meios de comunicação social; e – last but not least – vive o analfabetismo da fé e uma experiência pobre de vida cristã.5 Ao lado destes aspectos de fragilidade, os jovens apresentam certamente recursos e capacidades positivas: a busca de relações interpessoais significativas, a atenção à afetividade, a disponibilidade e a generosidade no trabalho gratuito e no voluntariado, a sinceridade e a busca de autenticidade.

A formação para a fidelidade a Deus, à Igreja, ao próprio Instituto, aos destinatários começa no momento da seleção dos candidatos. É preciso mirar muito mais sobre personalidades proativas, com espírito de iniciativa e de empreendedorismo, capazes de fazer opções livres e de organizar a vida ao redor delas, sem constrições externas ou internas. Acrescenta-se a isso a necessidade do discernimento que tenha um duplo ponto de referência: de um lado, a criteriologia sobre a idoneidade, compartilhada pela equipe dos formadores e, de outro, a presença clara no candidato das qualidades que favoreçam a identificação com o projeto de vida evangélico. Isso requer organizar sempre mais a formação sobre a personalização, entendida como aprofundamento das motivações, aceitação pessoal de valores e atitudes concordes com a vocação consagrada salesiana, acompanhamento qualificado da parte dos formadores.

Temos na Ratio e em Critérios e normas dois documentos muito preciosos, fruto da experiência e da práxis formativa da Congregação, das contribuições das ciências humanas, do confronto com as “Ratio” de outras Ordens, Congregações e Institutos religiosos, mas que, infelizmente, nem sempre são bem conhecidos e aplicados por todas as equipes formadoras. Pode-se errar em outros campos, mas não no campo da formação, porque isso significa arruinar gerações de Salesianos, pôr em xeque a missão e comprometer a própria instituição. Não nos podemos esquecer de que a identidade, a unidade e a vitalidade da Congregação dependem em grande parte da qualidade da formação e do governo nos diversos níveis: local, inspetorial e congregacional.

Vale ressaltar novamente e explicitar mais que a formação é tarefa da Congregação, que confia às Inspetorias o dever de realizá-la, garantindo as condições de pessoal, estruturas, recursos que a tornam possível. Não se justifica, então, o desejo de uma Inspetoria querer todas as etapas formativas em seu interior; em vez disso, reflita-se sobre a responsabilidade de formar o salesiano exigido hoje pela Congregação, pela Igreja e pelos jovens. Existem ainda resistências a experiências interinspetoriais de comunidades formadoras; mesmo não podendo garantir uma boa formação por falta de formandos ou formadores, algumas Inspetorias continuam a querer caminhar sozinhas. Insisto que a formação é questão de competência congregacional e não só de responsabilidade inspetorial; as pessoas são o dom mais precioso da Congregação, que confia a realização concreta da formação inicial a Inspetorias, grupos de Inspetorias ou Regiões. Surge então a urgência inevitável de cuidar bem das comunidades de formação inicial, de qualificar os centros de estudo, de preparar formadores e não só professores, mas também de garantir a vitalidade de todas as comunidades na Inspetoria, a qualidade da fé, a radicalidade da sequela Christi de cada irmão.




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