A rede da legalidade no interior gaúcho



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A REDE DA LEGALIDADE NO INTERIOR GAÚCHO

Ângela Maria Zamin1

Vera Lucia Spacil Raddatz2

Resumo


O estudo propõe o resgate de como as emissoras de rádio do interior gaúcho, em especial da região Noroeste, se posicionaram diante da constituição da Rede da Legalidade em agosto de 1961, e, por conseqüência, verificar o envolvimento que tiveram com o movimento desencadeado a partir dos porões do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. A pesquisa desenvolvida na disciplina de Radiojornalismo II, do curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, passa por sete municípios do interior, mais a capital, a partir da adesão das emissoras de rádio que, por vezes contrariando interesses políticos, contribuíram para a defesa da Constituição.
Palavras-chave: Rádio. Legalidade. Brizola.
Agosto de 1961, mês de cães danados3. No Rio Grande do Sul os últimos dias de agosto daquele ano, quando o minuano soprou ainda mais forte, foram marcados pela formação de um ruído uníssono que, em torno do cumprimento da Constituição Federal, integrou, em cadeia, mais de cem emissoras de rádio a partir de comando central instalado no Palácio Piratini, em Porto Alegre. O ruído das rádios, assim como o uivo de uma matilha, ecoou longe, levando a população a se mobilizar em favor da Legalidade.

A presente pesquisa, desenvolvida nos municípios de Santa Rosa, Ijuí, Três Passos, Cruz Alta, Santo Ângelo e Três de Maio, situados na região Noroeste do Rio Grande do Sul, e em Santa Maria, região Central, pretende verificar a participação das emissoras de rádio do interior na Rede da Legalidade, que assegurou a posse de João Goulart como presidente.

Os dados foram coletados por estudantes de Comunicação Social da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, na disciplina Radiojornalismo II, a qual tinha como foco de pesquisa a Rede da Legalidade nos municípios do interior gaúcho. Participaram da atividade e contribuíram para esta pesquisa os acadêmicos Adriana Costa, Ana Julia Nunes Tiellet, Andréia Auozani, Ângelo Manjabosco, Danusa Widz, Eduardo Ritter, Estefânia Linhares, Janaína Wachter Ribeiro, Jaqueline Beck, Jaqueline De Conti, João Maurício Menegol, José Roberto Scheuer, Julio Cezar Leal, Juliana Gomes, Letícia Demolly de Mellos, Maitê Mendonça, Shirley Roehrs, Vanessa Guedes e Vanessa Sampaio.
O eco da Legalidade

A Rede da Legalidade, que iniciou em Porto Alegre nos porões do Palácio Piratini no dia 27 de agosto de 1961, dois dias após a renúncia do presidente Jânio Quadros, ecoou pelo pampa gaúcho, perpassando fronteiras e chegando a outros estados da Federação e a outros países. Com duração de 12 dias, a Rede da Legalidade, como passaria a ser chamada, possibilitou convocar o povo à rebelião contra o não cumprimento da Constituição e, posteriormente, mantê-lo informado acerca do que acontecia no cenário político nacional.

Partimos de Porto Alegre, capital do Estado. O governador Leonel de Moura Brizola é o cérebro que move e une esforços conjuntos iniciando a luta pela resistência e pelo cumprimento da Constituição Federal. Jânio Quadros, eleito presidente da República sob a sigla da União Democrática Nacional – UDN, havia renunciado após sete meses de presidência, entre março e agosto de 1961. João Goulart, da coligação PSD-PTB, vice de Jânio, estava em Cingapura na data da renúncia, após encerrar visita oficial à União Soviética e à China Popular. Impedido de retornar ao país pelos militares, Jango (como é popularmente chamado), após várias escalas, refugia-se no Uruguai e de lá acompanha a movimentação na capital federal e em Porto Alegre.

Hilário Barbian analisa o quadro que leva Brizola a desencadear a mobilização frente ao cumprimento da Constituição:


(...) A situação estava ainda agravada pelo fato do vice-presidente João Goulart, que era cunhado do Leonel Brizola, estar restabelecendo relações diplomáticas com a China Popular. (...) Neste contexto, é que Brizola percebe que está clara a tentativa de um golpe. (...)Brizola acaba tomando a defesa do cumprimento da Constituição. E aí ele começa a levantar todo o povo gaúcho. (...)E a partir da Rádio Guaíba é que ele começa a acenar para o povo gaúcho, para o povo brasileiro, de que era necessário fazer uma resistência ao golpe que estava acontecendo4.
Em agosto de 1961 os rumores de um golpe foram pressentidos por Brizola. O governador acreditava inicialmente que a renúncia de Jânio Quadros havia sido forçada pelos militares, o que não se confirmou. Em seguida, começou a articular forças para que, ao retornar da China, Jango pudesse assumir o poder, em cumprimento à Constituição Federal.

Na madrugada do dia 27 de agosto, durante entrevista coletiva, Brizola esclarece que resistirá ao golpe. Horas depois encampa a Rádio Guaíba a serviço da Secretaria de Segurança Pública, marcando o início da Cadeia da Legalidade. “Após tomar conhecimento da mensagem do marechal Lott, o governador Leonel Brizola determinou ao secretário da Justiça, Francisco Brochado da Rocha, que redigisse um ato requisitando a Rádio Guaíba, para que a mesma passasse a comandar uma rede de emissoras que estariam unidas na defesa da Legalidade”, (Felizardo, 1991, p. 31). O movimento desencadeado a partir do Rio Grande do Sul garante a posse de Jango, mas sob novo regime político – o parlamentarismo, votado às pressas em Brasília. Souza e Soares (1985, p. 40) destacam:


Brizola, em Porto Alegre, lançou pelo rádio um chamado à rebelião contra os que se rebelavam contra a legalidade da Constituição. A Campanha da Legalidade fez abortar o golpe de Estado, garantiu a posse de Jango, estremeceu o Brasil e a América Latina: pela primeira vez neste Continente onde os golpes florescem como os trigais (de acordo com as temperaturas e as chuvas), a mobilização popular imobilizava os tanques. A Cadeia da Legalidade, reunião de todas as emissoras transmitindo dos porões do Palácio, fora o veículo de Brizola.
A atividade da Cadeia da Legalidade iniciou com transmissões de manifestos mesclados a pronunciamentos de Brizola. O radialista Lauro Hagemann, titular da edição local do Repórter Esso, assumiu a locução do programa, revezando-se com outros jornalistas. Hagemann destaca que os radialistas tiveram papel saliente nessa história, porque, por vários dias, foram os porta-vozes dos anseios da população:
Quando começou a transmissão dos porões do Palácio, eu, como radialista, acompanhei aquilo (...) Eu estava sem fazer nada e me dei conta que podia ajudar naquilo. Claro que havia uma dose de idealismo e de pendor político pelo processo. Me dei conta imediatamente que aquele era um momento muito importante da vida do Rio Grande do Sul e se tratava de uma luta entre o cumprimento de uma lei maior, que era a Constituição, e um golpe. E eu naturalmente fiquei ao lado da lei.5
O radialista Luimar Clau6, que atuou na Rede da Legalidade por meio da Rádio Princesa, de Porto Alegre, comenta que as transmissões nos porões do Piratini eram realizadas em meio a um movimento constante de pessoas, tendo Brizola como o articulador das informações. “O governador chegava lá junto à Rádio da Legalidade, entregava seus manifestos, suas convocações e suas falas para serem transmitidos. Era uma coisa rudimentar, mas de muita eficiência. O governador Brizola mantinha sempre os repórteres a par do que estava acontecendo”7.

Clau ressalta que a Rede da Legalidade motivou muito a população que passou a se articular a partir das manifestações transmitidas pelo rádio. “A decisão era espontânea de todas as rádios do interior. Não exigiram nada. Foi o sangue gaúcho que se levantou naquele ocasião”8.


A Legalidade em Cruz Alta

No interior do Estado, no município de Cruz Alta9, distante 347 quilômetros da capital, a Rádio Cruz Alta e os alto-falantes da Estação Ferroviária mantiveram a população informada. Cruz Alta era um dos municípios-pólo da região e de forte aparato militar por acolher três agrupamentos militares – a Bateria de Comando da Artilharia Divisionária da 3ª Divisão de Exército, o Comando da Artilharia Divisionária da 3ª Divisão de Exército e a 3ª Bateria de Lançadores Múltiplos de Foguetes.

O advogado Luiz Carlos Gomes Nunes10, na época vereador pelo PTB, lembra dos dias da Legalidade e da mobilização desencadeada em Cruz Alta. Segundo Nunes, o prefeito, os vereadores e as lideranças de todos os partidos políticos se reuniram na Câmara de Vereadores durante a madrugada e se optou pela adesão ao chamado de Brizola de que se cumprisse a Constituição. O advogado comenta inclusive que se falou em greve geral e na possibilidade de formação de piquetes de guerra interna. Nunes destaca:
No dia seguinte, o povo correu à praça pública, paralisou tudo. Os aviões sobrevoavam ali, dos militares, com objetivo de intimidar o povo. Eu tive inclusive a oportunidade de ir pessoalmente, junto com outros vereadores, ao comandante do 17º Regimento de Infantaria, de Cruz Alta, falecido Gilberto Maia. Fomos lá para intimar o coronel – ou ele aderia a repulsa ao golpe militar, lutando do nosso lado junto com o povo, ou nós vamos (sic) invadir o quartel. O coronel disse: estou com vocês porque estou com a nação. Até onde obedecerem minhas ordens estarei ao lado da legalidade. 11
A Rádio Cruz Alta, segundo as recordações do radialista Jost Pereira12, pertencia às Emissoras Reunidas, que na época formavam um grupo de 19 emissoras, sendo dirigida por Humberto Romano, oficial reformado. Por ter 100 watts de potência era importante que a Rádio aderisse à Rede da Legalidade, o que acabou acontecendo, conforme relata Nunes, tendo à frente das transmissões o radialista Éger Agobar Pereira.

Além dos pronunciamentos de Porto Alegre, dos porões do Piratini, a Rádio Cruz Alta transmitiu manifestações de lideranças políticas locais que passaram a conclamar o povo a luta. Estas mesmas lideranças passaram a se movimentar e a se organizar em apoio a Legalidade, mobilizando civis, conforme relata o radialista Sidinei Amaral13 que, da Estação Ferroviária, acompanhava os acontecimentos, relatando-os a população por meio de alto-falantes. A rádio poste trazia opiniões colhidas na rua acerca da movimentação em prol da posse de João Goulart, conforme relata Amaral:


Nós tínhamos a oportunidade de levar ao conhecimento da população, porque na Estação Ferroviária sempre circulavam diariamente centenas de pessoas porque era um dos pontos principais de atração da cidade naquele período, porque era ali que chegavam as revistas e os principais jornais do Estado e também as de nível (sic) nacional. 14

A Legalidade na Região Noroeste Colonial


No município de Ijuí, distante 410 quilômetros da capital, a Rádio Progresso de Ijuí estava ao lado dos interesses do prefeito municipal Orlando Burmann, um de seus diretores. Burmann era do mesmo partido político de Brizola – o PTB e, anos mais tarde, foram para o exílio no mesmo período no Uruguai. “Tínhamos o mando nela (Rádio Progresso)15 e quando abriu lá a Cadeia ela imediatamente começou a fazer parte. Depois entrou a Repórter e muitas outras passaram a transmitir. O serviço telefônico era muito deficiente, faziam a ligação direta com a emissora da capital e entrava na sintonia da emissora portoalegrense”16.

Além da Progresso, o município de Ijuí contava também com a Rádio Repórter, que, segundo Sady Strapazon, era uma emissora identificada com a direita, ao contrário da outra. “A Repórter era uma rádio muito conservadora, então só dava algumas notícias e só o que o quartel permitia. Inclusive, o PTB tinha um programa pago semanal na Repórter naquela época, e havia recomendações, desde 1961: vocês querem fazer o programa de vocês, fazem, mas primeiro tem que ser revisado pelo quartel”.17

Sady Strapazon, na época vereador do PTB, destaca que pelo fato de Orlando Burmann ser muito amigo de Brizola, recebeu avisos para ir preparando nesta região o pessoal caso houvesse alguma coisa maior. “A Progresso tinha muita importância porque Orlando comandava tudo e nas horas de folga era um dos redatores e ele dizia a verdade nua e crua, o que estava acontecendo. Não pedia que alguém insurgisse contra alguém”. 18

Arno Burmann19 lembra que o 27º Grupo de Artilharia de Campanha, existente em Ijuí, encaminhou armamentos, por meio da Viação Férrea, até Cruz Alta. De Santo Ângelo, município vizinho a Ijuí, embarcaram tropas e material de suprimento. Em Porto Alegre alistaram mais de 200 mil pessoas para a luta e aqui também, segundo Burmann, houve voluntários. Quanto à presença do rádio em 1961 diz:


É preciso entender que uma emissora de rádio tocando o dia inteiro aquelas marchas marciais... mexem com o sujeito (...). O rádio era fundamental (...). A população estava obcecada por aquele movimento, a Rede da Legalidade criou um estado de ânimo e de luta na população. Depois o acordo feito (o parlamentarismo)20 foi rejeitado pela população; queriam a luta, porque entendiam que os militares iam continuar lá como continuaram. Eu me convenci que o povo humilde, este está sempre pronto pra luta21.
Arlindo Kunzler integrou a Rádio Difusora, de Três Passos22, à Rede da Legalidade por considerar o movimento voltado ao respeito a lei, além de público e notório. Kunzler lembra que as rádios eram convidadas pelo comando central e que não havia obrigação de aderir. Neste sentido, a Rádio Difusora “limitou-se a retransmitir o comando central” 23, uma vez que Arlindo Kunzler era politicamente contrário a Brizola24.
A legalidade nas Missões

No município de Santo Ângelo, porta de entrada da região dos Setes Povos das Missões, a rádio de mesmo nome aderiu ao movimento da Legalidade. Tal participação é confirmada pela existência de uma placa comemorativa onde se lê: Rede Nacional da Legalidade. Esta emissora prestou relevantes serviços ao povo e a nação, integrando, a despeito de ameaças e violências, a Rede Radiofônica Nacional da Legalidade, na defesa da Ordem, Democracia e da Constituição. Engenheiro Leonel Brizola, Governador do Rio Grande do Sul. Palácio Piratini. Subterrâneo da Resistência Democrática. Porto Alegre, agosto-setembro de 1961.



A legalidade na Fronteira Noroeste


Situado próximo à divisa do Rio Grande do Sul com a Argentina, o município de Santa Rosa, distante 496 quilômetros de Porto Alegre, assim como o de Cruz Alta ainda hoje é um importante centro militar. O aposentado Geolar dos Santos Dorneles25, que na época integrava o 19º Regimento de Cavalaria Mecanizada, de Santa Rosa, não assumiu posição na época da Legalidade, apenas limitou-se a cumprir ordens.

Os regimentos militares que havia na região se dividiram, “em cada cidade, como Ijuí, Catuípe, havia um ou dois esquadrões”26. Dorneles foi de trem até Santo Ângelo, passando antes por Giruá, onde houve o alerta para que o esquadrão ficasse atento aos possíveis sabotadores. “A partir de Giruá todos estavam prevenidos, com vigilância para frente, para os lados e para trás. Todos armados e com munição. Ninguém tinha medo de nada, porque a instrução militar é administrada durante o ano todo visando sempre enfrentar um possível inimigo” 27. Por meio das rádios locais e das de Porto Alegre o esquadrão mantinha-se informado acerca do que estava acontecendo na capital. “As informações eram de que o movimento aqui no Estado estava coeso, porque o governador tinha o apoio dos partidos políticos da Assembléia e do III Exército”28.

Dorneles relembra que, em Santa Rosa, os partidos políticos e os cidadãos estavam apoiando a Legalidade. “De modo geral todo mundo apoiou, inclusive as unidades que marcharam, levaram muitos veículos civis, caminhões e Kombis para fazer ambulâncias. Os proprietários ofereciam os veículos e mandavam motorista junto”.29

Na microrregião de Santa Rosa, a Rádio Sulina foi porta-voz da Legalidade. Segundo o ex-radialista Pedro Primo Paulo Barilli30, “a Rádio foi um grande meio de convocação, aliás o único. Não havia televisão, não havia outros meios, a não ser os microfones da Sulina onde se irradiavam e se transmitiam todas as informações e convocações”. Barilli acrescenta:


As emissoras, nenhuma daquelas que tenho conhecimento, mesmo aquelas cujos detentores eram os mais ferrenhos adversários do vice-presidente da República, se sentiram obrigados a aderir. Na região foi unânime e pelo que se sabe no Rio Grande a tese foi a mesma. As emissoras do interior, como a Rádio Sulina, ela se integrou (sic) espontaneamente. Mais do que isto, ela tinha além da formação da cadeia, neste espaço as 24 horas canal aberto para a população e as autoridades31.

Indo além da formação de cadeia, a Rádio Sulina colocou seus microfones à disposição das autoridades e da própria população que passou diariamente, ao final da tarde, a se reunir na praça central, em frente à Prefeitura. “Houve uma sintonização popular, de autoridades e de políticos e os meios de comunicação disponíveis entraram em cadeia praticamente 24 horas, pela repercussão, pela retransmissão dos comunicados e pela produção local”32.

A Prefeitura de Santa Rosa passou a ser o palco dos acontecimentos. De lá eram realizados pronunciamentos que, segundo Barilli, tinham o intuito de formar manifestações de adesão e de convocação da população, reunindo no mesmo espaço e de forma espontânea adversários políticos. “Adversários de ontem, ferrenhos, tiraram as diferenças e se uniram em prol da Legalidade”, acrescenta Barilli ao relembrar que as autoridades orientavam a população por meio do rádio:
Um delegado, histórico à época, Wilde Pacheco, um jovem de 23 para 24 anos, ele diariamente tinha um espaço para dar a posição de ordem à população, aconselhamentos como deveriam ser arregimentados e o mesmo acontecendo com o destacamento da Brigada Militar, que era pequeno33.
Além da Rádio Sulina, hoje denominada Santa Rosa, também a Rádio Guaíra, que pertencia à Rede Sulbrasileira34 e hoje é do Grupo Noroeste (Guaíra FM, Noroeste AM e Jornal Noroeste) participou da Rede da Legalidade. Segundo o advogado Paulo Madeira35, a Guaíra foi a rádio que mais se sobressaiu entre as emissoras da Rede Sulbrasileira, uma vez que tinha no comando o jornalista Lito Pillau, que se destacava por sua forte ideologia em defesa da social democracia e por isso defendeu com veemência os princípios da Rede da Legalidade.

O advogado Pedro Fiedoruk, na época funcionário da Prefeitura Municipal de Santa Rosa, não esquece agosto de 1961, em especial da presença do rádio na transmissão dos acontecimentos.


Me lembro bem, que além dos jornais que aqui já tinham circulação normal, a grande vedete na época foi o rádio. Quem tinha rádio tratou de arrumá-lo, tratou de alimentar de bateria. O rádio foi o divulgador dessa resistência (Legalidade36). Na Prefeitura o rádio ficava ligado o dia inteiro. Na época, o que foi interessante foi essa posição em defesa da Constituição. Na época quem mexia com a comunidade era o rádio, funcionou dia e noite. Uma das primeiras providências foi o abastecimento e controle de combustível, mediante as ameaças de bloqueio ao terminal da Petrobrás do Estado37.
Dorneles ressalta que “como hoje, o rádio era o grande veículo de comunicação. Naquele tempo, as rádios locais e de Porto Alegre eram os veículos de informação mais exatos que tinham (sic)”38.

Município próximo a Santa Rosa, Três de Maio foi integrado à Rede da Legalidade por meio da Rádio Colonial, fundada no início dos anos 50. O radialista Honorato Foletto39 relembra que a emissora de Três de Maio passou a transmitir as manifestações da Rede da Legalidade por meio do sinal da Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, mantendo também a programação local. “O sinal chegava ruim, mas ficávamos a maior parte do tempo plugados na Rede da Legalidade. Nós transmitíamos o que a rádio Guaíba transmitia”40. O receio de ser preso com algum material considerado subversivo fez com que nada fosse guardado na Rádio Colonial.


A Legalidade no centro do Estado

A cidade de Santa Maria, localizada na região Central do Estado, sempre se revelou um local importante pelas forças políticas e ideológicas ali existentes que se manifestaram nos mais diferentes momentos da história. Na Legalidade não foi diferente. Os movimentos estudantis, de mulheres, de trabalhadores da viação férrea, atentos aos rumores da época, se juntaram às posições da sociedade, frente ao movimento que tomava conta do Estado.

Eduardo Rolim, médico e vereador, em 1961, contextualiza como se deu a adesão ao movimento:
Até hoje a cidade tem 60, 65% dos eleitores de centro esquerda, essa turma toda apoiava a gente.(...) E assim como aderiram a retransmissão dos pronunciamentos de Brizola, também foram aderindo ao movimento. A rádio era o único instrumento de divulgação imediata de notícias. Ela transmitia a programação da Câmara (...). As reuniões eram feitas à noite, eram gravadas naquelas fitas magnéticas, e depois, no outro dia, eram levadas ao ar.41.

Muitas cartas de apoio à Legalidade foram encaminhadas à Câmara de Vereadores, relatando a disposição de lutar pela democracia, como a da Associação do Núcleo de Ferroviários de Santa Maria que destaca: “manter-se em reunião permanente até a solução definitiva da atual crise brasileira, com respeito as liberdades democráticas, manutenção da legalidade”42. Integradas ao arquivo da Câmara pode-se ainda, hoje, ler a manifestação dos radioamadores:


Apraz-me comunicar a Vossa Excelência que a União Santamariense de radioamadores reunida em Sessão Extraordinária resolveu, por unanimidade de votos, colocar a disposição dessa comenda Câmara todos seus operadores e respectivos equipamentos. Nossos radioamadores atenderão a determinações desse Legislativo, em qualquer hora do dia e da noite, sempre que solicitados em nome da Legalidade43.
Destaque ainda para a carta da mães santamarienses:
No momento em que nossa pátria está exigindo patriotismo de seus filhos, aqui estamos na qualidade de mulheres, mães santamarienses, para apresentar ao patriota, governador gaúcho nossos aplausos e solidariedade pela posição tomada por vossa Excelência. Estamos dispostas a irmos ao extremo dando nossa última gota de sangue em defesa dos princípios democráticos44.
As rádios da cidade – Santamariense, Guarathan, e a Imembuí – aderiram ao movimento espontanemente:
É preciso que se deixe claro que era um movimento espontâneo. Não eram obrigados que não havia e não há até hoje uma lei que obrigue a emissora a entrar numa rede dessas. (...) O governador requisitou a Rádio Guaíba e começou a mandar mensagens, a convidar as outras emissoras a fazer a rede que é para levar mais longe.45
José Salamoni, presidente da Rádio Guarathan, de Santa Maria, ressalta a não obrigatoriedade de adesão à Rede:
Não era obrigatório porque era um movimento mais de caráter político. Era de espontânea vontade, claro, não tinha dúvida nenhuma. A Guarathan, como muitas emissoras gaúchas e do Brasil, (...) aderiu. Quem era democrático participava. Os jornalistas todos46.
Quintino Oliveira, explica que a Santamariense foi fundada com participação financeira do João Belchior Marques Lima. “É a rádio mais janguista que podia ter aqui. Foi o Jango que botou o dinheiro, foi o Jango que conseguiu a concessão com a maior facilidade”47. O radialista diz também que não havia adversários ideológicos ferrenhos à Legalidade. Segundo ele, havia os que tinham medo de João Goulart porque achavam que ele ia proteger o comunismo internacional, o que representava uma ameaça, na época.

A população que apoiava o movimento contribuía também para a rotina das rádios durante a transmissão. Como o sinal sonoro era muito ruim, as pessoas da comunidade emprestavam seus discos para que os hinos marciais fossem rodados. Oliveira comenta que de vez em quando a Rede era interrompida para a transmissão do noticiário local e de informações de utilidade pública.

É importante ressaltar que em Santa Maria, apesar de toda a adesão à legalidade, havia focos de tensão entre as Forças Armadas e a Brigada Militar. Aldomar de Castro48, aluno do Colégio da Brigada Militar na época, relembra que a unidade policial, a qual pertencia, se manteve de prontidão durante toda a Legalidade para agir se fosse necessário. “Então aqui o negócio crescia de importância, porque a qualquer momento poderia acontecer um conflito entre o Exército – aqui havia quatro ou cinco quartéis – e a Brigada Militar que tinha um efetivo enorme aqui em Santa Maria”, comenta o radialista Quintino Oliveira, concordando com Castro.

Santa Maria, pela sua posição geográfica, com a força de suas três rádios, irradiava da boca do monte49 as notícias da Legalidade para toda a região central do Estado.


Considerações Finais

“Durante toda a Campanha da Legalidade, a cadeia se manteve ininterruptamente no ar, transmitindo proclamações de líderes políticos, manifestos de sindicatos e entidades estudantis, informativos acerca do desenrolar do movimento, hinos e marchas patrióticas”, (Souza e Soares, 1985, p. 66). Neste período, as emissoras pesquisadas mantiveram-se retransmitindo a programação gerada em Porto Alegre, por vezes complementando-a com notícias locais acerca da Legalidade. Algumas rádios optaram por limitar os momentos de transmissão em cadeia, mantendo espaços de programação local normal, por questões comerciais ou políticas.

A pesquisa traz a tona, mais uma vez, a força do rádio, medida, no caso da Rede da Legalidade, pela capacidade de mobilização popular. A população agia em decorrência de suas convicções, muito mais do que por ideologia, tanto no interior, quanto na capital. Isso é evidenciado por Brizola:
Em 61 se tratava de derrubar um ato ilegal, foi um momento importante, um relâmpago da história. (...) Nós estávamos agindo pela nossa convicção e não estávamos nos dando conta da importância daqueles fatos. A história nos deu uma bandeja, e se tivéssemos consciência de que era uma questão de honra – a honra é a força revolucionária mais forte – e não de uma ideologia, poderíamos ter dado um rumo diferente para os fatos. (...) Eu tinha uma espécie de monopólio do rádio... eu tinha consciência do poder do rádio. (...) Botei a minha alma lá na locução50.
No interior do Estado, nas regiões contempladas pela pesquisa, percebe-se que no período mesmo as forças antagônicas a Brizola não se comportaram como rivais. Em muitos lugares ocuparam o mesmo palanque em praça pública e os mesmos microfones das emissoras, ficando ao lado da população. “A maioria do povo se pronunciou a favor daquele movimento. E não havia distinção de credo político, de nada. Eu vi muitos que antes eram adversários políticos se juntarem. Isso foi uma coisa notável. Foi o que o movimento da legalidade conseguiu, juntar todo mundo numa direção só”.51

Além de mobilizar emissoras de rádio, Brizola conquista o III Exército, maior autoridade militar do extremo sul do país, e com isso consegue a mobilização em favor da Legalidade nos quartéis espalhados pelo interior gaúcho. João Goulart chega ao poder. Mas, não da forma como desejava o povo e as lideranças políticas favoráveis à Legalidade. Tavares conclui que “a mobilização da Legalidade, ao expandir-se pelo país inteiro, tinha derrotado o golpe de Estado, mas se dobrava ao parlamentarismo”, (2004, p. 215).

“Agosto, sabes, é o mês dos cães danados – aqui no sul, pelo menos”, (Scliar, 2002, p. 153)52.
Fontes Consultadas

Obras Consultadas

FELIZARDO, Joaquim. A legalidade: o último levante gaúcho. 3 ed. Porto Alegre: Editora Universidade / UFRGS, 1991. 78p.

FERRARETTO, Luiz Artur. Legalidade: a força do rádio garantindo o cumprimento da constituição. In.: FILHO, André Barbosa; PIOVESAN, Angelo Pedro; BENETON, Rosana (org.). Rádio: sintonia do futuro. São Paulo: Paulinas, 2004. P. 63-86. (Coleção comunicação – estudos).

SCLIAR, Moacyr. Mês de cães danados. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2002. 179 p.

SOUZA, Alda; SOARES, Floriano. Leonel Brizola. Porto Alegre: AMRIGS Gráfica e Editora Ltda, 1985. (Coleção Esses Gaúchos).

TAVARES, Flávio. Jango Goulart: o salto. In.: O dia em que Getúlio matou Allende e outras novelas do poder. 4 ed. Rio de Janeiro: Record, 2004, p. 193-264.



Entrevistas

AMARAL, Sidinei. Alto-falantes Estação Ferroviária. Cruz Alta, out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida ao acadêmico João Maurício Menegol.

BARBIAN, Hilário. Rede da Legalidade. Ijuí, 22 jun. 2004. Entrevista concedida ao jornalista André Schmidt da Rosa, da Rádio UNIJUÍ FM.

BARILLI, Pedro Primo Paulo. Rádio Sulina. Santa Rosa, out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida às acadêmicas Danusa Widz, Jaqueline de Conti e Shirley Roehrs.

BURMANN, Arno. Legalidade em Ijuí. Ijuí, set. / out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida aos acadêmicos Estefânia Linhares, Janaína Wachter Ribeiro e José Roberto Scheuer.

BURMANN, Orlando. Rádio Progresso de Ijuí. Ijuí, set. / out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida aos acadêmicos Estefânia Linhares, Janaína Wachter Ribeiro e José Roberto Scheuer.

CASTRO, Aldemar de. Legalidade em Santa Maria. Santa Maria, set. / out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida às acadêmicas Ana Júlia Nunes Tiellet, Andréia Auozani e Vanessa Sampaio.

CLAU, Luimar. Rádio Princesa. Santo Ângelo, out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida ao acadêmico Eduardo Ritter.

DORNELES, Geolar dos Santos. Participação Exército de Santa Rosa. Santa Rosa, 1º out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida às acadêmicas Danusa Widz, Jaqueline De Conti e Shirley Roehrs.

FOLETTO, Honorato. Rádio Colonial. Três de Maio, out. 2004. Registro para pesquisa referente a Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida aos acadêmicos Ângelo Manjabosco e Maitê Mendonça.

FRIEDORUK, Pedro. Legalidade em Santa Rosa. Santa Rosa, 1º out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida às acadêmicas Danusa Widz, Jaqueline De Conti e Shirley Roehrs.

HAGEMANN, Lauro. Repórter Esso. Porto Alegre, out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida a acadêmica Letícia Demoly de Mellos.

KUNZLER, Arlindo. Rádio Difusora. Três Passos, set. / out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida a acadêmica Juliana Gomes.

MADEIRA, Paulo. Legalidade em Santa Rosa. Santa Rosa, 1º out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida às acadêmicas Danusa Widz, Jaqueline De Conti e Shirley Roehrs.

NUNES, Luiz Carlos Gomes. Legalidade em Cruz Alta. Cruz Alta, out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida ao acadêmico João Maurício Menegol.

OLIVEIRA, Quintino. Legalidade em Santa Maria. Santa Maria, set. / out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida às acadêmicas Ana Júlia Nunes Tiellet, Andréia Auozani e Vanessa Sampaio.

PEREIRA, Jost. Rádio Cruz Alta. Cruz Alta, out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida ao acadêmico João Maurício Menegol.

ROLIM, Eduardo. Legalidade em Santa Maria. Santa Maria, set. / out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida às acadêmicas Ana Júlia Nunes Tiellet, Andréia Auozani e Vanessa Sampaio.

SALOMI, José. Legalidade em Santa Maria. Santa Maria, set. / out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida às acadêmicas Ana Júlia Nunes Tiellet, Andréia Auozani e Vanessa Sampaio.

STRAPAZON, Sady. Legalidade em Ijuí. Ijuí, out. 2004. Registro para pesquisa referente à Rede da Legalidade no interior gaúcho. Entrevista concedida aos acadêmicos Estefânia Linhares, Janaína Wachter Ribeiro e José Roberto Scheuer.



1 Jornalista, Especialista, Professora da UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul

2 Doutoranda, Professora da UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul

3 Mês de cães danados é o título do romance de Moacyr Scliar, imortal da Academia Brasileira de Letras, que tem como pano de fundo o movimento da Legalidade. O romance obteve em 1977 o Prêmio Brasília, conferido pela Fundação Cultural do Distrito Federal para obras inéditas de ficção.

4 Hilário Barbian é professor de História da UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. A entrevista foi concedida ao jornalista André Schmidt da Rosa, da Rádio UNIJUÍ FM, em 22 jun. 2004.





5 Entrevista concedida por Lauro Hagemann à acadêmica Letícia Demoly de Mellos em out. 2004.

6 Assessor de Imprensa da Câmara de Vereadores de Santo Ângelo. Entrevista concedida ao acadêmico Eduardo Ritter, em out. 2004.

7 Idem 6.

8 Ibidem.

9 O município de Cruz Alta integra a Região do Alto Jacuí.

10 Entrevista concedida ao acadêmico João Maurício Menegol, em Cruz Alta, no 2º semestre de 2004. Luiz Carlos Gomes Nunes foi prefeito de Cruz Alta no período da Ditadura Militar.

11 Idem 10.

12 Entrevista concedida ao acadêmico João Maurício Menegol, em Cruz Alta, no 2º semestre de 2004.

13 Sidinei Amaral era locutor dos alto-falantes da Estação Ferroviária de Cruz Alta. Atualmente trabalha na Rádio Cruz Alta. Entrevista concedida ao acadêmico João Maurício Menegol, em Cruz Alta, no 2º semestre de 2004.

14 Idem 13.

15 Acréscimo meu

16 Entrevista concedida por Orlando Burmann ao acadêmico José Roberto Scheuer, no 2º semestre de 2004.

17 Entrevista concedida aos acadêmicos Estefânia Linhares, Janaína Wachter Ribeiro e José Roberto Scheuer, em Ijuí, no 2º semestre de 2004.

18 Idem.

19 Arno Burmann é irmão de Orlando Burmann. Entrevista concedida aos acadêmicos Estefânia Linhares, Janaína Wachter Ribeiro e José Roberto Scheuer, em Ijuí, em 27 de set. de 2004.

20 Acréscimo meu.

21 Idem 19.

22 O município de Três Passos está a 463 quilômetros de Porto Alegre.

23 Arlindo Kuzler era proprietário da Rádio Difusora em 1961. Entrevista concedida a acadêmica Juliana Gomes, em Três Passos, no 2º semestre de 2004.

24 Idem 23

25 Entrevista concedida às acadêmicas Danusa Widz, Jaqueline De Conti e Shirley Roehrs, em Santa Rosa, em 1º out. 2004.

26 Idem 20.

27 Ibidem.

28 Ibidem.

29 Ibidem.

30 Pedro Primo Paulo Barilli era produtor e apresentador da Rádio Sulina. Na época, além desta emissora, na região, havia rádios em Porto Lucena e Três de maio e mais tarde veio a de Horizontina. Entrevista concedida às acadêmicas Danusa Widz, Jaqueline De Conti e Shirley Roehrs, em Santa Rosa, em 1º out. 2004.

31 Idem 30.

32 Ibidem.

33 Ibidem.

34 A Rede Sulbrasileira pertencia ao grupo Pillau, de Mário Pillau, cujos filhos comandavam as emissoras da Rede na região: Lito em Santa Rosa, Luis em Horizontina e Lineu em Panambi e, ainda, em Cruz Alta.

35 Paulo Madeira atuou como radialista em Porto Alegre e em Santa Rosa. Entrevista concedida às acadêmicas Danusa Widz, Jaqueline De Conti e Shirley Roehrs, em Santa Rosa, em 1º out. 2004.

36 Acréscimo meu

37 Entrevista concedida às acadêmicas Danusa Widz, Jaqueline De Conti e Shirley Roehrs, em Santa Rosa, em 1º out. 2004.

38 Idem37.

39 Honorato Foletto atuava na Rádio Colonial, em 1961, como operador de som. Entrevista concedida aos acadêmicos Ângelo Manjabosco e Maitê Mendonça, em Três de Maio, no 2º semestre de 2004.

40 Idem 39.

41 Entrevista concedida às acadêmica Ana Júlia Nunes Tiellet, Andréia Auozani e Vanessa Sampaio, em Santa Maria, em set. / out. 2004.

42 Fotocópia cedida pela Câmara de Vereadores de Santa Maria. Coleta documental realizada pelas acadêmicas Ana Júlia Nunes Tiellet, Andréia Auozani e Vanessa Sampaio em set. / out. 2004.

43 Idem 42.

44 Ibidem.

45 Quintino de Oliveira, jornalista e locutor da Rádio Santamariense. Entrevista concedida às acadêmicas Ana Julia Nunes Tiellet, Andréia Auozani e Vanessa Sampaio em set. / out. 2004.

46 Entrevista concedida às acadêmicas Ana Julia Nunes Tiellet, Andréia Auozani e Vanessa Sampaio, out. 2004.

47 Idem 45.

48 Entrevista concedida por Aldomar de Castro às acadêmicas Ana Julia Nunes Tiellet, Andréia Auozani e Vanessa Sampaio em set. / out. 2004.

49 Música Santa Maria, de Hermes de Aquino, faz referência ao nome inicial do município, Santa Maria da Boca do Monte, situada ao pé da serra geral, circundada por morros. Uma das definições dos índios para essa localização era “caá-yurú”, ou “boca do mato”.

50 Depoimento de Leonel Brizola a TVE/RS para o programa Brizola: os bastidores da Legalidade, exibido em 2004.

51 Lauro Hagemann.

52 Idem 3.




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