A saga dos Foxworth 4 Sementes do Passado



Baixar 1,31 Mb.
Página1/12
Encontro26.07.2018
Tamanho1,31 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12



A SAGA DOS FOXWORTH — 4
Sementes do Passado

Virgínia C. Andrews
http://groups.google.com/group/digitalsource



PRIMEIRO LIVRO
FOXWORTH HALL
E assim chegou o verão em que, quando eu tinha cinqüenta e dois anos, e Chris, cinqüenta e quatro, cumpriu-se finalmente a promessa de riquezas que nossa mãe nos tinha feito fazia muito tempo, quando Chris e eu tínhamos quatorze e doze anos, respectivamente.

Os dois ficamos de pé contemplando aquela enorme e espantosa casa que tínhamos esperado não voltar a ver jamais. Embora não fosse uma reprodução exata do Foxworth Hall original, senti um estremecimento interior. Que preço tínhamos tido que pagar, Chris e eu, para estar aí, onde nos achávamos nesse momento, donos provisórios dessa gigantesca casa que devia permanecer em ruínas carbonizadas! Em outro tempo muito longínquo, eu tinha acreditado que os dois viveríamos naquela casa, como uma princesa e um príncipe, e que entre nós existia o toque dourado do rei Midas, embora melhor controlado.

Não tornei a acreditar em contos de fadas. Tão vivamente como se tivesse acontecido no dia anterior, recordei aquela rude noite do verão, tenuemente iluminada pela mística luz da lua cheia e estrelas mágicas em um céu de veludo negro, quando nos aproximamos desse lugar por primeira vez; com a esperança de que unicamente nos aconteceria o melhor para acabar encontrando somente o pior.

Naquela época Chris e eu éramos tão jovens, inocentes e confiantes que acreditávamos em nossa mãe, amávamo-la, deixávamo-nos guiar por ela enquanto nos conduzia, a nós e a nossos irmãos gêmeos, uma dupla de cinco anos, através de uma noite em certo modo horrível, para aquela mansão chamada Foxworth Hall. A partir daquele momento, todos nossos dias futuros estariam iluminados pelo verde, símbolo de riqueza, e o amarelo da felicidade.

Que fé tão cega tivemos quando a seguíamos de perto!

Encerrados naquele sombrio e lúgubre quarto no alto da escada, jogados naquele sótão mofado e poeirento, tínhamos conservado nossa confiança nas promessas de nossa mãe de que algum dia possuiríamos Foxworth Hall e todas suas fabulosas riquezas. Entretanto, apesar de suas promessas, um velho avô, cruel e desumano, com um perverso, mas tenaz coração, que recusava deixar de pulsar para que quatro jovens corações, transbordantes de esperança, pudessem viver, impedia-o; de modo que nós esperamos e esperamos, até que transcorreram mais de três longuíssimos anos e sem que mamãe cumprisse sua promessa.

E não cumpriu, até o dia em que ela morreu e se leu sua última vontade; quando Foxworth Hall caiu sob nosso controle. Ela tinha legado a mansão a Bart, seu neto favorito, meu filho e de seu próprio segundo marido; mas até que Bart fizesse vinte e cinco anos as propriedades ficavam sob a custódia do Chris.

A reconstrução de Foxworth Hall tinha sido ordenada antes que ela partisse para a Califórnia para nos buscar, mas até depois de sua morte não foram completados os últimos retoques da nova Foxworth Hall.

Durante quinze anos a casa permaneceu vazia, cuidada por zeladores, administrada legalmente por uma junta de advogados que tinham escrito ou telefonado a Chris para discutir com ele os problemas que foram surgindo. A mansão aguardava, ofendida talvez, o dia em que Bart decidisse viver ali, como sempre tínhamos suposto que faria um dia. E agora nos cedia isso por um curto espaço de tempo para que fosse nossa até que ele chegasse e tomasse posse de tudo.

"Sempre existe uma armadilha em cada presente oferecido", sussurrava minha mente suspicaz. E sentia o chamariz que nos oferecia para nos estender um laço de novo. Tínhamos percorrido, Chris e eu, um caminho tão comprido com o único fim de completar a volta ao círculo, retornando ao princípio?

Qual seria, desta vez, a armadilha? "Não, não", repetia-me mesmo uma e outra vez; a minha natureza receosa, sempre insegura, estava me dominando. Tínhamos o ouro sem empanar... tínhamos! Algum dia tínhamos que obter nossa recompensa! A noite tinha terminado: nosso dia tinha chegado por fim, e agora estávamos de pé, em plena luz dos sonhos que se realizaram.

Achar-nos aqui nesse momento, planejando viver nessa casa restaurada, pôs repentinamente uma amargura familiar em minha boca. Todo meu prazer desapareceu. Estava vivendo um pesadelo que não se desvaneceria quando abrisse os olhos.

Afastei tal sentimento e sorri ao Chris, apertando seus dedos. Contemplei a reconstruída Foxworth Hall, que se elevava entre as cinzas da antiga mansão para nos enfrentar e nos confundir de novo com sua majestade, seu formidável tamanho, sua sensação de albergar o mal e suas inumeráveis janelas com persianas negras como pálpebras pesadas sobre uns escuros olhos pétreos. Levantava-se imponente, reta e ampla, estendendo-se sobre várias centenas de metros quadrados, em uma grandeza tão magnífica que intimidava.

Era maior que muitos hotéis, construída em forma de um gigantesco "T", com uma enorme seção central da qual partiam alas que se projetavam em direção norte e sul, este e oeste.

Era construída com tijolos rosados. As numerosas persianas negras faziam jogo com o telhado de piçarra1. Quatro impressionantes colunas coríntias de cor branca suportavam o gracioso pórtico da fachada. Sobre a dupla e negra porta principal percebia-se uma espécie de fogo de artifício produzido pelos cristais coloridos.

Umas enormes peças de latão com brasão adornavam as portas e convertiam aquilo que podia ter sido singelo em algo elegante e menos sombrio.

Isso deveria me animar, se o sol não tivesse adotado, de repente, uma posição fugidia detrás de uma escura nuvem empurrada pelo vento. Levantei o olhar para o céu, que havia se tornado tempestuoso e cheio de maus presságios, anunciando a chuva e o vento. As árvores do bosque circundante começaram a balançar-se de tal modo que os pássaros se alvoroçaram alarmados, revoando e chilreando enquanto fugiam em busca de proteção. Os prados verdes, conservados sem mácula, em seguida ficaram cheios de ramos e folhas caídas e as flores, abertas em seus quadros dispostos de maneira geométrica, eram fustigadas sem piedade contra o chão.

Tremi e pensei: "me diga outra vez, Christopher querido, que tudo sairá bem. diga-me isso outra vez, porque agora que o sol se foi e a tormenta se aproxima, já não posso acreditá-lo."

Ele olhou também para cima, pressentindo minha crescente ansiedade, meu pouco desejo de seguir adiante, apesar da promessa formulada ao Bart, meu segundo filho. Fazia sete anos que os psiquiatras nos haviam dito que seu tratamento estava tendo êxito e que Bart era normal por completo e podia viver sua vida entre a sociedade, sem necessidade de nenhuma terapia.

Com a intenção de me animar, o braço do Chris se elevou para me rodear os ombros e seus lábios roçaram minha bochecha.

— Acabará por dar um bom resultado para todos nós. Sei que será assim. Já não haverá “Bonecas de Dresden” presas no sótão, pendentes de que os adultos façam o correto. Agora nós somos os adultos; controlamos nossas vidas. Até que Bart alcance a idade fixada para receber sua herança, você e eu somos os amos: o doutor Christopher Sheffield e sua esposa, de Manin County, Califórnia. Ninguém nos conhecerá como irmão e irmã. Não suspeitarão que somos legítimos descendentes dos Foxworth. Deixamos atrás de nós todos os nossos problemas. Cathy, esta é nossa oportunidade. Aqui, nesta casa, podemos reparar todo o dano que nos causaram e a nossos filhos, em especial ao Bart. Não governaremos com vontade de aço e punho de ferro, ao estilo do Malcolm, e sim com amor, compaixão e inteligência.

Chris me rodeava com seu braço, me estreitando contra seu flanco, e isso me fez reunir as forças suficientes para contemplar a casa sob uma nova luz. Era bonita. Pelo bem do Bart, ficaríamos até que cumprisse os vinte e cinco anos e, passado esse dia, Chris e eu partiríamos, acompanhados por Cindy, para o Havaí, onde sempre tínhamos querido passar nossa vida, perto do mar e das brancas praias. Sim, assim devia ocorrer. Sorridente, voltei-me para Chris:

— Tem razão. Não tenho medo desta casa, nem de nenhuma outra.

Ele riu brandamente e baixou seu braço até minha cintura, me apressando para que avançasse.

Pouco depois de ter finalizado seus estudos no instituto, meu filho mais velho, Jory, mudou-se para Nova Iorque para reunir-se com sua avó, Madame Marisha, em cuja companhia de balé se integrou. Logo foi mencionado pelos críticos em seus artigos e conseguia papéis principais. Sua namorada de infância, Melodie, tinha fugido para reunir-se a ele.

Na idade de vinte anos, meu Jory se casou com Melodie, um ano mais jovem que ele. Juntos tinham lutado e trabalhado para alcançar o topo. Formavam o casal de bailarinos mais notável do país, com uma coordenação bela e perfeita, como se um pudesse penetrar na memória do outro com um brilho do olhar. Durante cinco anos tinham permanecido na crista do sucesso. Cada representação provocava elogiosos comentários de crítica e público. Seus programas de televisão lhes proporcionaram uma audiência maior da que jamais teriam obtido somente com atuações em teatros.

Madame Marisha havia falecido enquanto dormia fazia dois anos, embora nos consolássemos sabendo que tinha vivido oitenta e sete anos e tinha trabalhado até mesmo no dia de sua morte.

Por volta dos dezessete anos, meu segundo filho, Bart, transformou-se quase magicamente, deixando de ser um estudante medíocre para converter-se no mais brilhante de sua escola. Nessa época Jory se estabeleceu em Nova Iorque. Naquele momento pensei que a ausência do Jory tinha provocado que Bart saísse de sua carapaça e que mostrasse interesse por aprender. Dois dias atrás se graduou na Faculdade de Direito de Harvard e foi o aluno que pronunciou o discurso de despedida de fim de curso.

Chris e eu tínhamos nos reunido com Melodie e Jory em Boston e, no enorme salão da Faculdade de Direito de Harvard, tínhamos presenciado como Bart recebia seu diploma de graduação. Cindy, nossa filha adotiva, não nos acompanhava, pois se encontrava então na Carolina do Sul, na casa de sua melhor amiga. Tinha me causado uma nova dor saber que Bart seguia sentindo ciúmes de uma garota que tinha feito todo o possível por obter sua aprovação, especialmente quando ele não tinha tratado absolutamente de ganhar a dela. Outro desgosto adicional para mim foi comprovar que Cindy não se liberara de sua antipatia por Bart a tempo de assistir à cerimônia.



“Não!”, havia me dito ela por telefone, “Não me importa que Bart me tenha enviado um convite! Só o fez por vaidade. Pode pôr dez títulos atrás de seu nome e eu seguirei sem admirá-lo nem simpatizar com ele! Não poderia, depois de tudo quanto me tem feito. Explica ao Jory e à Melodie o porquê, para não ferir seus sentimentos, mas não tem que dar explicações ao Bart; ele já sabe.”

Eu estava sentada entre Chris e Jory, assombrada de que meu filho, que em casa se mostrava tão reticente, caprichoso e pouco dado a comunicar-se com os outros, pudesse haver se elevado até o primeiro lugar de sua classe e ser renomado orador. Suas serenas palavras criaram um feitiço contagioso. Olhei de esguelha ao Chris que, pleno de orgulho, devolveu-me o olhar com uma piscada.

— Quem o teria adivinhado? É formidável, Cathy! Não está orgulhosa? Eu estou.

Sim, sim, é obvio, orgulhava-me ver o Bart lá em cima. Entretanto, sabia que o Bart do pódio não era o Bart que todos conhecíamos em casa. Possivelmente agora estava são; era completamente normal, como tinham assegurado os médicos.

Não obstante, no meu modo de ver, ainda existiam pequenos indícios de que Bart não tinha mudado de forma tão radical como seus médicos pensavam. Justo antes de nos separarmos havia me dito:

— Deve estar ali, mãe, quando eu assumir minha independência. — Nem sequer tinha mencionado a probabilidade de que Chris me acompanhasse. — Para mim, o importante é que você esteja ali.

Sempre tinha tido que esforçar-se para pronunciar o nome do Chris.

— Convidaremos o Jory e a sua esposa e, é obvio, também a Cindy. — Fez uma careta quando nomeou a moça.

Eu não conseguia compreender como podia haver alguém que sentisse tal animosidade por uma garota tão linda e doce como nossa querida filha adotiva. Teria sido impossível amar mais a Cindy caso tivesse sido carne de minha carne e sangue de meu Christopher Doll. De certo modo, desde que a tínhamos acolhido em nosso lar, quando só tinha dois anos, a tínhamos considerado nossa filha; verdadeiramente podíamos declarar que ela pertencia a ambos.

Cindy tinha dezesseis anos e era muito mais sensual do que eu tinha sido na sua idade. A diferença era que ela não tinha sofrido tantas privações como eu. Suas vitaminas, ela as tinha recebido do ar fresco e a luz do sol, elementos que tinham sido negados a quatro meninos prisioneiros. Cindy tinha desfrutado do melhor: bons mantimentos, exercício... Em troca, a nós só nos tinha dado o pior.

Chris perguntou se ficaríamos fora todo o dia, esperando que a copiosa chuva nos empapasse antes de entrar. Me chamava para dentro, me animando com sua calma confiança.

Lentamente, enquanto os trovões começavam a retumbar aproximando-se com rapidez e no céu carregado e escuro ziguezagueava a eletricidade de terríveis relâmpagos, aproximamo-nos do grande pórtico de Foxworth Hall.

Observei detalhes que antes me tinham permanecido inadvertidos. O chão do pórtico estava coberto por três tonalidades distintas de vermelho, que formavam um mosaico em que se desenhava um esplendoroso sol, que combinava com o sol do cristal que aparecia na parte superior das duplas portas principais. Olhei aquelas resplandecentes janelas e me alegrei. Não estavam ali antes. Possivelmente seria como Chris havia predito.

— Deixa de procurar algo que nos roube o prazer deste dia, Catherine. Vejo-o em seu rosto, em seus olhos. Juro e dou minha palavra de honra de que abandonaremos esta casa e partiremos para o Havaí logo que Bart tenha celebrado sua festa. Se uma vez ali se aproximar um furacão e enviar uma onda gigante que derrube nosso lar, asseguro que terá ocorrido porque você terá esperado que tal desgraça aconteça!

Fez-me rir.

— Não se esqueça do vulcão — disse sorrindo maliciosa. — Poderia nos arrojar lava ardente. — Ele riu e me deu uma palmada brincalhona no traseiro.

— Pára! Por favor, por favor! Em 10 de agosto estaremos no avião, mas aposto que então se preocupará pelo Jory, pelo Bart, e se perguntará o que estará fazendo nesta casa, completamente sozinho.

Nesse momento recordei algo que tinha esquecido. No interior de Foxworth Hall nos aguardava a surpresa que Bart tinha prometido que encontraríamos. Ele olhou-me de forma estranha quando me disse: “Mãe, ficará pasmada quando vir...” Fez uma pausa, sorriu, e o notei inquieto. “Viajei de avião até lá todos os verões só para comprovar como seguiam as obras e me assegurar de que a casa não estava abandonada à deterioração e a ruína. Dei ordens aos decoradores de interiores para que lhe dêem o aspecto exato que estava acostumada a ter, exceto em meu escritório. Quero que seja muito moderna, com todo o conforto eletrônico que eu necessitarei. Mas se quiser pode modificar algumas coisas para fazê-la mais agradável.”

Agradável? Como podia ser agradável uma casa como essa? Sabia o que se sentia ao estar encerrada ali dentro, engolida, apanhada para sempre. Estremeci ao ouvir o ruído de meus saltos altos junto ao som apagado dos sapatos do Chris enquanto nos aproximávamos das portas negras com seus brasões decorados com os emblemas heráldicos. Perguntei-me se Bart teria procurado até encontrar, entre os antepassados dos Foxworth, os títulos aristocráticos e os brasões que ele desejava desesperadamente e parecia necessitar. Em cada uma das negras portas tinha pesadas aldravas de cobre e, entre as portas, uma pequena campainha quase invisível, que fazia soar um timbre musical.

— Estou seguro de que esta casa está cheia de aparelhos modernos que sobressaltariam os genuínos habitantes dos lares históricos da Virginia — sussurrou Chris.

Sem dúvida Chris tinha razão. Bart estava apaixonado pelo passado, mas ainda mais envolvido com o futuro. Não havia engenho eletrônico saído no mercado que ele não comprasse!

Chris tirou do bolso a chave da porta que Bart lhe tinha entregado no mesmo instante em que tomamos o avião de Boston. Chris me sorriu quando introduziu a grande chave de latão na fechadura. Antes de completar o giro, a porta se abriu silenciosamente. Assustada retrocedi um passo. Chris me empurrou de novo para frente, enquanto falava com cortesia ao velho que nos convidou a entrar com um gesto.

— Entrem — disse com voz débil, mas rouca, ao mesmo tempo em que nos examinava de cima abaixo. — Seu filho telefonou e me pediu que os esperasse. Estou contratado para ajudar..., por assim dizê-lo.

Observei com atenção o fraco ancião que se inclinava de tal modo que sua cabeça se projetava de forma desajeitada e parecia que se achava escalando uma montanha, mesmo estando sobre uma superfície plana. Tinha o cabelo descolorido, nem cinza nem loiro. Seus olhos eram de um aquoso azul pálido, as bochechas esvaídas, os olhos afundados, como se tivesse padecido tremendos sofrimentos durante muitos, muitíssimos anos. Havia algo nele que me parecia familiar.

Minhas pernas, como se de repente fossem de chumbo, negavam-se a mover-se. O vento feroz agitava a larga saia de meu vestido branco do verão, elevando-a suficiente para mostrar meus quadris no momento em que punha um pé dentro do faustuoso vestíbulo da Fênix chamada Foxworth Hall.

Chris permanecia muito perto de mim. Soltou-me a mão para rodear os meus ombros com o braço.

— Sou o doutor Christopher Sheffield e esta senhora é minha esposa. — Apresentou-nos com seu estilo amável. — Como está você?

O magro ancião parecia relutante em estender a mão para estreitar a forte mão de Chris. Em seus magros e velhos lábios se desenhava um sorrisinho torcido, cínico, que duplicava a malícia de uma sobrancelha erguida.

— Encantado de conhecê-lo, doutor Sheffield.

Eu era incapaz de afastar a vista daquele velho curvado de olhos azuis. Havia algo em seu sorriso, seu cabelo fino com grandes mechas lisas, aqueles olhos com suas surpreendentes pestanas escuras... Papai! Se pareceria com nosso pai se ele tivesse vivido o tempo suficiente para chegar a ser tão velho como esse homem que tínhamos diante de nós e tivesse sofrido toda classe de torturas conhecidas pela humanidade. Recordava meu papai, meu adorável e bonito pai, que tinha sido a alegria da minha juventude. Como tinha desejado voltar a vê-lo algum dia!

A velha mão fibrosa foi agarrada firmemente por Chris e foi então que o velho nos disse quem era ele.

— Sou seu velho tio perdido, conforme se acreditava, nos Alpes suíços, faz agora cinqüenta e sete anos.



  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal