A reforma e a contra-reforma



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A REFORMA E A CONTRA-REFORMA1


  • A REFORMA

- Movimento de ruptura da unidade da Igreja Cristã na Europa Ocidental no século XVI marcado pelo surgimento de novas religiões cristãs (igrejas protestantes).

  • SIGNIFICADO: foi um movimento religioso de adequação aos novos tempos capitalistas; representou, no campo espiritual, um ajustamento de ideais e valores às transformações socioeconômicas da Europa.

  • PRECURSORES:

+ Movimentos heréticos do século XIV:

- John Wyclif (Universidade de Oxford na Inglaterra); John Huss (Universidade de Praga na Boêmia).

+ Humanistas:

- Erasmo de Rotterdam; Thomas Morus.



  • MOTIVOS:

+ A crise do feudalismo.

+ Desenvolvimento dos Estados Nacionais:

- contradições decorrentes do universalismo da Igreja e dos interesses dos nascentes Estados Nacionais; conflito entre o poder temporal e o espiritual; excessiva interferência da Igreja nos assuntos internos dos Estados europeus.

+ Interesse da nobreza e da burguesia nas terras da Igreja.

+ Necessidade de uma nova ética econômica mais adequada à época da transição (nova teologia):

- a ética cristã escolástica condenava a usura, o comércio, o lucro e defendia o “justo preço”.

+ O confronto entre dois sistemas teológicos:

- o tomismo (São Tomás de Aquino): livre arbítrio, boas obras, o “justo preço”; teologia agostiniana (Santo Agostinho): predestinação, fé.

+ Crise moral da Igreja:

- despreparo da maioria dos membros do clero; determinados “abusos” do clero: venda de indulgências, relíquias e cargos; a opulência e o luxo do alto clero.

+ desenvolvimento do capitalismo e da burguesia.

· Causa Imediata: a venda de indulgências (absolvição papal a pecados cometidos).



· O Luteranismo:

+ Alemanha: parte do Sacro Império Romano Germânico, região feudal, incipiente comércio, 1/3 do território pertencia a Igreja, desejo de autonomia em relação a Roma.

· Martinho Lutero:

- monge agostiniano e professor da Universidade de Wittenberg (na Saxônia); em 1517, revoltou-se com a venda de indulgências (realizada na Alemanha pelo dominicano João Tetzel a mando do papa Leão X que queria recursos para a construção da Basílica de São Pedro);

- as 95 Teses: condenava a venda de indulgências e alguns dogmas da Igreja e criticava o sistema clerical dominante.

· Reação da Igreja:

- em 1520 por meio de uma bula o papa Leão X condenou Lutero e intimou-o a se retratar: Lutero queimou a bula papal.

- Lutero foi excomungado e obrigado a se submeter a um tribunal secular: o imperador Carlos V não teve condições de punir Lutero em função de sua popularidade e do apoio dos príncipes.

- Na Dieta de Worms (1521), Lutero foi condenado como herege: Lutero negou-se a se retratar e com o apoio da nobreza não foi punido (refugiou-se no castelo do príncipe da Saxônia) Ò traduziu a Bíblia latina para o alemão (tratava-se da língua vernácula – popular – sendo a obra conhecida como Bíblia de Setembro, de 1522).

- Na Dieta de Spira (1529), tentou-se conter o luteranismo (tolerar a doutrina luterana nas regiões convertidas, mantendo, porém, a proibição no restante do país), havendo protestos (daí o nome de protestantes).

- Na Dieta de Augsburgo (1530), o desacordo originou sérias lutas entre o imperador (Carlos V) e os nobres (Liga de Smalkade): guerra de religião.

· Confissão de Augsburgo: escrita por Lutero e o teólogo Felipe Melanchton Ò fundamentava a doutrina luterana:

- Extinção da hierarquia eclesiástica; apenas dois sacramentos: batismo e comunhão; Bíblia como fonte de fé e livre exame; salvação obtida exclusivamente pela fé; uso das línguas nacionais; supressão do celibato e das imagens (ícones); submissão da Igreja ao Estado; negação da transubstanciação (transformação do pão e vinho em corpo e sangue de Cristo) e aceitação da consubstanciação (o pão e o vinho quando abençoados são as mesmas substâncias, obtendo-se, porém, a presença sagrada, divina).

- Estados do Norte da Alemanha, Dinamarca, Noruega, Suécia, regiões bálticas.

· Paz de Augsburgo (1555): estabelecia que a religião dos súditos seria aquela professada pelo príncipe Ò princípio: cujus Regis ejus religio (“tal príncipe, sua religião”).

· Revolta Camponesa (1524-1525):

- liderada por Thomas Müntzer e Florian Geyer.

- caráter nitidamente antifeudal; composta pelos anabatistas influenciados pelas idéias luteranas.

- milenarismo: crença popular que dizia que Cristo voltaria uma segunda vez, combatendo os males e instituindo o reino de Deus na terra, com a duração de mil anos, e no fim haveria a ressurreição dos mortos e o Juízo Final.

- os anabatistas acreditavam, também, no estabelecimento de uma sociedade igualitária, justa e sem hierarquia.

- Lutero condenou violentamente esses camponeses, movendo contra eles uma guerra sem trégua, o que demonstrava o seu comprometimento com a nobreza alemã.

- violenta repressão por parte dos príncipes alemães.



  • A EXPANSÃO DA REFORMA:

· O Calvinismo:

+ a Suíça: região de próspero comércio e independente do Sacro Império Romano Germânico Ò iniciou a Reforma protestante com Urich Zwinglio Ò guerra civil Ò Paz de Kappel (autonomia religiosa as regiões do país).

+ João Calvino: francês.

- “Instituição da religião cristã”; pregação e controle da vida religiosa, moral e política dos cidadãos.



+ Doutrina Calvinista:

- extinção da hierarquia eclesiástica; apenas dois sacramentos: comunhão e batismo; Bíblia como fonte de fé, livre exame; salvação obtida através da graça de Deus (predestinação); uso das línguas nacionais; condenava a adoração de imagens; sábado como dia santificado.

- culto: comentário sobre a Bíblia

- aproximava-se da moral burguesa: encorajava o trabalho e o lucro.

- Suíça, Holanda, França (huguenotes), Inglaterra (puritanos), Escócia e Irlanda (presbiterianos), Dinamarca.

· O Anglicanismo:

+ Inglaterra.

+ Líder: o rei Henrique VIII.

- o movimento teve uma característica eminentemente política; rompeu com o papado usando problemas pessoais: casamento.

+ Ato de Supremacia (1534): o rei tornava-se chefe da Igreja na Inglaterra.

- excomungado pelo papa, confiscou os bens da Igreja Católica.

+ Elizabeth I:

- mesclou o anglicanismo com os fundamentos calvinistas; garantiu a independência diante de Roma; o monarca como chefe supremo da nova Igreja; manteve a hierarquia eclesiástica.

+ Doutrina Anglicana:

- manutenção da hierarquia eclesiástica; apenas dois sacramentos: comunhão e batismo; Bíblia como fonte de fé; salvação obtida através da graça (predestinação); uso da língua inglesa.


  • A CONTRA-REFORMA:

· Conceito: movimento de reação da Igreja Católica diante do avanço do protestantismo.

- teve um caráter conservador e violento; também chamada de Reforma Católica.

· Momentos:

+ Companhia de Jesus (1534):

- criada pelo militar espanhol Inácio de Loyola em moldes militares; os jesuítas dedicaram-se a educação e a difusão do catolicismo (América, África e Ásia)

+ Concílio de Trento (1545):

- negou qualquer valor às doutrinas protestantes; criou os Seminários e o Catecismo; proibiu a venda de indulgências; manteve a doutrina católica: salvação pela fé e boas obras, o culto à Virgem Maria e aos santos, a existência do purgatório, a infalibilidade do papa, o celibato do clero, a hierarquia eclesiástica e a indissolubilidade do casamento, 7 sacramentos, Bíblia como fonte de fé e interpretação pela Igreja, uso do latim; criou o INDEX: índice de livros proibidos Ò livros religiosos e obras científicas e culturais Ò dificultou o progresso cultural e científico.

+ Inquisição:

- Tribunal do Santo Ofício; criada na Idade Média; tinha por finalidade combater as heresias; prisões, torturas e mortes;

+ Significados:



- não eliminou o protestantismo, mas conseguiu, de certa forma, contê-lo; anulou as principais causas do movimento reformista.

  • OS REFLEXOS DA REFORMA:

- rompimento da unidade cristã; crescente intolerância religiosa; ruptura do poder político do papado; fortalecimento do poder monárquico; guerras provocadas por pretextos religiosos; expansão das práticas capitalistas; expansão da educação popular.


1 Esquema informativo sobre o período. Fonte: www.vestibularseriado.com.br/historia. Acessado em 02/2002.




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