A santissima trinosofia



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Análise do Texto

O candidato experienciou em seguida o mistério do princípio aéreo ou intelectual. Ele é erguido para fora das profundezas subterrâneas por seu espírito guardião e levado para a atmosfera superior. Abaixo dele está o deserto. Atenção especial é dada às massas triangulares - as pirâmides. Um manuscrito anterior, de nossa coleção, afirma que os egípcios eram capazes de manufaturar a Pedra do Filósofo sem calor artificial, enterrando a retorta na areia do deserto, que fornecia a temperatura exata para experiências alquímicas. O deserto é aqui um símbolo da aridez e improdutividade da consciência não desperta. No universo físico, os valores espirituais desvanecem, no entanto no meio dessa esfera mortal estão as pirâmides, símbolos supremos da alquimia espiritual - templos de iniciação no deserto da espera. É significativo que a atmosfera do Egito seja especialmente adequada à perpetuação de antigos monumentos do saber que, quando retirados de seus antigos jazigos, rapidamente se deterioram. Assim, a vida material, o deserto, é um laboratório natural no qual a química suprema é realizada através do sofrimento e da aspiração.

O relato da subida e da queda do candidato através do espaço relaciona-se com as alternâncias das substâncias na retorta, num ciclo de atenuação e precipitação, para, finalmente, serem eliminadas pelo gargalo do frasco. Hermes usa esta figura para descrever o mistério do renascimento, a alternância periódica da alma de uma condição temporal para uma sideral, e sua libertação final através da iniciação. Ao alcançar a extremidade superior da esfera intelectual, o candidato não consegue funcionar mais, e desmaia.

Ao recuperar os sentidos, ele descobre estar investido com uma veste estrelada, a mesma da qual fala Apuleius em seu Metamorphosis, e também a que é usada pelos iniciados do Rito Mitraico. A veste estrelada representa não só o corpo áurico, mas também um novo aspecto universal de ser - a consciência sideral, proporcionada pela experiência da iniciação. O candidato pode voltar para a estreiteza de seu ambiente físico, mas jamais conseguirá reduzir novamente sua consciência às limitações do estado material. O corpo estrelado é seu intelecto regenerado e iluminado.

Os estranhos caracteres, que indicam o nome do pássaro com o ramo verde, decodificados, significam: "A ser dada a vida" isto é, imortalidade. O nome do altar é: "A Coroa, Kether" e decodificado: "Quando for o por tão de entrada." Juntas, as duas frases significam: "A imortalidade será conferida diante do por tão da Casa da Sabedoria." O nome do GÍria é Luz; mas traduzidos, os caracteres dizem: "A moeda será escondida e esquecida." Esta moeda do profeta deve ser entendida no sentido do naipe de Ouros do baralho de Tarô, pois este naipe representa o corpo material sobre o qual o símbolo tem soberania. A sentença pode ser: "O corpo do sábio será ocultado." Este pensamento era fielmente seguido pelos antigos iniciados. Os túmulos dos Iniciados jamais foram descobertos, e no famoso cemitério Rosacruz, os lugares de repouso dos Irmãos são marcados apenas pela Rosa. Durante as cerimônias de iniciação, que aconteciam nos mundos invisíveis, o corpo físico do neófito era escondido num lugar secreto, onde nenhuma força perturbadora poderia alcançá-lo enquanto a alma estivesse explorando os mistérios de Amenti. Aqui, o comportamento representa a personalidade e a esfera da vida pessoal e integral que deve ser descartada e esquecida.

Também o ego pessoal que deve morrer ou ser enterrado para que o Eu Universal possa nascer de sua semente.



  1. SEÇÃO VI







(Figura VI, página 43)
O altar que o nosso autor descreve como sendo composto de quatro elementos tem forma triangular. Desta circunstância, são produzidos dois números sagrados: o quadrado 4, mais o triângulo 3, que é igual a 7. Os quatro elementos do altar multiplicados pelo triângulo é igual a 12. A composição do mundo e revelada a partir disso. A natureza é um arranjo triangular e quatro elementos, e o mundo divino, do qual o zodíaco é um símbolo apropriado, consiste nesses elementos multiplicados três vezes, ou em seus três estados primários. O altar é o corpo humano; suas partes materiais - o quadrado - estão arrumadas na ordem espiritual - um triângulo. Sobre o altar estão os três símbolos do diagrama anterior. Eles estão colocados de modo a formar um triângulo, e devemos entendê-los como sal, enxofre e mercúrio - corpo, espírito e alma.

No ar acima do altar está a cruz ansata (Cruz egípcia ou ANKH), símbolo da geração e da fecundidade. Isto pode ser considerado como cobre - o metal de Vênus, e símbolo da energia reprodutora da alma. Vênus é o Lúcifer dos antigos, o portador da luz, a estrela do autoconhecimento. Este símbolo deve relembrar o sábio que o poder de multiplicar é comum tanto ao homem interno, quanto ao externo. Assim como corpos geram corpos, assim também o corpo interior, a alma, gera os arquétipos das personalidades. Pela alquimia, a sabedoria se perpetua aplicando para seus próprios propósitos peculiares as mesmas leis pelas quais as formas são perpetuadas na esfera corporal.

A figura toda é um símbolo da geração espiritual, o mistério de Melquisedeq, que é seu próprio pai e sua própria mãe e está acima da lei. Ela emite a reenergização perpétua pelo uso da Pedra. Ela conta do mesmo poder que o próprio Saint-Germain possuía, de continuar pelos séculos por meio do Elixir sutil, cujo segredo era conhecido somente por ele mesmo e seus Mestres. Primeiro, as três partes do homem composto ­espírito, alma e corpo - devem ser equilibradas, e deste equilíbrio nasce o Homunculi ou Homem de Cristal. Este Homem é um ego gerador imortal capaz de precipitar personalidade conforme a sua vontade, no entanto, ele mesmo imutável por essas personalidades e sem sofrer qualquer tipo de limitação por elas. Em vez da alma vivendo no corpo e aprisionada por suas limitações, uma nova condição é estabelecida: o corpo vive na alma. Para o iniciado, a forma física nada mais é do que um instrumento para a expressão da consciência, inteligência e ação - representados pelo círio, o Pássaro e o altar ardente.




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