A santissima trinosofia



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Análise do Texto

No capítulo introdutório de seu manuscrito, Saint-Germain retrata engenhosamente o estado "relapso" da alma humana. A masmorra da Inquisição é a esfera da consciência animal do homem. O mundo físico, dominado pelos impulsos inquisidores, constitui a câmara de tortura e a casa de provas da alma. Para o sábio, o universo material é a antecâmara onde se reúnem aqueles que estão aguardando admissão aos rituais sagrados. Quando o conde fala deste "lugar de exílio" e dos "monarcas que o governam", ele se refere ao universo ilusório e aos "príncipes deste mundo". Aqui está o mito de Prometeu, o titã amarrado no Caucasus por causa da indiscrição, e Lúcifer, acorrentado noS abismos sem fundo por causa de seu orgulho.

Pelas páginas iniciais, é possível rastrear a alegoria do Filho Pródigo. Primeiro é retratado o estado heróico da humanidade durante a Era de Ouro, antes do pecado e a morte terem entrado no mundo. Saint-Germain descreve a si mesmo como "agraciado com as bênçãos do céu e cercado por um poder tal que a mente humana não pode conceber". O conde então escreve que "um instante destruiu tudo". O mistério da Queda do Homem nunca foi revelado para o profano. A grande lei cíclica, que varreu as hostes de centelhas de fogo para o abismo, é conhecida somente pelos eleitos. Na escuridão do caos, os espíritos rebeldes estabeleceram seu mundo. Eles construíram o cosmo e foram trancados dentro de cada um dos elementos materiais que sua vontade trouxe para a existência. Quando a terra inferior foi concluída, o grande Pai desejou atrair de volta para Si Sua criação pródiga. Para alcançar isso, Ele fez sair de Seu próprio ser Sua PALAVRA - o Consolador ou Messias. Descendo da Morada da Luz, este Arconte celeste diminuiu seu esplendor e, investindo sua glória nos mantos escuros da terra, tomou sobre Si a cruz dos ciclos.

Para os gnósticos, o universo físico foi composto de restos de espírito. Foi o aborto do espaço. A existência material foi o castigo da natureza pela rebelião dos anjos. Isto foi colocado claramente nos rituais iniciáticos que ensinavam que os homens renasciam em corpos terrenos como castigo pelo pecado. Aqueles que se aperfeiçoavam não nasciam mais, mas, como Buda, na Grande Libertação, passavam para o Nirvana dos sábios - um estado sem nascimento, sem morte. Das masmorras da materialidade, os sábios se libertavam através da prática de seus ritos esotéricos. Perfeitos em sabedoria, esses Iniciados irrompiam através do muro adamantino da esfera mortal e emergiam na luz de Deus.



A interpretação alquímica refere-se aos espíritos elementares aprisionados dentro das formas físicas dos elementos. Deve-se observar que, neste percurso através das provas iniciáticas, Saint-Germain identifica a si mesmo com a substância da qual a Pedra Filosofal deve ser formada. Ele é a própria matéria alquímica, atravessando os doze ciclos do refinamento. Assim se torna evidente que os alquimistas reconheciam que sua Grande Obra consistia na sua própria transmutação. A terra (o calabouço) está cheia das almas germinais de metais preciosos, que estão trancados aqui, aguardando a Arte e a Sabedoria. Assim como o ouro existe dentro de cada grão de areia mas é incapaz de se manifestar, a menos que estimulado por processo alquímicos, assim as sementes da verdade, beleza e conhecimento existem dentro da terra escura do organismo animal do homem. O crescimento e o aperfeiçoamento dessas preciosas virtudes são estimulados pela disciplina e, na plenitude do tempo, todos os impulsos e propósitos básicos são transmutados no ouro do poder da alma.
      1. SEÇÃO II







(Figura lI, página 14)

Em suas notas sobre a TrinosoPhia, de Givry ocupa-se somente com o aspecto alquímico do simbolismo desta figura. Sobre a segunda prancha, ele diz que ela "representa um homem olhando para uma taça profética que forma um espelho mágico. Os signos conjugados do Sol e da Lua são vistos contra o pé da mesa. No topo da figura, uma sobreposição de retângulos de diferentes cores indica as fases da Obra. E o sinal duplo do falo num círculo lembra, emblematicamente, o homem e a mulher herméticos. Uma inscrição em letras gregas e caracteres inventados dá uma fórmula para a criação de Ouro, ou o Rei-Sol, por meio de uma mistura de ouro e prata regenerados pelo mercúrio vital. Ligado ao retângulo azul que dá esta fórmula, está ligado um retângulo vermelho, inferior, no qual está gravada a regra para o fogo da fornalha em caracteres hebraicos".

Uma análise cuidadosa nos inclina a suspeitar de um significado mais profundo. O círculo superior à direita, embora possivelmente fálico no seu sentido superficial, é na verdade, um monograma ou selo oculto contendo duas letras gregas. Traduzidas, estas significam "a Luz de Deus", ou "A Luz da Revelação". Os retângulos superiores à esquerda são os elementos. O arranjo é oriental. Os quatro inferiores são coroados pelo quinto - a quintessência, o misterioso Éter dos sábios. A inscrição no painel superior descreve a aceleração da semente da alma pelo calor do quadrante oriental (Áries). Rá também referência ao Sopro que se move dentro do vaso, ou sobre as águas. O número 62 aparece acompanhado pela exortação a que se abra o portão celeste (clarividência) com a

ajuda do vaso ou taça. Será que a taça (arca) contém a Água do

Lete (esquecimento), que as almas bebem quando descem para serem geradas, perdendo assim toda a lembrança de sua origem celeste? Ou ela contém a Água de Mnemosina, que flui junto ao portão da sabedoria e da qual os iniciados bebem, a água da lembrança pela qual a alma lembra sua própria essência e origem?

A figura feminina é Ísis em seu papel de Iniciatrix. Ela é a Natureza, e sua saia preta é o mundo corpóreo pelo qual parte de seu corpo é escondido. O homem nu é o neófito. Sem veste ele veio ao mundo e sem veste deve renascer. Destituído de todos os adornos, de classe e de poder, ele não pode trazer ao templo nada do que possui - somente aquilo que é.

A mesa, sustentada pelo Sol e pela Lua e em cuja base arde o fogo eterno, é o mundo. Os objetos que estão sobre ela, ou segurados por Ísis, são três dos símbolos dos naipes que aparecem nas cartas do Tarô. O desenho inteiro, na verdade, parece-se com o arcano maior do Tarô chamado Le Bateleur, o Mago (o prestigitador). A taça é o símbolo da água, a ponta de lança, do fogo e a bastão, do ar. Fogo, ar e água são os símbolos do grande Agente Mágico. Seus nomes em hebraico são Chamah, Ruach e Majim, e pela Cabala, a primeira letra de cada uma dessas palavras - Ch, R e M - compõem Chiram, conhecido pelos maçons Como Riram. Esta é a essência invisível, pai dos quatro elementos, e designa-se Chiram Telat Mechasot - Chiram, o Agente Universal, um em essência, três em aparência, no qual está escondida a sabedoria do mundo inteiro.

Os caracteres hebraicos no painel acima da cabeça de Ísis traduzem como: "Por causa da tristeza, eles vão aderir ao Dispensador", o que significa que aqueles (os sábios) que se cansaram do mundano voltarão à sabedoria, o dispensador de todas as coisas boas.



      1. Análise do Texto

O relato do ritual iniciático começa agora. O discípulo esperou o tempo determinado no escuro universo material que é o ventre dos Mistérios. O processo do nascimento filosófico continua de acordo com a antiga lei imutável. O neófito, velado e portando o Ramo de Ouro (o visgo) avança em direção do altar de ferro.

A escolha do Vesúvio como cenário para a iniciação é extremamente apropriada. A cratera do vulcão desce até as camadas subterrâneas da Terra onde habitam as divindades subterrâneas que devem ser propiciadas em primeiro lugar. O vulcão também é o símbolo da fornalha alquímica. O véu significa que o neófito alcançou o estado do mistae - aquele que vê através de um véu, ou, nos Mistérios Cristãos, "como através de um vidro escuro". Plínio se refere ao visgo como o "que tudo cura". Foi, presumivelmente, o Ramo de Ouro dado a Enéas como passaporte para as regiões infernais. Sir J ames Frazer comenta assim sobre a cerimônia iniciática conforme descrita por Virgílio:

"Se o visgo, como um ramo amarelo ressecado nas tristes florestas de outono, foi concebido para conter a semente do fogo, que melhor companheiro poderia levar consigo um peregrino perdido nas sombras do que um ramo que seria uma lâmpada para seus pés, bem como um bastão e vara para suas mãos? Armado com o ramo, ele poderia confrontar corajosamente os terríveis espectros que cruzariam seu caminho em sua viagem aventurosa. Assim, quando Enéas, saindo da floresta, chega às margens do Stix, que serpenteia suas águas modorrentas pelo pântano infernal, e o barqueiro mal humorado lhe recusa passagem em seu barco, resta-lhe tirar o Ramo de Ouro de seu peito e erguê-lo e, imediatamente, o fanfarrão se encolhe diante da visão e recebe servilmente o herói em seu barco

esquisito, que afunda na água sob o peso incomum do homem vivo."
O visgo é um parasita e, como tal, simboliza o homem celeste dentro do corpo mortal. A alma cresce do corpo e no corpo, mas não é do corpo, pois assim como a árvore tira seu alimento da terra, o corpo recebe seu sustento de fontes materiais; mas o visgo deriva sua vitalidade não da terra escura mas da árvore e doar. Diz-se que o visgo é luminoso na escuridão, e é chamado de tocha do homem sábio. Sua luminosidade é a luz dos órgãos internos - a aura do cérebro. Aquele que leva o ramo anuncia estar preparado para receber a iniciação.

O neófito deposita o ramo sobre o altar de ferro; ele se doa à lei, assumindo as responsabilidade do progresso espiritual. A Palavra sagrada é pronunciada. O Ramo consagrado se incendeia:

o sacrifício é aceito. A terra se abre. O candidato desce pelos Arcos Reais como se para dentro de um grande abismo. A névoa se dissipa, revelando uma ampla caverna - a mãe escura da qual todas as coisas procedem - de significado semelhante à caverna das ninfas de Porfírio. O longo manto branco é a veste sem costuras do Nazareno, tecida com os infindáveis fios da experiência. A lâmpadade cobre é o amor iluminado, sem o qual nenhum homem pode seguir o estreito caminho da sabedoria. Vestido em pureza, iluminado por compaixão e entendimento, o neófito segue pela negra passagem abobadada que leva à imortalidade.

Depois de uma longa distância, a passagem termina num aposento quadrado, do qual se abrem quatro portas. Este é o Salão da Escolha. As portas significam os caminhos que a alma pode seguir. A porta negra é o caminho do ascetismo e trabalho; a vermelha, o da fé; a azul, o da purificação, e a branca, o da iniciação e dos Mistérios Supremos. No Bhagavad-Gita, Krishna descreve esses caminhos e aqueles que os seguem, e revela que o último é o mais elevado e o mais perfeito.

O neófito entra pela porta negra do ascetismo e trabalho e está prestes a atravessar a porta vermelha do amor iluminado quando ela se fecha diante dele. Ele se volta para a porta da purificação e sacrifício, mas esta não o recebe. Então a estrela, o símbolo de seu daimon ou gênio essencial, lança-se pela porta branca. O destino decretou a iniciação. O neófito segue sua estrela.

O significado alquímico do relato revela que, no início da Grande Obra, o poder da escolha é dado ao operador, para que ele possa decidir o fim para o qual seu trabalho será direcionado.



A porta negra representa a fabricação do ouro material. A vermelha, o Remédio Universal para a cura das nações. A azul, o Elixir da Vida, e a branca, a Pedra do Filósofo. Pela porta escolhida, descobrimos que aspecto da Grande Obra nosso autor está considerando.



      1. SEÇÃO III









(Figura lI!, página 23)

Dois leões, um vermelho e outro negro, guardam a Coroa. A Coroa é Kether, fonte da sabedoria. O rei das feras simboliza a nobreza e a soberania. Em tempos antigos, figuras de leões decoravam os tronos dos príncipes. Esses animais também eram guardiões dos portões e, no Egito, a Esfinge, a leoa com cabeça humana, guardava a entrada para a Casa dos Mistérios.

A inscrição sobre o flanco do leão está invertida. Um símbolo invertido significa um poder pervertido: assim, a nobreza se torna tirania e a grandeza leva ao despotismo. Na introdução de seu escrito, Saint-Germain adverte seus discípulos sobre os dois adversários que o neófito deve vencer. Um, ele chama de mau uso do poder e o outro, indiscrição ou imprudência. O leão negro representa a tirania e o vermelho, a luxúria. Aqueles que querem alcançar a sabedoria devem vencer estes animais para alcançar a Coroa que fica além deles. O leão negro é a tentação do poder­o impulso para construir um império temporal num universo espiritual. O leão vermelho é a tentação para possuir. Seus ministros no corpo humano são as percepções sensoriais que desviam o candidato aspirante de seus caminho sagrado, e o conduzem para a esfera fantástica dos apetites e dos desejos. Não pode haver nenhum tipo de acordo com estes monstros da perversão.

Junto com a visão, aparecem suspensos o arco retesado da vontade e duas flechas com ponta de lança. E preciso armar rapidamente o arco e atirar a flecha no coração de cada fera. "Mate o desejo", decreta o mestre oriental. "Destrua a ambição", escreveu o sábio ocidental. As nuvens sobre as quais os leões estão significam a insubstancialidade das pompas e das circunstâncias do mundo, enquanto acima, no céu claro, a Coroa de Ouro paira sem ser sustentada. A sabedoria é uma base suficiente por si mesma, mas todos os outros corpos e condições dependem, para sua sustentação, da matéria frágil "de que são feitos os sonhos".

O painel acima dos leões ordena que o homem deve dobrar o joelho e adorar o Deus todo-poderoso que envia seu amor em esplendor alado, do primeiro ângulo do mundo (Áries). Informa também que o sexto signo, forte e poderoso, é o término e a conclusão das eras. Virgem, o sexto signo do Zodíaco, é o símbolo do serviço e da renúncia, pelo qual os leões podem ser vencidos. Aquele que renuncia à vida em troca da sabedoria, receberá uma vida mais plena.

Abaixo dos leões há um painel contendo caracteres gregos que significam: "Cada um deve borrifar-se com seu próprio vinho da montanha de Chios. Deve brindar a Deus diante da floresta. Deve se dar em troca daquilo que anseia." Essas palavras são de um antigo ritual. A floresta era o símbolo de Dionísio e foi em honra desse deus da floresta e da videira que o ritual da Comunhão foi inicialmente estabelecido. Beber de seu próprio sangue ou borrifar-se com seu próprio vinho é mergulhar ou ser Impregnado pelo poder da alma interior. A fermentação era a presença de Baco ou a vida no suco da uva, e os gregos usavam o símbolo da embriaguez, como o fazem os sufis do Islã, para representar o êxtase. Eles descreviam um homem em estado de êxtase como aquele "embriagado com Deus".




      1. Análise do Texto

A primeira iniciação é a da terra, representada pelas passagens negras nas regiões subterrâneas do vulcão. Para passar nesta prova, todas as partes do corpo devem ser subjugadas, transformando o corpo num instrumento perfeito da vontade iluminada. Os átomos e as moléculas do corpo devem vibrar sob nova maneira, até que não reste nenhuma parte do tecido físico que não pulse com a energia espiritualmente orientada.

O segundo mistério na ordem do Ritual de Mênfis é o da água, e no início desta seção, o candidato se encontra em pé sobre a praia de um vasto lago subterrâneo. Este é o mar do éter que separa os dois mundos. É o corpo úmido da terra, a esfera da geração. Aquele que quer alcançar o mundo invisível deve atravessar este mar, isto é, tornar-se senhor dos poderes geradores da natureza. Conduzido pela estrela brilhante, o candidato se lança no meio das ondas. Com sua lâmpada colocada sobre o topo de sua cabeça, ou chacra coronário (o fogo do espírito elevado para a glândula pineal), ele luta para dominar as correntes do mundo etérico. Sua força falha e ele grita pela ajuda da Causa Universal. Aparece um barco e sentado nele está o rei da terra com uma coroa de ouro em sua fronte. Mas o barco aponta de volta para a margem da qual o neófito havia partido. O homem coroado oferece os reinos da terra, mas o discípulo da sabedoria que se elevou acima dessas coisas não pode ser tentado tão facilmente. Fortalecido pela coragem da decisão reta e auxiliado pelos gênios invisíveis, o candidato luta para alcançar a margem distante. Diante dele, ergue-se o muro prateado da lua, a senhora do mar, cujo domínio ele atravessou.

A iniciação pelo fogo o aguarda. Tendo dominado o princípio vital da natureza pelo qual o crescimento e a propagação são controlados, em seguida, o candidato enfrenta a ambição, o fogo do orgulho e a tirania ardente dos excessos emocionais. Ele observa os leões, símbolos do fogo. A chave para o curso de ação é revelada pelos hieróglifos. Os leões, a escrita e o muro se dissolvem. O caminho se estende pela esfera da chama eterna.



O aspecto alquímico do simbolismo é o da purificação ou o banho dos elementos da Pedra. Neste processo de purificação, eles passam de um estado terrestre, através de uma condição vaporosa ou aquosa, para uma qualidade fogosa ou gasosa. A umidade limar presente em todos os corpos deve ser secada, o que levou os filósofos gregos a declararem que "uma alma seca é uma alma sábia". Os platônicos interpretaram isto como significando que o domínio do princípio lunar trazia o final do reino da corrupção, pelo qual todos os corpos acabam sendo dissolvidos. A lua rege a geração física ou a perpetuação das formas corruptíveis, mas o sol tem domínio sobre a geração espiritual, a criação de corpos incorruptíveis. O homem é a progênie do fogo (o sol), da água (a lua) e do ar (o pássaro de Thoth). A tentação pelo rei com a coroa dourada sugere uma das dificuldades mais comuns da tradição alquímica. Muitos dos que tentaram esta arte falharam em sua busca da sabedoria porque ficaram fascinados pelos sonhos de riqueza. O ouro material tenta o alquimista para longe de sua busca espiritual pela iluminação e imortalidade.

SEÇÃO IV





(Figura IV, página 30)

Sobre um altar formado pelos doze anéis de uma serpente alada, enrolada ao redor de uma lança, repousa a taça da Eternidade. Essa imagem deriva da serpente cíclica usada com _uita freqüência nos Rituais de Serapis. Os doze anéis da cobra SIgnificam o ano filosófico e o caminho espiral do sol pelas cOnstelações zodiacais. Na preparação da Pedra do Sábio, os elementos atravessam doze estágios de ampliação. Em cada um desses ciclos, o poder da matéria é intensificado, fato sugerido Pelo aumento constante do tamanho das espirais da serpente. A figura também lembra aquilo que os sábios chamaram de vórtice filosófico - a forma natural da força anímica no corpo humano

Em Ísis Desvelada, H. P. Blavatsky escreve: "Antes que o nosso globo adquirisse a forma de ovo ou a forma redonda, era uma longa trilha de poeira cósmica ou vapor de fogo, movendo­se e revolvendo-se como uma serpente. Isto, segundo as explicações, era o Espírito de Deus movendo-se no Caos até que seu sopro incubou a matéria cósmica e a fez adquirir a forma anular (...)." Nos Oráculos Caldeus, o Fogo Universal se movimenta de forma serpentina. O presente símbolo é a Sabedoria Universal que se move como uma serpente alada sobre a superfície do caos primitivo - isto é, o corpo não regenerado do neófito. O ritual dos Mistérios Sabazianos incluía desenhar uma cobra viva no peito do candidato. No desenho, a serpente é enrolada ao redor da coluna vertebral - a lança - e forma um suporte apropriado para a taça da imortalidade.

Ao lado deste estranho altar está a espada incrustada com pedras preciosas. Quase imperceptíveis sobre sua bainha estão gravados os antigos símbolos do olho, do coração e da boca, que simbolizam as três pessoas da Tríade Criativa - vida no coração, luz no olho, respiração na boca. A vida, a luz e a respiração são as fontes de todas as 'coisas e de sua união no símbolo cruciforme o candidato deve forjar a arma para a sua proteção contra as trevas elementais. O símbolo do ciclo deve ser vencido pela sabedoria.

Esta é a "espada da decisão rápida" com a qual o neófito oriental deve cortar rente os ramos serpentiforme da figueira-de-bengala do mundo, o emblema dos ciclos que se auto-renovam e da lei

do renascimento. A serpente é a espiral da evolução. A taça contém o luminoso mar nirvânico no qual a alma se funde nO final. A espada é a vontade iluminada - a mesma espada que resolve o enigma do Nó Górdio da vida, cortando-o de um SÓ golpe.

As palavras secretas do painel superior expressam este pensamento. Traduzidas, significam: "Reverencia este vaso (arca ou taça) da Eternidade. Oferece livremente uma parte de ti mesmo para IA (Iah ou Jah, Jehovah) e para o canto (ou ângulo) em reconciliação." Isto deriva do simbolismo dos caldeus, que consideravam a Causa Universal como o Senhor dos Ângulos.


      1. Análise do Texto

O candidato entra no lugar do fogo. Um grande mar de chamas (o mundo astral) se estende em todas as direções, borbulhando e ardendo numa fúria infernal. O daimon ordena ao candidato que avance. Com a mente fixa na Realidade, o discípulo obedece e acaba descobrindo que o fogo perdeu seu calor, e caminha incólume em meio à conflagração. Ele se encontra no Templo do Fogo Sideral, no meio do qual está a forma verde­dourada de uma serpente com olhos de rubi e escamas em forma de figuras geométricas. A natureza do fogo é claramente revelada, pois é dito que metade dele queima com uma luz vívida enquanto a outra metade é sombreada e escura. É a serpente da luz astral, que, segundo Eliphas Levi, se enrola ao redor de toda flor que cresce no jardim de Kama, ou desejo. O yogue, em sua meditação, sabe bem o significado da Casa do Fogo e a serpente que a guarda. Aqui o candidato descobre o significado do Espírito do Fogo Universal que, dirigido para baixo, é a raiz de todo o mal, mas se é direcionado para cima, atrai todos os homens para a sabedoria. O fogo-serpente deve ser vencido. A espada está à mão, e com ela o candidato golpeia os anéis de bronze. O bronze é o metal composto que simboliza o corpo do homem, antes da filosofia reduzi-lo a seus elementos simples.

O Senhor do Mundo do Fogo é vencido. Os sentidos são controlados e os apetites estão sob o domínio férreo da vontade. A raiva, o ódio e o orgulho foram exilados da alma. Os três fogos _a ilusão se extinguiram. A miragem da luz astral desvanece-se integralmente em meio a uma terrível explosão de som e cor. O candidato é erguido através dos Arcos do submundo. Ele passa rapidamente pelos monstros que habitam os limiares do excesso.

A espada cruciforme espalha a maléfica aglomeração das trevas neófito vai subindo, vai subindo, através das numerosas camadas do globo (as órbitas das estrelas internas), depois de seus três dias (graus) nas trevas do Hades. A pedra é rolada Para o lado e, finalmente, com uma explosão de glória, ele emerge na luz do dia - a esfera do ar onde mora a mente que deve Ser

conquistada em seguida.

A filosofia alquímica é evidente. a espaço circular é Um vaso de destilação colocado no meio da chama da fornalha. A serpente representa os elementos que estão dentro da retorta e o candidato modela outros elementos que têm o poder de dissolver e corroer a serpente. A subida do candidato através dos muros do globo significa aqui os vapores que, subindo através do tubo comprido do destilador, escapam do inferno aquecido abaixo.




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