A santissima trinosofia



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CAPITuLO II



o MAIS RARo DOS MANUSCRITOS OCULTOS
Este manuscrito único, La Tres Sainte TrinosoPhie, é de máxima importância para todos os estudiosos da maçonaria e das ciências ocultas. Não só é o único escrito místico do conde de Saint-Germain, como também é um dos documentos mais extraordinários relativos às ciências herméticas jamais compilado. Embora as bibliotecas dos rosacruzes e dos cabalistas europeus contenham muitos tesouros raros do antigo saber filosófico, é extremamente duvidoso que qualquer uma delas tenha um tratado de maior valor ou importância. Há um persistente rumor de que Saint-Germain possuía uma magnífica biblioteca e que preparou certa quantidade de manuscritos sobre as ciências secretas para o uso de seus discípulos. Por ocasião de sua morte ou desaparecimento, esses livros é escritos desapareceram, provavelmente ocultos nos arquivos de sua sociedade, e nenhuma informação confiável está hoje disponível quanto ao seu paradeiro.

Sabe-se que o misterioso conde possuía numa época uma cópia do manuscrito da Cabala, pertencente ao Vaticano, obra de extraordinária profundidade que descrevia as doutrinas dos Luciferianos, Lucianistas e dos Gnósticos. O segundo volume de A Doutrina Secreta de H. P. Blavatsky (pp. 582-83 da edição normal) contém duas citações de um manuscrito "supostamente de autoria do conde Saint-Germain". As partes dos parágrafos atribuídos ao iniciado húngaro não são claramente indicados, mas como o texto inteiro aborda o significado dos números, é razoável inferir que seus comentários sejam interpretações místicas dos numerais 4 e 5. Os dois parágrafos são semelhantes em conteúdo ao Puissance des nombres d'apres Pythagore de Jean Marie Ragon. O Mahatma Koot Hoomi menciona um "Ms. cifrado" de Saint­Germain que ficou com seu fiel amigo e patrono, o bondoso príncipe Charles de Hesse-Cassel (ver Mahatma Letters to A. P. Sinnett). Referências a Saint-Germain comparativamente pouco importantes, e especulações mirabolantes quanto à sua origem e ao propósito de suas atividades européias são abundantes, mas a pesquisa extremamente exaustiva da obra dos biógrafos do século XVIII em busca de informações relativas às doutrinas maçônicas e metafísicas que ele promulgou foram infrutíferas. Até onde foi possível assegurar, a presente tradução e publicação de La Tres Sainte TrinosoPhie oferece a primeira oportunidade para possuir uma obra que mostra... da usual maneira velada e simbólica... as doutrinas esotéricas de Saint-Germain e seus associados.



*** Desde a primeira publicação desta obra, outro manuscrito de Saint-Germain foi encontrado. Está em minha posse e será publicado em breve. (M. P. H.)
La Tres Sainte Trinosophie é MS. nQ 2400 na Biblioteca Francesa de Troyes. A obra não é extensa, consistindo em noventa e seis folhas escritas de um só lado. A caligrafia é excelente. Embora um tanto irregular na ortografia e na acentuação, o francês é usado de forma erudita e dramática, e o texto é adornado por numerosas figuras, bem desenhadas e de cores brilhantes. Além dos desenhos de página inteira, há pequenos símbolos no início e no fim de cada seção. Pelo texto francês estão espalhadas letras, palavras e frases em várias línguas antigas. Há também símbolos mágicos, figuras parecidas com hieróglifos egípcios e algumas palavras numa escrita que parece cuneiforme. No final do manuscrito há várias folhas escritas em criptogramas arbitrários, possivelmente o código usado pela sociedade secreta de Saint­Germain. A obra foi provavelmente executada no final do século XVIII, embora a maior parte do material pertença a um período consideravelmente anterior.

Infelizmente, muito pouco se sabe quanto à história deste notável manuscrito. O ilustre mártir maçom, o conde Allesandro Cagliostro, levava consigo este livro, entre outros, durante sua desventurada viagem a Roma. Depois do encarceramento de Cagliostro no Castelo San Leo, todos os vestígios do manuscrito foram temporariamente perdidos. Finalmente seus pertences literários acabaram caindo em posse de um general do exército de Napoleão, e com a morte deste oficial, La Tres Sainte Trinosophie foi comprada a um preço simbólico pela Biblioteca de Troyes. Em seu Musée des Sorciers, Grillot de Givry acrescenta algo às minguadas notas com relação ao manuscrito. Ele afirma que o volume foi comprado na venda das posses de Messena, que na frente do livro há uma nota de um filósofo que assina como "I. B. C. Philotaume", que declara que o manuscrito lhe pertencia e é a única cópia existente da famosa TrinosoPhie do conde de Saint­Germain, cujo original o próprio conde destruiu numa de suas viagens. A nota acrescenta, então, que Cagliostro havia possuído o volume, mas que a Inquisição o confiscou em Roma quando ele foi aprisionado no final de 1789. (Deve-se lembrar que Cagliostro e sua esposa visitaram Saint-Germain num castelo em Holstein). De Givry resume o conteúdo de La Tres Sainte TrinosoPhie como "alquimia cabalizada" e descreve Saint-Germain como "um dos personagens enigmáticos do século XVIII... um alquimista e homem do mundo que passou pelas salas de estar de toda a Europa e acabou caindo nas masmorras da Inquisição em Roma, se acreditarmos no manuscrito."

Ô título do manuscrito, La Tres Sainte TrinosoPhie, traduzido para o português significa "A Santíssima Trinosofia" ou "A Santíssima Sabedoria Tríplice". O próprio título abre um campo considerável de especulações. Existe alguma ligação entre La Très Sainte TrinosoPhie e a irmandade maçônica de Lês TrinosoPhists, que foi fundada em 1805 pelo eminente maçom e místico belga Jean Marie Ragon, já mencionado? O conhecimento do ocultismo que Ragon possuía é mencionado em termos de altíssimo respeito por H. P. Blavatsky que diz dele que "durante cinqüenta anos, estudou os antigos mistérios onde quer que encontrasse relatos deles". Seria possível que Ragon, quando Jovem, tivesse conhecido Saint-Germain ou contatado sua sociedade secreta? Ragon foi definido por seus contemporâneos como "o mais erudito maçom do século XIX". Em 1818, perante a Loja de Les TrinosoPhists, ele deu uma série de palestras sobre iniciação antiga e moderna, que repetiu a pedidos daquela loja em 1841. Essas palestras foram publicadas com o título Cours Philosophique et lnterprétatif des lnitiations Anciennes et Modernes. Em 1853, Ragon publicou sua obra mais importante Orthodoxie Maçonnique. Ragon morreu em Paris por volta de 1866 e dois anos depois seus manuscritos inacabados foram adquiridos de seus herdeiros pela Grand Orient da França por mil francos. Um maçom de grau elevado disse a Madame Blavatsky que Ragon havia se correspondido durante anos com dois orientalistas na Síria e no Egito, um dos quais era um cavalheiro copta.

Ragon definiu a Loja dos TrinosoPhistas como "aqueles que estudam três ciências". Madame Blavatsky escreve: "E sobre as propriedades ocultas das três linhas ou lados iguais do Triângulo que Ragon baseou seus estudos e fundou a famosa Sociedade Maçom dos TrinosoPhistas." Ragon descreve substancialmente o simbolismo do triângulo conforme se segue: "O primeiro lado ou linha representa o reino mineral, que é o estudo adequado para Aprendizes. A segunda linha representa o reino vegetal que os Companheiros deveriam aprender a entender porque nesse reino começa a geração dos corpos. A terceira linha representa o reino animal de cuja exploração o Mestre Maçom deve completar sua educação." Dizem sobre a Loja dos Trinosofistas que "houve uma época em que foi a mais inteligente sociedade maçônica jamais conhecida. Ela aderia aos antigos Preceitos mas fornecia interpretações mais claras e mais satisfatórias dos símbolos da maçonaria do que as dadas nas Lojas simbólicas", Ela praticava cinco graus. No terceiro, os candidatos à iniciação recebiam uma explicação filosófica e astronômica da lenda de Hiram.

A interpretação egipcianizada do simbolismo maçom, que é tão evidente nos escritos de Ragon e outros estudiosos maçons franceses do mesmo período (tais como Court de Gebelin e Alexandre Lenoir), também está presente nas figuras e no texto do manuscrito de Saint-Germain. Em seus comentários sobre o Ritual de Misraim, chamado de Ritual Egípcio, Ragon distingue 90 graus dos Mistérios Maçonicos. Do primeiro ao 33° graus ele chama de simbólico; do 34° ao 66° graus, filosófico; do 67° ao 77° graus, místico; e do 78° ao 90°, cabalístico. A Maçonaria Egípcia de Cagliostro pode também ter derivado de Saint-Germain ou de algum corpo comum de lluministas de quem Saint-Germain era o espírito propulsor. As memórias de Cagliostro contêm uma afirmação direta de sua iniciação na Ordem dos Cavaleiros Templários pelas mãos de Saint-Germain. De Luchet fornece o que um escritor moderno sobre Cagliostro chama de relato fantástico da visita que Allesandro e esposa, a condessa Felicitas, fizeram a Saint-Germain na Alemanha, e sua subseqüente iniciação por ele na seita dos rosacruzes - da qual ele era o Grande Mestre, ou chefe. Não há nada de improvável na suposição de que Cagliostro tenha recebido La Tres Sainte TrinosoPhie de Saint­Germain e que o manuscrito seja, em todos os aspectos, um autêntico ritual desta sociedade.

A palavra TrinosoPhie infere bem apropriadamente um significado triplo ao conteúdo do livro, em outras palavras, que seu significado deveria ser interpretado com a ajuda de três chaves. Segundo o simbolismo, parece que uma dessas chaves é alquimia, ou química da alma. Outra, Cabalismo Essênio, e a terceira, Hermetismo Alexandrino, o misticismo dos egípcios mais recentes. Segundo fragmentos do saber rosacruz que hoje existem, torna-se evidente que os Irmãos da Rosa Cruz eram especialmente ligados a essas três formas de sabedoria antiga, e escolheram os símbolos dessas escolas como veículos de suas idéias.

A tarefa técnica de decodificar os hieróglifos que aparecem em La Tres Sainte TrinosoPhie foi designada ao doutor Edward C. Getsinger, eminente autoridade em alfabetos e línguas antigas, que agora está empenhado em decodificar os criptogramas PrImitivos do Livro do Gênese. Algumas palavras de suas anotações darão a idéia das dificuldades envolvidas na decodificação:
"Os escritos arcaicos costumam ser num sistema de letras ou caracteres, mas aqueles dentre os antigos, que estavam de posse dos mistérios sagrados da vida e de certos ciclos astronômicos secretos, nunca confiaram esse conhecimento à escrita comum, mas inventaram códigos secretos com os quais ocultavam sua sabedoria dos não merecedores. Cada uma dessas comunidades ou fraternidades dos iluminados inventava seu próprio código. Por volta de 3000 a. C., somente os Iniciados e seus escribas sabiam ler e escrever. Naquele período, estavam em voga os métodos mais simples de ocultamento, um dos quais era omitir determinadas letras das palavras, de maneira que as letras remanescentes ainda formassem uma palavra que, porém, transmitia um sentido totalmente diferente. Com a sucessão das eras, outros sistemas foram inventados, até que a engenhosidade humana excedeu os limites no empenho de ocultar, e ao mesmo tempo, perpetuar o conhecimento sagrado.

Com o intuito de decifrar escritos antigos de uma natureza religiosa ou filosófica, primeiro é necessário descobrir o código ou método de ocultamento usado pelo escriba. Em todos os meus vinte anos de experiência como leitor de escritos arcaicos, nunca encontrei códigos e métodos de ocultamento tão engenhosos como os encontrados neste manuscrito. Em apenas poucos casos, frases completas são escritas no mesmo alfabeto; usualmente duas ou três formas de escrita são usadas, com letras escritas de cabeça para baixo, invertidas ou com o texto escrito de trás para a frente. Freqüentemente, as vogais são omitidas, e às vezes, várias letras estão faltando com apenas pontos para indicar sua quantidade. Todas as combinações de hieróglifos pareciam infrutíferas no início, no entanto, após horas de dissecação alfabética, aparecia uma palavra conhecida. Isto dava uma dica quanto à linguagem usada, e estabelecia um lugar onde a combinação de palavras poderia começar, e então, uma sentença se desdobrava gradualmente.

Os diversos textos são escritos em hebraico caldeu, grego jônico, árabe, siríaco, cuneiforme, hieróglifos gregos e ideogramas. A nota chave neste material é a da aproximação da era em que a Perna do Grande Homem e o Aquário do Zodíaco irão se encontrar em conjunção no equinócio e terminar um grande ciclo de 400.000 anos. Isto aponta para uma culminação de éons, conforme mencionado no Apocalipse: 'Vejam! Eis que eu crio um novo céu e uma nova terra', significando uma série de novos ciclos e uma nova humanidade.

O personagem que reuniu o material neste manuscrito foi de fato alguém cujo entendimento espiritual poderia ser invejado. Sem dúvida, ele encontrou estes diversos textos em diferentes partes da Europa. Que ele possuía o verdadeiro conhecimento de sua importância é provado pelo fato de que tentou ocultar cerca de quarenta textos antigos fragmentados, espalhando-os dentro das linhas de sua escrita. No entanto, seu próprio texto não parece ter qualquer conexão com estes escritos antigos. Caso um decifrador se guiasse pelo que este erudito eminente escreveu, ele jamais decifraria o mistério oculto dentro das palavras críticas. Há uma maravilhosa história espiritual escrita por esse sábio, e uma ainda mais maravilhosa que ele entreteceu dentro do padrão de sua própria narrativa. O resultado é uma história dentro de uma história."



A reimpressão do texto francês de La Tres Sainte TrinosoPhie é um facsimile fotostático completo da obra original que está na biblioteca de Troyes. O presente manuscrito é sem dúvida uma cópia, como "Philotaume" afirmou. Os caracteres arcaicos e os hieróglifos revelam pequenas imperfeições de fonação devido ao copista não ter familiaridade com os alfabetos usados. A considerável extensão das notas e dos comentários tornou aconselhável colocá-los juntos no final da obra em vez de quebrar a continuidade do texto com freqüentes interpolações.

La Tres Sainte Trinosophie não é um manuscrito para principiantes. Somente um profundo estudo e reflexão irão desvelar o complicado tecido de seu simbolismo. Embora a matéria do texto seja tratada com a maior simplicidade, cada linha é um profundo enigma. Um cuidadoso estudo do livro, e meditação sobre seu conteúdo, convencerão o estudioso de que ele foi denominado apropriadamente de "o mais precioso manuscrito de ocultismo conhecido".

PARTE II
A SANTÍSSIMA TRINOSOFIA

  1. Conde de Saint-Germain








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