A vida É Sonho



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Origem Temática


As concepções de La Vida es sueño são bastante antigas, existem referências no penamento hindu, na mística persa, e na oral budista, assim como tradição judaico-cristã e na filosofia grega. Segundo Platão, o homem vive em um mundo de sonhos, de escuridão, cativo em uma cova da qual só poderá se libertar tendendo para o bem. Unicamente deste modo, o homem deixará a matéria e chegará até a luz.

A influência desta concepção neste título é evidente, a personagem Segismundo vive no princípio dentro de um cárcere, numa caverna, na qual permanece na mais completa escuridão pelo desconhecimento de si mesmo, e somente quando é capaz de ter conhecimento de quem realmente é, alcança o triunfo da luz.


História


A peça La vida es sueño estreou em 1635, no ano seguinte foi publicada na Primera parte de las comedias de don Pedro Calderón de la Barca..

Estrutura


Coincide nesta obra uma divisão enquanto estrutura interna e externa, posto que a passagem dos atos se dá ao mesmo tempo que a passagem das ações, criando uma sincronia. A primeira jornada, que possui oito cenas, se desenvolve como um contextualizador, isto é: apresentando os personagens e a localização espaço-temporal da narrativa. Na segunda jornada que tem dezenove cenas, surge o conflito, nó do problema e enredo; por conseguinte, na terceira ornada em quatorze cenas tem lugar o desenlace e a resolução.

Gênero


A peça tem um tom dramático, mas que não chega a constituir uma tragédia. Pertence ao genero teatral barroco, concretamente, e ao teatro popular. Após a morte de Lope de Vega Calderón continuou com a evolução do teatro que o outro deixara

Adicionais:
Com essa peça, Pedro Calderón de La Barca (1600-1681) entronizou definitivamente o Barroco no teatro espanhol, O teatro, aliás, foi a maior expressão do Barroco, pois nele se potencializa a idéia de que se vive um sonho que vai desfazer-se no final.
Ou, talvez, a ilusão perdure, e a dúvida não se desfaça: Eu sou eu assistindo ao teatro, ou estou no palco pensando que o teatro é a vida? A peça está fortemente carregada pelo sentido dramático do homem seiscentista, que descobre não ser o centro do universo, e que toma consciência de que tudo é efêmero e vão, o tempo é fugaz, as coisas mutáveis, nada perdura – e, ao mesmo tempo, ele se sente profundamente apegado às riquezas do mundo e aos prazeres da vida.
O protagonista da história é o príncipe Segismundo, que, desde o nascimento foi condenado a um terrível destino: encerrado pelo rei seu pai numa torre, ali viveu até a juventude, conhecendo apenas um ser humano, o seu carcereiro.
A essas alturas da história, o rei (Basílio) percebe que talvez tenha cometido um erro com tal atitude e resolve tirar o filho da prisão e testá-lo, para ver se ele merece ser seu herdeiro. Tem medo, porém, de que o desventurado príncipe demonstre má índole e incapacidade de governar – caso em que terá que retornar à prisão, e esta lhe seria mais dolorosa do que jamais fora, depois de ter vivido na suntuosidade e conforto do palácio real.
Para que seu filho não sofra essa desilusão, Basílio resolve usar um estratagema: o carcereiro deverá ministrar a Segismundo uma droga muito forte que o fará dormir profundamente e, depois, acordar como um príncipe em um luxuoso quarto no palácio de seu pai. Seria um sonho? É espantoso o que admiro... / é tanto que já não creio... / Eu, em telas e brocados, / eu, cercado de criados, / um leito de sedas, / gente pronta a me vestir... / Não sonho? Ou sim? / Que houve enquanto eu dormia? E aqui vem a idéia de poder e dissimulação do teatro (e da vida?): Não quero o poder fingido, não quero pompas fantásticas, ilusões inúteis. Já vos conheço, e sei que é o que acontece quando sonham.
Mas para mim acabaram as ilusões; estou acordado, sei muito bem que a vida é sonho.

Segismundo, depois de ter experimentado as honrarias e pompas no palácio de seu pai, é levado novamente a dormir sob o efeito de uma poção, e acorda outra vez na masmorra em que passara toda a sua vida.


Esse retorno à desgraçada condição de encarcerado se deve ao fato de ter cometido ações altamente condenáveis ao experimentar o poder, na posição de príncipe herdeiro do trono.
Diante da infelicidade do príncipe, o carcereiro, Clotaldo, o convence de que o palácio, as belas roupas, os cortesãos, as honrarias, enfim, tudo não passou de um sonho. Acrescenta ainda que, mesmo em sonhos, ele deveria ter honrado seu pai e praticado boas ações.
De acordo com a moral barroca, Calderón de La Barca mostra que, sonho ou realidade, a vida é efêmera (passa muito rapidamente), por isso o ser humano deve se voltar para o eterno, e que nada se perde em praticar o bem. Segismundo: É certo; então reprimamos / esta fera condição / esta fúria, esta ambição, / pois pode ser que sonhemos; / e o faremos, pois estamos / em um mundo tão singular / que o viver só é sonhar / e a vida ao fim nos imponha / que o homem que vive, sonha / o que é, até despertar.
Tradução de Renata Pallotini e a publicação da Editora Scritta, Rio de Janeiro, 1992.





Alguns vídeos interessantes sobre a Peça:



  • http://www.euniverso.com.br/Cult/Avidaesonho_v.htm

  • http://www.euniverso.com.br/Cult/Avidaesonho_v.htm

  • http://www.youtube.com/watch?v=jtUWU0UplKk

  • http://anthroposcompanhiadearte.vilabol.uol.com.br/teatro/espetaculos/vidaesonho/vidaesonho.html

  • http://www.youtube.com/watch?v=wT-DpIUcyzo&feature=youtube_gdata_player

  • http://www.youtube.com/watch?v=Sh7PLHl0eW8&feature=youtube_gdata_player



ÉPOCAS DO TEATRO ( Barroco/Renascentista)

1. O teatro como fenômeno sociológico
O apogeu do teatro no século XVII aconteceu principalmente devido a uma grande mudança social: o crescimento das cidades propiciou um novo conceito de cultura. O teatro passou a cumprir uma dupla função: a tradicional, de proporcionar diversão; e a nova, de oferecer um local de encontro e reunião. Durante o Renascimento, o teatro ia até o público – as companhias ambulantes montavam seus espetáculos onde quer que houvesse uma concentração de pessoas (feiras, mercados, romarias). No Barroco, o público passa a ir até o teatro.

Foram construídos os primeiros edifícios para funções teatrais. A arrecadação já não dependia da boa vontade do público: era necessário pagar uma pequena quantia como ingresso.


2. Princípios do teatro barroco espanhol
Em 1609, Lope de Vega publica sua obra Arte Nuevo de Hacer Comedias, em que aponta alguns elementos básicos da produção teatral de sua época:



  • Divisão da obra em três atos (primeira , apresentação da trama; segundo, desenvolvimento; e terceiro, desenlace).

  • Ruptura da unidade de ação (várias linhas de enredo correm paralelas).

  • Mistura do trágico com o cômico (em geral, o elemento cômico ficava a cargo da criadagem).

  • Ruptura das unidades clássicas de tempo e lugar.

  • Compostas em verso, as peças apresentavam diferentes métricas e estrofes, de acordo com as situações.


3. Calderón de la Barca (1600-1681)
Pedro Calderón de la Barca foi ordenado sacerdote em 1631. Graças a seus sucessos no teatro, chegou a capelão de honra dos reis e suas obras (cerca de 200) estreavam no palácio com grande luxo. Calderón imprimiu ao teatro, dominado pela genialidade e pelo espírito jocoso de Lope de Vega, um tom mais reflexivo e filosófico. Escreveu apenas para o teatro e sua produção divide-se em dois grandes grupos:



  • Comédias: O Alcaide de Zalamea, O Médico de sua Honra, A Vida é Sonho e A Filha do Ar.

  • Autos sacros: O Grande Teatro do Mundo, Os Encantos da Culpa, A Ceia do Rei Baltazar, A Divina Filotéia e A Fidalga do Vale.

4. Calderón x Religião

Poeta e dramaturgo espanhol (17/1/1600-25/5/1681). Pedro Calderón de la Barca é um dos principais nomes do teatro na Espanha. Nasce em Madri e, aos 14 anos, começa a estudar filosofia, direito, arte e teologia nas universidades de Alcalá e Salamanca.


Em 1620 abandona os estudos e os planos de seguir carreira eclesiástica. Três anos depois se torna líder do grupo de poetas patrocinado pelo rei Felipe IV. Em 1635, com a morte do dramaturgo Lope de Vega, passa a ser considerado "o mestre dos palcos espanhóis".
Nesse ano escreve os dramas A Vida É Sonho e O Médico de sua Honra, as obras mais famosas. Suas peças são responsáveis pela ascensão da ópera na Espanha, ao introduzir dança, música e artes visuais nos enredos. Os temas mais constantes são a vida e as convenções da época, a mitologia clássica e a história antiga.
Em 1636 entra para as Forças Armadas e recebe o título de Cavaleiro da Ordem Militar. Participa da Rebelião Catalã, entre 1640 e 1642, e então deixa o Exército. Decide abraçar a vida religiosa em 1651, sendo nomeado capelão honorário do rei, mas não pára de escrever. Em sua obra constam também autos religiosos e comédia


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