a um tempo dominante e dependente, a burguesia cafeeira impôs no país, durante os três primeiros decênios do século, sua hegemonia social e política



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H22

M

A

27/10/06


Texto:
“A sociedade brasileira, na Primeira República, tem sido definida simplificadamente como um organismo social em que predominam os interesses do setor agrário-exportador, voltado para a produção de café, representado pela burguesia paulista e parte da burguesia mineira. Este setor, dependente de uma mercadoria sujeita às oscilações do preço no mercado internacional, tinha seu destino diretamente vinculado ao jogo de forças dos grandes centros consumidores que lhe era impossível controlar.

“(...) A política de valorização assegurou a alta rentabilidade do setor cafeeiro, durante o período de 1906-1930, tendo-se em conta que ascendeu o preço externo do café, enquanto a desvalorização cambial retomou, como tendência, seu curso. Nestas condições, os dois fatores de manutenção do nível de renda deram-se as mãos, embora acumulando problemas para o futuro.

“(...) A um tempo dominante e dependente, a burguesia cafeeira impôs no país, durante os três primeiros decênios do século, sua hegemonia social e política. Não se formou no interior da classe dominante, até os fins da década de 20, nenhum grupo que apresentasse uma opção viável, em oposição aos seus interesses. Todos os presidentes da República, não só paulistas e mineiros, como os que não foram apoiados por São Paulo (Hermes da Fonseca, por exemplo), nunca pretenderam alterar a característica básica da vida republicana, atendendo, com primazia, ao setor do café.

“(...) A apropriação do considerável excedente econômico gerado pelo café possibilitou a formação de um grupo social poderoso, com suficiente força para consagrar o princípio da ampla autonomia estadual (a Constituição de 1891, por exemplo, facultava aos estados contrair empréstimos externos) e alcançar, ao mesmo tempo, o controle da União.

“(...) Dentro deste contexto não se formaram partidos representativos de correntes nacionais de opinião. As raras experiências de agrupamentos formalmente nacionais (...) são transitórias e se vincularam, na realidade, a disputas de facções, sem qualquer expressão programática. A vida política estava abafada entre as paredes dos partidos republicanos estaduais, e estas organizações, onde ganhavam destaque as figuras dos presidentes de Estado e da República, é que eram as principais responsáveis pelos arranjos de que saíam os candidatos aos postos eletivos.

“(...) A democracia política tinha um conteúdo apenas formal: a soberania popular significava a ratificação das decisões palacianas, em que a possibilidade de representação de correntes democratizantes era anulada pelo voto descoberto, a falsificação eleitoral, o voto por distrito...

“(...) Em síntese, a organização social da Primeira República é marcada pela predominância do setor agrário-exportador, pela inexistência de uma luta nítida de facções no interior da burguesia entre o setor agrário e o industrial; pela fraca integração nacional, com predominância do eixo São Paulo-Minas, e pelo caráter secundário das oposições de classe, pois mesmo os grandes conflitos operários, como a greve geral de 1917, não chegaram a abalar os fundamentos do poder.”

(Boris Fausto, “A Revolução de 1930” In: Carlos G. Mota /org./ Brasil em Perspectiva)


QUESTÕES DA PROVA:


  1. A Primeira República costuma ser dividida em República da Espada (1889-1894) e República do Café (1894-1930). Justifique esta periodização.




  1. O texto indica o ano de 1906 como marco inicial da alta rentabilidade do setor cafeeiro. Explique.




  1. Caracterize a Constituição referida no texto em relação a forma e ao regime de governo, organização do Estado e sistema eleitoral.




  1. Identifique e caracterize dois movimentos urbanos na República do Café.




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