A turma da Rua Quinze



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Marçal Aquino

A TURMA

DA RUA QUINZE

5.a edição


Série Vaga-Lume



editora ática

TEXTO

Editor

Fernando Paixão



Assessora editorial

Carmen Lúcia Campos



Preparação dos originais

Denise Azevedo de Faria



Suplemento de trabalho

Maria Aparecida Spirandelli



ARTE

Editor

Marcus de Sant'Anna



Diagramação

Fernando Monteiro



Capa

Jayme Leão



Ilustrações

Marcus de Sant'Anna

Wanduir Durant

Arte-final

Fukuko Saito

Antonio U. Domiencio

Ayrton Quaresma



Coordenação de composição

Neide Hiromi Toyota

EM BLOCH EDITORES SA — TEL: (021) 391-6000

ISBN 85 08 03371 0

1995

Todos os direitos reservados



Editora Ática S.A.

Rua Barão de Iguape, 110 • CEP 01507-900

Tel.: PABX (011) 278-9322 • Caixa Postal 8656

End. Telegráfico “Bomlivro” • Fax: (011) 277-4146

São Paulo (SP)
AMIGOS DE

VERDADE E MUITA

CONFUSÃO
De repente, Marcão desaparece e a turma da Rua Quinze fica em polvorosa. Onde o amigo pode ter ido parar? Por conta própria, o grupo resolve investigar um suspeito casarão que fica no fim da rua e é aí que a aventura começa... Quem é aquele homem misterioso com uma cicatriz no rosto?

Por enquanto fique sabendo que esse des­conhecido e uma nota de cinco dólares são as únicas pistas de que os garotos dispõem para esclarecer o sumiço do amigo. Mas não é o único problema que eles vão enfrentar nesta história repleta de mistérios, ação e surpresas.

Por isso, tenha certeza de que — ao começar a leitura — você também vai querer fazer parte da turma. Use a imaginação e se deixe levar por esta aventura emocionante!

Conhecendo Marçal Aquino



A turma da Rua Quinze é o primeiro romance de Marçal Aquino para jovens. O autor considerou um desafio escrevê-lo, mas deu certo: o sucesso é comprovado pelas edições sucessivas do livro. O escritor nasceu em Amparo, no interior paulista, em 1958. Começou a escrever aos dezesseis anos, no jornal de sua cidade. Não parou mais: embora tenha trabalhado em diversas atividades, fixou-se no jornalismo, sem nunca abandonar a literatura. Já ganhou vários prêmios literários e hoje é considerado um dos autores de destaque da nova geração.

Sumário


Um desaparecimento

Um achado no parque

Uma. figura muito estranha

Serginho encontra Abraham Lincoln

Marcão aparece na televisão

Encontro com as meninas

Uma entrega misteriosa

À visita dos policiais

Assuntos muito importantes
Invadindo o casarão

Companhia para a turma



Um companheiro esperto

Conversa no parque

Uma garota chamada Beatriz

Preparando a investigação no clube

Bia provoca ciúmes

O plano de Tigre

Medo e roupas sujas

Um casal distraído

Perigo no casarão

Tarde demais para assobios

Um outro bilhete

Uma baixa na turma

Visita ao velho Alípio



A turma é seguida

Vigilância no parque

Por essa Renato não esperava

Surpresas no parque

O sumiço de Tigre e Bia

Duas traições

Jogando com raça

Doloridas lembranças do jogo.


Desencontro

Visitas na sorveteria

Lanternas na casa escura

A descoberta da turma

No mesmo barco

Em busca de socorro

A quadrilha reunida

Serginho versus Cicatriz
Sorrisos estranhos

Mais um no quarto/cela

Conversa com Dino

A ordem do chefão

O chefão mostra seu rosto

O dólar de Marcão

Uma surpresa no clube



A TURMA

DA RUA QUINZE
UM DESAPARECIMENTO

No dia 20 de julho de 1969, um domingo, os astro­nautas norte-americanos Edwin Aldrin, Michael Collins e Neil Armstrong, a bordo da nave Apolo 11, realizaram aquela que é considerada a maior façanha do homem no século 20: chega­ram à Lua. E essa data acabou sendo marcante para a turma da rua Quinze. Não por causa do fato em si, mas porque foi nesse dia que o Marcão desapareceu.

No dia seguinte, Pedro e Tigre conversavam sentados' na rua quando André apareceu com a novidade. E rapidamente o sumiço do companheiro substituiu na conversa a imagem de Armstrong e Aldrin andando pela Lua, como a televisão tinha mostrado, e instalando ali a bandeira dos Estados Unidos.

  • O Serginho me disse que o Marcão não aparece em casa desde ontem na hora do almoço — explicou André. — E hoje cedo os pais dele resolveram procurar a polícia.

  • Puxa, a polícia? — assustou-se Tigre. — Então a coisa é séria mesmo!

  • Nem o Serginho, que é irmão dele, sabe direito o que aconteceu. O Marcão não é de comentar com ninguém o que está fazendo — lembrou André, preocupado.

  • É verdade — concordou Pedro. — Nos últimos tem­pos ele só acompanha a gente quando tem jogo contra a Vila Nova.

  • Vamos dar um pulo na casa dele? Quem sabe eles têm alguma novidade — propôs Tigre, enquanto se levantava.

A casa do Marcão ficava numa travessa da rua Quin­ze. Era uma construção velha, como a maioria das casas da rua estreita, calçada com pedras que, em breve, seriam substituídas por asfalto, o que estava acontecendo em todas as ruas do bair­ro. Serginho estava sentado na escada que dava para a rua. Per­to dele estava Napoleão, um vira-lata preto e branco que um dia apareceu na rua e acabou adotado pelos meninos. Os dois pare­ciam tristes.

  • E aí, Serginho, alguma novidade? — adiantou-se André.

  • Nada até agora. Meu pai nem foi trabalhar hoje por causa disso. Ele e a mãe estiveram na delegacia e agora foram dar uma olhada nos hospitais.

  • Mas o que pode ter acontecido com o Marcão? perguntou Tigre.

  • Ninguém sabe. Ele saiu daqui ontem, depois do al­moço. E só levou a roupa do corpo.

  • E onde é que ele ia? — quis saber Pedro, que tam­bém havia se sentado na escada.

  • Ele não disse. Ele sempre foi assim, não comenta aonde vai nem o que vai fazer.

  • Acho que a gente devia dar uma procurada aqui no bairro. Quem sabe aparece alguma pista — propôs Pedro, olhan­do para Tigre e André.

  • Mas onde? — quis saber Tigre curioso.

  • Sei lá, vamos dar uma andada por aí. É melhor do que ficar parado aqui.

  • Eu tenho uma idéia melhor — falou André, lem­brando de um filme policial. — Serginho, você pode pegar algu­ma roupa do Marcão?

  • Posso, mas pra que você quer?

  • Pegue e você já vai ver — disse André, sério, en­quanto todos olhavam para ele com curiosidade.

Serginho trouxe uma camisa do Marcão e a entregou a André, que continuava com ar de mistério. Ele pegou a cami­sa, abaixou-se e fez com que Napoleão a cheirasse. Aí todos com­preenderam o que ele estava pretendendo.

UM ACHADO NO PARQUE

Napoleão era um companheiro fiel da turma e par­ticipava até mesmo das reuniões no clube, um cômodo nos fun­dos da casa de Tigre, onde as aventuras eram tramadas. Fora batizado por Tigre, que se lembrou de uma aula de História on­de as conquistas de Napoleão foram descritas com paixão pela professora. Mas, com certeza, o imperador francês não ficaria nem um pouco lisonjeado com a homenagem. É mais provável que ele ficasse irritado, principalmente ao saber que as pulgas eram um mal crônico do cachorro, e que não havia banho que as dizimasse.

Napoleão saiu da casa de Serginho seguido pela tur­ma e desceu a rua Quinze em direção ao parque que existia na esquina. Vez por outra ele parava repentinamente e todos fica­vam atentos. Mas ele estava apenas escolhendo um poste para urinar.

  • Você acha que isso vai dar certo, André? — per­guntou Tigre desconfiado.

  • Pelo menos o Napoleão está levando a gente para algum lugar, e pode ser uma pista.

  • Pois eu estou achando que ele só está passeando — comentou Pedro, que também desconfiava da idéia do amigo.

  • Calma, gente. Vamos ver primeiro onde ele está in­do — interrompeu Serginho.

Napoleão entrou no parque acompanhado de perto pe­los meninos. Caminhou pelas alamedas floridas e parou em frente ao lago que existia no centro do parque. Os garotos ficaram es­perando. Ali, o cão começou a cavar: primeiro devagar, e de­pois com rapidez, ao mesmo tempo que passava a ganir.

  • Meu Deus — disse Pedro assustado —, o que ele está querendo nos mostrar?

  • Deve ter alguma coisa enterrada aí. Vamos ajudar a cavar — sugeriu Tigre, abaixando-se.

Enquanto Serginho segurava Napoleão, que bastante agitado latia, os três meninos se agacharam e começaram a ca­var no local apontado pelo cachorro. Usavam as mãos nessa ta­refa, pois a terra fofa indicava que havia sido remexida recen­temente.

Calma, Napoleão, já vamos encontrar o que você está querendo mostrar — falou Tigre.



Mas o cão continuava a debater-se nas mãos de Sergi­nho. O buraco ia se aprofundando e os três meninos cavavam com mais rapidez. De repente, Tigre gritou:

Achei, gente. Olhem o que o Napoleão estava que­ rendo mostrar — e ergueu um osso enorme.



Napoleão escapou do controle de Serginho e tomou o osso da mão de Tigre, como se aquilo fosse uma sobremesa escondida para uma ocasião muito especial. Depois partiu em disparada em direção à rua Quinze. Ninguém conseguiu segurar as risadas.

UMA FIGURA MUITO ESTRANHA