A sociedade do Conhecimento e o Neocapitalismo



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Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação







A Sociedade do Conhecimento e o Neocapitalismo


Rogério da Costa 1

Resumo: Esse artigo trata da emergência da discussão sobre a formação de uma sociedade centrada na negociação de conhecimentos e sua íntima relação com o neocapitalismo. Aborda a maneira como uma certa produção de subjetividade se correlaciona com essa nova sociedade, e de como os processos de colaboração em rede são parte integrante dessa subjetivação e das estratégias do neoliberalismo atual.

Palavras-Chave: Sociedade do conhecimento Produção de subjetividade. Processos de colaboração

O ano era o de 1992. O local, o Colégio Internacional de Filosofia, em Paris. Num seminário conduzido pelo filósofo Toni Negri, o filósofo e sociólogo Pierre Lévy fazia uma apresentação de um software de gestão de conhecimentos e competências que o sociólogo e matemático Michel Authier e ele próprio haviam desenvolvido. O software tinha um nome bem curioso: As Árvores de Conhecimentos.

Em sua apresentação, Lévy procurava mostrar que vivíamos então um momento no qual os indivíduos deveriam ser vistos como portadores de riquezas, as principais sendo seus conhecimentos, saberes de vida e competências. Segundo ele, uma das grandes dificuldades dos empregadores em geral era a de não ter a percepção clara das riquezas de seus colaboradores e, devido a isso, não conseguir empregá-las de forma satisfatória. E do lado dos indivíduos, a dificuldade de percepção de suas próprias competências os prejudicava na forma como investir tais recursos, ou seja, seu capital humano e intelectual. O objetivo das Árvores de Conhecimentos seria, dentro dessa visão, o de mapear a inteligência coletiva de grupos e comunidades, com base nos conhecimentos e competências de seus membros. Constituía-se, então, como uma das primeiras propostas de mediação da gestão de conhecimentos por meio da promoção de redes sociais e por intermédio das tecnologias de informação e comunicação.

O público presente ao seminário era composto em sua maioria por intelectuais de esquerda, militantes italianos refugiados, psicanalistas e alguns estudantes de filosofia e sociologia. Ao ouvir um ilustre desconhecido falando sobre um programa de computação que mapeava os conhecimentos e competências de um coletivo qualquer, com a finalidade de incentivar e gerir sua suposta inteligência coletiva e, dessa forma, auxiliar na resolução de problemas tais como a exclusão social e o fracasso escolar, a reação do público foi imediata: rejeição quase unânime. Protestos dos mais variados, desde acusações fazendo do autor um incentivador do totalitarismo, um aliado da nascente sociedade de controle, um explorador das subjetividades através da mais sofisticada das tecnologias, e até mesmo a de um ingênuo por acreditar que tais problemas pudessem de fato ser resolvidos com a utilização de um software2. Dois aspectos incomodaram bastante os presentes. Primeiro, a possibilidade, por mais remota que parecesse, de uma máquina que pudesse classificar conhecimentos e competências, ou seja, aquilo que temos de mais íntimo, inapreensível e inclassificável. Na verdade, como supor que os conhecimentos de vida de alguém possam ser classificados, por exemplo, como nomes e números de telefones numa lista ou catálogo? Os conhecimentos de uma pessoa estão tão associados a sua própria singularidade, que é quase impossível aceitar que uma classificação qualquer não seja justamente a perda dessas características únicas. Segundo, e mais importante, supor que problemas como a exclusão social, por exemplo, pudessem ter uma solução real dentro de uma abordagem tão simplista quanto a da aplicação de uma tecnologia de comunicação. O que se criticava, então, era a desconsideração de toda a dimensão política e social que esses problemas comportavam.


A teoria do capital humano e o neoliberalismo
O que nos interessa nesse episódio das Árvores de Conhecimentos, e também por se tratar de uma invenção capitaneada por um teórico que ficou famoso por seus textos sobre inteligência coletiva e cibercultura, é que ele retrata de forma clara a atmosfera vivida no início dos anos 1990, marcada por um número crescente de textos, artigos e iniciativas informatizadas que propunham de forma entusiasmada estratégias e métodos para a gestão dos conhecimentos e competências dos indivíduos. Cabe lembrar que a associação dessas idéias com dispositivos computacionais derivava de dois aspectos principais. O primeiro, o papel essencial que os conhecimentos passam a ter na produção de valor econômico; o segundo, o fato das tecnologias computacionais desempenharem uma tarefa cada vez mais essencial na construção de bases de dados, o que abria um campo para o tratamento e manipulação de informações até então inédito. Vale lembrar que as primeiras bases de dados foram concebidas para gerir informações financeiras, de estoque, administrativas. A idéia de uma base de dados de conhecimentos só se torna possível dentro de um novo cenário, que foi justamente o da gestão dos conhecimentos.

No caso do exemplo citado, a correlação entre inteligência coletiva e o uso de uma tecnologia de comunicação e informação não chegava a ser novidade, se levarmos em conta que desde os anos de 1970 o cientista da computação, o americano Murray Turoff, já experimentava o uso de redes de computadores para o incremento das atividades de grupos de pesquisadores. Ele chamava a isso de inteligência ampliada do coletivo, ou simplesmente de inteligência coletiva. Mas o elemento novo que o projeto francês trazia era a ideia de uma cartografia dos conhecimentos dos indivíduos como elemento chave para a ativação, digamos assim, da inteligência do coletivo. A hipótese era a de que os indivíduos, para atuar coletivamente, precisavam em primeiro lugar perceber a si mesmos como riqueza, como portadores de recursos que poderiam ser trocados etc. Junto com isso, aprimorava-se cada vez mais um certo olhar sobre os indivíduos, sobre a natureza do trabalho que faziam, sobre seus saberes e competências, suas habilidades. O que sabem exatamente? Qual seu curriculo, sua formação? Possuem habilidades de liderança, de trabalho colaborativo? Dessa forma, tem início todo um processo de investigação que se dirige à subjetividade mesma do trabalhador, sua aptidão para o relacionamento com seus colegas, para atender aos clientes, sua capacidade de se comunicar, de participar de decisões etc. Ao mesmo tempo, as organizações passam a se ver como detentoras de um capital intelectual, que na verdade resulta da participação ativa de seus colaboradores, que lhes fornecem seus conhecimentos e competências. A força de trabalho dá lugar à colaboração dos intelectos. Mas essa colaboração precisava ser gerida, administrada, assim como o era a força de trabalho nas fábricas. O desafio era extrair valor dessa riqueza, colocá-la dentro de um certo regime de produção intelectual, produção essa que pressupunha a colaboração dos cérebros, e não apenas suas atividades cognitivas, mas também comunicacionais e relacionais.

O que queremos dizer é que tudo isso funcionou como um marco, como um momento de virada na dinâmica do capitalismo. Foi o que se passou a chamar de economia do conhecimento. Mas a economia só se torna economia do conhecimento se os indivíduos passam a assumir esse novo papel, o de portadores dessa riqueza que se chama, justamente, capital humano. Essa entrada definitiva na assim nomeada economia do conhecimento era anunciada por teóricos como Ikujiro Nonaka, Peter Senge e Peter Drucker, entre outros (Nonaka 1991, Senge 1990, Drucker 1993). Isso significava, basicamente, a consolidação de uma economia que teria nos conhecimentos e informações seu principal elemento de transação, os chamados ativos intangíveis. E é exatamente essa espécie de novidade, essa incursão nas riquezas humanas, essa compreensão dos indivíduos como capital humano aquilo que nos interessa discutir.

O fato é que essa história já vinha sendo construída há mais tempo, desde os anos de 1960, quando o economista neoliberal, o prêmio Nobel Gary Becker, publicava seus primeiros artigos sobre o conceito de capital humano (Becker 1964). Em suas análises, Becker entende que o capital humano é constituído fundamentalmente pela formação educacional e pela condição de saúde que marca o histórico de vida de cada indivíduo. E esse é um campo possível de investimento, pois sempre é possível aprimorar sua educação e sua saúde, sendo que ambas agora passam a ser consideradas como recursos importantes para a produção de valor. Mas além de se considerar o indivíduo agora como portador de capital, fato que por si só seria uma novidade dentro do campo econômico, Becker sugere que as análises econômicas devem levar em conta a forma como cada indivíduo emprega esses recursos. Michel Foucault (2008), em seu curso de 1978 intitulado “O nascimento da biopolítica”, analisa o artigo de Becker, “Investiment in human capital”, e mostra a importância que a introdução dessa noção de capital humano significou para o pensamento neoliberal. Foucault lembra que as análises econômicas desde Adam Smith até o início do século XX tinham como foco a estrutura da economia como um conjunto de processos que inclui o investidor, o capital material e financeiro, os trabalhadores etc. Para os neoliberais, contudo, a análise econômica, nas palavras de Foucault:


“deve consistir não no estudo desses mecanismos, mas no estudo da natureza e das consequências do que chamam de opções substituíveis, isto é, o estudo e a análise da maneira como são alocados (pelos indivíduos) recursos raros para fins que são concorrentes, isto é, para fins que são alternativos, que não podem se superpor uns aos outros.”(p.306)
Com isso, as análises econômicas passavam a ter o indivíduo e sua própria condição de decisão como objeto de estudo, o indivíduo diante da percepção que tem de si mesmo como possuidor de recursos que podem ser empregados de forma diversa. É assim que a economia passa a ser uma ciência do comportamento humano, uma ciência que investiga os processos de escolha e decisão dos indivíduos a respeito do uso que podem fazer de seus recursos próprios, no caso seus conhecimentos, suas competências, e também o emprego de seu tempo de vida. Nas análises desses processos de decisão há, com efeito, a hipótese de uma racionalidade do indivíduo, da racionalidade desse comportamento. Qual cálculo um indivíduo deve fazer para empregar tal conhecimento nessa situação e não em outra, para “investir” seu tempo nessa formação e não em outra? Trata-se, muito claramente, de um cálculo baseado no custo/benefício, na redução dos custos e na maximização dos benefícios. Como diz Foucault, “a economia já não é, portanto, a análise da lógica histórica do processo, é a análise da racionalidade interna, da programação estratégica da atividade dos indivíduos” (p.310). O problema fundamental da análise do trabalho passa então a ser “como quem trabalha utiliza os recursos de que dispõe”(idem).

É esse vetor de análise que deve nos conduzir às discussões que encontramos no início dos anos de 1990, qual seja, às teses sobre essa espécie de subconjunto do capital humano que os teóricos da gestão de conhecimentos chamaram de capital intelectual. Capital que é ao mesmo tempo associado aos ativos intangíveis das organizações e aos conhecimentos e competências dos indivíduos. Foucault observa que esse tipo de capital não é como os outros, pois trata-se de um “capital que é praticamente indissociável de quem o detém”. E complementa: “a aptidão para trabalhar, a competência, o poder fazer alguma coisa, tudo isso não pode ser separado de quem é competente e pode fazer essa coisa” (p.316). Daí a importância de se fazer a gestão não apenas dos indivíduos enquanto recursos humanos, mas sobretudo de seus conhecimentos e competências enquanto capital intelectual essencial aos processos e inovações dentro das organizações.

Foucault mostra, igualmente, que estamos nesse momento diante de uma reflexão que se distancia das análises tradicionais do marxismo, pois agora cada indivíduo é visto como um potencial empreendedor, já que decide sobre a forma de investir seu próprio capital, no caso seus conhecimentos e também, muito importante, seu tempo. Pode-se dizer que esse teria sido o ponto de partida da então futura economia do conhecimento, que acarretou, por sua vez, a conversão da compreensão de nossa sociedade em sociedade do conhecimento e da informação.
Um novo elemento: o capital social
Deve-se acrescentar a essa história ainda um outro elemento. Por volta dos anos de 1980 tem início uma série de estudos sobre a noção de capital social e de redes sociais. Se o capital humano apontava para a necessidade de se investir na formação e educação dos indivíduos, já que seus conhecimentos constituiam riquezas promotoras de desenvolvimento, a noção de capital social e de redes sociais apontava diretamente para as relações sociais desses indivíduos que contituiriam, igualmente, um capital. Como afirma Nan Lin, no prefácio de seu livro intitulado “Capital Social”, a sociologia seria o estudo das escolhas nas relações sociais (Lin 2001). Então, enquanto a economia era definida como as escolhas dos indivíduos sobre a aplicação de seus recursos próprios, a sociologia trataria da forma como esses mesmos atores são motivados a engajar outros atores a fim de acessar os recursos desses últimos com o propósito de obter melhores resultados em suas próprias ações. Ou seja, como explorar da melhor maneira os recursos de uma rede social. Essa rede social significando aqui o capital social de cada um. Não há dúvidas de que, nesse caso, a sociologia passa a seguir a economia.

O que colaborou portanto na consolidação das noções de economia do conhecimento, sociedade do conhecimento e, mais recentemente, sociedade em rede (Castells 1996), teria sido, em boa medida, a convergência dos conceitos de capital humano e capital social, que Lin denomina como neocapitalismo: os conhecimentos dos indivíduos (seu capital humano) e sua rede social (seu capital social) que lhes fornece mais recursos em termos de conhecimentos e informações. A Internet, como ferramenta global de comunicação, emerge como meio ideal de investimento, para cada indivíduo, simultaneamente de seu capital humano e como possibilidade de expansão de suas redes sociais.




A nova ordem dos conhecimentos
Ao lermos o relatório da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), de 1996, intitulado “Knowledge-based Economy”, é possível perceber as primeiras análises mais amplas e já com alguns indicadores econômicos daquilo que veio a se chamar “economia do conhecimento” (Foray & Lundvall 1996). O prefácio do documento diz o seguinte:
“O conhecimento é hoje reconhecido como o condutor da produtividade e do crescimento econômico, conduzindo a um novo foco sobre o papel da informação, tecnologia e aprendizagem no desempenho econômico. O termo “economia baseada em conhecimento” deriva dessa absoluta compreensão do lugar do conhecimento e da tecnologia nas modernas economias da OCDE”.
No entender do relatório, “economia baseada em conhecimento” significa a economia baseada diretamente na produção, distribuição e uso da informação e do conhecimento. Essa afirmação seria confirmada, segundo o relatório, pelas tendências das economias de países desenvolvidos em aumentar o investimento em alta tecnologia, em indústrias de alta tecnologia e em empregos de alta qualificação. O relatório reconhece que o conhecimento sempre foi um fator importante no crescimento econômico, mas que a diferença no início daquela década de 1990 seria que os economistas estariam explorando maneiras de integrar mais diretamente conhecimentos e tecnologia em seus modelos e teorias. A assim chamada “nova teoria do crescimento” refletiria a tentativa de compreender o papel do conhecimento e da tecnologia na direção do crescimento econômico e da produtividade.

Mas não seria apenas o investimento em conhecimento que chamava a atenção dos analistas na época, mas igualmente sua distribuição, a empregabilidade e o sistema da ciência. O termo “rede” é então utilizado já no sumário do relatório: “Knowledge distribution through formal and informal networks is essential to economic performance”. A referência à sociedade da informação e às redes de comunicação também está presente dentro do novo cenário em que se destaca a necessidade dos indivíduos e empresas estarem permanentemente em aprendizagem (learning economy). Outro aspecto que é ressaltado é a necessidade de interação entre produtores e usuários na troca entre conhecimento explícito e tácito.



A empregabilidade na economia do conhecimento seria caracterizada pela demanda por trabalhadores altamente qualificados. Neste ponto o relatório avança algumas ações que os governos dos países desenvolvidos deveriam promover para dar suporte à difusão de conhecimentos. É interessante notar que a primeira ação, no entender do relatório, deveria ser, obviamente, incrementar o capital humano com a ampliação do acesso à educação. Ora, a idéia de investimento em capital humano não era de forma alguma novidade naquele momento, como já vimos anteriormente. Esse conceito orientou vários programas de governo de diversos países, que se convenciam de que era preciso investir em educação e saúde para assegurar a capacidade de inovação das indústrias e empresas em geral. O que soa diferente na proposta do relatório é exatamente aquilo que só poderia ser dito por alguém que estivesse já em plena era da comunicação globalizada: ampliar o poder de distribuição do conhecimento na economia através das redes colaborativas e da difusão da tecnologia. De fato, nos anos 1970 o foco de quem pensava capital humano era investir nos sitemas educativos e de saúde. A questão das redes colaborativas e sua força em propagar conhecimento, o fato de que é a interação entre os agentes da sociedade o que garante a inovação, na troca de conhecimentos tácitos e explícitos, isso só veio a ganhar destaque, clareza, com a ampliação das redes de comunicação globalizadas.
A economia do imaterial
Charles Goldfinger, em 1994, teria sido um dos primeiros a empregar a expressão de economia do imaterial (Goldfinger 1994). Goldfinger sustenta nesse período que as mutações em nossa relação com os conhecimentos acompanham as profundas mudanças na natureza do sistema produtivo. Digamos que é ao mesmo tempo que essas duas dimensões vão se estabelecer, uma como correlata da outra. A economia do imaterial se constitui no plano dos intangíveis, ela é justamente a economia dos serviços, a economia do lazer, das imagens, das informações, de tudo aquilo que não gira em torno da idéia de produto tal como a economia tradicional o concebia. Por que o conhecimento se apresenta como fator chave nesse caso? Porque o conhecimento é justamente o imaterial e o suporte de toda produção imaterial. Segundo Peter Drucker, o pai da teoria moderna da gestão empresarial, a parte relativa das matérias primas na produção industrial e a contribuição relativa de energia diminui de forma constante desde 1950. Inversamente, a parte relativa de informação e de conhecimentos cresce desde o mesmo período e a consequência é uma desmaterialização crescente da economia (Drucker 1993). Pierre Lévy, em seu livro de 1995, O que é o virtual, segue a mesma linha de raciocínio: “a informação e o conhecimento, de fato, são doravante a principal fonte de produção de riqueza. (...) passaram a constar entre os bens econômicos primordiais, o que nem sempre foi verdade. Ademais, sua posição de infraestrutura – fala-se de infoestrutura -, de fonte ou de condição determinante para todas as outras formas de riqueza tornou-se evidente” (p.35).

O resultado disso, segundo Goldfinger, é que o “mundo palpável encontra-se imerso em um tecido cada vez mais denso e capilar de atividades, de produtos e de serviços cuja substância é imaterial, quer se trate de dados informáticos, do volátil dinheiro planetário, das mensagens publicitárias, das imagens de atualidade ou de ficção, dos videogames etc.” (Golfinger 1994, p.5).

Mas há quem discorde do ponto de vista de Goldfinger sobre o conceito de imaterial. Pierre Lévy argumenta que um tal conceito ainda se prende a uma metafísica da substância, onde temos coisas materiais e coisas imateriais. Ele defende a idéia de que o que presenciamos é uma virtualização da economia, já que informação e conhecimento seriam da ordem do virtual. O problema é que muito da argumentação de Lévy se inspira justamente nos textos de Goldfinger sobre a economia do imaterial. No fundo, eles estão falando do mesmo acontecimento, pois o essencial é que o elemento chave da nova economia deixa de ser tangível como as matérias primas e os bens materiais de consumo.

As análises de Goldfinger concentram-se, então, principalmente na produção e no consumo do imaterial. Mas o que devemos nos perguntar, nesse momento, é sobre a própria natureza do trabalho, o que muda no campo do trabalho nessa nova economia? O trabalho não se torna ele próprio imaterial? Ou melhor, sua dimensão imaterial não passa a ser diretamente explorada, tanto no campo dos conhecimentos como no campo afetivo?


A produção de subjetividade e o trabalho imaterial
Foi essa a proposta de um trabalho seminal desenvolvido por Maurizio Lazzarato, Toni Negri e Antonella Corsani entre 1993 e 1996, que abordava as modificações dos processos de produção da chamada sociedade pós industrial (Corsani, A. Lazzarato, M. Negri, A. 1996)3. Essa pesquisa foi uma das primeiras que tratou com profundidade as mudanças na natureza do trabalho, e que nomeou de trabalho imaterial o tipo de atividade ligada ao mundo da publicidade, da moda, do audio-visual etc. Mais tarde, outras pesquisas foram dedicadas a essa abordagem, e o termo capitalismo cognitivo acabou por ser empregado como forma mais ampla para designar o trabalho imaterial (Boutang 2007a, 2007b, Cocco, Galvão e Silva 2003, Lazzarato 2007). Quais seriam então as características dessa nova forma de se entender os processos de produção?

No trabalho de pesquisa de Negri, Lazzarato e Corsani consolida-se, sobretudo, um conjunto significativo de conceitos sobre o trabalho imaterial e sua articulação com a produção de subjetividade no capitalismo contemporâneo:


“Que o trabalho imaterial produza ao mesmo tempo subjetividade e valor econômico demonstra apenas como a produção capitalista invadiu toda a vida e quebrou todas as barreiras que, não somente separavam, mas também opunham economia, poder e saber. (…) A produção de subjetividade cessa então de ser apenas um instrumento de controle social (para a reprodução das relações mercadológicas) e se torna diretamente produtiva, pois na sociedade pós-industrial seu objetivo é o de constituir o consumidor/comunicador. E de constituí-lo como consumidor ‘ativo’, isso só sendo possível pela comunicação, a interatividade, a gestão participativa”.4
A hipótese dos autores é a de que esse processo de produção da comunicação, de interatividade e de gestão participativa se tornou um processo de valorização econômica. Mas ao tratar da criatividade e da invenção como processo social, e que seria o vetor principal dos processos comunicacionais, os autores defendem, por outro lado, que “a cooperação e a interação não podem em nenhum caso ser predeterminadas pelo econômico, pois se trata da vida mesma da sociedade” 5. Eles supõem que o econômico poderia, apenas, se apropriar das formas e dos produtos dessa cooperação. A hipótese está fundada no fato de que os elementos criativos, de inovação, estão ligados a valores que apenas as formas de vida produzem. “Como (o empreendedor) não produz a forma e o conteúdo do trabalho imaterial, ele também não produz a inovação”. Ao econômico só resta então, complementam, “a possibilidade de gerir e regular a atividade do trabalho imaterial e de criar dispositivos de controle e de criação do público/consumidor por meio do domínio das tecnologias da comunicação, da informação e dos processos de organização”. (idem)

Eles imaginam que é lançando as bases para uma teoria do trabalho imaterial que se pode reatar o laço entre produção de subjetividade e valorização, e isso a partir da análise da especificidade de sua relação na sociedade pós-industrial. E foi avançando nesse terreno que Negri, Lazzarato e Corsani foram conduzidos a explicitar e desenvolver posteriormente a hipótese da passagem das ‘sociedades disciplinares’ para as ‘sociedades de controle’: “nas primeiras (até o pósfordismo), os dispositivos de poder organizaram formas de assujeitamento pela submissão e dependência; nas segundas (o pósfordismo), esses dispositivos buscam, tateando, organizar o assujeitamento por meio da implicação da subjetividade, por meio da participação”. (p. 149)

Mas devemos nos perguntar por que, afinal, a natureza do trabalho se torna imaterial? Que tipo de resposta os autores teriam para essa questão? Lendo a conclusão do texto Le Bassin de travail immateriel, encontramos expressões como ‘ultrapassamento’, ‘mutação’, ‘integração e modificação’, ‘crise do Taylorismo’, todos referindo-se à resolução dessa dicotomia entre trabalho manual e trabalho intelectual, e também entre ‘tempo de trabalho’e ‘tempo de vida’. Os autores vêem no Taylorismo o resultado de um aprofundamento na divisão social do trabalho, e associam essa divisão a uma ‘tendência histórica’ que marca a divisão entre trabalho manual e intelectual. O que poderia romper com essa tendência histórica e resultar no que chamam de trabalho imaterial? A resposta oferecida é simples, e está na base de um ‘processo dinâmico’ que introduz as rupturas nessa tendência: a escolarização em massa. Mas de onde vem essa última? Nesse ponto não encontramos nenhum tipo de reflexão sobre os processos educacionais que estariam na base do ‘ultrapassamento’ da divisão entre trabalho manual e intelectual. O fato é que essa resposta não pode ser encontrada nem no interior da dinâmica das lutas dos trabalhadores, e tampouco se restringe aos novos processos produtivos do capital, uma vez que é ela que deve explicá-los.

Outro aspecto nas análises dos autores é em relação aos salários nas relações do trabalho imaterial. A interpretação ressalta o fato de que há “uma descontinuidade da relação salarial” e que a ‘intermitência’ do trabalho é acompanhada de uma dissolução da jornada de trabalho tradicional. O aspecto positivo dessa intermitência é que haveria uma extrema mobilidade e liberdade dessa forma de trabalho, mas também, como aspecto negativo, uma precarização crescente. Como consequência, observamos uma espécie de extensão do tempo de trabalho ao tempo de vida, já que no trabalho intelectual “pensar (trabalhar) e depois não pensar (não trabalhar) se torna impossível”. (p.151) Não haveria mais possibilidade de “resguardar espaços de autonomia, de não-trabalho”, como assinala Moulier-Boutang, citado pelos autores.

Ora, é seguindo esse caminho, que mistura agora tempo de trabalho e tempo de vida, que os autores podem introduzir a hipótese sobre os novos processos de subjetivação do trabalhador. A própria vida se torna produtiva: “o trabalho imaterial opera a transferência da vida na representação, nos produtos da representação, e é no ciclo da representação que se realiza o trabalho imaterial”. (idem)

O que gostaríamos de pontuar aqui, em primeiro lugar, é que a resposta a essa passagem do trabalho material ao trabalho imaterial encontra-se nas novas formas de governamentalidade, tal como nos mostra Foucault, que passam a investir em técnicas que visam diretamente o nível de educação e saúde das populações, e isso dentro de um cenário, aí sim, econômico neoliberal, que inclui os indivíduos como elemento de investimento. Em segundo lugar, em relação ao salário, o fato mais característico do trabalho imaterial é a conversão do salário em renda. A renda que se pode obter agora por meio do investimento em seu próprio capital humano, o capital que é o próprio indivíduo. Os conhecimentos e competências dos indivíduos constituem agora para ele seu capital próprio, no qual deve investir, decidir sobre como ampliá-lo, como empregá-lo e quando, em que ritmo: part-time, free lancer, integral, simultâneo, etc. O trabalhador imaterial, intelectual, se vê agora diante do desafio e da possibilidade de acumular rendas, que são justamente o resultado do emprego de seu capital intelectual.

Em terceiro lugar, é esse processo que ocasiona a ruptura da distinção entre tempo de trabalho e tempo de vida. Todo o tempo é pensado como possível de se investir em trabalho. Moulier-Boutang está certíssimo quando afirma que o ‘pensar’, como trabalho, ocupa continuamente nossas vidas, incluindo até mesmo nossos momentos de sono e sonhos. Mas o que nos parece decisivo para os processos de subjetivação, e que deve explicar por que a vida se torna ela mesma produtiva, é menos o fato de que o trabalho imaterial opere a transferência da vida na representação, do que a série de dispositivos que incitam, estimulam os indivíduos a estabelecerem uma outra ‘relação a si’, relação essa que faz com que eles se representem como capital humano, intelectual, como fonte de riqueza. É essa conversão sobre si, esse novo olhar para o dentro que deve operar a passagem ao trabalho imaterial, que deve aprofundar a indistinção dos tempos de trabalho e de vida, e que deve, finalmente, orientar os novos modos de investimento (a partir do próprio indivíduo, mas também dos empreendedores e dos governos) na produção dessa subjetividade que se inventa continuamente a si mesma.

Mas não é dessa forma que Negri, Lazzarato e Corsani entendem a produção de subjetividade como “relação a si”, pois segundo eles ela nunca se torna valorização capitalista:


“Pode-se encontrar, com efeito, uma análise da produção de subjetividade definida como processo específico de ‘relação a si’ diante das formas de produção do saber e do poder, mas que não cruzam jamais as formas de valorização capitalista. (…) Ora, o modo de produção pós-taylorista se define justamente pela colocação da subjetividade no trabalho, tanto na produção de informação quanto na produção dos conteúdos ‘culturais’ da mercadoria”.6

Ao contrário, pensamos que a “relação a si” é sim valorização capitalista, pois o que produz essa “relação a si” é o indivíduo se ver como capital humano, como fonte de renda, se ver enquanto fonte de riquezas a ser investidas, conhecimento, afetos, poder de comunicação. Além disso, de uma forma geral o “surgimento” do trabalho imaterial não é explicado com clareza pelos autores. Tudo se passa como se estivéssemos num processo histórico de evolução do capitalismo. Mas qual a causa? Ora, ela pode ser encontrada na mudança econômica, que vai do liberalismo clássico ao neoliberalismo, e que vê como objeto de investimento os indivíduos e seu capital humano. Investir nesse capital é a base para a expansão e consolidação do trabalho imaterial. É também a forma de produção de uma nova subjetividade, de um novo modo de relação a si. O neoliberalismo participa então dessa refundação da produção de subjetividade, até porque ele agora tem como objeto privilegiado a análise das decisões dos indivíduos, da forma como eles escolhem como empregar seu tempo e suas riquezas. Ou seja, um processo de decisão é uma forma de ‘relação a si’ e, portanto, um processo de subjetivação. Isso foi perfeitamente visto por Lazzarato posteriormente (Lazzarato 2007). O que o aproximou de Foucault.

Finalmente, e em decorrência dessa produção subjetiva, ou como seu alimento próprio, encontramos a dinâmica do trabalho imaterial, com seu caráter colaborativo. E também aqui é preciso identificar o modo como os processos de colaboração estão inseridos nas estratégias neoliberais, na forma do que se chamou de capital social, e que estabelece uma relação de capitalização entre indivíduo e redes de relacionamento a partir dos anos de 1980.
Conclusão: Sociedade do conhecimento ou bioeconomia?
Ora, foi exatamente nesse cenário que surgiu a proposta do software de Lévy e Authier, e o que eles propunham naquela conferência era, no fundo, uma ferramenta que serviria às negociações de conhecimentos e informações nesse novo quadro do neocapitalismo. Havia, de fato, uma espécie de predominância da visão econômica sobre as ações dos indivíduos e suas relações sociais, já que o conhecimento era entendido como objeto de produção e transação mercadológica. Prova disso era a definição de Inteligência Coletiva que Lévy já utilizava na época, a conjugação de capital humano, capital social e capital tecnológico que resultava no capital intelectual dos coletivos e organizações (Lévy 1998).

O que se pôde verificar é que, em parte, esse cenário se realizou. Já no início dos anos 2000 era possível constatar que as empresas de fato estavam investindo cada vez mais em gestão de conhecimentos e competências, mas no sentido muito claro de explorar esse novo território humano que se configurava como gerador de riquezas. Mais recentemente, é a nova onda das redes sociais que faz as organizações repensarem a forma como lidam com seus colaboradores, já que percebem que o capital social também é produtor de valor. E isso deve significar, talvez, uma nova etapa na gestão organizacional: a gestão de redes sociais.

Por outro lado, fica claro que desde os anos 1960 alguns artigos começam a veicular a idéia de uma economia da informação. Em seguida, a partir dos anos de 1970, encontramos as noções de economia de serviços, economia global, economia pós industrial e, simultaneamente, o conceito de economia do conhecimento (Peter Drucker, Alain Touraine, Peter Senge, Michel Authier etc.). Mas o interessante é que, com essas novas definições da economia, sorrateiramente começam a se propagar algumas definições de “sociedade”. Encontra-se então sociedade da informação, sociedade do conhecimento, sociedade pedagógica, sociedade digital. Com isso, a nova visão de sociedade passa a estar atrelada diretamente à nova economia, pois é definida segundo os objetos que qualificam o novo modelo econômico. Passamos a perceber a sociedade pelo viés das transações econômicas, pelas commodities imateriais. Manuel Castells segue essa tendência, por exemplo, assim como Pierre Lévy e Michel Authier, mas também Michel Serres, Peter Senge, Etienne Wenger. Na verdade, vários autores conjugam economia da informação e do conhecimento com sociedade da informação e do conhecimento. Os textos passam de uma a outra de forma quase imperceptível, como se fosse evidente que a nova definição de sociedade devesse responder às mudanças econômicas promovidas pelas novas tecnologias.

Com a consolidação da Internet, nos anos de 1990, a nova cultura ciber passa a ressaltar esse novo mercado, onde todos podem negociar qualquer coisa diretamente, sem intermediários, o mercado ideal sendo uma espécie de modelo para a assim chamada ciberdemocracia. Então, a sociedade passa a ser definida pelos objetos que transaciona, conhecimentos e informações, ou pelo tipo de trabalho imaterial que nela predomina. Mas o que parece revelador é uma outra tendência importante, que decorre igualmente da expansão da Internet, e que está relacionada às interpretações da sociedade segundo padrões de comportamento. O fenômeno da rede, com seus nós e laços, passa a servir de inspiração a um tipo de leitura do social que se interessa pela maneira como cada indivíduo toma suas decisões e, simultaneamente, pela forma como essas decisões se propagam através dos laços que eles mantém entre si. Mark Buchanan, por exemplo, chega a afirmar que o importante é pensar padrões e não pessoas (Buchanan 2002). Na mesma linha encontramos Steven Johnson, que em seus textos sobre emergência e auto-organização procura mostrar como a interconexão de sistemas de elementos simples se auto-organizam para promover formas de inteligência mais adaptativas (Johnson 2001).

É evidente que a consolidação da Internet deu aos teóricos do socius a possibilidade de fazer “leituras” das ações e decisões individuais de uma forma inédita, ou seja, associando-as segundo padrões de comportamento. Os mais variados softwares que mapeiam os usuários da Web foram desenvolvidos com esse propósito. Mas não estaria assim concretizado esse espírito do neocapitalismo, compreender a forma como os indivíduos decidem sobre o uso de seus recursos pessoais e a forma como decidem se pôr em relação, construir seus vínculos? Como cada um pode promover seu próprio capital intelectual na exata medida em que promove seu capital social? Como o investimento de recursos subjetivos pode resultar em benefícios individuais e como o investimento em recursos do capital social pode resultar tanto em benefícios individuais quanto no incremento dos laços sociais?
Thomas Paine (2003), em 1776, definia a sociedade civil como a instância que promove nossa felicidade positivamente pela união de nossas afecções, enquanto o governo era definido, negativamente, pela restrição de nossos vícios. Naquele momento, a sociedade era definida primeiro em relação a si mesma, e segundo em relação à governança, com a qual ela tinha que lidar constantemente. Mas não em relação à economia. Ou seja, Thomas Paine concebia a razão de ser da sociedade como estando ligada à política. Hoje, definimos a sociedade em sua relação com a economia, o que faz dela tão somente um elemento do mercado delineado por padrões de comportamento coletivo. A política então, seria sobretudo uma politica de regulação da vida, uma biopolítica, assim como a economia seria um conjunto de regulações do mercado de conhecimentos e informações, uma bioeconomia.
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1 Prof. Programa de Pós Graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP, Doutor em Filosofia, rogcosta@pucsp.br

2 O que pareceu ao público naquele momento uma proposta estapafúrdia, acabou se realizando de forma inteiramente diferente quando do surgimento da Web, a partir de 1994. As comunidades virtuais, as redes P2P, os blogs, a Wikipedia e outras iniciativas tornaram-se os caminhos concretos para aquela utopia de coletivos inteligentes autopromotores de trocas de conhecimentos e informações.


3 Corsani A., Lazzarato M., Negri A. Le bassin de travail immatériel (BTI) dans la métropole parisienne. L’Harmattan, Paris, 1996.

4 P.83. E ainda: “A produção de subjetividade deve se tornar então, simultaneamente, o conteúdo do trabalho e o resultado da atividade do trabalho imaterial. A definição do trabalho imaterial, como trabalho que produz o conteúdo cultural e informacional da mercadoria, começa portanto a se expressar numa nova articulação, que tem como pivô ‘a produção de subjetividade’. (…) Somente uma implicação da subjetividade naquilo que ela tem de mais específico e singular (a capacidade de inovar e de criar) pode produzir a mercadoria da sociedade pós-taylorista” (p.42).

5 P. 88. Não diríamos predeterminadas, mas com certeza são sim incitadas, estimuladas, direcionadas.

6 P. 85. E ainda: “A crise do modo de produção taylorista-fordista foi objeto de inúmeras pesquisas que se desenvolvem segundo dois eixos teóricos independentes: temos por um lado uma teoria da produção social que nunca compreende a produção de subjetividade como conteúdo da valorização. Por outro lado, a teoria da produção de subjetividade como teoria da constituição da ‘relação a si’, mas que, como tal, nunca se torna valorização capitalista”. P. 149.


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